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sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Comida sem veneno, artigo de Jamile Lima Nogueira

Foto: EBC

O cenário da alimentação em nosso país vem mudando nos últimos anos. Um elevado consumo de produtos industrializados, ricos em gorduras e açúcares, vem dando lugar ao uso de alimentos menos processados e in natura. A troca, ainda lenta, é fruto de campanhas de conscientização diárias movidas por profissionais de saúde Brasil afora. Tudo para explicar às famílias que a boa saúde pode sim começar pela mesa e o fogão.

Na área da Nutrição vivemos hoje uma tentativa de estímulo à “comida de verdade”, como descrito no Guia Alimentar para a População Brasileira (2014). Esse incentivo a uma alimentação mais natural, baseada em produtos frescos e ricos em nutrientes, é fundamental para a melhora do perfil de saúde da população, devendo estar centrado na prevenção de doenças.

Garantir, principalmente para as crianças, o direito à alimentação de qualidade, assim como à água e ao saneamento básico, é investir na prevenção às doenças que hoje lotam os postos e os hospitais.

Nesse sentido, o nutricionista em formação deverá estar conectado à realidade do país e a essas demandas do mercado atual, qualquer que seja sua área de atuação. Tudo para tornar a alimentação um ato saudável de prazer e conforto. É isso que vamos discutir na Semana de Nutrição da nossa faculdade, em Petrópolis, comemorando os 20 anos do curso, de 29 a 31 de agosto, que é o Dia do Nutricionista.

Também estará em discussão o uso de agrotóxicos no campo e a tentativa de flexibilizar no Congresso a legislação ambiental, no debate e no embate entre parte dos produtores rurais e ambientalistas sobre o que esses últimos apelidaram de “pacote do veneno”. É importante o nutricionista se posicionar sobre o papel que deve exercer no acesso a alimentos seguros.

A batalha por rótulos mais explícitos e educativos sobre o que cada produto contém é outra pauta relevante, no dia a dia. Nós consumidores, e não só profissionais da área, temos direito a ter acesso ao máximo de informações em relação ao que estamos levando das prateleiras para as nossas cozinhas.

Afinal, se somos o que comemos, queremos o melhor, principalmente para as nossas crianças.

Jamile Lima Nogueira é nutricionista e coordenadora do curso de Nutrição da FMP/Fase, no RJ. E-mail: jamilenogueira@fmpfase.edu.br



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/08/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 31/08/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/31/comida-sem-veneno-artigo-de-jamile-lima-nogueira/

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Lagarta com veneno capaz de matar é encontrada pela 1ª vez em Brasília



Lagarta venenosa lonomia oblíqua vista no Lago Sul, em Brasília (Foto: TV Globo/Reprodução)

A lagarta lonomia oblíqua foi encontrada pela primeira vez no Distrito Federal. A informação foi confirmada pelo Instituto Butantan, que monitora os acidente com animais venenosos no país. Colônias da espécie foram identificadas em quintais do Lago Sul, área nobre do DF.

O animal é bastante tóxico e, por isso, não pode ser tocado. As substâncias presentes na lonomia causam dor, vermelhidão, dor de cabeça e inchaço imediatos. A febre alta, que pode render alucinações, aparece nas primeiras 72 horas de contato.

Acidentes com a lonomia podem causar até hemorragia e insuficiência renal aguda, provocando a morte na falta de um tratamento correto.



Lagarta venenosa lonomia oblíqua vista no Lago Sul, em Brasília (Foto: TV Globo/Reprodução)

Diferentemente das lagartas normais, as lonomias têm manchas brancas nas costas no formato da letra U. Elas se alojam, geralmente, em colônias perto de árvores e pomares, e são mais peludas do que as outras espécies.

O professor Ronaldo Accioly foi vítima de uma lonomia – ele estava no quintal de casa, sob uma árvore, quando uma lagarta caiu na mão dele.


"O reflexo foi dar um tapa com a outra mão. De imediato, já começou a doer."


Accioly dormiu mal, foi para o hospital na manhã seguinte e recebeu três dias de atestado médico, sem poder trabalhar.


Professor Ronaldo Accioly foi vítima de veneno de lagarta (Foto: TV Globo/Reprodução)

Sem veneno

O professor de educação ambiental Luiz Rios diz que, a partir das primeiras aparições, é importante ter cuidado ao encostar em árvores que possam estar contaminadas.

Rios pediu para que a população não tente matar os animais com veneno. "Isso pode espalhar as lagartas e criar novas colônias, além de matar outras espécies. E, se a pessoa matar outras espécies, pode inclusive aumentar o número dessas, que são as perigosas", disse.

