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quarta-feira, 8 de maio de 2019

‘Seminário Infâncias e Naturezas, um olhar para a diversidade social e ambiental’ propõe reflexões sobre as múltiplas vivências das crianças com a natureza




Seminário Infâncias e Naturezas, um olhar para a diversidade social e ambiental – Evento acontece nos dias 10 e 11 de junho, no Departamento Nacional do Sesc, no Rio de Janeiro e reúne especialistas e educadores para debater sobre necessidade de interação das crianças com ambientes naturais

Os diferentes cenários urbanos são determinantes para as variadas formas de interação com o ambiente natural, definidas, entre outros fatores, pela qualidade e biodiversidade da natureza e, também, pela desigualdade social. Por isso, quando se pensa na relação entre criança e meio ambiente, é preciso considerar que não se trata de uma única natureza de relação, mas das múltiplas formas como essa relação acontece. Para ampliar o diálogo sobre esse cenário, o programa Criança e Natureza, do Instituto Alana, em parceria com o Sesc realizam o “Seminário Infâncias e Naturezas, um olhar para a diversidade social e ambiental“, dias 10 e 11 de junho, no Departamento Nacional do Sesc, no Rio de Janeiro. O encontro reunirá especialistas e educadores de todo o Brasil para instigar diálogos sobre a necessidade de maior interação das crianças com a natureza.

Atualmente, é possível notar, em diversas cidades brasileiras, entre elas, o Rio de Janeiro, muitas desigualdades no acesso à natureza: enquanto diversos bairros são carentes de vegetação; outros reúnem condomínios com ampla área verde, porém, bastante controladas com fins estéticos e decorativos; terrenos baldios com solo degradado e abandonado ou, ainda, áreas com natureza abundante e rica, mas que abrangem ambientes protegidos, como florestas. A observação sobre essas distinções inspirou o tema do Seminário deste ano, que busca dialogar sobre a qualidade da interação da criança com o ambiente natural, e sobre refazer os elos de proximidade das crianças com o meio ambiente, tanto em convívio quanto em brincadeiras, práticas que se perderam ao longo dos anos.

“As crianças, nos seus distintos modos de viver, acessam a natureza da forma como lhe é possível e permitido. Não importa se elas moram no morro, em condomínios, perto do mar, ou nas periferias. O que elas têm em comum é um estilo de vida mais sedentário e confinado, distante do contato com áreas verdes. Por isso, queremos propor reflexões sobre a diversidade de vivências das crianças com as naturezas presentes nas cidades, e trazer inspiração e fomento a rede de profissionais e cidadãos comuns que, assim como nós, batalham por uma infância rica em natureza. Convidamos todas e todos a participarem dessa jornada para constituirmos uma rede que valoriza as múltiplas infâncias e as múltiplas naturezas que compõem um dos nossos maiores patrimônios, a diversidade”, destaca Laís Fleury, coordenadora do programa Criança e Natureza.

“A natureza traz benefícios cognitivos, sociais, físicos e psicológicos para as crianças, influenciando diretamente no seu desenvolvimento. O Sesc por estar alinhado com as diretrizes dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e presente em todos os estados brasileiros conhece a diversidade de infâncias e naturezas. Com o Seminário ‘Criança e Natureza’ pretende instigar a reflexão e a troca de experiências sobre a importância de repensar as cidades e suas áreas naturais, de modo a transformá-las em territórios educativos que proporcionem o encontro das crianças com a natureza e a reinserção da infância e do brincar na vida urbana.”, enfatiza Mara Cristina Soares Alves, analista de educação do departamento Nacional do Sesc.

Na pauta no seminário estão temas como: “Infâncias”; “Segurança no espaço público”; “A importância da experiência” e “A Conexão da Natureza no Cuidado com Nós Mesmos e no Cuidado com a Terra”. As conversas serão conduzidas por Cláudio Maretti, especialista em áreas protegidas, apoio ao desenvolvimento sustentável; Evelyn Eisentein, médica pediatra, professora de pediatria; Ilana Katz, psicanalista de orientação lacaniana; Marie Ange Bordas, artista, autora e mediadora cultural; Murilo Cavalcanti, administrador de empresa e Secretário de Segurança Urbana da Cidade do Recife; Renato Noguera, doutor em Filosofia; Roque Antonio Juaquim, observador da Cultura da Infância (Brinquedos e Brincadeiras tradicionais da infância brasileira); Sérgio Godinho, diretor da Escola da Serra e Tainá de Paula, arquiteta e urbanista, especialista em patrimônio cultural.

Durante os dois dias de programação haverá diversas oficinas para os participantes, como pipas, construção de bichinhos em madeira, produção de tintas à base de terra e pintura, confecção de comedouros artesanais para observação de aves, entre outras. Pela primeira o seminário abrirá espaço para apresentação de trabalhos, pesquisas e experiências. Será feita uma exposição de painéis com os projetos selecionados, para valorizar a relação entre a criança e a natureza e analisando a fundo a realidade do Brasil, a fim de enfrentar a complexidade de situações vividas hoje nas infâncias brasileiras.

Serviço:
Seminário “Infância e Natureza, um olhar para a diversidade social e ambiental”
Data: 10 e 11 de junho, das 9h às 17h

Local: Teatro Sesc Senac – Avenida Ayrton Senna, 5555 – Gardênia Azul, Rio de Janeiro / RJ

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/05/2019



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 08/05/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/05/08/seminario-infancias-e-naturezas-um-olhar-para-a-diversidade-social-e-ambiental-propoe-reflexoes-sobre-as-multiplas-vivencias-das-criancas-com-a-natureza/

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Parque Augusta poderia ser uma referência paulistana para o lazer ambiental e o combate às enchentes, artigo de Álvaro Rodrigues dos Santos


Parque Augusta. Foto: Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA)


Conheci pelo G1 (Globo) alguns detalhes do Projeto de Construção do Parque Augusta, esquina da Augusta com a Caio Prado na capital paulista. Assustei-me um pouco com o grande número de “atrações” que o projeto pretende instalar naquele espaço, passando por cachorródromo, academia da 3ª idade, playground, praça, trilhas, arquibancada, bosque, etc.. Penso que essa seja uma preciosa oportunidade de conversarmos sobre quais as carências urbanas, e são tantas, que um parque dessa natureza deveria considerar como foco prioritário de atenção do empreendimento.

Adianto minha opinião que esse foco de atenção e vocação do novo parque deva estar na disponibilização para a cidade de um grande bosque florestado, ocupando a maior extensão possível da área total disponível. Do ponto de vista ambiental é notória a nobreza das funções associadas a um bosque florestado, seja na amenização da temperatura, na atração e sustentação da fauna urbana, no oferecimento de um ambiente cultural de contemplação e paz espiritual, seja como um laboratório de educação ambiental, etc.

Mas um bosque florestado cumpre também funções hidrológicas de especial importância para uma cidade que tem nas enchentes urbanas um de seus principais dramas. Sempre bom lembrar que a principal causa das enchentes urbanas está na impermeabilização do espaço urbano, com a decorrente perda de sua capacidade de reter águas de chuva. Do que decorre que a cidade acaba lançando, em tempos sucessivamente menores, um imenso volume de águas pluviais sobre um sistema de drenagem que não mais consegue lhe dar a devida vazão. Essa a equação básica das enchentes. As áreas florestadas, diferentemente das impermeabilizadas, conseguem reter até 85% das águas de chuva que recebe, aliviando em muito os sistemas de drenagem que lhes são próximos.

Conceitualmente podemos entender o bosque florestado urbano como um espaço, uma praça, um terreno público ou privado, inteiramente tomado por árvores de pequeno, médio e grande portes. Comporta-se como se constituisse uma porção de uma verdadeira floresta natural, em nosso caso da Mata Atlântica, em todos seus componentes, com destaque à serapilheira, aquele espesso colchão de folhas caídas e restos vegetais que vai se acumulando no chão das florestas naturais. É a serapilheira que proporciona a proteção do solo contra a erosão, dá vida biológica ao solo e o enriquece agronomicamente, torna o solo mais fofo e permeável. Outra característica formidável da serapilheira é absorver ela própria de imediato uma grande quantidade de água das chuvas, reduzindo em muito o volume de água que escorre sobre a superfície do solo e que acabaria chegando aos sistemas de drenagem..

Um bom e conhecido exemplo seria a parte alta do Parque do Trianon, na badalada Av. Paulista da cidade de São Paulo. Com seu bosque florestado e com a implantação de outros dispositivos de acumulação e infiltração de águas de chuva o Parque Augusta poderia orgulhar-se de reter todas as águas de chuva que recebesse, inclusive nos episódios pluviométricos mais intensos. Que vitória em um nova cultura de combate às enchentes!!

Dito isto, aqui fica a forte sugestão para que o Parque Augusta represente esse novo símbolo de áreas verdes urbanas, quais sejam os bosque florestados, verdadeiros piscinões verdes de inestimável função ambiental e hidrológica para as cidades.

Mais longe ainda vai o sonho, que essa nova cultura paisagística seja abraçada pelas nossas administrações municipais, o que nos permitiria, no caso da metrópole paulistana, vê-la aplicada em outras tantas situações semelhantes, como a Chácara do Jockey, no bairro do Ferreira, e, deixem-me sonhar, em uma futura Grande Floresta do Butantã, a ser implantada na grande área hoje ocupada pelo pretensamente aristocrático, falido e urbanisticamente disfuncional, Jockey Club de São Paulo.

