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quarta-feira, 23 de junho de 2021

Ação exige plano do governo para prevenir repetição de queimadas no Pantanal


Pantanal em chamas. Foto de arquivo / EBC
Ação exige plano do governo para prevenir repetição de queimadas no Pantanal
Partidos vão ao STF demandar que União e Estados pantaneiros apresentem medidas em 30 dias para evitar repetição de queimadas que destruíram 26% do bioma em 2020.

Quatro partidos políticos (PSOL, Rede. PSB e PT) ingressaram, nesta terça-feira (22/06), no Supremo Tribunal Federal com uma ação demandando que o governo federal e os governos estatuais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apresentem em 30 dias um plano de prevenção às queimadas no Pantanal.

O objetivo é pressionar o poder público de forma a evitar que se repita a catástrofe de 2020, quando uma seca extrema, combinada com queimadas originadas em sua maioria por fazendeiros, causou a destruição de 26% do bioma, que é patrimônio da humanidade e protegido pela Constituição.

As condições meteorológicas em 2021 favorecem uma nova temporada de queimadas intensa no Pantanal. O Centro-Sul do país enfrenta sua seca mais grave em mais de 90 anos e partes de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul estão sob risco de fogo crítico, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Estudos Espaciais).

A ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) apresentada pelos partidos lembra que o governo não tomou providências para prevenir o fogo em 2020, mesmo com os alertas do Ibama de que os incêndios se intensificariam.

O Ministério do Meio Ambiente chegou a dizer que teria responsabilidade por “apenas 12% do Pantanal”, já que a maior parte do bioma é composta de áreas privadas. O argumento, porém, não se sustenta, já que o Pantanal é expressamente protegido pela Constituição – cuidar dele, portanto, é atribuição do governo federal.

Em maio deste ano o Congresso Nacional liberou recursos suplementares para o Ministério do Meio Ambiente: um total de R$ 29,7 milhões serão destinados à “prevenção e controle dos incêndios em áreas federais prioritárias” pelo Ibama e mais R$ 52 milhões para o Instituto Chico Mendes.

No entanto, os recursos chegam no meio do ano, já em plena temporada de queimadas, e há risco de eles não serem executados pela falta de planos de manejo integrado de fogo – que incluam contratação de brigadistas, compra de equipamentos e definição de áreas prioritárias antes de as queimadas acontecerem.

“Não se combate incêndio despejando dinheiro de helicóptero”, diz Suely Araújo, especialista sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima. “A gestão do fogo neste governo tem sido marcada por cortes orçamentários e baixa execução do que existe de recurso. É preciso assegurar que o dinheiro liberado pelo Parlamento seja usado, a demanda dos partidos também tem esse objetivo.”

A ação pede que o ministro que for sorteado relator da ADPF decida monocraticamente, com o referendo da corte, por determinar a apresentação dos planos pelos governos, e com transparência à sociedade. O pedido se justifica pela pressa: a estação seca no Pantanal já começou e as queimadas podem se agravar nas próximas semanas.

“O Brasil e a comunidade internacional assistiram atônitos às queimadas no Pantanal no ano passado. Elas foram provocadas em sua grande maioria de forma criminosa, por falta de fiscalização e inação do governo federal, conforme ficou provado pela Comissão Externa da Câmara. Assistimos ao sofrimento e à morte de animais, e ao sofrimento dos pantaneiros, indígenas e não-indígenas, que perderam suas roças e atividades do turismo. É preciso cobrar das autoridades que se planejem para evitar novamente o desastre criminoso neste ano”, afirmou o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP).

“A Rede Sustentabilidade está, em conjunto com outros partidos, ingressando com ADPF que objetiva que o Governo Federal, por meio do Ministério do Meio Ambiente, apresente um plano consistente de medidas para impedir a repetição dos incêndios do Pantanal neste ano de 2021. A ação prevê pedido de medida cautelar para que o plano seja apresentado nos próximos 30 dias, uma vez que a demora na apresentação e execução do plano poderá resultar em mais um cenário de catástrofe ambiental, assim como tivemos em 2020, com a perda irreparável da fauna e da flora da região pantaneira”, disse Heloísa Helena, Porta-voz nacional da Rede.

