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sexta-feira, 8 de janeiro de 2021
Trabalho investiga detecção precoce de transtornos mentais
Leticia explica que a maioria dos transtornos mentais se manifesta entre o final da adolescência e o início da vida adulta (Fotos: Pixabay)
Por representar uma nova fronteira da ciência, o trabalho da neurocientista Letícia de Oliveira conquistou o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia 2020, na categoria “Pesquisador Sênior”. Criado em 1997 pela Reunião Especializada em Ciência e Tecnologia do Mercosul (RECyT), a iniciativa conta com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/Brasil), e também do Ministério de Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia da Argentina, Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia do Paraguai e Ministério de Educação e Cultura do Uruguai.
Apesar dos avanços no que se refere ao tratamento dos transtornos mentais, como no desenvolvimento de medicamentos, por exemplo, Letícia se dedica ao estudo de um dos grandes desafios da psiquiatria atual: a detecção precoce de sintomas ou sinais que representem risco de desenvolvimento de transtornos mentais, que podem se tornar doenças crônicas e incapacitantes.
Para a pesquisadora, a Inteligência Artificial, especialmente o aprendizado por máquina (machinelearning) associado à metodologia de reconhecimento de padrões pode trazer grandes contribuições para a Psiquiatria, quando aplicada à neuroimagem funcional. “O objetivo do estudo é capturar mudanças sutis no padrão de ativação cerebral antes do aparecimento completo dos sintomas, evitando o primeiro surto”, explica Letícia. Isso é importante, segundo ela, para nortear as famílias que, em geral, não conseguem identificar os sintomas e muito menos lidar com os distúrbios mentais.
Letícia teve o primeiro contato com os transtornos mentais na infância, em sua própria casa, na convivência com seu pai, também médico, que ouvia vozes, tinha visões e foi diagnosticado com transtorno bipolar esquizoide. “Embora não tenha sido uma opção consciente, certamente a escolha da minha carreira foi influenciada pela doença do meu pai, que faleceu há três meses”, diz Letícia. A neurocientista recorda que já naquela época, há cerca de 40 anos, mesmo com todas as limitações, falta de informação, tabus e tratamentos menos eficazes que os atuais, seu pai conseguia trabalhar e manter uma vida relativamente funcional. Também por isso, ela é defensora incondicional da atual política de saúde mental, baseada no modelo de atenção psicossocial de base comunitária e aberto, que garante aos usuários a livre circulação pelos serviços e na comunidade.
“Hoje, o prognóstico para os portadores de transtornos mentais é muito melhor do que foi para o meu pai. E não creio que o governo consiga aprovar um modelo que representará um dos maiores retrocessosda história recente na questão da saúde mental”, acredita ela, uma defensora do fim do preconceito e estigma que esse tipo de paciente sofre, referindo-se ao projeto do governo de reativar os manicômios.
Letícia explica que a maioria dos transtornos mentais como depressão, bipolaridade, esquizofrenia se manifesta cedo, entre o final da adolescência e o início da vida adulta. Esclarece que os tratamentos ainda são pouco eficientes, na maioria dos casos, fazendo com que os pacientes tenham limitações ao longo da vida toda. Diante das notícias de aumento dos casos de depressão e suicídio entre jovens no meio acadêmico, a pesquisadora, professora do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), tem preocupação com a saúde metal, especialmente decorrente da pandemia do novo coronavírus. “Com certeza teremos consequências para a saúde mental”, afirma. No momento, a pesquisadora coordena um projeto que utilizará Inteligência Artificial para estudar fatores de proteção e vulnerabilidade para a saúde mental de profissionais que estão na linha de frente no atendimento hospitalar aos pacientes com Covid-19.
Diagnóstico precoce - De acordo com a pesquisadora, as famílias não estão preparadas para identificar e muito menos lidar com transtornos mentais. “Por isso, a ideia do estudo é identificar os sinais precoces e direcionar esforços para a família e para o paciente, principalmente no sentido de fazer uma intervenção antecipada, a fim de evitar o primeiro surto, pois há evidências de que depois do primeiro surto é mais difícil controlar a doença”, esclarece a pesquisadora. Ela chama atenção para o fato da Psiquiatria ser diferente de outras especialidades médicas. “Na cardiologia, um exame de sangue pode revelar níveis de colesterol e triglicerídeos, que indicam algum risco de o paciente desenvolver problemas cardíacos. Mas na Psiquiatria não há nenhum apoio em exame diagnóstico, que é basicamente focado na experiência do médico. Por isso queremos desenvolver métodos que auxiliem os psiquiatras na tomada de decisão”.