Geól. Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)


Ex-Diretor de Planejamento e Gestão do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas


Autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Diálogos Geológicos”, “Cubatão”, “Enchentes e Deslizamentos: Causas e Soluções”, “Manual Básico para elaboração e uso da Carta Geotécnica”, “Cidades e Geologia”, “Cidades e Geologia”


Consultor em Geologia de Engenharia e Geotecnia


Articulista e colaborador do EcoDebate.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/04/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 08/04/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/04/08/parque-augusta-poderia-ser-uma-referencia-paulistana-para-o-lazer-ambiental-e-o-combate-as-enchentes-artigo-de-alvaro-rodrigues-dos-santos/

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

O custo ambiental das embalagens de comida para viagem

Cientistas dizem que mais deveria ser feito para combater o crescente impacto ambiental das embalagens de comida para viagem.

Por Jordan Kenny * **




Um novo estudo estima que 2 bilhões de embalagens por ano sejam usados apenas na União Européia (UE). Ele também diz que encontrar uma maneira de reciclar recipientes descartáveis para viagem poderia ajudar a reduzir as emissões equivalentes de gases de efeito estufa gerados anualmente por 55.000 carros.

Os pesquisadores, da Universidade de Manchester, realizaram o primeiro estudo abrangente sobre os impactos ambientais de recipientes de comida descartável para viagem. Eles analisaram os recipientes de alumínio, poliestireno (isopor) e polipropileno (plástico transparente). Estes foram comparados com recipientes plásticos reutilizáveis, como o “Tupperware”.

Por exemplo, o estudo constatou que, embora os contêineres de isopor tenham a menor pegada de carbono – 50% menor que os de alumínio e três vezes menores que os plásticos – eles não podem ser considerados embalagens sustentáveis, pois não são reciclados em massa e geralmente acabam em aterro.

O mercado global de alimentos para viagem está crescendo rapidamente, com um valor projetado de mais de £ 80 bilhões em 2020. O setor usa uma grande quantidade de contêineres para viagem descartáveis, estimados neste estudo em 2 bilhões de unidades por ano somente na União Europeia (UE). .

Apesar disso, a escala dos impactos sobre o meio ambiente dos contêineres de comida para viagem utilizados neste setor em crescimento não foi medida até agora.

O estudo utilizou a avaliação do ciclo de vida (ACV) para estimar os impactos dos contêineres, levando em consideração sua fabricação, uso e gerenciamento de resíduos no fim da vida útil. Ao todo, a equipe de pesquisa investigou 12 impactos ambientais diferentes, incluindo mudanças climáticas, esgotamento de recursos naturais e ecotoxicidade marinha.

O estudo descobriu que o contêiner de isopor era a melhor opção entre os contêineres descartáveis em todos os impactos considerados, incluindo a pegada de carbono. Por exemplo, o contêiner de isopor tinha uma pegada de carbono 50% menor que o alumínio e três vezes menor do que o plástico. Isto é devido à menor quantidade de materiais e energia utilizada na produção de isopor em comparação com os outros dois tipos de recipientes.

No entanto, os contêineres de isopor atualmente não são reciclados e não podem ser considerados uma opção de embalagem sustentável. O estudo estima que a reciclagem de metade dos contêineres atualmente em uso, conforme previsto pela política de reciclagem da UE para o ano de 2025, reduziria sua pegada de carbono em um terço. Isso economizaria 61.700 t CO 2 eq. por ano em nível da UE, equivalente às emissões de gases com efeito de estufa geradas anualmente por 55.000 automóveis. A maioria dos outros impactos seria reduzida em mais de 20%.

O Dr. Alejandro Gallego-Schmid, o principal autor, explica: “Alcançar esse nível de reciclagem de recipientes de isopor será um desafio. Embora tecnicamente possível e praticado em pequena escala em alguns países, as principais dificuldades estão relacionadas à coleta dos recipientes usados e aos custos associados.

O Dr. Joan Fernandez Mendoza, um dos autores do estudo, acrescentou: ‘Por serem tão leves, os contêineres de isopor podem ser facilmente surpreendidos, contribuindo para o lixo urbano e marinho. Assim, apesar de seus menores impactos ambientais no ciclo de vida em relação aos outros contêineres, os contêineres de isopor não podem ser considerados uma opção de embalagem sustentável, a menos que possam ser reciclados em larga escala ”.

O estudo também descobriu que os contêineres Tupperware reutilizáveis tinham uma pegada de carbono menor do que o isopor descartável quando eles eram reutilizados mais de 18 vezes. Isso ocorre apesar da energia e da água usadas para a limpeza. Recipientes descartáveis de plástico transparente precisavam ser reutilizados menos vezes – apenas cinco – para se tornarem melhores para a pegada de carbono do que para o isopor.

A professora Adisa Azapagic, a líder do projeto, comentou: “Como consumidores, podemos desempenhar um papel significativo na redução dos impactos ambientais das embalagens de alimentos, reutilizando os recipientes de alimentos o maior tempo possível. Nosso estudo mostra claramente que quanto mais os reutilizamos, mais baixos os impactos se tornam em suas vidas estendidas.


Referência:

Environmental impacts of takeaway food containers
Alejandro Gallego-Schmida, Joan Manuel F.Mendoza, Adisa Azapagic
Journal of Cleaner Production
Volume 211, 20 February 2019, Pages 417-427
https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2018.11.220



* Com informações da University of Manchester.
** Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/12/2018




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 19/12/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/12/19/o-custo-ambiental-das-embalagens-de-comida-para-viagem/

terça-feira, 30 de outubro de 2018

‘Expertise’ e governança ambiental, Parte 1/6, artigo de Roberto Naime

LÉTORNEAU (2014) assevera que muitos termos possuem um sentido técnico sem que ele seja evidente para todos como a “governança ambiental”.

Termo que remete no contexto atual a uma participação cidadã nesse tipo de questão, por exemplo, da saúde de um ecossistema específico, tal como uma floresta ou um vale agrícola, a partir de preocupações partilhadas e não a partir de uma problemática de controle organizacional.

Governança transcende a assistencialismo social. Conceito transposto da área empresarial, neste contexto significa mediar de forma sistêmica, os interesses envolvidos de todas as partes interessadas, buscando a máxima satisfação possível com a conciliação das demandas emergentes. De forma sistêmica e permanente, sem espontaneísmos e improvisações.

Mediar e compatibilizar interesses legítimos e que transcendem caráter pessoal ou financista. E que ampliem a conceituação de preservação ambiental e de empreendimentos, procurando satisfazer as demandas das populações locais atingidas.

Após ter tornado preciso o que é a “expertise” e quais são os principais problemas postos pelo recurso à “expertise” nos contextos da ação cidadã, proponho que as expertises técnicas podem ser postas no mesmo nível, referindo principalmente aos saberes comuns, à prática e à experiência concreta, dita “de campo”, o que corresponde a uma ampliação.

LÉTORNEAU (2014) assevera a preocupação com o exercício do poder e com a tomada de decisões sobre questões de organização da cidade que afetam a todos.

O que se passa com as questões de ética ambiental? Os pesquisadores especializados nesse assunto limitaram-se geralmente a refletir se a ética ambiental deveria ser ecocentrista ou biocentrista ou, então, se deveria pelo menos ser antropocêntrica. Com base em uma clarificação dos princípios e das justificações, se propugna uma orientação prática que se supõe que obtém adesão e conduz a uma reorientação prática.

Se houver preocupação com questões que dizem respeito ao ambiente, deve se fazer apelo a pessoas com certa “expertise”. Isso pode se produzir em função de instâncias “autorreguladas”, como um comitê de cidadãos. Pode se tratar também de práticas de governança que se exercem local ou regionalmente, de maneira contínua, recorrente e frequente.

Ocorre refletir nos trabalhos de comitês técnicos que fornecem pareceres aos departamentos de recursos hídricos, ou nos engenheiros chamados em socorro de um comitê de questões fluviais que quer saber o estado de certa barragem ou as condições de sua reconstrução.

Como se interessar pelas florestas, pelos cardumes, pelos recursos minerais ou pelo cuidado ou gestão dos recursos de água sem dever imediatamente recorrer aos “experts”. Difícil deixar de lado a “expertise” com sua dificuldade para convencer a governança, especialmente no plano internacional, com sua incapacidade atual de operar de maneira eficaz.

Por incrível que pareça, alguns dos “experts” chamados com maior assiduidade são os filósofos. Sua função é em parte educacional e motivacional. O trabalho filosófico consiste em esclarecer a situação de um ponto de vista terminológico e conceitual, pois os termos do debate não são claros.

É preciso perguntar sobre o espaço social e as mediações concretas das quais se necessita e que são às vezes instrumentos para se ocupar das questões ambientais de maneira eficaz. Para tanto, o filósofo se apóia nas questões do simples cidadão e também nas ciências humanas e sociais.

Esta perspectiva apresenta a vantagem de não partir somente de uma consideração de princípio, obrigando a considerar os contextos e o conjunto dos valores relevantes e também os fins visados bem como os resultados previsíveis de nossas ações.

Como se denota, o problema do papel da “expertise” na sociedade moderna, democrática e complexa, foi levantado por John Dewey em 1927 em “The public and its problems”.

LÉTORNEAU (2014) assevera que mesmo as perspectivas que consideram uma democracia mais deliberativa e mais participativa devem levar em consideração os problemas colocados pelas exigências de especialistas em nossas sociedades, incluindo o diálogo com outros tipos de “expertise”, em concepção multidisciplinar, oriundos de outros setores da sociedade civil.



Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.



Referências:

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LÉTOURNEAU, Alain, O problema da expertise e as questões da governança ambiental, Sci. stud. vol. 12 no. 3 São Paulo jul./set. 2014, http://dx.doi.org/10.1590/S1678-31662014000300007



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 30/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/30/expertise-e-governanca-ambiental-parte-16-artigo-de-roberto-naime/

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Decrescimento demoeconômico da Bulgária: do déficit ao superávit ambiental, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Bulgária se tornou um exemplo de país que saiu do déficit ambiental para o superávit ambiental, por meio do decrescimento demoeconômico.

