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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O custo ambiental das embalagens de comida para viagem

Cientistas dizem que mais deveria ser feito para combater o crescente impacto ambiental das embalagens de comida para viagem.

Por Jordan Kenny * **




Um novo estudo estima que 2 bilhões de embalagens por ano sejam usados apenas na União Européia (UE). Ele também diz que encontrar uma maneira de reciclar recipientes descartáveis para viagem poderia ajudar a reduzir as emissões equivalentes de gases de efeito estufa gerados anualmente por 55.000 carros.

Os pesquisadores, da Universidade de Manchester, realizaram o primeiro estudo abrangente sobre os impactos ambientais de recipientes de comida descartável para viagem. Eles analisaram os recipientes de alumínio, poliestireno (isopor) e polipropileno (plástico transparente). Estes foram comparados com recipientes plásticos reutilizáveis, como o “Tupperware”.

Por exemplo, o estudo constatou que, embora os contêineres de isopor tenham a menor pegada de carbono – 50% menor que os de alumínio e três vezes menores que os plásticos – eles não podem ser considerados embalagens sustentáveis, pois não são reciclados em massa e geralmente acabam em aterro.

O mercado global de alimentos para viagem está crescendo rapidamente, com um valor projetado de mais de £ 80 bilhões em 2020. O setor usa uma grande quantidade de contêineres para viagem descartáveis, estimados neste estudo em 2 bilhões de unidades por ano somente na União Europeia (UE). .

Apesar disso, a escala dos impactos sobre o meio ambiente dos contêineres de comida para viagem utilizados neste setor em crescimento não foi medida até agora.

O estudo utilizou a avaliação do ciclo de vida (ACV) para estimar os impactos dos contêineres, levando em consideração sua fabricação, uso e gerenciamento de resíduos no fim da vida útil. Ao todo, a equipe de pesquisa investigou 12 impactos ambientais diferentes, incluindo mudanças climáticas, esgotamento de recursos naturais e ecotoxicidade marinha.

O estudo descobriu que o contêiner de isopor era a melhor opção entre os contêineres descartáveis em todos os impactos considerados, incluindo a pegada de carbono. Por exemplo, o contêiner de isopor tinha uma pegada de carbono 50% menor que o alumínio e três vezes menor do que o plástico. Isto é devido à menor quantidade de materiais e energia utilizada na produção de isopor em comparação com os outros dois tipos de recipientes.

No entanto, os contêineres de isopor atualmente não são reciclados e não podem ser considerados uma opção de embalagem sustentável. O estudo estima que a reciclagem de metade dos contêineres atualmente em uso, conforme previsto pela política de reciclagem da UE para o ano de 2025, reduziria sua pegada de carbono em um terço. Isso economizaria 61.700 t CO 2 eq. por ano em nível da UE, equivalente às emissões de gases com efeito de estufa geradas anualmente por 55.000 automóveis. A maioria dos outros impactos seria reduzida em mais de 20%.

O Dr. Alejandro Gallego-Schmid, o principal autor, explica: “Alcançar esse nível de reciclagem de recipientes de isopor será um desafio. Embora tecnicamente possível e praticado em pequena escala em alguns países, as principais dificuldades estão relacionadas à coleta dos recipientes usados e aos custos associados.

O Dr. Joan Fernandez Mendoza, um dos autores do estudo, acrescentou: ‘Por serem tão leves, os contêineres de isopor podem ser facilmente surpreendidos, contribuindo para o lixo urbano e marinho. Assim, apesar de seus menores impactos ambientais no ciclo de vida em relação aos outros contêineres, os contêineres de isopor não podem ser considerados uma opção de embalagem sustentável, a menos que possam ser reciclados em larga escala ”.

O estudo também descobriu que os contêineres Tupperware reutilizáveis tinham uma pegada de carbono menor do que o isopor descartável quando eles eram reutilizados mais de 18 vezes. Isso ocorre apesar da energia e da água usadas para a limpeza. Recipientes descartáveis de plástico transparente precisavam ser reutilizados menos vezes – apenas cinco – para se tornarem melhores para a pegada de carbono do que para o isopor.

A professora Adisa Azapagic, a líder do projeto, comentou: “Como consumidores, podemos desempenhar um papel significativo na redução dos impactos ambientais das embalagens de alimentos, reutilizando os recipientes de alimentos o maior tempo possível. Nosso estudo mostra claramente que quanto mais os reutilizamos, mais baixos os impactos se tornam em suas vidas estendidas.


Referência:

Environmental impacts of takeaway food containers
Alejandro Gallego-Schmida, Joan Manuel F.Mendoza, Adisa Azapagic
Journal of Cleaner Production
Volume 211, 20 February 2019, Pages 417-427
https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2018.11.220



* Com informações da University of Manchester.
** Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/12/2018




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 19/12/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/12/19/o-custo-ambiental-das-embalagens-de-comida-para-viagem/

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Comida sem veneno, artigo de Jamile Lima Nogueira

Foto: EBC

O cenário da alimentação em nosso país vem mudando nos últimos anos. Um elevado consumo de produtos industrializados, ricos em gorduras e açúcares, vem dando lugar ao uso de alimentos menos processados e in natura. A troca, ainda lenta, é fruto de campanhas de conscientização diárias movidas por profissionais de saúde Brasil afora. Tudo para explicar às famílias que a boa saúde pode sim começar pela mesa e o fogão.

