Mostrando postagens com marcador mulheres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mulheres. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 25 de março de 2019

Quando mais mulheres são formuladoras de políticas e tomadoras de decisão, o ambiente ganha

Quando mais mulheres estão envolvidas nas decisões do grupo sobre o manejo da terra, o grupo conserva mais – particularmente quando lhes são oferecidos incentivos financeiros, de acordo com um novo estudo da University of Colorado Boulder, publicado esta semana na revista Nature Climate Change .

Por Lisa Marshall*


Mulheres agricultoras na Tanzânia


O estudo, que envolveu 440 usuários florestais de três países em desenvolvimento , lança nova luz sobre o papel que as cotas de gênero dos órgãos governamentais locais poderiam desempenhar na redução do desmatamento global e das emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo que reduz as desigualdades locais.

“Quando os formuladores de políticas pensam sobre o que fazer para aumentar a conservação em todo o mundo, as cotas de gênero nem mesmo surgem como um instrumento de política viável”, disse o autor sênior Krister Andersson, professor de ciência política e pesquisador do Instituto de Ciências Comportamentais. Este estudo sugere que eles deveriam.

Pesquisas anteriores mostraram que as mulheres tendem a ter uma maior afinidade com o meio ambiente, apóiam mais as medidas de conservação e estão mais preocupadas do que os homens com problemas de desigualdade. Mas como as mulheres muitas vezes estão em desvantagem financeira ou estão sub-representadas nos órgãos de tomada de decisão, elas podem não ter a oportunidade de colocar essas preferências em prática.

“Queríamos saber o que aconteceria se você oferecesse incentivos financeiros para que os grupos conservassem e garantisse que pelo menos metade dos membros fossem mulheres”, disse Andersson.

O jogo da conservação

Os membros da equipe de pesquisa viajaram para 31 aldeias perto de florestas gerenciadas coletivamente na Indonésia, Peru e Tanzânia. Eles organizaram um jogo de simulação de mesa de um dia inteiro no qual os usuários da floresta local foram divididos em grupos de oito e solicitados a tomar decisões sobre quantas árvores eles colheriam de uma floresta compartilhada.

Metade dos grupos tinha cotas de gênero que exigiam que 50% dos membros fossem mulheres. Metade não tinha cotas.

Na primeira etapa do jogo, todos os participantes anonimamente escolheram quantas árvores cortariam, sabendo que receberiam um pequeno pagamento (5 fichas) por cada árvore. Na segunda etapa, os participantes foram informados de que uma organização externa pagaria 160 fichas como um grupo se não cortassem nenhuma árvore e o líder eleito decidisse como distribuir essas fichas.

“Descobrimos que os grupos com a cota de gênero reduziram sua taxa de colheita muito mais quando o incentivo foi introduzido e também distribuíram os pagamentos por conservar mais igualmente”, disse o principal autor Nathan Cook, pesquisador de pós-doutorado no Instituto de Ciências Comportamentais.

Notavelmente, não houve diferença entre os grupos quando não houve incentivo financeiro. Mas uma vez que o dinheiro foi oferecido, os grupos com uma cota reduziram sua colheita em 51%, enquanto o grupo controle cortou sua colheita em 39%.

“Parece que não é a cota de gênero por si só que está fazendo a diferença, mas sim a combinação com o incentivo de conservação”, disse Andersson. “Talvez as mulheres tenham preferências ambientais mais fortes, mas ter um assento à mesa e um pagamento por renunciar aos benefícios imediatos de derrubar árvores capacita-as a agir”.

O aumento das cotas

O estudo vem como Pagamentos por Serviços Ecossistêmicos (PES) – em que indivíduos ou grupos são pagos para não extrair recursos – estão se tornando cada vez mais comuns . Mais de 550 desses programas existem no Equador, na Costa Rica, no Brasil e em outros lugares para conservar a terra, a água e as florestas.

Grande parte da floresta ameaçada pertence coletivamente e é administrada por pequenos grupos comunitários. Mas as mulheres são frequentemente excluídas desses grupos.

Os governos estão experimentando cada vez mais cotas de gênero, com legislaturas ou governos locais na Índia, Argentina e Ruanda, destinando 30 por cento dos assentos para mulheres. No Nepal, o governo estipula que pelo menos metade dos membros do comitê local de usuários florestais deve ser mulher.

Curiosamente, no novo estudo, não fazia muita diferença se o líder escolhido era um homem ou uma mulher. Se a maioria dos membros fosse do sexo feminino, menos árvores seriam cortadas.

“O grande diferencial aqui é que, quando se trata de conservação ambiental, a presença de mulheres é importante”, disse Cook.


Referência:

Gender quotas increase the equality and effectiveness of climate policy interventions
Nathan J. Cook, Tara Grillos & Krister P. Andersson
Nature Climate Changevolume 9, pages330–334 (2019)
DOI https://doi.org/10.1038/s41558-019-0438-4



*Por Lisa Marshall, com tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/03/2019




Autor: Lisa Marshall
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 25/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/25/quando-mais-mulheres-sao-formuladoras-de-politicas-e-tomadoras-de-decisao-o-ambiente-ganha/

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

USP Lecture homenageia mulheres na ciência


Laboratório de Análises Clínicas do ICB-5, cidade de Monte Negro – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

.
Acontece, no dia 3 de dezembro, o próximo evento da série USP Lecture, com o tema Mulheres na Ciência: Grandes destaques 2018. O objetivo é homenagear as mulheres cientistas e suas contribuições para a sociedade. O evento, promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da USP, acontecerá na Sala do Conselho Universitário, Rua da Reitoria, 374, às 14 horas.

As palestrantes serão Susana Inés C. de Torresi, professora do Instituto de Química (IQ) da USP, ganhadora do 1º Prêmio para Mulheres Brasileiras em Química e Ciências Relacionadas; Sabrina Francesca S. Lisboa, biomédica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, ganhadora do Prêmio L’óreal para Mulheres na Ciência 2018; e Elaine Del-Bel, professora de Fisiologia da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, ganhadora do Bernice Grafstein Award for Outstanding Accomplishments in Mentoring. A entrada é gratuita, não requer inscrição prévia e será oferecido certificado aos presentes.




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 30/11/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/usp-lecture-homenageia-mulheres-na-ciencia/

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Entenda como o ciclo menstrual afeta positivamente o cérebro das mulheres


Direito de imagem
GETTY IMAGES
Image caption

Algumas mulheres se sentem mais ansiosas no entorno do período menstrual - mas outros efeitos do ciclos são mais positivos

No começo, havia a "histeria". Dos médicos mágicos do Egito Antigo aos filósofos barbudos da Grécia Clássica, homens refletiram por milênios sobre essa condição. Os sinais reveladores eram extremamente amplos, incluindo ansiedade e fantasias eróticas, mas uma coisa era clara: só acontecia com as mulheres.

Platão acreditava que a histeria era causada pelo ventre de luto, que ficava triste quando não estava carregando um bebê. Seus contemporâneos disseram que isso surgia quando o órgão perambulava e, assim, acabava ficando preso em diferentes partes do corpo. Esta última crença persistiu até o século 19, quando o transtorno foi notoriamente tratado ao levar as mulheres ao orgasmo com os primeiros vibradores.

Até hoje, a noção de que a biologia feminina pode confundir seu cérebro é uma marca da cultura popular. Se a mulher está mal-humorada, perguntam-lhe se está na TPM; se está excitada sexualmente, dizem-lhe que deve estar ovulando.

Isso até tem fundamento - algumas mulheres realmente se sentem mais ansiosas e irritáveis durante o período menstrual, e é verdade que ficamos mais motivadas ao sexo quando o óvulo é liberado. (Mas claro, isso não quer dizer que os sintomas possam sempre, ou normalmente, ser explicados dessa maneira; é importante lembrar que a tendência de atribuir queixas de mulheres a condições como "histeria" pode ter consequências perigosas).
Impacto positivo

Mas o que não é muito conhecido é que o ciclo menstrual pode afetar o cérebro da mulher também de maneiras positivas.


Certas habilidades, como a noção espacial, melhoram logo depois da menstruação. Três semanas depois, elas estão significativamente melhores na comunicação - e, estranhamente, com mais capacidade de dizer aos outros que sentem medo. Por fim, durante parte do ciclo menstrual, o cérebro delas está inclusive maior. O que está acontecendo?

Em vez de úteros desgarrados, a principal fonte dessas mudanças são os ovários, que liberam estrogênio e progesterona em diferentes quantidades ao longo do mês. Os hormônios têm principalmente a função de engrossar a parede do útero e decidir quando liberar o óvulo. Eles também têm efeitos profundos no cérebro e no comportamento da mulher.


Direito de imagem
GETTY IMAGES
Image caption
Há variação hormonal sazonal no homem e mensal na mulher

Cientistas têm estudado o ciclo menstrual desde 1930. É um tema de pesquisa surpreendentemente popular. E agora sabemos que ele provoca vários efeitos peculiares, desde influenciar a capacidade de uma mulher de deixar de fumar até os tipos de sonhos que ela tem a cada noite.

