Mostrando postagens com marcador Conservação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conservação. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 19 de abril de 2022

Unidades de conservação superam número de visitantes em 2021

Evidenciando o crescimento do ecoturismo no país, as 145 unidades de conservação federais, administradas pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), contabilizaram 16,7 milhões de visitas em 2021. O número é o maior registrado em pelo menos cinco anos, superando o cenário pré-pandemia de Covid-19 – em 2017, quando foram registradas 10,7 milhões de visitantes.

Assim como em 2020, a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, em Santa Catarina, liderou o ranking das unidades de conservação mais visitadas, com mais de sete milhões de registros. O território inclui, por exemplo, as praias dos municípios de Palhoça, Garopaba, Imbituba e Laguna, no litoral sul catarinense. O destino oferece ainda uma experiência única de admirar, por terra, as baleias que passam pelo local.



Em segundo lugar está o Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro, com 1,7 milhão de visitas, que abriga uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno: o Cristo Redentor. É palco da Trilha Transcarioca, pioneira da Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso no país, que compreende em seu percurso pontos como o Pão de Açúcar e a Lagoa Rodrigo de Freitas, que cruza o Rio de Janeiro, saindo da Barra de Guaratiba e chegando ao Morro da Urca.

Já na terceira posição, o Parque Nacional de Jericoacoara, no Ceará, com quase 1,7 milhão de visitas. O local abriga a Pedra Furada, formação rochosa considerada ícone de Jericoacoara - atração imperdível para quem passa pela região. O parque foi uma das quatro unidades de conservação que contou com estudos financiados pelo Governo Federal para a realização de concessão à iniciativa privada, o que deve levar mais investimentos às unidades e impulsionar o ecoturismo.

Confira a lista das 10 unidades de conservação mais visitadas do Brasil:

1º Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca - 7.042.228

2º Parque Nacional da Tijuca - 1.739.666

3º Parque Nacional de Jericoacoara - 1.669.277

4º Parque Nacional da Serra da Bocaina - 718.453

5º Parque Nacional do Iguaçu - 696.380

6º Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo - 653.857

7º Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha - 559.638

8º Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha - 532.988

9º Monumento Natural do Rio São Francisco - 471.705

10º Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais - 334.437



Os dados incluem unidades de conservação com visitação monitorada, como parques nacionais (PARNA); Áreas de Proteção Ambiental (APA); Florestas Nacionais (FLONA); Reservas Extrativistas (RESEX); e Monumentos Naturais (MONA).
ECOTURISMO

Antes da pandemia de Covid-19, o Turismo de Natureza vinha registrando crescente interesse dos turistas. Em 2019, as Unidades de Conservação federais registraram 15,3 milhões de visitas, um aumento de 24% em relação ao ano anterior, 2018 (12,4 milhões). Já em 2020, mesmo com o fechamento das unidades por seis meses, receberam um número significativo de visitantes: 9,3 milhões, com um crescimento contínuo de visitação até dezembro.

A pesquisa PNAD Contínua Turismo analisou 21,4 milhões de viagens realizadas nos domicílios brasileiros em 2019, sendo que 86,5% ocorreram por motivos pessoais e 13,5% por motivos profissionais. Das viagens por motivo pessoal, 31,5% estavam em busca de lazer e, dentro deste universo, 25,6% tiveram como finalidade o ecoturismo e viagens de aventura, representando 1,5 milhão de turistas ou 7% do total. Já em 2020, o ecoturismo foi motivo de viagem para 18,6% dos turistas internacionais que chegaram ao Brasil.




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Publicação Original: https://www.gov.br/pt-br/noticias/viagens-e-turismo/2022/04/unidades-de-conservacao-superam-numero-de-visitantes-em-2021

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

CFBio regulamenta atuação do Biólogo em Inventário, Manejo e Conservação da Vegetação e da Flora




O Conselho Federal de Biologia - CFBio editou a Resolução N° 480, de 10 de agosto de 2018, que regulamenta a atuação do Biólogo em Inventário, Manejo e Conservação da Vegetação e da Flora, incluindo o Inventário Florestal, o Projeto Técnico de Recuperação da Flora (PTRF) e o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), bem como atividades correlatas.

