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quinta-feira, 16 de abril de 2020

Ibama interrompe desmatamento ilegal em floresta de araucária no Paraná durante pandemia de coronavírus



Brasília (09/04/2020) – Agentes do Ibama apreenderam três tratores, uma retroescavadeira, duas caminhonetes e duas motosserras durante ação de combate ao desmatamento ilegal em floresta de araucária no município de Paula Freitas, no Paraná. Dez infratores que agiam a serviço de uma empresa florestal influente na região foram identificados.


Os danos atingiram Área de Preservação Permanente (APP) e espécies ameaçadas de extinção, como araucária, canela, cedro e xaxim. Parte da floresta era alvo de corte seletivo. Em outro trecho, a destruição ocorria a corte raso, com uso de maquinário pesado. Dois tratores apreendidos apresentavam as mesas características de equipamentos empregados em desmates de grandes dimensões na Amazônia, como esteira e lâmina frontal. De acordo com a investigação, a floresta nativa seria reflorestada com espécies exóticas, como pinus.


A operação foi planejada a partir da análise de imagens de satélite que apontaram danos à floresta em cerca de 250 hectares. Em campo, os agentes ambientais encontraram uma cova aberta com grande quantidade de toras de araucária, que seriam enterradas para ocultar as atividades ilegais.

A região centro-sul do Paraná abriga os últimos remanescentes de floresta de araucária do estado. Dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) apontam que apenas 0,8% da vegetação em estágio avançado de regeneração permanece em pé. O local onde ocorreu a operação integra o bioma Mata Atlântica, mais especificamente floresta com araucária, que apresenta um dos maiores índices de destruição do país. O Paraná é o segundo estado no ranking de desmatamento da Mata Atlântica.

A equipe de fiscalização retornará ao local nos próximos dias para exame detalhado dos danos causados e conclusão dos procedimentos administrativos.

Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados:

Assessoria de Comunicação do Ibama
imprensa@ibama.gov.br
061 3316 1015


Autor: ibama
Fonte: ibama
Sítio Online da Publicação: ibama
Data: 15/04/2020
Publicação Original: https://www.ibama.gov.br/noticias/1487-2020/2201-ibama-interrompe-desmatamento-ilegal-em-floresta-de-araucaria-no-parana-durante-pandemia-de-coronavirus

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Tragédia de Mariana: sem indenização, vítimas pescam em área contaminada e já acumulam R$ 833 mil em multas


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FABRICIO SAITER
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Dona de um barco na foz do rio Doce, Norma de Alvarenga aposentou a embarcação depois de receber duas multas

Pescadores e donos de barcos do Espírito Santo, vítimas da tragédia de Mariana (MG), têm recebido multas ambientais que chegam individualmente a R$ 40 mil. Segundo o Ibama, parte dos trabalhadores está atuando em uma área cuja pesca é proibida por causa da contaminação da água com os rejeitos da barragem que se rompeu há três anos.

Desde fevereiro de 2016, quando a Justiça proibiu a pesca na foz do rio Doce, o Ibama aplicou 110 multas por pesca ilegal na área interditada. Na soma de todas as infrações, o valor das penalidades chega a R$ 833 mil. Entre 2017 e 2018, por exemplo, foram aplicadas 19 multas, totalizando R$ 339 mil. Os dados são do Ibama.

Já os pescadores e empresários reclamam de "excesso" de multas e fiscalização quando, por outro lado, tiveram suas vidas despedaçadas pela tragédia. A maioria deles hoje tem dificuldade em se manter com a pesca e ainda não receberam qualquer indenização pelos danos causados pela lama.

A área de proibição, de cerca de 200 km², vai do distrito de Degredo, em Linhares, até Barra do Riacho, em Aracruz, ambas no Espírito Santo. A pesca também é proibida até a profundidade de 20 metros no mar.

Alguns pescadores aposentaram os barcos por estarem atolados em multas e sem opção de pesca na área. Dona de um barco, Norma de Alvarenga, de 60 anos, é um desses casos.

Ela e seu filho tinham uma renda mensal de R$ 8.000 pescando camarão do tipo sete barbas na foz do rio, na praia de Suá, em Vitória - a 434 km de Mariana. Foram multados duas vezes pelo Ibama - uma de R$ 1.800, e outra de R$ 4.800.

"Eu tinha uma vida equilibrada, tinha plano de saúde, meu filho fazia faculdade. Hoje, depois do acidente, a gente não consegue mais pescar e precisei cancelar o plano e o curso dele", diz à BBC News Brasil.

Segundo os pescadores, há três situações em que os trabalhadores continuam atuando.

Eles podem ir para pontos mais distantes da costa, longe da área proibida, mas a viagem tem custo maior e nem sempre é rentável financeiramente. Outros preferem se arriscar dentro do perímetro delimitado pelo Ibama e podem ser alvo da fiscalização. Há também trabalhadores multados por pescarem camarão rosa sem licença ambiental, em substituição ao sete barbas, que é mais abundante na foz do rio.


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FABRICIO SAITER
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Ibama já aplicou 19 multas em 2018 em pescadores do Espírito Santo; na praia de Suá; eles foram proibidos de pescar camarão

Norma e seu filho são uma das 51.400 famílias de Minas e Espírito Santo que entraram com pedidos de indenização contra a Samarco, segundo a Defensoria Pública do Espírito Santo. Esse número abrange não só pescadores, mas também comerciantes, agricultores, artesãos, entre outras categorias afetadas.

Até agora, a empresária não recebeu nada. Enquanto aguarda, preferiu desistir da pesca e ancorou seu barco na praia. Hoje, para se manter, ela trabalha em uma empresa da família, mas tem uma renda substancialmente menor da que tinha antes do acidente em Mariana.

"Pescar não estava mais valendo a pena. Se você vai pescar mais longe, o retorno financeiro é muito baixo, porque o camarão vem em pouca quantidade. E também pode levar multa", conta.

Já Fábio Rezende Basílio, de 53 anos, dono de três embarcações, precisou investir em melhorias nos barcos para torná-los mais potentes e com condições de viajar a áreas mais distantes. "Hoje, preciso pescar em águas mais profundas e quase não tenho retorno financeiro. Nossa expectativa é que a área proibida seja liberada. Se isso não acontecer, não temos como continuar trabalhando, ficará inviável", diz.

Ele foi multado em R$ 40 mil porque, segundo o Ibama, um de seus barcos estava pescando dentro da área contaminada. Ele recorreu à Justiça, alegando que, na infração, o Ibama apontou a irregularidade com uma geolocalização que dava em terra, e não no rio.

"A área proibida é uma linha imaginária, se você estiver dentro, é multado. Mas, para o pescador, é muito difícil saber onde passa essa linha. Então, vem o Ibama com um helicóptero e te multa", diz ele, que também aguarda ser indenizado pela tragédia.
Economia em declínio depois do desastre

O acidente na barragem de Fundão, em Mariana, ocorreu no dia 5 de novembro de 2015, quando 34 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério de ferro jorraram do complexo de mineração operado pela empresa Samarco e percorreram 55 km do rio Gualaxo do Norte e outros 22 km do rio do Carmo até desaguarem no rio Doce.

No total, a lama percorreu 663 km até encontrar o mar, no município de Regência, Espírito Santo. 19 pessoas morreram.


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FABRICIO SAITER
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A lama da barragem de Mariana, em Minas Gerais, contaminou a foz do Rio Doce, a mais de 430 km de distância

O impacto ambiental também foi gigantesco: além da contaminação da água e soterramento de nascentes, milhares de peixes e outros animais morreram.

A economia local, que vivia da pesca e do turismo às margens do rio, entrou em colapso e ainda não se recuperou três anos depois. Cresceu o desemprego e muitos trabalhadores não conseguiram retomar suas funções de antes da tragédia.

