Mostrando postagens com marcador pâncreas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pâncreas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Terapias para carcinoma de pâncreas

Em um artigo publicado na edição de setembro (14) da revista Cancer Research, uma equipe de pesquisadores apresentou os resultados de um estudo que teve como objetivo distinguir o perfil genômico do carcinoma adenoescamoso do pâncreas (ASCP, sigla em inglês) e identificar alvos terapêuticos ​​para esta variedade letal de câncer. O ASCP é uma variante rara do adenocarcinoma pancreático ductal (PDAC, sigla em inglês), caracterizando-se por ser de mais difícil prognóstico e maior potencial metastático do que o PDAC. A caracterização do ASCP se dá pela presença de mais de 30% de células epiteliais escamosas no tumor, o que não acontece com pâncreas normal.

Para isso, a equipe aplicou a citometria de fluxo de conteúdo de DNA em uma série de quinze amostras de tumores, dentre essas, cinco eram de pacientes com xenoenxertos (PDX, sigla em inglês). Utilizando um ensaio para cromatina acessível por transposase (ATAC-seq), os pesquisadores analisaram frações dessas amostras tumorais contendo, uma variação do número de cópias (CNV, sigla em inglês para copy-number variant) e a sequência do exoma completo. O exoma completo é o exame que analisa todas as regiões codificadoras do genoma humano (éxons), com o objetivo de identificar variantes que possam estar relacionadas com a doença do paciente.

A partir dessas análises foi possível identificar diversas mutações e variantes genômicas, comumente encontradas tanto no PDAC quanto no ASCP. Além dessas descobertas, a equipe identificou dois alvos terapêuticos potenciais exclusivos para genomas ASCP, a sinalização de FGFR, uma fusão dos genes FGFR1-ERLIN2, e um regulador de células-tronco de câncer pancreático (RORC). Por meio desses dados, foi possível obter uma descrição única do perfil genômico e epigenômica do ASCP e com isso, identificar os alvos terapêuticos para o tratamento dessa variedade de câncer letal.

Nesse estudo, a equipe de pesquisadores conseguiu demonstrar também uma significativa atividade do gene pan-FGFR, um inibidor de organoides derivados da fusão FGFR1-ERLIN2. De acordo com o artigo, “especificamente, os organoides que carregam a fusão FGFR1-ERLIN2 mostram uma resposta significativa ao tratamento farmacológico de inibição de FGFR.




“A equipe concluiu que esses resultados aumentam a compreensão deste subtipo letal de câncer de pâncreas e fornece novos alvos candidatos para o desenvolvimento de terapias eficazes para pacientes com ASCP e PDAC potencialmente refratários”.

01/10/2020
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG



Autor: Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
Fonte: Equipe Biotec AHG
Sítio Online da Publicação: AHG
Data: 01/10/20
Publicação Original: http://www.biotec-ahg.com.br/index.php/pt/acervo-de-materias/saude/885-terapias-para-carcinoma-de-pancreas-

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Uma nova tentativa para deter o câncer de pâncreas



Wagner José Fávaro, orientador do estudo: buscando associações terapêuticas para tumores

O câncer de pâncreas, um dos mais agressivos, é responsável por cerca de 5% das mortes por tumores em todo o mundo. Dependendo do tipo e do tempo decorrido para o diagnóstico, a sobrevida do paciente é baixíssima e as alternativas terapêuticas escassas, devido a metástases e ao comprometimento funcional de outros órgãos, particularmente do fígado. Inquietado pela agressividade desse tumor, o professor Wagner José Fávaro, do Departamento de Biologia Estrutural e Funcional do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, orientou pesquisa visando caracterizar a histopatologia e a progressão da doença, bem como comparar os efeitos da imunoterapia associada à quimioterapia sobre ela.

O estudo verificando o papel da imunoterapia, que utiliza o sistema imunológico do indivíduo no combate à doença, e a ação da quimioterapia na distribuição das células tumorais, foi realizado em 50 animais de laboratório. Os resultados mostraram que a associação de imunoterapia e quimioterapia para o tratamento do câncer do pâncreas levou à redução de 80% do tumor nesses animais, podendo contribuir para o desenvolvimento de uma nova modalidade terapêutica para esta doença. O trabalho culminou na dissertação de mestrado de Mariana Martins dos Santos (bolsa Capes), que contou com a colaboração em nível de iniciação cientifica de Maísa Massafera (bolsa Fapesp) e a coorientação do professor Patrick Vianna Garcia, também do IB.