“Este é um governo que adotou a destruição ambiental como política. Não ficaremos de braços cruzados: vamos cobrar na Justiça que nossos biomas sejam preservados”, afirmou o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ).


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/06/2021




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 23/06/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/06/23/acao-exige-plano-do-governo-para-prevenir-repeticao-de-queimadas-no-pantanal/

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Pantanal pode ter temperaturas elevadas em 7ºC até 2100

Pantanal pode ter temperaturas elevadas em 7ºC até 2100

Por Peter Moon, da Agência FAPESP


Modelos também sugerem que, durante o inverno no hemisfério Sul, a região poderá ter redução na quantidade de chuva de 30% a 40% (foto: Wikimedia Commons)


O Pantanal, a maior planície alagada do mundo, corre o risco de, em 2100, ver as suas temperaturas médias anuais elevadas em até 7 °C.

Tamanho aumento de temperatura implicaria uma redução sensível no regime de chuvas da região, principalmente no inverno. Tais mudanças climáticas teriam impacto sobre a evaporação da região e a própria existência do Pantanal como o conhecemos.

Essas projeções foram estimadas a partir da aplicação ao Pantanal dos modelos climáticos globais do 5º Relatório de Avaliação (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), de 2014.

O trabalho “Climate Change Scenarios in the Pantanal”, publicado no livro Dynamics of the Pantanal Wetland in South America, é de autoria da equipe do hidrologista e meteorologista José Antonio Marengo Orsini, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), em Cachoeira Paulista, e tem apoio da FAPESP e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas – que, por sua vez, é apoiado pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O Pantanal tem uma área de 140 mil km², 80% da qual fica no Brasil, nos estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. É uma região semiárida. Não fosse o enorme fluxo anual de água para a região, o bioma seria tão seco quanto a caatinga nordestina. Isso não ocorre porque o Pantanal é um grande reservatório que armazena as águas que escoam dos planaltos circundantes.

Nos meses de novembro a março, na estação chuvosa, os rios transbordam, inundando até 70% da planície. É quando se formam os banhados, os lagos rasos e quando os pântanos incham. Tudo isso faz com que, nas áreas mais elevadas, surjam ilhas de vegetação, um refúgio para os animais. Grandes áreas permanecem inundadas por quatro a oito meses no ano, com uma cobertura de água que varia de uns poucos centímetros até 2 metros.

Durante a estação seca, de abril a setembro, as águas refluem para a calha dos rios e os banhados são parcialmente drenados. As águas antes represadas seguem seu curso através das bacias dos rios Paraguai e Paraná, em direção ao rio da Prata e ao Atlântico Sul. Deixam em seu lugar uma camada de sedimentos férteis que impulsionam o crescimento da vegetação e das pastagens.

Esse é o retrato do Pantanal hoje. Nele caem anualmente entre 1.000 e 1.250 milímetros de chuva. A temperatura média anual é 24 °C – sendo que a temperatura máxima, alguns dias no ano, atinge os 41 graus. O que as projeções climáticas de Marengo indicam para o futuro?

O 5º Relatório de Avaliação do IPCC projeta um aumento na temperatura média global em 2100 de 3,7º C a 4,8°C. Quando seus parâmetros são usados para analisar as variáveis climáticas específicas do Pantanal, o resultado impressiona. Até 2040, as temperaturas médias devem subir de 2º C a 3 °C. Em 2070, o aumento poderá ser de 4ºC a 5°C, atingindo em 2100 uma temperatura média 6 °C mais elevada do que a atual.

Embora haja muita incerteza com relação às projeções pluviométricas, os modelos sugerem que, durante o inverno no hemisfério Sul, o Pantanal poderá experimentar uma redução na quantidade de chuva de 30% a 40%.

A associação entre temperaturas mais elevadas e menos chuva implicará um aumento da evaporação no Pantanal. Dependendo da temperatura, volumes consideráveis de água represada poderão desaparecer, o que reduzirá a área total alagada e a quantidade de água nas porções de terra que permanecerão alagadas. “Um aumento da temperatura média de 5º C a 6 °C implicaria em deficiência hídrica, o que afetaria a biodiversidade e a população”, observa Marengo.

