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sexta-feira, 10 de março de 2023

Mulheres são protagonistas na prática de circularidade e sustentabilidade no Brasil


Mulheres são protagonistas na prática de circularidade e sustentabilidade no Brasil
As mulheres atuam fortemente nas visões mais ecológicas e sustentáveis do mundo

As mulheres são a grande maioria na formação básica dos cidadãos brasileiros, no ativismo de organizações sociais e no setor de reciclagem. Com presença marcante nessas áreas, elas se tornam protagonistas da prática de circularidade e sustentabilidade no Brasil. Além das conquistas históricas no mundo, o feminino também celebra neste 8 de março, Dia da Mulher, um movimento importante no sentido de cuidar para tornar a sociedade um lugar com menos lixo e em que tudo se transforma para ser novamente utilizado, assim como na natureza.

Segundo dados do Censo Escolar 2021 do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 96,3% dos professores da educação infantil, 88,1% nos anos iniciais e 66,5% nos anos finais do fundamental são mulheres, assim como 57,7% do ensino médio. Portanto, a ação delas é fundamental para a formação dos agentes sociais, meninas, meninos e jovens que vão transformar o mundo.

A pesquisa “Perfil das Organizações Sociais e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público em Atividade no Brasil”, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 2020, mostra que as mulheres representam 72% da força de trabalho em Organização Social (OS) e 64% em Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). O Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), divulgou que em 2021 as mulheres eram 70% dos 800 mil trabalhadores em atividade no Brasil.

Além disso, elas também são maioria no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 51,1% da população brasileira era do sexo feminino em 2021, o que representa 4,8 milhões de mulheres a mais que homens no país. “É muito interessante pensar o papel da mulher na economia circular, uma sociedade que não descarta, que vê todos os recursos e matérias-primas como circulares, produtos que estão sempre sendo reintroduzidos na natureza ou em processos industriais. A mulher tem atuado muito fortemente nos campos da visão mais ecológica e sustentável do mundo”, afirma a professora Sueli Furlan, doutora em geografia física e coordenadora do Movimento Circular.

A professora comenta que a mulher tem um importante papel social na circularidade porque participa da economia doméstica, do cuidado com os filhos, com a alimentação da família e está cada vez mais presente em todas as possibilidades de trabalho do mercado. “Ela introduz uma visão mais integrada no mercado, talvez mais arquetípica da nossa ligação com o observar, o cuidar, o promover o bem-estar, o manter uma família. Ocupam cargos, composições, difundem ideias. As mulheres contribuem com as diferenças”, afirma.

Sueli avalia que as mulheres se destacam porque predominam em postos chaves de terceiro setor, em cooperativas, sistemas de triagem e indústria de reciclagem. “Ocupa a maioria dos postos nesse setor tão importante para fazer com que as matérias-primas circulem. Por ter sido caracterizado como um trabalho informal, a princípio isso marcou bastante a participação do contingente feminino nas cooperativas. As mulheres são predominantes numericamente e também nas ações para formar pessoas como professoras. No terceiro setor, lideram grupos de ativistas e ocupam postos nas empresas em cargos de aprendizagem social para que processos industriais sejam mais ecológicos”, afirma.

A professora explica que a circularidade é um processo. “Quando usamos os recursos, estamos tentando imitar o que a natureza faz, que é ser cíclica, na qual toda energia, toda matéria está sempre circulando. A mulher vive circularidade, por exemplo, em seu ciclo menstrual. Mas os homens também vivem. A circularidade é uma parte de como funciona a natureza e nós somos natureza, portanto, temos múltiplas circularidades. Todos somos energia e matéria que circulam no ambiente”, diz.

Na economia circular, as conquistas femininas são relevantes. A professora cita desde a criação da Fundação Ellen MacArthur, criada para apoiar organizações sociais, liderada a princípio por uma mulher, até as ações de transformação comportamental, com a divulgação, difusão, formação e educação, em que as mulheres são predominantes. “A adesão da mulher às questões ecológicas, por sua percepção de responsabilidade por um mundo mais saudável, para termos gerações mais comprometidas e responsáveis com o ambiente, é muito relevante na sociedade”, alega.

Circular feminino

A designer circular Carla Tennenbaum defende que o circular é feminino. No Fórum de Economia Circular das Américas, no Chile, foi a única representante feminina e também a única representante da América Latina no evento de abertura. No blog Ideia Circular, ela contou que se convidou para compor a plenária de abertura na véspera. Em seu discurso, apontou que a economia linear é masculina, literalmente e metaforicamente, e a economia circular é feminina..

“A economia linear foi criada por homens. Até pouco tempo atrás, eram só homens dirigindo governos e empresas. Nós trabalhávamos em casa, cuidando da casa e das crianças. Só muito recentemente passamos a atuar tomando algumas decisões do mundo produtivo. Então literalmente, historicamente, a economia linear foi criada por homens, através das ações e decisões de homens”, afirmou Carla.

Por outro lado, a economia circular fala de regeneração, de cuidado com o lugar que habitamos. “O cuidado, na nossa cultura, é uma função considerada feminina. E, como a maioria das funções femininas, ela é desvalorizada culturalmente e financeiramente. Os homens dirigem o mundo, tomam as decisões, geram valor financeiro às custas de um modelo destrutivo de extração. E nós ficamos em casa, cuidando. Ou ocupando as profissões associadas ao cuidado, de pessoas ou lugares: babás, professoras, enfermeiras, cuidadoras, faxineiras, empregadas domésticas, cozinheiras, arrumadeiras”, defende.

Para a designer, a transformação passa não só por promover mulheres a posições de poder. “Não é só sobre as mulheres, é sobre o feminino. Então, metaforicamente, a saída não é só valorizar as mulheres ou trazê-las a posições de poder dentro de um mundo masculino, mas valorizar o pensamento feminino em todos nós: homens e mulheres. E o pensamento feminino é essa sabedoria não linear, intuitiva e sistêmica. Também é esse impulso regenerativo de cuidado, que precisa ir além da esfera doméstica, para nortear os homens e mulheres que tomam decisões políticas ou produtivas que afetam a nossa coletividade”, alega.

Sobre Sueli Furlan – Mestre e doutora em Geografia Física pela Universidade de São Paulo (USP), é professora do Departamento de Geografia da FFLCH-USP e desenvolve pesquisa de pós-doutorado em Florestas Culturais na Amazônia. É também coordenadora de conteúdo e pesquisa do Movimento Circular, iniciativa de educação para Economia Circular.

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 08/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/08/mulheres-sao-protagonistas-na-pratica-de-circularidade-e-sustentabilidade-no-brasil/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Os 4 R’s da Sustentabilidade


Os 4 R’s da Sustentabilidade, artigo de José Austerliano Rodrigues

Os 4 R’s são uma forma simples de nos lembrar como podemos fazer a diferença na sustentabilidade

Devido à crescente consciência do impacto que temos no Planeta, os stakeholders (partes interessadas) estão hoje bem informados sobre as possibilidades de dar uma contribuição positiva para à sustentabilidade.

Os 4 R’s são uma forma simples de nos lembrar como podemos fazer a diferença na sustentabilidade. Eles nos tornam conscientes de como manuseamos os materiais e como os jogamos fora. Os 4 R’s são claros, fáceis de lembrar e alcançáveis. Eles nos ajudam a fazer mudanças simples que têm um impacto significativo na sustentabilidade do nosso Planeta. Os 4 R’s significam: reduzir, reutilizar, reciclar e recuperar.


Até agora, esses termos são usados ​​em todo o mundo. Tendo em mente os 4 R’s. Por exemplo, o governo canadense interpretou a hierarquia entre essas ações da seguinte forma:

1. Se possível, a redução de desperdício é preferida.

2. Se forem produzidos resíduos, todos os esforços devem ser feitos para reutilizá-los.

3. A terceira opção é a reciclagem. Embora a reciclagem ajude a conservar materiais e reduzir o desperdício, não se deve esquecer que a reciclagem envolve custos, tanto econômicos quanto ambientais. Portanto, a reciclagem só deve ser considerada quando a redução e a reutilização não são possíveis.

4. Em alguns casos, é possível extrair materiais ou energia de resíduos quando esses resíduos não são adequados para redução, reutilização ou reciclagem. Em outras palavras, recupere.

A Holanda é um dos países europeus onde a maior parte do lixo é reciclada. Os plásticos coletados são transformados em novas embalagens, enquanto o alumínio é derretido e transformado em peças para novos laptops (JASA, 2019).

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou no dia 13/02/2023, dois decretos para promover o protagonismo dos catadores no processo de reaproveitamento de materiais recicláveis e reutilizáveis no Brasil. Os atos também permitem uma mudança no modelo atual de economia circular e logística reversa do país (WWW.GOV.BR).

José Austerliano Rodrigues é administrador, analista de sustentabilidade sênior, professor de Administração e em Gestão de Sustentabilidade de marketing, com doutorado em Sustentabilidade de Marketing pela UFRJ.

E-mail: austerlianorodrigues@bol.com.br.

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394






Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 20/02/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/02/20/os-4-rs-da-sustentabilidade/

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Sábado da ciências 24 de setembro de 2022 Cultura Oceânica & Sustentabilidade Entrada Franca

 


SdC: Cultura Oceânica e Sustentabilidade

 

📍 No dia 24/09/2022, das 14h às 18h, o Espaço Ciência Viva (ECV) abrirá suas portas para o “Sábado da Ciência – Cultura oceânica e sustentabilidade". 🌊🐬


🦀O evento será composto por diversas atividades e oficinas lúdicas! O “Menos Plástico é Mais” (CEFET/RJ), Verde Mar, Ilhas do Rio (Instituto Mar Adentro), Luppa Rio (UFRJ), Cavalos Marinhos (USU) e a Exposição Galápagos (Fiocruz) são alguns dos projetos que estarão presentes. 🐳


🦭Contaremos ainda com uma roda de conversa com pesquisadoras e ativistas que atuam na defesa do Meio-Ambiente!🦑


🏊🏼‍♀️Vem nadar com a gente!!! 🐠


🐙 Maiores informações em http://cienciaviva.org.br

www.instagram.com/espacocienciaviva

www.facebook.com/espacocienciaviva

www.twitter.com/ecienciaviva

www.youtube.com/espacocienciaviva

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Rocinha: celeiro de empreendedorismo, sustentabilidade e inovação social

Em cerimônia realizada na tarde desta quarta-feira, 30 de março, na quadra do Complexo Esportivo da Rocinha, a FAPERJ realizou a entrega dos termos de outorga para os 26 representantes dos projetos contemplados no âmbito do programa Apoio às Bases para o Parque de Inovação Social e Sustentável na Rocinha. Os selecionados pelo edital, lançado em outubro de 2021 pela Fundação, receberão ao todo cerca de R$ 9 milhões, para desenvolverem diversos projetos que vão gerar renda para a comunidade a partir de propostas de empreendedorismo, sustentabilidade e inovação social e tecnológica.

