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quarta-feira, 23 de junho de 2021

A crescente crise socioambiental e o pouco tempo que nos resta

Eis a íntegra da exposição e do debate.

 

A crescente crise socioambiental e o pouco tempo que nos resta
Perda de biodiversidade, pandemias e horizontes: “O tempo agora trabalha contra nós”, avalia Luiz Marques

Por Jonas Jorge da Silva, IHU

Amparado em dados científicos, convicto da transversalidade da crise socioambiental e de que as respostas aos seus problemas estruturais só podem ser alcançadas por decisões tomadas democraticamente, Luiz Marques, professor livre-docente do Departamento de História, da Universidade Estadual de Campinas, apresentou um amplo panorama das causas da atual crise pandêmica. Na verdade, colocou-a em seu devido lugar no amplo leque das ameaças à sobrevivência de nossa espécie.

Sua exposição se deu no marco do debate [online] Crise sanitária: da perda de biodiversidade à era das pandemias, quarto encontro da série de debates Crise sistêmica, complexidade e desafios planetários, realizado no último dia 19 de junho.

A iniciativa conta com a parceria e o apoio de diversas instituições: Instituto Humanitas Unisinos – IHU, Núcleo de Direitos Humanos da PUCPR, Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB, Comunidades de Vida Cristã – CVX, Observatório Nacional Luciano Mendes de Almeida – OLMA e Departamento de Ciências Sociais, da Universidade Estadual de Maringá.

Marques, autor do livro Capitalismo e colapso ambiental, 2015, 3ª edição, 2018, iniciou sua exposição com uma frase do entomologista estadunidense Edward Wilson: “Destruir uma floresta tropical para obter ganho econômico é como queimar uma pintura do Renascimento para cozinhar uma refeição”. E avaliou a atual destruição das florestas como um suicídio para a humanidade.

Fazendo menção à sexta extinção em massa, enfatizou que não há precedentes na história em relação ao impacto que a ação humana provoca na biodiversidade do planeta. Nesse sentido, fez uma síntese do artigo Underestimating the Challenges of Avoiding a Ghastly Future [Subestimando os desafios para evitar um futuro pavoroso], publicado por 17 pesquisadores, em janeiro desse ano, no periódico Frontiers in Conservation Science, levantando nove constatações:

1. A biomassa da vegetação terrestre foi reduzida em 50%, nos últimos 11.000 anos (Holoceno);

2. Houve perda de mais de 20% de sua biodiversidade original;

3. O Homo sapiens alterou mais de 70% da superfície terrestre da Terra;

4. Houve extinções de mais de 700 espécies de vertebrados documentados e cerca de 600 espécies de plantas, nos últimos 500 anos;

5. O tamanho da população de espécies de vertebrados monitoradas diminuiu em média 68%, desde 1970, com certos grupos populacionais em declínio extremo;

6. Cerca de 1 milhão de espécies eucarióticas podem se extinguir, nos próximos poucos decênios (IPBES 2019);

7. Cerca de 40% das plantas estão em perigo de extinção;

8. A biomassa global de mamíferos selvagens é menos de 25% daquela estimada para o Pleistoceno Superior (355.000 a 82.800 mil anos AP);

9. Os insetos estão desaparecendo rapidamente em muitas regiões (90% da vitamina C de que precisamos provém de frutas, verduras, óleos e sementes polinizados por insetos).



Diante desse panorama, segundo Marques, a situação é tão grave que Robert Watson, diretor da IPBES [Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos], em uma entrevista, reconheceu que “o tempo para a ação era ontem ou anteontem” e que “proteger a biodiversidade é tão importante quanto combater as mudanças climáticas”.

De fato, de acordo com as informações da IPBES, “1 milhão de espécies ou 12,5% das 8 milhões de espécies (Eukariota) estimadas na Terra podem se extinguir nas próximas poucas décadas”. Marques chamou a atenção, por exemplo, para os riscos relacionados à extinção dos polinizadores, que pode comprometer seriamente a produção de alimentos no mundo.

Sendo assim, apresentou alguns dados em relação à nossa dependência dos polinizadores: das 141 espécies de plantas cultivadas no Brasil, cerca de 60% (85 espécies) dependem da polinização animal; 90% da vitamina C provém de frutas, verduras, óleos e sementes polinizados por insetos; e os polinizadores também melhoram ou estabilizam as colheitas de três quartos das culturas agrícolas, ou um terço das colheitas por volume.

Outro elemento preocupante é o uso intensivo de agrotóxicos nas plantações. De acordo com informações de Luciana de Oliveira e Rikardy Tooge, em reportagem para o G1, só em 2019, o Brasil aprovou o registro de 474 agrotóxicos, o maior número registrado pelo Ministério da Agricultura, desde 2005, quando começou a fazer essa divulgação. Para um melhor aprofundamento sobre o tema, Marques recomendou o trabalho de Larissa Mies Bombardi, intitulado Geografia do uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, de 2017.