Para capturá-las, é necessário manter distância, usando uma pinça ou gravetos, por exemplo. Depois, basta colocá-las em um pote com tampa. As lagartas não são agressivas e não vão atacar de volta, segundo o professor.


Lonomia obliqua vive em comunidade em árvores (Foto: Roberto Moraes/ Instituto Butantan)

A Associação de Moradores da QI e QL 26 do Lago Sul está recebendo os animais vivos e mandando para o Instituto Butantan para pesquisa. Até o momento, 212 lonomias foram enviadas.

Segundo a médica infectologista do instituto Fan Hui Wen, ocorrem cerca de 500 casos por ano de contatos entre lagartas e pessoas no Brasil, dos quais 0,5% resultam em morte. Há soro contra o veneno desta espécie desde 1996.


Autor: Braitner Moreira e Vinicius Leal
Fonte: G1 DF e TV Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 08/05/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/lagarta-com-veneno-capaz-de-matar-e-encontrada-pela-1a-vez-em-brasilia.ghtml

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Compostos do veneno de cascavel têm ação contra vírus da hepatite C







Estudos feitos por pesquisadores brasileiros, publicados na PLOS ONE e Scientific Reports, também apresentam resultados promissores de compostos da flora brasileira no combate ao vírus causador da doença (imagem: PLOS ONE)

No Brasil, a hepatite C é a maior responsável por casos de cirrose hepática e, por consequência, pelos transplantes de fígado, de acordo com o Ministério da Saúde. Em São Paulo, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, cerca de 50% dos transplantes de fígado ocorrem em pacientes portadores de vírus da hepatite B ou C, sendo que o segundo responde sozinho por 40% de todos os transplantes de fígado.

Além disso, as terapias disponíveis para o tratamento dos doentes com hepatite C são dispendiosas, apresentam efeitos colaterais e resistência viral. Por todas essas questões, estudos para o desenvolvimento de terapias antivirais mais eficientes são necessários.

Compostos isolados do veneno de animais têm mostrado atividade contra alguns vírus, como da dengue, da febre amarela e do sarampo. Foi a partir dessa linha de investigação que pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e da Universidade de São Paulo (USP) acabam de publicar dois artigos nos quais apresentam resultados promissores de compostos capazes de combater o vírus da hepatite C.

O primeiro experimento, cujos resultados saíram na PLoS One, visou testar propriedades contra o vírus da hepatite C de três compostos isolados do veneno de uma espécie de cascavel, a Crotalus durissus terrificus, conhecida como cascavel-de-quatro-ventas, boiçununga ou maracamboia.

O trabalho foi realizado no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da Unesp, em São José do Rio Preto, pelo grupo de Virologia do Laboratório de Estudos Genômicos, coordenado pela professora Paula Rahal, e no Instituto de Ciências Biomédicas (ICBIM) da UFU, no Laboratório de Virologia, coordenado pela professora Ana Carolina Gomes Jardim. O trabalho contou com diversos apoios da FAPESP, além de CNPq, Fapemig e Royal Society (Newton Fund).

Os compostos retirados do veneno de cascavel foram isolados no Laboratório de Toxinologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, chefiado pela professora Suely Vilela Sampaio.

Trata-se de duas proteínas: a fosfolipase A2 (PLA2-CB) e a crotapotina (CP). No veneno da serpente, esses compostos se encontram associados como subunidades de um complexo proteico, a crotoxina (CX), também testada.

Em uma série de experimentos in vitro com culturas de células humanas, foi testada a ação antiviral dos dois compostos, tanto em separado como em conjunto no complexo proteico. Foram observados os efeitos dos compostos em células humanas (para ajudar a prevenir a infecção pelo vírus) e diretamente no vírus da hepatite C.

O genoma do vírus da hepatite C é constituído de uma única fita de RNA, o ácido ribonucleico, que é uma cadeia simples de nucleotídeos que codifica as proteínas do vírus.

“Esse vírus invade a célula humana hospedeira para se replicar, produzindo novas partículas virais. Dentro da célula hospedeira, o vírus produz uma fita complementar de RNA, a partir da qual serão produzidas moléculas de genoma viral que constituirão as novas partículas”, disse Gomes Jardim.

“Nosso trabalho demonstrou que a fosfolipase tem a capacidade de se intercalar com o RNA dupla fita, intermediário de replicação do vírus, inibindo a produção de novas partículas virais. A intercalação reduziu em 86% a produção de novos genomas virais, quando comparada ao que ocorre na ausência da fosfolipase”, disse.

Quando o mesmo experimento foi feito usando-se a crotoxina, a redução na produção de partículas virais foi de 58%.

