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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Zika vírus: primeiro caso de gestante infectada em 2022 é registrado no Brasil

A Paraíba registrou o primeiro caso de uma gestante infectada por zika vírus no Brasil. A infectada tem 41 anos, está no terceiro trimestre da gestação e passa bem. Ainda não é possível dizer se o bebê tem microcefalia. A Secretaria de Saúde do Estado (SES-PB) está acompanhando o caso. 

O país já registrou outros casos de zika vírus neste ano. Em abril, a Secretaria de Saúde de Goiás (SES-GO) confirmou dois casos no interior do estado. 

Mais recentemente, no início de junho, as autoridades de saúde confirmaram o primeiro caso de zika vírus de 2022 em Pernambuco. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), a paciente é uma mulher de 20 anos, moradora do município de Timbaúba, região da Zona da Mata do estado, que não está grávida.

Zika vírus

O zika vírus é o principal causador de microcefalia em bebês. Até o momento, não há tratamento para reduzir as chances dessa malformação. Indivíduos infectados pelo vírus podem não perceber a doença, uma vez que é assintomática em 80% dos casos. 

O diagnóstico é baseado em sintomas clínicos e circunstâncias epidemiológicas, com a realização de exames de sangue que podem ajudar os médicos. Alguns são úteis nos três a cinco primeiros a partir do início dos sintomas (RT-PCR) e outros que detectam a presença de anticorpos, mas somente são úteis após cinco dias (sorológicos). 

Uma vez demonstrada a presença do vírus em uma área ou território, a confirmação não é necessária em todos os pacientes e o uso de testes laboratoriais será ajustado à vigilância virológica de rotina da enfermidade.

Os principais sintomas são febre baixa, erupções cutâneas (principalmente exantema maculopapular), cefaleia, dores nas articulações e nos músculos, mal-estar geral e conjuntivite não purulenta que aparecem entre dois a sete dias após a picada do mosquito vetor. 

Em maio de 2015, autoridades de saúde pública brasileiras confirmaram pela primeira vez a transmissão do vírus zika no país, mais especificamente na região Nordeste do Brasil.. 

Em julho do mesmo ano, foi detectada a associação da doença com a síndrome de Guillain-Barré e, em outubro, os pesquisadores observaram a associação entre a infecção e as malformações do sistema nervoso central ao nascimento, incluindo microcefalia. 

Formas de transmissão

O principal modo de transmissão do vírus é a picada do mosquito Aedes aegypti. 

No entanto, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), uma pessoa com zika pode transmitir o vírus aos seus parceiros através do sexo vaginal, anal e, provavelmente, oral. O compartilhamento de brinquedos sexuais também pode colocar uma pessoa em risco. O zika já foi detectado no sêmen, fluidos vaginais, saliva, urina e leite materno. 

Ainda não há evidências de que o zika possa ser transmitido através da saliva durante beijos profundos. 

Entretanto, já existem evidências documentadas de transmissão sexual do zika de homem para mulher, homem para homem e mulher para homem. A transmissão sexual de mulher para mulher ainda não foi relatada, mas é biologicamente plausível.






Autor: Letícia Suzano Lelis Bellusci
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 15/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/zika-virus-primeiro-caso-de-gestante-infectada-em-2022-e-registrado-no-brasil/

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Zika Vírus: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção

O que é Zika Vírus?