Para exemplificar como a perda da biodiversidade está acelerada, Marques comparou a Terra a uma bateria. Para isso, recorreu ao artigo Human domination of the biosphere: Rapid discharge of the earth-space battery foretells the future of humankind [Dominação humana da biosfera: a rápida descarga da bateria do espaço terrestre prediz o futuro da humanidade], dos pesquisadores John R. Schramski, David K. Gattie e James H. Brown, publicado na revista científica estadunidense PNAS.

De acordo com os pesquisadores, “a Terra é uma bateria química onde, ao longo da evolução, com uma carga lenta de fotossíntese usando energia solar, bilhões de toneladas de biomassa viva foram armazenadas em florestas e outros ecossistemas e em vastas reservas de combustíveis fósseis”. A questão é que o sistema econômico globalizado está descarregando essa bateria de forma muito rápida.

Entre tantos outros elementos problematizados, Marques deu grande ênfase ao desmatamento e suas consequências. Conforme apontou, “o desmatamento tropical global vem aumentando desde 2014, data da assinatura da Declaração de Nova York sobre as Florestas. Com a exposição de gráficos e estatísticas, lamentou a aceleração da destruição das florestas brasileiras, sem deixar de mencionar os responsáveis, passando pelos militares e os subsequentes governos civis, com suas coalizões políticas dominadas pelo agronegócio. “Em apenas 50 anos (1970-2020), quase 2 M de km2 da cobertura vegetal brasileira” foram destruídas, mencionou.

Com dados do IPCC 2007, Marques também lembrou que “as mudanças no uso do solo (principalmente desmatamento nos trópicos) são responsáveis por até um terço do total de emissões antrópicas de CO2”. Nessa direção, a pecuária é responsável por 80% do desmatamento da Amazônia brasileira.

Nos últimos anos, o desmatamento da Amazônia vem batendo recordes. De acordo com dados de monitoramento por satélite, divulgados em julho de 2020 pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, houve um aumento de 34% no desmatamento da região amazônica, nos últimos 12 meses. Soma-se a essa problemática os incêndios na Amazônia, em sua grande maioria provocados por fazendeiros, e o aumento das secas na mesma região.

Marques fez menção a três graves secas vividas na região amazônica, nos anos de 2005, 2010 e 2015/16. “A floresta perdeu 38% mais biomassa na seca de 2010 do que na seca de 2005. A seca de 2010 foi 1,6 maior que a de 2005. Quanto à seca de 2016, sua gravidade é sem precedentes”, destacou. Percebe-se, portanto, um agravamento das secas.

Com anos cada vez mais secos e uma disparada no desmatamento, assiste-se a uma diminuição dos “rios voadores”, com o visível impacto na quantidade de chuvas que chegam ao sudeste e sul do Brasil, o que demonstra a forte conexão e dependência entre todos os biomas. Nesse sentido, os impactos sobre a agricultura e a produção de alimentos também se veem agravados, com previsões nada otimistas sobre os plantios.

Além disso, Marques também explicitou como por trás do desmatamento tropical temos o forte financiamento do sistema bancário, ressaltando que os bancos brasileiros são os principais credores do desmatamento. Citando estudos da organização Global Witness, revelou que “mais de 300 bancos e investidores apoiam seis dos mais destruidores agronegócios do mundo, no valor de 44 bilhões de dólares”: 1) JBS S.A (Brasil), 2) Marfrig Global (Brasil), 3) Minerva Foods (Brasil), Halcyon Agri Corp (Singapura), Grupo Olam (Singapura) e Grupo Rimbunan Hijau (Malásia).

Por fim, após apresentar todos esses aspectos da crise ecológica, chegou ao tema das pandemias e zoonoses, favorecidas pela perda de biodiversidade. Entre os fatores que favorecem as doenças zoonóticas, citou o desmatamento e outras mudanças no uso do solo, a intensa produção agrícola e pecuária, o comércio ilegal ou irregular de animais silvestres, a resistência antimicrobiana e a mudança climática, a partir de dados do Relatório Fronteiras 2016, do PNUMA.

Na avaliação de Marques, “mais pandemias resultam da ação combinada do aquecimento global, o desmatamento e o aumento dos rebanhos”. Sendo assim, fez referência a um fragmento do livro “La prochaine peste” (2012), de Serge Morand, que já indicava: “Desde 1960, humanos, animais e vegetais sofrem o que eu chamo uma epidemia de epidemias. Há cada vez mais epidemias por ano, cada vez mais enfermidades diferentes, que são cada vez mais compartilhadas entre os países e se tornam, portanto, pandemias. Cerca de 70% dessas novas epidemias estão associadas aos animais selvagens e domésticos, a mesma proporção das epidemias históricas. Mas o que muda e cria as condições de sua explosão é a combinação de três fatores: perda de biodiversidade, industrialização da agricultura – que acentua essa perda – e o aumento disparado do transporte de mercadorias e pessoas”.

