Mostrando postagens com marcador Cerrado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cerrado. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Cerrado perde água em 66% das regiões hidrográficas

7 das 10 áreas protegidas mais afetadas pela perda de água no Cerrado em 2022 estão no Tocantins-Araguaia, segundo MapBiomas Água

Reservatórios para geração de energia instalados no Cerrado brasileiro fecharam 2022 com a maior superfície de água dos últimos 10 anos: 16,2% acima da média histórica. Já dentro de áreas protegidas, a cobertura de água diminuiu em 66% das regiões hidrográficas do bioma, sendo que 7 das 10 mais afetadas estão no Tocantins-Araguaia.

Os dados são da nova coleção do MapBiomas Água, com destaques para o Cerrado publicados em parceria com o IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) nesta quinta-feira (16).

Na conta geral da cobertura de água no bioma, que considera a adição de 2021 e 2022 na série temporal de mapas desde 1985, a perda na maioria das áreas protegidas foi balanceada pela cheia nos reservatórios de hidrelétricas. O resultado é que, em 2022, o Cerrado teve a maior superfície de água dos últimos 38 anos: 11% acima da média histórica. A área total ocupada pela água chegou a 0,8% do bioma no último ano, ou 1,6 milhões de hectares.


“Na última década, as áreas de agricultura irrigada no Cerrado cresceram em torno de 85% e, apesar do pico mapeado em 2022, a superfície de água esteve abaixo da média histórica em todo esse período. O avanço da agropecuária sobre os remanescentes de vegetação nativa e a intensificação na demanda por recursos hídricos podem afetar negativamente a recarga dos aquíferos e da maior parte das regiões hidrográficas do Brasil”, diz Joaquim Pereira, pesquisador no IPAM.

Os três reservatórios que tiveram o maior ganho de superfície de água entre 1985 e 2022 estão na região hidrográfica do Tocantins-Araguaia. São eles: Usina Hidrelétrica Serra da Mesa (com mais 50,6 mil hectares de superfície de água); UHE Luís Eduardo Magalhães (mais 24,8 mil ha) e UHE Estreito (mais 18,9 mil ha). Outros dois reservatórios com ganho expressivo estão na região hidrográfica do Paraguai, a UHE Manso (mais 13,4 mil ha), e do São Francisco, a UHE Três Marias (mais 10,6 mil ha).

Das dez áreas protegidas mais afetadas pela perda de água nos últimos 38 anos, sete também estão no Tocantins-Araguaia: Parque Nacional do Araguaia (perdeu 36%, ou 3,6 mil hectares de sua superfície de água); Parque Estadual do Cantão (-24%, ou 3,1 mil ha); Parque Estadual do Araguaia (-22%, ou 2,3 mil ha); Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins (-81%, ou 1,2 mil ha); Refúgio da Vida Silvestre Corixão da Mata Azul (-36%, ou 900 ha); Reserva Extrativista Lago do Cedro (-29%, ou 300 ha); e Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (-87%, ou 200 ha).



Localização das áreas protegidas no Cerrado que mais perderam superfície de água entre 1985 e 2022. (Fonte: IPAM/MapBiomas Água)


“A perda de água em áreas protegidas afeta principalmente a vazão dos rios de importância local e ecossistemas como os campos úmidos e as veredas. É um tipo de desmatamento silencioso, pois, além de diminuir a disponibilidade hídrica, altera a estrutura da vegetação e torna essas áreas mais vulneráveis a incêndios destrutivos e à arenização”, explica Dhemerson Conciani, pesquisador no IPAM.

Especialistas avaliam que o maior volume de chuvas pode explicar os resultados. Em 2022, a precipitação no Cerrado ficou acima da média histórica em 5 das 9 regiões hidrográficas. As regiões hidrográficas Atlântico Nordeste Ocidental e Parnaíba tiveram os maiores aumentos, respectivamente, 17,8% e 11,9% acima das médias históricas anuais. Ambas estão localizadas entre os estados Maranhão, Piauí e Tocantins.

