sexta-feira, 10 de julho de 2026

FAPERJ apresenta Programa Prioridade Indústria RJ 4.0 em evento na Casa Firjan


Como as empresas podem pensar a inovação para antecipar novos cenários, tomar decisões estratégicas e se preparar para os desafios e demandas de mercado no futuro? Para refletir sobre essa temática, empreendedores e gestores se reuniram no evento “Meet Up Firjan IEL” na tarde desta quarta-feira, 8 de julho, na sede da Casa Firjan – polo de inovação e centro cultural da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro –, em Botafogo. Durante o encontro, representantes da FAPERJ apresentaram o Programa Prioridade Indústria RJ 4.0, edital lançado pela Fundação no dia 2 de julho que, elaborado em colaboração com a Firjan, apoiará projetos desenvolvidos por startups e empresas industriais sediadas no estado do Rio de Janeiro, com o propósito de estimular a inovação tecnológica, o aumento da produtividade e a aproximação entre empresas e instituições de ciência e tecnologia.

Na mesa de abertura, a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, destacou o papel estratégico da inovação e a importância de planejar cenários futuros de mercado no estado do Rio de Janeiro. Participaram também dos debates a coordenadora do Lab de Tendências da Casa Firjan, Carol Fernandes; e o gerente de Ecossistema de Inovação para a América Latina da Merck Life Sciences, Misael Silva. A mesa foi mediada pela consultora de Ambientes de Inovação da Casa Firjan, Julia Zardo.

O assessor da Diretoria de Tecnologia da FAPERJ, Guilherme Santos, esclareceu dúvidas de empreendedores presentes e detalhou os principais pontos do Programa Prioridade Indústria RJ 4.0. “O edital vai conectar as demandas da indústria com tecnologias maduras e a capacidade de execução das propostas. O programa terá duas faixas, voltadas a startups inovadoras e a empresas industriais”, citou.

No dia 14 de julho, será realizado um webinar sobre o Programa Prioridade Indústria RJ 4.0, online e ao vivo, que será transmitido das 17h às 18h30, para apresentar os principais aspectos do edital, incluindo seus objetivos, critérios de elegibilidade, etapas de submissão e oportunidades para empresas interessadas em desenvolver projetos de inovação. A iniciativa contempla soluções como automação avançada, manufatura digital, internet das coisas, inteligência artificial, análise de dados, sistemas ciberfísicos e integração digital de processos produtivos. Se inscreva no webinar aqui.


Empreendedores e gestores participaram de uma dinâmica de grupo para facilitar a troca de contatos e experiências profissionais (Foto: Flávia Machado)


Em seguida, Carol Fernandes falou sobre os objetivos do Lab de Tendências da Casa Firjan, voltado ao auxílio de empresas, indústrias e profissionais na antecipação de temas de impacto, adotando uma visão a longo prazo. “É importante enxergar as possibilidades de mercado e criar ações estratégicas para desenvolver um olhar de longo prazo. Fazemos um trabalho de letramento de futuros e pesquisa de tendências. Temos como metodologia o jogo Futuros Possíveis, em que mapeamos sinais com potencial disruptivo, suas conexões e desdobramentos, e as ações inovadoras a serem tomadas. Estamos pensando em novos padrões de consumo e tecnologias, novas competências educacionais para esses cenários futuros, e quais produtos e serviços e novos modelos de negócio poderemos oferecer”, resumiu a coordenadora do Lab de Tendências.