Entre essas iniciativas inovadoras estão a produção de cogumelos cultivados em hortas nas lajes de 50 casas localizadas na parte alta da Rocinha; a implantação do Carteiro Amigo, um serviço para expandir a entrega de cartas e encomendas na comunidade, onde nem sempre o envio de correspondências ocorre de forma correta e segura; a criação de uma biblioteca virtual voltada à memória e à história da comunidade; o estímulo à produção artesanal de uma cooperativa de crochê; o desenvolvimento de uma incubadora de negócios de impacto no Parque de Inovação Social e Sustentável da Rocinha, além de projetos ligados ao saneamento e à coleta de resíduos sólidos, entre outros. Cada projeto contemplado receberá entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, e terá prazo de conclusão entre um a dois anos, de acordo com o valor recebido.

O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I), Dr. Serginho, destacou a importância para o estado do Rio de Janeiro dos investimentos em políticas públicas voltadas ao setor científico e tecnológico, que geram impactos sociais inovadores. “O Rio de Janeiro concentra um grande número de instituições de ensino e pesquisa e possui pesquisadores e pensadores de renome no mundo, basta dar condições para que eles se desenvolvam. Tenho certeza que a Rocinha é um celeiro de jovens criativos e empreendedores”, disse. Ele lembrou ainda que ações para o desenvolvimento sustentável na Rocinha estão em consonância com a pauta estabelecida pelo Governo do Estado para 2022, eleito como o Ano Internacional da Sustentabilidade.

O presidente da FAPERJ, Jerson Lima Silva, ressaltou o cumprimento, pelo governo estadual, do repasse dos recursos totais previstos no orçamento anual da Fundação, da ordem de R$ 700 milhões, para viabilizar o empenho e pagamento dos projetos contemplados em seus diversos programas e editais. “A FAPERJ tem como missão de Estado lançar editais competitivos, que apoiem o desenvolvimento de pesquisas de alta qualidade com impactos inovadores para a sociedade. Temos muitos talentos escondidos no nosso estado, e, com certeza, na Rocinha estamos semeando o surgimento de novas empresas e talentos, investindo em inovação para além da academia”, disse.

O diretor de Tecnologia da FAPERJ, Maurício Guedes, elogiou a criatividade dos projetos selecionados pelo programa e o potencial transformador deles. “São iniciativas que vão promover o dinamismo econômico na Rocinha de forma inovadora e sustentável. São exemplos concretos de como os investimentos em inovação podem gerar impactos sociais positivos e transformar a comunidade”, comemorou. O programa é uma iniciativa inédita entre as Fundações estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs). “Para merecer o título de Smart City, qualquer cidade precisa incorporar a este conceito os territórios onde moram as camadas mais vulneráveis da sua população”, completou.

O secretário estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Thiago Pampolha, acredita que, entre as diversas políticas públicas em curso no estado, o Parque talvez seja a melhor. “O Parque traz investimentos e renova a motivação e a esperança das pessoas da comunidade, sendo um gatilho para a transformação pessoal delas. É um trabalho feito a muitas mãos e que vai deixar um legado na Rocinha”, afirmou. Ele lembrou ainda que o Governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade, deu início à mobilização para a Rio2030 (www.rio2030.org), três décadas após a histórica realização da Rio-92, para debater a questão do desenvolvimento sustentável.


Jerson Lima Silva ressaltou a missão institucional da FAPERJ de lançar editais com resultados de impacto para a sociedade

Responsável pela governança do Parque, José Alberto Aranha contou que o projeto agrega uma ampla rede social, com o protagonismo dos moradores da Rocinha. “Mais de cem pessoas estão envolvidas na execução desse projeto, numa rede social de apoio extensa, e o mais importante é a participação das próprias pessoas da comunidade. O Parque será uma unidade de apoio ao território de inovação da Rocinha, para que daqui as cooperativas possam, por exemplo, ser competitivas e vender e distribuir seus produtos para o mundo inteiro”, explicou.

Um dos contemplado pelo programa, o engenheiro de produção Roberto Bartholo é colaborador do Centro de Pesquisas e Articulação de Conhecimentos PUC-Rocinha. “Esse edital é uma oportunidade de aproximar universidades das associações e lideranças populares da comunidade. É antes de tudo uma proposta de diálogo, de escutar sobretudo as necessidades e projetos dos moradores da Rocinha”, disse Bartholo, que também é professor e pesquisador do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Estiveram ainda presentes na cerimônia o representante do Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (Cieds), Léo José; o representante da Fecomércio, Sérgio Arthur Ribeiro; a subsecretária estadual de Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Ana Asti; a diretora da Escola Municipal Luiz Paulo Horta, Ana Maria Nogueira; a socióloga e ambientalista Aspásia Camargo; e a assessora da Diretoria de Tecnologia da FAPERJ, Ruth Espínola Mello.

Também participaram moradores e representantes de organizações que atuam na Rocinha, como a Associação de Moradores, o programa Ecomoda – iniciativa da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade inserida dentro do projeto Comunidade Recicla, que capacita gratuitamente moradores das comunidades para confeccionar roupas, bolsas e acessórios a partir do reaproveitamento de tecidos, retalhos e outros objetos que teriam como destino a lata do lixo – e o projeto social Funk Verde, que utiliza resíduos sólidos para a produção de instrumentos musicais.






Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 06/04/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=76.7.6

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

EVENTO DE LANÇAMENTO da série de webdocumentário

Olá, colegas

O NOSS (Núcleo de Pesquisa em Organizações, Sociedade e Sustentabilidade - EACH/USP) gostaria de convidar a todas e todos para o EVENTO DE LANÇAMENTO da série de webdocumentário “Repensando o Plástico” no dia 15/12, na próxima quarta-feira, às 17h no Canal do Youtube NOSS USP https://youtu.be/XPjh835sxzg

A série documental conta com 3 episódios que foram elaborados a partir de entrevistas com pesquisadores, empreendedores sociais, políticos, catadores e representantes da sociedade civil organizada que traçam um panorama do problema da poluição por plástico no cenário atual e suas perspectivas futuras. A iniciativa se destaca pela importância da discussão do tema, especialmente aos impactos do plástico no meio ambiente.

No Evento de Lançamento teremos um debate com entrevistados e convidados sobre os temas abordando no webdocumentário e após a transmissão ao vivo do primeiro episódio “O plástico no Antropoceno”. Nos dias 16 e 17 de dezembro, também às 17h, os Episódios 2: “Limites da reciclagem” e Episódios 3: “Governança da poluição por plástico”, respectivamente também estarão disponíveis no Canal!

A série documental é fruto de uma parceria entre o NOSS e a Moeté Filmes, e é um dos resultado do projeto intitulado "Repensando a poluição plástica após a pandemia da Covid-19, financiado pelo University Global Partnership Network (UGPN).



Para não perder nada sobre esse super evento, se inscrevam no canal do Youtube NOSS USP e ativem as notificações!



Autor: Lançamento Webdoc Repensando o plástico
Fonte: youtube
Sítio Online da Publicação: NOSS USP
Data: 15/12/2021

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Covid- 19 e a Sustentabilidade, por Andreia de Bem Machado e Marc Francois Richter

As questões econômicas, sociais e ambientais são interligadas, o que envolve cuidar da saúde humano como um todo em nível global

Sustentabilidade é um conceito usado para trazer equilíbrio e criar responsabilidade pela atividade econômica e pelo desenvolvimento. A definição atual desse termo adotada pela Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social de 2005, aborda três pilares para o desenvolvimento sustentável: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e proteção ambiental – que têm servido como base para vários padrões e certificações em sustentabilidade. O conceito é bem adotado por todas as partes interessadas em várias áreas dos setores público e privado.

À medida que a discussão e a conscientização sobre sustentabilidade avançavam, a ONU, em 2015, desenvolveu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que visam garantir que todos as pessoas sejam incluídas e a extrema pobreza seja abolida do planeta, ou seja: ninguém seja abandonado em prol de uma sociedade melhor.

Os ODS incluem os seguintes assuntos: 1. Sem pobreza; 2. Fome zero; 3. Boa saúde e bem-estar; 4. Educação de qualidade; 5. Igualdade de gênero; 6. Água limpa e saneamento; 7. Energia limpa e acessível; 8. Trabalhos decentes e crescimento econômico; 9. Indústria, inovação e infraestrutura; 10. Desigualdades reduzidas; 11. Cidades e comunidades sustentáveis; 12. Consumo e produção responsáveis; 13. Ação climática; 14. Vida abaixo da água; 15. Vida na terra; 16. Paz, justiça e instituições fortes; e 17. Parcerias para as metas.

A definição geral e mais usada de sustentabilidade é “atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atender às suas necessidades” (RELATÓRIO BRUNDTLAND, 1987).

No momento pandêmico, conforme explicitaram MACHADO e RICHTER (2020) em seu artigo intitulado “Sustentabilidade em Tempos de Pandemia (COVID-19)” explicitaram que nas organizações as relações entre a pandemia e sustentabilidade, diz respeito ao conceito que precisa estar atrelado não apenas ao ser humano em parar de cometer danos e impactar o meio ambiente, mas também a estratégias para recuperação dos ecossistemas. Além disso o artigo aborda vários aspectos que fazem com que seja feita uma reflexão sobre um repensar sobre a sustentabilidade como a interseção da economia, meio ambiente, sociedade e também da saúde humana.

É praticamente impossível que a vida continue como de costume quando a saúde da sociedade desmorona dramaticamente devido a um evento como uma pandemia global gerando um imenso risco para a saúde humana de magnitude global. Anteriormente, os pilares da sustentabilidade tratavam de questões que afetam a todos nós e nos conectam globalmente.

As questões econômicas, sociais e ambientais são interligadas, o que envolve cuidar da saúde humano como um todo em nível global. Nota-se que com a pandemia do COVID-19, um Novo Normal pode ser associado ao desenvolvimento sustentável que é a saúde física e mental devido a sua importância na sobrevivência humana e na sustentabilidade da civilização.

Andreia de Bem Machado – Pedagoga. Pós-Doutoranda em Engenharia e Gestão do Conhecimento. Avaliadora do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (BASis). Professora da Faculdade ANASPS SCS Quadra 03 Bloco A – Ed. Anasps – Térreo – Asa Sul, Brasilia/DF. E-mail: andreiadebem@gmail.com

Marc Francois Richter – Bioquímico. Professor no Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Sustentabilidade (PPGAS) da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), São Francisco de Paula/RS. Editor Chefe do Blog Repense. E-mail: marc-richter@uergs.edu.br

Referências:

RELATÓRIO BRUNDTLAND (1987). Report of the World Commission on Environment and Development: Our Common Future. Nações Unidas (em inglês). Acesso em: 24 out. 2021

MACHADO, A. de bem; RICHTER, M. F. (2020). SUSTENTABILIDADE EM TEMPOS DE PANDEMIA (COVID-19): (Covid-19). RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar – ISSN 2675-6218, [S. l.], v. 1, n. 2, p. 264–279. DOI: https://doi.org/0.47820/recima21.v1i2.25. Disponível em: https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/25. Acesso em: 24 out. 2021.