O estudo pretende identificar sinais precoces dos transtornos, a fim de fazer uma intervenção que evite o primeiro surto
A neurocientista alerta, entretanto, para um problema ético associado ao estudo, já que os algoritmos podem cometer erros, como acusar um resultado falso positivo, o que criaria um enorme problema para a família. Outra limitação importante é o fato de que a metodologia, baseada na Inteligência Artificial, pode trazer uma possibilidade. “A Inteligência Artificial não prevê o futuro; ela prevê possibilidades de futuro. Não existe como fazer uma predição absoluta”, diz. Letícia alega que o mais importante é oferecer para a família e o paciente que possui essa predisposição algum recurso terapêutico que possa minimizar o transtorno. “E essa solução, para ser adotada na prática clínica, ainda não existe”, explica. Segundo a pesquisadora, apesar de a perspectiva da metodologia ser muito positiva, sua aplicação ainda deve demorar cerca de 10 a 15 anos, porque muitos aspectos ainda precisam ser cuidados nesse meio de caminho. “A Neurociência, relativamente recente, avançou muito nos últimos 50 anos. E a ressonância magnética, que usei bastante nesse estudo, tem cerca de 30 anos”, destaca Letícia.
No Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento, na UFF, a pesquisadora estuda a interação entre emoção e atenção no cérebro humano e desenvolve trabalhos na interface entre ciência básica e clínica, especialmente no estudo de transtornos de ansiedade e humor com neuroimagem. Contemplada no programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, Letícia diz que toda a sua trajetória profissional tem sido marcada pelo apoio da Fundação. “Desde os editais mais antigos, do Auxílio à Instalação aos Primeiros Projetos; e, mais recentemente, como Jovem Cientista do Nosso Estado, por duas vezes, e ainda como coordenadora de grupos emergentes”, diz ela, que atualmente é vice coordenadora da Rede Saúde em Inteligência Artificial. “Não fosse a FAPERJ, eu não teria conseguido nem 10% do que eu alcancei na minha carreira”, reconhece Letícia.
Criadora e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciências Biomédicas da UFF, a neurocientista, que é coordenadora do Grupo de Trabalho “Mulheres na Ciência” da UFF – que visa estimular a participação feminina principalmente na área da Inteligência Artificial, marcada pela prevalência masculina, acredita que a conquista do Prêmio Mercosul resulta, também, de privilégios, além do mérito. Em seu discurso de agradecimento após receber o Prêmio Mercosul, Letícia discursou: “Apesar de sofrer discriminação por ser mulher, não tive a cor de minha pele como mais um empecilho para alcançar meus objetivos. Sabemos que apenas das 3% das cientistas brasileiras são mulheres pretas, um número indecente e vergonhoso em um País que metade da população é negra. Passei por muitos momentos difíceis na minha vida, especialmente na infância, mas tive, e tenho, uma família maravilhosa e estruturada para me dar apoio e me amparar”. Letícia também reconheceu o papel do seu marido em sua vida:
Letícia coordena o Grupo de Trabalho “Mulheres na Ciência” e integra o movimento “Parent in Science”
“Tenho um parceiro de muitos anos que me dá todo dia o amor necessário para suportar este mundo, por vezes, tão estranho e bizarro. Um parceiro que cuida da família, que divide comigo a criação de nossa filha, que discute comigo projetos e me dá ideias para novos experimentos, mas que principalmente me tira do encarceramento, às vezes doentio, do trabalho”, relata a pesquisadora, que, com um empurrãozinho do marido, aprendeu durante o doutorado a identificar o céu, em curso no Planetário do Rio de Janeiro.
Em sua militância para ajudar a produzir uma melhor ciência por meio de maior diversidade e inclusão, Letícia também faz parte do movimento “Parent in Science”. Segundo ela, mais de metade das mulheres cientistas relatam cuidar praticamente sozinhas de suas crianças. “Tive uma filha que provoca em mim sentimentos que nem sabia que existiam, variando de um amor profundo a medos irracionais, uma transformação na minha visão de mundo. Hoje ela está com 15 anos e há tempos aprendo muito mais do que ensino. Aprendi com ela a importância da representação na política e na sociedade das mulheres negras, LGBTs e de periferia”, relata Letícia. Ela ainda integrou o Grupo de trabalho “Equidade de Gênero” da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC) e tem dado diversas palestras sobre o tema da inclusão e diversidade na ciência. “A diversidade produz uma melhor ciência”, termina Letícia.
Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 07/01/21
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4142.2.6
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Cuidadores de pessoas com transtornos mentais cuidam de si mesmos?