Segundo o governo do Espírito Santo, a pesca representa 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário do Estado, movimentando cerca de R$ 180 milhões ao ano.

Dono de dois barcos, Braz Clarindo Filho, de 47 anos, conta que seu faturamento pescando camarão chegava a R$ 27 mil mensais. Hoje, ganha em torno de R$ 3 mil.

"É uma situação insustentável, a gente trabalha com alta pressão psicológica. Você pesca sob tensão de ser multado", diz ele à BBC News Brasil. "Você tem família pra sustentar, conta pra pagar, e o camarão está lá. A gente vai fazer o quê? Vai trabalhar ou vai passar fome?", diz.

A queda brusca de renda foi acompanhada por cortes no orçamento familiar: cancelou o plano de saúde, TV a cabo e a escola particular dos filhos. Sua mulher voltou a trabalhar. "Hoje, a gente trabalha só para comer", diz. Prevista para outubro deste ano, sua indenização ainda não saiu do papel.

Já Fabiano Lopes Dias, de 44 anos, conta que os prejuízos fizeram com que ele parasse de pagar a pensão alimentícia de suas filhas por um período. "Em semana boa, eu tirava R$ 5 mil. Hoje, você precisa ir para muito longe para conseguir ganhar R$ 1 mil. Não compensa", diz.

Ele foi multado em R$ 5 mil pelo Ibama, também por pescar em águas proibidas. Ele nega, dizendo que estava "só navegando". Por causa da multa e da impossibilidade de pesca, aposentou o barco e hoje vive de pequenos bicos.

Dias recebeu R$ 60 mil de indenização da Fundação Renova - entidade criada para gerir as ações de reparação. "O dinheiro acabou rápido, não era muita coisa. Eu tinha três funcionários, e hoje eles estão desempregados", diz.
A água está de fato contaminada?

Em fevereiro de 2016, quatro meses depois do rompimento da barragem, uma liminar da Justiça Federal do Espírito Santo proibiu a pesca em toda a foz do rio Doce.


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FABRICIO SAITER
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Em 2016, a Justiça Federal do Espírito Santo proibiu a pesca na foz do rio Doce

O Ministério Público Federal havia pedido que a Samarco pagasse os custos da fiscalização, mas a Justiça deu essa responsabilidade ao Ibama, ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio) e ao Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema).

Na época, a decisão foi tomada de forma preventiva, pois não havia estudos provando que a água estava imprópria. Porém, agora há pesquisas que confirmam a contaminação.

Uma delas foi feita pela Fundação SOS Mata Atlântica. Segundo o estudo, toda a água da bacia do rio Doce está imprópria para consumo, pesca e produção de alimentos.

No final do ano passado, pesquisadores da fundação percorreram todo o trecho por onde a lama de rejeitos da barragem passou. Em 88,9% dos pontos de coleta, a qualidade da água era ruim ou péssima.

Foram encontrados concentrações de metais pesados, como cobre e manganês, acima do recomendado pela lei. Também foram encontradas bactérias e microrganismos acima do que a legislação permite.

Outro estudo apontou situação parecida. Uma pesquisa feita em conjunto pela USP, Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) e universidades federais do Espírito Santo e da Bahia apontou que no rio existem as seguintes substâncias em quantidade superior ao recomendado: cobre, manganês, zinco, cromo, cobalto, níquel e chumbo.

Segundo a pesquisa, alguns desses metais são tóxicos e podem se acumular em plantas e peixes.


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FRED LOUREIRO/SECOM-ES
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Há três anos, barragem da Samarco se rompeu e causou um dos maiores desastres ambientais da história

Em entrevista à BBC News Brasil, a pesquisadora Malu Ribeiro, coordenadora do programa de água da SOS Mata Atlântica, explicou por que os pescados oriundos do rio Doce são impróprios.

"Em tese, para uma pessoa ser contaminada pelos metais, precisaria consumir uma quantidade enorme de alimentos, porque esses metais são cumulativos. O problema maior são as outras substâncias que a lama da Samarco levou junto com a avalanche: casas, animais mortos, cemitérios, valas, esgotos", diz.

Para ela, a interdição da pesca deve continuar por questão de saúde pública. "A recuperação da área, de sua fauna e flora, vai demorar séculos. É impossível dizer quando isso vai ocorrer", diz.

E completa: "O Estado brasileiro precisa encontrar alternativas para que as pessoas tenham atividades econômicas, pois a economia local praticamente acabou. É uma situação de injustiça e impunidade que vai ficar marcada na história do Brasil. Com isso, uma das vítimas dessa história, que é o Ibama, acaba sendo vista como vilã por fiscalizar a área", completa.
Processo criminal


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ROGÉRIO ALVES/TV SENADO
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Uma escola de Bento Rodrigues, distrito de Mariana, ficou totalmente destruída pela lama - 19 pessoas morreram na tragédia

Três anos depois da tragédia de Mariana, o processo criminal contra supostos responsáveis ainda corre na Justiça Federal.

No total, 21 pessoas são acusadas de provocar inundação, desabamento, lesão corporal e homicídio com dolo eventual (quando o réu assume o risco de matar).

Em outubro, o Ministério Público e as Defensorias de Minas Gerais e do Espírito Santo assinaram um acordo com a Samarco, Vale e BHP Billiton para evitar a prescrição do direito à reparação das vítimas da tragédia, o que, em tese, aconteceria após três anos do desastre.

Há também uma ação coletiva, promovida pelo Ministério Público Federal, no valor de R$ 155 bilhões contra a Samarco - nesse termo, estão previstas indenizações pelos danos ambientais, sociais e econômicos.

A Fundação Renova afirma que 3.800 pescadores do Espírito Santo receberam ajuda financeira emergencial e posteriormente indenizações, totalizando R$ 380 milhões em reparações. A instituição não informa, porém, o número total de trabalhadores que receberá esses pagamentos.

Sobre a morosidade dos pagamentos para outros atingidos, a Renova afirma: "Os desafios em relação aos pescadores estão relacionados à diversidade da atividade em toda a bacia. No território impactado, há diferentes categorias de pescadores, que vão dos profissionais regularizados aos que buscavam o rio para subsistência. Para algumas dessas categorias, as diretrizes e políticas com o objetivo de caracterizar a extensão do dano para cada indivíduo estão sendo construídas com a participação de todos os agentes envolvidos".

Já o Ibama afirma que há estudos que comprovam a contaminação da área e que o monitoramento vai continuar até que haja outra decisão judicial sobre o caso.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 11/12/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46510786

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Operações do Ibama embargam 8 mil hectares em MT e desativam 4 serrarias no PA


Foto: Ibama

(28/11/2018) – O Ibama, com apoio da Polícia Militar do Mato Grosso, embargou 8 mil hectares de cerrado, o equivalente a 8 mil campos de futebol, e impediu a destruição de outros 1.120 hectares na região de Santa Teresinha (MT), na Bacia do Araguaia. Iniciada em novembro, a Operação Siriema III resultou até o momento na aplicação de R$ 37,4 milhões em multas.

A maior parte da área desmatada está localizada em imóvel rural parcialmente invadido por grileiros, que tinham a intenção de lotear o terreno.

Agentes ambientais também identificaram propriedades em que os responsáveis legais omitiam a existência de vegetação nativa em áreas de varjão com o propósito de obter de forma simplificada a autorização para limpeza de pasto.

A ação impediu a destruição de espécies nativas do cerrado brasileiro, como pequizeiros, em áreas de varjão que seriam convertidas em pastagens. Pelo menos 500 hectares de vegetação foram destruídos com uso de correntão.