Fortalecendo esse argumento, também citou o jornalista e divulgador científico David Quammen, que em artigo intitulado “We made the Coronavirus Epidemic”, de janeiro de 2020, também sentenciava: “Invadimos as florestas tropicais e outras paisagens selvagens, habitats de tantas espécies de animais e plantas – e dentro dessas criaturas, tantos vírus desconhecidos. Derrubamos árvores; matamos animais ou os enjaulamos e os enviamos aos mercados. Desorganizamos ecossistemas e arrancamos os vírus de seus hospedeiros naturais. Quando isso acontece, eles precisam de um novo hospedeiro. Frequentemente somos esse novo hospedeiro. Devemos lembrar, quando a poeira assentar que a covid–19 não é um evento novo ou infortúnio que se abateu sobre nós. Foi e é parte do padrão de escolhas que nós, os humanos, estamos fazendo”.

Por fim, também fundamentou a análise com o estudo intitulado COVID-19 Stimulus Measures Must Save Lives, Protect Livelihoods, and Safeguard Nature to Reduce the Risk of Future Pandemics [Medidas de estímulo econômico para minimizar efeitos da COVID-19 devem salvar vidas, proteger meios de subsistência e salvaguardar a natureza para reduzir o risco de futuras pandemias], de Peter Daszak, Josef Settele, Sandra Díaz e Eduardo Brondizio. Nele, os autores avaliam que “as pandemias recentes são uma consequência direta da atividade humana – particularmente de nosso sistema financeiro e econômico global baseado num paradigma limitado, que preza o crescimento econômico a qualquer custo”.

Também é preciso lembrar que o aquecimento global propicia um ambiente favorável às pandemias, pois, por exemplo, com temperaturas muito altas há uma perca da eficiência do sistema imune dos mamíferos, além de se constatar um maior raio de ação de vetores de epidemias, como são os casos da dengue, zika e chikungunya, entre outros fatores citados.

Marques reforçou que “a covid–19 é a maior crise sanitária global dos últimos 100 anos (após a gripe espanhola de 1918-1919)”. Mesmo assim, reconheceu que a crise sanitária passará, mas o que “não passará e só piorará é a ação conjugada das ameaças sistêmicas à sociedade e à espécie humana”: 1) a emergência climática, 2) a aniquilação da biodiversidade, 3) a intoxicação industrial dos organismos.

Tendo em vista que o debate estava ocorrendo no mesmo dia em que segmentos da sociedade civil conclamavam as pessoas a irem às ruas para pedir a saída de Bolsonaro da presidência, Marques ofereceu quatro motivos para o seu impeachment, definidos no seu estímulo a quatro crises sistêmicas: a aceleração do aquecimento global, a destruição da biodiversidade, a poluição (sobretudo através dos agrotóxicos) e a pandemia.

Durante o debate com os participantes, Marques mencionou que a humanidade não está desarmada do ponto de vista científico e sabe o que fazer: abandonar os combustíveis fósseis, redefinindo suas expectativas de consumo de energia.

Em sua avaliação, os combustíveis fósseis deram à humanidade um progresso excepcional, mas que agora, por causa de sua grande exploração, há um desequilíbrio em nossa era geológica, que conduz a humanidade em um caminho de desestabilização do sistema climático.

Para pensar em saídas viáveis, Marques defendeu um aprofundamento da democracia. É preciso que democraticamente sejamos capazes de decidir o que faremos com os nossos recursos estratégicos. Hoje, estamos sofrendo as decisões de grupos que estão agindo em prol de lucros imediatos, nada preocupados com a sustentabilidade de nossas condições de sobrevivência.

A solução de diversos problemas, entre eles a desigualdade, dependerá de nossa capacidade política, pois os políticos, mesmos os que estão à esquerda, estão muito atrasados em relação aos desafios apontados pela ciência. Para vencer as resistências dos interesses econômicos, o debate socioambiental precisa se dar em termos de estratégias em prol da própria sobrevivência da humanidade.

A bandeira da luta por justiça social, defendida por amplos setores da sociedade, precisa estar associada ao modo como nos relacionamos com a natureza. Segundo Marques, não é possível resolver os problemas socioambientais que nos cercam, caso não toquemos nas estruturas da sociedade. É preciso mudar a nossa relação com a energia, desmontar a indústria química e a indústria do petróleo.

Enfim, em sua avaliação, o tempo agora trabalha contra nós, sendo assim, o imperativo é agir.