Links de acesso ao artigo:

https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/25/77 (versão em português)

https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/25/115 (versão em inglês)

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/10/2021






Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 26/10/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/10/26/covid-19-e-a-sustentabilidade/

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Um olhar mais atento para os caminhos da habitação popular/social, artigo de Sucena Shkrada Resk




A população cresce ano a ano e o déficit habitacional segue a mesma trajetória no Brasil e é superior a 7,7 milhões de moradias necessárias para suprir essa demanda por imóvel próprio. Os dados são baseados em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad/IBGE) de 2015. Um problema e tanto para ser administrado pela gestão pública.

A questão central é como garantir o acesso de qualidade principalmente à população de baixa renda, aproveitando melhor a ocupação nas manchas urbanas e suas infraestruturas disponíveis nas regiões metropolitanas, e planejar para curto, médio e longo prazos esta cobertura, tendo em vista este crescimento demográfico contínuo; ou seja, como ganhar escala e evitar que fiquem cada vez mais em áreas periféricas?

Uma série de questões estão em jogo, neste processo. Quais são os critérios para atendimento à população de baixa renda? As construções têm qualidade de infraestrutura e acabamento, custo justo (processo licitatório), são localizadas nas proximidades das redes de serviços de atendimento à população (transporte público, saneamento, saúde, educação, segurança…) e de seus empregos? O quanto estas distâncias refletem na emissão de Gases de Efeito Estufa (GEEs)? Há manutenções periódicas destas edificações e estão harmônicas com áreas verdes, por exemplo? “Adensar” é o melhor caminho ou não? A opção do aluguel social pode ser uma saída? Recuperar imóveis ociosos nas regiões centrais são uma opção com melhor custo-benefício para este déficit? São muitos aspectos a serem analisados.

Entre 2009 e 2016, mais de 4,4 milhões de moradias populares – um número expressivo e importante, do ponto de vista de cobertura e expansão foram construídos dentro do Programa Minha Casa Minha Vida, do governo federal em parceria com estados e municípios, o que não significa, entretanto, solução definitiva. Segundo a Caixa Econômica Federal, o investimento foi superior a R$ 319 bi. Anteriormente o mesmo número de unidades foi entregue pelo então Programa Nacional de Habitação (BNH), entre os anos de 1964 e 1986.

Salto urbano

Além de não cobrir o déficit crescente, como o próprio governo constata, um dos maiores problemas detectados por especialistas é que parte dessas construções destinadas à Faixa 1 (renda familiar bruta de 0 a 3 salários mínimos e que o subsídio pode chegar a cobrir até 90% do valor total do imóvel, sem juros) ficam localizadas longe dos centros, dos locais de emprego e de serviços básicos à população. Essa distância das moradias construídas às manchas urbanas é chamada de “salto urbano”.

Ao mesmo tempo, há o registro do subaproveitamento dos espaços internos nas manchas urbanas, como foi observado, por exemplo, nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte (MG) e São Luís (MA), entre outras. Fato que tem se repetido há décadas no Brasil. Esses dados integram o resultado do estudo Morar Longe: o Programa Minha Casa Minha Vida e a expansão das Regiões Metropolitanas idealizado pelo Instituto Escolhas e que teve execução técnica do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (CEPESP/EAESP/EESP – FGV), lançado nesta semana, com apoio da Fundação Tide Setubal.

Foram pesquisadas 20 regiões metropolitanas (Belém, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Palmas, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Santos, São Luís, São Paulo, Teresina e Vitória), onde vivem cerca de 60% da população brasileira. Como resultado, foi identificado com análises dos satélites, que o programa tem contribuído para a expansão das metrópoles brasileiras e não tem ocupado espaços internos das cidades, já providos de infraestrutura urbana.

Em oito das 11 regiões georreferenciadas analisadas, com 82.909 unidades habitacionais contratadas até março de 2013 na Faixa 1, foi apurado que a maioria das unidades foi construída fora da mancha urbana.

Segundo o estudo, o programa provocou aumento de ocupação do solo além da mancha urbana por meio de salto urbano, um aumento de 10% nas unidades habitacionais, e provocou aumento de 2,1% de novos desenvolvimentos além da mancha.

Em seminário realizado no último dia 22, algumas hipóteses para este “salto” apontadas pelo coordenador do estudo, o economista Ciro Biderman, da FGV, podem estar relacionadas a falhas de mercado de crédito, de mercado de solo (terras), como também insuficiência de renda.

O coordenador do estudo ainda alertou que em algumas situações, mesmo com a presença do equipamento público próximo à moradia, o que faltam são as vagas diante deste crescimento populacional.

Em algumas regiões, mais um fator considerado problemático, segundo Biderman, é a atuação de milícias e/ou grupos que exercem poder velado até para “autorizar” a realização das obras e manutenção desses conjuntos nas comunidades, a exemplo de casos no RJ. Quando os condomínios também têm mais unidades, o que se observou é a tendência à queda de qualidade.

A arquiteta Luciana Royer, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), esclarece que é preciso entender quais são os agentes envolvidos. “A articulação é do governo federal, com a política de habitação e de crédito; o registro de imóveis é no nível estadual e o uso do solo é municipal, relacionado ao Plano Diretor e Lei de Zoneamento”. Às Prefeituras também cabe o cadastramento e seleção dos beneficiários e às empresas da construção civil (construtoras) a proposição dos projetos habitacionais, como também a execução da obra. Sem esquecer obviamente da própria população atendida.

Condominialização da vida

A arquiteta alerta que para o planejamento das habitações populares é preciso um cuidado para a chamada “condominialização” da vida (termo utilizado pelo psicanalista Christian Dunker) versus o trabalho para a construção de bairros. “Nestes condomínios fechados, vai se elevando o custo da habitação e ocorre (em muitos casos) a guetificação”, analisa. Para Dunker, a privatização do espaço público transforma a própria vida em formas de condomínio, com seus regulamentos, síndicos, gestores e muros.

Biderman, da FGV, explica que outro aspecto relevante nesta conjuntura é que houve uma desaceleração de investimentos nas construções a partir de 2015 principalmente para atender a população na Faixa 1, o que gera apreensão.

Muitas questões ficam em aberto. O que pode melhorar no setor habitacional com a finalidade social já que o estudo analisa que as localizações mais centrais estão perdendo sua atratividade em função de uma demanda mais concentrada em periferias mais distantes, que apresentam externalidades negativas, por exemplo, quanto à mobilidade urbana, empregabilidade e acesso aos mais variados serviços públicos? Como ficará este programa ou outro (independe a tarja) a ser criado, já que o Ministério das Cidades – que capitaneava o processo com outras pastas – foi extinto, e a política nacional de habitação fica ao encargo agora do recém-criado Ministério de Desenvolvimento Regional, conforme a Medida Provisória 870/2019? A política habitacional é uma política de Estado.

*Sucena Shkrada Resk é jornalista, formada há 27 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk (https://www.cidadaosdomundo.webnode.com), desde 2007, voltado às áreas de cidadania, educação, saúde, socioambientalismo e sustentabilidade.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/02/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 01/02/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/02/01/um-olhar-mais-atento-para-os-caminhos-da-habitacao-popularsocial-artigo-de-sucena-shkrada-resk/

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A Sustentabilidade e sua relação direta com a utilização indevida e desnecessária dos Recursos Naturais, com o Consumismo, com a Obsolescência Programada e com a Reciclagem, artigo de Luiz Eduardo Corrêa Lima

A Sustentabilidade e sua relação direta com a utilização indevida e desnecessária dos Recursos Naturais, com o Consumismo, com a Obsolescência Programada e com a Reciclagem

(Professor Titular do UNIFATEA/Lorena/SP)

Introdução

Nos tempos atuais a Sustentabilidade passou a ser palavra de ordem em quase todas as atividades humanas, mas o verdadeiro conceito de sustentabilidade passa muito longe do que efetivamente tem sido visto como modelos sustentáveis. Lima (2015), comentou sobre o fato do conceito de sustentabilidade ser usado indevidamente, chamando a atenção para uma possível ação programada para tentar enganar a população e desvirtuar a essência do conceito.

Entretanto, além das falcatruas e dos embusteiros, ainda existe realmente muita dificuldade de entender o conceito de sustentabilidade por grande parte da população e assim, muitas pessoas acabam confundindo as coisas em nome da sustentabilidade. É claro que aqui também existem os aproveitadores, que se utilizam dessa condição, mas, por outro lado, também existem aqueles que até querem ajudar e pensam que estão fazendo certo e, se até fazem errado, certamente é por falta de conhecimento em consequência principalmente da má informação.

Nesse sentido está se e propondo a fazer uma pequena síntese do atual estado de coisas sobre aplicação correta do conceito de sustentabilidade, para que se possa ter uma verdadeira imagem do que acontece e do que deveria estar acontecendo em benefício do planeta e da sociedade. Alguns conceitos se tornam necessários para que eu possa dar andamento ao que quero dizer e por isso mesmo os cinco termos (expressões) presentes no título serão objetivamente definidos. Não há pretensão de que paire dúvidas sobre o que está efetivamente se querendo dizer e por isso mesmo, é preciso que sejam esclarecidas e clarificadas todas as questões conceituais.

Nesse sentido, é preciso que sejam apresentados e discutidos as principais palavras chaves envolvidas na questão da sustentabilidade, para que se possa ter um parâmetro comparável e se possa compreender o sentido exato dos termos e as possibilidades concretas de aplicação da noção de sustentabilidade nas práticas antrópicas. Também é discutido o fato de que a sustentabilidade é uma necessidade premente para a manutenção e a continuidade da vida humana na Terra.

Sustentabilidade

A Sustentabilidade é uma palavra oriunda da ideia de Desenvolvimento Sustentável (SACHS, 1986), isto é, aquele desenvolvimento que se faz hoje, mas que visa garantir o amanhã. Quer dizer, a sustentabilidade implica na garantia de que os recursos naturais que estão sendo usados pela população hoje, deverão ser suficientes para serem usados pelas populações futuras, sem que haja prejuízo ambiental ou econômico. Assim, a sustentabilidade se embasa sobre três vertentes fundamentais: a sociedade, o meio ambiente e a economia.

Só existe sustentabilidade efetiva, quando são considerados essas três vertentes de maneira equitativa e complementar. Mas, ainda assim, existem muitas atividades ditas sustentáveis, que na verdade não contemplam a noção real e efetiva de sustentabilidade. A imagem que melhor representa a ideia concreta da sustentabilidade é representada por três esferas que indicam o meio ambiente, a sociedade e a economia, e que se intercruzam equitativamente, determinando uma área de interseção. Essa área de interseção é que consiste na verdadeira sustentabilidade (figura 1). Qualquer coisa diferente desse padrão não pode ser enquadrada totalmente dentro do conceito de sustentabilidade.