“Apesar do pontual aumento de chuvas e, consequentemente, da cobertura de água no Cerrado em 2022, não há previsão para estabilidade na segurança hídrica no bioma. Conservar os remanescentes de vegetação nativa no Cerrado é essencial para a manutenção dos recursos hídricos, ainda mais em um contexto de mudanças climáticas, no qual eventos extremos são mais frequentes e intensos, como as secas severas”, conclui Julia Shimbo, pesquisadora no IPAM e coordenadora científica na iniciativa MapBiomas.
[ Se você gostou desse artigo, deixe um comentário. Além disso, compartilhe esse post em suas redes sociais, assim você ajuda a socializar a informação socioambiental ]


in EcoDebate, ISSN 2446-9394





Autor: ecodebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 16/02/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/02/16/cerrado-perde-agua-em-66-das-regioes-hidrograficas/

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Temporada seca começa com recorde de queimadas e devastação em alta na Amazônia e no Cerrado


Temporada seca começa com recorde de queimadas e devastação em alta na Amazônia e no Cerrado
Na véspera do Dia do Meio Ambiente, dados oficiais mostram desmatamento em aceleração e o maior número de incêndios dos últimos 14 anos para o mês de maio

Por Sandra Miyashiro e Rita Silva

Em 2021, a temporada de seca mal começou e as notícias já são ruins: em maio, o número de focos de incêndios na Amazônia e no Cerrado já é o maior desde 2007, superando inclusive maio do ano passado, quando foi registrado o maior recorde de queimadas em uma década, chamando a atenção da imprensa internacional. Nos maiores biomas brasileiros, as queimadas começam a se intensificar ao longo do mês de junho e chegam ao auge em agosto e setembro.

Além disso, o desmatamento está em aceleração nos dois biomas: entre 1 e 28 de maio, foram devastados 1.180 km2 da floresta amazônica – o maior número para o período desde 2016 e um aumento de 83% em comparação aos 645 km2 desmatados em maio de 2020. No Cerrado, a aceleração é ainda maior. Entre 1 e 27 de maio, foram desmatados 870 km2, um aumento de 142% em comparação aos 360 km2 registrados no mesmo período em 2020.

“Os números mostram uma situação extremamente crítica. Em um ambiente de estímulo ao desmatamento pelo discurso retórico do governo federal e de enfraquecimento total da fiscalização ambiental, a seca deste ano se soma às altíssimas taxas de desmatamento formando um cenário muito propício para grandes queimadas, tanto na Amazônia quanto no Cerrado”, destaca Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil.

Na Amazônia, foram registrados 1.166 focos de fogo entre 1 e 31 de maio – número 44% maior que o registrado no mesmo período em 2020 (829). Já no Cerrado, foram detectados 2.649 focos de queimadas em maio, um total 87% maior que o registrado no mesmo mês em 2020 (1.481).

Em todo o Brasil, entre 1 de janeiro e 31 de maio de 2021, já foram registrados 15.492 focos de queimadas. No Pantanal, o número de queimadas ainda permanece baixo no início de junho, mas a preocupação é grande porque a seca deste ano no bioma é mais severa e generalizada que a de 2020, que influenciou diretamente o recorde histórico de incêndios no Pantanal naquele ano. No ano passado o fogo destruiu 30% do Pantanal, com mais de 22 mil focos de incêndio no bioma, número superior à soma dos três anos anteriores.

Seca e fogo – De acordo com especialistas, a seca extrema de 2021 também causa preocupação na Amazônia. No bioma, a estação chuvosa deste ano – que vai de novembro a abril – foi ainda mais seca que a de 2020, em partes do sul do bioma, especialmente na região conhecida como o “arco do desmatamento”. Algumas regiões do bioma receberam apenas 60% de sua média histórica de chuvas.