Autor: Jonas Jorge da Silva, IHU
Fonte: IHU
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 23/06/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/06/23/a-crescente-crise-socioambiental-e-o-pouco-tempo-que-nos-resta/

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Seminário internacional sobre degradação socioambiental reúne intelectuais de diferentes áreas na Unicamp

Sobre distopias, autoengano e a perspectiva de um futuro fracassado

JORNAL DA UNICAMP
TEXTO ÁLVARO KASSAB
FOTOS ANTONIO SCARPINETTI
EDIÇÃO DE IMAGEM LUIS PAULO SILVA

“Nosso futuro afigura-se, com toda a probabilidade, catastrófico. É preciso admitir que estamos funcionando mentalmente à base de autoengano. É preciso encarar de frente as evidências”. O alerta, feito pelo historiador Luiz Marques, estará no centro dos debates do “Seminário Internacional Degradação socioambiental, catástrofe e distopias”, que acontece dias 13 e 14 de agosto na Unicamp.

O evento, que é organizado por Marques, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), e por Carlos Eduardo Berriel, docente do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), reunirá intelectuais de diferentes áreas do conhecimento, abrigando mesas que vão abranger um amplo leque de temas. “Apesar do risco de que tal heterogeneidade suscite fricções e talvez alguma cacofonia, a aposta de base é que a diversidade de perspectivas é intelectualmente produtiva”, afirma Marques.


O professor Carlos Eduardo Berriel: “No século XX a distopia tornou-se dominante, enquanto a utopia desapareceu”

“Dada a gravidade extrema e a pluralidade de aspectos das crises ambientais, nenhum saber isolado tem abrangência compatível com o caráter totalizante e globalizante dessas crises”, completa o docente, colunista do Jornal da Unicamp e autor, entre outras obras, do livro Capitalismo e Colapso ambiental (Editora da Unicamp), premiado com o Jabuti em 2016.

Marques refere-se a um quadro que, em suas palavras, resultará em “um colapso socioambiental inevitável”. Não à toa, no texto de apresentação do seminário, há uma declaração de Kevin Anderson, vice-diretor do Tyndall Centre for Climate Change Researchal: “Estamos conscientemente enveredando em direção a um futuro fracassado”.


O professor Luiz Marques: “Perto dos cenários projetados pela ciência, os cenários imaginados pela ficção parecem cada vez mais tímidos”

E qual o lugar das distopias nesse cenário de terra arrasada? “Adistopia diz antes as mais graves questões de nosso tempo. Essa é sua importância”, observa Berriel, autor do livro Tietê, Tejo e Sena – a obra de Paulo Prado, idealizador do seminário e coordenador do U-TOPOS, Centro de Estudos sobre Utopia, cujas pesquisas, desenvolvidas no IEL, tornaram-se referência no país.

Leia a seguir a entrevista concedida por Marques e Berriel ao Jornal da Unicamp.

Jornal da Unicamp – Qual é o objetivo do seminário?

Luiz Marques – O seminário surgiu de uma ideia do professor Carlos Eduardo Berriel, diretor do U-TOPOS, Centro de Estudos sobre Utopia do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL). O professor Berriel é responsável pelo caráter internacional dessa iniciativa, à qual eu me associei com muito entusiasmo, porque compartilhamos, com muitos de nossos colegas, as mesmas preocupações. Decidimos, assim, que o encontro será aberto no IEL e encerrado no IFCH, nos dias 13 e 14 próximos. Como já seu título o explicita, seu objetivo é afirmar que nosso futuro afigura-se, com toda a probabilidade, catastrófico e que é preciso admitir que estamos funcionando mentalmente à base de autoengano. É preciso encarar de frente as evidências.

JU – Quais seriam?

Luiz Marques – Dado o poder das petroleiras e demais corporações, bem como dos Estados a elas umbilicalmente ligados, a chance de que as emissões de gases de efeito estufa diminuam significativamente no próximo decênio são praticamente nulas, quando sabemos que elas já deveriam estar caindo rapidamente e estar zeradas até 2040, para conservarmos probabilidades significativas de manter a temperatura do planeta abaixo de níveis catastróficos de aquecimento.

Tal como o Protocolo de Kyoto, também o Acordo de Paris, os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e demais acordos internacionais em prol da conservação da biodiversidade terrestre e marítima não estão a caminho de atingir, nem de perto, suas metas. Esse seminário tem, portanto, o objetivo de contribuir, na medida de suas possibilidades, para um sobressalto das consciências acerca das ameaças que pesam sobre nosso presente e nosso futuro.

JU – O encontro reúne cientistas de diferentes áreas, com temas que vão de Darwin a Maio de 68, passando por diferentes dimensões das crises socioambientais, da econômica à política. Quais foram os critérios que nortearam as escolhas dos nomes e seus respectivos temas?