A presença de uma criança com transtornos exige dedicação extrema de quem cuida – Foto: PublicDomainPictures via Pixabay – CC
Um artigo publicado na revista Saúde e Sociedade discute a questão do cuidar – do outro e de si. Quais são os limites? Como cuidar do outro sem esquecer de si mesmo? Cuidadores profissionais muitas vezes se deparam com essa problemática, na qual se observa que as próprias famílias passaram a ser as principais provedoras de cuidados a pacientes portadores de transtornos mentais, em razão da “desinstitucionalização psiquiátrica”. As dificuldades enfrentadas no desempenho do papel de cuidador resultaram em uma transformação na participação da família na atenção ao doente mental, e também em relação à própria vida desse cuidador.
A pesquisa que originou o artigo teve como metodologia a coleta de dados em um Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) na cidade de Patos, no estado da Paraíba, tendo como objetivo principal observar mudanças nos âmbitos social, familiar e sexual de cuidadores de crianças e adolescentes com transtornos mentais atendidos em um CAPSi paraibano. Os autores explicam que a saúde mental infantil da criança interfere no rendimento escolar e na estrutura familiar e, apesar da indicação do tratamento ser efetivado dentro das “dinâmicas familiares”, com previsão “dos suportes de especialistas e estrutura de apoio, esses serviços não atendem à demanda das necessidades dos pacientes com transtorno mental”.
Com a prevalência das doenças mentais em crianças e adolescentes, os autores lançam a pergunta:
“quais mudanças ocorrem na vida social, familiar e sexual de cuidadores de crianças e adolescentes com transtornos mentais?”. Os cuidadores, de maneira geral, prejudicam-se no trabalho remunerado depois de contraírem doenças, pois todos eles relataram ter deixado de trabalhar para se dedicar à criança, não usufruem mais de lazer, acabam mudando de religião, muitas vezes para buscar explicação para a doença, e também diminuem consideravelmente a atividade sexual. A cuidadora da criança é normalmente a mãe, pois o cuidar ainda é uma função atribuída, na maioria das vezes, ao sexo feminino, embora tenham ocorrido modificações ao longo da história.
Estudiosos consideram que muitos cuidadores familiares assistem seus sonhos caírem por terra, visto que a presença de uma criança com transtornos exige dedicação extrema de quem cuida. O artigo finaliza afirmando que os portadores de transtornos mentais são dignos de maior atenção das políticas públicas e da sociedade, e “os resultados deste estudo poderão influir na adequação dos serviços de saúde mental, uma vez que a saúde de criança ou adolescente depende da saúde do cuidador“.
Manuela Carla de Souza Lima Daltroa é do Departamento de Fisioterapia, Faculdades Integradas de Patos, Patos, PB, Brasil.
José Cássio de Moraes é do Departamento de Medicina Social, Santa Casa de São Paulo, Faculdade de Ciências Médicas, São Paulo, SP, Brasil.
Regina Giffoni Marsiglia é da Santa Casa de São Paulo, Faculdade de Ciências Médicas, São Paulo, SP, Brasil.
DALTRO, Manuela Carla de Souza Lima; MORAES, José Cássio de; MARSIGLIA, Regina Giffoni. Cuidadores de crianças e adolescentes com transtornos mentais: mudanças na vida social, familiar e sexual. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 27, n. 2, p. 544-555, jun. 2018. ISSN: 1984-0470. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-12902018156194. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/sausoc/article/view/148230>. Acesso em: 18 jul. 2018.
Margareth Artur / Portal de Revistas da USP
Autor: Margareth Artur
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 18/09/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/como-cuidadores-de-pessoas-com-transtornos-mentais-cuidam-de-si-mesmos/
Estudiosos consideram que muitos cuidadores familiares assistem seus sonhos caírem por terra, visto que a presença de uma criança com transtornos exige dedicação extrema de quem cuida. O artigo finaliza afirmando que os portadores de transtornos mentais são dignos de maior atenção das políticas públicas e da sociedade, e “os resultados deste estudo poderão influir na adequação dos serviços de saúde mental, uma vez que a saúde de criança ou adolescente depende da saúde do cuidador“.
Manuela Carla de Souza Lima Daltroa é do Departamento de Fisioterapia, Faculdades Integradas de Patos, Patos, PB, Brasil.
José Cássio de Moraes é do Departamento de Medicina Social, Santa Casa de São Paulo, Faculdade de Ciências Médicas, São Paulo, SP, Brasil.
Regina Giffoni Marsiglia é da Santa Casa de São Paulo, Faculdade de Ciências Médicas, São Paulo, SP, Brasil.