Figura 1 – O Tripé da Sustentabilidade.

Nos últimos anos inúmeros autores já citaram e representaram essa imagem ou algo parecido, além de terem trabalhado e discutido bastante sobre esse verdadeiro conceito de sustentabilidade. Há até alguns autores que são contrários à ideia restrita do desenvolvimento sustentável, haja vista que é impossível continuar crescendo economicamente de maneira infinita, dentro de um planeta que é finito (Latouche, 1994). Para esses autores a sustentabilidade propriamente é uma utopia econômica. Entretanto essa utopia econômica, deve ser buscada, no que se refere ao meio ambiente e à sociedade, para garantir a vida humana no planeta.

Pensar em sustentabilidade é pensar na continuidade da vida humana, nas futuras gerações e também na manutenção de inúmeras espécies planetárias que convivem com a espécie humana. Agir dentro da sustentabilidade, sendo esta uma utopia ou não, é a única condição que poderá garantir a continuidade da vida humana no planeta Terra, pois só garantiremos a sociedade, se mantivermos o ambiente onde é possível mantê-la. A economia parece ser o que menos importa no tripé que mantém a sustentabilidade.

É bom lembrar que ninguém vai resolver nada agindo da mesma maneira sempre. É preciso mudar o foco e os procedimentos para se resolver problemas que insistem em continuar existindo. Talvez esteja aí a grande questão humana: queremos sobreviver como espécie por um tempo geológico bem razoável ou queremos apenas ganhar mais e ficar ricos por um tempo extremamente curto?

Recurso Natural

O conceito de recurso natural é uma questão mais concreta e assim mais simples de ser entendida. O recurso natural é tudo aquilo que existe na natureza (no planeta) e que, de alguma forma está disponível e pode ser utilizado pelas diferentes espécies de organismos vivos para garantir as suas respectivas necessidades e assim garantir a sobrevivência das espécies. Os recursos naturais portanto são a água, o ar, o solo, as plantas, os animais e os minerais (figura 2). O uso desses recursos naturais pode ser mais ou menos impactante ao ambiente local e ao planeta como um todo, em função da pressão exercida pelas espécies vivas e pela disponibilidade total do recurso em questão.



Figura 2 – Representação de alguns Recursos Naturais Planetários.

Obviamente a espécie humana é a que mais se utiliza dos recursos naturais, por conta de sua imensa população, da grande diversidade de recursos usados e da quase infinita possibilidade desses usos. A maioria das espécies vivas, ao contrário dos humanos, usa limitados recursos e de maneira também limitada, pois só usa o estritamente necessário ao seu consumo. Na natureza não há desperdício de absolutamente nada, só os seres humanos são capazes de desperdiçar recursos naturais.

Existem dois tipos básicos de recursos naturais: os renováveis, aqueles que são naturalmente refeitos em relativo tempo curto e os não renováveis, aqueles que não podem ser naturalmente refeitos em tempo curto. Para critérios estritamente antrópicos considera-se como recursos renováveis aqueles que podemos renovar, como uma árvore, por exemplo. Por outro lado, considera-se recursos não renováveis aqueles que não podemos renovar, como um minério qualquer.

O homem, ao longo de sua história evolutiva no planeta, de alguma maneira, procurou tornar útil quase tudo que encontrou e assim, transformou a Terra em sua pretensa fonte “inesgotável” de recursos. A espécie humana se assumiu “dona do planeta” e tem usado os recursos da forma como quer, sem considerar os limites naturais estabelecidos da existência dos mesmos. O resultado dessa usurpação é a degradação planetária quase total em consequência do conjunto das atividades humanas, relacionadas a exploração dos recursos naturais.

É preciso ficar claro à humanidade que existe apenas um planeta Terra e que todos os recursos que utilizados são retirados única e exclusivamente desse planeta. Isto é, a Terra é finita e tudo que tem nela também é finito, inclusive a espécie humana e que o ato de apenas tirar e usar os recursos indefinidamente, só irá levar à escassez dos mesmos mais rapidamente. Assim, é preciso pensar o como e o porquê se deve fazer uso dos recursos naturais, antes de efetivamente utilizá-los.

Consumismo

Consumismo é uma expressão bastante antiga, pois se originou no início do capitalismo, ainda na idade média, entretanto modernamente essa expressão ressurgiu com o intuito de alarmar os seres humanos sobre o excesso de consumo desnecessário de recursos naturais, que é cada vez maior. Aqui será tratada essa noção moderna, oriunda de hábitos de compra exagerados de determinados grupos sociais, que têm produzido uma grande quantidade de consumo de supérfluos e assim utilizado (desperdiçado) significativa quantidade de recursos naturais, sem a devida parcimônia. O consumo excessivo produzido pelas sociedades modernas talvez seja o pior dos males ambientais da atualidade, porque leva ao uso indiscriminado de produtos supérfluos. A figura 3, tenta apresentar a verdadeira dimensão entre o consumo e o consumismo.

Consumir recursos naturais é uma necessidade de qualquer organismo vivo, entretanto, apenas a espécie humana usa mais que precisa e, o que é pior, também deteriora grande parte daquilo que não usa, por conta de outros interesses. Por exemplo, para extrair um minério qualquer muitas vezes é necessário que seja destruída toda área do entorno, a qual possui várias coisas que normalmente não precisariam ser destruídas e poderiam ser aproveitadas para outros fins. Entretanto, quem faz exploração mineral dificilmente atenta para esse fato, assim não se preocupa com o entorno e destrói tudo para conseguir o minério que objetiva.

Esse desperdício é a base da degradação ambiental planetária e também é a porta de entrada da do consumismo. A situação é mais ou menos assim: “só me interessa o que me interessa e o resto que se dane”. Com essa visão se consome tudo o que se quer irresponsável e inconsequentemente, sem avaliar o gasto planetário que essa atitude pode representar. Isso começa na exploração do recurso natural e vai até o comércio do produto dele derivado, onde a situação é efetivamente muito mais grave. Se retira o recurso natural sem o devido critério e o comércio dos produtos tem menos critério ainda, pois no comércio, o que se quer é vender para lucrar cada vez mais e não importa se isso pode trazer algum prejuízo ao ambiente ou mesmo à sociedade. Infelizmente, o lucro a qualquer custo é o motor que move o consumo e que cria o consumismo e não a necessidade real do uso de determinado recurso como deveria ser.



Figura 3 – Comparação entre Consumo e Consumismo.

O consumismo exacerbado e cruel que vivenciamos é fruto direto da propaganda e do marketing promocional, muitas vezes exagerados e indevidos, que acompanham a maior parte dos produtos. Se isso traz alguma vantagem e apresenta um lado bom para a economia, no que se refere ao comércio dos produtos, por outro lado, acaba sendo bastante ruim, pois reforça a degradação ambiental e intensifica o uso desnecessário de recursos naturais pelos seres humanos. Assim, ainda que muitos, iludidos pela propaganda e desinformados da realidade planetária, não percebam, o consumismo acaba sendo um grande mal para a humanidade e uma praga terrível para o planeta, pois acaba por exaurir recursos planetários progressiva e inconsequentemente, por isso mesmo é que o consumismo exagerado que domina, principalmente os ambientes urbanos, precisa ser melhor esclarecido e energicamente combatido por toda a sociedade.

Obsolescência Programada

A obsolescência programada surgiu em meados do século passado como sendo um mecanismo que tentava garantir as vendas e o comércio. Na verdade como o nome diz, a obsolescência programada faz referência a criação de produtos programados para ficar obsoletos dentro de um determinado período de tempo. Desta maneira, a obsolescência programada, garantiria concomitantemente o emprego nas fábricas, na geração dos produtos e nas lojas, no comércio dos mesmos. Em tese, essa era, a priori, uma ideia nobre para a humanidade, pois garantiria o trabalho para todos.

Por outro lado, a necessidade de produzir e de comercializar produtos, leva a cada vez mais necessidade de recursos e assim quem sofre é o ambiente natural, a Terra, pois tem que fornecer níveis sempre maiores desses recursos, até que em dado momento esses recurso se esgotem. Foi assim que aconteceu com vários tipos de recursos naturais não renováveis e mesmo com recursos naturais renováveis, que, embora pudessem, nunca foram efetivamente renovados. Depois que esses produtos acabam, ou se arruma outro que possa suprir a necessidade ou os empregos também acabam porque sem recursos naturais não há mais como e nem o que produzir.

Uma fábrica, qualquer que seja ela, desde que Henry Ford criou a linha de montagem, é exatamente igual à outra. Tem um recurso que entra, uma linha de montagem que transforma progressivamente o recurso e vai elaborando o produto final que é desenvolvido pela fábrica. O que muda é o recurso que entra e produto que sai, mas o processo é sempre o mesmo. Bem, enquanto existir recurso, certamente existirá produto, mas se em dado momento faltar o recurso, aí faltará o produto e também o emprego, porque não haverá mais trabalho a ser feito, haja visto que não existirá mais o que produzir.

Olhando por esse lado, a obsolescência programada acaba sendo um grande mal, pois objetiva produzir constantemente e cada vez mais, haja vista que a população aumenta e a necessidade de empregos também. Assim, a tendência é que mais rapidamente os recursos naturais que levam a produção dos produtos se extingam na natureza e a carência desses recursos vai produzir o fechamento das fábricas, o fim da produção daquele produto e consequentemente o fim do comércio.

A obsolescência programada é uma falácia que está por aí a iludir alguns empresários tolos e apenas preocupados com o lucro, pois só serve para aumentar o consumo e assim estimular o consumismo (Figura 4). Mesmo a economia, depois de crescer rapidamente num primeiro momento, vai acabar perdendo muito com a obsolescência programada. É melhor produzir produtos duradouros e de qualidade pois garante a manutenção dos recursos naturais e o emprego por muito mais tempo, além do fato de que a natureza agradece e as gerações futuras também. A sustentabilidade e a obsolescência programada não combinam de maneira nenhuma.



Figura 4 – O verdadeiro objetivo da Obsolescência Programada é o lucro.

Reciclagem

A palavra reciclagem aqui estampada está representando muito mais uma ideia do que um conceito propriamente, porque a reciclagem passou a ser modelo generalizado quando a maioria das pessoas pensa ou fala em sustentabilidade. É como se a reciclagem fosse a própria sustentabilidade. Mas, vou tentar esclarecer melhor essa história, a princípio bastante confusa.

Na verdade, a palavra reciclagem surgiu na década de 1970, quando as indústrias foram encurraladas por estavam sendo generalizadamente consideradas e com razão, como os principais degradadores do meio ambiente. Naquela época, a indústria produzia quase 50% menos do que hoje, gastando cerca de 50% mais e de energia, de água e de seus recursos naturais básicos. Além disso, a indústria daquela época não se preocupava com a geração dos resíduos que produzia e muito menos com destinação desses resíduos.

