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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Parto prematuro e risco de hipertensão arterial futura

As doenças cardiovasculares são as maiores causadoras de mortes entre homens e mulheres no mundo. Na população feminina, entretanto, os estudos ainda são poucos e a prevalência é subestimada. Segundo Colégio Americano de Cardiologia e a American Heart Association metade das mulheres no mundo são hipertensas (níveis pressóricos ≥ 130/80 mmHg ou usam drogas anti-hipertensivas) As síndromes hipertensivas na gestação (pré-eclâmpsia e outras síndromes hipertensivas) são responsáveis por deixar como sequela algumas mulheres com hipertensão crônica. Boa parte desses pacientes desenvolvem trabalho de parto prematuro. Ainda não se sabe qual a contribuição independente do trabalho de parto prematuro nos componentes hipertensivos dessas pacientes.

Parto prematuro acomete em torno de 11% das gestações no mundo — 15 milhões de nascimentos por ano no mundo. Poucos estudos pesquisaram o risco relativo de mulheres com parto prematuro com ou sem pré-eclâmpsia evoluírem com hipertensão crônica no futuro, tendo encontrado um risco relativo entre 1,1 e 1,5 dessas mulheres evoluem com hipertensão.



Estudo recente

Assim, os autores de um trabalho publicado no JAMA Cardiology, de 13 de outubro de 2021, lotados no Mount Sinai Hospital de Nova Iorque e universidade de Lund na Suécia, fizeram um estudo de coorte usando os registros de pré-natal desde 1 de janeiro de 1973 a 31 de dezembro de 2015 da Suécia. Selecionaram apenas gestações únicas de mulheres primigestas, de modo a evitar vieses de multiparidade podendo evoluir com partos prematuros. Mulheres com hipertensão prévia foram excluídas do estudo.

O estudo tem muitos pontos fortes, sendo a coorte de 42 anos o mais relevante. Covariáveis como idade, idade gestacional no parto, tabagismo, nível educacional, IMC, condição de trabalho, outras patologias como diabetes durante a gestação foram consideradas para ajuste do risco relativo resultando em 2.600.924 partos de 1.559.495 mulheres no período.
Resultados

Nesta coorte nacional de mais de 2 milhões de mulheres, o parto prematuro foi associado (RR de 1,6 e 2,2 respectivamente para prematuros e prematuros extremos) a maiores riscos futuros de doenças crônicas hipertensão, mesmo após o ajuste para pré-eclâmpsia, outros distúrbios hipertensivos da gravidez, outros fatores maternos e fatores familiares compartilhados não medidos. Esses riscos eram os maiores nos primeiros 10 anos, mas permaneceram significativamente elevados pelo menos 40 anos depois. O parto prematuro deve agora ser reconhecido como um fator de risco para hipertensão ao longo da vida.

Mulheres com histórico de parto prematuro precisam de avaliação preventiva precoce e redução de risco a longo prazo e monitoramento para hipertensão.

Autor(a):


João Marcelo Martins Coluna

Médico Ginecologista e Obstetra formado pela Universidade Estadual de Londrina • Mestrado em Fisiopatologia pela Unoeste (Universidade Oeste Paulista) • Docente da Unoeste (Presidente Prudente) – departamento materno infantil • Preceptor Residência Médica Hospital Regional Presidente Prudente – SP • Plantonista Ginecologia e Obstetrícia Hospital Regional Presidente Prudente • Plantonista Ginecologia e Obstetrícia Hospital Estadual Dr. Odilo Antunes Siqueira (Presidente Prudente – SP) • Plantonista Ginecologia e Obstetrícia Santa Casa de Misericórdia de Adamantina
Plantonista Socorrista Santa Casa de Misericórdia Presidente Prudente • Médico Regulador ambulatorial município de Dracena – SP • Médico Preceptor ambulatorial UNIFADRA (Dracena – SP) • Ginecologista do serviço ambulatorial de Narandiba (SP) • Ginecologista e Obstetra do serviço ambulatorial de Pirapozinho (SP).

Referências bibliográficas:
Crump C, Sundquist J, Sundquist K. Preterm Delivery and Long-term Risk of Hypertension in Women. JAMA Cardiol. Published online October 13, 2021. doi: 10.1001/jamacardio.2021.4127.




Autor: João Marcelo Martins Coluna
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 21/10/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/parto-prematuro-e-risco-de-hipertensao-arterial-futura/

sábado, 18 de maio de 2019

Hipertensão arterial: a doença silenciosa que atinge 35% da população brasileira

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Metade dos brasileiros que tem hipertensão não sabe disso

A hipertensão arterial, popularmente chamada de pressão alta, atinge cerca de um bilhão de pessoas no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). É o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

No Brasil, aproximadamente 35% da população tem a enfermidade, segundo dados do Ministério da Saúde, mas metade nem sabe disso. Das pessoas que têm conhecimento, 50% fazem uso de medicação, e, dessas, apenas 45% têm a pressão controlada.
O que é hipertensão arterial?