O vírus Zika é um arbovírus. Arbovírus são os vírus transmitidos por picadas de insetos, especialmente mosquitos. A doença pelo vírus Zika apresenta risco superior a outras arboviroses, como dengue, febre amarela e chikungunya, para o desenvolvimento de complicações neurológicas, como encefalites, Síndrome de Guillain Barré e outras doenças neurológicas. Uma das principais complicações é a microcefalia. A doença inicia com manchas vermelhas em todo o corpo, olho vermelho, pode causar febre baixa, dores pelo corpo e nas juntas, também de pequena intensidade
O transmissor (vetor) do Zika vírus é o mosquito Aedes aegypti, que precisa de água parada para proliferar, portanto, o período do ano com maior transmissão são os meses mais chuvosos de cada região, épocas quentes e úmidas. No entanto, o cuidado com a higene e a conscietização de não deixar água parada em nenhum dia do ano são fundamentais, tendo em vista que os ovos do mosquito podem sobreviver por um ano até encontrar as condições propícias para desenvolvimento.
O mosquito Aedes Aegypti é o mesmo mosquito que transmite a dengue, a chikungunya e a febre amarela.
IMPORTANTE:  Todos os sexos e faixas etárias são igualmente suscetíveis ao vírus Zika, porém mulheres grávidas e pessoas mais velhas têm maiores riscos de desenvolver complicações da doença. Esses riscos aumentam quando a pessoa tem alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão, mesmo tratada.

Zika Vírus tem cura?
A infecção por Zika Vírus na maioria dos casos é uma doença branda e tem cura espontânea depois de 10 dias. As principais complicações são neurológicas e devem ser tratadas caso a caso, conforme orientação médica. Todo o tratamento é oferecido, de forma integral e gratuita, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A febre por vírus Zika é descrita como uma doença febril aguda, autolimitada, com duração de três a sete dias, geralmente sem complicações graves. Porém há registro de mortes e manifestações neurológicas, além de causar a microcefalia.

Como ocorre a transmissão do Zika Vírus?

Existem três formas principais de transmissão do Zika Vírus:
  • Transmissão pela picada do mosquito Aedes Aegypti.
  • Transmissão sexual.
  • Transmissão de mãe para o feto durante a gravidez 
No caso do feto ser infectado durante a gestação, este pode desenvolver lesões cerebrais irreversíveis e ter comprometida, definitivamente, toda a sua estrutura em formação. As doenças neurológicas, especialmente nas crianças com a doença congênita (infectados no útero materno), têm sequelas de intensidade variável, conforme cada caso.
O comprometimento nesses casos é tão importante que algumas crianças, ao nascerem, têm microcefalia, uma deformação dos ossos do cabeça, sinal do não crescimento adequado do encéfalo (cérebro). 
Não há evidências de transmissão do vírus Zika por meio do leite materno, assim como por urina e saliva.

Quais são os sintomas do Zika Vírus?

Os sintomas mais comuns associados ao vírus Zika são:
  • “Vermelhão” em todo o corpo com muita “coceira” depois de alguns dias.
  • Febre baixa, muitas vezes não sentida.
  • Conjuntivite (olho vermelho) sem secreção.
  • Mialgia e dor de cabeça.
  • Dor nas juntas.
Todos os sintomas são de intensidade de leve a moderada.
Sintomas do Zika Vírus

Como é feito o tratamento do Zika Vírus?

O tratamento do Zika Vírus é feito de acordo com os sintomas, com o uso de analgésicos, antitermicos e outros medicamentos disponíveis em qualquer unidade pública de saúde para controlar a febre e a dor. No caso de sequelas mais graves, como doenças neurológicas, deve haver acompanhamento médico para avaliar o melhor tratamento a ser aplicado. As sequelas são tratadas em centros multi-profissionais especializados, como os Centros Especializados de Reabilitação (CERS).
Caso apresente algum sintoma suspeito, é fundamental procurar um profissional de saúde para o correto diagnóstico e prescrição dos medicamentos. Importante lembrar que o Ministério da Saúde não recomenda, em hipótese alguma, a auto-medicação.
Zika Vírus: combate ao mosquito Aedes Aegypti

Como é feito o diagnóstico do Zika Vírus?