Em Santa Cruz do Xingu (MT), onde ocorreu outra etapa da operação nesta terça-feira (27/11), a equipe de fiscalização apreendeu uma retroescavadeira, 4 motosserras e 4 armas de fogo que pertenciam a grileiros. Cerca de mil hectares desmatados ilegalmente foram embargados. Três infratores foram detidos.

As informações obtidas durante a investigação serão encaminhadas ao Ministério Público Estadual (MPE) para apuração no âmbito criminal.


Quatro serrarias são desativadas em Novo Progresso (PA)




Em Novo Progresso (PA), durante operação conjunta com a Força Nacional, foram desativadas 4 serrarias e apreendidos 478 metros cúbicos de madeira extraída ilegalmente da Floresta Nacional do Jamanxim. Os agentes ambientais também recolheram 3 carretas usadas no transporte da madeira e 3 tratores. Os autos de infração totalizam R$1,1 milhão.

Em meio à carga apreendida foram identificadas espécies nativas como ipê, angelim e maçaranduba. As serrarias receberam o produto florestal ilegal acobertado por declarações falsas no sistema do Documento de Origem Florestal (DOF).

A madeira e os veículos apreendidos ficaram sob guarda da prefeitura de Novo Progresso.

Do Ibama, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/11/2018



Autor: Ibama
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/11/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/11/29/operacoes-do-ibama-embargam-8-mil-hectares-em-mt-e-desativam-4-serrarias-no-pa/

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Em operação de combate a fraudes no sistema do DOF, Ibama realiza maior apreensão de madeira nativa da Amazônia em SP


Agentes ambientais apreendem madeira serrada sem origem legal comprovada em depósito de exportadora no município de Tietê (SP). Foto: Ibama

Operação de combate a fraudes no sistema do Documento de Origem Florestal (DOF) realizada pelo Ibama em conjunto com a Polícia Federal (PF) resultou na apreensão de 1.818 metros cúbicos de madeira serrada em São Paulo, a maior já realizada pelo Instituto no estado. A mercadoria equivale a 72 carretas carregadas que, enfileiradas, se estenderiam por cerca de 1,5 km. Uma empresa exportadora de madeira processada foi autuada em R$ 695,7 mil no município de Tietê (SP).



As multas foram aplicadas por manter em depósito madeira nativa sem origem comprovada no volume de 1.607,65 metros cúbicos em uma filial e 211,5 m3 na sede da empresa. A mercadoria é avaliada em pelo menos R$ 10 milhões.

Além da carga irregular encontrada nos pátios, foram identificados 10.740,49 metros cúbicos de créditos fictícios em nome do estabelecimento no sistema DOF, apesar de não haver madeira correspondente no estoque, o que também resultou em autuação. A empresa foi suspensa pelo Ibama e está proibida de realizar novas movimentações de madeira.

Outros dois autos de infração e uma notificação foram lavrados para empresas do ramo madeireiro nos municípios de São Bernardo do Campo e Cotia.

A ação é um desdobramento da Operação Pátio, realizada pela PF em conjunto com o Ibama para desarticular esquema de fraudes na homologação de depósitos de madeireiras com o objetivo de “esquentar” madeira nativa da Amazônia de origem ilegal.

A operação foi deflagrada no dia 24 de maio e resultou no cumprimento de 13 mandados de prisão temporária e 9 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, São Bernardo do Campo, Osasco, Tietê e Piracicaba. Na ocasião, o diretor de Proteção Ambiental do Instituto, Luciano Evaristo, participou de entrevista coletiva na sede da Superintendência da PF em São Paulo.

As investigações começaram em maio de 2016, junto à delegacia da Polícia Federal em Bauru, após o Ibama ter encaminhado à PF documento sobre a suspeita de esquema criminoso envolvendo um servidor da Autarquia. Mais de 8 mil metros cúbicos de créditos florestais fictícios são investigados.

Além das sanções administrativas impostas pelo Ibama, os responsáveis pelas fraudes identificadas ao longo da investigação responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistemas de informação oficiais, corrupção passiva, corrupção ativa e violação de sigilo de dados.


Do Ibama, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/06/2018




Autor: Ibama
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 04/6/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/04/em-operacao-de-combate-a-fraudes-no-sistema-do-dof-ibama-realiza-maior-apreensao-de-madeira-nativa-da-amazonia-em-sp/

terça-feira, 19 de junho de 2018

Ibama identifica e multa em R$ 15,5 milhões os responsáveis pela extração ilegal de 7,3 mil toras na TI Pirititi (RR)

Madeira apreendida pelo Ibama em abril na Terra Indígena Pirititi, no sul de Roraima


Foto: Ibama

O Ibama identificou os responsáveis pela extração ilegal de 7.387 toras da Terra Indígena (TI) Pirititi, no sul de Roraima, apreendidas pelo Instituto em abril deste ano. O furto danificou 1.372 hectares de floresta nativa da Amazônia. Os agentes ambientais aplicaram oito autos de infração, que totalizam R$ 15,5 milhões, contra duas madeireiras e dois proprietários rurais. Na ocasião, foram apreendidos 15,6 mil metros cúbicos de madeira em tora, o maior volume registrado em uma operação no estado.

Após a apreensão, a fiscalização na região foi reforçada com agentes ambientais de outros estados, que receberam apoio do Exército e da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (CIPA) de Roraima. A operação resultou na identificação de outros focos de desmatamento ilegal nos municípios de Rorainópolis e Caracaraí (RR). O volume de maçaranduba, cupiúba, angelim ferro e angelim pedra extraído na região é estimado em 19 mil m³, totalizando 34,6 mil m³ no estado.

Cinco madeireiras e quinze pessoas foram autuadas nesta segunda fase, cujas multas somam R$ 13,5 milhões. As toras extraídas ilegalmente seriam usadas para abastecer serrarias em Rorainópolis (RR).

“As árvores cortadas tinham destino certo. A investigação apontou quem são os criminosos responsáveis pela destruição do patrimônio natural dos índios”, afirmou o coordenador de Operações de Fiscalização, Roberto Cabral. Segundo ele, a operação, comandada pela Diretoria de Proteção Ambiental, será intensificada até que se verifique a regularidade de todas as madeireiras do estado.

O Ibama define com o Ministério Público Federal (MPF) a destinação da madeira, que pode ser levada a leilão judicial.

Com 40 mil hectares, a Pirititi abriga índios isolados. Portaria da Fundação Nacional do Índio (Funai) impede o acesso à TI sem autorização da Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém Contatados.

Fotos da apreensão de madeira extraída ilegalmente da TI Pirititi em abril.

Do Ibama, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/06/2018



Autor: Ibama
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 19/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/19/ibama-identifica-e-multa-em-rdollar-155-milhoes-os-responsaveis-pela-extracao-ilegal-de-73-mil-toras-na-ti-pirititi-rr/

terça-feira, 12 de junho de 2018

Operação do Ibama combate plantio de transgênicos em Terras Indígenas no oeste de MT


Foto: Lidiane Ribeiro/Ibama

O Ibama realizou operação para coibir o plantio de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) em Terras Indígenas (TIs) no oeste de Mato Grosso. O cultivo de transgênicos em TIs é proibido pela Lei 11.460/2007.

Agentes ambientais federais identificaram outros ilícitos como impedir a regeneração natural de florestas e demais formas de vegetação nativa (art. 48 do Decreto 6.514/2008) e o funcionamento de atividades utilizadoras de recursos naturais (art. 66 do Decreto 6.514/2008), que contrariam normas previstas na Constituição Federal, na Lei 6.001/1973 (Estatuto do Índio) e na Lei 12.651/2012 (Nova Lei Florestal).