O gráfico abaixo mostra que a Bulgária tinha um déficit ambiental de 47% em 1997 e passou a ter superávit ambiental de 5% em 2014, conforme os últimos dados da Global Footprint Network.







A pegada ecológica per capita da Bulgária era de 3,43 hectares globais (gha) em 1997, para uma biocapacidade per capita de 2,33 gha (déficit de 47%). Mas ao longo dos quase 20 anos seguintes, a pegada ecológica que havia subido até 2008, caiu para 3,17 gha em 2014, enquanto a biocapacidade per capita subiu para 3,34 gha (superávit de 5%). Isto foi possível devido ao decrescimento das atividades antrópicas mais poluidoras e ao decrescimento demográfico.

O gráfico abaixo, da Divisão de População da ONU (revisão 2017), mostra que a população da Bulgária era de 7,251 milhões de habitantes em 1950, subiu até o pico de 8,975 milhões de habitantes em 1985 e chegou a 8,212 milhões em 1997 e a 7,222 milhões em 2014. Ou seja, a população da Bulgária atual é menor do que aquela de 1950 e menor do que a de 1997. No cenário de projeção médio, a população búlgara pode ficar com menos de 4 milhões de habitantes em 2100.

O impacto do decrescimento demográfico sobre o meio ambiente foi amplamente favorável, pois a redução do número de habitantes possibilitou o aumento da biocapacidade per capita. Como houve também redução do padrão de consumo, a Bulgária se tornou um caso exemplar de superação do déficit ambiental.







O gráfico abaixo, com dados do FMI, mostra que a população búlgara diminui todos os anos desde 1985, enquanto o PIB teve momentos de crescimento e queda. Nas décadas de 1980 e 2000 houve crescimento da atividade econômica. Mas na década de 1990 houve uma grande recessão e a década de 2010 tem apresentado baixo crescimento do PIB. O mais importante a notar é que, depois da crise econômica de 2009, a Bulgária passou a consumir menos combustíveis fósseis, o que foi fundamental para a redução da pegada ecológica.







A renda per capita da Bulgária (em poder de paridade de compra – ppp) caiu na década de 1990, mas subiu nos anos 2000, sendo que estava perto de US$ 18 mil em 2014, bem acima dos níveis da década de 1980 (acima da renda per capita brasileira), conforme o gráfico seguinte. Ou seja, o decrescimento demoeconômico da Bulgária ocorreu sem piora do padrão de vida.







Mesmo sendo um país pequeno, a Bulgária se tornou um exemplo de redução da pegada ecológica com aumento da biocapacidade e transformação do déficit em superávit ambiental. Ao contrário do que pensam os setores pronatalistas da sociedade e que sonham com a “Pátria grande”, a redução da população foi um elemento essencial para o sucesso da sustentabilidade ecológica. E o mais interessante é que o decrescimento demoeconômico ocorreu em um quadro de aumento da renda per capita.

Essa possibilidade já havia sido antecipada no livro “O Declínio Próspero” de H. T. Odum, conforme pode ser consultado em Ortega (2015). O livro coloca a possibilidade de um declínio no padrão de consumo com prosperidade e com reversão da degradação ambiental.

Este exemplo da Bulgária deveria servir para orientar o debate público brasileiro, neste momento de eleições gerais, quando a totalidade dos candidatos simplesmente repetem o mantra do crescimento econômico como solução de todos os males do país, mas que terá uma impacto ambiental devastador. O Brasil pode pensar uma situação de prosperidade sem crescimento ou com decrescimento do impacto ambiental.

Referências:

Enrique Ortega. “O Declínio Próspero: Princípios e Políticas” de Howard e Elisabeth Odum, Laboratório de Engenharia Ecológica da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, 2015 http://www.unicamp.br/fea/ortega/declinio/



José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/09/2018






Autor: José Eustáquio Diniz Alves
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/09/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/09/24/decrescimento-demoeconomico-da-bulgaria-do-deficit-ao-superavit-ambiental-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

terça-feira, 7 de agosto de 2018

A questão ambiental entre a ciência e a ideologia, Parte 6/7, artigo de Roberto Naime

SILVA et al (1997) asseveram que FERRY (1994) classifica as diversas correntes ambientalistas, inicialmente como movimento de libertação animal, onde há uma expansão do universo moral para os seres sencientes, sendo esta uma ética baseada em interesses utilitaristas, como a defendida por SINGER (1994).

Em ecologia superficial, de cunho instrumental, segundo o qual a natureza possui caráter humanista, não é considerada sujeito de direito e sua preservação constitui-se um meio para conseguir o bem-estar do homem.

E por último, em ecologia profunda, defendida por NAESS (1973), a qual adota uma nova ética baseada em princípios preconizadores de que a valorização ética da natureza independe da sua utilidade quanto às demandas práticas da sociedade.

Os limites objetivos de qualquer ser vivo devem ser respeitados, os valores humanos devem ser equivalentes aos dos demais seres da natureza, os homens não têm nenhum direito que lhes assegure dominação sobre as outras espécies e a riqueza e a diversidade da vida devem ser garantidas para as gerações futuras.

Os posicionamentos ideológicos no interior do próprio movimento ambientalista são bastante divergentes. Schwarz & Schwarz dizem que os ambientalistas aceitam a estrutura intelectual da sociedade industrial, tentando resolver os problemas ambientais neste contexto.

Os ecologistas ditos profundos acreditam não ser possível resolver tais problemas, caso não se mude radicalmente o sistema de valores atuais com profundas substituições nos códigos culturais (SCHWARZ & SCHWARZ, 1990). Na prática, verifica-se ser muito difícil analisar as diferenças dos discursos no interior dos movimentos ambientalistas.

Neste contexto, o setor empresarial assumiria um papel de destaque nesta nova fase do debate ambientalista. Schmidheiny, o principal conselheiro para Negócios e Indústria do secretário-geral da Conferência das Nações Unidas para Meio Ambiente e Desenvolvimento, defende que “parte da ‘sanidade ambiental’ só será alcançada através da modernização dos meios de produção, sob uma ótica de custo/benefício” (SCHMIDHEINY, 1992:35).

Ao criticar tal argumento, Tauk-Tornisielo afirma que é “motivado mais pela necessidade de racionalizar custos do que desenvolver cuidados com o ambiente, refletindo o novo posicionamento das indústrias diante da nova ordem econômica mundial, onde o aumento sensível da competitividade passa pela redução de custos, sem a qual as empresas estarão à margem dos mercados” (TAUK-TORNISIELO, 1995:11).

Nesta visão a iniciativa privada apenas se camufla de comprometida com causas ambientais, buscando maximizar condições operacionais.

Por isso se sabe que leis e normas não vão resolver os problemas. A civilização humana vai acabar determinando nova autopoiese sistêmica, na acepção de Niklas Luhmann e Ulrich Beck, que contemple a solução dos maiores problemas e contradições exibidas pelo atual arranjo de equilíbrio. Para sua própria sobrevivência, o “sistema” vai acabar impondo uma nova metamorfose efetiva.

A autopoiese sistêmica dominante necessita ser alterada. Pois hoje só o consumismo garante a manutenção dos círculos virtuosos da sociedade.

Aumento de consumo gera maiores tributos, maior capacidade de intervenção estatal, maior lucratividade organizacional e manutenção das taxas de geração de ocupação e renda. O consumismo precisa ser substituído pela idéia de satisfazer as necessidades dentro de ciclos.

A primeira fase ecológica foi caracterizada por um certo “romantismo naturalista” que lutava pela intocabilidade da natureza.

A segunda refletia um período de informação, onde a junção da mídia com a ecologia, por um lado, e a emergência de movimentos de defesa do meio ambiente, por outro, permitiram o surgimento de um ‘”marketing ecológico”, que causou transformações nas formas de percepção das questões ambientais pela população.

Na terceira fase da ecologia, na da década de 90 do século passado, a proteção ambiental passa a ser vista como “sub-produto da racionalização de custos”, garantindo, portanto, a “oxigenação” dos processos produtivos (TAUK-TORNISIELO, 1995).

Neste embate ressurgiu, a partir dos trabalhos em ecodesenvolvimento na década de 60, o conceito de “desenvolvimento sustentável”, visto como “um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas” (CARVALHO, 1991 apud RIBEIRO, 1992:21).

Assim, a idéia de sustentabilidade do ambiente e do desenvolvimento passou a ser fundamental no interior das discussões da CNUMAD/92.

Na visão economicista, diz Comune, “o ponto central da teoria econômica do meio ambiente determina que a maneira de tratar as ineficiências do mercado para atingir o ponto ótimo de eficiência alocativa da economia, define as bases das políticas do meio ambiente” (COMUNE, 1994:51).

Nas análises econômicas convencionais, as externalidades e os bens públicos nem sempre são levados em consideração e, para a eficiência de um mercado perfeitamente competitivo, não se contabilizam estes fenômenos por constituírem fontes de ineficiências. Não há pretensão de finalizar discussões, mas ocorre bem isso.

Por isso a abordagem sociológica e antropológica acaba alicerçando movimentos da sociedade que propugnam alterações ideológicas como apanágios para a solução de problemas ambientais.

Não ocorre encaminhamento de soluções, pois tanto vertentes socialistas como da livre iniciativa adotam a cartilha de crescimento permanente como forma de incrementar círculos econômicos virtuosos.

