terça-feira, 18 de agosto de 2026

Especialistas reforçam importância do acompanhamento do colesterol na gravidez


No mês das gestantes, celebrado em agosto, um tema merece atenção especial: o comportamento do colesterol durante a gravidez. Embora muitas mulheres se assustem ao receber resultados laboratoriais com níveis elevados, esse aumento costuma fazer parte das adaptações fisiológicas necessárias para garantir o desenvolvimento do bebê. Ainda assim, o acompanhamento durante o pré-natal é fundamental para diferenciar as alterações esperadas daquelas que podem representar riscos para a saúde materna e fetal.


Pré-natal é fundamental para diferenciar as alterações esperadas durante a gravidez

Durante a gestação, o organismo materno passa por intensas mudanças metabólicas. O aumento do colesterol e dos triglicerídeos é uma resposta natural às necessidades do crescimento fetal, da formação da placenta e da produção de hormônios. Em grande parte dos casos, essas alterações não exigem tratamento medicamentoso, mas devem ser avaliadas dentro do contexto clínico de cada mulher.

A endocrinologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Lizanka Marinheiro, explica que este é um dos principais pontos que precisam ser esclarecidos às gestantes. "Na prática clínica, considero importante tranquilizar as gestantes: o aumento do colesterol durante a gravidez, na maioria das vezes, faz parte das adaptações fisiológicas do organismo necessárias ao desenvolvimento do bebê. Não é motivo para pânico nem para iniciar ou suspender medicamentos por conta própria. O mais importante é um pré-natal de qualidade, capaz de identificar as mulheres que realmente necessitam de investigação e acompanhamento especializado", afirma Lizanka.

Segundo a especialista, o exame laboratorial, isoladamente, não deve ser o único parâmetro utilizado para definir a necessidade de investigação mais aprofundada. A avaliação deve considerar o histórico da paciente, seus fatores de risco e outros marcadores metabólicos: "Precisamos olhar para a gestante como um todo, e não apenas para um resultado laboratorial. Na maioria das gestantes, uma elevação isolada do colesterol faz parte das alterações fisiológicas da gravidez e não representa, por si só, indicação de tratamento. O contexto clínico, a presença de dislipidemia prévia, hipercolesterolemia familiar ou doença cardiovascular e, especialmente, elevações importantes dos triglicerídeos ajudam a identificar as situações que merecem maior atenção".

Lizanka destaca que a assistência pré-natal deve ir além do monitoramento dos exames, incluindo orientações que favoreçam uma gestação saudável. "Também é fundamental o acompanhamento nutricional, com o objetivo de favorecer um ganho de peso adequado durante a gestação e reduzir o risco de complicações metabólicas, como diabetes gestacional e elevações excessivas do colesterol e, principalmente, dos triglicerídeos", aponta Lizanka, acrescentando: "Informação de qualidade reduz a ansiedade e evita tanto o excesso quanto a falta de tratamento. O objetivo não é medicalizar uma alteração fisiológica da gravidez, mas reconhecer precocemente as exceções que realmente precisam de cuidados especializados. O equilíbrio é a essência de uma boa assistência pré-natal".

A alimentação também ocupa papel central nesse processo. A nutricionista do IFF/Fiocruz Julyane Sobrino explica que mulheres que iniciam a gestação com colesterol elevado, seja em decorrência de hábitos de vida inadequados, dislipidemias prévias (alteração nos níveis de gorduras no sangue) ou condições genéticas, apresentam maior risco de complicações como diabetes mellitus gestacional e pré-eclâmpsia. Por isso, investir em hábitos saudáveis antes mesmo da gravidez favorece uma melhor adaptação às mudanças metabólicas e contribui para um ambiente intrauterino mais saudável para o bebê.

Durante a gestação deve-se priorizar uma alimentação baseada em alimentos in natura e minimamente processados, rica em frutas, verduras, legumes, cereais integrais, leguminosas e fontes de gorduras insaturadas, como azeite de oliva extravirgem, abacate, oleaginosas e sementes. Também é recomendada a inclusão de peixes ricos em ômega-3, como sardinha e salmão, duas a três vezes por semana. Em algumas situações específicas, a suplementação de ômega-3 pode ser indicada como estratégia complementar, sempre mediante avaliação individualizada e acompanhamento profissional. Diante disso, Julyane ressalta que a orientação nutricional precisa respeitar as necessidades de cada gestante.

"A conduta nutricional deve ser individualizada, evitando megadoses de nutrientes e restrições alimentares desnecessárias. Prioriza-se o consumo de 'comida de verdade', enquanto a suplementação deve ser utilizada de forma complementar, com base na avaliação clínica, nos exames laboratoriais, nos sinais e sintomas e nas necessidades específicas de cada trimestre gestacional", frisa Julyane.