Publicada no Diário Oficial da União nessa quinta-feira, dia 30 de agosto de 2018, a Resolução reitera que o "Biólogo é o profissional legal e tecnicamente habilitado com atribuições" para atuar na área, seja em equipes multidisciplinares, na coordenação geral e/ou na execução do estudo, do projeto ou da pesquisa.

Ainda segundo a norma, o profissional "pode atuar como Responsável Técnico de empresa ou de projeto específico, desde que habilitado pelo Conselho Regional de Biologia - CRBio".

Confira a seguir as atividades que o Biólogo pode exercer na área, de acordo com a Resolução 480/2018:
* Coletar amostras e espécimes, para fins de pesquisa, serviços e experimentação em campo, laboratórios e viveiros e preparar/tratar o material para incorporação em acervos;
* Contribuir na proposição de políticas públicas para conservação e uso sustentável dos recursos vegetais, bem como em processos de regularização ambiental;
* Desenvolver e utilizar tecnologias e metodologias, inclusive moleculares, em inventários da vegetação e para estudos taxonômicos;
* Coordenar, supervisionar e participar de equipes multidisciplinares;
* Desenvolver e utilizar tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento para estudos e mapeamento da cobertura vegetal e uso do solo;
* Elaborar, emitir e assinar laudos, pareceres, termos de referência, requerimentos e outros documentos técnicos;
* Identificar espécies da flora de interesse econômico, raras e ameaçadas de extinção, exóticas, invasoras e bioindicadoras;
* Identificar, caracterizar e delimitar áreas de potencial ecológico, turístico, econômico e de interesse para educação ambiental;
* Instrumentalizar processos em diferentes instâncias judiciais e junto ao Ministério Público;
* Propor, coordenar, elaborar, implantar e executar inventários florestais, florísticos, fitossociológicos, bioprospecção, fitorremediação, projetos e estudos sobre morfologia, fisiologia, ecologia, genética, evolução, etnobiologia, fitossanidade e fitogeografia das espécies, populações e comunidades vegetais;
* Propor, coordenar, elaborar, implantar, executar e avaliar Planos de Utilização Pretendida (PUP); inventário florestal; projetos de manejo e conservação da vegetação e da flora, de resgate e reintrodução de espécies, de manejo florestal, do uso e ocupação do solo, da avaliação da cobertura vegetal, de restauração ecológica e recomposição da cobertura vegetal, inclusive em Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal, mediante o plantio de nativas ou intercalado de nativas e exóticas, em Sistemas Agroflorestais (SAFs), observados os parâmetros definidos em lei;
* Realizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR), Avaliação Ecológica Rápida (AER), Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), Avaliação Ambiental Integrada (AAI), Estudo de Análise de Risco (EAR), Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), entre outros instrumentos que venham a ser criados pela legislação de regência;
* Realizar o monitoramento e a quantificação da biomassa e dos estoques de carbono em formações vegetais;
* Atuar na produção de mudas da flora nativa e exótica, na coleta de sementes e seleção de matrizes; em procedimentos de viabilidade, dormência, germinação e armazenamento de sementes; na execução e acompanhamento do plantio e manejo de espécies da flora nativa e exótica;
* Avaliar e propor ações para melhor desenvolvimento das espécies vegetais e conservação dos recursos hídricos da área; XVI - Elaborar relatórios, pareceres, laudos técnicos e demais instrumentos de avaliação dos resultados e monitoramento da recomposição das áreas, dentre outros;
* Treinar ou indicar o treinamento aos colaboradores técnicos operacionais em atividades específicas, como reconhecimento e identificação da flora nativa e exótica, técnicas de coleta e armazenagem de sementes, técnicas de plantio, de condução, tratos silviculturais, e avaliação de resultados, considerando a legislação vigente;
* Capacitar colaboradores diretos e indiretos, além do público em geral, por meio de palestras, cursos, treinamentos e outros relacionados à realização de Inventários Florestais e atividades correlatas.


