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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Diários de Einstein revelam racismo e xenofobia desconhecidos


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Albert Einstein escreveu os diários entre outubro de 1922 e março de 1923

"Pessoas industriosas, imundas e obtusas."

Diários de viagens recentemente publicados revelam visões racistas e xenofóbicas do físico alemão Albert Einstein, cientista mais famoso do mundo e "pai" da Teoria da Relatividade - que chegou a se engajar, contraditoriamente ou não, na luta contra o racismo que enxergava, no século 20, nos Estados Unidos.

Escritos entre outubro de 1922 e março de 1923, os diários registram as viagens que fez com a mulher, Elsa, por países da Ásia e do Oriente Médio, mostrando generalizações negativas que usava para descrever povos e áreas que encontraram nessas regiões, com particular crueldade quando se refere aos chineses.

"São pessoas industriosas, imundas e obtusas", escreveu sobre eles em um dos trechos.

Einstein defenderia mais tarde os direitos civis nos Estados Unidos, chamando o racismo de "doença de pessoas brancas".

Esta é a primeira vez que os diários são publicados como um volume independente em inglês.

Publicado pela Princeton University Press, The Travel Diaries of Albert Einstein: The Far East, Palestine, and Spain, 1922-1923 (Os Diários de Viagem de Albert Einstein: O Extremo Oriente, Palestina e Espanha, 1922-1923, em tradução livre) foi editado por Ze'ev Rosenkranz, diretor assistente do Projeto Einstein Papers, do Instituto de Tecnologia da Califórnia.

Einstein viajou da Espanha para o Oriente Médio, passando depois pelo Sri Lanka - na época chamado de Ceilão - a caminho de China e Japão.


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Einstein embarcou para a viagem que registra nos diários junto com sua mulher, Elsa
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O físico descreve a chegada a Port Said, no Egito, dizendo ter deparado com "levantinos de todas as tonalidades ...", se referindo a pessoas de uma grande área do Oriente Médio chamada Levante, "como se fossem vomitados do inferno" e entrassem em seu navio para vender mercadorias.

Também descreve seu tempo em Colombo, no Ceilão, afirmando que o povo "vive com uma grande imundície e considerável fedor no chão" e "faz pouco e precisa de pouco".

Seus comentários mais ferozes têm como alvos, porém, o povo chinês.

De acordo com uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre os diários, Einstein descreve crianças chinesas como "sem espírito e obtusas", e diz que seria "uma pena se os chineses suplantassem todas as outras raças".

Em outros registros, ele chama a China de "nação peculiar, com cara de rebanho" e "(com a população) mais parecida com autômatos do que com gente", antes de afirmar que há "pouca diferença" entre homens e mulheres chineses e questionar como os homens são "incapazes de se defender" da "atração fatal" feminina.

Reconhecido por seu brilhantismo científico e seu humanismo, Einstein emigrou para os EUA em 1933, após a ascensão de Adolf Hitler e do partido nazista na Alemanha.

O cientista judeu descreveu o racismo como "uma doença de brancos" em um discurso que fez em 1946 na Universidade Lincoln, na Pensilvânia.

Diários refletem mudanças de opinião

O correspondente da BBC News em Washington, Chris Buckler, observa que a Teoria da Relatividade mudou a forma de as pessoas pensarem sobre o espaço e o tempo, e que "esses diários demonstram como as próprias opiniões do cientista sobre raça parecem ter mudado ao longo dos anos".

"Os escritos podem ter sido concebidos como reflexões pessoais, privadas, mas sua publicação deve incomodar algumas correntes na América, onde ativistas ainda celebram Albert Einstein como uma das vozes que ajudaram a lançar luz sobre a questão da segregação (racial)", diz Buckler.

O jornalista lembra que, quando se mudou para os EUA em 1933, o alemão foi surpreendido por escolas e cinemas separados para negros e brancos.

Posteriormente, ele se juntou à Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, uma das mais antigas e influentes instituições americanas com o objetivo de garantir igualdade de direitos políticos, educacionais, sociais e econômicos para todos, buscando eliminar a discriminação racial no país.

Conta-se que Einstein dizia ver semelhanças entre a forma como os judeus eram perseguidos na Alemanha e como os afro-americanos estavam sendo tratados em sua nova pátria.

Ele escolheu a Lincoln University, na Pensilvânia, uma universidade historicamente negra, para fazer um de seus discursos mais contundentes apenas um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Pesquisadores que estudam seus escritos da década de 1920 podem argumentar que suas crenças relacionadas à questão possivelmente se baseassem em seus próprios sentimentos.

"Seus diários estão repletos de reações instintivas e visões pessoais. No contexto do século 21, são pensamentos que podem manchar a reputação de um homem reverenciado quase tanto como humanitário quanto como cientista", analisa Buckler.

Ele pondera, no entanto, que tais palavras foram escritas antes que o alemão visse o que o racismo poderia provocar na América e na Alemanha - um país de onde havia efetivamente fugido.