Mas essa montanha de conhecimento não nasceu de um fascínio pela biologia feminina. Em vez disso, foi estimulado por um desejo de entender as formas nas quais homens e mulheres são diferentes - e os porquês.

Um exemplo dessa diferença está no cérebro. As diferenças físicas entre os sexos se estendem até esses órgãos enrugados, e cientistas suspeitaram por anos que isso ocorre por conta dos hormônios. "Nós basicamente saltamos sobre essas flutuações naturais de hormônios sexuais", diz Markus Hausmann, neurocientista da Universidade de Durham, no Reino Unido. "Essas variações podem surgir do ciclo menstrual nas mulheres, ou das flutuações sazonais nos níveis de testosterona nos homens. É uma experiência natural completa."
Habilidades sociais

Uma forma na qual mulheres diferem é que elas têm habilidades sociais mais desenvolvidas. Têm mais empatia e teoria da mente - a compreensão de que outros humanos devem ter perspectivas diferentes da nossa. Elas têm melhores habilidades de comunicação. Acredita-se que isso é parte da razão pela qual meninos têm quatro vezes mais chances de serem diagnosticados com autismo; as meninas são melhores em distinguir seus sintomas.

"As mulheres falam antes que os homens, elas são mais fluentes verbalmente, são até melhores em ortografia que homens", diz Pauline Maki, psicóloga da Universidade de Illinois, em Chicago.


Direito de imagem
GETTY IMAGES
Image caption

A mulher tem melhores habilidades verbais que homens, talvez um resultado evolutivo por precisar transmitir informações para seus filhos

Acredita-se que essa vantagem social evoluiu porque, há milhares de anos, mães articuladas eram melhores em transmitir informações vitais às crianças - tais como não comer certas plantas venenosas.

Mas há hormônios envolvidos? E se sim, quanto?
Equilíbrio hormonal

Em 2012, junto a colegas do Centro de Pesquisa de Gerontologia de Baltimore, Maki começou a investigar como a flutuação dos níveis de estrogênio afeta as habilidades das mulheres ao longo do ciclo menstrual. Cada participante foi avaliada duas vezes: uma logo após a menstruação, quando os níveis de estrogênio e progesterona estavam baixos, e outra uma semana após a ovulação, quando esses níveis estavam altos.

Era um estudo pequeno, envolvendo 16 mulheres que tiveram que completar uma séries de testes mentais. Mas os achados são impressionantes.

Durante os dias em que as participantes tinham mais hormônios femininos no organismo, elas ficavam piores em itens nos quais homens costumam ser bons (como senso espacial) e muito melhores em características que tendem ser mais pronunciadas em mulheres (como a habilidade de usar novas palavras). Quando os níveis de hormônios estavam baixos, o senso espacial era recuperado.


Direito de imagem
GETTY IMAGES
Image caption

Após a menstruação, mulheres melhoravam a noção de espaço - característica que homens tendem a performar melhor

Uma habilidade que melhorou quando a concentração de hormônios femininos era maior foi a "memória implícita", que Maki descreve como uma memória inconsciente e sem esforço. Ela dá um exemplo usando palavras com grafias e pronúncias similares em inglês: fare (tarifa) e fair (justo). Maki questiona: "se eu perguntasse qual foi sua última tarifa (fare) no Uber, foi menor ou maior que a tarifa do Lyft?" e depois perguntasse "como se soletra tarifa (fare)"? As pessoas provavelmente soletrariam tarifa (fare) em vez de justo (fair) porque em algum lugar no cérebro essa palavra foi codificada.

Essas memórias implícitas são importantes para o desenvolvimento das habilidades de comunicação. Elas são a razão por que usamos palavras desconhecidas ou expressões como "ele é tão obstinado", depois de ouvir alguém usá-las ou lê-las em algum artigo.


Direito de imagem
GETTY IMAGES
Image captionQuando as participantes tinham mais hormônios femininos, elas eram melhores em criar novas palavras

Como resultado, Maki pensa que essas mudanças mensais foram estimuladas principalmente pelo estrogênio.

O hormônio afeta duas regiões vizinhas do cérebro. A primeira é o hipocampo, responsável por guardar as memórias. Evidências vêm mostrando que essa região é vital para as habilidades sociais, já que lembrar suas próprias experiências pode ajudar a entender as motivações dos outros. A região fica maior a cada mês quando mais hormônios femininos estão fluindo.

A segunda é a amígdala, que ajuda a processar emoções, especialmente o medo e a decisão de "lutar ou correr". O que intriga é que a amígdala também é crucial para evitar deslizes sociais, porque entender por que a pessoa tem medo - e decidir se deveríamos tê-lo também - requer que olhemos o mundo a partir de sua perspectiva. Quando se tem essa habilidade, é possível usá-la em sua vantagem de outras formas, como fazendo julgamentos morais e contando mentiras.


Direito de imagem
GETTY IMAGES
Image caption

Independente do motivo de sua ocorrência, a transformação mensal do cérebro das mulheres poderia ser uma vantagem

A habilidade das mulheres de reconhecer medo aumenta juntamente aos níveis de estrogênio. Se o hormônio é responsável por essa percepção, ele também pode ajudar a explicar por que as mulheres tendem a ter melhores habilidades sociais em geral. A hipótese se apoia no fato de que mulheres com baixa produção de estrogênio não são boas em reconhecer o medo e tendem a ter poucas habilidades sociais.

Maki acha que a maior parte dos efeitos dos ciclos menstruais têm sobre nossas mentes são um simples acidente. Por anos, pesquisadores pensaram que mudanças mensais têm uma vantagem evolutiva, como as descobertas amplamente divulgadas de que mulheres preferem homens mais simétricos e masculinos quando estão em seu período mais fértil. Mas isso não é exatamente verdade - vários estudos de larga escala não conseguiram comprovar essa relação.
Poder do cérebro

Mas independente do motivo de sua ocorrência, a transformação mensal do cérebro das mulheres poderia ser uma vantagem.

A razão está em outra grande diferença entre cérebros masculino e feminino. O último tende a ser menos "lateralizado" - em vez de usar um lado do cérebro para completar uma tarefa, como resolver um problema de matemática, mulheres são mais propensas a usar ambos.

Essas divisões de direita-esquerda são relativamente estáveis. "Mais pessoas mostram um efeito lateralizado quando se trata das mãos", diz Hausmann. "Então, por exemplo, eu sou destro. Isso nos diz sobre onde a linguagem está localizada em meu cérebro. Mais destros têm a linguagem localizada no lado esquerdo do cérebro do que os canhotos". Essa especialização parece ser útil, já que a maioria das espécies - de peixes pulmonados (como uma enguia) a lagartos - têm cérebros desenvolvidos dessa forma.


Direito de imagem
GETTY IMAGES
Image caption

Mulheres são mais propensas a usar ambos os lados do cérebro, o que estimula a flexibilidade de pensamento

A razão pela qual os cérebros das mulheres são assim é um grande mistério. Mas isso também oscila. Em 2002, Hausmann descobriu que - assim como outros traços "femininos" - a tendência da mulher de usar ambos os lados do cérebro se torna mais evidente quando os níveis de estrogênio e progesterona aumentam a cada mês. Uma vantagem possível é que esses turnos permitem mais flexibilidade de pensamento.

"Quando pessoas têm um padrão diferente em seus cérebros ao longo do mês, com eles se tornando mais ou menos lateralizados, isso pode levar a diferentes estratégias de como resolver um problema específico", diz Hausmann. "Então as pessoas que dependem mais do lado esquerdo podem solucionar problemas de uma maneira mais lógica, e as pessoas que usam mais o hemisfério direito devem se apoiar mais em processos holísticos quando tentam resolver uma tarefa".

A próxima vez que alguém perguntar se você está na TPM, você pode dizer que sim - mas isso não é necessariamente uma coisa ruim.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 13/10/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-45766720

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Mulheres dedicam o dobro de horas que os homens, em cuidar de pessoas e afazeres domésticos

Em 2017, as mulheres continuaram a trabalhar 20,9 horas por semana em afazeres domésticos e no cuidado de pessoas, quase o dobro das 10,8 horas dedicadas pelos homens. Entre os 88,2 milhões de mulheres de 14 anos ou mais, 92,6% delas fizeram essas duas atividades no ano passado, uma leve alta frente aos 90,6% de 2016. Já a proporção de homens aumentou de 74,1%, em 2016, para 78,7% dos 80,5 milhões de pessoas do sexo masculino nessa faixa de idade.

As informações são do módulo Outras formas de trabalho, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2017 (PNAD Contínua), divulgado hoje pelo IBGE, que também levantou dados sobre produção para próprio consumo e trabalho voluntário. A analista de Trabalho e Rendimento, Alessandra Brito, avalia que esses resultados demostram que “é uma questão que ainda vai demorar um pouco para ser equilibrada. É uma mudança estrutural, que leva mais tempo, é preciso uma mudança de mentalidade. Todo mundo avançou, mas a proporção de mulheres aumentou menos, porque elas já tinham uma taxa muito alta”.