Os ilícitos ambientais foram identificados nas TIs Paresi, Rio Formoso, Tirecatinga, Utiariti, Manoki e Uirapuru.

Foram autuados 16 arrendatários, 2 fazendas e 5 associações indígenas. Agentes ambientais aplicaram 44 multas, que totalizam R$ 129,2 milhões, e embargaram 16,2 mil hectares explorados ilegalmente por arrendatários nas TIs.

De acordo com o art. 231 da Constituição Federal e o art. 22 da Lei 6.001/1973 (Estatuto do Índio), cabe aos indígenas o usufruto exclusivo de suas terras. Considera-se, portanto, que o arrendamento dessas áreas é ilegal. A transgenia dos produtos foi comprovada por testes laboratoriais realizados pelo Ibama.

Durante a operação, não foi constatada participação direta de indígenas na produção agrícola, mas as associações controlam arrendamentos. As cinco associações foram autuadas pelo cultivo ilegal de OGMs e por fazer funcionar atividade utilizadora de recursos naturais (agricultura em larga escala), contrariando normas legais e regulamentares. Essas multas totalizam R$ 5,3 milhões.

Do Ibama, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/06/2018



Autor: Ibama
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 12/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/12/operacao-do-ibama-combate-plantio-de-transgenicos-em-terras-indigenas-no-oeste-de-mt/

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Exploração de petróleo e gás na Foz do Amazonas: estudos ambientais apresentados são insuficientes, conclui Parecer Técnico do Ibama




Ibama

Parecer Técnico do Ibama (n° 72/2018-COEX/CGMAC/DILIC) concluiu que o Estudo Ambiental de Caráter Regional da Bacia da Foz do Amazonas, elaborado pelas empresas Total, BP e Queiroz Galvão, apresenta “lacunas e incongruências que inviabilizam a sua aprovação”. Segundo o documento, são necessárias informações e esclarecimentos dos empreendedores sobre os meios físico e biótico.

Em outro Parecer Técnico, n° 73/2018-COEXP/CGMAC/DILIC, o corpo técnico do Instituto concluiu que pendências e incertezas identificadas no licenciamento ambiental para exploração de petróleo e gás na Foz do Amazonas impedem o prosseguimento do processo da Total. A dificuldade da empresa em apresentar um Plano de Emergência Individual (PEI) satisfatório é apontada como um dos impeditivos, além da ausência de acordo bilateral entre Brasil e França relacionado a ocorrências que envolvam derramamento de óleo.

O Parecer Técnico n° 73 destaca que surgiram fatos novos no processo que precisam ser esclarecidos, como a alteração da metodologia de perfuração, substituída pelo drift-running, e a existência de recifes biogênicos nos blocos da empresa, o que gera insegurança técnica.

A diretora de Licenciamento Ambiental, Larissa Amorim, encaminhou o Parecer Técnico n° 72 aos empreendedores para que sejam atendidas as pendências identificadas. Em relação ao Parecer n° 73, a diretora confirmou o entendimento técnico quanto à necessidade de apresentação de informações e esclarecimentos sobre o PEI, a identificação e avaliação de impactos ambientais, a modelagem de dispersão de óleo, a área de influência e as medidas de mitigação e controle ambiental.

Mais informações:

Parecer Técnico n° 72/2018-COEXP/CGMAC/DILIC
Parecer Técnico n° 73/2018-COEXP/CGMAC/DILIC
Despacho Dilic

Diretoria de Licenciamento Ambiental do Ibama


Do Ibama, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/05/2018



Autor: Ibama
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 30/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/30/exploracao-de-petroleo-e-gas-na-foz-do-amazonas-estudos-ambientais-apresentados-sao-insuficientes-conclui-parecer-tecnico-do-ibama/

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Em audiência pública na Câmara, Ibama, Fiocruz, Idec e outras entidades se manifestam contra mudança na lei de agrotóxicos

Em audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara, entidades dizem que efeitos dos pesticidas incluem contaminação de alimentos, da água e do ar e relacionam uso desses produtos a problemas de saúde

Will Shutter/Câmara dos Deputados


Jacimara Guerra, do Ibama, afirma que o órgão é contrário ao projeto, que coloca o Ministério da Agricultura como único responsável pelo registro dos pesticidas

Participantes de audiência pública sobre os impactos dos agrotóxicos na cidades foram unânimes em condenar a proposta que altera a legislação do uso dos pesticidas no Brasil (PL 6299/02 e apensados). A votação do substitutivo do deputado Luiz Nishimori (PR-PR) na comissão especial que analisa a matéria está prevista para o próximo dia 29. O debate foi promovido pela Comissão de Desenvolvimento Urbano nesta quarta-feira (23) e não contou com expositores ou parlamentares favoráveis à proposta.

A diretora de Qualidade Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Jacimara Guerra Machado, ressaltou a posição do órgão – contrária ao projeto. Pelo texto, o Ministério da Agricultura será o único responsável por conceder o registro dos pesticidas, retirando as atuais atribuições do Ibama e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Caberá a estes órgãos apenas homologar avaliações de risco sobre os produtos.

Jacimara ressaltou que os impactos do uso de agrotóxicos nas cidades incluem resíduos dos produtos na água, no ar e nos alimentos oferecidos à população. Segundo ela, por conta dos ventos e da proximidade, a pulverização aérea pode atingir as populações urbanas. Para a redução dos impactos, o Ibama hoje dá preferência aos produtos com menor toxicidade, ao analisar a liberação de agrotóxicos.

Interesse de empresas
A representante da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida, Carla Bueno, ressaltou que 370 organizações da sociedade civil se manifestaram contra o que chama de “Pacote do veneno”. Para ela, a proposta atende aos interesses de grandes empresas transnacionais, ao facilitar novos registros de agrotóxicos.

Ela citou pesquisa divulgada pelo Greenpeace em outubro do ano passado, segundo a qual 36% dos alimentos analisados tinham maior quantidade de resíduos de agrotóxicos do que o permitido ou tinham substâncias proibidas no Brasil. “Isso afeta toda a população, seja do campo ou da cidade”, disse. “Há uma opção pelo capital transnacional em detrimento da saúde da população brasileira”, opinou.

Impactos na saúde
Especialista de Saúde, Ambiente e Sustentabilidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Guilherme Franco Netto também acredita que proposta visa reduzir custos para o setor produtivo, desconsiderando os impactos para a saúde.

Ele ressaltou que dados da Organização Mundial da Saúde mostram 25 milhões casos de envenenamento por agrotóxicos por ano, com 20 mil mortes registradas. “No Brasil, ainda com uma subnotificação enorme – porque nós não temos todos os recursos alocados de maneira adequada para fazer vigilância em saúde –, temos crescimento exponencial do número de casos de intoxicação por agrotóxicos, acumulando nos últimos dez anos mais de 100 mil casos, com praticamente 3.500 mortes”, completou.

Segundo ele, muitos estudos relacionam a ingestão de resíduos de agrotóxicos com problemas como câncer, a fertilidade, malformação congênita, desregulação hormonal, além de efeitos neurológicos, como a ligação com a doença de Parkison e a depressão. “Pelo projeto, esses efeitos deixarão de ser proibitivos na regulação dos agrotóxicos”, disse.

Para o especialista, esses riscos estão sendo ocultados na proposta. Ele destacou que o texto muda o nome agrotóxico para defensivo fitossanitário – palavra que significa planta saudável. “Há aí uma redução do significado do risco”, avaliou.

Isenções fiscais
Representante do Instituto de Defesa do Consumidor, Rafael Arantes também considera a aprovação do PL 6299/02 um “tremendo retrocesso”. Ele lembrou que o Instituto Nacional do Câncer (Inca) também tem posicionamento contrário à proposta. Além disso, condenou as isenções fiscais que estados concedem para os agrotóxicos.