“Embora o uso do fogo seja uma prática comum a vários produtores e comunidades tradicionais, é importante lembrar que esse uso tradicional ocorre em áreas muito pequenas, necessárias à subsistência. No caso da floresta amazônica, que é um bioma úmido, as queimadas em grande escala são resultado de ação criminosa, associada ao desmatamento ilegal e grilagem de terras”, explica Voivodic.

De acordo com estimativas do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), até o final de 2021 o fogo poderá destruir mais de 5 mil quilômetros quadrados de florestas na Amazônia.

Em 2020, o Brasil teve o maior número de focos de queimadas em uma década, de acordo com o Inpe. No ano passado, o país registrou 222.797 focos, contra 197.632 em 2019, um aumento de 12,7%.

Os números de 2020 só não foram piores que os de 2010, quando o país registrou cerca de 319 mil focos. A pior situação foi a do Pantanal, onde foram registrados 22.116 focos de queimadas em 2020, pior marca da série histórica do Inpe, iniciada em 1998 e cerca de 120% a mais que em 2019.

Estudos de atribuição têm mostrado que além dos fenômenos climáticos como La Niña, já é possível detectar a assinatura da crise climática na seca de 2021. Estudo publicado em artigo no periódico científico PNAS mostra que a conversão da floresta amazônica em grandes plantações comerciais produz efeitos significativos sobre o clima local da Amazônia, criando áreas até 3C mais quentes e com menos chuva. As conclusões resultam do acompanhamento de áreas em Rondônia e Mato Grosso dos anos 1990 até meados dos anos 2010, e da comparação desses locais com regiões amazônicas que não sofreram desmate intenso. A aceleração da destruição da floresta nos últimos dois contribui para essa tendência.

Devastação dos grandes biomas brasileiros – O desmatamento também está crescendo rapidamente na Amazônia e no Cerrado em 2021. Entre 1 e 28 de maio, foram devastados 1.180 km2 da floresta amazônica – o maior número para o período desde 2016 e um aumento de 83% em comparação aos 645 km2 desmatados em maio de 2020. No Cerrado, a aceleração é ainda maior. Entre 1 e 27 de maio, foram desmatados 870 km2, um aumento de 142% em comparação aos 360 km2 registrados no mesmo período em 2020.

No acumulado do ano, os números também são os maiores desde 2016 na Amazônia. Entre 1 de janeiro até 28 de maio, foram desmatados 2.337 km2, um aumento de 26% em relação ao mesmo período em 2020 (1.849km2). No Cerrado, foram destruídos 2.065km2 entre 1 de janeiro e 27 de maio deste ano, contra 1.685km2 no mesmo período do ano passado – um aumento de 22%.

A aceleração da devastação também é evidente quando se considera o acumulado desde agosto – quando começa a contagem oficial da temporada de desmatamento. De agosto até o fim de maio, o desmatamento da Amazônia acumulado é apenas 5% menor que o detectado no período em 2020. A diferença era bem maior, mas vem caindo rapidamente com a explosão do desmatamento nos primeiros meses de seca. Considerando-se o acumulado desde o início de agosto, o Cerrado teve 3.868 km2 destruídos, um aumento de 30% em comparação ao mesmo período em 2020, quando foram desmatados 2.981km2.

Retrocesso e pacote de destruição – O aumento do desmatamento dos grandes biomas brasileiros tem relação direta com o desmonte ambiental promovido pelo governo Bolsonaro. Embora a tendência de alta no desmatamento da Amazônia venha desde 2016, foi nos últimos dois anos, quando o governo se colocou claramente ao lado dos criminosos que ocupam e desmatam ilegalmente, que a destruição da floresta atingiu números recordes.