Wagner Fávaro explica que nos casos de câncer de pâncreas em que a intervenção cirúrgica não é possível, resta apenas a quimioterapia, que não encontra resposta para 40% a 60% dos pacientes, ou exigem a aplicação de uma associação de quimioterápicos. Entretanto, como esse tumor tem a capacidade de se propagar rapidamente para outros órgãos, e sendo o fígado seu primeiro alvo, o comprometimento hepático restringe muito a utilização de tais medicamentos.

Por isso, a preocupação nessa pesquisa de verificar primeiramente a possibilidade de combater o tumor ativando o sistema imunológico do individuo. Foi utilizado um fármaco que ativa os receptores do sistema imune e cria condições potenciais de ataque ao tumor. Tal terapêutica, que já se revela eficaz para outros tumores, ainda não havia sido estudada para o câncer de pâncreas. Acrescente-se que, apesar dos muitos fármacos desenvolvidos para atuar sobre cânceres, poucos são efetivos para este órgão.

O trabalho

Diante desse quadro, Fávaro se colocou algumas questões: a ativação do sistema imunológico determinaria o ataque às células tumorais pancreáticas de forma a levar à melhora do paciente?; a associação da imunoterapia e da quimioterapia poderia determinar resultados mais efetivos no ataque a esse tipo de tumor?; ou, ainda, essa associação poderia viabilizar, quanto necessário, a redução da dose do quimioterápico, minimizando seu efeito tóxico, que se manifesta na destruição inclusive das células sadias?.

Procurando responder a esses questionamentos, foram utilizados o imunomodulador P-MAPA (sigla em inglês para agregado polimérico de fosfolinoleato-palmitoleato de magnésio e amônio proteico), produto proveniente do fungo Aspergillus oryzae, substância ainda não comercializada, e o quimioterápico gemcitabina, já bastante conhecido. “A nossa surpresa foi que os tumores de pâncreas são sensíveis à ativação local do sistema imune e essa resposta se mostra até um pouco superior e mais efetiva que a quimioterapia, mas não suficiente. Mas quando associada à quimioterapia, leva à redução de 80% dos tumores induzidos nos animais estudados”.

A explicação, acrescenta o pesquisador, é que o imunomodulador, ao alcançar o tecido tumoral, desencadeia uma resposta inflamatória mais exacerbada contra as células tumorais, mecanismo natural do organismo no ataque a corpos que lhe são estranhos. Além de ativar o sistema imune do tecido capaz de atacar o tumor, o imunomodulador reduz os vasos sanguíneos que o nutrem. Paralelamente, a quimioterapia, que possui outro mecanismo, destrói as células doentes e interrompe a produção de novas células tumorais. Essa associação terapêutica mostrou-se muito efetiva, reduzindo e detendo o câncer. Para ele, o trabalho abre perspectiva para aplicação dessa associação terapêutica em humanos, possibilitando prolongar e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Segundo o docente do IB, o próximo passo previsto envolve o teste de sobrevida, ainda em animais, a fim de determinar o tempo que o tumor leva para voltar a se manifestar depois de interrompida a medicação, o que servirá inclusive para estabelecer o período em que ela precisa ser aplicada. Há ainda necessidade de testar a terapêutica em outros animais com características semelhantes.


Pesquisadores trabalham no Departamento de Biologia Estrutural e Funcional do IB

Contexto multidisciplinar

O anatomista Wagner José Fávaro lidera o Laboratório de Carcinogênese Urogenital e Imunoterapia do IB, que começou a trabalhar com tumores da próstata e bexiga urinária e depois expandiu os estudos para cânceres de ovário, mama, colorretal e pâncreas. Ele credita essa evolução e amplitude a parcerias que deram às pesquisas dimensões multidisciplinares. Entre elas, o professor menciona os trabalhos conjuntos com os setores de urooncologia e cirurgia do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp. Sua atuação docente se estende também à Faculdade de Ciências Médicas (FCM), ministrando aulas no curso de graduação e orientando alunos do Programa de Pós-graduação em Ciências da Cirurgia – onde efetivamente se desenvolveu essa dissertação sobre o câncer de pâncreas.