As diferenças também são relevantes entre as pessoas ocupadas e as não ocupadas (desocupadas ou fora da força de trabalho). Nesse universo, as mulheres ocupadas dedicaram 7,8 horas a mais do que os homens nas atividades domésticas. Entre as não ocupadas, a diferença salta para 11,2 horas. De acordo com Alessandra, “para os homens não muda muito se ele é ou não ocupado, isso afeta mais a mulher. Quando no mercado de trabalho, ela fica com menos horas disponíveis para fazer tripla jornada: cuidados, afazeres e trabalhar fora”.

Alessandra ressaltou que a PNAD Contínua permite identificar algumas atividades que antes eram invisíveis: “eram trabalhos que não eram medidos. Por exemplo, se uma pessoa deixa de trabalhar para cuidar de uma criança, esse trabalho não é precificado, mas a contratação de uma babá entra na conta do PIB, pois existe um valor de mercado para isso. O objetivo é que, em algum momento, essas informações entrem no Sistema de Contas Nacionais”.



A pesquisa mostrou também que, se por um lado as mulheres têm uma alta taxa de realização de afazeres domésticos em todos os níveis de instrução, por outro, os homens possuem uma taxa que varia de 73%, entre os sem instrução ou com fundamental incompleto, a 83,8% entre aqueles com superior completo. Para a analista do IBGE, o resultado “pode ser uma questão de consciência, ou mesmo de criação. Homens menos escolarizados podem achar que afazeres domésticos são uma responsabilidade da mulher”.

Filhos e cônjuges homens tiveram a maior alta na taxa de realização de cuidados

Uma variação relevante de 2016 para 2017 foi o aumento de 12,7% para 16,2% na taxa de realização de cuidados de pessoas por filhos/enteados, e cônjuges/companheiros, de 27,5% para 34,7%. Entre as filhas/enteadas, o crescimento foi de 25,9% para 30,2%, e entre cônjuges/companheiras, de 39% para 43,7%.



Quanto à taxa de realização de afazeres domésticos, a maior entre as mulheres ocorreu para as cônjuges/companheiras, 97%, enquanto entre os homens, os responsáveis pelo domicílio eram os que mais realizavam essas tarefas, 85%.

A pesquisa revelou, ainda, uma grande diferença na realização de atividades domésticas entre homens que viviam sozinhos e que dividiam o domicílio com outra pessoa. Enquanto preparar/servir alimentos e arrumar a mesa/lavar louça foram tarefas realizadas por 91,8% dos responsáveis sozinhos, a execução dessas cai para 57,3% dos homens em coabitação. Na comparação entre os sexos, a proporção de homens só é maior que a das mulheres na realização de pequenos reparos/manutenção do domicílio: 63,1% deles frente a 34% delas.


Repórter: Pedro Renaux
Imagem: Pxhere
Arte: Helena Pontes, Helga Szpiz e Marcelo Barroso


Do IBGE, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/04/2018



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 19/04/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/04/19/mulheres-dedicam-o-dobro-de-horas-que-os-homens-em-cuidar-de-pessoas-e-afazeres-domesticos/

segunda-feira, 2 de abril de 2018

'Só descobri que tinha autismo depois de adulta'

Estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo tenham autismo, sendo 2 milhões delas no Brasil.

O autismo se caracteriza por diferentes graus de distúrbio de desenvolvimento, que se manifesta sobretudo na comunicação e na interação social. As causas ainda não são plenamente esclarecidas pela ciência e a intensidade dos sintomas varia bastante – o que muitas vezes faz casos distantes do estereótipo da síndrome demorarem a ser identificados.

Existe um subdiagnóstico do autismo especialmente entre mulheres, e a BBC conversou com sete britânicas que só descobriram ser parte do espectro autista quando já estavam na vida adulta.

Veja como a síndrome e a descoberta dela afetaram a vida dessas mulheres:

Maura, 50: 'Parecia que todo mundo, menos eu, havia recebido um manual sobre como se comportar'



Maura foi diagnosticada aos 44 anos (Foto: BBC)

"Seis anos atrás, fui diagnosticada com síndrome de Asperger, uma forma de autismo. Como no caso de muitas mulheres, isso ocorreu após o diagnóstico do meu filho, Darragh. Se não fosse por isso, teria passado o resto da minha vida sem saber por que me sentia diferente.

Ainda criança, parecia que todo mundo menos eu havia recebido um manual sobre como se comportar ao redor de outras pessoas.

Me sentia mais confortável com os animais. Como eu me saía bem nos estudos e mascarava minha ansiedade, eu não chamava atenção – as pessoas achavam que eu era simplesmente tímida.

Quando meu autismo foi identificado, foi como se eu tivesse tirado do corpo um espartilho que eu sequer sabia estar usando.

Agora eu entendo que temho um cérebro que processa informação sensorial e social de forma diferente em relação à maioria das pessoas.

Posso cuidar melhor de mim, gerenciando minha energia social e evitando o excesso de (estímulos) sensoriais. Encontrei um senso de identidade.

As mulheres não devem ter medo de serem diagnosticadas – pode ajudar a explicar tanta coisa. Quanto a vir a público com isso, é uma decisão pessoal, é claro.

Estou vivendo a vida que quero. Tenho uma carreira interessante e recompensadora como funcionária pública na Irlanda do Norte, com colegas que me aceitam como eu sou.

Escrevi um livro, com algumas das minhas irmãs autistas de todo o mundo, e muitas delas se tornaram amigas próximas.

O mais importante é que o diagnóstico enriqueceu minhas relações pessoais e fez de mim uma mãe mais confiante.

Darragh e eu temos um elo especial, e ele me deixa orgulhosa todos os dias."


Hannah, 28: 'Meninas aprendem a copiar os não autistas'



Hannah agora dedica sua pesquisa de PhD a mulheres autistas não diagnosticadas (Foto: BBC)

"Estou fazendo uma pesquisa de PhD sobre mulheres autistas que não são diagnosticadas. Mulheres e meninas comumente fazem um esforço natural de se encaixarem na sociedade, então seus sintomas não são estereotipadas como 'autistas'.

Elas às vezes se sentem mais inclinadas a fazer amigos – então aprendem a copiar (a interação social) dos não-autistas.

Um exemplo é que muitas podem achar difícil fazer contato visual. Eu acho. Aprendi a desviar o olho por alguns segundos e daí olhar. Eu assistia às pessoas com cuidado e estudei psicologia ao ponto de conseguir agir naturalmente. Mas aprender esse repertório social demorou muitos, muitos anos.

Ao ser diagnosticada, consegui entender muitas coisas esporádicas que não funcionavam na minha vida.

Quando era mais jovem, imaginava situações e passava o dia inteiro dentro do meu próprio mundo.

Não conseguia brincar com as outras crianças. Eu era um fracasso em tentar acompanhar os jogos imaginários dos outros.

Na escola, sofri depressão e questões de saúde mental, e a partir dos 14 anos passei a ser escolarizada em casa.

Os médicos focaram na depressão, em vez de pensar em um possível diagnóstico de autismo. Em determinado momento, achei que pudesse ter transtorno de personalidade limítrofe. Foi bastante frustrante.

Achei que ir à universidade consertaria tudo. Fui estudar Psicologia. Fiz amigos, mas nunca frequentava as palestras.

O problema nunca foi acadêmico, mas sim a forma como eu encarava o aprendizado. Eu focava excessivamente em um projeto, durante dias, e precisava que os prazos de entrega fossem prolongados. É a mesma coisa agora com o meu PhD.

Tudo mudou quando comecei sessões com uma terapeuta artística para lidar com minha ansiedade. Ela sugeriu que eu poderia ter a síndrome de Asperger. Foi a partir disso que fui diagnosticada. Isso me deu alívio. Agora entendo que muitas mulheres e meninas passaram – e ainda passam – por exatamente a mesma coisa que eu."

Jasmine, 26: 'Estou cansada. Sei que tem algo errado comigo. Preciso descobrir o quê'



Jasmine acha mais fácil fazer uma performance de stand-up do que conversar cara a cara com alguém (Foto: BBC)

"Eu realmente pensava que eu era um alienígena. Eu não parecia ser como os outros humanos. Parece bobo, mas essa era a única coisa que meu cérebro infantil conseguia compreender.

Quando era bebê, as pessoas achavam que eu era surda. Mas não era – eu simplesmente não estava prestando atenção a elas.

Sofri muito bullying na escola. Acho que eu era um alvo fácil.

Foi muito desgastante. Durante as aulas, eu sempre sentia ter alguma dificuldade de aprendizado – algum tipo de bloqueio mental.

Quando os professores me faziam perguntas, meu cérebro desligava, precisava de um tempo extra para processar o que estavam me dizendo.

Só decidi que precisava de algum tipo de diagnóstico quando me formei em licenciatura. Pensei, 'estou cansada. Sei que tem algo errado comigo. Preciso descobrir o quê.'

Fui diagnosticada aos 22 anos. Agora, a maioria dos meus amigos são do espectro autista. É mais fácil assim.

Entrei para um grupo artístico liderado por pessoas com questões de saúde mental. Eles davam workshops de comédia – e a partir disso acabei virando comediante.