O gerente de Ecossistema de Inovação para a América Latina da Merck Life Sciences, Misael Silva, compartilhou sua experiência corporativa na área. Ele contou que a empresa, criada em 1968, precisou se adaptar às diversas transformações de mercado ao longo das décadas e só resistiu porque está atenta às mudanças. “A Merck investe na inovação de forma contínua, principalmente em áreas estratégicas como doenças crônicas, alterações climáticas, envelhecimento da população e inteligência artificial. Temos também hubs de inovação, frutos de parcerias com universidades de excelência. Com a Universidade Federal de Minas Gerais, testamos os nossos protótipos de nanomateriais e, em parceria com a Coppe/UFRJ – o Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro –, lançamos recentemente o Biotech Hub de Medicina de Precisão e de Bioimpressão em 3D, na vanguarda das pesquisas em biotecnologia”, concluiu. Depois das palestras, o público participou de uma dinâmica para networking.

O prazo para submissão online no Programa Prioridade Indústria RJ 4.0 vai de 06/08 a 25 /09/26. Confira abaixo todos os detalhes do edital:





Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 09/07/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1062.7.0

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Polvos de 19 metros dominavam os oceanos há 100 milhões de anos, revela estudo




Investigadores analisaram as mandíbulas de 15 fósseis antigos de polvo para estimar o tamanho que estes animais poderiam ter atingido.


Principal predador a rondar os mares na era dos dinossauros, há 100 milhões de anos, poderá ter sido o polvo.

Novas análises de mandíbulas fossilizadas revelam que enormes polvos, semelhantes a krakens, chegaram a caçar lado a lado com outros predadores marinhos.

Tinham oito braços e corpos alongados que podiam atingir 19 metros de comprimento, rivalizando com outros répteis marinhos carnívoros.

«Estes krakens deviam ser uma visão temível», respondeu por email o paleontólogo Adiel Klompmaker, da Universidade do Alabama, que não teve qualquer papel na nova investigação.





Os fãs de dinossauros sabem que, no final do Cretácico, as águas eram dominadas por tubarões de dentes aguçados e por répteis marinhos conhecidos como mosassauros e plesiossauros.

Porque é que os polvos costumam ser deixados de fora? Cientistas já estudaram parentes gigantes dos polvos que nadavam quando os dinossauros ainda existiam e analisaram alguns polvos pequenos que perfuravam amêijoas. Mas, como os seus corpos moles quase não se preservam, é difícil perceber exatamente que dimensões chegaram a atingir.

Há também a ideia de que invertebrados moles – animais sem espinha dorsal – não seriam suficientemente temíveis para figurarem entre os grandes predadores. Mas os bicos dos polvos, feitos de quitina endurecida, são resistentes o bastante para esmagar presas com concha e com esqueleto.
Investigadores usam mineração digital de fósseis para identificar restos de polvos antigos

Neste novo estudo, a equipa analisou as mandíbulas de 15 fósseis de polvos antigos, encontrados anteriormente no Japão e na ilha de Vancouver, no Canadá.

Identificaram ainda mais 12 mandíbulas provenientes do Japão, recorrendo a uma técnica que desenvolveram, a que chamam mineração digital de fósseis, que consiste em examinar em detalhe rochas em corte para revelar fósseis escondidos no interior.

Os investigadores compararam estas mandíbulas com as dos polvos atuais para estimar o tamanho dos animais e concluíram que os polvos antigos mediam entre sete e 19 metros de comprimento.

A maior mandíbula era substancialmente maior do que a de qualquer polvo moderno, explicou por email o coautor e paleontólogo Yasuhiro Iba, da Universidade de Hokkaido.

Verificaram também que as mandíbulas dos maiores animais apresentavam um desgaste acentuado, com riscos, lascas e bordos arredondados, o que sugere que "os animais esmagavam repetidamente presas duras, como conchas e ossos", acrescentou Iba.

Os resultados foram publicados na quinta-feira, 23 de abril, na revista Science.

Ilustração fornecida por investigadores em abril de 2026 mostra um polvo gigante que poderá ter sido um dos principais predadores marinhos há milhões de anos Yohei Utsuki via AP
O que comiam os polvos gigantes?

Sem acesso ao conteúdo dos estômagos destes polvos, é difícil saber ao certo o que comiam ou se competiam de facto com outros grandes predadores pelas mesmas presas.