DALTRO, Manuela Carla de Souza Lima; MORAES, José Cássio de; MARSIGLIA, Regina Giffoni. Cuidadores de crianças e adolescentes com transtornos mentais: mudanças na vida social, familiar e sexual. Saúde e Sociedade, São Paulo, v. 27, n. 2, p. 544-555, jun. 2018. ISSN: 1984-0470. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/s0104-12902018156194. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/sausoc/article/view/148230>. Acesso em: 18 jul. 2018.
Margareth Artur / Portal de Revistas da USP
Autor: Margareth Artur
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 18/09/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/como-cuidadores-de-pessoas-com-transtornos-mentais-cuidam-de-si-mesmos/
quinta-feira, 29 de março de 2018
Pesquisa indica que vítimas de racismo têm maior chance de sofrer transtornos mentais
A saúde mental de mulheres brasileiras pode ser prejudicada ao sofrer preconceito por causa da cor da pele, tanto na dimensão pessoal quanto em grupo, aumentando em até 70% a chance de sofrer transtornos mentais comuns (TMC). Essa foi a conclusão de um estudo feito pelo pesquisador e coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia, Maurício Barreto, em conjunto com pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva e do Instituto de Humanidades Artes e Ciências Professor Milton Santos, ambos da Universidade Federal da Bahia.
A pesquisa foi descrita no artigo Personal-Level and Group-Level Discrimination and Mental Health: the Role of Skin Color, publicado no Journal of Racial And Ethnic Health Disparities. O estudo contou com a participação de 1.130 mulheres inscritas originalmente em um programa de pesquisa denominado Mudanças Sociais, Asma e Alergia na América Latina (SCAALA), criado em 2004, que tem como objetivo estudar os fatores associados ao surgimento e persistência dos sintomas de asma e marcadores de alergia na população latino-americana.
No trabalho de campo, foram utilizados os instrumentos Experiences of Discrimination (EOD) e SRQ-20 para identificar os denominados transtornos mentais comuns. Ambos os instrumentos têm sido validados para a língua portuguesa, no Brasil. Os resultados do questionário mostram que, de 38,3% das mulheres que afirmaram ter sintomas de (TMC), 8,5% disseram sofrer alto nível de preconceito e 41,6% demonstraram ter preocupações sobre discriminação. As mulheres que tiveram maior nível de TMCs, tiveram maior exposição a experiências de racismo. Também evidenciou-se que a relação entre TMCs e exposição ao racismo é mais concentrada em mulheres que se declararam de cor parda, seguidas pelas de cor negra e, por fim, do tom branco. Segundo a pesquisa, os resultados são importantes pelo fato de indicar que os futuros estudos sobre TMC em saúde pública deverão, também, considerar preconceito em nível de grupo tanto quanto em nível individual, além da cor da pele.
Da Agência Fiocruz de Notícias, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/03/2018
Autor: Agência Fiocruz de Notícias
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 28/03/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/03/28/pesquisa-indica-que-vitimas-de-racismo-tem-maior-chance-de-sofrer-transtornos-mentais/
A pesquisa foi descrita no artigo Personal-Level and Group-Level Discrimination and Mental Health: the Role of Skin Color, publicado no Journal of Racial And Ethnic Health Disparities. O estudo contou com a participação de 1.130 mulheres inscritas originalmente em um programa de pesquisa denominado Mudanças Sociais, Asma e Alergia na América Latina (SCAALA), criado em 2004, que tem como objetivo estudar os fatores associados ao surgimento e persistência dos sintomas de asma e marcadores de alergia na população latino-americana.
No trabalho de campo, foram utilizados os instrumentos Experiences of Discrimination (EOD) e SRQ-20 para identificar os denominados transtornos mentais comuns. Ambos os instrumentos têm sido validados para a língua portuguesa, no Brasil. Os resultados do questionário mostram que, de 38,3% das mulheres que afirmaram ter sintomas de (TMC), 8,5% disseram sofrer alto nível de preconceito e 41,6% demonstraram ter preocupações sobre discriminação. As mulheres que tiveram maior nível de TMCs, tiveram maior exposição a experiências de racismo. Também evidenciou-se que a relação entre TMCs e exposição ao racismo é mais concentrada em mulheres que se declararam de cor parda, seguidas pelas de cor negra e, por fim, do tom branco. Segundo a pesquisa, os resultados são importantes pelo fato de indicar que os futuros estudos sobre TMC em saúde pública deverão, também, considerar preconceito em nível de grupo tanto quanto em nível individual, além da cor da pele.
Da Agência Fiocruz de Notícias, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/03/2018
Autor: Agência Fiocruz de Notícias
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 28/03/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/03/28/pesquisa-indica-que-vitimas-de-racismo-tem-maior-chance-de-sofrer-transtornos-mentais/
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