Em meu stand-up, não me sinto tão estranha quanto quando estou conversando com as pessoas socialmente. É algo natural, (porque) não preciso conversar com ninguém especificamente nem ficar pensando, 'será que é a minha vez de falar? Será grosseiro dizer tal coisa?'."

Amanda, 40: 'Comecei a me aceitar como sou'



Amanda descobriu, com seu diagnóstico, o motivo de não ter amigos (Foto: BBC)

"Para ser sincera, não tenho nenhum amigo. As pessoas que eu chamo de amigos são as que eu conheci no trabalho ou pelo Facebook. Mas não tenho ninguém com quem sair.

Não gosto que as pessoas venham a minha casa. É como meu santuário. Isso provavelmente soa meio estranho.

Meu marido é bastante sociável e se dá bem com todo mundo, então ele frequenta festas sem mim. Ele me conta quando vai ter uma festa, mas deixa para mim a decisão (de ir ou não). Não vou em 90% das vezes.

Ele costumava ficar chateado, mas agora ele entende que não é uma rejeição a ele. É que eu não consigo me colocar em uma situação em que me sentiria muito desconfortável.

Ambos os meus filhos são autistas. Minha filha foi diagnosticada aos 13 anos; meu filho, de 15, quando tinha quatro anos.

Eu li sobre a síndrome de Asperger e percebi que meu filho se encaixava nas características.

Ele ficava no carpete da escola olhando para o lado errado. As professoras achavam que ele não estava ouvindo, mas ele estava.

Com o tempo, comecei a me identificar muito com ele. Entendia muito seus pensamentos e comecei a me perguntar: 'Será que eu também tenho Asperger?'

Meu ponto mais baixo foi quando comecei a interpretar as coisas equivocadamente na escola primária onde trabalhava e a cometer erros simplesmente porque não entendia as coisas. Foi quando decidi fazer uma avaliação de autismo e fui diagnosticada em 2012. Foi um alívio.

'Não tem nada errado comigo, só sou autista', pensei. É só a forma como o cérebro está 'ligado' e como ele vê o mundo.

Comecei a entender por que sofria tanto em interações sociais e não conseguia fazer amigos.

Comecei a me aceitar como sou – algo que não fazia até então."

Claire, 35: 'Agora, aceito melhor o porquê de eu fazer as coisas que faço'



Claire faz acompanhamento de autistas em uma chácara que ela mesma criou (Foto: BBC)

"'Não é possível que eu, psicóloga clínica, seja autista', eu pensava. 'É incompatível, porque autistas não têm empatia.'

Esse é o nível de ingenuidade que eu tinha antes. Caiu a ficha durante uma aula de psicologia em que estávamos aprendendo sobre diferentes síndromes, autismo incluído: 'Nossa, parece muito comigo'.

Mas nem tudo fez sentido. Não aprendemos como o autismo se manifesta em mulheres, nem sobre a diversidade entre gêneros.

Acho que há um grande desejo das meninas de serem sociáveis, e o diagnóstico do autismo geralmente é baseado em traços masculinos.

Hoje, muitas das pessoas autistas que vêm a mim (no consultório psicológico) são traumatizadas, por serem forçadas a serem algo que não são.

Não vejo isso (o acompanhamento) como terapia, porque não há tratamento. Vejo como o desenvolvimento de habilidades para a vida.

E também desenvolver confiança.

Com minhas economias, comprei um terreno e coloquei patos, galinhas, cavalos e cabras ali. É onde trabalho com autistas. Nós passamos o tempo com os animais, que são como mediadores. Não é algo muito baseado em teoria, apenas experiência empírica que deu certo.

Fui diagnosticada aos 32 anos e isso mudou completamente a minha vida e a minha identidade para melhor.

Agora, aceito melhor o porquê de eu fazer as coisas que faço. E o autismo me oferece diversos dons e talentos."

Anna, 27: 'Acho muito difícil percorrer um salão e dizer oi para um monte de gente'



'Tentei me forçar a trabalhar em período integral em um call center, mas não consegui. [Havia] luzes muito fortes e barulho - uma sobrecarga sensorial', diz Anna (Foto: BBC)

"Quando era adolescente, não conseguia entender o que estava errado comigo. Me sentia deslocada, e os professores me rotulavam como malcriada.

Chega um ponto em que você deixa de acreditar que deveria estar no mesmo planeta que as outras pessoas, porque você não entende ninguém e ninguém te entende. É como se você tivesse sido trazido por uma nave espacial.

Fui diagnosticada aos 22 anos, quando minha mãe começou a trabalhar em um centro de atendimento a autistas. Ela chegou em casa com um monte de livros e disse, 'Quero que você os leia, porque acho que é isso que você tem'.

A princípio, meu médico me disse que eu tinha transtorno de personalidade limítrofe. E agregou, 'é só depressão, só ansiedade. Tome estes remédios'.

Mesmo com o diagnóstico (de autismo), sentia que ninguém ao meu redor entendia ou queria entender.

Eu olhava para as pessoas que tinham bons empregos e carrões e pensava, 'por que eu não consigo? Por que eu sempre fico doente e abandono os empregos?'

Tentei me forçar a trabalhar em período integral em um call center, mas não consegui. (Havia) luzes muito fortes e barulho – uma sobrecarga sensorial.

Hoje, trabalho com pessoas com deficiências de aprendizagem.

Meu parceiro é barbeiro e conhece muita gente. Tem muitos amigos e clientes e toca em uma banda. Houve ocasiões sociais em que entrei em pânico e precisei voltar para casa. Acho muito difícil percorrer um salão e dizer oi para um monte de gente.

Mas agora ele sempre me diz antes o que vai acontecer, quem vai estar lá (no evento social) e o horário em que vai começar e terminar, para que eu possa me preparar mentalmente.

Eu até tenho alguns amigos, mas à medida que fui crescendo perdi o interesse em fazer novos amigos. Na escola, não sentia conexão com as pessoas, mas sim com as bandas às quais escutava - elas eram as minhas amigas. Sei que parece estranho. É que a música esteve comigo o tempo todo, enquanto as pessoas vêm e vão."

Sophie, 23: 'Ter um rótulo traz tanto benefícios quanto aspectos negativos'



'Durante o meu estágio, meu mentor identificou alguns aspectos de autismo no meu comportamento - eu às vezes entendia as coisas muito literalmente ou sentava sozinha na sala de funcionários, sem socializar com ninguém', conta Sophie (Foto: BBC)

"Fui diagnosticada há pouco mais de um ano, mas foi ainda no ensino médio que pela primeira vez achei que pudesse ser autista.

Meu irmão foi diagnosticado com autismo quando tinha cinco anos e ia a uma escola especializada. Eu via um pouco do comportamento dele em mim, o que me fazia pensar.

Acho que, em alguns casos, as mulheres aprendem a copiar comportamentos para conseguir viver, e é provavelmente por isso que elas não são diagnosticadas tão cedo.

Me formei em licenciatura na Universidade de Derby. Atualmente faço mestrado em inclusão e necessidades especiais e deficiência em educação.

Durante o meu estágio, meu mentor identificou alguns aspectos de autismo no meu comportamento – eu às vezes entendia as coisas muito literalmente ou sentava sozinha na sala de funcionários, sem socializar com ninguém.

Na universidade, meus professores disseram ter percebido coisas similares, então fui atrás de um diagnóstico. Senti que ele explicou muito (sobre mim), o que foi bom.

No entanto, sinto que ter um rótulo traz tanto benefícios quanto aspectos negativos.

Meu autismo afeta principalmente minha sociabilidade e expressão, e eu também tenho altos níveis de ansiedade, sobretudo quando há mudanças na minha rotina.

Tenho tendência a ficar obsessiva quanto a coisas como programas de TV. Chego a assistir por horas e decoro o roteiro. Também tenho que planejar o que vou dizer e não gosto de ser interrompida.

Vou e volto de táxi à universidade, porque o transporte público me deixa ansiosa.

Hoje, tenho uma mentoria especializada para me ajudar com dificuldades e para treinar minhas habilidades sociais.

Me senti bem quando contei aos meus colegas de mestrado que sou autista. São apenas cinco pessoas, então me senti à vontade para explicar. Não teria contado a uma classe grande, como os cerca de 80 que eram da minha sala na graduação."


Autor: BBC
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 01/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/so-descobri-que-tinha-autismo-depois-de-adulta.ghtml

sexta-feira, 16 de março de 2018

O papel das mulheres na conservação e gestão da água


O pagamento por serviços ambientais hídricos é tema de estudo na Embrapa Solos – Alba Martins, Azeneth Schuler, Elaine Fidalgo e Rachel Prado (pesquisadoras da Embrapa Solos, Rio de Janeiro-RJ)


O papel da mulher na conservação e gestão da água aparece formalmente nos princípios apontados durante a Conferência Internacional de Água e Meio Ambiente, em Dublin, Irlanda, em 1992, quando representantes de 100 países e 80 organismos internacionais, intergovernamentais e não governamentais reuniram-se e diagnosticaram que a situação futura dos recursos hídricos no mundo era crítica. Naquela ocasião, foram estabelecidos quatro princípios para a gestão sustentável da água: i) a água doce é um recurso finito e vulnerável, essencial para a manutenção da vida, para o desenvolvimento e para o meio ambiente; ii) seu gerenciamento deve ser baseado na participação dos usuários, dos planejadores e dos formuladores de políticas, em todos os níveis; iii) as mulheres desempenham papel essencial na provisão, no gerenciamento e na proteção da água; e iv) o reconhecimento do valor econômico da água (www3.snirh.gov.br/portal/snirh/centrais-de-conteudos/conjuntura-dos-recursos-hidricos).