Coordenador do Fórum Nacional de Combate ao Uso Abusivo de Agrotóxico, o procurador regional do Trabalho Pedro Luiz Serafim lembrou que o Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos. Para ele, o Congresso deve aprovar uma política nacional de redução dos agrotóxicos (prevista no Projeto de Lei 6670/16). “É o que está acontecendo na União Europeia”, observou.

A audiência foi pedida pelos deputados João Daniel (PT-SE) e Nilto Tatto (PT-SP). Daniel considera o debate um dos mais importantes que ocorrem no Brasil hoje. “Nós sabemos dos grandes interesses que estão por trás da indústria de agrotóxicos hoje”, afirmou. Para Tatto, é preciso repensar o modelo da agricultura brasileira, que hoje é dependente de agrotóxico, privilegiando a agricultura familiar, responsável pela produção de alimentos diversos e sadios. “Não queremos só comer soja e milho”, disse.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:
PL-6299/2002
PL-6670/2016
Reportagem – Lara Haje
Edição – Ana Chalub

Da Agência Câmara de Notícias, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/05/2018



Autor: Agência Câmara de Notícias
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 25/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/25/em-audiencia-publica-na-camara-ibama-fiocruz-idec-e-outras-entidades-se-manifestam-contra-mudanca-na-lei-de-agrotoxicos/

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Ibama aplica R$ 105,7 milhões em multas por plantio ilegal de grãos em áreas embargadas no Cerrado

Ibama aplica R$ 105,7 milhões em multas por plantio ilegal de grãos em áreas embargadas no Cerrado
Foto: Vinícius Mendonça/Ibama
Operação do Ibama realizada em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) para coibir o desmatamento ilegal no Cerrado resultou até o momento na aplicação de 62 autos de infração, que totalizam R$ 105,7 milhões. Iniciada no fim de abril, esta fase da Operação Shoyo ocorreu em quatro estados: Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, na região conhecida como Matopiba, com o objetivo de responsabilizar empresas e produtores rurais que descumprem embargos de áreas ilegalmente desmatadas e comercializam, financiam ou intermedeiam produtos agrícolas procedentes dessas áreas.
A partir do cruzamento de dados geoespaciais foram identificados 60 polígonos com embargos descumpridos. As ilegalidades estavam associadas a 78 pessoas (físicas e jurídicas) e 77 imóveis. Produtores rurais foram autuados por descumprir embargos do Instituto em 40 propriedades, impedir a regeneração natural em outras 14 e comercializar produtos de origem vegetal produzidos em áreas embargadas de 10 imóveis rurais.
Cinco tradings foram multadas em R$ 24,6 milhões por adquirir 49.205 sacas de 60 kg de soja produzida em áreas embargadas pelo Ibama. Durante a investigação foi constatado que a compra antecipada de grãos financiou a atividade ilegal.
A lista pública de embargos ambientais, disponível para consulta no site do Ibama, aponta as áreas proibidas para produção. O art. 54 do Decreto 6.514/2008 define como ilícito ambiental o comércio de produtos rurais procedentes dessas áreas. Na Amazônia Legal, a lista pública de autuações e embargos é usada por integrantes da cadeia produtiva da soja em análises de risco para a concessão de créditos rurais, o que gera compromissos econômicos voluntários em favor do controle do desmatamento.
O Matopiba é uma região de intensa expansão do desmatamento no Cerrado. Por isso, é necessário maior envolvimento das cadeias produtivas para aumentar a conservação do bioma.
“O desmatamento ilegal no Cerrado é mais acelerado no Matopiba do que em outras regiões do bioma, o que exige o aprimoramento das estratégias de controle para garantir que a dissuasão atinja todos os elos ilegais na cadeia produtiva”, diz o coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Renê Luiz de Oliveira.
Foram apreendidas até o momento 84.024 sacas de grãos durante a operação, o que corresponde a 5.041 toneladas. Além das medidas aplicadas pelo Ibama, o MPF irá propor ação civil pública para que os infratores reparem todos os danos ambientais causados pela atividade ilegal.

Do Ibama, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/05/2018
 Autor: Ibama
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 24/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/24/ibama-aplica-rdollar-1057-milhoes-em-multas-por-plantio-ilegal-de-graos-em-areas-embargadas-no-cerrado/

terça-feira, 22 de maio de 2018

Amazônia: MPF cobra do Ibama fiscalização em frigoríficos que não apresentaram política de controle da origem dos produtos de seus fornecedores

Ofício enviado ao Ibama requisita vistorias em 47 frigoríficos de diversos estados da Amazônia Legal



Foto: iStock

Em ofício encaminhado à presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Ministério Público Federal (MPF) requisitou a realização de fiscalização em 47 frigoríficos instalados em diversos estados da Amazônia Legal, com o objetivo de verificar o cumprimento das normas ambientais no exercício da atividade de abate de animais. Os estabelecimentos que serão alvos da fiscalização apresentam movimentação relevante no âmbito da cadeia produtiva da pecuária e não firmaram Termo de Ajustamento de Conduta com o MPF pela pecuária sustentável, por meio do programa Carne Legal.

O Ibama deverá apresentar os relatórios de fiscalização no prazo de 60 dias, conforme o documento, encaminhado ao órgão em abril e assinado pelos procuradores da República que integram o Grupo de Trabalho (GT) Amazônia Legal, vinculado à Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF (4CCR).

Na lista de frigoríficos a serem inspecionados, conforme o Ofício 001/2018, estão dez estabelecimentos localizados no Acre, nove em Tocantins, nove em Mato Grosso, oito em Rondônia, quatro no Amazonas, três em Roraima, dois no Maranhão e dois no Amapá.

TAC da Pecuária – Em 2009, o MPF assinou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para que os produtores parassem de comercializar a carne proveniente de áreas desmatadas e que os frigoríficos não comprassem carne de quem desrespeita normas ambientais e trabalhistas. O acordo foi assinado pelas três maiores empresas da área – JBS, Marfrig e Minerva – e por dezenas de frigoríficos em todos os estados da Amazônia Legal.

Os frigoríficos que assinaram os TACs se comprometeram a comprar matéria-prima apenas de produtores rurais que não cometam desmatamento ilegal, que tenham suas propriedades identificadas por meio de inscrição no Cadastro Ambiental Rural, iniciem o processo de licenciamento ambiental e não tenham ocorrência de trabalho escravo, invasão de unidades de conservação, terras indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, e devem enviar ao MPF, a cada seis meses, a lista de fornecedores credenciados e também dos que foram descredenciados em função das exigências previstas no acordo.

Em caso de descumprimento, o acordo prevê multa correspondente a 50 vezes o valor da arroba de boi gordo, baseado no índice da BM&F-Bovespa, por cabeça de gado adquirida fora dos padrões estabelecidos pelo TAC.

Os resultados do projeto foram apresentados pelo MPF em 2017, durante evento promovido pelo governo norueguês para discutir soluções estratégicas para o desmatamento de florestas tropicais. De acordo com relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o projeto representa um dos maiores processos de redução da emissão de gases que provocam o efeito estufa, bem como um grande avanço na preservação ambiental. Conforme levantamento feito pela Union of Concerned Scientists, apresentado no evento, a atuação do MPF contribuiu para uma redução superior a 60% do desmatamento ilegal da Floresta Amazônica.