A ideia da reciclagem surgiu da seguinte maneira. Primeiro foram os três Rs (reduzir, reutilizar, reciclar), apresentados no texto da agenda 21, na Conferência das nações Unidas, na cidade do Rio de Janeiro, em 1992. De lá para cá, tanto a ideia de reciclagem, quanto os três Rs, modificaram bastante. A ideia de reciclagem ganhou muito espaço na indústria e se espalhou, mas também ganhou bastante corpo na sociedade e se diversificou para as mais diversas atividades humanas educacionais, comerciais e culturais. Os três Rs, passaram a ser 4, depois, 5 e hoje já são pelo menos 6 Rs (respeitar, repensar, recusar, reduzir, reutilizar, reciclar), mas há quem proponha até 7 Rs (Figura 5). Enfim, como já foi dito, a reciclagem e as ideias oriundas dela passaram a ser ícones dentro da sociedade, em particular das pessoas mais sensíveis à causa ambiental.

Realmente a reciclagem é algo muito importante e precisa ter seu conceito efetivamente discutido e cada vez mais ampliado no imaginário popular. É necessário de fato que as comunidades tenham a verdadeira dimensão de reduzir, reutilizar e reciclar, como nos três Rs iniciais. Entretanto, existem os outros três termos aqui utilizados, devem ter preferência no que diz respeito à sustentabilidade. Antes de reduzir, reutilizar e reciclar, certamente é preciso aprendera a respeitar a natureza, a repensar sobre sua importância e a recusar a utilização de certos recursos naturais.



Figura 5 – Uma das concepções dos 7 Rs.

Quem tem verdadeira consciência ecológica sabe que a reciclagem, que ficou tão famosa e que levou a noção de aproveitamento melhor dos recursos naturais, na realidade, deve ser a última das tarefas a desenvolvida, quando se pensa nos recursos naturais, porque só será reciclado mesmo aquele recurso natural que já tiver sido fonte de análise e mesmo de aplicação de todos os cinco termos anteriores. Isto é, a reciclagem é boa, mas tem muita coisa mais importante que ela e a sustentabilidade necessita ser pensada dessa maneira, pois do contrário se cairá no mesmo marasmo de acabar com os recursos naturais, degradar o meio ambiente e destruir o planeta.

Só é possível reciclar aquilo que já foi usado e se já foi usado, certamente é um recurso natural que veio do planeta e que talvez não precisasse ter sido utilizado, se os três primeiros termos tivessem sido abrangentemente considerados. É preciso trocar a expressão usar livremente pela expressão necessitar vitalmente, pois só será possível fazer uso devido daquilo que efetiva e comprovadamente for necessário. A humanidade já consumiu demais indevidamente e agora já passou da hora de parar, pois atualmente se consome muito mais do que o planeta pode naturalmente repor.

O ano está progressiva e perigosamente mais curto, porque os recursos para um ano têm quantitativamente terminado sempre antes de 31 de dezembro. Esse ano (2016) por exemplo, o ano acabou no dia 8 de agosto, o que significa dizer que já estamos usando recursos naturais do ano que vem e essa tem sido uma prática costumeira nos últimos 20 anos. Até onde será possível chegar? Quanto tempo mais a Terra terá que fornecer esse fundo extra, esse “cheque especial” para humanidade? Quando a humanidade vai finalmente entender que isso não pode acontecer?

Discussão

Como foi visto até aqui a dimensão entre os conceitos estabelecidos é demasiadamente próxima para ser desconsiderada da sociedade. Toda a questão relacionada a sustentabilidade tem que perpassar pelo meio ambiente, pela sociedade e pela economia, além de ser projetada numa perspectiva futura. Isto é, o tripé da sustentabilidade só pode ser evidenciado e projetado realmente pensando naqueles seres humanos que ainda vão nascer e que têm o direito de herdar o planeta com condições necessárias para que possam se manter vivos.

O relatório Brudtland,1987 (“Our common future”), chamou a atenção da humanidade para as consequências do estava sendo feito ao planeta e da necessidade da busca de um modelo de Desenvolvimento Sustentável. Já se passaram quase 30 anos da publicação e quase nada de muito significativo havia sido realizado, do ponto de vista global, embora a natureza estivesse dando os seus avisos. Recentemente, a partir da COP 2015 parece que as coisas começam realmente a acontecer. A humanidade está acordando e pretende prosseguir sua história evolutiva no planeta Terra, porém o passivo ambiental é extremamente grande e precisa ser minimizado.

Por outro lado, os conceitos aqui apresentados e discutidos também demonstram que não é possível observar qualquer efeito de sustentabilidade real se não houver “contenção” (racionalidade) no uso dos recursos naturais. Usar os recursos naturais racionalmente é fazer uso da tão falada racionalidade humana. O ser humano tem que entender, que por ser (segundo ele próprio) a única espécie racional deveria ter uma responsabilidade maior com o planeta e que, por isso mesmo, não poderia simplesmente dar fim a todos os recursos naturais. E deveria principalmente saber que o interesse da humanidade tem que ser maior do que o interesse específico de qualquer indivíduo ou grupo social, porque os futuros seres humanos terão que viver nesse mesmo planeta, utilizando os mesmos recursos que ele ainda puder fornecer.



Figura 6 – Será essa a condição que a humanidade quer deixar para os filhos e netos?

Nesse sentido a sustentabilidade é um conceito bastante democrático e cooperativista, porque prestigia o todo da humanidade e não apenas uma parte definida, inclusive projetando e promovendo os que ainda nem existem. Ainda que tenha sido um erro arbitrário e indevido, o planeta já foi apropriado indebitamente pelos seres humanos, os quais se fizeram proprietários da Terra e resolveram modificá-la a bel-prazer, porém os humanos, tanto do passado, quanto os do presente ou do futuro não são melhores e nem piores e portanto devem ter os mesmos direitos sobre a “posse” do planeta.

Percebe-se aqui que mesmo na ilegalidade, na falta de justiça e na irresponsabilidade do ato de usurpação do planeta, ainda parece existir moralidade dos humanos entre si, embora certamente não haja entre os humanos e as demais criaturas, as quais foram consideradas seres menos importantes e cujo valor, lamentavelmente, é definido pela própria humanidade. Estranho isso, mas, infelizmente, é isso mesmo. O ser humano não apenas se sente “dono do planeta”, como também se colocou acima do bem e do mal e entende que pode decidir sobre a existência das demais coisas vivas e, ao longo da história, realmente tem assumido essa postura.

Mesmo que hoje sejam garantidas algumas áreas de preservação permanente e que nelas sejam guardados e preservados alguns ecossistemas naturais e toda a biodiversidade neles contida, a história demonstra claramente que muito da biodiversidade natural já se extinguiu por conta das mais diversas ações antrópicas planetárias e não parece que a humanidade tenha se importado significativamente com esse fato. A espécie humana, até por força da religiosidade, se sente efetivamente “superior” e acredita que deve ter “prioridades” em relação às demais espécies vivas. Embora não esteja sendo discutido aqui, esse mal sociológico, também precisa ser combatido.

É interessante notar que o ser humano só consegue pensar o planeta sobre uma ótica exclusivamente humana, que privilegia e supervaloriza o humano. Talvez aqui esteja o grande problema filosófico da humanidade, que aparentemente parece querer sair de uma postura antropocêntrica histórica, mas na prática não consegue ser diferente do que sempre foi. Isto é, uma espécie dominadora, que não mede esforços para alcançar seus objetivos e que nesse afã, está sempre destruindo o planeta num caminho contínuo e unidirecional, o qual fatalmente irá leva-la à extinção, ao lado de muitas outras que nada fizeram para isso.

Nesse momento e nesse contexto, mais uma vez surge a sustentabilidade, eivada de retalhos dos vícios humanos, mas preocupada com a humanidade, com o planeta Terra e com a biodiversidade existente. O humano só sobreviverá se o planeta tiver condições de mantê-lo e assim é fundamental que se guarde o planeta. Não há nenhum altruísmo na defesa da sustentabilidade, existe sim interesse e intenção de se manter vivo, até mesmo para perpetuar o poder do ser humano sobre a Terra. A sustentabilidade passa assim a ser uma necessidade antrópica de vida e transcendência, sem a qual nada faz sentido. É fundamental ter sustentabilidade hoje e continuar tendo vida e poder sempre.

Aliás, deve ser lembrado que a Biologia, como ciência dos organismos vivos, ensina que o mais interessa às formas vivas é continuar vivendo, ou seja, a vida tem um interesse primário (único) que é viver. Por outro lado, do ponto de vista filosófico, se há algum interesse numa ação, obviamente não existe nenhum altruísmo efetivo nela. A atitude biológica dos organismos vivos em trabalharem para continuar vivendo não tem nada de altruísta. Quer dizer, nenhuma espécie viva, continua vivendo simplesmente por viver, porque isso não justifica nem a própria existência dessa espécie. Assim, fica evidente que todos os organismos vivos querem, antes de tudo viver, porque de alguma maneira, isso é fundamental para si próprio. Desta maneira, se essa afirmativa for verdadeira, como parece ser, realmente não existe altruísmo puro, nem mesmo numa condição estritamente natural.

Os seres humanos, do ponto de vista biológico, não são melhores e nem piores que as outras espécies vivas, são organismos vivos como os demais, talvez apenas um pouco mais organizados em alguns aspectos anatômicos e fisiológicos. Quer dizer, os seres humanos, apesar dos inúmeros erros cometidos, não são bons nem maus. Na verdade, o que o ser humano também quer é viver e se, por acaso, descobrir que a sustentabilidade é o caminho que leva a vida, não há dúvida que a humanidade caminhará nessa direção. Desta maneira, a sustentabilidade deverá ser a condição imperante e obrigatória que regerá a espécie humana doravante, simplesmente porque não existe outra maneira de se manter no planeta.

Realmente é difícil de perceber que esse pensamento possa ter qualquer significado prático, a julgar pelo que tem sido demonstrado pelas atitudes humanas no planeta até aqui, mas certamente essa situação mudará, pois um novo Homo sapiens sapiens está surgindo nos últimos tempos. Esse novo ser humano, ainda tem dificuldade de encarar e de entender o que está acontecendo à sua volta, mas a sustentabilidade vagarosa e progressivamente se implanta como uma necessidade orgânica que auxiliará na manutenção e continuidade da espécie humana aqui na Terra.

Já existem muitos cientistas que apresentam esse pensamento e que acreditam na efetiva mudança dos tempos. Tem gente trabalhando cada vez mais em novas tecnologias de baixo carbono; discutindo limites naturais de controle da população; propondo mais criação de unidades de conservação, promovendo a restauração florestal e efetivando a recuperação de áreas degradadas e até mesmo investigando mecanismos de redução de crescimento econômico. Já há mesmo quem assegure que é impossível crescer infinitamente num planeta finito, independentemente de ser ou não ambientalista.

