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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Estudo utiliza ultrassom para avaliar quantitativamente a saúde dos ossos


A partir da esq., Aldo Pereira exibe o gerador de ultrassom; Marco Antônio von Kruger, o fêmur de rato; e Wagner Coelho, o transdutor ultrassônico (Foto: Divulgação/Coppe/UFRJ)

Nesta segunda-feira, dia 1º de outubro, foi o Dia Internacional do Idoso. Daqui a pouco mais de uma década, em 2030, o Brasil será o sexto país no mundo com o maior número de pessoas na terceira idade, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O aumento da longevidade da população, apesar de ser uma boa notícia, vai trazer novos desafios para a gestão da saúde pública, com a maior incidência das doenças associadas ao envelhecimento. “Entre as doenças que se tornarão mais comuns está a osteoporose, atualmente responsável por mais de 8,9 milhões de fraturas por ano em todo o mundo, de acordo com a Fundação Internacional de Osteoporose. É a doença osteometabólica mais comum entre os idosos”, disse o fisioterapeuta Aldo José Fontes Pereira, pesquisador de pós-doutorado do Laboratório de Ultrassom do Programa de Engenharia Biomédica, vinculado ao Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Durante o seu doutorado na instituição, concluído em 2016 com o apoio de uma bolsa Nota 10 da FAPERJ, ele deu início ao aprimoramento de uma ferramenta computacional capaz de avaliar a qualidade óssea e suas possíveis lesões, por meio do Ultrassom Quantitativo (Quantitative Ultrasound – QUS). A técnica tem a vantagem de ser simples, de baixo custo, de não emitir radiações ionizantes e não ser invasiva. “O Ultrassom Quantitativo pode fornecer informações com base em métodos numéricos, para diagnosticar lesões ósseas e monitorar a consolidação de fraturas ou tratamentos. Atualmente, a população conhece o ultrassom de imagens, mas o Ultrassom Quantitativo fornece números, que poderão ajudar médicos e fisioterapeutas a caracterizar o perfil dos elementos ósseos, que compõem o interior do osso. Assim, é possível saber se o osso está mais ou menos íntegro, mais denso ou não, a partir de parâmetros numéricos que devem estar dentro de um referencial. O ultrassom é uma onda mecânica com a qual é possível gerar um pulso. Mas em vez de transformar a onda em imagem eu transformo em números”, resumiu Pereira.

Apesar dessa técnica já ser conhecida no mundo acadêmico, ainda são necessários mais estudos para criar uma padronização dos métodos e parâmetros ultrassônicos a serem seguidos, para que ela possa ser difundida clinicamente. “Vemos a possibilidade de criar uma patente dos parâmetros que estamos desenvolvendo e de projetar um possível equipamento, um software para interpretar os dados. Já existem equipamentos de ultrassom quantitativos, mas há discordâncias devido à falta de parâmetros deles. Por isso, e pela importância de tratar as doenças relacionadas ao envelhecimento como um assunto estratégico para a saúde pública, escolhi trabalhar com esse tema”, justificou o pesquisador. A tese de doutorado foi orientada e co-orientada, respectivamente, pelos professores do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe/UFRJ Wagner Coelho de Albuquerque Pereira, que é físico, e Marco Antônio von Krüger, engenheiro.


A osteoporose é responsável por mais de 8,9 milhões de fraturas por ano no mundo (Foto: Divulgação)


A densidade mineral óssea é um importante parâmetro para identificar doenças ósseas e fraturas. Sabendo disso, ele avaliou, em testes laboratoriais realizados na Coppe/UFRJ, o potencial do Ultrassom Quantitativo para monitorar as alterações ósseas sofridas nos fêmures de ratos, após a perda de cálcio, fósforo e magnésio resultante de um processo de desmineralização. “Imergimos os ossos em uma solução de ácido etilenodiamino tetra-acético, corrosiva, para induzir o processo de desmineralização. Depois, fizemos testes para analisar os ossos por meio dos dados obtidos com o Ultrassom Quantitativo. A ferramenta considerou quatro parâmetros, que ajudam a quantificar os níveis de integridade da superfície óssea e da parte interna do osso”, detalhou.