As consequências para a fauna e a flora poderão ser severas. Espécies vegetais pouco adaptáveis a um grau de umidade inferior ao atual poderão desaparecer ou migrar para outras regiões. Em seu lugar, germinariam outras espécies, que preferem climas mais secos.

A alteração na vegetação implicaria diretamente as populações de invertebrados e de vertebrados herbívoros – capivaras, antas que delas dependem (mas também o gado das fazendas) – , numa reação em cadeia que afetaria todos os nichos da cadeia alimentar, até atingir os predadores de topo, como os felinos, os jacarés e as aves de rapina.

Muito embora Marengo faça questão de salientar que as incertezas com relação às mudanças climáticas ainda são elevadas, especialmente no quesito do regime pluviométrico, um coisa é certa: as temperaturas globais estão aumentando e o mesmo acontecerá no Pantanal.

Como aquela planície alagada fica no centro da América do Sul, portanto longe da influência marítima que poderia ajudar a amenizar o clima, o aumento das temperaturas no Pantanal tende a ser mais dramático. “O dia mais quente do ano pode vir a ser até 10 °C mais quente do que hoje”, diz Marengo.

Se atualmente, nos dias mais quentes do verão, a temperatura no Pantanal passa fácil dos 40 °C, estamos falando em temperaturas máximas em torno ou superiores aos 50 °C. É temperatura de deserto. A maioria das plantas suporta pontualmente um calorão desses. Pontualmente.

O artigo Climate Change Scenarios in the Pantanal, de Jose A. Marengo e outros, publicado no Dynamics of the Pantanal Wetland in South America, Springer International Publishing Switzerland, (doi: 10.1007/698_2015_357), pode ser lido em http://link.springer.com/chapter/10.1007/698_2015_357.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/10/2020




Autor: Ecodebate
Fonte: Ecodebate
Sítio Online da Publicação: Ecodebate
Data: 22/10/20
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/10/22/pantanal-pode-ter-temperaturas-elevadas-em-7c-ate-2100/

terça-feira, 10 de abril de 2018

ICMBio aprova plano de conservação de 41 espécies ameaçadas no Cerrado e Pantanal



Sapujus Cay, macaco prego, está dentre as espécies ameaçadas que são alvo do plano de proteção (Foto: Igor Peifer/ICMBio)

O Instituto Chico Mendes de Conservação de Biodiversidade, o ICMBio, aprovou plano de conservação de 41 espécies no Cerrado e no Pantanal. O instituto é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e o plano foi publicado no Diário Oficial da União nesta terça-feira (10).

Dentre as espécies, estão peixes, anfíbios répteis e primatas ameaçados de extinção, como o macaco preto.

O plano tem por objetivo influenciar políticas públicas, em diferentes esferas do governo, visando incorporar medidas de proteção.



Pimelodus stewarti, espécie de peixe presente no rio Tocantins (Foto: Lucinda et al)

Um outro ponto previsto pelo plano é a integração das espécies ameaçadas ao seu hábitat em um prazo de cinco anos. A medida também prevê a diminuição da caça das espécies no mesmo período.

A redução da degradação do hábitat e a restauração da fauna também estão dentre os objetivos previstos.

A ação também prevê a produção de relatórios informativos periódicos que possam ajudar na preservação das espécies.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 10/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/icmbio-aprova-plano-de-conservacao-de-41-especies-ameacadas-no-cerrado-e-pantanal.ghtml

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

7 dicas para tornar sua viagem ambientalmente amigável

Passeios podem ter menor ou maior impacto na natureza, basta fazer boas escolhas

Viajar e descansar são momentos bastante esperados, mas podem pesar na conta do meio ambiente se envolver atividades que o prejudicam. Para que seu tempo de lazer não se torne um pesadelo para a natureza, basta tomar alguns cuidados.