Autor: BBC Brasil
Fonte: BBC Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC Brasil
Data de Publicação: 15/06/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44480196

terça-feira, 8 de maio de 2018

Racismo nas políticas públicas é tema da nova edição da Revista Poli



A revista Poli nº 57, de maio e junho de 2018, já está disponível. A matéria de capa desta edição discute o racismo institucional que persiste ainda na atualidade e que amplia a desigualdade no acesso das pessoas negras às políticas públicas. No mês dos 130 anos da Lei Áurea, de 13 de maio de 1888, a reportagem chama atenção para as iniquidades a que a população negra brasileira ainda está submetida: ela tem menor escolaridade, apresenta taxas de analfabetismo duas vezes superior ao registrado entre o restante dos habitantes, tem os menores salários, é a mais afetada pelo desemprego, tem menor acesso ao sistema de saúde e é a que morre mais cedo.

Na sequência, uma matéria sobre uma proposta de Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio, entregue ao Conselho Nacional de Educação (CNE) em abril, discute o empresariamento da educação básica. Combinada com outras ações, como a nova Política de Formação de Professores, a reformulação das Diretrizes Nacionais Curriculares (DNC) do Ensino Médio e a própria Reforma do Ensino Médio, ela forma um conjunto coerente de medidas que acendem um alerta para os defensores da escola pública.

O avanço de grandes corporações sobre as políticas garantidoras de direitos é tema também da reportagem que mostra o que discutiram empresários e entidades do setor privado reunidos no Fórum Mundial da Água, realizado em Brasília. Mostrando como a água se tornou uma importante moeda de negócio, a matéria - que também acompanhou o Fórum Alternativo Mundial da Água, que reuniu movimentos sociais - revela que os que causam e os que sofrem os impactos ambientais parecem habitar dois mundos diferentes dentro do mesmo planeta.

Na terceira matéria do especial sobre os 30 anos do SUS, a Poli revisita histórias, personagens e diferentes perspectivas que ajudam a conhecer mais sobre mobilizações e debates que, durante os anos 1970 e 80, construíram o caminho para o SUS. A reportagem lembra as lutas que, impulsionadas por um conjunto de atores sociais unificados no Movimento Sanitário, eram percebidas como parte de um projeto ambicioso de transformação da sociedade, para além da saúde.

O entrevistado desta edição é o professor de Sociologia da Unicamp Marcelo Ridenti, que faz uma análise do ‘Maio de 68’, que completa agora 50 anos. Descrevendo e analisando o que acontecia no mundo naquele momento, ele traça comparações com a conjuntura brasileira atual e mostra como a herança de 68 ainda está em disputa.

A Revista Poli é editada pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), unidade técnico-científica da Fundação Oswaldo Cruz, e aborda principalmente temas relacionados aos campos da educação, saúde e trabalho.

Acesse na íntegra a Revista Poli nº 57


Autor: EPSJV/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 07/05/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/racismo-nas-politicas-publicas-e-tema-da-nova-edicao-da-revista-poli

quinta-feira, 29 de março de 2018

Pesquisa indica que vítimas de racismo têm maior chance de sofrer transtornos mentais

A saúde mental de mulheres brasileiras pode ser prejudicada ao sofrer preconceito por causa da cor da pele, tanto na dimensão pessoal quanto em grupo, aumentando em até 70% a chance de sofrer transtornos mentais comuns (TMC). Essa foi a conclusão de um estudo feito pelo pesquisador e coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia, Maurício Barreto, em conjunto com pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva e do Instituto de Humanidades Artes e Ciências Professor Milton Santos, ambos da Universidade Federal da Bahia.

A pesquisa foi descrita no artigo Personal-Level and Group-Level Discrimination and Mental Health: the Role of Skin Color, publicado no Journal of Racial And Ethnic Health Disparities. O estudo contou com a participação de 1.130 mulheres inscritas originalmente em um programa de pesquisa denominado Mudanças Sociais, Asma e Alergia na América Latina (SCAALA), criado em 2004, que tem como objetivo estudar os fatores associados ao surgimento e persistência dos sintomas de asma e marcadores de alergia na população latino-americana.

No trabalho de campo, foram utilizados os instrumentos Experiences of Discrimination (EOD) e SRQ-20 para identificar os denominados transtornos mentais comuns. Ambos os instrumentos têm sido validados para a língua portuguesa, no Brasil. Os resultados do questionário mostram que, de 38,3% das mulheres que afirmaram ter sintomas de (TMC), 8,5% disseram sofrer alto nível de preconceito e 41,6% demonstraram ter preocupações sobre discriminação. As mulheres que tiveram maior nível de TMCs, tiveram maior exposição a experiências de racismo. Também evidenciou-se que a relação entre TMCs e exposição ao racismo é mais concentrada em mulheres que se declararam de cor parda, seguidas pelas de cor negra e, por fim, do tom branco. Segundo a pesquisa, os resultados são importantes pelo fato de indicar que os futuros estudos sobre TMC em saúde pública deverão, também, considerar preconceito em nível de grupo tanto quanto em nível individual, além da cor da pele.

Da Agência Fiocruz de Notícias, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/03/2018


Autor: Agência Fiocruz de Notícias
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 28/03/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/03/28/pesquisa-indica-que-vitimas-de-racismo-tem-maior-chance-de-sofrer-transtornos-mentais/