Autor: CFBIO
Fonte: CFBIO
Sítio Online da Publicação: CFBIO
Data: 30/08/2018
Publicação Original: http://cfbio.gov.br/artigos/CFBio-regulamenta-atuacao-do-Biologo-em-Inventario-Manejo-e-Conservacao-da-Vegetacao-e-da-Flora

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Brasil X Costa Rica: pentacampeão do futebol perde de goleada em conservação do meio ambiente, artigo de Fabiano Melo


Crédito da foto: Área de Conservação de Guanacaste. Vista das encostas caribenhas do vulcão Rincón de la Vieja, em The Costa Rica Star

O Brasil é um país continental, que possui diferentes condições ambientais – e isso proporciona uma biodiversidade incrível. Não é à toa que o nosso país é considerado o mais rico em diversidade de espécies do planeta. Portanto, assim como no futebol, o Brasil é mesmo uma grande potência.

No campo de futebol, onde a bola é a vazão dos nossos sentimentos, o Brasil pode golear tranquilamente a Costa Rica nesta sexta-feira. Porém, no campo da biodiversidade e do uso sustentável de seus recursos naturais, a Costa Rica, que tem menos de 1% do tamanho do Brasil, não fica atrás, uma vez que é banhada pelos oceanos Atlântico (Mar do Caribe) e Pacífico. Este país da América Central é coberto por um tapete de Floresta Tropical e possui uma cadeia de montanhas principal cortando o país de norte a sul, todos considerados fatores cruciais para fazer este pequeno país tão grande em belezas naturais e conservação da biodiversidade.

Enquanto o Brasil tem pouco mais de 17% do território constituído por Unidades de Conservação (UCs), sendo que deste percentual, apenas 6% é de proteção integral (aquela categoria de manejo que pretensamente protege melhor os habitats inseridos numa determinada UC), a Costa Rica ganha de goleada do Brasil, uma vez que abriga mais de 27% de seu território dentro de UCs (de acordo com o Banco Mundial). Além disso, 98% das espécies de mamíferos que existem lá estão presentes nestas áreas protegidas da Costa Rica.

Outra goleada intensa que o Brasil sofre está relacionada ao turismo ecológico, que desprende quase 3,5 bilhões de dólares na Costa Rica, com uma média de 2,9 milhões de turistas estrangeiros anualmente, sendo que mais de um milhão são de norte-americanos. Aqui no Brasil, pouco mais de 6 milhões de turistas visitam o país, o que proporcionalmente, significa que era para termos algo em torno de meio bilhão de visitantes por ano, caso tivéssemos a mesma taxa de visitação que a Costa Rica possui por km2… Para termos uma vaga ideia do que isso significa, basta comparar com o país no mundo que mais recebe turistas, que é a França. Eles recebem menos de 100 milhões de turistas por ano!

Portanto, dá para perceber que o nosso 7×1 não foi somente contra a “forte” Alemanha na Copa de 2014, mas sim, é uma goleada histórica contra a “fraca” seleção da Costa Rica, que, no mundo real, dá um “banho” de desenvolvimento sustentável, cidadania e, particularmente, de conservação da biodiversidade.

* Fabiano Melo é biólogo, doutor em Ecologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, pós-doutor pela University of Wisconsin (EUA) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/06/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 22/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/22/brasil-x-costa-rica-pentacampeao-do-futebol-perde-de-goleada-em-conservacao-do-meio-ambiente-artigo-de-fabiano-melo/

sexta-feira, 16 de março de 2018

O papel das mulheres na conservação e gestão da água


O pagamento por serviços ambientais hídricos é tema de estudo na Embrapa Solos – Alba Martins, Azeneth Schuler, Elaine Fidalgo e Rachel Prado (pesquisadoras da Embrapa Solos, Rio de Janeiro-RJ)


