Mostrando postagens com marcador flora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador flora. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

CFBio regulamenta atuação do Biólogo em Inventário, Manejo e Conservação da Vegetação e da Flora




O Conselho Federal de Biologia - CFBio editou a Resolução N° 480, de 10 de agosto de 2018, que regulamenta a atuação do Biólogo em Inventário, Manejo e Conservação da Vegetação e da Flora, incluindo o Inventário Florestal, o Projeto Técnico de Recuperação da Flora (PTRF) e o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD), bem como atividades correlatas.

Publicada no Diário Oficial da União nessa quinta-feira, dia 30 de agosto de 2018, a Resolução reitera que o "Biólogo é o profissional legal e tecnicamente habilitado com atribuições" para atuar na área, seja em equipes multidisciplinares, na coordenação geral e/ou na execução do estudo, do projeto ou da pesquisa.

Ainda segundo a norma, o profissional "pode atuar como Responsável Técnico de empresa ou de projeto específico, desde que habilitado pelo Conselho Regional de Biologia - CRBio".

Confira a seguir as atividades que o Biólogo pode exercer na área, de acordo com a Resolução 480/2018:
* Coletar amostras e espécimes, para fins de pesquisa, serviços e experimentação em campo, laboratórios e viveiros e preparar/tratar o material para incorporação em acervos;
* Contribuir na proposição de políticas públicas para conservação e uso sustentável dos recursos vegetais, bem como em processos de regularização ambiental;
* Desenvolver e utilizar tecnologias e metodologias, inclusive moleculares, em inventários da vegetação e para estudos taxonômicos;
* Coordenar, supervisionar e participar de equipes multidisciplinares;
* Desenvolver e utilizar tecnologia de sensoriamento remoto e geoprocessamento para estudos e mapeamento da cobertura vegetal e uso do solo;
* Elaborar, emitir e assinar laudos, pareceres, termos de referência, requerimentos e outros documentos técnicos;
* Identificar espécies da flora de interesse econômico, raras e ameaçadas de extinção, exóticas, invasoras e bioindicadoras;
* Identificar, caracterizar e delimitar áreas de potencial ecológico, turístico, econômico e de interesse para educação ambiental;
* Instrumentalizar processos em diferentes instâncias judiciais e junto ao Ministério Público;
* Propor, coordenar, elaborar, implantar e executar inventários florestais, florísticos, fitossociológicos, bioprospecção, fitorremediação, projetos e estudos sobre morfologia, fisiologia, ecologia, genética, evolução, etnobiologia, fitossanidade e fitogeografia das espécies, populações e comunidades vegetais;
* Propor, coordenar, elaborar, implantar, executar e avaliar Planos de Utilização Pretendida (PUP); inventário florestal; projetos de manejo e conservação da vegetação e da flora, de resgate e reintrodução de espécies, de manejo florestal, do uso e ocupação do solo, da avaliação da cobertura vegetal, de restauração ecológica e recomposição da cobertura vegetal, inclusive em Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal, mediante o plantio de nativas ou intercalado de nativas e exóticas, em Sistemas Agroflorestais (SAFs), observados os parâmetros definidos em lei;
* Realizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR), Avaliação Ecológica Rápida (AER), Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), Avaliação Ambiental Integrada (AAI), Estudo de Análise de Risco (EAR), Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA), entre outros instrumentos que venham a ser criados pela legislação de regência;
* Realizar o monitoramento e a quantificação da biomassa e dos estoques de carbono em formações vegetais;
* Atuar na produção de mudas da flora nativa e exótica, na coleta de sementes e seleção de matrizes; em procedimentos de viabilidade, dormência, germinação e armazenamento de sementes; na execução e acompanhamento do plantio e manejo de espécies da flora nativa e exótica;
* Avaliar e propor ações para melhor desenvolvimento das espécies vegetais e conservação dos recursos hídricos da área; XVI - Elaborar relatórios, pareceres, laudos técnicos e demais instrumentos de avaliação dos resultados e monitoramento da recomposição das áreas, dentre outros;
* Treinar ou indicar o treinamento aos colaboradores técnicos operacionais em atividades específicas, como reconhecimento e identificação da flora nativa e exótica, técnicas de coleta e armazenagem de sementes, técnicas de plantio, de condução, tratos silviculturais, e avaliação de resultados, considerando a legislação vigente;
* Capacitar colaboradores diretos e indiretos, além do público em geral, por meio de palestras, cursos, treinamentos e outros relacionados à realização de Inventários Florestais e atividades correlatas.