Luiz Marques – Em face das crises socioambientais extremamente graves de nossos dias, e da necessidade de elaborar respostas a elas, pareceu-nos imprescindível colocar em contato pessoas de saberes, experiências, sensibilidades, linguagens e horizontes de pesquisa muito diferentes, desde cientistas a estudiosos do imaginário literário e visual. Apesar do risco de que tal heterogeneidade suscite fricções e talvez alguma cacofonia, a aposta de base é que a diversidade de perspectivas é intelectualmente produtiva. Dada a gravidade extrema e a pluralidade de aspectos das crises ambientais, nenhum saber isolado tem abrangência compatível com o caráter totalizante e globalizante dessas crises, e não é capaz de avaliar o alcance material, cultural e mesmo espiritual de suas consequências.


JU – O texto de apresentação do seminário destaca que, “embora o imaginário do século XX, reminiscente por vezes de tradições escatológicas, tenha cultivado uma rica vertente distópica, a perspectiva de um futuro fracassado nunca havia sido formulada pelo consenso científico”. O sr. poderia falar sobre essa perspectiva e da dimensão desse consenso?

Luiz Marques – O que se nota, de fato, é que o imaginário distópico dos séculos XIX e XX foram, como não poderia deixar de ser, tributários seja da riquíssima tradição escatológica judaico-cristã, seja da ideia de “cansaço” e de declínio da natureza, recorrente na tradição clássica desde Homero e Hesíodo. O que se nota nos últimos decênios, entretanto, é que a ciência vem se somando às expectativas de um unhappy end de nossas sociedades ainda no horizonte deste século. Não porque essas tradições escatológicas ou porque as tendências irracionalistas contemporâneas tenham “contaminado” a ciência, como disso a acusam seus detratores e os chamados “mercadores de dúvidas”, fomentados pelas corporações.

A ciência emite prognósticos a partir de um acúmulo rigoroso e consistente de dados, modelos e análises das coordenadas do sistema Terra e esses prognósticos, sóbrios em suas formulações, são não raro mais sombrios que as mais assustadoras ficções de antecipação. Basta lembrar aqui um exemplo. Um aquecimento médio global de 3oC acima do período pré-industrial, que é, mantida a trajetória atual, a mais otimista projeção para este século, significa o fim das florestas tropicais e a conversão em savana do que resta da floresta Amazônica, pela ação combinada de secas e incêndios, com adicional liberação de CO2 na atmosfera. Há mais de 10 anos, em 2007, James Hansen alertava para o fato de que tal nível de aquecimento conduziria à ultrapassagem de pontos críticos no sistema Terra, além dos quais há alta probabilidade de uma transição para temperaturas ainda mais altas. Perto dos cenários projetados pela ciência, os cenários imaginados pela ficção parecem, em suma, cada vez mais tímidos.

JU – Outro ponto destacado na apresentação – e que também seria inédito – é que “esse consenso tem sido objeto de vários graus e estratégias de denegação, com crescente resistência política, ideológica e psicológica à ciência e a seus alertas”, inclusive de setores “com maior educação formal”. A que o sr. atribui essa resistência e quais são, em sua opinião, suas consequências?

Luiz Marques – É muito difícil e penoso para a sociedade admitir o fracasso puro e simples de nosso modelo econômico e civilizacional. A tendência é continuar a pensar segundo o paradigma do crescimento econômico e dos “milagres” criados pela revolução tecnológica permanente a que estamos habituados desde ao menos o Iluminismo e advento do capitalismo industrial no século XVIII. Economistas continuam a pensar como manter o crescimento econômico, cientistas e engenheiros são formados para “resolver problemas”, são problem solvers, cientistas sociais pensam e agem em prol de programas políticos mais aptos a distribuir melhor a riqueza, de modo a minorar as desigualdades e injustiças sociais, algo que permanece, obviamente e mais que nunca, necessário.

Mas o que muitos ainda não percebem é que pela via atual não resolveremos mais nossos problemas e não nos aproximaremos mais desses objetivos. Ao contrário, começaremos em breve – na realidade, em parte já começamos – a nos distanciar aceleradamente deles. São demasiado poucos ainda os que entendem que o grau insuportável de interferência antrópica no sistema Terra tornou anacrônica a farmacopeia das soluções propugnadas pela economia, pela ciência e pela política.

Um exemplo gritante dessa incompreensão é a ausência da questão ambiental no debate eleitoral no Brasil e mesmo em âmbito internacional. Os cientistas estão roucos de gritar que estamos próximos de superar pontos críticos, além dos quais nossa civilização, qualquer civilização, torna-se inviável. Mas suas advertências são duras de ouvir e é, portanto, compreensível, embora não justificável, que tais mensagens encontrem tantos ouvidos moucos.