O papel da mulher na conservação e gestão da água aparece formalmente nos princípios apontados durante a Conferência Internacional de Água e Meio Ambiente, em Dublin, Irlanda, em 1992, quando representantes de 100 países e 80 organismos internacionais, intergovernamentais e não governamentais reuniram-se e diagnosticaram que a situação futura dos recursos hídricos no mundo era crítica. Naquela ocasião, foram estabelecidos quatro princípios para a gestão sustentável da água: i) a água doce é um recurso finito e vulnerável, essencial para a manutenção da vida, para o desenvolvimento e para o meio ambiente; ii) seu gerenciamento deve ser baseado na participação dos usuários, dos planejadores e dos formuladores de políticas, em todos os níveis; iii) as mulheres desempenham papel essencial na provisão, no gerenciamento e na proteção da água; e iv) o reconhecimento do valor econômico da água (www3.snirh.gov.br/portal/snirh/centrais-de-conteudos/conjuntura-dos-recursos-hidricos).

A partir da Declaração de Dublin, o papel das mulheres no gerenciamento da água para a saúde (água potável e saneamento), alimentação e equilíbrio dos ecossistemas foi reconhecido em diversos documentos internacionais. Em 2000, oito Metas de Desenvolvimento do Milênio foram estabelecidas pelas Nações Unidades visando erradicar a pobreza, sendo uma delas a meta 3 – Promoção da Igualdade de Gênero. O tema água aparece na descrição das metas 1-Erradicação da Fome e 7- Sustentabilidade Ambiental, enquanto aspectos relativos às mulheres são considerados em todas as metas, com a surpreendente exceção da meta de 7-Sustentabilidade Ambiental.

O “Relatório sobre o Desenvolvimento de Gênero e Água” (2003), da Aliança Gênero e Água, supre lacunas importantes para a compreensão da interdependência entre gestão hídrica sustentável e equidade de gênero. A partir de análises de quatro setores da água: Água para Natureza; Saneamento para os Povos; Água para os Povos e Água para Alimentação. Estas análises sustentam com argumentos as seguintes propostas: i) o envolvimento de mulheres e homens nos papéis de tomada de decisão em todos os níveis pode promover a sustentabilidade da gestão de recursos hídricos escassos; ii) a gestão integrada e sustentável da água pode contribuir significativamente para a equidade de gênero, a partir da melhoria do acesso de mulheres e homens à água e aos serviços hídricos para suprir suas necessidades essenciais (Disponível em www.gewamed.net/share/img_documents/19_rep_iwrm1.pdf).

Ao fim do período estabelecido para as Metas de Desenvolvimento do Milênio (2000-2015), com progressos significativos de combate à pobreza, as Nações Unidas definiram uma nova agenda com dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), cujas descrições contêm metas específicas de alcance até 2030. Entre os ODS, o quinto se relaciona a “Igualdade de Gênero” e o sexto a “Água potável e Saneamento”. O papel da mulher na gestão hídrica não aparece claramente nas metas estabelecidas para estes dois ODS. Apenas uma meta do sexto ODS (6.5) prevê “implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, (…)”, contendo implícito o conceito dos Princípios de Dublin (1992) que traz a centralidade da participação das mulheres na gestão da água. Cabe destacar ainda metas que implicam no fortalecimento da questão de gênero também no setor de água e saneamento, como a meta 6.2, de “acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos, (…), com especial atenção para as necessidades das mulheres e meninas e daqueles em situação de vulnerabilidade”. Relacionadas ao objetivo “Igualdade de Gênero”, destacam-se as metas: 5.5. “garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública”; 5.c “adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis”.

No Brasil

A incorporação da perspectiva de gênero na gestão hídrica, de acordo com a agenda internacional, propõe o maior envolvimento de mulheres na tomada de decisões sobre o tema. No Brasil, tem-se observado a crescente presença das mulheres em posicionamentos relacionados à água, embora a participação nos processos decisórios seja ainda reduzida. Historicamente, a gestão da água esteve mais voltada às soluções de engenharia, com uma expressiva maioria de profissionais homens. Nas últimas décadas ocorreram mudanças de paradigmas na gestão da água, que passou a compreender questões de conservação ambiental e de impactos sociais, como também cresceu o número de mulheres profissionais de engenharia e de outras profissões que atuam no tema de água. Embora estes fatos tenham contribuído para o aumento de mulheres na gestão hídrica, certamente um fator decisivo foi a mobilização das mulheres junto à sociedade civil, cuja participação nas instâncias de gestão da água é garantida pela Política Nacional de Recursos Hídricos. No entanto, a participação da mulher em comitês de bacias hidrográficas, bem como nos conselhos de recursos hídricos estaduais e nacional, ainda não ocorre de forma igualitária.