ANDERSON & LEAL (1992) afirmam que a ecologia de livre mercado enfatiza a importância dos processos de mercado na determinação de quantidades ótimas da utilização de recursos.
Se critica os adeptos do desenvolvimento sustentável e se considera que este seria demasiadamente centrado na administração científica do ambiente e baseado em políticas coercitivo ou disciplinadoras, sob o controle do Estado.

SILVA et al (1997) assinalam que a apologia ao mercado determina que “ao contrário das soluções por regulamentações para os problemas do meio ambiente, especialistas uma postura onisciente e benévola, o ambientalismo de livre mercado descentraliza o poder e atrela os interesses próprios através de incentivos de mercado” (ANDERSON & LEAL, 1992: 167)

Existem posicionamentos bastante controvertidos em relação à questão do desenvolvimento sustentável e Viola diferencia posições divergentes neste debate, a estatista, que através de mecanismos normativos, reguladores e promotores, vê no Estado o lócus privilegiado do desenvolvimento social e ambientalmente sustentável.

A comunitária, que, por meio dos movimentos sociais e das organizações não governamentais identifica na comunidade esse lócus privilegiado.

E finalmente a visão de mercado, que mediante taxas ou tarifas, tanto da poluição, como do uso de recursos naturais e de concessões comercializáveis de taxas de poluição, prioriza
o critério da eficiência sobre o da eqüidade (VIOLA, 1992).

O debate está aberto a todos os interessados, que queiram contribuir com formulações a serem construídas e não existem posições dominantes ou hegemônicas.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.


Nota da Redação: Sugerimos que leia, também, as partes anteriores desta série de artigos:

A questão ambiental entre a ciência e a ideologia, Parte 1/7

A questão ambiental entre a ciência e a ideologia, Parte 2/7

A questão ambiental entre a ciência e a ideologia, Parte 3/7

A questão ambiental entre a ciência e a ideologia, Parte 4/7

A questão ambiental entre a ciência e a ideologia, Parte 5/7



Referências:

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/08/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 07/08/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/07/a-questao-ambiental-entre-a-ciencia-e-a-ideologia-parte-67-artigo-de-roberto-naime/

terça-feira, 24 de julho de 2018

A questão ambiental entre a ciência e a ideologia, Parte 2/7, artigo de Roberto Naime

SILVA et al (1997) asseveram que este período “revolucionário” que a imagem do mundo, tal como a conhecemos hoje, foi construída e deve-se, em grande parte, à Galileu Galilei (1564-1642).

Para ele, a realidade sensível era inteligível, contanto que se realizassem as análises necessárias e se aperfeiçoasse o instrumento matemático, como ocorreu com os trabalhos do físico Isaac Newton (1643-1727).

René Descartes (1596-1650) deu continuidade ao processo de mudanças iniciado por Copérnico e Galileu, sendo considerado o filósofo fundador da modernidade (CHÂTELET, 1994).

A respeito do projeto moderno de dominação racional da natureza pelo homem, Descartes afirma: “conhecendo a força e as ações do fogo, da água, do ar, dos astros, dos céus e de todos os outros corpos que nos cercam, tão distintamente como conhecemos os diversos misteres de nossos artifícios, poderíamos empregá-los da mesma maneira em todos os usos para os quais são próprios, e assim nos tornar como que senhores e possuidores da natureza” (Descartes, 1966:64).

A partir do método cartesiano, a cisão entre homem/natureza e corpo/espírito passou a ser “doutrinária”, ou seja, a visão de separação e dominação tornou-se predominante no mundo ocidental. Esta concepção modula a ciência fracionada que se vive até hoje.

A revolução dos conceitos aceitos perdura ate hoje. Embora a pretensão de tornar o homem “senhor e possuidor da natureza” tivesse se mostrado, nos séculos seguintes, nem tão possível, nem tão boa, o pensamento cartesiano ficou profundamente enraizado na cultura ocidental, desde a sociedade iluminista até os tempos atuais.

Por isso quando se analisa qualquer coisa, não se consegue com facilidade impor abordagem holística.

Dois aspectos importantes destacam-se no pensamento cartesiano, a racionalidade e o antropocentrismo. Conseqüentemente, a natureza dessacralizada pela separação homem-sujeito de um lado e natureza-objeto do outro, resultou em “novas” possibilidades científicas e tecnológicas, libertando definitivamente a ciência das concepções teológicas herdadas do mundo medieval.

Abrem-se diferentes perspectivas no pensamento filosófico, político, econômico e surge a industrialização que deu origem a profundas transformações na sociedade.

A partir do século XVIII, elementos inovadores são introduzidos. Dentre os mesmos, a concentração de capitais, a apropriação das forças produtivas e as novas técnicas, máquinas e matérias-primas.

As indústrias instalam-se, destruindo ou redefinindo o meio rural, produzindo ou ampliando as aglomerações urbanas, modificando as formas de apropriação dos recursos naturais e os modos de relacionamento com o ambiente natural original.

Os impactos ambientais não devem ser associados exclusivamente com a grande indústria, dominante a partir das primeiras décadas deste século. Já no século XVIII, o seu modo de operar se fazia sentir, alterando a natureza, devido, principalmente, a dois elementos fundamentais do relacionamento entre atividades produtivas e meio ambiente, a escala e a intensidade dos impactos (COSTA, 1989). É a partir deste período que ciência e tecnologia tornam-se inseparáveis.

No domínio específico da ciência, observa-se a continuidade da fragmentação do conhecimento científico. A experiência cotidiana permite atestar que embora os órgãos de fomento a pesquisa no país estejam consolidados e representem marcos de competência e idoneidade, estão totalmente comprometidos com estas abordagens científicas totalmente fragmentadas.

Com a valorização da filosofia positiva, no século XIX, a especialização disciplinar vai se estabelecendo como paradigma. Moscovici afirma que “a individualização dos atos, dos interesses e das relações humanas, deram vigoroso impulso à oposição sociedade e natureza. Em física, em biologia, em economia, em filosofia, em toda parte o indivíduo é a unidade de referência e a sociedade só poderia ser um estado antagonista” (MOSCOVICI, 1977:75).

Este constituiu o modelo do projeto racional para o mundo, em que a ciência e a técnica são identificadas como ideais de progresso e felicidade. E está se descobrindo escancaradamente que não é assim.

Apesar da crença progressista na ciência e na tecnologia, a exploração predatória dos recursos naturais é sentida e questionada por alguns grupos. O movimento romântico europeu, por exemplo, possibilitou o surgimento de “novas sensibilidades” em relação ao mundo natural, “o início do período moderno de fato engendrou essa sensibilidade cindida, da qual a civilização sofre até hoje” (THOMAS, 1989:339).

De certa maneira condicionada a esta herança, surge, no século XX, a crítica ao projeto moderno de compreensão e dominação da natureza. As incertezas, os paradoxos e a dificuldade para explicar os novos fenômenos vão conduzindo a ciência a buscar novos rumos.

A “nova física”, proposta por I. Prigogine, demonstra-nos que os fenômenos são dependentes da historicidade, que há imprecisão nos instrumentos e nas observações objetivas da ciência, causando perplexidades.

Assim, Prigogine & Stengers consideram que “as descobertas experimentais inesperadas que marcaram a física tais como instabilidade das partículas elementares, estruturas de não-equilíbrio apontam para a necessidade de ultrapassar a negação do tempo irreversível, herança deixada pela física clássica para a relatividade e a mecânica quântica” (PRIGOGINE & STENGERS, 1992:13).

Deste modo, busca-se compreender a emergência dos sistemas evolutivos e uma nova visão de mundo vai se delineando. Até alcançar os paradoxos de hoje, onde parece que nem ideologia e nem nova ciência salvam a civilização. Apenas nova autopoiese sistêmica civilizatória, mas que não se vislumbra a partir de onde poderá ser construída.


Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.




Autor: Roberto Naime
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 24/07/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/07/24/a-questao-ambiental-entre-a-ciencia-e-a-ideologia-parte-27-artigo-de-roberto-naime/

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Injustiça agrária e ambiental em Nova Serrana: ‘Sem Terra sai e boi fica’, artigo de Gilvander Moreira

Injustiça agrária e ambiental em Nova Serrana: ‘Sem Terra sai e boi fica.’


Nova Serrana – Ocupação Nova Jerusalém – 25 04 2018

Na região centro-oeste de Minas Gerais, a cidade de Nova Serrana é conhecida como uma das cidades produtoras de calçados em grandes indústrias e nos fundos das casas, mas, a partir do dia 26 de abril de 2018, passou a ser conhecida também como o município onde reina injustiça agrária e socioambiental, cidade que expulsa Sem Terra para fazer Aterro Sanitário próximo a área ambiental, ao lado do rio Pará, que nasce na Serra das Vertentes, no município de Resende Costa e, ao longo de 365 quilômetros, oferece gratuitamente água para o povo e todos os seres vivos de quatorze municípios: Desterro de Entre Rios, Passa Tempo, Piracema, Carmópolis de Minas, Itaguara, Cláudio, Carmo do Cajuru, Divinópolis, São Gonçalo do Pará, Nova Serrana, Conceição do Pará, Pitangui e Martinho Campos, onde, logo após, deságua no rio São Francisco. O rio Pará é um dos principais contribuintes da barragem da Hidrelétrica de Três Marias.