Fonte: Procuradoria da República no Amazonas

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/05/2018



Autor: EcoDebate
Fonte: Procuradoria da República no Amazonas
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 22/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/22/amazonia-mpf-cobra-do-ibama-fiscalizacao-em-frigorificos-que-nao-apresentaram-politica-de-controle-da-origem-dos-produtos-de-seus-fornecedores/

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Tesouro de flora e fauna a 500m de profundidade




Nas imagens do fundo do mar, a diversidade de
formas de vida (Fotos: Divulgação/Uenf)


Quando se pensa em Amazônia, o que vem à cabeça é a floresta, considerada como o pulmão verde do planeta. Mas o que poucos sabem é que a aproximadamente 500m de profundidade no oceano, na costa entre o Maranhão e o Amapá, uma enorme extensão de recifes de coral abriga um ecossistema marinho igualmente rico em biodiversidade de fauna e flora. A descoberta foi relatada em artigo publicado no final de abril, por pesquisadores brasileiros, na revista Frontiers in Marine Science.

O interesse da comunidade científica internacional foi imediato: em apenas dois dias, a publicação bateu o recorde de visualizações e downloads da revista: cerca de 400 mil. Segundo um dos autores da pesquisa, o professor Carlos Eduardo de Rezende, do Laboratório de Ciências Ambientais do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), esses recifes de corais formam uma espécie de corredor submerso, que até onde os pesquisadores puderam analisar, se espalha por cerca 56 mil quilômetros quadrados.

“Mas há indícios de que essa área seja ainda maior e que se estenda até o Caribe. Trata-se de um ecossistema único, que abriga uma grande riqueza da fauna e flora, além de recursos minerais”, afirma Rezende, que é Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ. Ele assina o artigo, que recebeu o título Perspectives on the Great Amazon Reef: Extension, Biodiversity, and Threats, ao lado de pesquisadores de diversas instituições brasileiras e do Greenpeace.

Iniciado em 2015, o projeto a princípio contou com uma parceria com as universidades americanas de Washington e da Geórgia. O interesse dos pesquisadores americanos era estudar o fictoplâncton – aqueles pequenos organismos marinhos, que têm o mesmo papel das florestas: fazem fotossíntese e são os responsáveis pela produtividade primária do oceano. Mas os brasileiros resolveram ir além e estudar também os sedimentos de fundo.

Como já havia sido relatada a ocorrência de um parcel (material rochoso) na costa em frente ao Pará e Maranhão, os pesquisadores resolveram percorrer a costa de mar entre Barbados e Belém. “Na ocasião, puderam constatar uma grande extensão de formações calcáreas, os chamados rodolitos, e a presença de espécies que caracterizariam formações coralinas”, conta Rezende.


Para Carlos Eduardo de Rezende, a exploração de petróleo na região poderá ter consequências danosas para esse ecossistema (Foto: Divulgação/Uenf)

Embora a amostragem inicial tenha sido pequena, aquele foi um ponto de partida para novos projetos. Terminado o trabalho com os americanos, os brasileiros decidiram partir numa segunda campanha, com um navio da Marinha Brasileira. O projeto resultou no artigo An extensive reef system at the Amazon River mouth, publicado na revista Science Advances. Além da projeção internacional que conquistou, o trabalho chamou a atenção do pessoal do Greenpeace.

“O primeiro artigo foi publicado em 2016, descrevendo a ocorrência desse recife de coral e de algumas espécies. Fizemos essa estimativa de ocorrência inicial, procurando delimitar o banco de coral, mas como tínhamos pouquíssimas informações, sabíamos que precisávamos voltar ao local. O que se tornou possível com uma parceria com o pessoal do Greenpeace, que nos possibilitou um aporte maior de equipamentos e, desse modo, ampliar o trabalho”, afirma Rezende.

No início de 2017, a bordo do Esperanza, o navio do Greenpeace, os pesquisadores fizeram uma nova viagem à região, e mais outra entre abril e maio de 2018. “O trabalho com o Greenpeace permitiu reconstruir topograficamente o fundo do oceano e estabelecer as fronteiras do recife de coral ao longo da região. Com o apoio de um submarino, também foi possível filmar, pela primeira vez, o local”, fala o pesquisador.

Apesar da descoberta de toda essa riqueza, a magnitude de toda essa diversidade local pode desaparecer antes mesmo de ser conhecida. A região foi leiloada para a exploração de petróleo, o que coloca em risco os recifes de coral, assim como a fauna e a flora marinha locais. “A questão é que no estudo de impacto ambiental da empresa petrolífera não se menciona a presença desse corredor de recifes de coral. Como o Ministério Público do Amapá entrou com ação civil pública para suspender a licença de exploração, houve uma audiência pública no Congresso Nacional e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) decidiu mandar refazer os estudos ambientais”, afirma o pesquisador.

Como aponta Rezende, esses estudos exigem uma supervisão científica de qualidade não somente em função deste enorme habitat recém-descoberto, mas também por conta dos manguezais que existem naquela região. “Um vazamento prejudicaria milhares de espécies”, alerta. Para Rezende, a expectativa era de que os pesquisadores tivessem um apoio mais efetivo por parte do governo brasileiro. “Embora o projeto tenha uma fantástica repercussão internacional, falta apoio em nosso País”, conclui.

Para mais informações, veja também

Frontiers in Marine Science

Science Advances

Recifes amazônicos: uma descoberta que parecia improvável http://www.faperj.br/downloads/revista/Rio_Pesquisa_37/biologia.pdf

Descoberta de um novo biona marinho: os incríveis recifes amazônicos
http://www.faperj.br/?id=3188.2.6

*Com informações de Assessoria de Comunicação da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf)



Autor: Ascom FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data de Publicação: 10/05/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3565.2.6

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Ibama apreende 14 mil dormentes de madeira nativa da Amazônia em pátio da Estrada de Ferro Carajás, no MA


Pátio com 14.233 dormentes de madeira nativa em depósito. Foto: IBAMA

Inspeção realizada pelo Ibama em pátio da Estrada de Ferro Carajás, em Açailândia (MA), resultou na apreensão de 14.233 dormentes de madeira nativa, descritos em notas fiscais como peças de eucalipto, que seriam usados para a fixação dos trilhos em obras de manutenção da via. Os agentes ambientais aplicaram auto de infração no valor de R$ 4,3 milhões contra a empresa responsável por manter em depósito a madeira nativa sem licença válida. O recebimento de novos dormentes foi embargado até que o estabelecimento esteja regularizado no sistema do Documento de Origem Florestal (DOF).



Durante vistoria realizada no pátio da empresa em 20/04, analistas do Ibama suspeitaram que as travessas de madeira estocadas no local não estivessem em conformidade com as informações das notas fiscais. Trinta e oito amostras identificadas e lacradas na presença de representantes do estabelecimento foram encaminhadas para identificação anatômica pelo Laboratório de Produtos Florestais (LPF) do Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

O lote de madeira, negociado como eucalipto, continha espécies nativas da Amazônia, como “Roxinho” (Peltogynes sp), “Jatobá” (Hymenaea sp) e “Cedrinho” (Erisma sp).

“Essa investigação expôs mais um método de esquentamento de madeira nativa com notas fiscais fraudulentas. Os produtos adquiridos são identificados como espécie exótica (eucalipto) e assim ficam dispensados de usar o sistema DOF. Empreendimentos semelhantes em outros estados serão inspecionados”, disse o coordenador-geral de Fiscalização do Ibama, Renê Oliveira.

O Ibama investiga os fornecedores e o local de extração da madeira nativa identificada durante as ações de fiscalização. Os resultados serão encaminhados ao Ministério Público do Estado para a apuração de responsabilidade na área criminal.


Do IBAMA, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/05/2018



Autor: EcoDebate
Fonte: IBAMA
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 09/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/09/ibama-apreende-14-mil-dormentes-de-madeira-nativa-da-amazonia-em-patio-da-estrada-de-ferro-carajas-no-ma/

quinta-feira, 19 de abril de 2018

MPF recomenda que Ibama indefira licença para exploração de petróleo na foz do Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) no Amapá expediu recomendação ontem (18) para que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indefira licença para exploração de petróleo na foz do rio Amazonas, solicitada pela empresa Total E&P do Brasil, por considerar o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) feito na região insuficiente.