Autor: CFBIO
Fonte: CFBIO
Sítio Online da Publicação: CFBIO
Data: 30/08/2018
Publicação Original: http://cfbio.gov.br/artigos/CFBio-regulamenta-atuacao-do-Biologo-em-Inventario-Manejo-e-Conservacao-da-Vegetacao-e-da-Flora

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Mais de 50% da flora que só existe no Rio estão ameaçadas de extinção

ABr

A flora do estado do Rio de Janeiro tem 884 espécies que não podem ser encontradas em nenhuma outra parte do mundo, mas 513 delas estão ameaçadas de extinção em algum grau. Os dados constam no Livro Vermelho da Flora Endêmica do Estado do Rio de Janeiro, que foi lançado na Escola Nacional de Botânica Tropical do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O estudo foi desenvolvido ao longo de três anos e meio e contou com a participação de 160 pesquisadores e técnicos. A coordenação foi do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), e os R$ 3,8 milhões em recursos utilizados vieram da Câmara de Compensação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro, que recebe recursos de compensação de empreendimentos que causam danos ao meio ambiente.

O coordenador da pesquisa, Gustavo Martinelli, aponta boas e más notícias entre as conclusões. Segundo os dados, 86% das espécies ameaçadas podem ser encontradas em unidades de coordenação, o que mostra que o sistema de conservação é efetivo para preservá-las. Apesar disso, 20% das que estão criticamente ameaçadas não estão presentes nessas áreas.

Outra publicação divulgada hoje traz 16 ações transversais que devem ser tomadas para proteger as espécies endêmicas da flora fluminense e mais 30 ações específicas para casos particulares. Entre as ações propostas estão a criação e ampliação de unidades de conservação, aumentar a capacitação do corpo técnico dos órgãos licenciadores e ações de conscientização e educação.

“O Brasil tem tradição de fazer listas de espécies ameaçadas, mas não de como tirar da lista. Não adianta só dizer que está ameaçado, é preciso tirar as espécies dali”.

Além do Livro Vermelho, a pesquisa também resultou nas publicações Áreas Prioritárias para conservação da flora endêmica ameaçada, Lista da Flora das Unidades de Conservação Estaduais, e Guia de Campo da Flora Endêmica.

Detetive botânico
Outro dado relevante do levantamento é que 431 espécies não são vistas há mais de 30 anos, e algumas não são encontradas há mais de 150. Martinelli explicou que isso não significa que essas espécies foram extintas, mas que falta coleta de dados e pesquisa de campo. Exemplos disso, segundo ele, são espécies que já eram dadas como extintas e foram reencontradas durante os três anos e meio de pesquisa.

Uma ação que deve ser implementada nos próximos meses para envolver a sociedade na busca de espécies endêmicas ameaçadas é a campanha Procura-se, em que qualquer pessoa poderá usar um aplicativo para informar sobre uma possível planta ameaçada que encontrar em seu caminho pelas trilhas dos parques do estado. A campanha vai espalhar fotos de espécies ameaçadas nas entradas de unidades de conservação e nas cidades movimentadas pelo ecoturismo, para que os visitantes das reservas cheguem à mata com essas espécies na memória.

Coordenadora técnica do CNC Flora, Eline Martins explica que uma equipe de especialistas vai receber esses dados e avaliar se eles podem corresponder às espécies “procuradas”, e os usuários receberão uma pontuação, como em um jogo virtual.

“O usuário vai poder falar, inclusive, sobre as ameaças que estão ao redor da planta. Ele vai preencher campos de informação, enviar fotos da planta inteira, da folha, das flores, caso esteja em floração, e de frutas. Ele vai respondendo perguntas que vão encaminhá-lo para possíveis respostas”.

O aplicativo está sendo desenvolvido em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e deve ser lançado até agosto. “Está praticamente finalizado”, afirmou Elaine Martins.

Por Vinícius Lisboa, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/06/2018



Autor: Vinícius Lisboa
Fonte: Agência Brasil
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 11/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/11/mais-de-50-da-flora-que-so-existe-no-rio-estao-ameacadas-de-extincao/

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Tesouro de flora e fauna a 500m de profundidade




Nas imagens do fundo do mar, a diversidade de
formas de vida (Fotos: Divulgação/Uenf)


Quando se pensa em Amazônia, o que vem à cabeça é a floresta, considerada como o pulmão verde do planeta. Mas o que poucos sabem é que a aproximadamente 500m de profundidade no oceano, na costa entre o Maranhão e o Amapá, uma enorme extensão de recifes de coral abriga um ecossistema marinho igualmente rico em biodiversidade de fauna e flora. A descoberta foi relatada em artigo publicado no final de abril, por pesquisadores brasileiros, na revista Frontiers in Marine Science.

