quinta-feira, 26 de junho de 2025

Empresa americana negocia licenciamento do luminol da UFRJ para controle de contaminação hospitalar


Teste com o luminol patenteado pela UFRJ: substância fluorescente indica resíduos de sangue e pode ser utilizada para monitorar a higienização de hospitais, com o objetivo de reduzir focos de contaminação (Foto: Patrick Viegas) 
A empresa americana Belcher Pharmaceuticals, com sede na Flórida, está em negociações com a Agência UFRJ de Inovação para licenciar a patente do luminol desenvolvido na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Usado desde 2002 pela Polícia Civil do Rio de Janeiro na elucidação de homicídios, o produto agora poderá ser adaptado para detectar resíduos hemáticos em ambientes hospitalares, com o objetivo de reduzir a contaminação por microrganismos patogênicos.

A proposta de licenciamento internacional prevê o uso do luminol como ferramenta de verificação dos protocolos de higienização em hospitais e centros de saúde. A expectativa é que a tecnologia possa contribuir para o controle de infecções, especialmente em ambientes críticos como centros cirúrgicos, CTIs, salas de hemodiálise e de esterilização de materiais.

Do laboratório da UFRJ para hospitais ao redor do mundo

Segundo o professor Cláudio Cerqueira Lopes, do Instituto de Química da UFRJ, responsável pelo desenvolvimento da fórmula nacional, o potencial do luminol vai além das perícias criminais. “O luminol pode identificar sangue oculto em áreas hospitalares, garantindo um controle rigoroso da limpeza. Em um cenário onde infecções hospitalares causam cerca de 100 mil mortes anuais no Brasil, sua aplicação pode representar um avanço significativo na segurança dos pacientes”, afirma o pesquisador.

Nos Estados Unidos, França e Holanda, o uso do luminol como verificador da limpeza hospitalar já demonstrou resultados expressivos na redução de infecções. A versão brasileira, no entanto, apresenta diferenciais técnicos que despertaram o interesse do mercado internacional.

Produto nacional tem durabilidade superior

O presidente da Belcher no Brasil, Emanuel Katori, afirma que o produto nacional é superior aos importados em diversos aspectos. “O luminol da UFRJ é o melhor do mundo. Ele tem rendimento elevado, não gera resíduos tóxicos e permanece ativo por até seis meses após aberto. Em comparação, os similares disponíveis no mercado internacional duram, em média, apenas duas horas”, diz Katori.

O contrato em negociação prevê o investimento de R$ 4,5 milhões por parte da empresa para obter o direito de exploração da patente por dez anos. A universidade será beneficiada com o recebimento de royalties sobre as vendas futuras.

Fomento público garantiu desenvolvimento da tecnologia 

A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, lembra que o desenvolvimento do luminol só foi possível graças ao apoio da Fundação, que financiou as pesquisas e toda a produção até então. “Esse é um exemplo claro de como o investimento em ciência e inovação pode gerar impacto real na sociedade. O luminol, que já auxilia a perícia criminal, agora tem potencial para salvar vidas ao reduzir a contaminação hospitalar. Nosso compromisso é continuar fomentando pesquisas que tragam benefícios concretos para o país e para o mundo”, afirma Caroline.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado, Anderson Moraes, também destaca o papel do financiamento público. “Esse tipo de inovação é a prova de como a ciência pode transformar realidades, tanto na área criminal quanto na saúde. Estamos falando de um trabalho que pode salvar vidas e contribuir para a segurança pública”, afirma.


Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 29/06/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=783.7.3

Ciência fluminense é reconhecida em premiação nacional do CNPq


A mestranda Luciele de Léo Cardozo (à esq.) e sua orientadora, a professora Clicia Grativol: ela foi a primeira estudante da Uenf a ganhar o Prêmio Destaque de Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq (Foto: Divulgação/Uenf)
A mestranda do Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Vegetal, Luciele de Léo Cardozo, orientanda da professora Clicia Grativol, é a primeira estudante da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) a ganhar o Prêmio Destaque de Iniciação Científica e Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A cerimônia de premiação, na categoria Bolsista de Iniciação Científica – área de Ciências da Vida – será no dia 15 de julho, na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), em Recife.