Podiam alimentar-se de peixes ou caracóis marinhos, apanhando as presas com os braços flexíveis e desfazendo-as com o bico.


Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 24/04/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/04/24/polvos-de-19-metros-dominavam-os-oceanos-ha-100-milhoes-de-anos-revela-estudo

Mosquito-tigre asiático chega a Berlim: é perigoso?


Tem apenas alguns milímetros, mas alastra pela Alemanha: o mosquito-tigre asiático, potencial transmissor de dengue e chikungunya, preocupa as autoridades de saúde. Como pode proteger-se?


Uma espécie de mosquito dos trópicos na Alemanha? O mosquito-tigre asiático está aparentemente a espalhar-se pela Alemanha. Na Renânia do Norte-Vestefália, em particular, a espécie ganha terreno.

Até agora foram detetadas populações em Bona, Euskirchen e no círculo de Rhein-Erft. A cidade de Colónia alerta agora também para a provável multiplicação destes mosquitos tropicais nos próximos meses. O local mais a norte onde foi confirmada uma população é Berlim.
Porque o mosquito-tigre asiático se pode espalhar especialmente este ano

Os mosquitos-tigre asiáticos preferem um clima quente e húmido. É precisamente isso que a Alemanha oferece neste momento: chove com frequência, mas o tempo continua soalheiro e quente.

Na Renânia do Norte-Vestefália os invernos tornam-se cada vez mais amenos. As condições climáticas são por isso favoráveis à propagação desta espécie.





Outro fator que poderá explicar a expansão destes mosquitos, segundo o Instituto Bernhard Nocht de Medicina Tropical (BNITM), é o aumento do tráfego internacional de passageiros e mercadorias.
Quão perigosos são os mosquitos-tigre asiáticos

A espécie é originária dos trópicos. Com as alterações climáticas, espalhou-se de forma maciça, desde a década de 1990, pelo sul e centro da Europa.

Este mosquito praticamente não evita a luz do dia e as picadas são dolorosas. Distingue-se pelas listas pretas e brancas e mede entre meio centímetro e um centímetro.

O problema é que o mosquito-tigre pode transmitir agentes patogénicos como os vírus da dengue e do chikungunya.
Como saber se pode ter sido infetado

A dengue é uma infeção causada pelo vírus da dengue, presente sobretudo em regiões tropicais e subtropicais e transmitida através da picada de mosquitos infetados. A doença começa, na maioria dos casos, entre quatro e dez dias após a infeção, com febre alta, dores intensas de cabeça, músculos e articulações, bem como uma erupção cutânea. Por isso, a doença também é conhecida como "febre quebra-ossos".

Na maioria dos casos, os doentes recuperam em uma a duas semanas, mas em algumas situações a dengue pode provocar complicações graves, como hemorragias, falência circulatória ou a forma grave da doença, potencialmente mortal. Não existe, até agora, uma terapêutica antiviral específica; o tratamento centra-se no alívio dos sintomas e na ingestão adequada de líquidos.




O vírus chikungunya é responsável pela chamada febre de chikungunya e transmite-se sobretudo através do mosquito da febre-amarela e do mosquito-tigre asiático.
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Após a infeção surgem, geralmente de forma súbita, febre alta, dores intensas nas articulações e nos músculos, dores de cabeça e erupções cutâneas. Muito típicas são as dores articulares, por vezes muito fortes, que podem persistir muito depois de desaparecerem os sintomas agudos.

Embora o chikungunya não seja, na maioria dos casos, mortal, a doença pode afetar seriamente os doentes durante semanas ou meses. Como não existe uma terapêutica antiviral específica, o tratamento baseia-se sobretudo no repouso, na hidratação adequada e no alívio das queixas.