Parque Nacional do Pantanal é uma sugestão de destino para viagem nacional. Créditos: ICMBio



Confira 7 dicas para reduzir os impactos da sua viagem e até contribuir para a conservação da natureza:

1 – A opção mais econômica e ambientalmente amigável é aproveitar o que sua cidade tem para oferecer. Visitar parques, praças, museus e outras atrações locais é a opção mais acessível financeiramente e a mais amiga da natureza também. Dessa forma, você evita o uso de transportes como ônibus rodoviários ou aviões, um dos modais menos eficientes do ponto de vista energético. Caso o destino escolhido seja distante, não há como evitar a viagem de avião. A dica aqui então é optar por voos diretos, que têm impacto menor, já que a decolagem e o pouso são os grandes consumidores de energia, de acordo com o coordenador e professor da Academia de Ciências Aeronáuticas Positivo (ACAP) da Universidade Positivo (UP), Fabio Jacob. Estender as férias, evitando fazer diversas viagens ao longo do ano, também é indicado. E lembre-se que levar bagagens leves contribuem para a economia de combustível durante o voo.

2 – Para se locomover na cidade visitada, a sugestão é utilizar transporte público, como ônibus, trens e metrô, poupando o meio ambiente de emissões de gases de mais um carro. Além disso, esses meios de transporte proporcionam ao visitante uma experiência mais real com a cidade, trazendo mais proximidade com os moradores e a rotina local. De acordo com o membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza e secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, essa atitude contribui com uma preocupação nacional que é a redução das emissões de GEEs. “As emissões nacionais de gases de efeito estufa subiram 8,9% em 2016, em comparação com o ano anterior. É o nível mais alto desde 2008 e a maior elevação vista desde 2004. As consequências disso são e serão sentidas por todo o planeta se não agirmos rapidamente”.

3 – Explorar as opções turísticas do Brasil e ainda apoiar as unidades de conservação nacionais é uma ótima forma de aproveitar as férias. O Brasil tem mais de 70 parques nacionais, consideradas unidades de conservação de proteção integral, de acordo com o Sistema Nacional de Unidade de Conservação da Natureza (SNUC). Além do objetivo primário de conservação, essas áreas também possibilitam a prática de turismo e promovem a aproximação com a natureza, que traz diversos benefícios para a sociedade. De acordo com Teresa Magro, professora da Universidade de São Paulo (USP) no Departamento de Ciências Florestais e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, estar próximo de áreas verdes ajuda a evitar o “transtorno de déficit de natureza”, ou seja, um dos impactos do nosso distanciamento das áreas naturais, além de aliviar o estresse e melhorar a capacidade de concentração. O site www.wikiparques.org é uma espécie de fórum online em que os viajantes podem indicar e compartilhar experiências em Parques Nacionais e áreas protegidas, e pode ser um bom guia para quem procura por esses destinos.

4 – Aproveitar o período de férias para se comprometer com alguma causa ambiental é uma ótima alternativa. Há, inclusive, agências de viagens que oferecem opções de voluntariado de diversos tipos, como o auxílio a pessoas em situação de risco, tratamento de animais em extinção e conservação de florestas e áreas naturais, em diversas regiões do mundo. No Brasil, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza mantém em uma de suas Reservas Naturais um programa de voluntariado que recebe voluntários há 20 anos. A Reserva Natural Salto Morato, localizada no litoral paranaense, recebe voluntários cujo trabalho agrega conhecimento e traz melhorias para a unidade de conservação, que ganha reforço nas ações de preservação da natureza e atendimento aos visitantes. De acordo com o administrador da Reserva, Bruno Rosa Alves, o tempo mínimo para o voluntariado é de um mês. “Nesse período, o voluntário consegue conhecer e se adaptar à rotina de trabalho e vivência no local. Além disso, tem tempo suficiente para compartilhar ideias e vivências, contribuindo para criar novas experiências e implementar melhorias às atividades na reserva”, explica.