O investimento da FAPERJ na formação de jovens cientistas segue gerando frutos que ultrapassam as fronteiras do estado do Rio de Janeiro. Luciele de Léo Cardozo, da Uenf, é a mais nova conquista. O reconhecimento chega em um momento simbólico: os 30 anos do Programa de Iniciação Científica da Uenf, um dos mais relevantes do país, sustentado por políticas públicas estaduais de fomento, como os editais lançados pela FAPERJ.

“Venho de uma família humilde, sou a primeira mulher da minha família a entrar e se formar em uma universidade. Viver tudo isso é uma experiência única”, afirmou Luciele, emocionada. “Dedico este prêmio à minha mãe, Maria Lúcia, que sempre me incentivou, mesmo sem ter tido acesso à educação. Também dedico à minha irmã Thamires, ao meu irmão Vitor, à minha avó, Dona Zelina, de 92 anos, e a toda a minha família, que me deu todo apoio.”

Luciele é moradora do distrito de Santo Eduardo e cursou Ciências Biológicas na Uenf/Cederj, polo de Bom Jesus de Itabapoana, entre 2019 e 2024. Bolsista de Iniciação Científica do CNPq desde 2022, ela desenvolveu pesquisa sobre moléculas de RNA na cana-de-açúcar, com metodologia de bioinformática, sob orientação da professora Clicia Grativol.

“Sinto-me honrada de poder orientar a Luciele em sua trajetória de formação como cientista. Trabalhamos juntas desde 2020 e agora podemos viver a felicidade desse prêmio tão honroso do CNPq. Fico imensamente grata de continuar como sua orientadora no mestrado, no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia Vegetal. A trajetória da Luciele inspira outros estudantes a acreditarem na educação”, afirmou a professora Clicia Grativol. 

Também formada pela Uenf, no Consórcio Cederj, a professora recebe apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa de fomento à pesquida intitulado Jovem Cientista do Nosso Estado. Ela é bolsista de produtividade do CNPq, membro suplente do Conselho Superior da FAPERJ e embaixadora do movimento Parent in Science. A pesquisa de seu grupo tem sido financiada majoritariamente pela FAPERJ, além do CNPq, da Capes e da própria Uenf.

“Esse prêmio também é um pouco da Clicia e da Paula Machado, coorientadora, porque eu não criei o caminho todo sozinha. Sou eternamente grata a elas. Por último, mas não menos importante, dedico esse prêmio à própria Uenf. Aqui fui acolhida, tive laboratório, alimentação, estrutura. Não acredito que seja sorte — foi trabalho duro e esforço máximo”, completou Luciele.

A presidente da FAPERJ, Caroline Alves, destacou o impacto de políticas públicas estruturadas no surgimento de talentos científicos como Luciele. “Esse prêmio representa o que a ciência fluminense tem de melhor: talentos que florescem quando há investimento, orientação qualificada e um ambiente acadêmico sólido. A FAPERJ se orgulha de apoiar iniciativas como as da Uenf, que revelam jovens pesquisadores brilhantes e contribuem para o desenvolvimento do nosso estado.”

A Uenf já foi reconhecida três vezes com o Prêmio de Mérito Institucional do CNPq por seu desempenho na formação científica de graduação. A conquista de Luciele reforça esse histórico de excelência, como ressaltou a reitora da universidade, Rosana Rodrigues: “Essa vitória é mais do que um reconhecimento individual: é a celebração de uma trajetória construída com seriedade, dedicação e excelência. Parabenizo a Luciele, a professora Clicia e toda a equipe envolvida nesse trabalho que tanto nos orgulha. É um presente para nossa comunidade acadêmica neste momento em que comemoramos 30 anos de iniciação científica na Uenf.”

Luciele também relatou que o apoio da universidade foi fundamental, inclusive em momentos difíceis. Em 2024, enfrentou uma semana de isolamento e falta de alimentos por causa de uma enchente em Santo Eduardo. “A Universidade me deu todo o apoio. Tive muita ajuda dos professores. Foi um ato de humanidade”, relembrou.

A FAPERJ tem atuado em diversas frentes para fortalecer a base da formação científica. Programas como Apoio à Iniciação Científica e Tecnológica (IC e IT), Jovens Talentos e editais voltados às universidades públicas estaduais têm garantido bolsas e estrutura para que alunos de graduação participem de projetos de pesquisa com orientação de excelência. Em 2024, a Fundação destinou recursos recordes para essa finalidade, ampliando o número de bolsistas e interiorizando o investimento em ciência.

Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 27/06/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=801.7.0