Serge Latouche (2007), em seu livro, afirmou taxativamente que “não se quer voltar a idade da pedra, mas é possível se viver bem como se viveu em passado não muito longínquo”. Com uma boa condição de vida e sobretudo com expectativa das boas linhagens genéticas, que continuarão produzindo um novo homem, embasado na sustentabilidade, preocupado com a vida e com o planeta, certamente o futuro da humanidade parece ser promissor e ainda será possível demonstrar que a ideia de Latouche não é absurda.

Obviamente nem tudo serão flores, porque certamente haverá situações de escassez, até porque o passivo ambiental apresentado no atual cenário produziu algumas marcas irreparáveis e outras sequelas que não serão sanadas tão facilmente. Mas, a busca constante da sustentabilidade garantirá melhoras progressivas ao planeta e a humanidade e quem sabe até mesmo poderá permitir soluções para algumas situações existentes que, a priori, pareciam ser irreparáveis.

Considerações Finais

É claro que esse artigo se baseia num cenário imaginário, mas não é impossível sua realização, desde que se queira efetivamente manter a espécie humana vivendo por mais alguns anos no planeta Terra. Para tanto há necessidade de se pensar e principalmente de que sejam realizadas ações dentro dos padrões propostos e estabelecidos pelos fundamentos da sustentabilidade.

A sustentabilidade se apresenta hoje como uma necessidade à existência antrópica e mesmo sendo teoricamente utópica, essa perspectiva terá que se tornar real, porque serão ações sustentáveis que levarão a humanidade a viver em equilíbrio, garantindo a segurança ecossistêmica planetária dos ambientes naturais e artificiais. É preciso que a humanidade prossiga seu caminhar tendo o desenvolvimento sustentável como princípio e a sustentabilidade planetária como objetivo único.

Doravante, é imprescindível que os recursos naturais renováveis sejam sempre renovados na proporção devida e os não renováveis sejam utilizados sempre com a devida parcimônia e seus respectivos usos deverão ser efetivados apenas quando não houver nenhuma outra possibilidade para resolver a questão que se apresenta naquele momento. Isto é, recurso natural não renovável só poderá ser usado quando for estritamente necessário. Repensar o uso dos recursos naturais será sempre uma premissa obrigatória.

O consumismo deverá ser controlado, através de campanhas publicitárias massivas e até mesmo do estabelecimento de legislação internacional específica que proíba essa prática errada e danosa ao planeta e a humanidade. As práticas de recuperar, reutilizar e reciclar garantirão que os empregos sejam mantidos, independentemente da haver ou não nova produção de produtos. Os produtos deverão ter a vida mais longa que for possível, a obsolescência programada deve ter fim e deve ser punida criminalmente.

Para a proteção da biodiversidade e manutenção dos ecossistemas e dos bancos genéticos, as áreas protegidas e as unidades de conservação deverão ser realmente protegidas e progressivamente ampliadas. Além disso, a recuperação florestal nas áreas degradadas de significativa importância, deverão ser priorizadas e terão que acontecer de maneira rápida para permitir a maior regeneração ainda possível. A preservação dos ecossistemas com seus bancos genéticos naturais e a manutenção de áreas verdes naturais ou não, são fundamentais para garantir a sustentabilidade planetária.

Por fim, toda a energia consumida deverá levar em conta a baixa emissão de carbono, projetando, dentro do possível, a redução do acréscimo de carbono na atmosfera e amenizando o aquecimento global. Desta maneira, o investimento em fontes de energias alternativas não degradantes, mormente solar e eólica, deve passar a ser absolutamente prioritário.

Referências

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/08/2018





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 08/08/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/08/a-sustentabilidade-e-sua-relacao-direta-com-a-utilizacao-indevida-e-desnecessaria-dos-recursos-naturais-artigo-de-luiz-eduardo-correa-lima/

terça-feira, 10 de julho de 2018

Paul Gilding, ruptura de modelo e a sustentabilidade, artigo de Roberto Naime





Nem todos conhecem o australiano Paul Gilding, professor de sustentabilidade na Universidade de Cambridge. Mas interessante matéria na revista exame ambiental merece divulgação e comentários. Na década de 90, Paul Gilding ocupou a presidência do Greenpeace, uma das Organizações Não Governamentais (ONGs) ambientalistas mais combativas do mundo.

Mas deixou a organização depois de cinco anos por discordar de sua política de apenas atacar as corporações.

Desde 1994, Gilding aconselha executivos de grandes empresas a atuar de forma diferente nos negócios. Em seu livro “A Grande Ruptura”, lançado em 2014 no Brasil, Paul Gilding defende que devido às mudanças climáticas, até o final desta década o sistema econômico mundial sofrerá um colapso muito pior do que as últimas crises. Podem haver modificações temporais, mas se concorda com o diagnóstico.

A marca da simplicidade é sempre característica das mais argutas e integradas observações. As observações de Paul Gilding se aproximam muito de tudo que tem se refletido neste espaço. Nem que seja por razões econômicas ou que seja exclusivamente pela defesa de interesses, esta situação tornará as modificações de paradigmas obrigatórias.

Arguido sobre as evidências da “grande ruptura”, ele assevera “A falta de água em São Paulo é um ótimo exemplo. O desmatamento das florestas provoca menos chuvas nos locais onde elas costumavam cair e a infraestrutura que existe não está preparada para essa mudança. Minha tese sobre a grande ruptura, é que problemas como esse vão se refletir, cada vez mais, na economia e só então a sociedade vai se mexer”.

Retornando ao círculo virtuoso do fato que aqui se denomina de atual autopoiese sistêmica, que tem sido objeto de tantas reflexões, instado a se manifestar sobre a possibilidade de evitar que a ruptura ocorra, Paul Gilding se manifesta “Se o desempenho econômico e a criação de empregos continuarem vinculados ao consumo, teremos um crescimento limitado porque os recursos materiais vão se esgotar. Há limites para o que é físico, mas não há limites para o número de empregos que se pode ter, e eles devem ser criados de outras maneiras”.

Seria muito interessante que houvesse manifesto mais específico, mas enfim, se corrobora que uma outra realidade é possível. Não se sabe se nova autopoiese sistêmica será possível sem a ocorrência de rupturas ou cataclismas no arranjo dos sistemas.

Lembrando do consumo colaborativo e de outras inovações, Paul Gilding relata suas concepções das novas maneiras e atributos de futuros sistemas. Ele argumenta que “Precisamos recompensar serviços e experiências, reutilizar o lixo e descaracterizar o consumo de coisas materiais. Gosto dos programas de compartilhamento de carros, em que o cliente paga por hora pelo uso, e evita os estacionamentos, diminui a quantidade de novos veículos nas ruas e faz um uso mais eficiente do recurso”.

Indagado se este modelo de compartilhamento de consumo que se chama “consumo colaborativo” vai prejudicar as montadoras de veículos no futuro, Paul Gilding registra que “Sim, quem não se preparar vai quebrar. Não é um problema para a sociedade como um todo, apenas se vai substituir alguns tipos de empresa por outras. É o que chamo de momento Kodak, em que uma tecnologia será substituída por outra”.

Provocado a manifestar exemplos de outros setores que seriam afetados, Paul Gilding relata “A petroleira Shell, por exemplo, assume em seu plano estratégico que a temperatura do planeta vai subir 3 ou 4 graus. Diversos estudos já publicados de cientistas e economistas apontam que um aumento de mais de 2 graus vai bagunçar completamente o fornecimento de alimentos em todo o mundo. Empresas como a Unilever serão muito prejudicadas. Portanto, ou teremos espaço para uma Shell ou para uma Unilever. As duas não poderão coexistir”.

Advindo de cultura anglo-saxônica, onde muito se emprega as cargas tributárias e os mecanismos fiscais para induzir ou inibir cenários, como é notável na Alemanha, questionado como os sistemas tributários poderiam ajudar, Paul Gilding é direto e objetivo “Menos impostos sobre o emprego encorajariam os negócios a contratar mais pessoas. E mais impostos sobre os produtos incentivariam a reciclagem e a diminuição de resíduos.

Finalizando arguido sobre o que empresas e organizações de fato estão se engajando e realizando, Gilding manifesta “Algumas companhias estão incluindo questões de sustentabilidade em sua agenda e tentando acertar. Mas ainda é muito pouco. Para realmente fazer a diferença, os empresários precisam ser mais rápidos e aumentar a pressão sobre os governos”.

São desnecessárias outras reflexões adicionais diante de tanta crueza nos diagnósticos. Mas não resta a menor dúvida de que nova autopoiese sistêmica se implantará por necessidade do arranjo econômico. Não se sabe se até o fim da década ou nas décadas vindouras. E nem a extensão das rupturas sistêmicas que ocorrerão. Mas contra fatos da realidade, não existirão argumentos.

Referência:
http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1081/noticias/um-novo-modelo-de-negocios-para-evitar-crises


Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/07/2018




Autor: Roberto Naime
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 10/07/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/07/10/paul-gilding-ruptura-de-modelo-e-a-sustentabilidade-artigo-de-roberto-naime/

quarta-feira, 20 de junho de 2018

O decrescimento demoeconômico e o trilema da sustentabilidade, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“Acreditar que o crescimento econômico exponencial pode continuar

infinitamente num mundo finito é coisa de louco ou de economista”

Kenneth Boulding (1910-1993)



O capitalismo é o sistema econômico que mais gerou riqueza desde o surgimento do Homo sapiens. O crescimento econômico e populacional dos últimos 240 anos não tem paralelo na história da humanidade. Tomemos o ano de 1776 como o marco inicial do capitalismo industrial- fóssil, pois foi o ano em que James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor e deu o início ao uso generalizado dos combustíveis fósseis. Pois bem, no período que vai de 1776 a 2016, a população mundial cresceu 9,5 vezes e a economia global se multiplicou por cerca de 125 vezes. A despeito das desigualdades, a renda per capita cresceu 13 vezes.

Em 240 anos, o crescimento anual da população ficou em torno de 0,9% ao ano e o da economia ficou em torno de 2% ao ano. Sendo que o período de maior crescimento demoeconômico ocorreu depois da Segunda Guerra Mundial, quando a população passou de cerca de 2,5 bilhões de habitantes em 1950 para cerca de 7,5 bilhões de habitantes em 2016. A média anual de crescimento do PIB ficou acima de 3,5% ao ano. É o período conhecido como “grande aceleração”. O consumo de matérias primas e de recursos naturais cresceu de maneira exponencial. Todo este processo trouxe muito lucro para a humanidade (especialmente para os detentores dos meios de produção), mas provocou grandes prejuízos para a natureza e a biodiversidade.