Após muitas décadas de abandono, sem cumprir sua função social, em 2012, a fazenda Canta Galo, ao lado do rio Pará, no município de Nova Serrana, foi ocupada por famílias sem-terra e sem-casa que não toleravam mais a pesadíssima cruz do aluguel e a vida muito opressiva na cidade de Nova Serrana. Pouco a pouco as famílias foram ocupando a fazenda Canta Galo, até chegar a 169 famílias. Lá estavam cultivando cerca de 60 hectares de terra, sendo 02 hectares de banana, 10 de milho, 10 de mandioca, 10 de feijão, 10 de quiabo, 02 de batata doce e 15 hectares de hortaliças (alface, salsinha, cebolinha, abóbora, pimenteiras e maracujá. Porém, dia 26 de abril de 2018, as famílias Sem Terra foram violentadas na sua dignidade e no seu direito de acesso à terra e à moradia digna, pois foram despejadas por decisão liminar da Vara Agrária de Minas Gerais, atendendo a pedido do prefeito de Nova Serrana, Euzébio Rodrigues Lago (PMDB), com apoio do Governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), que enviou mais de 250 policiais da Polícia Militar de Mina Gerais, fortemente armados, que, com 10 caminhões, tratores e retroescavadeiras e até helicóptero formaram um ostensivo aparato que chegou à Ocupação-Comunidade Nova Jerusalém para a operação de despejo.

Cônscias da tremenda injustiça que estavam sofrendo e esperançosas de retornar para suas casas que deveriam ter ficado intactas segundo a decisão judicial conquistada a pedido do Ministério Público de Minas Gerais da área de Conflitos Agrários, mais de 100 famílias, para evitar um massacre, diante do mega aparato militar que estava preparado para despejá-los à força, saíram e acamparam ao lado da fazenda Canta Galo, fora da porteira da fazenda, ao relento, sem comida, sem água, sem cobertor e sem seus pertences. Incluindo medicamentos de doentes crônicos, berços e roupinhas de crianças que estão pra nascer, os pertences das famílias foram jogados em caminhões e levados para outro município: Pitangui. Injustiça agrária, violação de direitos humanos e injustiça ambiental que clama aos céus! O despejo aconteceu sem nenhuma alternativa prévia digna. A Juíza tinha proibido a demolição das 79 casas de alvenaria já construídas. Entretanto, contrariando ordem judicial, suas casas foram arrombadas com portas e janelas arrancadas; e arrombada foi também sua dignidade humana, violados foram seus direitos. Toda essa violência moral, psicológica, toda essa humilhação foi praticada pelo Estado e por um grupo de prefeitos da região que formaram um Consórcio Intermunicipal para a construção de um Aterro Sanitário e decidiram instalar na área, que é de preservação ambiental, violando a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei 12.305 de 2010 que, em seu artigo 47, quando trata das proibições para a disposição de resíduos, proíbe que seja em áreas como praias, mar ou em quaisquer corpos hídricos, como é o caso do rio Pará. Aterro sanitário próximo de área de preservação ambiental e de rio é ilegal. Nessa área, as famílias cuidavam da terra, das águas, produziam alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, e conviviam em perfeita harmonia com a natureza, cuidando do meio ambiente.

No dia seguinte, 27/4/2018, famílias que tinham levantado acampamento na beira da fazenda foram novamente despejadas pela PM de MG, sem ordem judicial, uma arbitrariedade. Despejar sem decisão judicial é coisa de quem age fora da lei. O povo marchou uns 2 Km e acampou na beira da BR 494, entre Nova Serrana e Conceição do Pará, mas à tardezinha do mesmo dia, 27/4/2018, a Polícia Militar, pela 3ª vez, expulsou as famílias, ameaçando de prisão quem resistisse. Mais uma vez, sem decisão judicial, ação arbitrária e covarde. Após serem despejadas três vezes em dois dias, as famílias marcharam cinco quilômetros e acamparam ao lado do Rio Pará, próximo à fazenda Canta Galo, no município de Conceição do Pará, e lá estão fortalecendo o acampamento.

Por que a Polícia Militar não respeita a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Processo HC 5574 SP 1997/0010236-0, sexta turma, da lavra do ministro William Patterson que diz: “Movimento Popular visando a implantar a reforma agrária não caracteriza crime contra o patrimônio, configura direito coletivo, expressão da cidadania, visando a implantar programa constante da Constituição da República. A pressão popular é própria do estado de direito democrático.”? Portanto, policiais, ocupação de terra coletiva de propriedade que não cumpre a função social não é esbulho, é um direito constitucional. Logo, quando vocês, policiais, despejam uma ocupação/acampamento sem decisão judicial e sem alternativa digna prévia, vocês estão agindo fora da lei, estão cometendo ilegalidade e inconstitucionalidade grave. E serão responsabilizados por isso.

Tem sido muito comovente e nos deixa indignado ouvir relatos de várias pessoas do Acampamento Nova Jerusalém, que, chorando, narram a violência que sofreram. Por exemplo, duas mulheres grávidas de oito meses foram expulsas de suas casas e até os berços que tinham já comprado para as crianças que devem nascer em breve foram retirados delas pela PM, a mando do poder judiciário. “Vamos ganhar neném sem terra, sem casa, sem o berço e sem as roupinhas que a gente estava juntando para nossas crianças que estão no nosso ventre”, disse uma das mães gestantes de oito meses. Uma senhora clamou: “Eu sou diabética e já sofri AVC. Os policiais levaram até minha insulina. Estou há três dias sem insulina. Hoje, um filho de Deus me levou na cidade para tomar uma dose de insulina. Como pode o Estado pisar na gente desse jeito? E mais, nos tiraram da fazenda, mas deixaram lá o gado que fazendeiros criam lá comendo pasto da fazenda. É justo isso?”

O justo e necessário é o TJMG rever a decisão que mandou despejar, acolhendo positivamente a Ação Civil Pública da Defensoria Pública de MG e autorizar o retorno das famílias para a fazenda Canta Galo e a devolução de seus pertences. As famílias estão determinadas a seguir lutando até depois de conquistar a terra para plantar, morar e produzir alimentos saudáveis sem agrotóxico e convivendo de forma respeitosa com o meio ambiente. E estão dispostas também a continuar lutando para impedir a ilegalidade da construção de um Aterro Sanitário em área ambiental ao lado do rio Pará, que tem direitos e precisa ser respeitado.

Não é à toa que a comunidade despejada, mas reerguida, se chama Acampamento Nova Jerusalém. “Vi, então, um novo céu e uma nova terra. O primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, uma Nova Jerusalém, pronta como companheira que se enfeitou para seu companheiro. Nisso, saiu do trono uma voz forte. E ouvi: “Está é a tenda de Deus com as pessoas. Deus vai morar com o povo. Eles serão o seu povo e ele, o Deus-com-eles, será o seu Deus. Ele vai enxugar toda lágrima dos olhos deles, pois nunca mais haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor. Sim! As coisas antigas desapareceram!” (Apocalipse 21,1-14).

Está decretado pela luta de um povo de fé libertadora: a terra será conquistada e o povo, na luta, construirá uma comunidade, um lugar bom de viver, em harmonia com a mãe terra, com a irmã água e com todos os seres vivos. E, assim, será sempre Nova Jerusalém. Nem aterro sanitário e nem terra para engordar boi, mas terra partilhada para o povo viver em paz e produzir alimentos saudáveis, sem agrotóxico. Isso é o que o Deus da vida pede e o povo, por isso, seguirá de cabeça erguida, lutando. Onde cantava galo, é preciso voltar a cantar também os Sem Terra. Chorume de Aterro Sanitário não pode cantar naquela fértil mãe terra, irrigada pela irmã água de muitas nascentes, lagoas e pelo irmão rio Pará.

Belo Horizonte, MG, 01/5/2018.

Obs.: Os onze vídeos, abaixo, ilustram o texto, acima.


O clamor do povo da Ocupação Comunidade Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG. 25/4/2018.

https://www.youtube.com/watch?v=aT3mLDthgKc


Ocupação Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG – O clamor de Frei Gilvander: Despejo, não, por Deus! 25/4/18

https://www.youtube.com/watch?v=WgV2O44DGLA


Despejo da Ocupação Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG: Injustiça que clama aos céus. 25/4/2018.

https://www.youtube.com/watch?v=njVc7FzGj2U


Ocupação Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG: direito à REURB: regularização Fundiária. Cadê? 25/4/2018.

https://www.youtube.com/watch?v=Y_gc3lt3KQc


Ocupação Nova Jerusalém em Nova Serrana, MG: Despejo, não! Respeito à legislação, sim. 25/4/2018.

https://www.youtube.com/watch?v=159xwigSSiU


Ocupação-Comunidade Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG: O clamor contra o despejo. 26/4/2018.

https://www.youtube.com/watch?v=8pSzJP8EjJ0


Ocupação-Comunidade Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG: Relatos de um despejo injusto e cruel. Áudio – 26/4/2018

https://www.youtube.com/watch?v=xV92vKnzQ7o


Despejo da Ocupação-Comunidade Nova Jerusalém, em Nova Serrana MG: Vidas são trocadas por lixo. 27/4/2018.

https://www.youtube.com/watch?v=dAr2S-dmBQg


Áudio – Despejo da Ocupação Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG: Clamor do povo na BR 494. 27/ 4 /2018.

https://www.youtube.com/watch?v=xRxCLhhjm8g


Ocupação Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG: Luta por terra e pela Mãe Terra. Dr. Paulo César. 25/4/2018

https://www.youtube.com/watch?v=7MO5JsPJiII


Despejo da Ocupação Nova Jerusalém, em Nova Serrana, MG: Covardia e injustiça contra a Vida. 26/4/2018

https://www.youtube.com/watch?v=BfZAs8EOVbE


1 Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma, Itália; assessor da CPT, CEBI, SAB e Ocupações Urbanas; prof. de “Movimentos Sociais Populares e Direitos Humanos” no IDH, em Belo Horizonte, MG.