5 – Continuar com os hábitos de conservação que se utiliza em casa é obrigatório. Não é porque você está em um hotel que deixará de apagar a luz quando sair, ou desligar os aparelhos como ventilador/aquecedor/ar-condicionado. Outra sugestão é reutilizar as roupas de cama e toalhas. Na sua casa, você troca as toalhas todos os dias? Então na viagem também não é necessário. Leide Takahashi, gerente de projetos ambientais da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, reforça: “Se você vai visitar um lugar, tem que cuidar do impacto que vai gerar. Não é só separar o lixo. É analisar se o seu comportamento não interfere na cultura local e se é adequado”. O mesmo vale para as compras: ao escolher aquela lembrança para familiares e amigos, dê preferência a mercadorias que valorizam a mão de obra local e produtos de fornecedores certificados, de baixo consumo, feitos com materiais “ambientalmente amigáveis” – material reciclado ou reciclável, fontes renováveis e que possibilitem reutilização. A especialista explica que o turismo sustentável ocorre em cadeia e atende tanto as necessidades dos turistas, quanto das comunidades.

6 – Evite atrações que utilizam exploração animal. Nado com golfinhos, performance de animais em circos e aquários, passeios em elefantes e visitas a zoológicos que permitem que você tire foto com animais silvestres, são alguns exemplos. Muita gente não sabe, mas para que esses animais fiquem disponíveis para os turistas, é preciso submetê-los a diversas privações físicas, sociais e psicológicas que não fazem parte da sua natureza selvagem. Se você quer conhecer animais, o melhor é observá-los em seu habitat natural, como Parques Nacionais, Reservas Naturais e outras categorias de unidades de conservação. Apesar disso, quando executado com cautela, o turismo de interação pode ser uma prática importante na sensibilização ambiental da sociedade para a conservação da natureza, como relata a pesquisadora Vera da Silva, coordenadora do projeto “Distribuição e estimativa populacional de boto-vermelho (Inia geoffrensis) e tucuxi (Sotalia fluviatilis) no baixo rio Negro, Amazonas”, realizado pela Associação Amigos do Peixe-boi (AMPA) com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e que também é membro da Rede de Especialistas de Conservação da Natureza e coordenadora do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). “O boto-vermelho e o tucuxi não são bem vistos na região e estão sendo caçados quase à beira da extinção. O turismo de interação é uma das únicas formas de conseguir a empatia da sociedade e a conscientização da necessidade de proteção desses carismáticos animais”, conta a pesquisadora.

7 – Quando for à praia, lugares que geralmente oferecem menos acesso à lixeiras e serviços públicos de limpeza, leve uma sacola para recolher seu lixo. Grande parte do lixo deixado na areia vai para o mar e pode causar prejuízos ambientais graves, como a perda do potencial turístico causado pela alteração estética, contaminação dos oceanos e a morte de animais marinhos, que confundem o lixo com alimento. Segundo estudos, 54% de todas as espécies de mamíferos marinhos, todas as espécies de tartarugas marinhas e 56% espécies de aves marinhas já foram afetadas pelo emaranhamento ou ingestão acidental de lixo. A dica aqui é seguir os mandamentos do turismo ecológico: não tirar nada a não ser fotografias; não deixar nada além de pegadas; não matar nada além do tempo e não queimar nada além de calorias.

Fonte: Rede de Especialistas de Conservação da Natureza

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/02/2018

Autor: EcoDebate
Fonte: Rede de Especialistas de Conservação da Natureza
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 02/02/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/02/02/7-dicas-para-tornar-sua-viagem-ambientalmente-amigavel/

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Alterações climáticas ocorridas nos últimos 5 mil anos ajudaram a formar a paisagem de Nhecolândia, no Pantanal

Cerca de 10 mil lagoas formam uma paisagem única e instigante no sul do Pantanal. Com formato circular ou elíptico, elas têm em média 2 metros (m) de profundidade e até 1.000 m de extensão. Estão espalhadas por uma área de 24 mil quilômetros quadrados conhecida como Nhecolândia, próximo ao município de Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Há outras regiões no mundo, como Canadá e Finlândia, com paisagens compostas por múltiplas lagoas. Nenhuma, porém, com características químicas e biológicas tão diversas quanto as de Nhecolândia. Ali, a maioria das lagoas é de água doce, abastecida principalmente pela água das chuvas. Outras, de cor preta ou esverdeada, são de água salina e extremamente alcalina. Há décadas geólogos tentam explicar como essas lagoas se formaram e como algumas se tornaram ricas em sais. Agora, um grupo de pesquisadores brasileiros e norte-americanos coordenado pelo geólogo Mario Assine, do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, parece ter encontrado algumas respostas para a paisagem peculiar de Nhecolândia. Em dois artigos publicados este ano nas revistas Quaternary Research e Hydrobiologia, eles propõem que as lagoas daquela região tenham surgido há cerca de 5 mil anos e que algumas tenham se tornado salinas há aproximadamente 900 anos.