A cada ano, o bioma fica mais perto do ponto de inflexão a partir do qual a floresta não se sustenta e se converte em um ambiente altamente degradado. Cientistas calculam que o ponto de virada poderá acontecer entre 20% e 25% de desmatamento e já estamos perto dos 20%. Além de perdas de biodiversidade incalculáveis, o modo de vida dos povos da floresta estaria condenado ao desaparecimento. Como a Amazônia tem importância comprovada sobre o regime de chuvas do continente, seu desaparecimento condenaria também todo o grande agronegócio que se estende pelas regiões centro-oeste, sudeste e sul do país.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/06/2021





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 04/06/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/06/04/temporada-seca-comeca-com-recorde-de-queimadas-e-devastacao-em-alta-na-amazonia-e-no-cerrado/

terça-feira, 1 de junho de 2021

Maio registra maior número de queimadas na Amazônia e Cerrado desde 2007

Maio registra maior número de queimadas na Amazônia e Cerrado desde 2007
Amazônia e Cerrado – Os 3.815 focos de calor nos dois biomas representam um aumento de 65% em relação ao ano passado e é o pior índice dos últimos 14 anos.

Por Macarena Mairata, Greenpeace Brasil

Dados divulgados na noite desta segunda-feira (31/05), pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe), apontam que o mês de maio teve o pior índice de focos de calor na Amazônia e Cerrado desde 2007. Os satélites mostram que na Amazônia foram 1.186 focos de calor, um aumento de 40,6% em relação ao ano passado. No Cerrado, foram 2.649 focos, uma alta de 78,8% em relação ao mesmo período de 2020.

“Infelizmente esses recordes no mês de maio não podem ser considerados uma surpresa, tendo em vista a continuidade da política antiambiental do governo Bolsonaro, onde pela primeira vez na história, um ministro do Meio Ambiente é investigado por possíveis crimes contra o meio ambiente”, comenta Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil.

Para os próximos meses, o cenário previsto dificilmente será diferente do que aconteceu nos últimos dois anos. Com números altos de queimadas e desmatamento, o cenário pode ser agravado com o fim do inverno amazônico – diminuição ainda mais das chuvas em regiões da Amazônia -, e previsão do fenômeno La Ninã mais forte no segundo semestre.


Fonte: Imagem de satellite planet, compilada por Greenpeace Brasil

A tendência desse contexto é catastrófica, não somente pela perda da biodiversidade nesses biomas, mas também para as populações que vivem na Amazônia. Nesse período, as populações locais são afetadas pela redução das chuvas e pela alta incidência de doenças respiratórias, que resultam da queda na umidade relativa do ar, das fuligens e fumaças provenientes das queimadas, tudo isso enquanto ainda lutamos contra a pandemia de Covid-19.

“O mês de maio deveria nos levar a uma profunda reflexão sobre o futuro que queremos. Além do recorde de fogo na Amazônia e Cerrado, somente neste mês, o Rio Negro bate recorde de inundação em Manaus, enquanto o centro oeste e sudeste sofrem com déficit de chuvas, que deixam os reservatórios com metade da média histórica de volume d’agua para o período, ameaçando até o fornecimento de energia. Tudo isso está evidenciando, cada vez mais, a crise climática, a violência contra os povos indígenas e suas lideranças numa escalada inadmissível, até mesmo com ataques a tiros e casas queimadas em diferentes territórios. Enquanto isso, em Brasília, o Congresso se apressa para tentar passar a boiada, com PLS como o Projeto de Lei 191/2020 e o Projeto de Lei 490/2007, que irão aumentar ainda mais o desmatamento e a violência contra os povos indígenas”, complementa Rômulo.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/06/2021




Autor: Macarena Mairata, Greenpeace Brasil
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 01/06/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/06/01/estudo-inedito-detecta-agrotoxicos-em-alimentos-ultraprocessados/

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Cerrado é o bioma brasileiro com maior taxa de desmatamento, diz estudo

Cerrado – Região possui apenas 7,7% de seu território integrado às áreas públicas de proteção integral, enquanto 45% da superfície original é ocupada por pastagens e cultivos agrícolas






Conhecido como a “savana brasileira”, o Cerrado é o bioma que vem sendo mais impactado pelo desmatamento no País. Cerca de 10 mil km² são devastados na região por ano, o que corresponde a 1 milhão de campos de futebol – área equivalente a quase duas cidades de Brasília. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), o Cerrado está sendo desmatado cinco vezes mais rápido que a Amazônia, bioma com o dobro de extensão. Entre os fatores que favorecem essa exploração está a vegetação de pequeno e médio portes do Cerrado, que pode ser retirada com maior facilidade.