Ela chama atenção para hábitos que podem favorecer uma elevação excessiva do colesterol e dos triglicerídeos, aumentando o risco cardiovascular e obstétrico, especialmente em mulheres com obesidade, hipertensão, diabetes gestacional ou histórico de dislipidemia. Entre eles, estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, gorduras saturadas, bebidas açucaradas e carboidratos refinados, além do sedentarismo e do ganho excessivo de peso durante a gravidez. Ao mesmo tempo, a nutricionista alerta que a gestação não é o momento para dietas restritivas.

"É importante ressaltar que não se recomenda a restrição excessiva de gorduras ou colesterol durante a gestação, uma vez que esses nutrientes são fundamentais para a síntese hormonal, o desenvolvimento placentário e o adequado crescimento e desenvolvimento cerebral do bebê. A abordagem nutricional deve priorizar a qualidade da dieta, com ênfase no consumo de gorduras insaturadas, fibras alimentares e alimentos in natura e minimamente processados, em vez da adoção de dietas restritivas", declara.

Na prática clínica, simples mudanças sustentáveis costumam produzir resultados mais consistentes do que restrições rígidas: "Orientar a gestante a realizar pequenas mudanças sustentáveis no padrão alimentar, como substituir frituras por preparações assadas, trocar alimentos refinados por integrais, incluir oleaginosas e consumir peixes ricos em ômega-3, mostra-se uma estratégia mais eficaz e segura do que a adoção de restrições alimentares desnecessárias", ressalta Julyane.

A importância desse cuidado integrado é reforçada pela médica clínica da Área da Gestante do IFF/Fiocruz, Simone de Almeida Leite. A especialista salienta que embora a elevação dos lipídios seja considerada fisiológica, algumas mulheres apresentam fatores de risco que exigem acompanhamento mais próximo. "Algumas evidências sugerem que gestantes com dislipidemia prévia à gestação apresentam associações potenciais com eventos adversos durante a gestação, como hipertensão induzida pela gravidez, diabetes gestacional, parto prematuro e macrossomia. Por esse motivo, toda a equipe de pré-natal deve estar atenta para detectar esses eventos prejudiciais e orientar mudanças comportamentais de estilo de vida das gestantes", reforça Simone.

Por sinal, o pré-natal é uma oportunidade para identificar precocemente fatores de risco, orientar mudanças no estilo de vida e planejar o acompanhamento da mulher também após o nascimento do bebê, segundo frisa Simone: "Deve detectar, pela anamnese (entrevista de saúde), o histórico de doença cardiovascular na paciente e familiares, e encaminhar a nutricionista, que fará uma revisão dos hábitos alimentares da paciente e proporcionará correções que sejam saudáveis, orientar atividade física, convencer dos efeitos nocivos à saúde do uso do álcool e cigarro, rastrear pelo exame físico e por exames laboratoriais hipertensão, dislipidemia e diabetes gestacional e orientar, no pós-parto, a continuidade desse acompanhamento médico nas unidades básicas de saúde".

O aumento do colesterol durante a gestação é, na maioria das vezes, uma adaptação natural do organismo. Por isso, mais do que se preocupar com uma alteração isolada nos exames, é fundamental contar com um pré-natal de qualidade, capaz de identificar precocemente situações que exigem maior atenção. Com acompanhamento médico, nutricional e multiprofissional, a gestante pode adotar hábitos saudáveis, reduzir o risco de complicações e contribuir para a própria saúde cardiovascular, durante a gestação e ao longo da vida.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 14/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/especialistas-reforcam-importancia-do-acompanhamento-do-colesterol-na-gravidez

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Estudante de Ipojuca (PE) vence o 4º Concurso Portinho Livre de Literatura



A vencedora do 4º Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil é uma estudante de Ipojuca, em Pernambuco. Jennifer Yorrahra da Silva França, de 16 anos, conquistou o prêmio com o texto ‘Minha Maria’. Ela foi um dos 715 alunos, de diferentes municípios brasileiros, que atenderam ao chamado de trabalhos sobre o tema ‘Quem cuida de quem cuida? Cuidado e desigualdades no Brasil’.

Aluna da Escola de Referência em Ensino Médio José Mário Alves da Silva, a jovem faz menção à ‘escrevivência’ de Conceição Evaristo para criar uma narrativa em primeira pessoa: uma carta a Maria, mãe já ausente, que enfrentou inúmeras dificuldades para cuidar dos dois filhos, após ser abandonada pelo pai das crianças. No texto, a narradora reflete sobre o impacto do racismo nas desigualdades do cuidado.