Ele explica que a superfície do osso é como um espelho. Se ela estiver íntegra, a onda acústica emitida pelo Ultrassom Quantitativo bate e volta inteiramente, porque tem altos índices de reflexão. Mas se o “espelho” ósseo reflete menos é porque a luz penetra mais e, ao ser absorvida, permite um detalhamento dos elementos presentes no interior do tecido ósseo. “É possível acompanhar lesões ou outras características do tecido ósseo pelo modo como ele reflete a onda emitida pelo Ultrassom, pelos parâmetros físicos de retroespalhamento e reflexão”, contou. “Os resultados mostraram uma clara relação entre a desmineralização e a correspondente diminuição nos parâmetros de reflexão. Assim, é uma indicação de que o protocolo proposto tem potencial para caracterizar o tecido ósseo em modelos animais, fornecendo resultados consistentes para a padronização de estudos de caracterização óssea pelo Ultrassom Quantitativo, e endossando futuramente seu uso em humanos”, completou.

A pesquisa teve como desdobramento a recente publicação, no dia 10 de agosto, de um artigo na renomada revista internacional Scientific Reports, do grupo Nature, intitulado “Monitoring bone changes due to calcium, magnesium, and phosphorus loss in rat femurs using Quantitative Ultrasound” (veja o artigo: https://www.nature.com/articles/s41598-018-30327-7). Para Pereira, a publicação é um reconhecimento importante, em uma área de estudo que precisa de mais visibilidade entre a população. “O conhecimento sobre o tecido ósseo que temos atualmente ainda é pequeno. Não há uma completa compreensão do processo de reparação óssea. Só em 2011 tivemos a primeira imagem de alta qualidade de um osteócito (célula óssea), fruto de uma pesquisa desenvolvida no Reino Unido. Mas o osso é quase tão complexo quanto o cérebro. Por exemplo, a quantidade de osteócitos pode influenciar no funcionamento do rim, e até mesmo, na fertilidade masculina. Não podemos esperar os primeiros sinais de declínio da qualidade óssea. Devemos rever a nossa forma de pensar sobre os ossos e iniciarmos precocemente os primeiros cuidados”, concluiu.







Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 04/10/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3634.2.9

terça-feira, 17 de abril de 2018

Medicamento contra osteoporose pode provocar necrose nos ossos dos maxilares

O nome é comprido e ainda desconhecido para muita gente: estomatologia é a especialidade da odontologia que trata das doenças da boca. Há inúmeros problemas que podem afetar a região, mas conversei com o doutor Abel Silveira Cardoso, professor da UFRJ, um dos fundadores e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estomatologia e Patologia Oral, sobre uma questão relativamente nova: a osteonecrose nos maxilares induzida por medicamentos. E por quê? A explicação é um pouco longa, mas vale cada palavra. Trata-se de um quadro clínico envolvendo perda da vitalidade óssea na região maxilo-facial, provocado pelo uso de medicamentos antirreabsortivos ou antiangiogênicos. As drogas mais frequentemente associadas a este problema pertencem ao grupo dos bisfosfonatos. São remédios usados há muito tempo na área de oncologia, em pacientes com mielomas múltiplos e metástases ósseas osteolíticas. Por impedirem a reabsorção óssea, limitam o crescimento do tumor, aliviando as dores associadas à enfermidade.



Dr. Abel Cardoso: “O medicamento em si não é ruim. A questão é como está sendo utilizado” (Foto: Mariza Tavares)

Os bisfosfonatos ligam-se ao osso e levam de dez a 12 anos para serem eliminados, o que prolonga seus efeitos – tanto os benéficos quanto os indesejáveis. Na batalha contra o câncer, os médicos sempre consideraram que os efeitos colaterais valiam a pena diante dos benefícios para o paciente. No entanto, os problemas ganharam outra dimensão quando os bisfosfonatos, agora ministrados por via oral, foram incorporados no combate à osteoporose. Embora a incidência da osteonecrose seja relativamente menor em pacientes com osteoporose do que naqueles com câncer, há muito mais gente – mulheres, em sua maioria – fazendo uso desse tipo de medicação. Por isso os consultórios dentários vêm observando o aumento do número de casos de osteonecrose nos maxilares, associada ao uso desse medicamento. Os sintomas principais são dor forte, parestesia (alterações sensoriais, ardência ou formigamento), alveolites e a própria exposição do osso. Complicações são mais frequentes após os procedimentos cirúrgicos invasivos e há grande risco de perda de trabalhos protéticos suportados por implantes.