Além disso, não se há de subestimar a capacidade das corporações de abafar o debate sobre as crises socioambientais, tal como ainda continuam a fazer em relação aos malefícios do cigarro, dos agrotóxicos etc. Enfim, é importante lembrar o espaço desproporcionalmente pequeno que a grande mídia reserva a esses alertas científicos, dependente que é da publicidade dessas corporações.

JU – Nesse quadro, qual o lugar das distopias? Como elas se manifestam?

Carlos Berriel – A distopia é um galho da grande árvore da utopia, pois paradoxalmente compartilham de elementos comuns. Há em toda utopia um elemento distópico, e vice-versa. A utopia, uma obra e gênero criados por Thomas Morus em 1516, se caracterizava pela criação de uma sociedade imaginária num lugar inexistente, porém conectada ao mundo real por serem o seu contrário, a sua visão especular. Os graves problemas da sociedade do autor utopista vinham resolvidos, como projeto e programa, nesta sociedade fictícia. As utopias eram marcadas, portanto, pela época de seu autor, sendo portanto datadas.

O elemento distópico – isto é, negativo – das utopias estava em que elas eram engessadas pelo seu tempo, pois se suas soluções eram “perfeitas”, não poderiam portanto serem aperfeiçoadas ou mesmo modificadas. A utopia era imediatamente u-cronias, isto é, sociedades estáticas, sem tempo. Aí está a distopia, o pesadelo social.

Quando a distopia se torna praticamente um gênero em si mesmo – talvez com Frankenstein, de Mary Shelley (1818) – há uma marca original: um elemento da sociedade real, uma ameaça em estado latente, é dilatado ao ponto de representar uma ameaça mortal para esta sociedade. Tendo como exemplo o mesmo Frankenstein, temos que uma ciência avançadíssima, porém desprovida de uma ética que a controle, gera monstros.

Pensemos na bomba atômica, nos agrotóxicos, etc. No século XX a distopia tornou-se dominante, enquanto a utopia desapareceu. O Estado totalitário, mantido pelo controle das mentes e pela universal vigilância dos indivíduos, está em 1984, de George Orwell. A destruição do planeta está em tantos filmes, como Blade Runner, que mostra também como a humanidade pode ser substituída por criaturas artificiais: quantos de nós já perderam o emprego para um robô? Então, a distopia diz antes as mais graves questões de nosso tempo. Essa é sua importância.


Rio Tietê no município paulista de Pirapora

JU – Prof. Luiz Marques, a concentração do poder econômico e político é tema recorrente em artigos e trabalhos de sua autoria. Em que medida as distorções do capitalismo, entre aquelas estudadas pelo sr., são uma ameaça à democracia?

Luiz Marques – O capitalismo define-se por um ordenamento jurídico assente sobre a premissa de que as decisões estratégicas de investimento econômico pertencem aos proprietários do capital. Os boards que controlam as corporações e os grandes investidores nos mercados de capitais decidem o destino desses investimentos em função de sua expectativa de rentabilidade. Os investimentos já feitos na produção de mercadorias ou commodities, tais como combustíveis fósseis, plásticos, soja, óleo de palma, carne e outros produtos que estão desequilibrando o clima e destruindo a biodiversidade do planeta são da ordem de trilhões de dólares.

A maximização do retorno a médio e longo prazo desses investimentos na forma de lucros é a razão de ser deles e é algo a que os investidores jamais estariam dispostos a renunciar. Além disso, enquanto esses produtos oferecerem uma rentabilidade potencialmente atrativa, sua produção continuará a aumentar em decorrência de novos investimentos. Dado que, como dito, os investimentos de capital permanecem no capitalismo um direito inalienável de seus proprietários e dado que estes se guiam por sua rentabilidade, é claro que há uma incompatibilidade crescente entre os interesses vitais da sociedade, que necessitam deter esses processos ambientalmente deletérios, e os interesses vitais das corporações, que necessitam manter a rentabilidade de seus investimentos.

O terreno de confronto desse antagonismo de interesses é, na tradição democrática, o sistema político, vale dizer, o Estado e as organizações da sociedade civil – partidos, sindicatos, ONGs, movimentos etc – que com ele compartilham o poder. Ocorre que é crescentemente desfavorável para as sociedades a relação de forças entre, de um lado, os grupos que entendem a necessidade de desacelerar a degradação socioambiental e, de outro, as corporações e a alta burocracia do Estado por elas controlada, interessadas em manter o business as usual. De onde observarmos a ineficácia dos Acordos internacionais e a regressão generalizada da democracia, fenômeno particularmente acentuado no Brasil, onde o Congresso nacional é quase totalmente controlado por grupos de interesses econômicos e por bancadas extremamente conservadoras.