A partir da Declaração de Dublin, o papel das mulheres no gerenciamento da água para a saúde (água potável e saneamento), alimentação e equilíbrio dos ecossistemas foi reconhecido em diversos documentos internacionais. Em 2000, oito Metas de Desenvolvimento do Milênio foram estabelecidas pelas Nações Unidades visando erradicar a pobreza, sendo uma delas a meta 3 – Promoção da Igualdade de Gênero. O tema água aparece na descrição das metas 1-Erradicação da Fome e 7- Sustentabilidade Ambiental, enquanto aspectos relativos às mulheres são considerados em todas as metas, com a surpreendente exceção da meta de 7-Sustentabilidade Ambiental.

O “Relatório sobre o Desenvolvimento de Gênero e Água” (2003), da Aliança Gênero e Água, supre lacunas importantes para a compreensão da interdependência entre gestão hídrica sustentável e equidade de gênero. A partir de análises de quatro setores da água: Água para Natureza; Saneamento para os Povos; Água para os Povos e Água para Alimentação. Estas análises sustentam com argumentos as seguintes propostas: i) o envolvimento de mulheres e homens nos papéis de tomada de decisão em todos os níveis pode promover a sustentabilidade da gestão de recursos hídricos escassos; ii) a gestão integrada e sustentável da água pode contribuir significativamente para a equidade de gênero, a partir da melhoria do acesso de mulheres e homens à água e aos serviços hídricos para suprir suas necessidades essenciais (Disponível em www.gewamed.net/share/img_documents/19_rep_iwrm1.pdf).

Ao fim do período estabelecido para as Metas de Desenvolvimento do Milênio (2000-2015), com progressos significativos de combate à pobreza, as Nações Unidas definiram uma nova agenda com dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), cujas descrições contêm metas específicas de alcance até 2030. Entre os ODS, o quinto se relaciona a “Igualdade de Gênero” e o sexto a “Água potável e Saneamento”. O papel da mulher na gestão hídrica não aparece claramente nas metas estabelecidas para estes dois ODS. Apenas uma meta do sexto ODS (6.5) prevê “implementar a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, (…)”, contendo implícito o conceito dos Princípios de Dublin (1992) que traz a centralidade da participação das mulheres na gestão da água. Cabe destacar ainda metas que implicam no fortalecimento da questão de gênero também no setor de água e saneamento, como a meta 6.2, de “acesso a saneamento e higiene adequados e equitativos para todos, (…), com especial atenção para as necessidades das mulheres e meninas e daqueles em situação de vulnerabilidade”. Relacionadas ao objetivo “Igualdade de Gênero”, destacam-se as metas: 5.5. “garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública”; 5.c “adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas em todos os níveis”.

No Brasil

A incorporação da perspectiva de gênero na gestão hídrica, de acordo com a agenda internacional, propõe o maior envolvimento de mulheres na tomada de decisões sobre o tema. No Brasil, tem-se observado a crescente presença das mulheres em posicionamentos relacionados à água, embora a participação nos processos decisórios seja ainda reduzida. Historicamente, a gestão da água esteve mais voltada às soluções de engenharia, com uma expressiva maioria de profissionais homens. Nas últimas décadas ocorreram mudanças de paradigmas na gestão da água, que passou a compreender questões de conservação ambiental e de impactos sociais, como também cresceu o número de mulheres profissionais de engenharia e de outras profissões que atuam no tema de água. Embora estes fatos tenham contribuído para o aumento de mulheres na gestão hídrica, certamente um fator decisivo foi a mobilização das mulheres junto à sociedade civil, cuja participação nas instâncias de gestão da água é garantida pela Política Nacional de Recursos Hídricos. No entanto, a participação da mulher em comitês de bacias hidrográficas, bem como nos conselhos de recursos hídricos estaduais e nacional, ainda não ocorre de forma igualitária.

Em setembro de 2017, Agência Nacional de Águas (ANA), organizou um curso sobre o tema “Água e Gênero ” para abordar as assimetrias de gênero relacionadas à água, entre profissionais da Agência e dos setores de recursos hídricos e meio ambiente. No mês seguinte, a Agência promoveu a Oficina “Construindo uma Agenda de Água e Gênero para o Brasil e para a América Latina ”, juntamente com a Parceria Global pela Água (GWP) e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), buscando delinear ações estratégicas de gênero para a ANA e para o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). O curso e a oficina foram organizados pelo Comitê Pró-Equidade de Gênero, instalado pela Portaria ANA nº 326, de 22 de dezembro de 2016, a fim de acompanhar as ações para cumprimento do Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM) e fortalecer a equidade de gênero nas políticas e instrumentos de gestão da água.

Além disso, no âmbito das discussões do Projeto Legado , esforço institucional de consolidação de propostas para o aperfeiçoamento da Política Nacional de Recursos Hídricos, foi proposto incluir a adoção de cotas para a participação de mulheres no Conselho Nacional de Recursos Hídricos. A criação de cota foi retirada do texto, ainda na fase de discussões preliminares. Em contrapartida, no texto final do Projeto, de dezembro de 2017 , foi proposta como alteração da Lei 9.433/1997, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos, a inclusão no Art. 1º de um novo inciso (VII) contendo o terceiro princípio de Dublin, qual seja, “as mulheres desempenham papel central no fornecimento, gestão e proteção da água”. Este fato mostra a necessidade de avanços na formulação de políticas públicas que reconheçam e promovam a participação das mulheres nas decisões relativas à água.

Gestão hídrica: acesso à água e saneamento

Segundo o Instituto Trata Brasil, 35 milhões de habitantes não possuem acesso à água tratada, metade da população – 100 milhões – não têm coleta de esgotos e apenas 40% dos esgotos coletados são tratados, os outros 60% são lançados sem tratamentos nos rios, riachos e córregos. O problema é grave e embora a questão do saneamento básico afete a todos, os mais prejudicados e que sofrem o maior impacto são as famílias de baixa renda, muitas residentes em áreas impróprias para habitação, frequentemente em condição de irregularidade. Como agravante, o Brasil possui índices elevados de perdas de água nas redes de abastecimento. Os dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) 2013 mostram que as perdas na distribuição de água estão estimadas em 37% do volume e as perdas financeiras totais em 39% dos ganhos (Disponível em: www.tratabrasil.org.br/ranking-do-saneamento-das-100-maiores-cidades-2017).

Ao se analisar as condições de suprimento de água e saneamento, verifica-se a marginalização do meio rural cuja população ainda enfrenta grandes dificuldades de acesso à água de qualidade. Situação mais grave ocorre nas regiões afetadas pela desertificação e/ou por secas, onde a água para atender às necessidades domésticas ainda é, em algumas localidades, buscada em latas na cabeça pelas mulheres e crianças a longas distâncias. Este cenário é agravado com a insuficiência de políticas públicas estruturadoras que tratem a questão hídrica de forma justa e equitativa, havendo ainda o risco do aumento de eventos extremos associados às mudanças climáticas.

Os avanços necessários para uma boa gestão da água no meio rural compreendem desde o saneamento universalizado, o estabelecimento de sistemas de irrigação mais eficientes e o reuso da água, até o envolvimento das comunidades rurais pela informação e educação sobre os cuidados com a água no ambiente doméstico e na produção agropecuária. Destaca-se que as principais causas da escassez hídrica no Brasil são de natureza humana, como a falta de priorização de recursos humanos e financeiros destinados ao cuidado com as águas, desperdícios, má gestão e falta de governança. Embora prevaleçam cenários de precariedade na gestão da água quanto a seu abastecimento e ao saneamento, várias organizações sociais têm buscado alternativas de melhorias. É neste espaço que as mulheres estão geralmente mais presentes.

A contribuição da pesquisa agropecuária na gestão da água

Ao lado da equidade na participação dos atores sociais na gestão da água, o desenvolvimento científico no manejo e conservação do solo e da água também é fundamental para a produção de alimentos que garanta a provisão dos serviços ecossistêmicos, incluindo os hídricos. Diversas pesquisas da Embrapa têm sido voltadas à conservação e ao uso adequado da água no meio rural, principalmente na agricultura, mas também para uso doméstico e saneamento. O portal Água na Agricultura apresenta conteúdos sobre ciência e tecnologia para o manejo da água, desenvolvidos pela Embrapa.

Um fato que chama a atenção é o elevado número de pesquisadoras da empresa que atuam no tema “água”, integrado a diferentes linhas de pesquisa da agricultura.