Uma equipe de cientistas a bordo do navio Esperanza, da organização não governamental Greenpeace, documentou a existência de um banco de rodolitos – parte dos chamados Corais da Amazônia – na área da possível exploração de petróleo, a 120 quilômetros (km) da costa norte do Brasil. Segundo a ONG, a prova da existência de uma formação recifal na área invalida o EIA realizado anteriormente pela Total, que afirmava que a formação mais próxima de recifes estaria a oito quilômetros de distância de um dos blocos de exploração.


Em abril de 2016, pesquisadores encontraram enorme conjunto de recifes na foz do rio Amazonas, – Divulgação/Greenpeace

De acordo com nota divulgada pelo MPF, a liberação de atividades petrolíferas, sem estudo adequado, viola compromissos internacionais firmados pelo Brasil, a exemplo da Agenda 21 – programa de ações para o desenvolvimento sustentável resultante da ECO 92. Na recomendação, o MPF alerta ainda que liberar o empreendimento pode resultar na destruição em larga escala do meio ambiente, configurando ecocídio – crime contra a humanidade sujeito à jurisdição do Tribunal Penal Internacional.

Segundo o MPF, a única forma de garantir que se evite danos ambientais na área é negando o licenciamento ambiental, utilizando-se dos princípios da prevenção e da precaução, em que o poder público deve agir antecipadamente diante do risco.

“Desde 2016, o MPF apura a possível ocorrência de irregularidades no EIA apresentado pela empresa. No ano passado, na primeira recomendação ao Ibama sobre o assunto, o MPF orientou o órgão a rever o processo de licenciamento para reavaliar os impactos da atividade petrolífera na região. O Ibama, então, determinou à Total que fossem refeitos documentos anteriormente apresentados pela empresa e readequados os estudos necessários ao licenciamento”, informou o MPF no Amapá. O Ibama disse que o estudo apresentado pela empresa está em análise pela sua equipe técnica da Diretoria de Licenciamento Ambiental.

Na avaliação do MPF, no entanto, os esclarecimentos prestados pela empresa “não foram capazes de demonstrar a segurança necessária para a exploração de petróleo na área pretendida. A própria Total declarou que eventual vazamento poderia afetar o ambiente marinho, físico e biótico, de países vizinhos ao Brasil, o que, para o MPF, poderia causar problema diplomático”.

O MPF concedeu dez dias de prazo para o Ibama informar o acatamento ou não da recomendação e, caso não atenda, o órgão disse que serão adotadas medidas judiciais cabíveis.

A Agência Brasil solicitou posicionamento da Total, mas não teve resposta até a conclusão da reportagem.


Por Camila Boehm, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/04/2018

Autor: Camila Boehm
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 19/04/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/04/19/mpf-recomenda-que-ibama-indefira-licenca-para-exploracao-de-petroleo-na-foz-do-amazonas/

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Operação do Ibama apreende 7,7 mil litros de agrotóxicos ilegais no oeste da BA

Agente ambiental federal inspeciona embalagens de agrotóxicos em depósito durante a Operação Demeter



Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Operação de combate ao uso ilegal de agrotóxicos realizada pelo Ibama com apoio do Ministério Público Federal (MPF) resultou na apreensão de 7,7 mil litros e 1,8 tonelada de produtos com validade vencida em propriedades rurais no oeste da Bahia. A legislação prevê a devolução de produtos vencidos em até seis meses. Após esse prazo, manter agrotóxicos em depósito é crime ambiental sujeito a multa de R$ 500 a R$ 2 milhões, de acordo com o Decreto 6.514/2008.


Agentes ambientais embargaram ou suspenderam atividades em 22 aeródromos e dois postos de abastecimento que operavam sem licença ambiental válida ou em desacordo com as exigências estabelecidas no licenciamento.

Uma aeronave que operava sem pátio de descontaminação, obrigatório para a aplicação aeroagrícola de agrotóxicos, foi apreendida. Foram aplicados 22 autos de infração, que totalizam R$ 2 milhões.

O Ibama emitiu 12 notificações nas quais exige que as empresas vistoriadas comprovem a destinação ambientalmente adequada dos agrotóxicos mantidos em depósito.

“Esse resultado foi obtido na fase mais recente da Operação Deméter, que é realizada de forma permanente com o objetivo de fiscalizar o cumprimento das regras de segurança ambiental no uso de agrotóxicos”, disse o coordenador-geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Renê Oliveira.


O procurador da República em Dourados (MS) Marco Antonio Delfino de Almeida, que coordena o Grupo de Trabalho (GT) Agrotóxicos e Transgênicos do MPF (4CCR/PGR), defende normas mais rígidas, com limites de aplicação e a exigência de pátios de descontaminação inclusive para a pulverização terrestre. “É fundamental que o risco esteja associado a mudanças normativas que permitam o monitoramento de aeronaves agrícolas em tempo real. O risco à saúde humana e ao meio ambiente demanda fiscalização permanente das atividades que utilizam agrotóxicos”, afirmou o procurador.

A Operação Deméter, referência à deusa da agricultura e da colheita na mitologia grega, fiscaliza a aplicação de agrotóxicos por produtores rurais e empresas de aviação agrícola, além de combater o uso de produtos contrabandeados.



Do Ibama, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/04/2018

Autor: EcoDebate
Fonte: Ibama
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 17/04/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/04/18/operacao-do-ibama-apreende-77-mil-litros-de-agrotoxicos-ilegais-no-oeste-da-ba/

quinta-feira, 1 de março de 2018

Após vazamento, Ibama multa em R$ 20 milhões e embarga mineradora Hydro Alunorte, em Barcarena (PA)



Sistema de tratamento de rejeitos nas instalações da mineradora Hydro Alunorte, acusada de ser responsável por um vazamento em Barcarena. Foto: Igor Brandão/Agência Pará

ABr

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) embargou nesta quarta-feira (28) o depósito de rejeitos sólidos e a tubulação de drenagem de resíduos da área industrial da refinaria Hydro Alunorte, em Barcarena (PA). A empresa também foi multada em R$ 20 milhões. O empreendimento é licenciado pelo governo estadual do Pará.

Laudo do Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde, apresentado na semana passada, comprovou que um depósito de resíduos da mineradora transbordou no fim de semana anterior despejando uma quantidade incerta de rejeitos tóxicos no meio ambiente.

De acordo com o documento, o vazamento colocou em risco a saúde de moradores de pelo menos três comunidades da região: Bom Futuro, Vila Nova e Burajuba. As famílias atingidas pelo vazamento estão recebendo água potável desde sexta-feira (23), por determinação do governo do estado. O caso foi denunciado pelos próprios moradores, que notaram a alteração na cor da água de igarapés e de um rio.

De acordo com o Ibama, foram aplicados dois autos de infração (multas) no valor de R$ 10 milhões cada um contra a Hydro Alunorte. Um por realização de atividade potencialmente poluidora sem licença válida da autoridade ambiental competente e outra por operar tubulação de drenagem também sem licença. O depósito e a tubulação são justamente as estruturas que deram origem ao vazamento.

Equipes do Ibama realizaram vistoria no local ontem (27) e hoje, em conjunto com pesquisadores do Instituto Evandro Chagas. A medida foi determinada pelo próprio ministro do Meio Ambiente, na última segunda-feira (26).

A Hydro Alunorte é considerada a maior refinaria de alumina (matéria-prima para produção de alumínio) do mundo e opera em Barcarena desde 1995. Ela nega que tenha havido vazamento ou transbordamento de resíduos sólidos de sua produção.