Na área da Nutrição vivemos hoje uma tentativa de estímulo à “comida de verdade”, como descrito no Guia Alimentar para a População Brasileira (2014). Esse incentivo a uma alimentação mais natural, baseada em produtos frescos e ricos em nutrientes, é fundamental para a melhora do perfil de saúde da população, devendo estar centrado na prevenção de doenças.

Garantir, principalmente para as crianças, o direito à alimentação de qualidade, assim como à água e ao saneamento básico, é investir na prevenção às doenças que hoje lotam os postos e os hospitais.

Nesse sentido, o nutricionista em formação deverá estar conectado à realidade do país e a essas demandas do mercado atual, qualquer que seja sua área de atuação. Tudo para tornar a alimentação um ato saudável de prazer e conforto. É isso que vamos discutir na Semana de Nutrição da nossa faculdade, em Petrópolis, comemorando os 20 anos do curso, de 29 a 31 de agosto, que é o Dia do Nutricionista.

Também estará em discussão o uso de agrotóxicos no campo e a tentativa de flexibilizar no Congresso a legislação ambiental, no debate e no embate entre parte dos produtores rurais e ambientalistas sobre o que esses últimos apelidaram de “pacote do veneno”. É importante o nutricionista se posicionar sobre o papel que deve exercer no acesso a alimentos seguros.

A batalha por rótulos mais explícitos e educativos sobre o que cada produto contém é outra pauta relevante, no dia a dia. Nós consumidores, e não só profissionais da área, temos direito a ter acesso ao máximo de informações em relação ao que estamos levando das prateleiras para as nossas cozinhas.

Afinal, se somos o que comemos, queremos o melhor, principalmente para as nossas crianças.

Jamile Lima Nogueira é nutricionista e coordenadora do curso de Nutrição da FMP/Fase, no RJ. E-mail: jamilenogueira@fmpfase.edu.br



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/08/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 31/08/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/31/comida-sem-veneno-artigo-de-jamile-lima-nogueira/

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

FAO alerta que 30% de toda a comida produzida no mundo vai parar no lixo

ONU


Em seminário online promovido na segunda-feira (13), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil alertou que, anualmente, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçada ou se perde ao longo das cadeias produtivas de alimentos.

Desperdício de alimentos preocupa a FAO e o governo brasileiro. Foto: EBC



Em seminário online promovido na segunda-feira (13), a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil alertou que, anualmente, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçada ou se perde ao longo das cadeias produtivas de alimentos. Volume representa 30% de toda a comida produzida por ano no planeta.

De acordo com Juliana Dei Svaldi Rossetto, responsável pelo tema junto à FAO no Brasil, a Agenda 2030 da ONU conta com um item específico para enfrentar o problema. A mete nº 3 do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 12 prevê a redução pela metade do desperdício per capita mundial até 2030, bem como diminuições das perdas nos sistemas de produção e abastecimento, incluindo no momento pós-colheita.

Segundo o organismo internacional, o desperdício responde por 46% da quantidade de comida que vai parar no lixo. Já as perdas — que ocorrem sobretudo nas fases de produção, armazenamento e transporte — correspondem a 54% do total.

No Brasil, a FAO apoiou, a partir de setembro de 2016, a criação do Comitê Técnico da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (CAISAN). O objetivo do organismo foi desenvolver uma estratégia comum para enfrentar o problema, além de estabelecer diretrizes gerais para mensurar os desperdícios e perdas no país. A agência da ONU também apoiou a elaboração de um diagnóstico nacional sobre a questão.

Também participando do seminário, Kathleen Sousa Oliveira Machado, coordenadora-geral de Equipamentos Públicos de Segurança Alimentar e Nutricional, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), lembrou que o Comitê Técnico do Brasil conseguiu unir para o debate governo, sociedade civil e o setor produtivo.

“Reunir os três setores discutindo e propondo soluções foi um grande avanço. Agora, a gente espera ter essa estratégia aprovada em novembro pela CAISAN para poder divulgar à população como o Estado brasileiro está atuando e pretende atuar para conseguir atingir o ODS 12”, destacou.

Sobre a atividade promovida pela FAO, a gestora acrescentou que foi importante ouvir as experiências de outros países, que podem inspirar iniciativas brasileiras.

“A partir disso, vamos reunir os especialistas brasileiros para começar a pensar uma proposta e apoiar o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na quantificação das perdas e desperdício de alimentos no país. Primeiro temos que saber o quanto é perdido e desperdiçado para depois conseguirmos dizer se nós alcançaremos esse objetivo até 2030”, salientou.



Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/11/2017




Autora: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 17/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/17/fao-alerta-que-30-de-toda-comida-produzida-no-mundo-vai-parar-no-lixo/