Na Embrapa Solos, o Núcleo Temático “Uso da Terra e Serviços Ambientais” (NT-UTSA) tem atuado no desenvolvimento de ferramentas e diretrizes para apoiar as iniciativas de Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA) hídricos em curso no país. Essas iniciativas remuneram os produtores rurais que atuam em prol da conservação ambiental, viando melhorar a produção da água em bacias hidrográficas (http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/160960/1/Manual-PSA-hidricos-2017.pdf). O desenvolvimento de tecnologias para a agricultura familiar no semiárido é outra linha de pesquisa considerada vital para a sobrevivência de comunidades em condições vulneráveis às variações climáticas, destacando-se as barragens subterrâneas para armazenamento de água em áreas agrícolas.

Para incorporar o recorte de gênero no desenvolvimento de projetos de pesquisa do centro de pequisa, em outubro de 2017, a equipe da Embrapa Solos enviou uma representante para participar de treinamento oferecido pela Agência Nacional de Águas sobre água e gênero. O Núcleo UTSA pretende se aprofundar nessa temática a fim de contribuir com o desenvolvimento de soluções na agricultura para a redução da pobreza em conformidade com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) “Igualdade de Gênero” e “Água e Saneamento”.

Referências
THE DUBLIN STATEMENT. International Conference on Water and the Environment: Development issues for the 21st century. 26-31 January 1992, Dublin, Ireland. Disponível em: <www.ircwash.org/sites/default/files/71-ICWE92-9739.pdf>.


Por Carlos Dias (20.395 MTb RJ)
Embrapa Solos

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/03/2018


Autor: Carlos Dias
Fonte: Embrapa Solos
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 16/03/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/03/16/o-papel-das-mulheres-na-conservacao-e-gestao-da-agua/

segunda-feira, 12 de março de 2018

Pesquisadoras falam sobre mulheres e pesquisa científica

Segundo um estudo publicado em 2017 pela Elsevier, maior editora científica do mundo, nos últimos 20 anos a proporção de mulheres que publicam artigos científicos – principal forma de avaliação na carreira acadêmica – cresceu 11% no Brasil. Os dados mostram que, dentre os países pesquisados, Brasil e Portugal são os que mais contam com autoras em trabalhos científicos (49% do total), quase a mesma quantidade que os pesquisadores homens.

Para Vânia Matos, uma das coordenadoras de Pesquisa do Instituto Nacional de Saúde de Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), muitos avanços sociais promoveram o aumento da presença feminina no ambiente acadêmico nas últimas décadas, grande parte deles deflagrados pelas próprias mulheres e suas lutas: direito ao voto, controle sobre seu corpo, educação formal, apoio social no cuidado dos filhos, equiparações salariais, entre outras. “Provavelmente a inserção das meninas na carreira científica comece em casa, na família, pela sua própria mãe falando da importância da educação para sua emancipação social e econômica. Depois com seus professores, mostrando o papel da mulher na sociedade”, defende.

Na opinião de Vânia, a maior importância do crescimento de mulheres na pesquisa seja, talvez, a possibilidade de o olhar e a narrativa femininas atuarem na diminuição da desigualdade social, estabelecida em um mundo historicamente dominado pelo masculino. Hoje, são as mulheres que se destacam nas publicações de medicina no país: uma em cada quatro estudos publicados na área por pesquisadores brasileiros tem uma cientista como principal autora. Segundo Vânia, iniciativas como o Programa Mulher e Ciência (acesse a página), lançado em 2005 e fruto de grupo interministerial composto pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Ministério da Educação (MEC), contribuíram, sem dúvida, para o incremento da participação de mulheres no campo das ciências e das tecnologias.

A também coordenadora de Pesquisa do IFF/Fiocruz Maria Elisabeth Lopes Moreira entende, no entanto, que, ainda que haja uma predominância de mulheres nos cursos de graduação em saúde, o mesmo não ocorre nas funções de direção dos órgãos de fomento. “Persiste a predominância de homens nesses cargos, assim como coordenando a maioria dos estudos financiados. Na área da criança, esse panorama é ainda mais dramático, sendo poucos os estudos financiados que têm à frente da equipe mulheres pesquisadoras”, conclui ela.

Martha Moreira, uma das coordenadoras de Ensino do Instituto, também concorda que, embora, numericamente, a área da saúde seja dominada pelas mulheres, ainda persiste um desequilíbrio no acesso às bolsas de produtividade e também com relação à ascensão na carreira. Ela ressalta, entretanto, que não apenas a quantidade de publicações é importante para as mulheres, pois a certeza do trabalho bem feito e o reconhecimento por ele recebido também geram satisfação. “Além disso, somos muito mais que o trabalho. Somos mulheres em ação: na vida e no mundo”, conclui a pesquisadora.

Autor: Suely Amarante e Irene Kalil
Fonte: IFF/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 08/03/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisadoras-falam-sobre-mulheres-e-pesquisa-cientifica

quinta-feira, 8 de março de 2018

Responsabilidade nos cuidados de pessoas e afazeres domésticos afeta inserção das mulheres no mercado de trabalho

A proporção de trabalhadores em ocupações por tempo parcial (até 30 horas semanais) é maior entre as mulheres (28,2%) do que entre os homens (14,1%). Isso pode estar relacionado à predominância feminina nos cuidados de pessoas e afazeres domésticos, aos quais as mulheres trabalhadoras dedicavam 73% mais horas do que os homens.

Seja no conjunto da população, seja no universo do trabalho, as mulheres são mais escolarizadas do que eles, mas o rendimento médio delas equivale a cerca de ¾ dos homens. Além disso, no Brasil, 62,2% dos cargos gerenciais (públicos ou privados) eram ocupados por homens enquanto que apenas 37,8% pelas mulheres, em 2016.

A dimensão educacional também revela a grande desigualdade existente entre as mulheres, segundo sua cor ou raça: 23,5% das mulheres brancas têm ensino superior completo, um percentual 2,3 vezes maior que o de mulheres pretas ou pardas (10,4%) que concluíram esse nível de ensino.

Na vida pública do país, apesar da existência de cota mínima (30%) de candidaturas de cada sexo em eleições proporcionais estabelecida pela Lei 12.034, em 2017, as mulheres eram apenas 10,5% dos deputados federais em exercício. Esta proporção (10,5%) é a mais baixa da América do Sul, enquanto a média mundial de deputadas é 23,6%.

Na esfera estadual e distrital, 26,4% dos policiais civis e 9,8% dos policiais militares eram mulheres. Apenas 7,9% dos municípios brasileiros contavam com delegacia especializada no atendimento à mulher em 2014.

A taxa de fecundidade adolescente é um indicador que vem se reduzindo no país: de 2011 para 2016, a taxa de fecundidade entre as mulheres de 15 a 19 anos de idade caiu de 64,5 para 56,0 nascimentos a cada mil mulheres. No entanto, a desigualdade regional desse indicador é grande: no Acre, praticamente uma em cada dez mulheres nesse grupo etário teve filho em 2016, enquanto no Distrito Federal a maternidade chegou para apenas 4 em cada cem adolescentes.

Essas são algumas das informações das Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil, que analisa as condições de vida das brasileiras a partir de um conjunto de indicadores proposto pelas Nações Unidas.

O IBGE compilou informações de suas pesquisas e de fontes externas para elaborar as Estatísticas de gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil. Esses indicadores estão agrupados em cinco temas: estruturas econômicas, participação em atividades produtivas e acesso a recursos; educação; saúde e serviços relacionados; vida pública e tomada de decisão; e direitos humanos das mulheres e meninas.

As informações são das pesquisas do IBGE – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD e PNAD Contínua), Projeções da População, Estatísticas do Registro Civil, Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) e Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic), além do Ministério da Saúde, Presidência da República, Congresso Nacional, Tribunal Superior Eleitoral e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP.

Mulheres que trabalham dedicam 73% mais horas do que os homens aos cuidados e/ou afazeres domésticos

Em 2016, desagregando-se a população ocupada do país por sexo, as mulheres dedicavam 18,1 horas semanais aos cuidados de pessoas ou afazeres domésticos – cerca de 73% a mais de horas do que os homens (10,5 horas semanais).

Regionalmente, a maior desigualdade estava no Nordeste, onde as mulheres dedicaram 19,0 horas semanais àquelas atividades, ou 80% de horas a mais do que os homens.

As mulheres pretas ou pardas são as que mais se dedicam aos cuidados de pessoas e afazeres domésticos, com 18,6 horas semanais. Entre os homens, o indicador pouco varia quando se considera a cor ou raça ou região.

28,2% das mulheres e 14,1% dos homens trabalham em tempo parcial

Mulheres que necessitam conciliar trabalho remunerado com os afazeres domésticos e cuidados, em muitos casos, aceitam ocupações com carga horária reduzida. A proporção de ocupados trabalhando por tempo parcial (até 30 horas semanais) mostra um percentual mais elevado de mulheres (28,2%), quando comparado com os homens (14,1%). Nas regiões Norte e Nordeste, a proporção de mulheres passa de 36%.

As mulheres pretas ou pardas foram as que mais exerceram ocupação por tempo parcial, alcançando 31,3% do total, enquanto 25,0% das mulheres brancas se ocuparam desta forma, em 2016. Para os homens, somente 11,9% dos brancos se ocuparam por tempo parcial, ao passo que a proporção de pretos ou pardos era de 16,0%.