Na Alemanha ainda não foram registadas transmissões através de mosquitos-tigre residentes, mas especialistas consideram que, com as alterações climáticas, é apenas uma questão de tempo, refere a Pharmazeutische Zeitung.
Como se pode proteger

As medidas mais eficazes passam por renovar regularmente a água acumulada, por exemplo em regadores, baldes ou pratos de vasos. Ajuda também evitar que a água da chuva se acumule.

Os cidadãos podem ainda capturar mosquitos-tigre asiáticos e enviá-los para o chamado "Mückenatlas", um projeto de âmbito nacional em que cientistas analisam as espécies e recolhem mais dados sobre a sua dispersão.



Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 31/05/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/my-europe/2026/05/31/alemanha-mosquito-tigre-asiatico-alastra-se-ate-berlim-quao-perigoso-e

Espanha deteta 111 casos de cancro raro ligado a implantes mamários




O Ministério da Saúde confirmou mais de uma centena de casos deste cancro raro associado a implantes mamários, quase todos em mulheres com próteses texturizadas.


A Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos de Saúde (Aemps) confirmou até 2025 um total de 111 casos de linfoma anaplásico de células grandes associado a implantes mamários (LACG), um cancro pouco frequente ligado às próteses mamárias. No total, o organismo recebeu 146 notificações suspeitas desde que começou a acompanhar esta patologia em 2012.

Os dados constam do sexto relatório de seguimento do protocolo nacional para a deteção e estudo deste tipo de linfoma, elaborado a partir das comunicações registadas no Sistema de Vigilância de Produtos de Saúde. A Aemps mantém há vários anos um seguimento específico desta doença em conjunto com sociedades médicas e autoridades de saúde europeias.

Madrid é a comunidade autónoma que regista o maior número de notificações, à frente da Andaluzia, da Catalunha e da Comunidade Valenciana, segundo o relatório divulgado pela agência.


Cancro raro ligado a determinadas próteses


O LACG associado a implantes mamários, conhecido internacionalmente como BIA-ALCL, é um tipo pouco frequente de linfoma não Hodgkin que não tem origem no tecido mamário, mas em células do sistema imunitário que podem desenvolver-se na cápsula de tecido que envolve o implante.



A Aemps sublinha que se trata de uma doença rara e recorda que a incidência continua baixa em comparação com o elevado número de mulheres com próteses mamárias. Ainda assim, o organismo insiste na importância de manter a vigilância e melhorar a deteção precoce.

As investigações realizadas até agora apontam para uma origem multifatorial da doença. Entre os fatores estudados contam-se o tipo de implante utilizado, determinadas predisposições genéticas e possíveis processos inflamatórios ou contaminações associados ao implante. No entanto, os peritos salientam que ainda não foi estabelecida uma relação causal definitiva nem é conhecido com exatidão o mecanismo que desencadeia o desenvolvimento do linfoma.




Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 04/06/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/saude/2026/06/04/espanha-deteta-111-casos-de-cancro-raro-ligado-a-implantes-mamarios

quarta-feira, 1 de julho de 2026

Antártida: confirmado primeiro fóssil de dinossauro descoberto há quase 40 anos





Uma vértebra encontrada por cientistas britânicos em 1985 foi identificada como o primeiro fóssil de dinossauro da Antártida. O achado revela pistas sobre a expansão destes animais pelos continentes do hemisfério sul


Um osso descoberto há quase 40 anos durante uma expedição científica britânica foi oficialmente identificado como o primeiro fóssil de dinossauro encontrado na Antártida. A descoberta corresponde a uma vértebra de um titanossauro, um grupo de dinossauros saurópodes que inclui alguns dos maiores animais terrestres que alguma vez existiram.

O fóssil foi descoberto em 1985 pelo geólogo do British Antarctic Survey (BAS), Mike Thomson, durante uma expedição à ilha James Ross, na península Antártica. A missão tinha como objetivo cartografar os estratos rochosos para facilitar a datação de futuras descobertas paleontológicas na região. Na altura, Thomson registou o osso como pertencente a um grande réptil, mas só agora foi possível confirmar que se trata de um dinossauro.