O diagnóstico do Zika Vírus é clínico e feito por um médico. O resultado é confirmado por meio de exames laboratoriais de sorologia e de biologia molecular ou com o teste rápido, usado para triagem. A sorologia é feita pela técnica MAC ELISA, por PCR e teste rápido. Todos os exames estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Os recém-nascidos com suspeita de comprometimento neurológico necessitam de exames de imagem, como ultrassom, tomografias ou ressonância magnética. Em caso de confirmação do Zika Vírus a notificação deve ser feita ao Ministério da Saúde em até 24 horas.
Como prevenir o Zika Vírus?
As medidas de prevenção e controle são semelhantes aos da dengue e chikungunya. A melhor forma de prevenção, e a mais eficaz de todas elas, é evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, eliminando água armazenada que podem se tornar possíveis criadouros, como em vasos de plantas, lagões de água, pneus, garrafas pláticas, piscinas sem uso e manutenção, e até mesmo em recipientes pequenos, como tampas de garrafas e pratos de plantas.
IMPORTANTE:  Atualmente não há vacina disponível contra o Vírus Zika. Por isso, é essencial que a população faça a sua parte. Se cada um agir corretamente e tomar todos os cuidados possíveis diários para evitar criadouros do mosquito Aedes Aegypti, é possível evitar o Zika Vírus, a microcefalia, a febre amarela, a dengue e a chikungunya. Se você agir e fizer sua parte, é possível evitar!

Prevenção domiciliar

Deve-se reduzir o número de mosquitos por meio da eliminação de criadouros, sempre que possível, ou manter os reservatórios e qualquer local que possa acumular água totalmente cobertos com telas/capas, impedindo o acesso das fêmeas grávidas do mosquito Aedes Aegypti. De forma complementar, deve ser realizada a proteção individual com uso de repelentes pela população.
Pode-se utilizar também roupas que minimizem a exposição da pele, proporcionando alguma proteção contra as picadas dos mosquitos, principalmente durante o dia, período que são mais ativos.

Prevenção na comunidade

As ações realizadas pelos programas locais de controle das doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti são fundamentais para a prevenção das arboviroses. Estas ações, além de reduzirem o número de mosquitos na comunidade, interferem na probabilidade de um ser humano que está com o vírus circulante em seu sangue (viremia) servir como fonte de alimentação sanguínea e de infecção para Aedes aegypti e Aedes albopictus, levando a transmissão para uma outra pessoa e propagando, assim, a circulação viral na comunidade.
Deve-se ressaltar a importância da atuação ativa de toda a população para se evitar possíveis criadouros em suas residências, escolas e ambientes de trabalho, somando esforços com as atividades de rotinas dos programas municipais e estaduais.

Cuidados - público em geral

Prevenção/Proteção
  • Utilize telas em janelas e portas, use roupas compridas – calças e blusas – e, se vestir roupas que deixem áreas do corpo expostas, aplique repelente nessas áreas.
  • Fique, preferencialmente, em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.
  • Pratique sexo seguro
Cuidados
  • Caso observe o aparecimento de manchas vermelhas na pele, olhos avermelhados ou febre, busque um serviço de saúde para atendimento.
  • Não tome qualquer medicamento por conta própria.
  • Procure orientação sobre planejamento reprodutivo e os métodos contraceptivos nas Unidades Básicas de Saúde.
Informação
  • Utilize informações dos sites institucionais, como o do Ministério da Saúde e das Secretarias de Saúde.
  • Se deseja engravidar: busque orientação com um profissional de saúde e tire todas as dúvidas para avaliar sua decisão.
  • Se não deseja engravidar: busque métodos contraceptivos em uma Unidade Básica de Saúde.