Trata-se de uma doença crônica e degenerativa, caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias.

"O sangue bombeado pelo coração exerce uma força contra as paredes internas dos vasos, e estes oferecem certa resistência a essa passagem, determinando a pressão. Quando algo não funciona bem neste sistema, ocorre a sua elevação", explica Celso Amodeo, cardiologista e especialista em hipertensão arterial do HCor, de São Paulo.

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Hipertensão é o nível elevado de pressão sanguínea nas artérias

Pelas diretrizes da OMS, uma pessoa é considerada hipertensa quando sua pressão sistólica (contração do coração) é maior que 140 milímetros de mercúrio (mmHg) e/ou a diastólica (relaxamento entre um batimento cardíaco e outro) igual ou maior que 90 mmHg - nos Estados Unidos, essa classificação foi alterada em 2017 para 13x8.


Porém, o médico explica que há variáveis. "Tudo vai depender dos fatores de risco associados. Tem pacientes que já precisam iniciar o tratamento quando a pressão passa de 120 mmHg", informa.

Além de ser uma doença, a hipertensão arterial é um fator de risco para outras enfermidades, como insuficiência renal, falência dos rins, demência e alterações na visão.

Mas o destaque fica para as cardiovasculares, pois elas são as que mais matam no mundo. Para se ter uma ideia, em 2017, no Brasil, foram mais de 383 mil mortes por esse motivo, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

"Se olharmos os atestados de óbito, veremos que a pressão alta desencadeou 80% dos casos de derrame cerebral e 60% dos de ataque cardíaco", relata Amodeo.

O que acontece é que a patologia provoca o estreitamento dos vasos e faz com que o coração precise bombear o sangue com cada vez mais força para impulsioná-lo por todo o organismo e depois recebê-lo de volta.

"Esse processo dilata o órgão, danifica as artérias e, consequentemente, favorece a ocorrência de ataques cardíacos e derrames cerebrais", pontua o cardiologista do HCor.

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Medicamentos podem ser necessários para controlar a hipertensão
Tipos de hipertensão e fatores de risco

O principal tipo de pressão alta é o primário, responsável por 95% dos casos, segundo Amodeo. "É um quadro que começa mais na idade adulta e, normalmente, em pessoas com histórico familiar da doença", comenta.

Mas também há vários fatores que exercem influência. O número um é o consumo excessivo de sal. Apesar de ser recomendado no máximo 4g por dia, o brasileiro ingere de 10 a 12g, e isso inclui as quantidades utilizadas no preparo dos alimentos e também o que se encontra nos produtos processados e industrializados - enlatados, embutidos e conservas são alguns.

Os demais são: tabagismo, obesidade, estresse, colesterol alto, sedentarismo, poluição e diabetes.

Fora isso, sabe-se que a incidência da pressão alta é maior entre a população negra e que aumenta progressivamente com a idade - estima-se que 50% das pessoas com mais de 65 anos tenham o problema e 80% das com mais de 75 anos.

Outro tipo de hipertensão é o secundário, responsável por 3 a 5% dos diagnósticos. Nesta situação, a elevação da pressão se dá em decorrência de alguma enfermidade, como hipertireoidismo, hipotireoidismo, apneia do sono, tumor na glândula suprarenal e obstrução na artéria renal.

Há ainda a "hipertensão do avental branco", que caracteriza-se por valores anormais da pressão arterial quando medida no consultório e normais quando registrada pelo monitoramento ambulatorial e residencial, e a mascarada, que é justamente o contrário, ou seja, pressão baixa no consultório médico e alta no monitoramento ambulatorial e residencial.

Por fim, existe a doença hipertensiva específica da gestação (DHEG). Ela se apresenta nas formas de pré-eclâmpsia (aumento da pressão arterial acompanhada da eliminação de proteína pela urina) e eclâmpsia (complicação da pré-eclâmpsia, provoca pressão muito elevada e está associada a sintomas como convulsão, dor de cabeça e inchaço).

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Consumo excessivo de sal está associado à hipertensão
Sintomas, diagnóstico e tratamento

Na maioria das vezes, a patologia não tem sintomas. Eduardo Costa Duarte Barbosa, cardiologista e presidente da Latin American Society Hypertension (Lash), diz que sinais como dor de cabeça, falta de ar, palpitações, zumbido no ouvido e tontura só ocorrem se a pessoa tiver uma crise hipertensiva (subida abrupta da pressão).

"Por se tratar de uma doença assintomática, é muito importante aferir a pressão uma vez por ano", afirma o médico.

Ele relata ainda que, em alguns caos, a medição realizada no consultório, com aparelhos manuais ou automáticos, é suficiente, porém, há outros em que se faz necessária a realização do exame ambulatorial da pressão arterial, conhecido como MAPA, durante 24 horas.