A derrubada de vegetação nativa, a expansão rural e a baixa quantidade de áreas protegidas faz com que o Cerrado seja uma das principais fontes de emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE) no Brasil: 7 bilhões de toneladas de gases nos últimos 30 anos. Atualmente, 45% da área original é ocupada por pastagens e cultivos agrícolas, enquanto apenas 7,7% do território possui áreas públicas com proteção integral para conservar habitats naturais. Dados do Ibama indicam que 900 multas por desmatamento na região foram aplicadas em 2018.

Na análise do gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, André Ferretti, as estratégias de conservação no bioma devem ser revistas para garantir menor impacto. “A exploração desordenada do Cerrado prejudica a regulação climática, a preservação da biodiversidade e o equilíbrio hidrológico, já que a região é berço das nascentes das principais bacias hidrográficas do País. É preciso conservar áreas naturais existentes, ecossistemas frágeis e espécies ameaçadas; fazer a restauração de regiões excessivamente degradadas e investir na criação de unidades de conversação, que atualmente são escassas neste território. Produção e conservação precisam ser aliadas para garantir que a biodiversidade seja preservada e serviços ecossistêmicos, como polinização e o fornecimento de água, sejam mantidos”, destaca o também coordenador do Observatório do Clima e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.

O impacto do Cerrado foi uma das pautas discutidas durante as reuniões da 24ª Conferência das Partes (COP 24) das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada em dezembro de 2018, na Polônia. Participante do evento, Ferretti explica que a redução das emissões dos GEE é uma urgência que deve ser priorizada pelas esferas pública e privada. “É preciso amenizar as emissões provenientes da agropecuária e capturar carbono da atmosfera para mitigar as mudanças climáticas. No caso do Cerrado, governos, instituições privadas e a sociedade civil devem agir em conjunto para satisfazer todos os interesses. Desse modo, é importante desenvolver políticas públicas de conservação do Cerrado, reforçar os programas de monitoramento de desmatamento e promover incentivos para a agropecuária sustentável e de baixo carbono, visando um manejo equilibrado”, ressalta.

De acordo com o relatório produzido sobre o Cerrado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, há ainda cerca de 25 mil km² de áreas públicas sem categoria fundiária definida, que podem ser alvo de desmatamento irregular e grilagem de terras. Essa invasão pode ocorrer rapidamente, considerando a velocidade do desmatamento no Cerrado.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/01/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 30/01/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/01/30/cerrado-e-o-bioma-brasileiro-com-maior-taxa-de-desmatamento-diz-estudo/

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Projeto sobre água e erosão no Cerrado vence o “Green Talents”


Projeto utiliza modelagem computacional para avaliar o Cerrado brasileiro – Imagem: Reprodução

.
Jamil Alexandre Ayach Anache, pesquisador do Laboratório de Hidráulica Computacional (LHC), da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, foi um dos 25 selecionados na 10ª competição Green Talents, promovida pelo Ministério Federal da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF). Participaram da competição 736 candidatos de mais de 100 países, de acordo com a Assessoria de Comunicação do Green Talents.

O projeto de Anache utiliza modelagem computacional para avaliar e estabelecer valores de referência do ciclo da água e da erosão do solo no Cerrado brasileiro (mata nativa, cana-de-açúcar, pastagem e solo exposto). O objetivo é identificar os serviços ambientais hidrológicos promovidos pelo Cerrado nativo e verificar como as variações no clima poderão afetar a disponibilidade hídrica e a conservação do solo nessas áreas.