Assine e seus colaboradores estudam há duas décadas as transformações pelas quais passaram as paisagens do Pantanal, maior planície inundável do mundo. Durante esse período, verificaram que as lagoas salinas de Nhecolândia, diferentemente das de água doce, são cercadas por cordões de areia com 3 a 5 m de altura cobertos por vegetação de savana. Conhecidos como cordilheiras, esses imensos bancos de areia funcionam como barreiras que impedem as lagoas de água salina de se conectarem às de água doce durante as cheias e de serem abastecidas pelas vazantes que drenam as águas das chuvas. “Durante a estiagem, quando a evaporação é mais intensa e o nível da água diminui, os íons de magnésio, potássio e cálcio ficam mais concentrados, deixando as águas ainda mais salinas e alcalinas”, explica o geólogo. Quando volta a chover, as lagoas passam a ser alimentadas pela água que vem do lençol freático, com mais sais.


© LUCAS LEUZINGER



Durante a estiagem, o nível da água diminui, expondo sedimentos ricos em matéria orgânica (cinza escuro e preto)

Ao longo dos últimos 70 anos, muitas hipóteses foram propostas na tentativa de explicar a formação das paisagens de Nhecolândia, assim batizada em referência a um dos primeiros proprietários de terra na região, o Nheco, apelido de Joaquim Eugênio Gomes da Silva (1856-1909). Uma dessas hipóteses sustenta que as lagoas de Nhecolândia surgiram a partir de depressões moldadas pelo acúmulo de grãos de areia fina transportados pelo vento em períodos secos do final do Pleistoceno, entre 20 mil e 15 mil anos atrás. Outra propõe que a formação das lagoas teria sido desencadeada no início do Holoceno, há aproximadamente 11 mil anos, a partir de mudanças bruscas e constantes no curso dos rios da região, fenômeno conhecido como avulsão fluvial. Segundo Assine, o acúmulo de sedimentos mais grossos e pesados frequentemente bloqueia o leito dos rios, fazendo com que as águas rompam as barrancas e se espalhem pelas áreas adjacentes (ver Pesquisa FAPESP nº 227). No entanto, apesar das pesquisas feitas nas últimas décadas, era difícil verificar qual das hipóteses seria a mais consistente, uma vez que os estudos sobre a formação das lagoas se baseavam apenas na interpretação de imagens de satélite e de radar. Faltavam dados que indicassem a origem dos sedimentos das lagoas.

Anos atrás, Assine e o geógrafo Renato Lada Guerreiro, então seu aluno de doutorado, decidiram coletar amostras de sedimentos de três lagoas salinas, batizadas por eles de salina da Ponta, salina Babaçu e salina Máscara, situadas no norte de Nhecolândia. Entre março e novembro de 2014 e em março de 2015, eles percorreram o Pantanal sul-mato-grossense em tratores, em carros adaptados para atravessar áreas alagadas e em pequenos aviões. Entravam na água, não raro sob o olhar de jacarés que repousavam nas margens, e, com a ajuda de uma marreta, fincavam um cilindro de alumínio de 1,70 m no fundo da lagoa. Ao ser retirado, o cilindro vinha carregado com uma espessa camada de sedimento, material que ajuda a recontar a história da formação dessas lagoas.