A enfermidade não tem cura, mas pode ser tratada e controlada por meio, principalmente, da correção de hábitos alimentares pouco saudáveis, combate ao sedentarismo e controle do estresse.

Muitos pacientes ainda precisam fazer uso de medicamentos, dentre eles vasodilatadores, diuréticos, inibidores do canal de cálcio e beta-bloqueadores. Eles podem ser usados sozinhos ou combinados.

Quando se trata da DHEG, o Ministério da Saúde informa que o "tratamento da pressão alta leve na grávida deve ser focado em medidas não farmacológicas, já nas formas moderada e grave pode-se optar pelo tratamento usual recomendado para cada condição clínica específica".
Maio: mês da conscientização da hipertensão

O mês de maio é marcado pela mobilização internacional de conscientização da hipertensão, já que o dia 17 é o Dia Mundial da Hipertensão. Nesta época, há três anos, a International Society of Hypertension (ISH), endossado pela World Hypertension League (WHL) e apoiada pela Servier, promove o May Measurement Month (MMM).

Na edição do ano passado, 98 países participaram, totalizando o rastreamento de 1.504.963 indivíduos. Cada um aferiu a pressão arterial e completou um questionário sobre estilo de vida e fatores ambientais.

Segundo a campanha, 502.079 (33,4%) apresentaram hipertensão, dos quais 298.940 (59,5%) estavam cientes de seu diagnóstico e 277.794 (55,3%) em tratamento com medicação.

No Brasil, os dados mais recentes são do MMM2017. Em maio daquele ano, foram coletadas informação de 7.260 pessoas no país. Destas, 3.396 (47,0%) eram hipertensas.

Outros números levantados foram que, dos indivíduos não receberam medicação anti-hipertensiva, 924 (19,5%) eram hipertensos e, dos que receberam, 977 (40,0%) não tinham a pressão controlada.

"O alto percentual recém-diagnosticado e a identificação de hipertensão não controlada, apesar do tratamento farmacológico, reforçam a importância dessa ação para conscientizar e melhorar a prevenção de eventos maiores cardiovasculares", finaliza Barbosa, que é o coordenador do MMM no Brasil.




Autor: Renata Turbiani
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 17/05/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-48303421

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial: doença atinge 25% da população brasileira, por Anna Carolina Rodrigues

A hipertensão arterial, conhecida como pressão alta, é uma doença crônica em que a pressão sanguínea nas artérias se encontra constantemente elevada, obrigando o paciente a criar uma rotina de controle contínuo sobre esta condição. Para isso, a utilização correta dos medicamentos deve estar associada a uma dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

Por ser silenciosa e relativamente comum, datas como o Dia Nacional de Prevenção e combate à Hipertensão Arterial, celebrado nesta sexta-feira (26), tornam-se importantes ferramentas para promover a conscientização sobre esta doença.

A Hipertensão é diagnosticada quando os valores da pressão arterial são iguais ou maiores de 140×90 mmhg (ou 14 por 9), medidas em pelo menos duas ocasiões diferentes.

Ainda que não existam sintomas aparentes, é importante aceitar o tratamento proposto e consultar regularmente o médico. Afinal, a doença pode ocasionar graves problemas de saúde, como infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral (AVC), doenças renais, e impotência sexual, entre outras.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a prevalência da doença no Brasil está aumentando, chegando a atingir cerca de 25% da população. Como agravante, este dado tende a aumentar com a idade, alcançando mais de 60% dos adultos com mais de 65 anos, com as mulheres respondendo por um número maior de diagnósticos.

Em 2017, as capitais brasileiras com maior percentual de hipertensos foram Rio de Janeiro (33,3%), Maceió (29,3%) e Aracaju (28,6%). Na outra ponta, com menor incidência, estão Palmas (18%), o Distrito Federal (21,2%) e Fortaleza (21,3%).

Para além dos comprimidos

A Hipertensão requer controle rigoroso de peso, alimentação saudável, prática de atividades físicas e redução ou corte do tabagismo e consumo de álcool, hábitos que dependem diretamente da dedicação dos pacientes para se obter bons resultados.

Se tratados adequadamente, seguindo as orientações dos profissionais de saúde, os pacientes levarão uma vida normal, podendo trabalhar, desfrutar de atividades de lazer e realizar atividades físicas regulares.

No caso do tratamento com remédios, o paciente deve ser orientado sobre aspectos como a necessidade do uso diário da medicação, a possibilidade de alterações nas doses e a associação com outros medicamentos, bem como o eventual aparecimento de efeitos colaterais. Ao final, é extremamente importante conversar com o médico antes de suspender qualquer remédio por conta própria.

Por Anna Carolina Rodrigues, cardiologista do Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), em Belém (PA), gerenciado Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/04/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 26/04/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/04/26/dia-nacional-de-prevencao-e-combate-a-hipertensao-arterial-doenca-atinge-25-da-populacao-brasileira-por-anna-carolina-rodrigues/