Os projetos concorrentes foram avaliados por um júri formado por especialistas alemães. Os 25 selecionados participarão do Green Talents – International Forum for High Potentials in Sustainable Development, que se traduz em duas semanas de interação com especialistas de renomadas instituições e empresas de pesquisa, incluindo a Dresden University of Technology, Max Planck Institute for Biogeochemistry, Heinz-Glas GmbH & Co. KGaA, Energieavantgarde Anhalt, Helmholtz Centre for Environmental Research e Institute for Social-Ecological Research, em Frankfurt/Main. Ganham também acesso exclusivo à Rede Green Talents, composta de alunos de diversos países que atuam no segmento de desenvolvimento sustentável.

Os 25 ganhadores serão homenageados em cerimônia de premiação no dia 22 de outubro no BMBF, em Berlim. O evento será aberto pela ministra Anja Karliczek e contará com a presença de representantes das instituições participantes, membros do júri e da embaixada e outros convidados ilustres.

Da Agência Fapesp



Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 19/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-exatas-e-da-terra/projeto-sobre-agua-e-erosao-no-cerrado-vence-o-green-talents/

quinta-feira, 28 de junho de 2018

INPE divulga dados sobre o desmatamento do bioma Cerrado

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apresenta resultados do PRODES Cerrado, que mapeia o desmatamento em toda a extensão deste bioma. Este projeto construiu uma séria histórica bienal para o período de período 2000 a 2012 e anual para os anos de 2013 a 2017.

O PRODES Cerrado recebeu investimentos do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Programa de Investimento Florestal (FIP), administrado pelo Banco Mundial, além das agências alemãs Kreditanstalt für Wiederaufbau (KfW), Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) administrado pela Caixa Econômica Federal. Além destas instituições, o projeto também se beneficiou de recursos do governo britânico através de sua agência Department of Environment, Food and Rural Affairs (DEFRA).

Em particular, os dados produzidos do PRODES Cerrado nos anos de 2016 e 2017 são resultados do projeto “Desenvolvimento de Sistemas de Prevenção de Incêndios Florestais e Monitoramento da Cobertura Vegetal do Cerrado Brasileiro”, financiado pelo Programa de Investimento Florestal (FIP), administrado pelo Banco Mundial. O projeto é coordenado pelo MCTIC e o INPE é responsável pelas atividades de monitoramento da cobertura vegetal do Cerrado. Estão previstos também no projeto os mapeamentos anuais para os anos de 2018 e 2019.

O bioma Cerrado, definido pelo Mapa dos Biomas Brasileiros do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2004, possui 2.036.448 km2 de extensão. Esse bioma corresponde a 24% do território brasileiro e abrange os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia Paraná e São Paulo. Somados aos dados já produzidos pelo INPE para a Amazônia, este novo monitoramento da cobertura do Cerrado, usando imagens de satélites de observação da Terra, garantirá uma base de informações sobre o desmatamento em áreas de vegetação natural de 73% do território brasileiro.

O PRODES Cerrado considera como desmatamento a remoção completa da cobertura vegetal natural do bioma, independentemente da utilização subsequente destas áreas. São cartografadas e quantificadas as áreas desmatadas maiores que um hectare, usando 118 imagens satélites da classe Landsat (resolução espacial de 30 metros) a cada ano do período analisado.

A tabela abaixo mostra a extensão da área desmatada no Bioma Cerrado, por ano, desde 2001 a 2017, ou seja, inclui toda a série histórica desse dado gerado pelo INPE. Os resultados do biênio 2016-2017 mostram uma redução de 38% na extensão da área desmatada em relação ao desmatamento medido no biênio 2014-2015. Na coluna “Polígonos > 6,25 ha” é mostrada a extensão da área desmatada por ano, considerando somente os polígonos de áreas maiores que 6,25 hectares, para manter uma consistência com a série histórica produzida pelo PRODES Amazônia que considera essa área mínima de mapeamento. Para os biênios 2001-2002, 2003-2004, 2005-2006, 2007-2008, 2009-2010 e 2011-2012, foi feito um mapeamento, e atribuiu-se a cada um dos anos a metade do incremento do respectivo biênio. Para o período compreendido entre 2013 e 2017 o mapeamento foi anual. A extensão do desmatamento para o ano de 2013 inclui resíduos de anos anteriores que somam 1928 km2 (menos de 1%). Posteriormente esses polígonos residuais serão reanalisados e atribuídos ao ano em que foram desmatados. A Tabela 2 mostra a extensão de área desmatada por ano e por estado.