JU – Na condição de historiador e ao mesmo tempo de autor de trabalhos de referência – e premiados – na área ambiental, qual o seu prognóstico do que está por vir? O colapso é inevitável? O que pode ser feito para evitá-lo?

Luiz Marques – Sim, mantida a atual trajetória, e nada indica que esta sofrerá em breve uma inflexão relevante, um colapso socioambiental é inevitável. Esse é o prognóstico consensual da ciência. Não sabemos ainda quando ele sobrevirá e a forma histórica que ele assumirá. Mas é crescente a percepção de que ele deve nos surpreender antes, ou bem antes, do final do século e nos golpear com uma força particularmente destrutiva. Diante disso, é preciso reagir. Para tanto, a experiência histórica e política têm, a meu ver, que enfrentar dois desafios imensos.

JU – Quais são eles?

Luiz Marques – O primeiro é entender que a escala e a velocidade das transformações operadas pela economia globalizada na natureza são incomparavelmente maiores que jamais o foram e que isso tem consequências nunca experimentadas pela humanidade. Portanto, nossa experiência passada e nossas coordenadas já sedimentadas de pensamento não oferecem mais um quadro adequado de referências para perscrutar nosso futuro.

O segundo desafio é entender que o vínculo social, objeto inaugural e central das ciências humanas, não contém mais em si o princípio de sua inteligibilidade. Temos, historiadores, cientistas sociais, filósofos e políticos, que incorporar doravante a percepção de que as respostas da natureza aos impactos antrópicos, as chamadas alças de retroalimentação das crises ambientais, estão em vias de ganhar protagonismo e que em breve se tornarão mestras do jogo. Portanto, é preciso agir já, se quisermos mitigar as consequências do que já desencadeamos. Digamos sem rodeios o que é mais que tempo de dizer: não é mais razoável a expectativa de um futuro melhor para os jovens e para as futuras gerações.

Às crescentes emissões industriais de CO2 cujo efeito é cumulativo, soma-se a crescente liberação de metano pelos rebanhos ruminantes – sacrificados para o bife de cada dia de nossa sociedade crescentemente carnívora –, pelos incêndios das turfeiras, pela degradação dos plásticos, pelo degelo dos pergelissolos setentrionais e dos hidratos de metano no Ártico.

De modo que, mesmo que começássemos hoje, por um passe de mágica, a diminuir drasticamente as emissões industriais de gases de efeito, um aquecimento médio global superior a 2 oC nos próximos dois ou três decênios, e provavelmente superior a 3 oC ao longo da segunda metade do século já é, ao que parece, inevitável. A menos que sejamos capazes de detê-lo, o agronegócio global continuará igualmente a nos condenar a uma maior escassez hídrica, ao desmatamento e à perda de biodiversidade. Isso significa, em suma, que estamos condenados a um futuro pior. Possivelmente muito pior. Quão pior, aindadepende de nossa capacidade como sociedade de reagir às causas dessas crises, e elas são, fundamentalmente, repita-se, a voracidade energética de nosso sistema econômico, a crescente queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e uso insustentável da água pelo agronegócio, a poluição e intoxicação generalizada dos organismos pelos agrotóxicos e pela sopa química em que a indústria banha insanamente nossas sociedades.

SERVIÇO

“Seminário Internacional Degradação Socioambiental, catástrofes e Distopias”

Data: 13 e 14 de agosto

Locais: dia 13, no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), e no dia 14, no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)



Do Jornal da Unicamp, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/08/2018





Autor: Jornal da Unicamp
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 13/08/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/13/seminario-internacional-sobre-degradacao-socioambiental-reune-intelectuais-de-diferentes-areas-na-unicamp/

quarta-feira, 16 de maio de 2018

O aumento de casos de malária e sua associação à pressão socioambiental sobre a Amazônia, artigo de Sucena Shkrada Resk


Mosquito Anopheles transmissor da malária – (Portal Biologia/Divulgação)


Desmatamento, mudanças climáticas e consequentemente a facilitação para um aumento de vetores de doenças infectocontagiosas são o cenário perfeito, que está sendo construído, nos últimos anos, na Amazônia brasileira, onde um dos indícios desta pressão é a ascendência de casos de malária (paludismo) no ano de 2017, totalizando cerca de 194 mil notificações de ocorrências na região, de acordo com o Sistema de Vigilância Epidemiológica, do Ministério da Sáude (Sivep/MS) contra 128,7 mil, em 2016 e 142,6 mil, em 2015.

No Brasil, as populações rural e ribeirinha se veem à mercê da ação dos mosquitos fêmea do gênero Anopheles, que são hospedeiros principalmente, do Plasmodium vivax (que causa forma mais branda da doença, mas que pode ser reincidente), principais transmissores da doença no país, além do falciparum (forma mais grave e altamente letal), que se proliferam em água limpa, quente, sombreada e de baixo fluxo. Na geolocalização do alerta epidemiológico, os estados do Pará, Amazonas, Acre e Roraima, além do Amapá, Maranhão, de Rondônia e do Tocantins se destacam em números totais de registros e a época mais propícia para a transmissão é durante e após o período das chuvas.