Cuidados - gestantes

Prevenção/Proteção
  • Utilize telas em janelas e portas, use roupas compridas – calças e blusas – e, se vestir roupas que deixem áreas do corpo expostas, aplique repelente nessas áreas.
  • Fique, preferencialmente, em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.
  • Pratique sexo seguro
Cuidados
  • Busque uma Unidade Básica de Saúde para iniciar o pré-natal assim que descobrir a gravidez e compareça às consultas regularmente.
  • Vá às consultas às consultas uma vez por mês até a 28ª semana de gravidez; a cada quinze dias entre a 28ª e a 36ª semana; e semanalmente do início da 36ª semana até o nascimento do bebê.
  • Tome todas as vacinas indicadas para gestantes.
  • Em caso de febre ou dor, procure um serviço de saúde. Não tome qualquer medicamento por conta própria.
Informação
  • Se tiver dúvida, fale com o seu médico ou com um profissional de saúde.
  • Relate ao seu médico qualquer sintoma ou medicamento usado durante a gestação.
  • Leve sempre consigo a Caderneta da Gestante, pois nela consta todo seu histórico de gestação.

Cuidados - recém-nascido

  • Proteger o ambiente com telas em janelas e portas, e procurar manter o bebê com uso contínuo de roupas compridas – calças e blusas.
  • Manter o bebê em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.
  • A amamentação é indicada até o 2º ano de vida ou mais, sendo exclusiva nos primeiros 6 meses de vida.
  • Caso se observem manchas vermelhas na pele, olhos avermelhados ou febre, procurar um serviço de saúde.
  • Não dar ao bebê qualquer medicamento por conta própria.
Informação
  • Após o nascimento, o bebê será avaliado pelo profi ssional de saúde na maternidade. A medição da cabeça do bebê (perímetro cefálico) faz parte dessa avaliação.
  • Além dos testes de Triagem Neonatal de Rotina (teste de orelhinha, teste do pezinho e teste do olhinho), poderão ser realizados outros exames.
  • Leve seu bebê a uma Unidade Básica de Saúde para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento conforme o calendário de consulta de puericultura.
  • Mantenha a vacinação em dia, de acordo com o calendário vacinal da Caderneta da Criança.

Cuidados - recém-nascido com microcefalia

  • Proteger o ambiente com telas em janelas e portas, e procurar manter o bebê com uso contínuo de roupas compridas – calças e blusas.
  • Manter o bebê em locais com telas de proteção, mosquiteiros ou outras barreiras disponíveis.
  • A amamentação é indicada até o 2º ano de vida ou mais, sendo exclusiva nos primeiros 6 meses de vida.
  • Caso se observem manchas vermelhas na pele, olhos avermelhados ou febre, procurar um serviço de saúde.
  • Não dar ao bebê qualquer medicamento por conta própria.
  • Leve seu bebê a uma Unidade Básica de Saúde para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento conforme o calendário de consulta de puericultura.
  • Mantenha a vacinação em dia, de acordo com o calendário vacinal da Caderneta da Criança.
Informação
  • Além do acompanhamento de rotina na Unidade Básica de Saúde, seu bebê precisa ser encaminhado para a estimulação precoce.
  • Caso o bebê apresente alterações ou complicações (neurológicas, motoras ou respiratórias, entre outras), o acompanhamento por diferentes especialistas poderá ser necessário, a depender de cada
    caso.

Quem foi infectado pelo zika vírus pode ter a doença de novo?

Outros vírus parecidos com o Zika geram imunidade para a vida inteira. Quem já teve dengue pelo vírus 1, por exemplo, não voltará a ter pelo mesmo vírus. O mesmo acontece com a febre amarela. Porém, ainda não há estudos suficientes para afirmar isso em relação ao vírus Zika.

Zika x microcefalia

O aumento de casos de microcefalia em bebês, relacionada ao vírus Zika, está preocupando as gestantes. O risco maior foi identificado nos primeiros três meses de gravidez, mas as investigações sobre o tema continuam para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Os casos de microcefalia reforçam ainda mais a importância dos cuidados para eliminação do mosquito Aedes Aegypti. 

Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 26/05/2020
Publicação Original: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/zika-virus

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Aumento nos casos de conjuntivite surpreende médicos e dispara buscas no Google



Em Recife, pacientes aguardam abertura de ficha na maior unidade de atendimento oftalmológico da rede pública, a Fundação Altino Ventura. Este ano, foram atendidos 12 mil casos de conjuntivite, contra 2 mil no ano passado (foto de 4 de abril) (Foto: Nathalia Bormann/Fundação Altino Ventura)

"Foi uma surpresa muito grande, há vários anos a gente não observava esse surto de conjuntivite", diz o oftalmologista Wagner Batista, de Belo Horizonte. "Com certeza surpreendeu! Todo verão a gente se prepara para um aumento, mas o número desse ano foi muito maior do que o esperado", fala o também oftalmologista Vasco Bravo Filho, de Recife.


"Foi muito maior e mais longo do que nos anos passados. A essa altura, já não era mais para ter", completa Ivan Dantas, coordenador do serviço de urgência de Salvador.


Os três médicos trabalham no atendimento de emergência da rede pública das capitais dos seus Estados. Em comum, vivenciaram uma crise de conjuntivite viral, muito maior e mais longa do que o esperado para os primeiros meses do ano, que abarrotou as unidades de saúde. Em alguns casos, foi preciso isolar áreas da emergência só para pessoas com conjuntivite e até mesmo montar hospitais temporários, para evitar o contágio de outros pacientes. O auge da crise ocorreu em março e, agora, começa a diminuir.


Segundo levantamento da BBC Brasil, o número de casos de conjuntivite explodiu no início deste ano em pelo menos quatro Estados do país: Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Pernambuco. Além disso, Salvador (BA), Fortaleza (CE) e Petrópolis (RJ) registraram números muito acima do normal para esta época do ano.


A extensão do surto de conjuntivite de 2018 pode ser ainda maior. Não há dados consolidados de todo o Brasil, porque os estados não são obrigados a notificar surtos de conjuntivite para o Ministério da Saúde. Em alguns casos, nem os estados têm dados agregados dos municípios. Além disso, não há padronização dos dados entre as diferentes regiões do país e há uma dificuldade de comparação com anos anteriores.


Confrontados com os surtos em suas cidades, os brasileiros correram para o Google em busca de respostas, gerando uma explosão inédita na procura pelo termo "conjuntivite" (veja mais à frente na reportagem algumas das dúvidas principais e o que os médicos dizem a respeito). O interesse começou a crescer em fevereiro e atingiu o auge em março. A partir de abril, passou a diminuir. Antes disso, apenas um pico tinha sido registrado no Google, em 2011, mas em intensidade bem menor do que o atual.


Como a conjuntivite é uma doença simples, autoridades de saúde pública ouvidas pela BBC Brasil dizem que não há motivo de preocupação. O ciclo da doença costuma durar de 5 a 7 dias e, na maioria das vezes, não há necessidade de uso de medicamentos e nem ocorrem complicações. Apesar disso, é preciso se afastar do trabalho, escola e transporte público nesse período, para evitar o contágio de outras pessoas.



Como se prevenir e como tratar a conjuntivite



Veja as respostas para as dúvidas mais comuns sobre conjuntivite buscadas no Google:


O que é conjuntivite? A conjuntivite é uma inflamação na conjuntiva, uma membrana que reveste o globo ocular e o interior das pálpebras. A causa pode ser viral (como registrada em grande parte das cidades que tiveram surto em 2018), bacteriana ou alérgica. Não é grave, mas é irritante e altamente contagiosa.

Quais os sintomas da conjuntivite? Os olhos podem arder, coçar, lacrimejar, ficar vermelhos e com a sensação da estarem com areia. Ao acordar, é comum que fiquem grudados por causa de excesso de secreção. A conjuntivite, em si, não causa febre. Os sintomas costumam durar de 5 a 7 dias.