Jennifer será convidada a receber o prêmio no campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), em outubro. O convite se estende a um responsável e sua professora, que também ganha um cartão presente. Alice de Jesus Lima Campos, de Feira de Santana (BA), e Sofia Lorena Silva Araújo, de Paraíso do Tocantins (TO), ficaram com o segundo e o terceiro lugar no concurso.

Coletânea vai reunir melhores trabalhos

Os melhores trabalhos foram eleitos por uma banca formada por profissionais da Fiocruz. A novidade é a ampliação da proposta de livro, a ser publicado pela Portinho Livre. Devido ao grande volume de trabalhos excelentes, a banca decidiu aumentar para 40 o número de textos selecionados.

Dentre os inscritos, há muitos relatos pessoais, em que os narradores observam como o trabalho de cuidado está presente em seus cotidianos, sendo exercido, em geral, pelas mulheres da família. Contos onde protagonistas em situação de vulnerabilidade se veem às voltas com a exaustão de jornadas duplas ou triplas de trabalho. Narrativas que abordam as desigualdades sociais, de raça e de gênero, a rotina de trabalhadoras domésticas, os desafios de encontrar apoio para o cuidado com pessoas idosas e com deficiência. Dissertações que refletem sobre a necessidade de estratégias e de políticas públicas que promovam transformações reais no cotidiano de cuidadores.

O 4º Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil é uma iniciativa do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), com incentivo da Fundação de Apoio à Fiocruz (Fiotec). Ele integra o projeto SUS nas Escolas, que busca incentivar o debate sobre saúde como algo muito além da ausência de doenças: saúde como direito e como construção coletiva.




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 13/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/estudante-de-ipojuca-pe-vence-o-4o-concurso-portinho-livre-de-literatura

Pesquisador da Fiocruz é o representante do Brasil na Reforma da Arquitetura Global da Saúde da OMS

Pesquisador da Fiocruz, Rômulo Paes de Sousa é o representante do Brasil escolhido para a Força-Tarefa Conjunta (Joint Task Force) que orientará reformas na Organização Mundial da Saúde (OMS) e suas unidades satélites, conforme decidido na 79ª Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2026. O grupo, formado por representantes de 14 países (um por país), mais nove representantes de estruturas ligadas à OMS, deverá produzir um conjunto de propostas que conformarão a Reforma da Arquitetura Global da Saúde (GHA, na sigla em inglês).

A proposta é fazer frente às grandes transformações pelas quais vem passando o mundo: a soberania nacional e as capacidades regionais expandiram-se; a carga de doenças e os riscos à saúde mudaram; a ciência, a IA e as tecnologias digitais estão evoluindo rapidamente; e o cenário de financiamento contraiu-se, entre outros aspectos apontado no Termo de Referência divulgado na última Assembleia da OMS. O documento aponta, ainda, a “expansão substancial no número de atores da Saúde”, fundamentais nesse cenário, mas, ao mesmo tempo, adicionando “complexidade” e resultando “em desequilíbrios de poder, fragmentação e duplicação, que estão limitando a apropriação, o impacto e a equidade dos países”.

As propostas da Força Tarefa serão apresentadas na 80ª Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2027. A composição da Força-Tarefa: 12 representantes de estados-membros (países) e mais dois integrantes adicionais, provenientes das regiões cujos países venham a assumir à copresidência; a copresidência será a liderança da Força-Tarefa e deve ser compartilhada obrigatoriamente por um país em desenvolvimento e um país desenvolvido; os demais assentos, para evitar duplicações e alinhar financiamento e resposta, estão assim distribuídos entre cinco principais iniciativas globais de saúde que não são da ONU (Gavi [Alliance], Fundo Global [Aids, TB e Malária], Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias[Cepi], Unitaid e o Fundo Pandêmico do Banco Mundial); quatro agências do sistema ONU – agências focadas em saúde (como Unicef, UNFPA, Unaids); um representante do Banco Mundial; e um representante de organização regional de saúde.

A escolha de Rômulo Paes de Sousa deu-se por convite e indicação do governo brasileiro.

Arquitetura Global da Saúde (GHA)

A Arquitetura Global da Saúde refere-se a um ecossistema, combinando atores, estruturas e processos que orientam, coordenam, financiam e implementam esforços para melhorar e proteger a saúde globalmente, respondendo de forma mais eficaz e eficiente às necessidades específicas e coletivas de países e comunidades.

Prioridades e abordagens globais em saúde mudaram

Conforme indica o Termo de Referência resultante da última Assembleia Mundial da Saúde, observam-se no mundo mudanças em que programas conduzidos globalmente passam a ser liderados por países e apoiados regionalmente; intervenções voltadas a doenças específicas deslocam-se para abordagens integradas de atenção primária à saúde e para a cobertura universal de saúde; doenças infecciosas e saúde materno-infantil abrem espaço para a inclusão de doenças não transmissíveis, saúde mental, envelhecimento, bem como para a abordagem da Saúde Única (One Health), no cuidado à saúde; em vez de produção centralizada, a produção local e regional supre as demandas essenciais para a saúde, entre outros pontos.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".





Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 14/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/pesquisador-da-fiocruz-e-o-representante-do-brasil-na-reforma-da-arquitetura-global

InfoGripe: maior parte do país tem tendência de queda ou estabilização de casos de SRAG

A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quinta-feira (13/8), mostra que 23 das 27 unidades da Federação (UF) apresentam tendência de queda ou estabilização do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A exceção fica para Rondônia, Mato Grosso, Bahia e Sergipe, que apresentam um leve sinal de crescimento. Quanto ao nível de risco, ainda há 14 das 27 UF com incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco: Acre, Amazonas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e Sergipe. A atualização é referente à Semana Epidemiológica 31, período de 2 a 8 de agosto.

Os pesquisadores do InfoGripe voltam a reforçar que a vacina é a principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos pelos principais vírus que causam SRAG, como influenza, VSR e Covid-19. Também é essencial, de acordo com os especialistas, que as pessoas que moram nos estados com alta de SRAG continuem tomando alguns cuidados, como uso de máscaras em postos de saúde, e em locais muito fechados e com aglomeração de pessoas, manter as mãos sempre limpas e fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado. Se não for possível fazer o isolamento, o recomendado é sair de casa usando uma boa máscara.



Estados e capitais

A atualização aponta que há sinal de início ou manutenção da queda dos casos de SRAG por VSR no país. Contudo, mesmo com tendência de queda, os casos de SRAG por VSR continuam altos em Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo, Santa Catarina, Sergipe e Rio Grande do Sul.

O período da sazonalidade da influenza A já se encerrou, porém, mesmo com sinal de queda, os casos graves pelo vírus continuam altos em Minas Gerais e Roraima. Os casos graves por influenza B continuam aumentando em alguns estados do Centro-Sul (Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul), mas mostram sinais de desaceleração do crescimento no Rio de Janeiro e Santa Catarina e queda no Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo.

Em relação à Covid-19, há um leve sinal de aumento dos casos graves no Maranhão e Amazonas, mas os casos semanais ainda estão em um patamar baixo de incidência. Também há uma manutenção do aumento das hospitalizações por metapneumovírus em toda a Região Sul, além de São Paulo, Pernambuco e Amazonas, e de rinovírus em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, porém sem impacto importante nos casos de SRAG em boa parte desses estados.

Segundo o InfoGripe, 2 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 31: Belém (PA) e Porto Velho (RO). Além disso, 6 capitais também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Belo Horizonte (MG), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Manaus (AM), Rio Branco (AC) e São Luís (MA).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 6,5% de influenza A, 9,2% de influenza B, 50,4% de vírus sincicial respiratório, 29% de rinovírus e 1,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 20,1% de influenza A, 18,1% de influenza B, 34,7% de vírus sincicial respiratório, 24,3% de rinovírus e 5,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 133.709 casos de SRAG, sendo 72.061 (53,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 46.505 (34,8%) negativos, e ao menos 7.372 (5,5%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 18,6% de influenza A, 5,2% de influenza B, 42,2% de vírus sincicial respiratório, 30% de rinovírus e 4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

Os dados laboratoriais por faixa etária indicam que a redução dos casos de SRAG entre crianças de até 4 anos é impulsionada principalmente pela diminuição das hospitalizações por VSR no país. Na população de 15 a 49 anos a redução dos casos de SRAG é explicada principalmente pela diminuição das hospitalizações por influenza A e B, enquanto entre os idosos ela decorre sobretudo da redução das hospitalizações por influenza A. Entre crianças de 5 a 14 anos, a queda dos casos de SRAG é impulsionada principalmente pela diminuição dos casos graves por rinovírus.

A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. A mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A. O rinovírus também se destaca como a segunda principal causa de óbitos entre crianças menores de dois anos e idosos.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade. A influenza B também apresenta maior incidência entre crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada tanto nessa faixa etária quanto entre os idosos. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.

Período eleitoral

Durante o período eleitoral (de 4 de julho até 25 de outubro), os conteúdos digitais publicados e disponibilizados pela Agência Fiocruz de Notícias (AFN) acompanham as orientações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom). O documento esclarece que é permitida a divulgação de "conteúdo meramente informativo ou de serviço ao cidadão".




Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 13/08/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/08/infogripe-maior-parte-do-pais-tem-tendencia-de-queda-ou-estabilizacao-de-casos-de

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

FAPERJ leva ciência, tecnologia e inovação ao Rio Innovation Week 2026


Estande da FAPERJ foi ponto de encontro de empreendedores, pesquisadores e autoridades durante o Rio Innovation Week, o maior encontro de inovação e tecnologia da América Latina, que destacou a importância da 'Simbiose' entre o setor empresarial, o meio acadêmico e a sociedade (Foto: Divulgação)


A FAPERJ participou da edição 2026 do Rio Innovation Week (RIW), o maior encontro de inovação e tecnologia da América Latina, realizado de 4 a 7 de agosto, no Píer Mauá, Zona Portuária do Rio. Durante o evento, a Fundação apresentou iniciativas voltadas ao fortalecimento da pesquisa científica, do empreendedorismo inovador e da transformação do conhecimento em soluções para a sociedade.

No estande institucional localizado no Armazém 3, a FAPERJ reuniu pesquisadores, estudantes, representantes de startups e universidades para apresentar programas de fomento, editais e projetos que impulsionam o desenvolvimento científico e tecnológico do estado. O espaço também funcionou como ponto de encontro para troca de experiências e networking. Como forma de prestar contas à sociedade, a Fundação participou da programação com palestras de empreendedores e pesquisadores que desenvolvem, com apoio dos seus editais e programas de fomento, diversos projetos científicos, tecnológicos e de inovação no estado do Rio de Janeiro.

O RIW é conhecido como um dos principais eventos de inovação do mundo, com uma ampla programação voltada às tendências que estão transformando diferentes setores da economia e da sociedade.

Mesa de abertura discute o tema Simbiose para a inovação e o empreendedorismo

A importância de uma maior articulação entre o setor empresarial e a universidade foi destaque durante a cerimônia de abertura do RIW, realizada na terça-feira, 4 de agosto, no palco Kobra. Diante de uma plateia formada por empreendedores, gestores públicos e pesquisadores, o presidente do comitê organizador do evento, Fábio Queiroz, justificou a escolha do tema “Simbiose – O futuro não acontece sozinho” para nortear os debates no RIW, que chega este ano à sua sexta edição. “O Brasil tem uma importante produção científica, mas temos dificuldade de transformar dados em produtos. Temos que trabalhar em uma simbiose da academia com o ecossistema de inovação, e espero que este evento seja um espaço de construção desse diálogo e ajude a gerar desenvolvimento humano, social e ambiental”, disse.

O governador em exercício do estado do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, reconheceu a importância da realização do evento na cidade e se mostrou otimista em relação às novas tecnologias. “A inovação é de suma importância para a sociedade. O escritor português Fernando Pessoa, com o pseudônimo Álvaro de Campos, escreveu que ‘o verdadeiro poema moderno é a vida sem poema’. Eu acredito que essa visão da modernidade é pessimista. Precisamos, sim, discutir a questão da eticidade na inteligência artificial, mas vejam quantos avanços ela pode nos trazer, como, por exemplo, no reconhecimento facial de pessoas que cometeram ilicitudes. A tecnologia serve também à Medicina, trazendo certas curas e precisões de procedimentos cirúrgicos que nunca iríamos imaginar. Então, podemos ver tantas coisas maravilhosas de inovações tecnológicas. Na educação, nem se fala".
O governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, defendeu a importância da inovação científica e tecnológica para o desenvolvimento durante a cerimônia de abertura do RIW, no palco Kobra (Foto: Débora Motta)


Representando a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), Luciana Santos, o secretário-executivo do Ministério da CT&I, Luis Manuel Rebelo Fernandes, reforçou a necessidade de convergência entre os setores da economia para o desenvolvimento. “Essa simbiose entre a comunidade científica e tecnológica, o governo e a comunidade empresarial é a essência da inovação para o livre desenvolvimento de todos. O Rio Innovation Week é um festival que fomenta essa convergência, é um Woodstock da inovação no Rio”, brincou. E prosseguiu: “Queremos o repasse de 2% do PIB brasileiro para investimentos em pesquisa. Ciência, Tecnologia e Inovação são os pilares do desenvolvimento nacional.”

Já a diretora-executiva do RIW, Bruna Reis, citou dados que reforçam a dimensão do evento. “Nesta edição do RIW, temos mais de 1.650 horas de conteúdo simultâneo nas 60 conferências realizadas nos diversos palcos, a participação de mais de duas mil startups e 30 delegações de diferentes países, com um público estimado de 180 mil pessoas ao longo dessa semana, e a expectativa de geração de 22 mil empregos diretos e indiretos”, enumerou. Ela ressaltou a diversidade de conferencistas eleitos para a programação. "Acreditamos que a melhor ideia nunca nasce de uma única caixa, e sim de caixas diferentes. Por isso, trouxemos diferentes mentes para esse evento: cientistas, artistas, ativistas. De Malala a Djamila Ribeiro, passando por Paulo Artaxo. São vozes que nos lembram que ter uma voz sem ética e diversidade não é fazer inovação", completou.