O paleontólogo e responsável pelas coleções geológicas do BAS, Mark Evans, explicou que o fóssil lhe chamou a atenção há alguns anos, enquanto revia a coleção da instituição. "Quando vi este osso pela primeira vez nas nossas coleções há alguns anos, suspeitei que era um dinossauro. Depois de o examinar com atenção, pensei que se tratava provavelmente de uma vértebra caudal de um titanossauro. Ao rever os cadernos de campo de Mike, verificámos que ele já sabia que pertencia a um grande réptil, por isso é muito especial poder confirmar a sua descoberta 40 anos depois", afirmou Evans numa nota de imprensa do BAS.
O caderno de campo geológico de 1985 de Thomson, do British Antarctic Survey, ao lado da primeira vértebra fóssil de dinossauro encontrada na Antártida British Antarctic Survey
Titanossauro de há 82 milhões de anos

Os investigadores identificaram o fóssil como uma vértebra pertencente a Titanosauria, o grupo que reúne os maiores dinossauros que andaram sobre a Terra, que habitualmente ultrapassavam as 15 toneladas de peso. Ainda assim, o exemplar antártico teria medido entre seis e sete metros de comprimento.





A vértebra foi encontrada na Formação Santa Marta, um estrato marinho do Cretácico Superior com uma idade aproximada de 82 milhões de anos. É o único fóssil de dinossauro descoberto na Antártida proveniente desta formação geológica. Os cientistas acreditam que, depois de morrer, o animal foi arrastado para o mar, onde ficou enterrado no fundo marinho e acabou por fossilizar.
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Novas pistas sobre a expansão dos dinossauros

O professor Paul Barrett, investigador do Museu de História Natural de Londres e coautor do estudo, afirmou que a descoberta traz novas pistas sobre a expansão dos dinossauros pelos continentes do hemisfério sul.

"Esta descoberta lança mais luz sobre a forma como os dinossauros se dispersaram pelos continentes austrais. Até agora não tinham sido encontrados titanossauros na Austrália e as evidências na Nova Zelândia são muito limitadas. Confirmar a sua presença na Antártida leva a pensar que estes animais continuaram a expandir-se para essas regiões, que na altura estavam ligadas", explicou Barrett.

Quando este dinossauro viveu, há cerca de 82 milhões de anos, a Antártida era muito diferente da atual. Segundo o BAS, o continente estava coberto por densas florestas temperadas e tinha um clima muito mais quente, favorecido por uma intensa atividade vulcânica que libertava grandes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera.

Os investigadores recordam que a Antártida continua a ser o continente com o registo fóssil de dinossauros mais escasso, devido à enorme camada de gelo que cobre a maior parte da sua superfície. Ainda assim, consideram que ainda há numerosos fósseis por descobrir e que o recuo do gelo poderá trazer à luz novas provas da sua antiga biodiversidade.

O estudo, intitulado 'A titanosaurian sauropod dinosaur from the Late Cretaceous of Antarctica', foi publicado na revista científica 'Acta Palaeontologica Polonica'.




Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 29/06/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/cultura/2026/06/29/antartida-confirmado-primeiro-fossil-de-dinossauro-descoberto-ha-quase-40-anos

Do laboratório para os céus: grafeno português que esconde aviões e drones pode revolucionar defesa



Portugal pode estar a dar um passo decisivo na corrida global à tecnologia stealth, com o desenvolvimento de um material inovador à base de grafeno para absorção de radar, capaz de tornar drones e aeronaves militares praticamente indetectáveis.

Portugal está a desenvolver um material à base de grafeno capaz de reduzir significativamente a visibilidade de drones e aeronaves militares aos radares, uma inovação que pode posicionar a Europa na corrida pela tecnologia stealth.