Como se pega? Para pegar a doença, é preciso um caminho de ida e volta: primeiro, a pessoa com conjuntivite passa a mão no olho e toca em algum lugar, espalhando o vírus; depois, outra pessoa toca naquele mesmo lugar e passa a mão que ficou contaminada no olho. No caso da conjuntivite viral, "o vírus pode sobreviver por até duas semanas na superfície seca. Por exemplo, na haste do ônibus, no botão do elevador, no corrimão, na maçaneta. Por isso, a conjuntivite se transmite com facilidade", explica o oftalmologista Abrahão Lucena, de Fortaleza. O contágio não se dá nem por ar, nem água.

Como se prevenir? A recomendação básica para evitar o contágio é não passar a mão nos olhos. Além disso, lavar as mãos com frequência, higienizá-las com álcool gel e não compartilhar objetos com pessoas contaminadas - como toalhas e lençois. Outra dica é que as pessoas com conjuntivite usem toalhas e lenços de papel descartáveis. Também vale higienizar as superfícies tocadas pelas pessoas com conjuntivite com água e sabão e depois álcool 70%.

Como tratar? Para quem já está com conjuntivite, os cuidados principais são limpar e umedecer os olhos com colírios lubrificantes - soro fisiológico, por exemplo. Dependendo do caso, o médico pode indicar anti-inflamatórios e antibióticos. Por isso, a recomendação é sempre procurar o médico, mesmo sendo uma doença simples – inclusive, se você trabalha ou estuda, vai precisar se afastar e o médico é quem vai dar o atestado médico.

Tratamento caseiro funciona? Oftalmologistas desaconselham tratamentos caseiros, como compressas de chás, sucos e leite materno. "Nada das soluções alternativas funciona. É até contra indicado, porque a pessoa pode acabar tendo uma contaminação, que pode inflamar o quadro. Muitas vezes, as pessoas acham que a solução caseira melhora, mas na verdade o que acontece é que a conjuntivite cessa normalmente, a pessoa vai ficar boa de qualquer jeito", fala o oftalmologista Bravo Filho, de Recife.




Gráfico das buscas no Google pelo termo 'conjuntivite', com um pico em 2011 e um grande pico em 2018 (Foto: Reprodução/Google)

O caminho do surto da conjuntivite de 2018 no Brasil


O primeiro aumento de buscas no Google ocorreu em Mato Grosso, em dezembro de 2017. Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado, este foi o mês em que a conjuntivite saiu do controle. Foram 5,9 mil casos suspeitos, mais de 50 vezes mais que no mesmo mês do ano anterior. Em janeiro, o número começou a cair, mas ainda estava muito acima do normal.

Em seguida, em janeiro, foi a vez dos Estados vizinhos de Tocantins e Goiás dispararem nas buscas do Google. Nesse mês, em poucos dias, mais de 2 mil pessoas foram acometidas por conjuntivite na cidade turística de Caldas Novas (GO). O caso chegou a ser investigado por uma equipe do Ministério da Saúde, que ainda não divulgou os resultados. Além de Caldas Novas, o surto chegou a 59 municípios e a 8,3 mil pessoas em Goiás.

Depois, o auge das buscas no Google migrou para o Nordeste. "Passamos um bom tempo cuidando desse surto. Foi algo que nos surpreendeu. Tivemos que dividir a urgência em dois e isolar um dos lados só para pacientes com conjuntivite, para evitar o contágio", conta o oftalmologista Abrahão Lucena, coordenador da Escola Cearense de Oftalmologia, em Fortaleza (CE), que atende pelo SUS. "Agora, está diminuindo".

Em Pernambuco, a principal unidade de atendimento oftalmológico de emergência na rede pública, a Fundação Altino Ventura, atendeu 12 mil casos de conjuntivite de janeiro a meados de março. Já no mesmo período do ano passado, foram 2 mil. A conjuntivite, que antes representava 5% dos casos de urgência da fundação, passou a somar 30% este ano.