E-mail: gilvanderlm@gmail.comwww.gilvander.org.brwww.freigilvander.blogspot.com.br

www.twitter.com/gilvanderluis – Facebook: Gilvander Moreira III

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/05/2018



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 04/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/04/injustica-agraria-e-ambiental-em-nova-serrana-sem-terra-sai-e-boi-fica-artigo-de-gilvander-moreira/

terça-feira, 3 de abril de 2018

Febre amarela, uma ameaça à saúde pública e uma tragédia ambiental, artigo Sérgio Lucena



A febre amarela é provocada por um vírus que foi trazido da África há, pelo menos, três séculos. O vírus, adaptado a primatas (macacos e humanos) é transmitido exclusivamente por algumas espécies de mosquitos. A doença não é transmitida de um ser humano para o outro, do macaco para o homem, ou vice-versa.

A maioria das pessoas é resistente ao vírus e, se infectadas, apresentam eventualmente sintomas brandos. Entretanto, pessoas não resistentes podem adoecer gravemente e falecer em poucos dias. Por isso é considerada uma doença de alto risco.

Como o vírus se instala, principalmente, no fígado, provocando morte das células hepáticas, pacientes em estado grave desenvolvem uma hepatite, que se manifesta na cor amarelada da pele e olhos, donde vem o nome “febre amarela”.

No Brasil são conhecidos dois ciclos da febre amarela, o ciclo urbano e o ciclo silvestre. O vírus é o mesmo, mas o que difere são os vetores (mosquitos) e hospedeiros (humanos ou macacos). No ciclo urbano o vetor é o Aedes aegypti e o hospedeiro é o ser humano, enquanto no ciclo silvestre são conhecidos dois gêneros de mosquitos como vetores (Haemagogus e Sabethes) e a virose é, usualmente, transmitida dos mosquitos contaminados para os macacos. Chama-se ciclo silvestre (de selva) porque ocorre em áreas de matas onde existem os vetores e hospedeiros. Oficialmente a febre amarela urbana foi extinta no Brasil no ano de 1942, mas o vírus continuou circulando no ciclo silvestre, principalmente na região amazônica.

A partir da década de 2000 surtos extra-amazônicos da febre amarela começaram a se intensificar, alcançando estados do Centro-Oeste e oeste de Minas Gerais. Entre 2008 e 2009 um grande surto atingiu o sul do Brasil e países limítrofes, resultando na morte de, pelo menos, 2.000 macacos no Rio Grande do Sul, mas foi de baixo impacto para a população humana, com a morte de nove pessoas pela doença.

A partir da primavera de 2016 um surto de febre amarela silvestre alcançou a Mata Atlântica do sudeste brasileiro, provocando a morte de milhares de macacos, principalmente nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, com o registro de 717 casos e 135 mortes humanas pela doença nesses dois estados, até agosto de 2017. Amplamente noticiado pela imprensa nacional e estrangeira, este foi considerado o maior surto de febre amarela silvestre da história do Brasil.

Com a queda da temperatura em meados de 2017 e consequente declínio das populações de mosquitos, a virose permaneceu silenciosa por alguns meses, deixando dúvidas se retornaria à Mata Atlântica no verão seguinte. A resposta veio em dezembro, quando novas mortes de macacos por febre amarela foram confirmadas em São Paulo, Rio de janeiro e Minas Gerais. Este novo surto, a exemplo de 2017, também traz consigo o paradoxo de ser um ciclo silvestre que atinge regiões metropolitanas, inclusive as grandes capitais do Sudeste. Apesar disso, como a doença envolve macacos e, certamente, mosquitos que ocorrem em matas, consideramos tratar-se do ciclo silvestre.

Certamente estamos diante de um novo fenômeno epidemiológico que precisa ser mais bem estudado e compreendido. Uma doença que até recentemente era tratada como coisa do passado, isolada nos rincões do Brasil, hoje invade as metrópoles do Sudeste. Profissionais da saúde, virologistas, zoólogos e ecólogos precisam se unir para dissecar o fenômeno.

A população humana pode e deve ser protegida com a vacina, que é considerada de alta eficácia. Entretanto, o bloqueio vacinal chegou tarde, por exemplo, em alguns municípios de Minas Gerais, considerando que a virose encontra-se no leste de Minas desde 2016. Não se justifica que, nessa região, pessoas ainda estejam adoecendo e morrendo de febre amarela.

Quanto aos macacos, infelizmente, uma vez que o surto é instalado, quase nada se pode fazer. Mesmo se tivéssemos uma produção de vacinas para esses animais, tecnicamente é inviável capturar e vacinar milhares de macacos Brasil afora. Uma vacinação poderia ser útil em casos muito específicos, ou seja, para uma pequena população isolada, de uma espécie criticamente em perigo de extinção.

Não bastasse a morte impiedosa de milhares de macacos pela febre amarela, agora temos testemunhado várias denúncias de que pessoas, por ignorância, estão matando esses inocentes animais. Além de ser crime ambiental e não ajudar na prevenção da doença, essa atitude pode agravar a situação, inclusive por confundir o sistema de vigilância epidemiológica, já que a morte epidêmica de macacos sinaliza por onde a febre amarela está passando.

Nos estado do Espírito Santo e Minas Gerais temos pesquisado o impacto do surto da febre amarela sobre as populações de diferentes espécies de primatas, visando propor medidas que ajudem a restabelecer as populações dizimadas. Conforme esperado, já podemos constatar que em matas maiores há uma maior chance de sobreviverem alguns macacos, dando a esperança de que venham a se restabelecer. Em matas pequenas e isoladas, entretanto, é comum sucumbir toda a população de macacos, provocando a extinção local.

Enquanto a vacinação é a melhor solução para prevenir a doença nos seres humanos, para a proteção dos macacos precisamos investir na educação da população humana e nas pesquisas que possam ajudar na compreensão desse fenômeno devastador. Com o conhecimento científico, poderemos nos preparar para possíveis surtos futuros e investir na recuperação das espécies da nossa fauna que estão sendo impactadas pela doença.

*Sérgio Lucena é biólogo, diretor do Instituto Nacional da Mata Atlântica e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/04/2018



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 02/04/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/04/02/febre-amarela-uma-ameaca-a-saude-publica-e-uma-tragedia-ambiental-artigo-sergio-lucena/

sexta-feira, 23 de março de 2018

Análise do conforto ambiental e ergonômico em uma instituição de ensino

A palavra “trabalho” é tão antiga quanto a própria história humana, uma vez que seus primeiros relatos aparecem nos textos bíblicos e é definida como forma de punição ao homem devido ao pecado (GÊNESIS, 3-19).

Ao longo de sua história a concepção de trabalho está associada a fardo, uma vez que o conceito atribuído é de que existe uma troca do seu esforço físico e mental por uma recompensa econômica conhecida como salário (MASSON et al., 2015).


No entanto, vários pensadores já criaram uma série de teorias para descrever o comportamento humano frente aos seus anseios, dentre as quais podemos destacar a teoria da equidade (Homans, Adams), a teoria das necessidades (Maslow, McClelland, Alderfer), a teoria dos dois fatores (Herzberg, Mausner, Snyderman), a teoria do reforço (Skinner, Connellan), a teoria das expectativas ou instrumentalidade (Vroom), a teoria dos objetivos (Locke, Bryan), para mencionar apenas as mais influentes.


Dentre todas as teorias apresentadas, a teoria das necessidades de Maslow ainda hoje é uma das teorias sobre motivação mais conhecidas, embora seja atualmente questionada em termos de sua validade, pelo fato de estar apoiada em evidências muito restritas de pesquisas realizadas sem experimentação (BERGAMINI, 1997; ROBBINS, 2002). Sua grande contribuição deve-se, principalmente, à lógica intuitiva da teoria e à sua facilidade de compreensão (ROBBINS, 2002).


Porém, há uma discussão entre Robbins que a considera como lógica intuitiva e Sampaio (2009) que trata como equivocada a interpretação da teoria de Maslow, por simplificar em demasia os conceitos de sua teoria das necessidades. Na verdade, a lógica da “hierarquia das necessidades", buscava demonstrar que o bem estar humano físico e psíquico depende do atendimento em uma ordem lógica das principais necessidades humanas, sendo divididas em fisiológicas, de segurança, sociais, de estima e de auto- realização que mostrava que o ser humano dependia de algo mais que simplesmente do trabalho e que, além disso, não se buscava no trabalho apenas recompensa econômica.


De acordo com Sampaio (2009), em diversas conferências realizadas pelo próprio Maslow destacava que as pessoas possuem diferentes necessidades de motivação.


Na verdade, a complexidade do tema motivação é descrita tanto por Vries (1993) que diz que apesar de ser um dos temas mais abordados, é sem dúvidas um dos temas menos compreendido do comportamento organizacional, quanto por Herzberg (1997) para quem por meio da utilização da psicologia da motivação é muita complexa e o que se desenvolveu com algum grau de certeza é ainda muito pouco. Herzberg (1968), mostrava que além do fator econômico existiam dois fatores: os higiênicos, que estavam relacionados com o ambiente de trabalho que tinham a função de reduzir ou impedir a insatisfação, e os fatores motivacionais, que estavam ligados a satisfação no trabalho, de outros subfatores como a realização, o reconhecimento, do próprio trabalho, da responsabilidade, da possibilidade de crescimento e do desenvolvimento ou progresso atestada anos mais tarde por Abergo (2014).