Procurada pela Agência Brasil, a mineradora informou, em nota, que “está analisando a decisão do Ibama, as medidas necessárias para implementá-la e seus possíveis impactos na operação” e que “divulgará novas informações o mais breve possível”.

Por Pedro Rafael Villela, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/03/2018

Autor: Pedro Rafael Villela
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 01/03/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/03/01/apos-vazamento-ibama-multa-em-rdollar-20-milhoes-e-embarga-mineradora-hydro-alunorte-em-barcarena-pa/

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Ibama pode embargar atividades da mineradora Hydro Alunorte, por vazamento de resíduos em Barcarena (PA)


Secretaria de Meio Ambiente do Pará monitora níveis das bacias do sistema de tratamento de rejeitos nas instalações da mineradora Hydro Alunorte, acusada de ser responsável por um vazamento em Barcarena Igor Brandão/Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, determinou ontem (26) que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) adote providências legais e administrativas para interromper os danos ambientais causados pela mineradora norueguesa Hydro Alunorte, responsável pelo vazamento de rejeitos tóxicos no município de Barcarena (PA), na região metropolitana de Belém.

Laudo do Instituto Evandro Chagas, do Ministério da Saúde, apresentado na semana passada, comprovou que um depósito de resíduos da mineradora transbordou no fim de semana anterior despejando uma quantidade ainda incerta de efluentes tóxicos no meio ambiente. De acordo com o documento, o vazamento coloca em risco a saúde de moradores de pelo menos três comunidades da região: Bom Futuro, Vila Nova e Burajuba.

“Frente a essa comprovação, nós determinamos ao Ibama que tomasse todas as medidas legais possíveis, inclusive embargo [das atividades da empresa] e multas pesadas, para que fatos como esse não ocorram novamente”, declarou Sarney Filho em entrevista coletiva. O ministro destacou que o licenciamento ambiental para a operação da empresa foi concedido pelo governo do estado e não pelo governo federal.

Segundo Sarney Filho, por causa da contaminação por metais pesados, a população local está sem abastecimento de água potável. “A empresa vai ter que se explicar e responder pelos danos ambiental e social que está promovendo na região”, acrescentou o ministro, que afirmou ter “convicção pessoal” de que, pela gravidade do vazamento, o Ibama deverá embargar as atividades da empresa por prazo indeterminado. Sarney Filho disse que a autarquia ambiental federal deverá anunciar medidas nas próximas 48 horas.

As famílias atingidas pelo vazamento dos resíduos tóxicos em depósitos da mineradora começaram a receber água potável na noite de sexta-feira (23). A determinação havia sido dada pelo governo do estado.

A Hydro Alunorte é considerada a maior refinaria de alumina do mundo e opera em Barcarena desde 1995. Segundo a empresa, a maior parte de sua produção (86%) é destinada ao mercado internacional, abastecendo dez países.

Procurada pela Agência Brasil após as declarações do ministro do Meio Ambiente, a mineradora negou que tenha havido vazamento ou transbordamento de resíduos sólidos de sua produção e disse que está colaborando com as autoridades locais para distribuir água potável à população afetada por inundações na região.

Mudança na água de igarapés e rio

O vazamento dos rejeitos tóxicos foi denunciado por moradores da região, que notaram a alteração na cor da água de igarapés e de um rio. O Ministério Público do Estado do Pará instaurou dois inquéritos, um por meio da Promotoria de Justiça de Barcarena, que vai apurar o vazamento e seus impactos ao meio ambiente; e outro pela promotora Eliane Moreira, da 1ª Região Agrária, que vai apurar os possíveis impactos socioambientais do suposto vazamento, especialmente os que podem ter afetado comunidades rurais e ribeirinhas.

Sarney Filho informou também que o governo vai verificar a existência de outros empreendimentos da mineradora no país para fazer uma fiscalização “pente-fino”.

O ministro evitou comparar o vazamento em Barcarena com o desastre ocorrido em Mariana (MG), há dois anos, após o rompimento da barragem da mineradora Samarco, que resultou na morte de 19 pessoas, na destruição completa de um vilarejo e na contaminação ambiental de toda a bacia do Rio Doce, com mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos tóxicos despejados no meio ambiente. “Nesse vazamento do Pará não houve morte nem barragem rompida, mas não é por isso que deixa de ser grave, ainda mais sendo na Amazônia, que é um bioma sensível, que a gente tem que proteger.”



Por Pedro Rafael Vilela – Repórter da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/02/2018

Autor: Pedro Rafael Vilela
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 27/02/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/02/27/ibama-pode-embargar-atividades-da-mineradora-hydro-alunorte-por-vazamento-de-residuos-em-barcarena-pa/

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Pesquisa Científica foi tema de debate no III Seminário de Boas Práticas de Gestão de UCs

No III Seminário de Boas Práticas de Gestão nas Unidades de Conservação, são apresentadas e debatidas as 46 boas práticas de gestão previamente selecionadas para o evento, pelo sucesso e inovação em sua aplicação. Até o dia 29 de novembro, gestores, comunidades e voluntários discutem, em Brasília, de que forma essas iniciativas podem melhorar, ganhar escala e serem replicadas.

A Pesquisa Científica nas Unidades de Conservação foi um dos temas debatidos e sobre como as UCs podem se desenvolver e serem beneficiadas com a atividade.

Um dos exemplos apresentados foi o "Projeto MAArE – Monitoramento Ambiental da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo e Entorno". Originada por uma condicionante do ICMBio, no âmbito do processo de licenciamento ambiental do IBAMA relacionado às atividades da PETROBRAS nos campos petrolíferos de Baúna e Piracaba (Sul do Brasil), a prática foi uma parceria entre a equipe técnica da Rebio e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com o objetivo de levantar informações que pudessem subsidiar a construção de um programa de monitoramento ambiental sistemático e contínuo na reserva. Um dos pontos de grande importância para que o projeto tivesse sucesso, foi a sua elaboração em conjunto com todos os parceiros envolvidos. Os resultados de 48 meses de projeto, mais de 100 operações oceanográficas e 47 de mergulho, estão sendo usados para um melhor manejo da Rebio.

Contar com a parceria da comunidade também é outra forma de fortalecer a pesquisa científica no contexto da UC. Este é o caso da prática "Saúde silvestre e inclusão digital: a participação de comunidades no monitoramento e na aplicação de boas práticas para o controle e prevenção de zoonoses emergentes". Com o uso do aplicativo SISS-Geo, UCs como a Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns/PA, o Parque Estadual Serra do Conduru/BA e o Parque Nacional Serra dos Órgãos/RJ identificam riscos e a percepção das comunidades com relação aos potenciais de emergência de zoonoses. Com o aplicativo, a população pode fotografar qualquer espécie da fauna e anotar características que indiquem alteração na saúde da mesma. O objetivo é que elas alertem para o agravo de saúde na fauna, que pode impactar os humanos. O aplicativo foi desenvolvido em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e é um modelo que pode ser replicado em outras UCS.



De acordo com os participantes do Seminário, parcerias como estas trazem benefícios relevantes já que são capazes de aproximar o pesquisador do gestor da unidade, ampliar a participação social, envolvendo a comunidade, além de gerar produtos que fortaleçam a comunicação das ações e contribuam com a disseminação da prática em outras UCs.

Confira as Boas Práticas apresentadas no Seminário.



Autora: ipe
Fonte: ipe
Sítio Online da Publicação: ipe
Data de Publicação: 30/11/2017
Publicação Original: http://www.ipe.org.br/ultimas-noticias/1464-pesquisa-cientifica-foi-tema-de-debate-no-iii-seminario-de-boas-praticas-de-gestao-de-ucs