A instabilidade geopolítica também é um fator a ser destacado, tendo em vista, por exemplo, a situação na Venezuela e o processo migratório diretamente para Roraima, além da circulação histórica na região do Oiapoque com a Guiana Francesa, entre outras situações presentes em regiões transfronteiriças. A Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) alerta para o aumento da doença na América Latina, nos últimos anos, incluindo também Colômbia, El Salvador, Equador, Haiti, Honduras, México, Nicarágua e Panamá. Só na Venezuela, ocorreram mais de 406 mil casos em 2017, 69% mais que no ano anterior. A organização expõe que algumas atividades, como a mineração, a extração de produtos naturais e a agricultura, aumentam o risco de exposição das populações aos vetores nas áreas com transmissão da doença.

A região amazônica sofreu algumas epidemias de malária, a partir do final do século XIX, em um contexto da extração de borracha nos seringais e da miscigenação e da construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Principalmente após a Segunda Guerra Mundial, se concentra na região, depois de sua incidência também significativa na costa litorânea.

Estima-se que 128 milhões de pessoas vivem em áreas de risco nas Américas. No mundo, 90% dos casos são registrados na África Subsaariana. Existe uma estratégia mundial de combate à malária 2016-2030 definida pela Assembleia Mundial em Saúde, de 2015, que propõe a redução da incidência da doença e da mortalidade em pelo menos 90% até 2030. Em 2015, ocorreram 429 mil mortes, sendo a maior parte de crianças do continente africano.

O desafio da prevenção e tratamento

Como não existe ainda vacina, a prevenção fica mais difícil e depende de cuidados, como uso de repelentes, inseticidas (principalmente piretroides) específicos e mosquiteiros, como uso de roupas com mangas compridas. Existem também alguns tratamentos profiláticos com medicamentos (sob orientação médica), de acordo com a OPAS. O problema, no entanto, é o aumento de resistência dos parasitas, o que causa apreensão aos especialistas mundialmente. A doença pode ainda ser transmitida por transfusão de sangue contaminado, por meio da placenta ao feto e por meio de seringas infectadas. O período de incubação pode variar de 7 a 30 dias, com sintomas intermitentes.

Segundo pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para evitar quadros mais graves que levem a óbito, os tratamentos exigem que os diagnósticos sejam feitos nas primeiras 48 horas, após o início dos sintomas, que envolvem principalmente febre na casa dos 40 graus, calafrios, cefaleia, náuseas e dores articulares. A principal medida é a confirmação laboratorial da doença, pela microscopia da gota espessa de sangue ou por testes rápidos imunocromatográficos. Mas como está esta retaguarda justamente distante dos grandes centros urbanos? Essas ações podem significar a diferença entre a manutenção da vida e a morte.

Iniciativas de pesquisas

No campo da Ciência, algumas pesquisas estão em andamento, como da vacina contra a malária, que entra em fase-piloto em Gana, Quênia e Malau, segundo a OMS. De acordo com artigo na Scientific American Brasil, na Universidade do Arizona, foi desenvolvido um mosquito transgênico por equipe liderada pelo entomólogo Michael Riehle, que seria imune ao Plasmodium falciparum.

Outra iniciativa ocorre com a participação do Departamento de Biologia Estrutural e Funcional do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenado pela professora Elizabeth Bilsland, em colaboração com as Universidades de Cambridge, Manchester e Gotemburgo, além da Universidade de São Paulo (USP) e Federal de Goiás (UFG). Trata-se da descoberta de que o “triclosan”, um composto utilizado em sabonetes e cremes dentais, tem a capacidade para inibir genes-alvo do Plasmodium vivax, tanto na fase quando se desenvolve no fígado, como nas células do sangue.

Encontra-se em fase de desenvolvimento no Instituto de Química da Unicamp, também um biossensor – com custo popular – para diagnosticar a malária transmitida pelo Plasmodium falciparum.

Todas estas medidas são importantes mas não descartam algo maior que é a intervenção humana que acelera as mudanças socioambientais, que desregulam ciclos de precipitações e períodos de estiagem, entre outros ângulos, como já é confirmado por especialistas do mundo todo. Facilitar o aumento do número de vetores abre uma janela para retrocedermos em conquistas de saúde ambiental ao longo de décadas.

* Sucena Shkrada Resk é jornalista, formada há 26 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk (http://www.cidadaosdomundo.webnode.com), desde 2007, voltado às áreas de cidadania, socioambientalismo e sustentabilidade.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/05/2018



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 16/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/16/80831/