Participaram ainda da mesa de abertura o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico do Rio de Janeiro, Osmar Limar; o secretário-executivo da Prefeitura de Niterói, Felipe Peixoto, representando o prefeito Rodrigo Neves; o presidente do Sistema Fecomércio, Antonio Queiroz; o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano; o diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Luís Pinho Leito Gordon, representante do presidente Aloizio Mercadante; o diretor-geral da Binance no Brasil, Thiago Sarandy; o diretor de TI do Banco do Brasil, Rodrigo Mulinari; o almirante de esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, comandante-geral do corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil; e o procurador-geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 13/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1082.7.2

Projeto transforma kimonos de jiu-jítsu em moda sustentável


Paula Maia: de acordo com a idealizadora do projeto, a iniciativa nasceu da vontade de conectar sustentabilidade, impacto social e valorização dos talentos da Rocinha (Foto: Camila Filardi)


Selecionado por meio do edital “PISTA: Conectando Territórios Inovadores” da FAPERJ, o projeto Rocinha UP, que transforma resíduos têxteis, tatames e kimonos de jiu-jítsu em produtos de moda sustentável, será lançado no próximo sábado, 15 de agosto, na Igreja Metodista da Rocinha, no Rio de Janeiro, marcando o início da campanha de arrecadação de kimonos em academias da capital fluminense.

Idealizadora do projeto, Paula Maia explica que a iniciativa nasceu da vontade de conectar sustentabilidade, impacto social e valorização dos talentos da Rocinha. A proposta é instalar toda a cadeia de produção na própria comunidade, onde costureiras, modelistas, pilotistas, designers e outros profissionais transformam materiais destinados ao descarte em produtos de maior valor agregado por meio da técnica do upcycling.

A sigla UP faz referência ao lema "Porque é Urgente Preservar", reforçando a necessidade de agir diante da crise ambiental e também ao conceito de upcycling, técnica que reaproveita materiais descartados para criar produtos de maior valor agregado, prolongando sua vida útil e reduzindo impactos ambientais. "O Rocinha UP mostra que aquilo que seria descartado pode voltar à sociedade com um novo significado. Mais do que produzir acessórios, o projeto gera oportunidades de trabalho, fortalece a economia criativa e prova que a Rocinha também é capaz de desenvolver soluções inovadoras para os desafios ambientais", esclarece Paula.

Durante o evento, que terá início, às 11h, serão apresentadas as cinco primeiras peças desenvolvidas pelo projeto – mochila, pochete, ecobag, nécessaire e case para notebook –, todas produzidas a partir de kimonos e outros resíduos têxteis. A coleção será ampliada ao longo dos próximos meses com novos modelos, formando uma linha de dez produtos que serão comercializados por meio da plataforma digital do Rocinha UP. A programação inclui a palestra "O Lixo que Vale Ouro", ministrada pela engenheira florestal Aurora Segall; a oficina Transformação Têxtil, com Rita de Cássia; a exposição dos produtos; uma feira colaborativa de artesãs locais, organizada pela Escoart em parceria com o Ateliê Metodista da Rocinha; e o lançamento da campanha de financiamento coletivo, criada para ampliar as ações da iniciativa.

Segundo a diretora de Tecnologia da FAPERJ, Elaine Souza, o propósito do edital PISTA – acrônimo de Parques de Inovação Social, Tecnológica e Ambiental – é fazer com que o apoio à inovação chegue aos territórios, reconheça suas potencialidades e produza impactos reais na vida das pessoas. “O Rocinha UP mostra, de forma muito concreta, o poder transformador da inovação social. Ao reunir sustentabilidade, economia criativa, geração de renda e valorização dos talentos da comunidade, o projeto cria oportunidades e fortalece a capacidade da Rocinha de desenvolver suas próprias soluções”, destaca Elaine.



De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), a humanidade gera até 2,3 bilhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos anualmente, uma conta que inclui tudo, desde alimentos até eletrônicos e têxteis. Todos os anos, 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são produzidos globalmente, segundo a The Global Fashion Agenda. Isso é o equivalente a um caminhão de lixo cheio de roupas sendo incinerado ou enviado para um aterro sanitário a cada segundo. Entre 2000 e 2015, a produção de roupas dobrou, enquanto a duração do uso de roupas diminuiu 36%, segundo a Fundação Ellen MacArthur.



Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 13/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1088.7.5

Nova pesquisa e livro ajudam na compreensão do TDAH


Caracterizado por déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade, o TDAH afeta o cotidiano de cerca de 5 a 8% da população mundial (Foto: Magnific)




No dia 13 de julho, comemorou-se o Dia Mundial da Conscientização do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), data internacional para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico, tratamento, direitos e inclusão das pessoas com essa condição. No Brasil, a semana que se iniciou em 1º de agosto foi a Semana Nacional de Conscientização sobre o TDAH. Trata-se de um transtorno neurobiológico que costuma se manifestar na infância e também atinge adultos, caracterizado por déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade. Ele afeta o cotidiano de cerca de 5% a 8% da população em todo o mundo, segundo dados da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA).

Ao longo dos anos, a FAPERJ vem apoiando o desenvolvimento de diversos estudos sobre o TDAH. Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), pesquisadores analisam, em modelo animal, os efeitos do “treinamento resistido” (exercícios físicos anaeróbicos, de força e resistência) e do uso do cloridrato de metilfenidato (o princípio ativo da ritalina, medicamento bem estabelecido no mercado) para minimizar os sintomas do TDAH. Outra iniciativa contemplada pela Fundação foi a publicação do livro Propostas didáticas à luz da neurociência pedagógica para alunos com TDAH do Ensino Fundamental I, lançado com apoio do programa Auxílio à Editoração, pela editora Letra Capital.

Efeitos do treinamento físico resistido e de medicamentos

Estudos orientados pelo professor Anderson Luiz Bezerra da Silveira, chefe do Departamento de Educação Física e Desportos da UFRRJ, no campus de Seropédica, região metropolitana do Rio, apontam que as atividades físicas anaeróbicas, como a musculação, desempenham um importante papel para amenizar os sintomas comportamentais de TDAH – com resultados comparáveis, em alguns aspectos, aos efeitos do uso do medicamento (cloridrato de metilfenidato), em testes com roedores.
Equipe do Laboratório de Fisiologia e Desempenho Humano, em Seropédica, na UFRRJ: a partir da esq., Roberto Victor, o orientador Anderson Silveira e Ana Késsia (Foto: Divulgação)


Para isso, eles trabalharam em um modelo experimental com ratos geneticamente modificados e hipertensos, da cepa SHR, que possuem sintomas comportamentais análogos aos de pessoas com TDAH, como déficit de atenção, hiperatividade e impulsividade. Os pesquisadores compararam, em grupos distintos de animais, os efeitos de sessões regulares de treinamento de força, com os efeitos do consumo diário do cloridrato de metilfenidato. As pesquisas foram desenvolvidas no Laboratório de Fisiologia e Desempenho Humano (LFDH/UFRRJ) sob diferentes olhares, durante o mestrado de Ana Késsia do Nascimento Gomes, que foi contemplada com bolsa Mestrado Nota 10, da FAPERJ, e durante as graduações em Educação Física de Roberto Victor Figueiredo de Oliveira Gonçalves e de Wallace Martins Viana Ribeiro, alunos que foram respectivamente bolsistas de Iniciação Científica, da FAPERJ, e de mestrado, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

“Dividimos os animais em grupos e realizamos estudos comparativos para avaliar os resultados. Um grupo de ratos foi submetido apenas ao treinamento físico resistido. Outro recebeu apenas a terapia medicamentosa com cloridrato de metilfenidato e não praticou exercícios. Já o terceiro grupo foi submetido à combinação da rotina regular de treinamento físico com a terapia medicamentosa. Também tivemos o grupo controle, que não passou nem pelo treinamento físico, nem recebeu o fármaco, para fins de comparação”, resumiu Anderson Silveira, que é mestre em Educação Física e doutor em Fisiologia pelo Programa de Pós-graduação Multicêntrico em Ciências Fisiológicas (SBFis/UFRRJ).

Em todos os trabalhos, os resultados foram animadores em relação ao papel das atividades físicas anaeróbicas para atenuar os efeitos comportamentais do TDAH. “A terapia farmacológica funcionou, mas o exercício sozinho ou combinado gerou resultados semelhantes à terapia farmacológica administrada de forma isolada”, contou Ana, que defendeu sua dissertação em julho de 2025, com o título Efeito do treinamento resistido de alta intensidade sobre respostas comportamentais no modelo experimental de TDAH.

“Os resultados reforçam que o treinamento físico pode ser um forte aliado para minimizar sintomas como impulsividade, hiperatividade, déficit de atenção e memória e sugerem a importância da pessoa com TDAH seguir uma rotina regular de treinamento físico anaeróbico, combinada com o uso prescrito do medicamento, para potencializar melhores resultados no tratamento. Talvez no futuro, sob orientação médica, seja possível até reduzir as doses de medicamentos para pacientes comprometidos com uma rotina de exercícios físicos”, destacou Anderson.