O progresso humano se deu às custas do retrocesso ecológico. O crescimento exponencial das atividades humanas resultou na ultrapassagem da capacidade de carga do Planeta. Segundo a Global Footprint Network (2017), a pegada ecológica per capita do mundo, em 1961, era de 2,27 hectares globais (gha) e a biocapacidade per capita do Planeta era de 3,12 gha. Para uma população de 3,1 bilhões de habitantes, o impacto da pegada global do ser humano era de 6,98 bilhões de gha, representando apenas 73% dos 9,53 bilhões de hectares globais da biocapacidade disponível naquele momento. Portanto, havia um superávit ou reserva ecológica na década de 1960. A economia cabia na sustentabilidade da ecologia. Mas com o crescimento da população e do consumo, a reserva ecológica foi sendo reduzida e, a partir de 1970, o superávit se transformou em déficit ambiental. Em 2013, a pegada ecológica per capita do mundo subiu para 2,87 gha e a biocapacidade caiu para 1,71 gha. Para uma população mundial de 7,2 bilhões de habitantes, o déficit ambiental chegou a 68% em 2013. A humanidade está vivendo no cheque especial.

Outra metodologia que ajuda a avaliar a capacidade de carga da Terra foi apresentada nos artigos que tratam das “Fronteiras Planetárias. A metodologia do Stockholm Resilience Centre identificou nove dimensões centrais para a manutenção de condições de vida decentes para as sociedades humanas e o meio ambiente, indicando que os limites já foram ultrapassados em 4 dimensões e estavam se agravando nas demais. Duas delas, a Mudança climática e a Integridade da biosfera, são o que os cientistas chamam de “limites fundamentais” e tem o potencial para levar a civilização ao colapso.

Desta forma, o desenvolvimento econômico chegou a uma encruzilhada e a ideia de um desenvolvimento sustentável virou um oximoro. O capitalismo que conseguiu produzir uma quantidade tão grande de bens e serviços, não consegue ser ao mesmo tempo economicamente inclusivo, socialmente justo e ambientalmente sustentável. Diversos estudos mostram que nenhuma indústria seria lucrativa se tivesse de pagar pelo capital natural que utilizam. Desde que a humanidade ultrapassou a capacidade de carga do Planeta, o crescimento da produção tem caminhado para uma situação, definida por economista ecológica Herman Daly, como “crescimento deseconômico”.

A economia é um subsistema da ecologia. Para manter a sustentabilidade e garantir o adequado padrão de vida da humanidade, sem degradar as condições ambientais, a Pegada Ecológica, no longo prazo, não pode ser maior do que a biocapacidade. Assim, é insustentável manter o crescimento da produção e consumo de bens e serviços acima da capacidade de carga do meio ambiente. Sem ECOlogia não há ECOnomia.

Essas lições foram antecipadas de maneira clara no livro “Limites do Crescimento, um relatório para o Projeto do Clube de Roma sobre o Dilema da Humanidade”, liderado pelo casal Meadows e publicado originalmente em 1972. Os autores construíram um modelo para investigar cinco grandes tendências de interesse global: o ritmo acelerado de industrialização, o rápido crescimento demográfico, a desnutrição generalizada, o esgotamento dos recursos naturais não-renováveis e a deterioração ambiental. Estas tendências se inter-relacionam de muitos modos e a obra busca compreender suas implicações num horizonte de cem anos.

A principal conclusão do livro está resumida neste parágrafo: “Se as atuais tendências de crescimento da população mundial, industrialização, poluição, produção de alimentos e diminuição de recursos naturais continuarem imutáveis, os limites de crescimento neste planeta serão alcançados algum dia dentro dos próximos cem anos. O resultado mais provável será um declínio súbito e incontrolável, tanto da população quanto da capacidade industrial” (p. 20).

Infelizmente o alerta do livro “Limites do Crescimento” não foi ouvido. Evidentemente, o modelo atual é insustentável e a humanidade marcha para uma situação catastrófica caso continue avolumando a Pegada Ecológica bem acima da biocapacidade. Por exemplo, a continuidade do efeito estufa pode ser o fator de “declínio súbito e incontrolável”, apontado pelo livro “Limites do Crescimento”. As constantes agressões antrópicas ao meio ambiente podem ter um efeito de retroalimentação com o derretimento do permafrost e das Tundras do círculo Ártico que liberam CO2 e o gás metano. Artigo de Uwe Branda et. al. (2016) traz uma afirmação preocupante: “O aquecimento global provocado pela liberação maciça de dióxido de carbono pode ser catastrófico. Mas a liberação do hidrato de metano pode ser apocalíptica”.

Portanto, os dados mostram que a natureza não aguenta mais a continuidade dos impactos do crescimento da população humana, do seu consumo e da sua decorrente poluição. A continuidade da perda da biodiversidade e da degradação dos ecossistemas aponta para um abismo que pode sugar o progresso e jogar a economia em um caos imprevisível, mas muito doloroso.

Para impedir o pior, é preciso evitar o crescimento econômico quantitativo que extrai volumes crescentes de recursos naturais e gera volumes ainda maiores de resíduos sólidos e poluição do solo, das águas e do ar. Não basta o desacoplamento relativo. A solução passa por uma mudança de paradigma e pelo decrescimento demoeconômico, como forma de reduzir a Pegada Ecológica. E como bem mostra o livro “Enough is Enough” (2010), não basta reduzir a pegada ecológica, também é preciso reduzir o número de pés.

Mudar o padrão de produção e consumo é fundamental. Porém, o decrescimento da população poderia dar uma grande contribuição para diminuir o impacto negativo sobre o meio ambiente. Mas, as projeções da ONU indicam que é quase certo que a população mundial vai passar dos atuais 7,5 bilhões de habitantes, em 2016, para cerca de 10 bilhões em 2055 e 11,2 bilhões em 2100. Porém, se houver queda mais acelerada das taxas de fecundidade, o declínio populacional poderá ocorrer ainda na segunda metade do século XXI. Neste quadro, o que fazer então para evitar uma catástrofe ambiental?

Além da aceleração da queda das taxas de fecundidade (que vão possibilitar a futura estabilização demográfica) é preciso imediatamente modificar o modo de vida e reduzir o nível de agressão à natureza. Mas há grandes resistências à diminuição do consumo em qualquer sociedade, embora a redução do alto padrão de vida nos países ricos poderia ser uma forma de mitigar os problemas ambientais e as desigualdades sociais. O decrescimento demoeconômico nos países desenvolvidos é uma bandeira que tem ganhado muitos adeptos, como mostra as publicações do grupo Research & Degrowth (R&D).

Mas há muita resistência em se falar em decrescimento demoeconômico nos países pobres e de baixo grau de desenvolvimento. Argumenta-se que as populações do Terceiro Mundo não atingiram um grau mínimo de bem-estar e que, portanto, estes países não têm “gordura” para queimar. Falar em decrescimento populacional também mexe com os interesses dos setores do fundamentalismo religioso, das forças militares, do conservadorismo moral, dos políticos populistas e do nacionalismo xenófobo. O pronatalismo sempre acompanha os sonhos da grandeza nacional, que tende a deixar o meio ambiente e a biodiversidade em segundo plano, em relação ao desenvolvimento das forças produtivas e ao egoísmo humano.

Contudo, quando se fala em decrescimento não se pode pensar simplesmente na lógica quantitativa e material. O decrescimento pode ser principalmente qualitativo, reduzindo as atividades mais poluidoras e fazendo crescer as atividades com menor impacto ambiental.

Por exemplo, o decréscimo da produção e do consumo de combustíveis fósseis, além de diminuir as emissões de gases de efeito estufa pode abrir espaço para o crescimento das energias renováveis (solar, eólica, geotérmica, ondas, etc.), contribuindo para a descarbonização da economia. As energias alternativas podem gerar emprego e democratizar o acesso à produção e consumo energético, criando a figura do prossumidor (produtor + consumidor).

Com base neste exemplo, podemos listar diversas maneiras de fazer decrescer as atividades mais poluidoras e degradadoras do meio ambiente, abrindo espaço para crescer as atividades mais amigáveis à natureza. Vejamos algumas alternativas:


Decrescer os gastos militares e reduzir a produção e uso de instrumentos de guerra e aumentar os investimentos em atividades de engrandecimento da solidariedade nacional e internacional, na promoção da paz e na ampliação do bem-estar social (com melhoria da saúde, da educação e cultura ecocêntrica).


Decrescer a produção e o consumo de fertilizantes químicos e agrotóxicos e aumentar os investimentos na agricultura orgânica, na permacultura e na agricultura urbana, produzindo alimentos saudáveis perto dos grandes centros urbanos (para decrescer os custos de transporte e o desperdício dos alimentos).


Decrescer as áreas de pastagem e a produção e o consumo de proteína animal, promovendo a transição para uma dieta vegetariana e vegana, além de aumentar as áreas de florestas e vegetação nativa.


Decrescer a produção e o uso de carros particulares (principalmente aqueles grandes, pesados e que demandam muita energia por quilômetro rodado) e aumentar os investimentos em transporte coletivo e no compartilhamento de automóveis elétricos.


Decrescer as desigualdades, o consumo conspícuo, os bens de luxo e investir em bens e serviços que permitam a universalização do bem-estar, aumentando as atividades da economia solidária, da economia colaborativa, de forma a diminuir os impactos das atividades antrópicas.


Decrescer a demanda dos serviços ecossistêmicos, reduzir a poluição e diminuir as áreas ecúmenas, aumentando as áreas verdes (florestas e matas), limpando os rios, lagos e oceanos para viabilizar a recuperação da biodiversidade, o aumento das áreas anecúmenas e o incremento do bem-estar ecológico.


Decrescer a economia material e aumentar a economia imaterial, a produção de bens intangíveis e a sociedade do conhecimento, da solidariedade e do compartilhamento.

O fato é que a humanidade precisa mudar o estilo de vida e o padrão de produção e consumo para diminuir a degradação ambiental. O alerta feito, em 1972, no livro “Limites do Crescimento” continua válido. Mas não basta mais limitar o crescimento. O desafio atual é promover o decrescimento demoeconômico, reduzindo a Pegada Ecológica e aumentando a Biocapacidade.

Também Celso Furtado, no livro, “O mito do desenvolvimento econômico”, de 1974, pergunta o que aconteceria se o desenvolvimento econômico se universalizasse. Ele responde de forma clara: “se tal acontecesse, a pressão sobre os recursos não renováveis e a poluição do meio ambiente seriam de tal ordem (ou alternativamente, o custo do controle da poluição seria tão elevado) que o sistema econômico mundial entraria necessariamente em colapso” (Furtado,1974, p. 19).

Os dinossauros viveram na Terra durante 135 milhões de anos. O Homo sapiens tem apenas 200 mil anos. Numa perspectiva de longo prazo, pouco importa saber se o “declínio súbito e incontrolável”, apontado pelo relatório, de 1972, do Clube de Roma, acontecerá em 50, 100 ou 200 anos. O certo é que o caminho atual é insustentável e, se nada for feito para um redirecionamento, a humanidade não terá futuro num Planeta de terra arrasada.