O interesse da comunidade científica internacional foi imediato: em apenas dois dias, a publicação bateu o recorde de visualizações e downloads da revista: cerca de 400 mil. Segundo um dos autores da pesquisa, o professor Carlos Eduardo de Rezende, do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), esses recifes de corais formam uma espécie de corredor submerso, que até onde os pesquisadores puderam analisar, se espalha por cerca 56 mil quilômetros quadrados.

“Mas há indícios de que essa área seja ainda maior e que se estenda até o Caribe. Trata-se de um ecossistema único, que abriga uma grande riqueza da fauna e flora, além de recursos minerais”, afirma Rezende, que é Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ. Ele assina o artigo, que recebeu o título Perspectives on the Great Amazon Reef: Extension, Biodiversity, and Threats, ao lado de pesquisadores de diversas instituições brasileiras e do Greenpeace.

Iniciado em 2015, o projeto a princípio contou com uma parceria com as universidades americanas de Washington e da Geórgia. O interesse dos pesquisadores americanos era estudar o fictoplâncton – aqueles pequenos organismos marinhos, que têm o mesmo papel das florestas: fazem fotossíntese e são os responsáveis pela produtividade primária do oceano. Mas os brasileiros resolveram ir além e estudar também os sedimentos de fundo.

Como já havia sido relatada a ocorrência de um parcel (material rochoso) na costa em frente ao Pará e Maranhão, os pesquisadores resolveram percorrer a costa de mar entre Barbados e Belém. “Na ocasião, puderam constatar uma grande extensão de formações calcáreas, os chamados rodolitos, e a presença de espécies que caracterizariam formações coralinas”, conta Rezende.


Para Carlos Eduardo de Rezende, a exploração de petróleo na região poderá ter consequências danosas para esse ecossistema (Foto: Divulgação/Uenf)

Embora a amostragem inicial tenha sido pequena, aquele foi um ponto de partida para novos projetos. Terminado o trabalho com os americanos, os brasileiros decidiram partir numa segunda campanha, com um navio da Marinha Brasileira. O projeto resultou no artigo An extensive reef system at the Amazon River mouth, publicado na revista Science Advances. Além da projeção internacional que conquistou, o trabalho chamou a atenção do pessoal do Greenpeace.

“O primeiro artigo foi publicado em 2016, descrevendo a ocorrência desse recife de coral e de algumas espécies. Fizemos essa estimativa de ocorrência inicial, procurando delimitar o banco de coral, mas como tínhamos pouquíssimas informações, sabíamos que precisávamos voltar ao local. O que se tornou possível com uma parceria com o pessoal do Greenpeace, que nos possibilitou um aporte maior de equipamentos e, desse modo, ampliar o trabalho”, afirma Rezende.

No início de 2017, a bordo do Esperanza, o navio do Greenpeace, os pesquisadores fizeram uma nova viagem à região, e mais outra entre abril e maio de 2018. “O trabalho com o Greenpeace permitiu reconstruir topograficamente o fundo do oceano e estabelecer as fronteiras do recife de coral ao longo da região. Com o apoio de um submarino, também foi possível filmar, pela primeira vez, o local”, fala o pesquisador.

Apesar da descoberta de toda essa riqueza, a magnitude de toda essa diversidade local pode desaparecer antes mesmo de ser conhecida. A região foi leiloada para a exploração de petróleo, o que coloca em risco os recifes de coral, assim como a fauna e a flora marinha locais. “A questão é que no estudo de impacto ambiental da empresa petrolífera não se menciona a presença desse corredor de recifes de coral. Como o Ministério Público do Amapá entrou com ação civil pública para suspender a licença de exploração, houve uma audiência pública no Congresso Nacional e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) decidiu mandar refazer os estudos ambientais”, afirma o pesquisador.

Como aponta Rezende, esses estudos exigem uma supervisão científica de qualidade não somente em função deste enorme habitat recém-descoberto, mas também por conta dos manguezais que existem naquela região. “Um vazamento prejudicaria milhares de espécies”, alerta. Para Rezende, a expectativa era de que os pesquisadores tivessem um apoio mais efetivo por parte do governo brasileiro. “Embora o projeto tenha uma fantástica repercussão internacional, falta apoio em nosso País”, conclui.

Para mais informações, veja também

Frontiers in Marine Science

Science Advances

Recifes amazônicos: uma descoberta que parecia improvável http://www.faperj.br/downloads/revista/Rio_Pesquisa_37/biologia.pdf

Descoberta de um novo biona marinho: os incríveis recifes amazônicos
http://www.faperj.br/?id=3188.2.6

*Com informações de Assessoria de Comunicação da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf)



Autor: Ascom FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data de Publicação: 10/05/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3565.2.6