Mulheres continuam recebendo menos do que os homens

Em relação aos rendimentos médios do trabalho, as mulheres seguem recebendo, em média, cerca de ¾ do que os homens recebem. Em 2016, enquanto o rendimento médio mensal dos homens era de R$2.306, o das mulheres era de R$1.764.

Considerando-se a rendimento médio por hora trabalhada, ainda assim, as mulheres recebem menos do que os homens (86,7%), o que pode estar relacionado com à segregação ocupacional a que as mulheres podem estar submetidas no mercado de trabalho. O diferencial de rendimentos é maior na categoria ensino superior completo ou mais, na qual o rendimento das mulheres equivalia a 63,4% do que os homens recebiam, em 2016.

Mulheres e homens têm proporção equilibrada de acesso a telefone celular

Quanto ao acesso e uso de novas tecnologias, importante para análise do grau de autonomia da mulher, os resultados indicam que a proporção de mulheres que possuem telefone celular no Brasil (78,2%) é levemente superior a dos homens (75,9%).

Tal proporção é superior para as mulheres em todas as grandes regiões, com exceção da região Sul, onde a masculina (82,1%) é ligeiramente maior que a feminina (81,9%).

Atraso escolar é maior entre homens pretos ou pardos

A vantagem educacional das mulheres fica evidente a partir da análise de indicadores sobre o atraso escolar e o nível educacional dos adultos. Uma forma de medir o atraso escolar é por meio da taxa de frequência escolar líquida ajustada. Esse indicador mede a proporção de pessoas que frequentam escola no nível de ensino adequado a sua faixa etária, incluindo aquelas que já concluíram esse nível, em relação ao total de pessoas da mesma faixa etária.

Em 2016, segundo a PNAD Contínua, a taxa de frequência escolar líquida ajustada no ensino médio dos homens de 15 a 17 anos de idade era de 63,2%, 10,3 pontos percentuais abaixo da taxa feminina (73,5%). Isso significa que 36,8% dos homens dessa faixa etária possuíam atraso escolar para o ensino médio, resultante de repetência e/ou abandono escolar.

Considerando-se a cor ou raça, a desigualdade no atraso escolar era considerável entre as mulheres: 30,7% das pretas ou pardas de 15 a 17 anos de idade apresentaram atraso escolar no ensino médio, enquanto 19,9% das mulheres brancas dessa faixa etária estavam na mesma situação. Mas o maior diferencial (mais que o dobro) foi entre os percentuais desse atraso nas mulheres brancas (19,9%) e dos homens pretos ou pardos (42,7%).

Proporção de pessoas com superior completo é maior entre as mulheres

Como resultado dessa trajetória escolar desigual, relacionada a papéis de gênero e entrada precoce dos homens no mercado de trabalho, as mulheres atingem em média um nível de instrução superior ao dos homens. A maior diferença percentual por sexo encontra-se no nível “Superior completo”, especialmente entre as pessoas da faixa etária mais jovem de 25 a 44 anos de idade, em que o percentual de homens que completou a graduação foi de 15,6%, enquanto o de mulheres atingiu 21,5%, indicador 37,9% superior ao dos homens.

Novamente, constata-se desigualdade entre mulheres por cor ou raça. O percentual de mulheres brancas com ensino superior completo (23,5%) é 2,3 vezes maior do que o de mulheres pretas ou pardas (10,4%) e é mais do que o triplo daquele encontrado para os homens pretos ou pardos (7,0%).

94,7% das mulheres teve acesso a pré-natal

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013, entre as mulheres de 18 a 49 anos de idade, 97,4% tinham sido atendidas pelo menos uma vez em uma consulta pré-natal com profissional de saúde especializado na última gravidez. As mulheres nessa faixa etária que chegaram a ser atendidas em pelo menos quatro consultas foram 93,9%.

Na desagregação por cor ou raça, ambos os indicadores sobre atendimento em consulta pré-natal apresentam desigualdade: enquanto 98,6% das mulheres brancas foram atendidas em no mínimo uma consulta com profissional de saúde especializado na última gravidez, entre as pretas ou pardas esse percentual foi menor: 96,6%.

Quando o parâmetro é ter frequentado no mínimo quatro consultas, o percentual foi de 95,4% para as mulheres brancas e 92,8% para as mulheres pretas ou pardas. Essas desigualdades se acentuam regionalmente: na região Norte, por exemplo, o percentual de mulheres brancas que foram atendidas em no mínimo quatro consultas (98,5%) superou o de mulheres pretas ou pardas (87,9%) em mais de dez pontos percentuais.

Uma em cada quatro mulheres não utilizava método contraceptivo

Ainda segundo a PNS 2013, 72,3% das mulheres de 18 a 49 anos casadas ou em união, sexualmente ativas e que não estavam na menopausa utilizavam algum método para evitar a gravidez, ou seja: mais de 1/4 das mulheres nesse grupo não utilizavam qualquer método contraceptivo. No Norte (68,4%) e Nordeste (71,5%) os percentuais estavam abaixo da média nacional.

Tabagismo é mais frequente entre homens e a obesidade, entre mulheres

A PNS 2013 também revela que o Brasil espelha a tendência mundial de maior incidência de tabagismo entre os homens e de obesidade entre as mulheres: 18,9% dos homens fumavam algum produto de tabaco, percentual que foi de 11,0% para as mulheres. Já a proporção de homens obesos (17,5%) era inferior à de mulheres obesas (25,2%).

A esperança de vida das mulheres aos 60 anos era maior do que a dos homens e aumentou entre 2011 e 2016. Em 2011, a esperança de vida de uma mulher de 60 anos no Brasil era de 23,1 anos e passou para 23,9 em 2016. Já a dos homens subiu de 19,6 para 20,3 anos.

Apenas um em cada dez deputados federais era mulher em 2017

Em dezembro de 2017, o percentual de mulheres parlamentares no Congresso Nacional era de 11,3%. No Senado, 16,0% eram mulheres e, na Câmara dos Deputados, 10,5%. Três estados brasileiros não tinham nenhuma deputada federal: Paraíba, Sergipe e Mato Grosso.

Em 2017, o Brasil ocupava a 152ª posição entre os 190 países que informaram à Inter-Parliamentary Union o percentual de assentos em suas câmaras baixas (câmara de deputados) ou parlamento unicameral ocupados por mulheres parlamentares em exercício.

Na América do Sul, o Brasil mostrou o pior resultado. No mundo, as mulheres ocupavam, em média, 23,6% dos assentos nas câmaras baixas ou parlamentos unicamerais.

Mulheres ocupavam 37,8% dos cargos gerenciais em 2016

No Brasil, em 2016, 62,2% dos cargos gerenciais, tanto no poder público quanto na iniciativa privada, eram ocupados por homens e 37,8% por mulheres. A participação das mulheres em cargos gerenciais era mais alta entre as gerações mais jovens, variando de 43,4% entre as mulheres com 16 a 29 anos, até 31,3% entre as mulheres com 60 anos ou mais de idade.

Mulheres eram 26,4% do efetivo das polícias civis em 2014

O percentual de policiais mulheres é um indicador que, além de atender à meta de integrar as mulheres à vida pública, compõe as medidas de assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar.

Esse atendimento se dá no âmbito das polícias civis, subordinadas aos governos estaduais. Segundo a Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic), em 2013, a proporção de mulheres no efetivo das polícias civis das unidades da Federação era de 26,4%.

Considerando o total efetivo das polícias civis e militares, a proporção de mulheres no país era de 13,4%; o total de mulheres no efetivo nacional das polícias militares era de 9,8%. A unidade da Federação com a menor participação de mulheres no somatório do efetivo policial militar e policial civil era o Rio Grande do Norte, com 5,1%, e a que tinha a maior participação era o Amapá, com 23,4%.

Apenas 7,9% dos municípios têm delegacias especializadas para atender mulheres

A existência de delegacias especializadas no atendimento à mulher não integra o Conjunto Mínimo de Indicadores de Gênero elaborado pela Divisão de Estatísticas das Nações Unidas. No entanto, é oportuno lembrar que a Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2014 e a Estadic 2014 identificaram que apenas 7,9% dos municípios brasileiros contavam com este tipo de delegacia.

Segundo essas mesmas pesquisas do IBGE, em 11 das 27 Unidades Federação, o tema da violência doméstica e de gênero havia sido abordado no programa de capacitação continuada oferecido aos profissionais no ano anterior.

No Acre, uma em cada dez mulheres de 15 a 19 anos de idade foi mãe em 2016

Em 2016, a taxa de fecundidade adolescente era de 56,0 nascimentos a cada mil mulheres na faixa dos 15 aos 19 anos de idade. Essa taxa vem diminuindo gradativamente a cada ano, tendo alcançado 64,5 nascimentos por mil mulheres em 2011.

Entre as regiões, as menores taxas estavam no Sul (45,4 por mil) e Sudeste (45,6); no outro extremo, a região Norte registrou 85,1 nascimentos para cada mil mulheres de 15 a 19 anos. A menor taxa entre as unidades da Federação foi do Distrito Federal, 38,6. O Acre apresentou a maior taxa de fecundidade, 97,8 nascimentos por mil mulheres de 15 a 19 anos, ou cerca de um nascimento para cada dez mulheres nessa faixa etária.