© LUCAS LEUZINGER



Lagoa salina Coração, na fazenda Barranco Alto: suas águas costumam atingir temperaturas de até 40 ºC

Os sedimentos se acumulam em camadas horizontais no fundo das lagoas — as superiores são mais recentes, e as inferiores, mais antigas. Cada camada contém registros (isotópicos, geoquímicos, sedimentares ou fósseis) de como era o ambiente quando ocorreu a sua deposição. “Por meio da análise desses sedimentos é possível estudar as mudanças biogeoquímicas pelas quais aquele ambiente passou ao longo de milhares de anos”, explica Guerreiro, hoje professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná.

A camada mais profunda dos sedimentos era composta de areia fina, recoberta por uma camada de lama rica em matéria orgânica, contendo microfósseis dos esqueletos de esponjas de água doce e paredes celulares de algas microscópicas que vivem, sobretudo, em água salina. Esses dois grupos de organismos vivem em ambientes bem específicos e suas ecologias são conhecidas. Em laboratório, os pesquisadores realizaram a caracterização geoquímica e granulométrica dos sedimentos e a identificação dos microfósseis. Usaram uma técnica chamada luminescência opticamente estimulada para fazer a datação dos grãos de areia. Já as amostras com matéria orgânica, dispostas nas camadas mais superficiais, foram datadas por meio do método do carbono 14.


As análises indicaram que as camadas mais profundas dos sedimentos eram compostas de uma areia fina que começou a ser depositada na região de Nhecolândia há cerca de 11,5 mil anos, durante a transição do Pleistoceno para o Holoceno, um período predominantemente seco. Um dos microfósseis de esqueletos de esponjas identificados pelos pesquisadores é da espécie Heterorotula fistula, típica de lagoas efêmeras de água doce expostas a longos períodos de estiagem, similar às encontradas em ambientes semiáridos do interior da Austrália. A presença de fósseis desse microrganismo indica que as lagoas salinas de Nhecolândia eram preenchidas por água doce e frequentemente submetidas a períodos sazonais de seca com grandes variações no nível d’água. “Já nas camadas superiores, as esponjas também eram de água doce, mas de espécies típicas de condições estáveis, com pouca variação no nível de água, sugerindo que houve uma alteração no padrão de chuvas no Holoceno Médio, há aproximadamente 5 mil anos”, explica Guerreiro.

À medida que eles analisaram as camadas mais superficiais dos sedimentos, verificaram uma significativa diminuição das esponjas de água doce e um aumento expressivo de fósseis de diatomáceas, possivelmente decorrente da mudança para um ambiente com água mais salina e alcalina. “O padrão de deposição e preservação dessas esponjas nos sedimentos funciona como um registro das condições ambientais e hidrológicas e sugere ter havido uma mudança nas características hidroquímicas dessas lagoas, que se tornaram mais salinas e alcalinas”, explica Guerreiro. Segundo ele, isso teria acontecido há cerca de 900 anos, quando houve um aumento das temperaturas e da umidade no Pantanal.

As conclusões apresentadas no estudo indicam que mudanças ambientais ocorridas ao longo do Holoceno parecem ter sido consideravelmente mais importantes para a formação das paisagens de Nhecolândia do que se pensava. “Verificamos que os indicadores de água doce nos sedimentos mais antigos das lagoas salinas datam de um período reconhecidamente mais seco do Pantanal, enquanto os registros sedimentares salinos e alcalinos preservam as marcas de uma fase de climas úmidos em toda a América do Sul, incluindo o Pantanal”, ressalta Guerreiro.

Projeto
Mudanças paleo-hidrológicas, cronologia de eventos e dinâmica sedimentar no quaternário da Bacia do Pantanal (nº 14/06889-2); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular. Programa Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG); Pesquisador responsável Mario Luis Assine (Unesp); Investimento R$ 255.277,50.

Artigos científicos
McGLUE, M. M. et al. Holocene stratigraphic evolution of saline lakes in Nhecolândia, southern Pantanal wetlands (Brazil). Quaternary Research. On-line. ago. 2017.
GUERREIRO, R. et al. Paleoecology explains holocene chemical changes in lakes of the Nhecolândia (Pantanal-Brazil). Hydrobiologia. On-line. 9 nov. 2017.




Autor: RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | ED. 261 |
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: NOVEMBRO 2017
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/11/24/lagoas-moldadas-pelo-tempo/?cat=ciencia