O projeto é liderado pela GTechPlasma, uma spin-off do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, que criou um sistema baseado em plasma para produzir materiais personalizados à base de grafeno de alta qualidade.

"Neste momento, estamos muito focados no desenvolvimento de coberturas para absorção de radar e de radiação eletromagnética", explica Bruno Soares Gonçalves, co-fundador da GTechPlasma, em entrevista à Euronews.

O material foi desenvolvido para absorver radiação eletromagnética, incluindo ondas de radar, uma característica essencial para aplicações stealth.


"As aplicações mais óbvias neste momento são no ramo da defesa, mas existem muitas outras aplicações onde este tipo de material tem potencial para blindagem electromagnética, para reduzir radiação. E, por isso, achamos que temos um material extremamente interessante ao nível dos coatings para absorção de radar", considera o investigador do Instituto Superior Técnico, sublinhando que soluções semelhantes são raras e fortemente controladas a nível internacional.

"Atualmente, não existe na Europa nenhuma outra solução e mesmo no mundo existe nos Estados Unidos. Mas o material que, por exemplo, cobre os F-35, é um material que não pode ser exportado. Por isso, temos um material 'made in' Portugal e com elevado potencial de aplicação", refere Bruno Soares Gonçalves.

O grafeno é uma folha de átomos de carbono com apenas um átomo de espessura, produzida neste caso a partir de precursores como o álcool etílico ou o metano, através de tecnologia de plasma.
GTechPlasma produz grafeno usando uma tecnologia de plasma inovadora GTechPlasma

A equipa diz conseguir, usando uma tecnologia de plasma inovadora, controlar o material ao nível atómico, o que permite ajustar as suas propriedades para diferentes aplicações.

Para além da absorção de radar, a tecnologia poderá ser utilizada no armazenamento de hidrogénio ou na separação de terras raras e urânio, segundo o investigador.

"Existem múltiplas outras aplicações onde o grafeno e os seus derivados podem ser usados, mas para isso é preciso controlar todo o processo a nível atómico. E é isso que nós conseguimos fazer com o nosso dispositivo que é patenteado nos Estados Unidos, Japão e Europa", detalha o também presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear.

Uma das aplicações mais relevantes é na aviação militar, de forma a tornar uma aeronave invisível ao radar. "As nossas estimativas, para aquilo que é o nosso material, é que um F-16 passe a ter a assinatura de um pássaro. Isso é reduzir imenso a assinatura do radar para tornar o avião invisível e muito mais difícil detetar."

A redução da assinatura de radar pode representar uma vantagem estratégica significativa num cenário de guerra.

"Isto torna-se importante porque o avião não é visualizado ou é visualizado tarde demais e, por isso, é uma vantagem do ponto de vista militar, conseguir ser detetado o mais tarde possível pelo radar, durante as missões militares", explica Bruno Soares Gonçalves à Euronews.
GTechPlasma tem em vista o desenvolvimento de revestimentos ou tintas que possam ser aplicadas diretamente em drones GTechPlasma

A tecnologia está a dar passos rumo à industrialização, com os dispositivos da GTechPlasma a produzirem já 40 miligramas por minuto de grafeno de alta qualidade. Mas a empresa pretende aumentar a sua capacidade e já tem um parceiro industrial para escalar a produção.

A empresa Plasmaphene, que recebeu fundos do Compete 2030, e está instalada em Vila Viçosa, vai industrializar a máquina para produção de grafeno de alta qualidade.

"O nosso objetivo em piso de fábrica é ter múltiplos dispositivos, não só pela redundância que isso traz, como pela possibilidade de produzir múltiplos materiais em simultâneo em diferentes dispositivos. Porque, na realidade, a nossa máquina é um dispositivo para múltiplos materiais. Nós conseguimos mudar a receita e ter diferentes materiais", detalha o investigador do Técnico.

A empresa tem também em vista alargar as parcerias com empresas da área da defesa, tendo já fornecido 260 gramas deste material para para absorção de radar a um fabricante de drones português.