Indubitavelmente, não dá para tergiversar, pois é impossível garantir o enriquecimento da sociedade humana às custas do empobrecimento da comunidade biótica global. A insistência na manutenção do rumo historicamente insustentável da economia e do crescimento das atividades antrópicas pode levar a civilização ao precipício, ao ecocídio e ao suicídio.

O sistema hegemônico de produção e consumo, baseado na perpétua acumulação (capitalista ou socialista), não consegue mais lidar com a crise ecológica. Por isto é impossível que a continuidade do crescimento das atividades antrópicas mantenha de pé as três bases do tripé da sustentabilidade, que na verdade se transformou em um trilema. Assim, só o decrescimento demoeconômico poderá garantir o equilíbrio homeostático da economia e do ambiente. Essas ideias fizeram parte da minha apresentação no 22º Congresso Brasileiro de Economia (BH, 08/09/2017) e estão baseadas no texto publicado na Revista Brasileira de Estudos de População. Ambos os arquivos podem ser acessados nos links abaixo:

ALVES, JED. O trilema da sustentabilidade e o decrescimento demoeconômico, 22º Congresso Brasileiro de Economia, BH, 08/09/2017

https://pt.scribd.com/document/358390999/O-trilema-da-sustentabilidade-e-decrescimento-demoeconomico

MARTINE, G. ALVES, JED. Economia, sociedade e meio ambiente no século 21: tripé ou trilema da sustentabilidade? R. bras. Est. Pop. Rebep, n. 32, v. 3, Rio de Janeiro, 2015 (em português e em inglês) http://www.scielo.br/pdf/rbepop/2015nahead/0102-3098-rbepop-S0102-3098201500000027P.pdf

Artigo originalmente publicado na revista Economistas do Conselho Federal de Economia – COFECON, Ano VIII, No 26, outubro-dezembro 2017

http://www.cofecon.gov.br/revista-digital/



José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/06/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 20/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/20/o-decrescimento-demoeconomico-e-o-trilema-da-sustentabilidade-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Inovações para Conservação da Natureza e Transformação Social

Bem-vindos à 29ª edição do Prêmio Jovem Cientista.

O Prêmio Jovem Cientista tem o objetivo de impulsionar a pesquisa científica no país e investir em estudantes e jovens pesquisadores que procuram soluções inovadoras para os desafios da sociedade. Nesta edição, o CNPq, a Fundação Roberto Marinho, a Fundação Grupo Boticário e o Banco do Brasil convidam os jovens cientistas e seus orientadores a compartilhar ideias e projetos na área de sustentabilidade ambiental, biodiversidade, empreendedorismo e educação. Participe!

Autor: Jovem Cientista
Fonte: 
Jovem Cientista
Sítio Online da Publicação: 
Jovem Cientista
Data de Publicação: 02/02/2017
Publicação Original: http://www.jovemcientista.cnpq.br/

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

4 R’s da Sustentabilidade: Repensar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar, por Lauro Charlet Pereira e Marco Antônio Ferreira Gomes



4 R’s DA SUSTENTABILIDADE: REPENSAR, REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR

Lauro Charlet Pereira1

Marco Antônio Ferreira Gomes1

1Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente

E-mail: lauro.pereira@embrapa.br ; marco.gomes@embrapa.br

[EcoDebate] A necessidade contínua de revisar a interrelação “homem-ambiente”, engloba o envolvimento de governantes, setor privado, mídia, comunidade científica e a sociedade civil, como um todo.

Nessa perspectiva, tem surgido inúmeras ações frente à crise ambiental, como o jornalismo ambiental e a educação ambiental, por exemplo, que visam principalmente desenvolver nas pessoas conhecimentos, habilidades e atitudes voltadas para a conservação dos recursos naturais e melhoria do meio ambiente.

A partir da Conferência das Nações Unidas sobre o meio Ambiente e Desenvolvimento (também conhecida como RIO 92), foi escolhida três palavras para incentivar atitudes mais sustentáveis: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. Pouco tempo depois surgiu o quarto “R” (Repensar), com o objetivo de reforçar a importância de analisar hábitos de consumo (Walmart Brasil, 2016).

A expressão sustentabilidade vem sempre associada a uma maior conscientização sobre as diferentes formas de preservar o meio ambiente, estabelecendo-se, assim, um vínculo direto com a política dos 4R’s. Esta abreviação corresponde às quatro (04) medidas práticas a serem adotadas pelas pessoas, com vistas à melhoria do meio ambiente e promoção da sustentabilidade.

1- Repensar: corresponde à atitude que tomamos e que tem consequência direta em nossas vidas e ao meio ambiente. Assim, deve-se sempre reavaliar e mudar a postura. Nesse sentido, cabem indagações, como: os gastos com a energia são compatíveis com as suas necessidades, ou há exageros? Você consome só o que precisa? Ou também compra por impulso? Você abre mão de usar o carro por alguns dias? Na verdade, não se trata de deixar de fazer as coisas, mas sim de fazer de uma maneira que melhore a qualidade de vida e respeite o meio ambiente.

2- Reduzir: refere-se ao ato de diminuir o lixo e também a emissão de poluentes, a partir de um consumo mais consciente e poupador de recursos naturais. Se atentarmos para as compras que realizamos no cotidiano e nos serviços que contratamos, poderemos perceber que muitas vezes adquirimos coisas que não precisamos ou que usamos poucas vezes.

Como ações práticas, estas podem ser resumidas essencialmente em:

a) uso econômico da água – uso sem desperdício, não usar água para lavar calçadas ou ruas (evitar o uso condenável de “vassouras hidráulicas”), fechar a torneira quando estiver escovando os dentes ou ensaboando as mãos, e ficar atento a qualquer vazamento na rede de água, interna e/ou externa;

b) economia de energia – usar energia limpa (solar e/ou eólica) no aquecimento interno das casas, instalando sensores para evitar desperdícios. Também, dar preferência para as lâmpadas LED, que oferecem grandes vantagens principalmente em termos de durabilidade e economia, além de que não possuem metais pesados (chumbo e mercúrio) em sua composição, causando assim, menor risco ambiental.

c) economia de combustíveis – fazer percursos a pé ou de bicicleta, o que gera economia financeira e de recursos naturais, com ganhos para a saúde e redução de poluição do ar;

d) criar soluções inteligentes e poupadoras, como: produzir seus próprios temperos, cultivando hortas caseiras; usar embalagens recicláveis (papel ou papelão); exercitar a compra a granel, o que vai reduzir as embalagens descartadas.

3- Reutilizar: descartamos muitas coisas que poderiam ser reutilizadas para outros fins. Reutilizar contribui não só para a economia doméstica, mas também para o desenvolvimento sustentável do planeta. Sabe-se que tudo que é fabricado necessita do uso de energia e matéria-prima, assim, ao jogarmos algo no lixo, estamos desperdiçando também a energia que foi usada na fabricação (combustível usado no transporte e matéria prima empregada). Deve-se considerar, ainda, que objetos descartados de forma incorreta, poderá poluir o meio ambiente. A doação também pode ser boa alternativa, tanto a quem precisa quanto à proteção ambiental.

Como ações práticas, resumidamente, cita-se:

a) potes e garrafas pet podem ser usadas como vasos de plantas;

b) usar a impressão dos dois lados do papel e só imprima se for realmente indispensável;

c) móveis (armário, guarda-roupa, sofá, estante, mesa e cadeira) quebrados não precisam ir parar no lixo. Podem ser consertados ou doados;

d) computadores, impressoras e visores podem ser doados para uso em entidades sociais, pessoas carentes;

e) aproveite cascas, frutas e legumes danificados para incorporá-los ao solo;

f) aumente a vida útil de livros, jornais e revistas, trocando-os com amigos.

4- Reciclar: esta ação transforma um objeto usado em um novo produto, que pode ser igual ou diferente. Esta prática resulta em economia de matéria-prima, que é retirada da natureza, isto é, procedimento poupador de recursos naturais. O primeiro passo é proceder a coleta seletiva em sua casa, separando o lixo orgânico do reciclável (plástico, metais, vidro, papel), além de resíduos perigosos (pilhas, lâmpadas, medicamentos, material de limpeza, tinta de cabelos e outros produtos químicos, igualmente danosos ao meio ambiente e à saúde humana).

Cerca de um terço do lixo produzido corresponde aos materiais que podem ser reutilizados, gerando ganhos financeiros e novos empregos, além de que a prática de reciclagem contribui positivamente para a redução do volume de lixo que vai para os aterros sanitários. Processo que pode ser considerado como “ganha-ganha”, isto é, tanto a população quanto o meio ambiente são fortemente beneficiados.

Como considerações finais, pode-se dizer: é preciso inverter a pirâmide, ou seja, colocar em prática a desejável política dos “4 Rs” (Repensar, Reduzir, Reusar e Reciclar) e não continuar produzindo e gerando mais resíduos, deixando que “alguém” assuma a responsabilidade de tratar e dispor adequadamente.

Todas essas práticas não só reduzirão o volume de resíduos gerados diariamente, mas também permitirão o exercício de reuso e reciclagem, culminando em um gerenciamento mais eficiente dos resíduos. São atitudes simples e viáveis que podem ser incorporadas cada vez mais no dia a dia, a fim de proteger o ar, o solo e a água, bem como a preservação de grandes extensões de cobertura vegetal (ou florestas nativas), trazendo como consequência melhores condições de saúde humana, qualidade de vida e saúde ambiental.

Fontes

PENA, R. A. Sustentabilidade. (http://escolakids.uol.com.br/sustentabilidade.htm).

PEREIRA, L. C.; TOCCHETTO, M. R. L. Resíduos: é preciso inverter a pirâmide – reduzir a geração! Portal Gestão Ambiental, 17 de setembro de 2004. (www.portalga.ea.ufgrs.br/arquivo).
CARTILHA PENSE BEM. Para ter atitudes verdes é preciso repensar, reduzir, reutilizar e reciclar. Meio Ambiente produzida pela IPAS – Iniciativa Pró-Alimento Sustentável. (http://www.blogiveco.com.br/para-ter-atitudes-verdes-e-preciso-repensar-reduzir-reutilizar-e-reciclar/?doing_wp_cron=1513037679.6203689575195312500000).

WALMART BRASIL. Saiba como colocar em prática os 4 Rs da sustentabilidade.

(https://www.walmartbrasil.com.br/noticias/saiba-como-colocar-em-pratica-os-4-rs-da-sustentabilidade/).



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/12/2017




Autor: Lauro Charlet Pereira e Marco Antônio Ferreira Gomes
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data de Publicação: 19/12/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/12/19/4-rs-da-sustentabilidade-repensar-reduzir-reutilizar-e-reciclar-por-lauro-charlet-pereira-e-marco-antonio-ferreira-gomes/