“O medicamento em si não é ruim. Em tumores malignos com lesões ósseas diminui a dor e evita fraturas. A questão é como está sendo utilizado”, afirmou o doutor Abel. Ele se preocupa especialmente com a expansão do uso de bisfosfonatos, e outras substâncias conhecidas como antirreabsortivas, em casos de osteopenia, o estágio anterior à osteoporose. “O uso de bisfosfonatos na osteopenia talvez não seja bem indicado, o que pode aumentar exponencialmente o número de pessoas expostas aos efeitos indesejáveis”, explica. O uso do medicamento por via oral por mais de três anos é um fator que aumenta o risco de ocorrência de problemas. Quando a utilização é por via venosa, esse prazo encurta. Para a osteoporose, além da via oral, também vem sendo indicado um bisfosfonato na forma de uma infusão anual – o mesmo que era usado por via venosa em oncologia. E ainda há outro antirreabsortivo sendo ministrado semestralmente por via subcutânea.

A osteonecrose foi descrita pela primeira vez em 2003, pelo cirurgião buco-maxilo-facial Robert E. Marx, da Universidade de Miami, que chamou a atenção para o que considerava uma “epidemia crescente”. O tratamento busca controlar a dor, limitar a infecção secundária e a área de osso exposto. Quem faz uso dessas substâncias tem que relatar sua utilização ao dentista, ainda mais se for se submeter a qualquer tipo de cirurgia, como extrações, enxertos e implantes. “Em pacientes oncológicos, onde o risco de osteonecrose é maior, a melhor conduta é a prevenção. Sempre que possível, antes de iniciar o tratamento quimioterápico, é importante procurar o dentista para um exame prévio e para promover uma adequação da cavidade oral, eliminando problemas que poderiam necessitar extrações dentárias ou procedimentos cirúrgicos invasivos durante a quimioterapia. A comunicação entre os profissionais de saúde é fundamental”, conclui o doutor Abel.


Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 17/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2018/04/17/medicamento-contra-osteoporose-pode-provocar-necrose-nos-ossos-dos-maxilares.ghtml

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Restos humanos e ossos de animais da Era do Gelo são encontrados em caverna do México





Restos mortais de humanos que viveram na Era do Gelo são encontrados em caverna no México

Arqueólogos que exploram a maior caverna inundada do mundo, localizada no México, descobriram restos humanos de no mínimo 9 mil anos de idade e ossos de animais que habitavam a Terra durante a última Era do Gelo.


Um grupo de mergulhadores recentemente conectou duas cavernas submarinas no leste do México e revelou o que se acredita ser a maior caverna inundada do planeta, uma descoberta que pode ajudar a lançar uma nova luz sobre a antiga civilização maia.


A península de Yucatán está repleta de relíquias monumentais do povo maia, cujas cidades contavam com uma rede extensa de escoadouros ligados a águas subterrâneas, conhecidos como cenotes.


Pesquisadores dizem ter encontrado 248 cenotes no sistema de cavernas de 347 quilômetros conhecido como Sac Actun, próximo do balneário de Tulum. Dos 200 sítios arqueológicos que localizaram ali, cerca de 140 são maias.




Mergulhadores exploram sistema de cavernas submarinas de Sac Actun, no México (Foto: Herbert Mayrl/Projeto Grande Aquífero Maia (GAM))


Alguns cenotes adquiriram um significado religioso particular para os maias, cujos descendentes continuam a habitar a região.


Além dos restos humanos, eles também encontraram ossos de bichos-preguiça gigantes, elefantes antigos e ursos extintos do período Pleistoceno, disse o Ministério da Cultura mexicano em um comunicado.


A descoberta da caverna abalou o mundo da arqueologia.


"Acho que é impressionante. Sem dúvida é o maior sítio arqueológico submarino do mundo", disse Guillermo de Anda, pesquisador do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (Inah).



De Anda também é diretor do Grande Aquífero Maia (GAM), um projeto dedicado ao estudo e à preservação das águas subterrâneas da península de Yucatán.


De acordo com o Inah, o nível das águas subiu 100 metros no final da Era do Gelo, inundando o sistema de cavernas e criando as "condições ideais para a preservação dos restos da megafauna extinta do Pleistoceno".


A época geológica deste período, a Era do Gelo mais recente, começou 2,6 milhões de anos atrás e terminou há cerca de 11.700 anos.



Autor: G1 Globo Saúde
Fonte: G1 Globo Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Globo Saúde
Data de Publicação: 20/02/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/restos-humanos-e-ossos-de-animais-da-era-do-gelo-sao-encontrados-em-caverna-do-mexico.ghtml