Autor: Eduardo Nunes de Magalhães, Ester Melo Vieira
Fonte: Revista Sustinere
Sítio Online da Publicação: Revista Sustinere
Data de Publicação: 07/12/2017
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/30168/23156

quarta-feira, 7 de março de 2018

Macacos são sentinelas no enfrentamento da febre amarela

O aumento do número de casos humanos de febre amarela silvestre tem sido acompanhado por outra triste estatística: a mortandade de macacos, vítimas de violência e envenenamentos. Além de ser crime ambiental, matar esses animais prejudica – e muito – o controle da doença. O desaparecimento desses mamíferos provoca um desequilíbrio ambiental e leva os mosquitos transmissores do gênero Haemagogus e Sabethes, que habitam o alto das árvores e têm preferência por picar macacos, a voar mais baixo e procurar uma fonte alternativa de alimentação. “Com isso, pessoas que adentram as matas para atividades de trabalho e lazer ficam mais sujeitas a picadas”, explica o veterinário e entomologista Ricardo Lourenço, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Assista e compartilhe a vídeo-reportagem sobre a importância dos macacos no combate à febre amarela:


Sensíveis ao vírus da febre amarela, os primatas também são vítimas da doença: eles adoecem e, frequentemente, morrem. O óbito de macacos em determinada área é um dos principais indícios de circulação do vírus em regiões de matas e florestas, servindo como um alerta para as autoridades de saúde adotarem medidas de prevenção, com a vacinação dos moradores da região. “Os macacos podem ser considerados verdadeiros sentinelas para o sistema de vigilância em saúde”, enfatiza Ricardo, acrescentando que a única forma de transmissão do vírus é pela picada de mosquitos – não há transmissão diretamente a partir dos macacos.

Bugios e saguis são especialmente sensíveis ao vírus
Os macacos que habitam a América do Sul costumam adoecer e morrer em curto período de tempo após a infecção pelo vírus da febre amarela. Ricardo explica que o contato das espécies de primatas sul-americanos com o vírus é relativamente recente, datando de pouco mais de 400 anos. “Esse é o período em que se imagina que o vírus da febre amarela chegou ao continente americano vindo da África”, explica Lourenço. Ele relata que o vírus chegou à América do Sul em ambientes urbanos, trazido por pessoas infectadas. Depois de uma série de epidemias em ambientes urbanos, foi estabelecido o ciclo silvestre de transmissão do vírus. “Já na África, os macacos evoluíram junto com o vírus da febre amarela e, por isso, são mais resistentes a ele”, destaca.

A sensibilidade dos primatas ao vírus varia entre as espécies. “Os bugios ou guaribas, como são conhecidos na Amazônia, são extremamente sensíveis. É provável que quase todos morram quando infectados. Os saguis também são muito sensíveis. Já os macacos-prego até chegam a adoecer, mas dificilmente chegam a óbito com a doença”, enumera o especialista.

O pesquisador reforça que o combate à febre amarela envolve duas medidas principais: a vacinação de pessoas nas áreas de risco para transmissão do vírus, para evitar a propagação do patógeno, e o combate a criadouros do mosquito Aedes aegypti, minimizando o risco de uma potencial reurbanização da febre amarela – o último registro da transmissão urbana no país ocorreu no Acre, em 1942.

* Edição: Raquel Aguiar e Vinicius Ferreira

Autor: Marina Saraiva
Fonte: IOC/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 06/03/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/macacos-sao-sentinelas-no-enfrentamento-da-febre-amarela

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Inovações para Conservação da Natureza e Transformação Social

Bem-vindos à 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista.

O Prêmio Jovem Cientista tem o objetivo de impulsionar a pesquisa científica no país e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram soluções inovadoras para os desafios da sociedade. Nesta edição, o CNPq, a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Grupo Boticário e o Banco do Brasil convidam os jovens cientistas e seus orientadores a compartilhar ideias e projetos na área de sustentabilidade ambiental, biodiversidade, empreendedorismo e educação. Participe!

Autor: Jovem Cientista
Fonte: 
Jovem Cientista
Sítio Online da Publicação: 
Jovem Cientista
Data de Publicação: 02/02/2017
Publicação Original: http://www.jovemcientista.cnpq.br/

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

#Saneamentoambiental – 2018: lixões e aterros controlados, uma realidade ainda gritante no Brasil, artigo de Sucena Shkrada Resk



O lixão da Estrutural, DF, foi desativado no dia 20 de jan de 2018.



O Ano era 2010, e a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) trouxe a esperança de que a gestão pública brasileira, de uma forma geral, iria se redimir dos sucessivos erros no quesito infraestrutura, ao longo de décadas. Mas do papel à realidade, chegamos em 2018, e constatamos que existe uma cultura de inoperância resistente que fragiliza a efetivação dessas mudanças em boa parte dos municípios. A prova está na permanência de cerca de 3 mil lixões ou aterros controlados espalhados pelo território nacional em 3.331 municípios, que recebem cerca de 30 milhões de toneladas de resíduos urbanos anualmente (41,6%). Os dados de projeção fazem parte do documento Panorama de Resíduos Sólidos 2016, da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe). Chorume, gases tóxicos e trabalhadores em condições insalubres compõem este cenário obsoleto ainda em vigor.

O maior número de lixões se encontra respectivamente nas regiões Nordeste, seguida da Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Já os aterros controlados, principalmente no Sudeste, no Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte, de acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), no Diagnóstico de Manejo de Resíduos Sólidos – 2015, divulgado pelo Ministério das Cidades. O prazo oficial para encerramento dos lixões era 2014 e foi postergado, no Congresso, pelo Senado, para acontecer de forma escalonada até 2021…e encontra-se em tramitação na Câmara. Este é o quadro atual hoje.

Coberturas no país

Ao consultar especificamente os registros no SNIS, o levantamento expõe que existem 98,6% de cobertura de coleta domiciliar urbana e isso representa que 2,6 milhões de habitantes principalmente do Nordeste, Sudeste e Norte sem atendimento, além de 15 milhões na área rural. A estimativa de destinação a lixões e aterros controlados difere da projeção feita pela Abrelpe (metodologias de amostragem diferentes). Neste caso, o percentual exposto pelo SNIS é de 33,2% contra 41,6% (Panorama Abrelpe). Independente disso, o fato é que existe um problema de alta complexidade e sério a ser resolvido, que não pode ser colocado “embaixo do tapete”. O diagnóstico sobre os resíduos sólidos urbanos, do Governo Federal, tem o recorte de informações de 3.520 dos 5.570 municípios, que correspondem a 82,8% da população urbana (143 milhões de pessoas).

Passivo ambiental

Existe, entretanto, um passivo ambiental que praticamente é descartado nessas discussões, que são os lixões e aterros controlados que são “encerrados”, mas que devem ser fiscalizados e monitorados e passar por processo de mitigação (redução de danos) por tempo indeterminado, por causa de suas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) e possíveis comprometimentos de lençóis freáticos. Este é o caso do recém-fechado “Estrutural”, no Distrito Federal, considerado o maior da América Latina e que figura entre os 50 maiores do mundo, que fica a 15 quilômetros do Palácio do Planalto. Junto com os lixões de Carpina (PE), Camacan (BA), Divinópolis (MG) e Jaú (SP), ainda em funcionamento, entre os maiores do país.

Mais um aspecto a ser considerado é o aumento gradativo da “exportação de lixo” de seu lugar de origem à destinação constatado nestes dados. Trocando em miúdos, são observados percursos cada vez mais distantes (inclusive a outros municípios) e que acarretam também o agravo da emissão de GEEs, entre outras.

Este cenário descreve que o saneamento ambiental (que incorpora também coleta e tratamento de esgoto, drenagem…) continua a ser o entrave ao desenvolvimento efetivo do país. Veja também (#Saúdeambiental: até quando políticos não priorizarão solução para esgoto em agenda da gestão pública?). A implementação de Planos Municipais e Intermunicipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos ainda são ínfimos diante de um Brasil com 5.570 municípios. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos começou a ser revisado em 2017.

Investimento ou gasto?

Como as prefeituras, os governos estaduais e o governo federal incorporam no exercício da política pública, a coleta e a destinação adequada dos resíduos sólidos a aterros sanitários? Esta é uma questão que exige reflexão da sociedade na contribuição cidadão em um regime democrático.

Hoje o valor médio anual da despesa com manejo de resíduos sólidos no país é de R$ 117 por habitante e R$ 82 para municípios de 30 a 100 mil habitantes e R$ 207, nas duas principais metrópoles brasileiras, conforme informações do SNIS.

Iniciativas pontuais revelam algumas mobilizações da sociedade civil organizada para ter uma participação mais ativa, neste sentido, como a criação, em 2014, do Observatório da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Outro movimento é a Aliança Resíduo Zero.

Externalidades prioritárias

O que está em questão são as externalidades desta agenda, que incorporam o “bem-estar” da população, o reflexo em atendimentos e internações no Sistema Único de Saúde, incluindo, inclusive, óbitos em decorrência de doenças associadas ao ciclo dos resíduos, como também, na contribuição para a contaminação de corpos hídricos, para as emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs) e os efeitos nas Mudanças Climáticas, entre outros componentes.

Ao mesmo tempo, reflete nossos hábitos de consumo e a responsabilidade sobre os mesmos. Quanto produzimos de resíduo? A média nacional de resíduos domiciliares é de 0,90 kg/hab/dia per capita, segundo dados do SNIS. A coleta seletiva no Brasil também é inexpressiva, sendo 22,5% dos municípios têm algum tipo de coleta, 40,6% não têm e o restante sequer apresenta algum tipo de informação a respeito. A cada 10 quilos, 470 gramas seguem para a coleta seletiva, o que é avaliado como um volume muito baixo.

Ao se analisar este conjunto de informações, nos defrontamos com uma questão de saúde pública e de justiça socioambiental. Os vetores – moscas, baratas, ratos, pulgas e mosquitos – associados ao que descartamos estão relacionados a diferentes doenças (cólera, dengue, diarreia, cheguelose, endoparasitose, febre tifoide, giardíase, leptospirose, parasitose, peste bubônica, tétano, tracoma). Neste contexto, também está o comprometimento do descarte inadequado de resíduos de serviço de saúde associados ao HIV, hepatites C e B, como também de componentes químicos potencialmente cancerígenos. O gás metano que poderia abastecer usinas de biogás, como meio de energia, também segue para a atmosfera, nestes locais inadequados de descarte.