Em setembro de 2017, Agência Nacional de Águas (ANA), organizou um curso sobre o tema “Água e Gênero ” para abordar as assimetrias de gênero relacionadas à água, entre profissionais da Agência e dos setores de recursos hídricos e meio ambiente. No mês seguinte, a Agência promoveu a Oficina “Construindo uma Agenda de Água e Gênero para o Brasil e para a América Latina ”, juntamente com a Parceria Global pela Água (GWP) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), buscando delinear ações estratégicas de gênero para a ANA e para o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). O curso e a oficina foram organizados pelo Comitê Pró-Equidade de Gênero, instalado pela Portaria ANA nº 326, de 22 de dezembro de 2016, a fim de acompanhar as ações para cumprimento do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM) e fortalecer a equidade de gênero nas políticas e instrumentos de gestão da água.

Além disso, no âmbito das discussões do Projeto Legado , esforço institucional de consolidação de propostas para o aperfeiçoamento da Política Nacional de Recursos Hídricos, foi proposto incluir a adoção de cotas para a participação de mulheres no Conselho Nacional de Recursos Hídricos. A criação de cota foi retirada do texto, ainda na fase de discussões preliminares. Em contrapartida, no texto final do Projeto, de dezembro de 2017 , foi proposta como alteração da Lei 9.433/1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, a inclusão no Art. 1º de um novo inciso (VII) contendo o terceiro princípio de Dublin, qual seja, “as mulheres desempenham papel central no fornecimento, gestão e proteção da água”. Este fato mostra a necessidade de avanços na formulação de políticas públicas que reconheçam e promovam a participação das mulheres nas decisões relativas à água.

Gestão hídrica: acesso à água e saneamento

Segundo o Instituto Trata Brasil, 35 milhões de habitantes não possuem acesso à água tratada, metade da população – 100 milhões – não têm coleta de esgotos e apenas 40% dos esgotos coletados são tratados, os outros 60% são lançados sem tratamentos nos rios, riachos e córregos. O problema é grave e embora a questão do saneamento básico afete a todos, os mais prejudicados e que sofrem o maior impacto são as famílias de baixa renda, muitas residentes em áreas impróprias para habitação, frequentemente em condição de irregularidade. Como agravante, o Brasil possui índices elevados de perdas de água nas redes de abastecimento. Os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) 2013 mostram que as perdas na distribuição de água estão estimadas em 37% do volume e as perdas financeiras totais em 39% dos ganhos (Disponível em: www.tratabrasil.org.br/ranking-do-saneamento-das-100-maiores-cidades-2017).

Ao se analisar as condições de suprimento de água e saneamento, verifica-se a marginalização do meio rural cuja população ainda enfrenta grandes dificuldades de acesso à água de qualidade. Situação mais grave ocorre nas regiões afetadas pela desertificação e/ou por secas, onde a água para atender às necessidades domésticas ainda é, em algumas localidades, buscada em latas na cabeça pelas mulheres e crianças a longas distâncias. Este cenário é agravado com a insuficiência de políticas públicas estruturadoras que tratem a questão hídrica de forma justa e equitativa, havendo ainda o risco do aumento de eventos extremos associados às mudanças climáticas.

Os avanços necessários para uma boa gestão da água no meio rural compreendem desde o saneamento universalizado, o estabelecimento de sistemas de irrigação mais eficientes e o reuso da água, até o envolvimento das comunidades rurais pela informação e educação sobre os cuidados com a água no ambiente doméstico e na produção agropecuária. Destaca-se que as principais causas da escassez hídrica no Brasil são de natureza humana, como a falta de priorização de recursos humanos e financeiros destinados ao cuidado com as águas, desperdícios, má gestão e falta de governança. Embora prevaleçam cenários de precariedade na gestão da água quanto a seu abastecimento e ao saneamento, várias organizações sociais têm buscado alternativas de melhorias. É neste espaço que as mulheres estão geralmente mais presentes.