A conjuntivite também chegou com força em Minas Gerais, onde foram notificados 1.962 surtos este ano. No ano passado, foram 180 (um surto é um aumento de casos além da normalidade, em um determinado lugar e período). "Com os dados que temos disponíveis não é possível explicar o aumento do número de casos", afirmou por nota a Secretaria de Saúde de Minas Gerais.

Por último, o Google registrou um pico de buscas no Rio de Janeiro. Em Petrópolis, mais de 14 mil pessoas tiveram conjuntivite de janeiro a março. O número representa cerca de 5% da população. Para dar conta de tanta gente, a Prefeitura montou dois hospitais de campanha (provisórios) só para atender casos de conjuntivite - desmontados na semana passada, quando o surto começou a ceder. No ano passado, a cidade não registrou nenhum surto da doença.

Gisane Faria, de 29 anos, foi uma das pessoas atendidas pelos hospitais provisórios montados em Petrópolis para responder ao surto de conjuntivite. Ainda de licença médica e terminando de se recuperar, ela acredita que pegou a doença do marido, que é garçom e teve os dois olhos acometidos.

"O trabalho dele ficou desfalcado. São uns 12 garçons. Seis ficaram com conjuntivite. Todo mundo na cidade ficou assustado, porque não se via nada disso aqui", diz ela. Na clínica veterinária onde Gisane trabalha como auxiliar de administração, outras duas pessoas pegaram a doença.



Em Petrópolis, dois hospitais provisórios foram montados como resposta ao surto de conjuntivite (Foto: Prefeitura de Petrópolis)


O que causou o surto de conjuntivite de 2018?


O aumento de casos de conjuntivite no verão é normal. O anormal é um crescimento como o visto em 2018.

Médicos e autoridades de saúde pública ouvidos pela BBC Brasil não souberam explicar o que aconteceu. Há quem diga que é só um surto mais forte e que pode ocorrer periodicamente, quem acredite que possa ter relação com mudanças no clima ou até especule que esteja ligada ao fato do carnaval ter durado mais tempo em 2018 (assim, as pessoas teriam ficado aglomeradas por mais tempo, facilitando o contágio).

"O Ministério da Saúde esclarece que surtos de conjuntivite são comuns no verão e tem a transmissibilidade facilitada quando ocorrem grandes aglomerados de pessoas. A implementação de medidas e prevenção e controle da conjuntivite no âmbito individual e coletivo é importante para a interrupção da cadeia de transmissão da doença", afirmou o órgão, por nota.

Também não se sabe se o vírus da conjuntivite de 2018 é diferente dos anteriores. "Seria interessante identificar qual vírus está causando (o surto), fazer uma investigação epidemiológica", fala Ivan Paiva, coordenador dos serviços de urgência e emergência na rede pública de Salvador.

Na capital baiana, as 14 unidades de pronto-atendimento da rede pública viram os casos explodirem de uma semana para outra. Em 8 de fevereiro, eram 50 casos por dia. Em 14 fevereiro, 200. Em 12 de março, 1 mil pacientes. Agora, em abril, o patamar voltou para 200 casos por dia. "No ano passado, no pico, atendíamos no máximo 50 pacientes por dia", fala Paiva.

O registro de pesquisas no Google mostra também uma busca associada dos termos "conjuntivite" e "zika" – a primeira pode ser um dos sintomas da segunda. Mas, segundo as fontes consultadas pela BBC Brasil, o surto de conjuntivite de 2018 não tem relação com a zika.

"O aumento de casos de conjuntivite registrado no país no início deste ano não têm relação com o zika vírus, pois como mostram os dados, até 24 de fevereiro deste ano, foram registrados 1,2 mil casos prováveis de doença (zika) em todo país, uma redução de 80% em relação ao mesmo período de 2017". Além de conjuntivite, a zika tem outros sintomas, como febre moderada, dores musculares e nas articulações.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 18/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/aumento-nos-casos-de-conjuntivite-surpreende-medicos-e-dispara-buscas-no-google.ghtml