Atualmente, o material é produzido sob a forma de um pó preto muito leve, mas o objetivo é desenvolver soluções prontas a aplicar, mais próximas do utilizador final. Isso inclui o desenvolvimento de revestimentos ou tintas que possam ser aplicadas diretamente em superfícies como drones.

"O objetivo é fornecer soluções o mais próximo possível da solução que o cliente possa aplicar. Em vez de fornecer apenas um pó em que o cliente tem que descobrir como integrar", justifica o responsável da GTechPlasma.

A inovação poderá colocar Portugal na linha da frente das tecnologias stealth baseadas em grafeno, com potencial de aplicação muito além da área da defesa.



Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 30/06/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/next/2026/06/30/do-laboratorio-para-o-ceu-grafeno-portugues-que-esconde-avioes-e-drones-pode-revolucionar-

Há uma nova espécie de aranha venenosa em Portugal






A descoberta da aranha-reclusa-chilena (Loxosceles laeta) no Porto marca o primeiro registo desta espécie venenosa na Península Ibérica. Apesar da sua mordida poder provocar lesões graves na pele, os investigadores garantem que o risco para a população é reduzido devido ao comportamento discreto.


Uma nova espécie de aranha venenosa, a aranha-reclusa-chilena, cientificamente conhecida como Loxosceles laeta, foi descoberta na cidade do Porto, no norte de Portugal.

Em entrevista à Euronews, um dos investigadores responsáveis pela descoberta, José Manuel Grosso-Silva, entomólogo do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, garantiu que, devido ao comportamento tímido e aos hábitos desta espécie, não há motivos para alarme. "A probabilidade de as pessoas se cruzarem com esta espécie ou serem mordidas por ela é reduzida", afirma.

"Trata-se de uma espécie tímida e pouco propensa a morder, mas a sua mordida pode causar danos consideráveis na pele, resultando frequentemente em lesões cutâneas necróticas", descreve o estudo realizado pelos biólogos Francisco Gil e José Manuel Grosso-Silva sobre a descoberta da primeira ocorrência desta espécie na Península Ibérica.

A aranha-reclusa-chilena, laeta, é nativa da região ocidental da América do Sul, sendo habitualmente encontrada em países como o Brasil e a Argentina. Contudo, tem conseguido expandir-se para regiões distantes do seu habitat de origem, impulsionada pelas trocas comerciais internacionais.





Aranha-reclusa-chilena observada pelos investigadores no Porto Francisco Gil / MHNC-U.Porto

A primeira descoberta foi casual, conta o biólogo, e ocorreu a 10 de setembro de 2025, quando um macho foi encontrado numa parede no Campo dos Mártires da Pátria, no Porto. A segunda, também de um macho, ocorreu a 10 de janeiro de 2026, tendo o exemplar sido recolhido já morto numa armadilha adesiva que não lhe era destinada.




Apesar da descoberta desta nova espécie, outra aranha venenosa da mesma família habita Portugal há várias décadas e apresenta uma distribuição alargada. Trata-se da Loxosceles rufescens, ou aranha-reclusa-do-mediterrâneo, originária da América do Norte e presente na Europa há mais de 200 anos.

"Não sabemos se esta nova espécie existe apenas aqui no Porto ou se já está mais dispersa. Como a aranha-reclusa-chilena se pode confundir facilmente com a aranha-reclusa-do-mediterrâneo, é possível que existam registos fotográficos identificados como sendo desta última que, na realidade, correspondam à nova espécie", esclarece o biólogo.