A contribuição da pesquisa agropecuária na gestão da água

Ao lado da equidade na participação dos atores sociais na gestão da água, o desenvolvimento científico no manejo e conservação do solo e da água também é fundamental para a produção de alimentos que garanta a provisão dos serviços ecossistêmicos, incluindo os hídricos. Diversas pesquisas da Embrapa têm sido voltadas à conservação e ao uso adequado da água no meio rural, principalmente na agricultura, mas também para uso doméstico e saneamento. O portal Água na Agricultura apresenta conteúdos sobre ciência e tecnologia para o manejo da água, desenvolvidos pela Embrapa.

Um fato que chama a atenção é o elevado número de pesquisadoras da empresa que atuam no tema “água”, integrado a diferentes linhas de pesquisa da agricultura.

Na Embrapa Solos, o Núcleo Temático “Uso da Terra e Serviços Ambientais” (NT-UTSA) tem atuado no desenvolvimento de ferramentas e diretrizes para apoiar as iniciativas de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) hídricos em curso no país. Essas iniciativas remuneram os produtores rurais que atuam em prol da conservação ambiental, viando melhorar a produção da água em bacias hidrográficas (http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/160960/1/Manual-PSA-hidricos-2017.pdf). O desenvolvimento de tecnologias para a agricultura familiar no semiárido é outra linha de pesquisa considerada vital para a sobrevivência de comunidades em condições vulneráveis às variações climáticas, destacando-se as barragens subterrâneas para armazenamento de água em áreas agrícolas.

Para incorporar o recorte de gênero no desenvolvimento de projetos de pesquisa do centro de pequisa, em outubro de 2017, a equipe da Embrapa Solos enviou uma representante para participar de treinamento oferecido pela Agência Nacional de Águas sobre água e gênero. O Núcleo UTSA pretende se aprofundar nessa temática a fim de contribuir com o desenvolvimento de soluções na agricultura para a redução da pobreza em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) “Igualdade de Gênero” e “Água e Saneamento”.

Referências
THE DUBLIN STATEMENT. International Conference on Water and the Environment: Development issues for the 21st century. 26-31 January 1992, Dublin, Ireland. Disponível em: <www.ircwash.org/sites/default/files/71-ICWE92-9739.pdf>.


Por Carlos Dias (20.395 MTb RJ)
Embrapa Solos

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/03/2018


Autor: Carlos Dias
Fonte: Embrapa Solos
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 16/03/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/03/16/o-papel-das-mulheres-na-conservacao-e-gestao-da-agua/

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

#ACulpaNãoéDoMacaco – Macacos não transmitem febre amarela: denuncie agressões



Agredir ou matar macacos é crime ambiental e prejudica o trabalho de prevenção dos surtos de febre amarela. Além de não transmitirem o vírus, macacos são os primeiros a morrer com o contágio em ambiente silvestre, servindo de alerta para que sejam adotadas medidas de controle.

A Lei n° 9.605/98 estabelece detenção de seis meses a um ano e multa para quem matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, em desacordo ou sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. A pena é aumentada em 50% quando o crime é praticado contra espécies ameaçadas de extinção.

Ao encontrar um macaco morto ou doente, a população deve informar ao serviço de saúde do município, do estado ou ligar para o Disque Saúde (136), serviço do Ministério da Saúde. Ao receber o relato, técnicos avaliam se há possibilidade de coletar amostras para análise em laboratório e se a morte foi isolada ou atingiu um número maior de primatas.

O surto de febre amarela representa uma grave ameaça para os macacos que habitam a Mata Atlântica. Parte significativa dos primatas do bioma está ameaçada de extinção, entre eles o Bugio, o Macaco-prego-de-crista e o Muriqui do sul e do norte.

O Ibama recebe denúncias de maus-tratos a animais silvestres pelo telefone 0800-618080 (de segunda a sexta, das 8h às 18h), pelo site E-Ouv e presencialmente em todas as suas unidades. Fotos e vídeos facilitam a investigação do crime e a identificação dos responsáveis.