Extensão da área desmatada no Bioma Cerrado de 2001 a 2017

Ano
Área (km2)
Todos polígonosPolígonos 6,25 ha
2001
2949527663
2002
2949527663
2003
2899226489
2004
2899226489
2005
1764415837
2006
1764415837
2007
1488513272
2008
1488513272
2009
100558765
2010
100558765
2011
94918710
2012
94918710
2013
1425011778
2014
107619003
2015
1188110064
2016
67775960
2017
74086397



A figura abaixo mostra uma comparação gráfica entre a extensão da área desmatada ao longo desse período, considerando a área calculada a partir de todos polígonos e a calculada considerando apenas os polígonos de área maior que 6,25 hectares.

Comparativo gráfico do desmatamento no Bioma Cerrado por ano

Incremento anual da área desmatada por estados (em km2)

BA
DF
GO
MA
MG
MS
ANO1ha6,25ha1ha6,25ha1ha6,25ha1ha6,25ha1ha6,25ha1ha6,25ha
200122882155121066126176230220286466603328272719
200222882155121066126176230220286466603328272719
200327132541827462175482240620714777425723672193
200427132541827462175482240620714777425723672193
200518061654272124652140231520572807243715931373
200618061654272124652140231520572807243715931373
200720191822108149812403813346721591837790679
200820191822108149812403813346721591837790679
2009121110881211145112111756146413581153517456
2010121110881211145112111756146413581153517456
201115191460649578361427123414651304392354
201215191460649578361427123414651304392354
2013164913732417192314491648136222321640610447
20141071962201311859141840140419661504281227
201513431206531240935175014271240895632526
2016781714326475471209961329260337284
20177767226483869714541116513378286254
MT
PI
PR
RO
SP
TO
ANO1ha6,25ha1ha6,25ha1ha6,25ha1ha6,25ha1ha6,25ha1ha6,25ha
2001534651914834212924383818413829092729
2002534651914834212924383818413829092729
200359755756112310531612434321316130592845
200459755756112310531612434321316130592845
20052769262197791928160021913826382460
20062769262197791928160021913826382460
2007213519846405833200564017621609
2008213519846405833200564017621609
20091002916832784211800793818171626
20101002916832784211800793818171626
201110289639389062111241517341633
201210289639389062111241517341633
201318911694120211206311864229782631
20141007938108710018700522622432008
2015174515548057427500281130862760
20161176110270466132103215841424
20171252118559154322004116861496

Além das tabelas que consolidam os valores de área desmatada, o INPE também disponibiliza os dados espacializados na página www.dpi.inpe.br/fipcerrado. Esse portal também apresenta um ambiente de consultas prontas sobre esses dados para internet. O portal permite ainda a descarga dos mapas e dos dados tabulares.

Em paralelo, o INPE trabalha no desenvolvimento e operacionalização de um sistema de produção de alertas diários de alteração na vegetação natural chamado de DETER Cerrado. Os alertas devem orientar a fiscalização e o controle do desmatamento nesse bioma. O DETER Cerrado usará imagens do sensor WFI a bordo do satélite sino-brasileiro CBERS-4 e fornecerá alertas de desmatamentos maiores que três hectares. Este sistema entrará em operação no início do segundo semestre de 2018.

Mais informações: www.dpi.inpe.br/fipcerrado

Do INPE, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/06/2018




Autor: INPE
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 28/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/28/inpe-divulga-dados-sobre-o-desmatamento-do-bioma-cerrado/