Outra contribuição que o pesquisador considera fundamental advém da parceria com o Laboratório de Química do Estado Sólido (LQES) e com o Laboratório de Química Biológica (LQB) coordenados, respectivamente, pelos professores Oswaldo Luiz Alves e Nelson Durán, ambos do Instituto de Química (IQ) da Unicamp. A partir de 2013 esses laboratórios se fundiram no Laboratório de Síntese de Nanoestruturas e Interação com Biossistemas (NanoBioss). Surgia, assim, um laboratório associado de referência do Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologias (SisNano), financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que reúne os maiores especialistas desta área no país.

A parceria com os profissionais do IQ tem levado ao desenvolvimento, para aplicação biológica, de novos fármacos, suas sínteses e caracterizações, o que vem possibilitando o emprego de novas associações terapêuticas para tumores. O pesquisador faz questão de enfatizar que “essas parcerias estão sempre voltadas para as necessidades da sociedade, retribuindo na forma de conhecimento o que o país gasta com suas universidades”.

Autor: CARMO GALLO NETTO
Fonte: Unicamp
Sítio Online da Publicação: Unicamp
Data de Publicação: 24/01/2018
Publicação Original: https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2018/01/23/uma-nova-tentativa-para-deter-o-cancer-de-pancreas

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Os sintomas de câncer de pâncreas que muitas vezes passam despercebidos



Sintomas como dor no estômago, indigestão e perda de peso muitas vezes passam despercebidos. Mas podem indicar um problema grave - que, quanto antes for identificado, mais chances tem de ser curado.





São sinais, por exemplo, do câncer de pâncreas. A doença pode ser fatal e, segundo uma organização beneficente britânica, um em cada três adultos acaba ignorando seus sintomas.


Nikki Davies foi diagnosticada com câncer de pâncreas em março, aos 51 anos. O tumor dela foi identificado logo no início, o que fez com que ainda fosse possível removê-lo cirurgicamente.


"Eu tive muita sorte que o meu pôde ser retirado na operação e que não tinha se espalhado ainda, pelo menos até onde se sabe", conta Nikki.


"Minha dica para as outras pessoas é que ninguém conhece melhor seu corpo do que você mesmo. Então fique atento aos sinais, para saber quais são os sintomas, e fale com seu médico se notar qualquer coisa que não seja normal para você", recomenda.


Nikki começou a suspeitar que havia algo errado quando passou a sentir uma dor muito forte no estômago.


"Acredito que, no fundo, você sabe quando há algo errado. No meu caso, foi a dor. Era como se tivesse um animal me devorando por dentro. Sentia dor nas costas também, entre os ombros. E perdi muito peso bem rápido", relembra.


"Eu não sabia nada sobre câncer de pâncreas antes do meu diagnóstico e certamente não sabia nada sobre os sintomas", completa.



Conheça os sinais



Atualmente, apenas uma em cada 10 pessoas diagnosticadas com câncer de pâncreas sobrevive mais do que cinco anos. Isso acontece principalmente porque os pacientes são diagnosticados tardiamente, quando as opções de tratamento já são muito limitadas, segundo a Pancreatic Cancer UK, organização que luta contra esse tipo de câncer no Reino Unido.


Uma pesquisa feita pela organização com 4 mil adultos mostra que o conhecimento sobre os sintomas da doença ainda é muito reduzido.



Alex Ford, chefe da organização, explica que a intenção não é causar pânico, uma vez que "a maioria das pessoas que apresenta algum desses sintomas não tem câncer de pâncreas."


"Mas é essencial que elas saibam mais sobre a doença e que falem com seu médico se tiverem alguma preocupação", acrescenta.


"Quanto antes as pessoas forem diagnosticadas, mais elas têm chances de fazer a cirurgia, que é o tratamento mais eficiente e que consegue salvar vidas", ressalta.


No Brasil, o câncer de pâncreas representa 2% dos casos de câncer - e 4% das mortes causadas pela doença, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). É mais comum em pessoas acima de 60 anos e tem maior incidência entre homens.




Sintomas comuns do câncer de pâncreas incluem:


Dor no estômago e nas costas
Perda de peso sem motivo
Indigestão
Mudança nos hábitos intestinais, como fezes que flutuam




Outros indícios são:


Perda de apetite
Icterícia (pele ou olho amarelado)
Sensação de estar doente
Dificuldade de engolir
Diagnóstico recente de diabetes


Autora: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 06/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/os-sintomas-de-cancer-de-pancreas-que-muitas-vezes-passam-despercebidos.ghtml