Do Ibama, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/02/2018

Autor: Ibama
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 12/02/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/02/12/aculpanaoedomacaco-macacos-nao-transmitem-febre-amarela-denuncie-agressoes/

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Inovações para Conservação da Natureza e Transformação Social

Bem-vindos à 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista.

O Prêmio Jovem Cientista tem o objetivo de impulsionar a pesquisa científica no país e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram soluções inovadoras para os desafios da sociedade. Nesta edição, o CNPq, a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Grupo Boticário e o Banco do Brasil convidam os jovens cientistas e seus orientadores a compartilhar ideias e projetos na área de sustentabilidade ambiental, biodiversidade, empreendedorismo e educação. Participe!

Autor: Jovem Cientista
Fonte: 
Jovem Cientista
Sítio Online da Publicação: 
Jovem Cientista
Data de Publicação: 02/02/2017
Publicação Original: http://www.jovemcientista.cnpq.br/

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Pesquisa Científica foi tema de debate no III Seminário de Boas Práticas de Gestão de UCs

No III Seminário de Boas Práticas de Gestão nas Unidades de Conservação, são apresentadas e debatidas as 46 boas práticas de gestão previamente selecionadas para o evento, pelo sucesso e inovação em sua aplicação. Até o dia 29 de novembro, gestores, comunidades e voluntários discutem, em Brasília, de que forma essas iniciativas podem melhorar, ganhar escala e serem replicadas.

A Pesquisa Científica nas Unidades de Conservação foi um dos temas debatidos e sobre como as UCs podem se desenvolver e serem beneficiadas com a atividade.

Um dos exemplos apresentados foi o "Projeto MAArE – Monitoramento Ambiental da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Entorno". Originada por uma condicionante do ICMBio, no âmbito do processo de licenciamento ambiental do IBAMA relacionado às atividades da PETROBRAS nos campos petrolíferos de Baúna e Piracaba (Sul do Brasil), a prática foi uma parceria entre a equipe técnica da Rebio e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com o objetivo de levantar informações que pudessem subsidiar a construção de um programa de monitoramento ambiental sistemático e contínuo na reserva. Um dos pontos de grande importância para que o projeto tivesse sucesso, foi a sua elaboração em conjunto com todos os parceiros envolvidos. Os resultados de 48 meses de projeto, mais de 100 operações oceanográficas e 47 de mergulho, estão sendo usados para um melhor manejo da Rebio.

Contar com a parceria da comunidade também é outra forma de fortalecer a pesquisa científica no contexto da UC. Este é o caso da prática "Saúde silvestre e inclusão digital: a participação de comunidades no monitoramento e na aplicação de boas práticas para o controle e prevenção de zoonoses emergentes". Com o uso do aplicativo SISS-Geo, UCs como a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns/PA, o Parque Estadual Serra do Conduru/BA e o Parque Nacional Serra dos Órgãos/RJ identificam riscos e a percepção das comunidades com relação aos potenciais de emergência de zoonoses. Com o aplicativo, a população pode fotografar qualquer espécie da fauna e anotar características que indiquem alteração na saúde da mesma. O objetivo é que elas alertem para o agravo de saúde na fauna, que pode impactar os humanos. O aplicativo foi desenvolvido em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e é um modelo que pode ser replicado em outras UCS.



De acordo com os participantes do Seminário, parcerias como estas trazem benefícios relevantes já que são capazes de aproximar o pesquisador do gestor da unidade, ampliar a participação social, envolvendo a comunidade, além de gerar produtos que fortaleçam a comunicação das ações e contribuam com a disseminação da prática em outras UCs.

Confira as Boas Práticas apresentadas no Seminário.



Autora: ipe
Fonte: ipe
Sítio Online da Publicação: ipe
Data de Publicação: 30/11/2017
Publicação Original: http://www.ipe.org.br/ultimas-noticias/1464-pesquisa-cientifica-foi-tema-de-debate-no-iii-seminario-de-boas-praticas-de-gestao-de-ucs