Estima-se que o governo brasileiro gaste cerca de R$ 1,5 bi anualmente com doenças relacionadas à destinação incorreta de resíduos, segundo a International Solid Waste Association (ISWA).

Catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis ainda ficam à mercê deste sistema insalubre, expostos a substâncias tóxicas e resíduos orgânicos. Uma outra parcela consegue estabelecer a dignidade do trabalho, mas às custas de muito empenho e mobilizações com a formação de cooperativas, utilização de tecnologias sociais, como do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR).

Já a logística reversa é insuficiente na cobertura nos principais segmentos da economia. Alguns dos melhores resultados acontecem com o setor de latinhas de alumínio, PETs e pneus, entre outros segmentos, que têm estabelecido estratégias mais contínuas de desempenho. O setor empresarial tem um importante papel nesta cadeia. O investimento em usinas de compostagem (no caso do resíduo orgânico) é praticamente descartada, com o argumento de alto custo.

Tudo isso parece óbvio, mas porque não é assimilado e as soluções não são efetivadas na prática? O que há de errado no sistema político em vigor no país? O que se prioriza nos Planos Plurianuais de Ações (PPAs), nas Leis de Diretrizes Orçamentárias (LDOs) e Leis de Orçamentos Anuais (LOAs), nos orçamentos com gestão participativa? São perguntas que exigem uma participação mais ativa na condução das políticas públicas por parte de cada um de nós, como cidadãos, que somos responsáveis por nossos votos, nas urnas, aos gestores e legisladores, e gestão participativa.

* Sucena Shkrada Resk é jornalista, formada há 26 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk (http://www.cidadaosdomundo.webnode.com), desde 2007, voltado às áreas de cidadania, socioambientalismo e sustentabilidade.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/02/2018

Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 01/02/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/02/01/saneamentoambiental-2018-lixoes-e-aterros-controlados-uma-realidade-ainda-gritante-no-brasil-artigo-de-sucena-shkrada-resk/

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

7 dicas para tornar sua viagem ambientalmente amigável

Passeios podem ter menor ou maior impacto na natureza, basta fazer boas escolhas

Viajar e descansar são momentos bastante esperados, mas podem pesar na conta do meio ambiente se envolver atividades que o prejudicam. Para que seu tempo de lazer não se torne um pesadelo para a natureza, basta tomar alguns cuidados.


Parque Nacional do Pantanal é uma sugestão de destino para viagem nacional. Créditos: ICMBio



Confira 7 dicas para reduzir os impactos da sua viagem e até contribuir para a conservação da natureza:

1 – A opção mais econômica e ambientalmente amigável é aproveitar o que sua cidade tem para oferecer. Visitar parques, praças, museus e outras atrações locais é a opção mais acessível financeiramente e a mais amiga da natureza também. Dessa forma, você evita o uso de transportes como ônibus rodoviários ou aviões, um dos modais menos eficientes do ponto de vista energético. Caso o destino escolhido seja distante, não há como evitar a viagem de avião. A dica aqui então é optar por voos diretos, que têm impacto menor, já que a decolagem e o pouso são os grandes consumidores de energia, de acordo com o coordenador e professor da Academia de Ciências Aeronáuticas Positivo (ACAP) da Universidade Positivo (UP), Fabio Jacob. Estender as férias, evitando fazer diversas viagens ao longo do ano, também é indicado. E lembre-se que levar bagagens leves contribuem para a economia de combustível durante o voo.

2 – Para se locomover na cidade visitada, a sugestão é utilizar transporte público, como ônibus, trens e metrô, poupando o meio ambiente de emissões de gases de mais um carro. Além disso, esses meios de transporte proporcionam ao visitante uma experiência mais real com a cidade, trazendo mais proximidade com os moradores e a rotina local. De acordo com o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza e secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, essa atitude contribui com uma preocupação nacional que é a redução das emissões de GEEs. “As emissões nacionais de gases de efeito estufa subiram 8,9% em 2016, em comparação com o ano anterior. É o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004. As consequências disso são e serão sentidas por todo o planeta se não agirmos rapidamente”.

3 – Explorar as opções turísticas do Brasil e ainda apoiar as unidades de conservação nacionais é uma ótima forma de aproveitar as férias. O Brasil tem mais de 70 parques nacionais, consideradas unidades de conservação de proteção integral, de acordo com o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza (SNUC). Além do objetivo primário de conservação, essas áreas também possibilitam a prática de turismo e promovem a aproximação com a natureza, que traz diversos benefícios para a sociedade. De acordo com Teresa Magro, professora da Universidade de São Paulo (USP) no Departamento de Ciências Florestais e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, estar próximo de áreas verdes ajuda a evitar o “transtorno de déficit de natureza”, ou seja, um dos impactos do nosso distanciamento das áreas naturais, além de aliviar o estresse e melhorar a capacidade de concentração. O site www.wikiparques.org é uma espécie de fórum online em que os viajantes podem indicar e compartilhar experiências em Parques Nacionais e áreas protegidas, e pode ser um bom guia para quem procura por esses destinos.

4 – Aproveitar o período de férias para se comprometer com alguma causa ambiental é uma ótima alternativa. Há, inclusive, agências de viagens que oferecem opções de voluntariado de diversos tipos, como o auxílio a pessoas em situação de risco, tratamento de animais em extinção e conservação de florestas e áreas naturais, em diversas regiões do mundo. No Brasil, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza mantém em uma de suas Reservas Naturais um programa de voluntariado que recebe voluntários há 20 anos. A Reserva Natural Salto Morato, localizada no litoral paranaense, recebe voluntários cujo trabalho agrega conhecimento e traz melhorias para a unidade de conservação, que ganha reforço nas ações de preservação da natureza e atendimento aos visitantes. De acordo com o administrador da Reserva, Bruno Rosa Alves, o tempo mínimo para o voluntariado é de um mês. “Nesse período, o voluntário consegue conhecer e se adaptar à rotina de trabalho e vivência no local. Além disso, tem tempo suficiente para compartilhar ideias e vivências, contribuindo para criar novas experiências e implementar melhorias às atividades na reserva”, explica.

5 – Continuar com os hábitos de conservação que se utiliza em casa é obrigatório. Não é porque você está em um hotel que deixará de apagar a luz quando sair, ou desligar os aparelhos como ventilador/aquecedor/ar-condicionado. Outra sugestão é reutilizar as roupas de cama e toalhas. Na sua casa, você troca as toalhas todos os dias? Então na viagem também não é necessário. Leide Takahashi, gerente de projetos ambientais da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, reforça: “Se você vai visitar um lugar, tem que cuidar do impacto que vai gerar. Não é só separar o lixo. É analisar se o seu comportamento não interfere na cultura local e se é adequado”. O mesmo vale para as compras: ao escolher aquela lembrança para familiares e amigos, dê preferência a mercadorias que valorizam a mão de obra local e produtos de fornecedores certificados, de baixo consumo, feitos com materiais “ambientalmente amigáveis” – material reciclado ou reciclável, fontes renováveis e que possibilitem reutilização. A especialista explica que o turismo sustentável ocorre em cadeia e atende tanto as necessidades dos turistas, quanto das comunidades.

6 – Evite atrações que utilizam exploração animal. Nado com golfinhos, performance de animais em circos e aquários, passeios em elefantes e visitas a zoológicos que permitem que você tire foto com animais silvestres, são alguns exemplos. Muita gente não sabe, mas para que esses animais fiquem disponíveis para os turistas, é preciso submetê-los a diversas privações físicas, sociais e psicológicas que não fazem parte da sua natureza selvagem. Se você quer conhecer animais, o melhor é observá-los em seu habitat natural, como Parques Nacionais, Reservas Naturais e outras categorias de unidades de conservação. Apesar disso, quando executado com cautela, o turismo de interação pode ser uma prática importante na sensibilização ambiental da sociedade para a conservação da natureza, como relata a pesquisadora Vera da Silva, coordenadora do projeto “Distribuição e estimativa populacional de boto-vermelho (Inia geoffrensis) e tucuxi (Sotalia fluviatilis) no baixo rio Negro, Amazonas”, realizado pela Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA) com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e que também é membro da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza e coordenadora do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “O boto-vermelho e o tucuxi não são bem vistos na região e estão sendo caçados quase à beira da extinção. O turismo de interação é uma das únicas formas de conseguir a empatia da sociedade e a conscientização da necessidade de proteção desses carismáticos animais”, conta a pesquisadora.

7 – Quando for à praia, lugares que geralmente oferecem menos acesso à lixeiras e serviços públicos de limpeza, leve uma sacola para recolher seu lixo. Grande parte do lixo deixado na areia vai para o mar e pode causar prejuízos ambientais graves, como a perda do potencial turístico causado pela alteração estética, contaminação dos oceanos e a morte de animais marinhos, que confundem o lixo com alimento. Segundo estudos, 54% de todas as espécies de mamíferos marinhos, todas as espécies de tartarugas marinhas e 56% espécies de aves marinhas já foram afetadas pelo emaranhamento ou ingestão acidental de lixo. A dica aqui é seguir os mandamentos do turismo ecológico: não tirar nada a não ser fotografias; não deixar nada além de pegadas; não matar nada além do tempo e não queimar nada além de calorias.

Fonte: Rede de Especialistas de Conservação da Natureza

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/02/2018

Autor: EcoDebate
Fonte: Rede de Especialistas de Conservação da Natureza
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 02/02/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/02/02/7-dicas-para-tornar-sua-viagem-ambientalmente-amigavel/