Capa da obra, pensada para os professores que trabalham com alunos com TDAH (Reprodução)


Um ponto interessante no estudo de Ana Késsia foi a utilização apenas de fêmeas para os experimentos. “No caso específico do meu projeto de pesquisa, optei por trabalhar com ratas fêmeas, porque há poucos estudos com a população feminina com TDAH. Na literatura científica, sabe-se há uma maior prevalência de TDAH no sexo masculino, levando a uma proporção elevada de estudos do transtorno em homens, em relação aos estudos com mulheres”, justificou Ana. “Os resultados também foram mais favoráveis para as ratas submetidas ao treinamento físico”, completou.

No treinamento físico resistido, os pesquisadores utilizaram nos ratos o protocolo "Hornberger and Farrar", que estipula a prática de exercícios anaeróbicos três vezes por semana, durante 12 semanas, em sessões de 20 a 40 minutos – equivalentes a uma sessão de musculação bem organizada. Os estudos, por enquanto, estão na etapa de testes em modelo animal, e não foram realizados de forma clínica (em humanos), mas abrem perspectivas futuras para pensar a saúde da pessoa com TDAH de forma integrada e humanizada, aliando a prática de atividades físicas ao tratamento.

Livro apresenta atividades didáticas para alunos com TDAH

Já a obra Propostas didáticas à luz da neurociência pedagógica para alunos com TDAH do Ensino Fundamental I (Ed. Letra Capital, 2024) apresenta, com uma linguagem didática e acessível, propostas práticas de atividades pedagógicas pensadas especialmente para os professores atenderem às necessidades específicas desse grupo de estudantes (do primeiro ao quinto ano). Assinam o livro os autores Rejane Cristina Schäffer Gallo, Viviane de Oliveira Freitas Lione e Manuel Gustavo Leitão Ribeiro.

O livro surgiu a partir do trabalho de dissertação da pedagoga Rejane, produzido durante o Curso de Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão da Universidade Federal Fluminense (CMPDI/UFF). Orientadora educacional, ela decidiu desenvolver um material com base na sua experiência de trabalho. “Na época, eu era psicopedagoga em uma escola particular da Zona Sul e lidava diariamente com professores que tinham muita dificuldade em lidar com estudantes com TDAH. Observei que eles precisavam de algo mais prático para lidar com essas crianças”, contou Rejane, que já tinha formação anterior na pós-graduação em Neurociência Pedagógica da Universidade Cândido Mendes (Ucam). “Sempre fui apaixonada pelo cérebro humano. Pensar em atividades para prender a atenção de um aluno com TDAH é um desafio que me motivou”, completou.
Os autores Gustavo Ribeiro, Viviane Lione e Rejane Schäffer: livro publicado com apoio da FAPERJ é um produto educacional do Mestrado Profissional em Diversidade e Inclusão da UFF (Foto: Divulgação)


O trabalho foi desenvolvido sob orientação de Manuel Gustavo Ribeiro e co-orientação de Viviane. Ambos são professores do CMPDI/UFF. Ribeiro é professor associado do Instituto de Biologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), onde desenvolve pesquisas em Educação, junto ao Núcleo de Estudos e Pesquisas em Autismo (Nepa), e em Bioquímica, usando um modelo animal para estudo do autismo (o invertebrado Caenorhabditis elegans). Viviane é professora da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde desenvolve pesquisas em biomodelos neurais para o estudo do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e realiza pesquisas na área da Educação, atuando como coordenadora do Grupo de Estudos em Transtorno do Espectro do Autismo (GETEA/UFRJ).

As propostas didáticas foram selecionadas com base no cotidiano das escolas, com atividades adaptadas para o perfil de uma criança com TDAH, como pintura, ciências com sabor e saúde, desafios matemáticos, sistemas do corpo humano, confecção de fósseis e jogos teatrais. “Como produto de um mestrado profissional, a ideia é que o livro apresentasse um conteúdo objetivo, voltado para professores do Ensino Fundamental, com atividades lúdicas, mas que tivessem um embasamento teórico por trás. A neurociência ajuda a entender o funcionamento do sistema nervoso central, pensando nas habilidades que podem ser desenvolvidas com as atividades propostas”, disse Ribeiro.

“Existem vários artigos científicos sobre TDAH, mas traduzir essa ciência de forma prática para o professor que está ali na ponta, na sala de aula, foi a nossa preocupação. A literatura específica para o TDAH é mais escassa, existem mais livros voltados ao autismo. Nossa obra tem esse diferencial de auxiliar os professores a entenderem melhor o funcionamento do cérebro de alunos neurodivergentes e melhorar o processo de aprendizado”, justificou Viviane.




Autor: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 13/08/2026
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=1070.7.5