A segunda etapa do trabalho consistiu em verificar se os compostos conseguiriam bloquear a entrada do vírus nas células humanas em cultura. Nesse caso, os resultados foram ainda mais satisfatórios, pois a fosfolipase inibiu em 97% a entrada do vírus nas células. Já o uso da crotoxina reduziu a infecção viral em 85%.

Por fim, foi testado um segundo composto isolado do veneno de cascavel, a crotapotina. Muito embora não se tenha verificado efeitos para impedir a entrada do vírus nas células humanas nem a sua replicação, a crotapotina agiu em outro estágio do ciclo viral, reduzindo em até 78% a saída das novas partículas virais das células. No caso da crotoxina, a saída das partículas foi inibida em 50%.

Segundo os pesquisadores, os resultados dos experimentos demonstram que a fosfolipase e a crotapotina agindo isoladamente tiveram melhor resultado do que em associação.

Flora brasileira

O segundo artigo sobre a ação de compostos químicos contra o vírus da hepatite C não partiu do veneno de nenhum animal, mas de compostos naturais da flora brasileira. O estudo, também com apoio da FAPESP, CNPq, Fapemig e Royal Society (Newton Fund), teve resultados publicados na Scientific Reports.

Os autores testaram o potencial antiviral dos flavonoides de uma planta conhecida como amendoim-bravo (Pterogyne nitens). Flavonoides são compostos encontrados em frutas, flores, vegetais em geral, mel e também no vinho.

Foram isolados dois flavonoides presentes nas folhas do amendoim-bravo: a sorbifolina e a pedalitina. O trabalho foi conduzido pelo professor Luis Octávio Regasini no Laboratório de Química Verde e Medicinal na Unesp de São José do Rio Preto.

Os flavonoides foram investigados de forma idêntica aos compostos do veneno de cascavel. Foi testada a ação antiviral dos dois compostos, em células humanas infectadas com o vírus da hepatite C e em células não infectadas.

“A sorbifolina bloqueou a entrada do vírus nas células humanas em 45% dos casos. Já a pedalitina obteve um resultado mais promissor, bloqueando em 79%. O experimento foi feito com dois genótipos do vírus da hepatite C, o genótipo 2A, que é o padrão para todos os estudos, e o genótipo 3, que é o segundo mais prevalente no Brasil. Nos dois casos, a ação antiviral dos flavonoides foi equivalente”, disse Gomes Jardim.

Na outra ponta do ciclo viral, os flavonoides não apresentaram nenhum tipo de ação antiviral no processo de replicação das partículas virais, nem os impediram de sair da célula infectada.

“Os flavonoides de amendoim-bravo estão entre os cerca de 200 compostos testados, que foram isolados de plantas brasileiras ou sintetizados com base em estruturas naturais pelo professor Regasini”, explicou Rahal.

“Os dois flavonoides foram testados contra o vírus da hepatite C porque já haviam demonstrado possuir efeitos antivirais em experimentos com o vírus da dengue”, disse. Os vírus da dengue e da hepatite pertencem à mesma família de vírus, chamada Flaviviridae.

O artigo Multiple effects of toxins isolated from Crotalus durissus terrificus on the hepatitis C virus life cycle (doi: https://doi.org/10.1371/journal.pone.0187857), de Jacqueline Farinha Shimizu, Carina Machado Pereira, Cintia Bittar, Mariana Nogueira Batista, Guilherme Rodrigues Fernandes Campos, Suely da Silva, Adélia Cristina Oliveira Cintra, Carsten Zothner, Mark Harris, Suely Vilela Sampaio, Victor Hugo Aquino, Paula Rahal e Ana Carolina Gomes Jardim, pode ser lido em http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0187857.

O artigo Flavonoids from Pterogyne nitens Inhibit Hepatitis C Virus Entry (doi:10.1038/s41598-017-16336-y), de Jacqueline Farinha Shimizu, Caroline Sprengel Lima, Carina Machado Pereira, Cintia Bittar, Mariana Nogueira Batista, Ana Carolina Nazaré, Carlos Roberto Polaquini, Carsten Zothner, Mark Harris, Paula Rahal, Luis Octávio Regasini e Ana Carolina Gomes Jardim, pode ser lido em www.nature.com/articles/s41598-017-16336-y.

Os pesquisadores publicaram anteriormente em 2017 artigo no Journal of General Virology em que descreveram a ação de outro alcaloide, o Fac4 (sintético da dibenzoxazepina). O composto também apresentou potencial contra o vírus da hepatite C. Em testes in vitro, o alcaloide inibiu em até 92% a replicação do vírus.


Autor: Peter Moon
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: Agência FAPESP
Data de Publicação: 08/01/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/compostos_do_veneno_de_cascavel_tem_acao_contra_virus_da_hepatite_c/26952/