Do IBGE, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/03/2018


Autor: IBGE
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 08/03/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/03/08/responsabilidade-nos-cuidados-de-pessoas-e-afazeres-domesticos-afeta-insercao-das-mulheres-no-mercado-de-trabalho/

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Uma das cópias do cromossomo X é desativada nas mulheres nos primeiros dias do desenvolvimento embrionário


© CAVALLINI JAMES / BSIP /ALAMY /LATINSTOCK





Os cromossomos sexuais X e Y, encontrados nas células masculinas, e as duas cópias do cromossomo X, típicas das células femininas

Cinco ou seis dias após o espermatozoide fecundar o óvulo, ocorre um fenômeno genético que garante que os embriões do sexo feminino se desenvolvam de modo saudável: o desligamento de uma das duas cópias do cromossomo X. Apesar de sua importância para a viabilidade dos embriões femininos, pouco se sabia sobre o momento em que esse processo era desencadeado, sobretudo nos seres humanos. Em um estudo publicado em setembro na revista Scientific Reports, as geneticistas Lygia da Veiga Pereira e Maria Vibranovski, ambas do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), oferecem uma nova explicação sobre o início desse fenômeno. A partir de análise de sequências de RNA de células de embriões humanos disponíveis em banco de dados públicos, elas verificaram que a inativação do cromossomo X se dá nos primeiros dias após a fecundação, antes do que se pensava.

As células humanas têm 46 cromossomos, cada uma com 22 pares de cromossomos somáticos, iguais em homens e mulheres, e um par de cromossomos sexuais: nas mulheres são dois cromossomos X e nos homens, um X e um Y. Com uma dose dupla dos genes presentes no cromossomo X, as mulheres poderiam produzir duas vezes mais proteínas relacionadas a esses genes do que os homens. Isso não acontece porque, durante o desenvolvimento embrionário, um dos dois cromossomos X é silenciado, evitando que seus genes sejam superexpressos. “A inativação de uma cópia do cromossomo X é um importante mecanismo epigenético responsável por calibrar a atividade dos genes ligados a essas sequências de DNA nas mulheres”, explica Lygia.

Nas últimas duas décadas, muitas hipóteses foram apresentadas na tentativa de explicar esse fenômeno, sem que se chegasse a uma conclusão sobre como e quando isso acontecia. A explicação mais recente foi proposta em março de 2016 por um grupo de pesquisadores suecos em um estudo publicado na revista Cell. Em oposição a quase tudo o que havia sido proposto até então, eles descartaram a existência de um mecanismo de inativação do cromossomo X no início do desenvolvimento embrionário. Segundo eles, a equiparação dos níveis da atividade genética se daria por meio da redução dos níveis de expressão gênica nos dois cromossomos X nos embriões femininos.

Os primeiros indícios sobre o processo de inativação do cromossomo X foram identificados na década de 1940 pelo médico canadense Murray Llewellyn Barr (1908-1995), que observou um pequeno novelo de DNA junto à face interna da membrana do núcleo das células femininas que não se desenrolava durante a mitose. Nos anos 1960, a partir dos trabalhos da geneticista inglesa Mary Lyon (1925-2014), constatou-se que essa estrutura era um cromossomo X inativado, e que isso era uma característica própria das células das fêmeas dos mamíferos que assegurava o desenvolvimento adequado do embrião. Nos anos seguintes, verificou-se que esse processo se dava de modo distinto em outros organismos. Nos vermes, a expressão dos genes nos dois cromossomos X da fêmea era reduzida pela metade. Já nas moscas, os machos duplicavam a expressão dos genes de seu único cromossomo X.

Em mamíferos, a inativação do cromossomo X foi estudada sobretudo em células embrionárias de camundongos, nos quais esse processo se dá assim que o embrião em estágio blastocisto se implanta na parede do útero e as células começam a se diferenciar. Sabe-se hoje que essa inativação pode acometer tanto o cromossomo X paterno como o materno, e que, uma vez definido o X inativo, seus genes deixam de ser expressos, característica que se mantém nas células descendentes. Até então, pensava-se que o processo em humanos seria igual ao observado em camundongos. Nos últimos anos, no entanto, com a descoberta das células-tronco embrionárias humanas e o desenvolvimento de uma nova técnica de mapeamento de DNA capaz de sequenciar o genoma completo de uma única célula, tornou-se possível estudar melhor esse fenômeno e com isso muitos grupos passaram a investigar a inativação do cromossomo X humano.

O grupo de Lygia e Maria decidiu seguir essa linha de pesquisa em 2013. Ao lado da bióloga Joana Carvalho Moreira de Mello, elas começaram a trabalhar no sequenciamento de RNA de células isoladas de embriões humanos. A estratégia permite identificar quais genes estão ativos, ou determinar em que momento se tornam ativos. “Pretendíamos analisar a atividade dos genes ligados ao cromossomo X em embriões em diferentes estágios de desenvolvimento”, explica Maria. No entanto, no mesmo ano, um grupo de pesquisadores chineses publicou um artigo analisando a mudança de expressão gênica em embriões a partir dos mesmos experimentos que elas pretendiam fazer.

Atalho inesperado
Os chineses haviam feito toda a parte laboratorial: conseguiram os embriões humanos, separaram as células, extraíram e sequenciaram o RNA, mas não olharam para a inativação do cromossomo X. Eles também disponibilizaram todas as informações em bancos de dados genômicos. “Com isso, não precisamos gastar tempo com os experimentos, apenas com a análise dos dados prontos”, conta Lygia, que também é chefe do Laboratório Nacional de Células-tronco Embrionárias e pesquisadora principal do Centro de Terapia Celular da USP, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP. Elas interromperam o sequenciamento de RNA e passaram a analisar os dados com o apoio de estratégias de bioinformática, determinando o sexo dos embriões com base em dados de RNA e avaliando a expressão dos genes no cromossomo X.

No estudo, elas monitoraram a dinâmica de expressão dos genes do cromossomo X no início do desenvolvimento embrionário humano. Verificaram que o gene XIST, responsável por iniciar a inativação, era expresso em embriões femininos a partir do estágio de oito células e que sua expressão se estabilizava no estágio de blastocisto, seis dias após a fertilização. Os resultados sugerem que o processo de inativação do cromossomo X em embriões humanos tem início em um estágio anterior ao dos embriões de camundongos. “O ajuste da atividade gênica em humanos se dá pela inativação de um dos cromossomos X, como em camundongos”, explica Lygia. “A diferença é que em humanos esse processo começa a se desenhar antes de o embrião se fixar à parede do útero, enquanto em camundongos isso acontece quando as células estão começando a se especializar.”

Na avaliação da geneticista Anamaria Camargo, do Centro de Oncologia Molecular do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o trabalho se destaca pelo rigor científico e pela análise cuidadosa dos dados. “O padrão de expressão observado é compatível com o modelo de inativação de um dos cromossomos X e permite refutar o modelo proposto pelos pesquisadores suecos”, comenta a pesquisadora, que não participou do estudo na Scientific Reports. “Trata-se de uma contribuição valiosa para uma melhor compreensão do mecanismo de ajuste da atividade dos genes ligados ao cromossomo X em seres humanos.”

Segundo Lygia, o próximo passo é estudar como se dá a escolha do cromossomo que será silenciado, isto é, se se trata de um processo aleatório ou não. Para isso, pretendem analisar o processo de inativação do cromossomo X logo após a fertilização. As pesquisadoras também pretendem seguir monitorando as etapas seguintes da inativação do cromossomo X para investigar melhor esse mecanismo.

Projetos
1. Centro de Terapia Celular – CTC (nº 13/08135-2); Modalidade Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); Pesquisador responsável Dimas Tadeu Covas (FMRP-USP); Investimento R$ 25.560.734,64 (para todo o projeto).
2. O papel da gametogênesis na origem e evolução dos genes novos (nº 15/20844-4); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Jovem Pesquisador; Pesquisadora responsávelMaria Dulcetti Vibranovski (IB-USP); Investimento R$ 394.581,10.
3. Análise in silico do estado epigenético do cromossomo X em embriões humanos em estágio pré-implantacional (nº 15/03610-0); Modalidade Bolsa de Pós-doutorado; Pesquisadora responsável Maria Dulcetti Vibranovski (IB-USP); Bolsista Joana Carvalho Moreira de Mello; Investimento R$ 233.872,74.

Artigos científicos
MELLO, J. C. et al. Early X chromosome inactivation during human preimplantation development revealed by single-cell RNA-sequencing. Scientific Reports. v. 7, 10794. 7 set. 2017.
LANNER, F. et al. Single-cell RNA-Seq reveals lineage and X chromosome dynamics in human preimplantation embryos. Cell. v. 165, n. 4, p. 1012-26. 5 mai. 2016.




Autor: RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | ED. 260 |
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: OUTUBRO 2017
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/10/25/silenciar-para-sobreviver/?cat=ciencia