A principal diferença entre as duas espécies encontra-se nos pedipalpos dos machos, apêndices articulados localizados na parte frontal do corpo das aranhas machos, que desempenham funções sensoriais e reprodutivas, servindo para transferir o esperma para a fêmea durante o acasalamento.
Pedipalpo de um macho Loxosceles laeta, cuja anatomia permite a identificação segura da espécie Francisco Gil / MHNC-U.Porto

Ao nível da morfologia e do comportamento, são muito semelhantes. "São castanhas uniformes, não têm aquelas cores que lhes permitem camuflar-se na vegetação e não fazem as teias que normalmente vemos nas plantas para apanhar insetos. Constroem teias em paredes, cantos e locais mais escondidos e sombrios, sendo mais ativas durante a noite", explica José Manuel Grosso-Silva.

Existem diferentes níveis de gravidade, desde casos ligeiros até casos graves, incluindo alguns fatais, na sequência da mordida deste tipo de aranhas. O risco existe, mas parece-me reduzido, pelo que tento não contribuir para o pânico ou alarme excessivo", reforça o biólogo.
Mordida causa necrose

Em 2023, Portugal registou um caso de loxoscelismo, síndrome causada pelo veneno da aranha, provocado pela mordida da Loxosceles rufescens, ou aranha-reclusa-do-mediterrâneo.




A revista SPMI Case Reports, publicação científica digital da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, divulgou o caso de uma mulher de 48 anos que foi mordida por esta espécie enquanto se encontrava num parque urbano.

Após a mordida na nuca, a mulher apresentou um inchaço sem dor imediata. No entanto, nas 24 horas seguintes, os sintomas agravaram-se, com aumento das dores de cabeça, mal-estar, sensação febril, cansaço e o aparecimento de necrose com eritema na zona da lesão. Posteriormente, verificou-se descamação da pele noutras zonas do corpo, nomeadamente em redor dos olhos, na região dos glúteos, coxas, lábios e mucosa oral.

A paciente teve alta hospitalar 16 dias depois, sem apresentar qualquer sintoma.
Novas espécies são cada vez mais comuns

Em Portugal, estão estabelecidas mais de 300 espécies de insetos oriundas de várias regiões do mundo, muitas delas introduzidas pelo ser humano devido ao aumento do transporte de mercadorias.

"Estamos cada vez mais a alterar o ambiente que nos rodeia. Introduzimos propositadamente muitas plantas que, muitas vezes, trazem consigo insetos que não pretendíamos", explica.

O biólogo recorda o caso da vespa asiática, introduzida na Europa através de França num transporte de bonsais chineses.

Também "através do urbanismo e das monoculturas, como os eucaliptos que ocupam áreas enormes, mas também de culturas extensivas, como o milho, têm-se reduzido os habitats naturais", o que contribui para a alteração dos ecossistemas e favorece o aparecimento de novas espécies.

O aumento das temperaturas à escala global, com a Europa a aquecer a um ritmo acelerado, pode favorecer a reprodução e a expansão destas espécies exóticas.

"Não sabemos como evoluirá cá na Península Ibérica, isso é uma situação para acompanhar nos próximos anos", garante José Manuel Grosso-Silva.



Presença da aranha-reclusa-chilena na Europa

O primeiro registo europeu desta espécie data de 1972, num edifício dos Departamentos de Zoologia e Genética da Universidade de Helsínquia, na Finlândia.

Acredita-se que a espécie tenha sido transportada pelo ser humano e se tenha instalado no interior do edifício para beneficiar das temperaturas mais elevadas, uma vez que dificilmente sobreviveria ao clima exterior da Finlândia.

Em 2025, a Universidade Eberhard Karl de Tübingen, na Alemanha, também identificou um exemplar desta espécie na cave da instituição.

Há ainda referências à sua possível presença em Itália. Contudo, o sítio onde essa informação foi originalmente publicada já não se encontra disponível e, por isso, esse registo permanece por confirmar.


Autor: euronews
Fonte: euronews
Sítio Online da Publicação: euronews
Data: 01/07/2026
Publicação Original: https://pt.euronews.com/2026/07/01/ha-uma-nova-especie-de-aranha-venenosa-em-portugal