Mostrando postagens com marcador Parasita. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Parasita. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Descoberto parasita responsável por mortes e casos de infecções graves em Aracaju

exames laboratoriais

Foi identificada uma nova espécie de parasita capaz de causar uma doença semelhante à leishmaniose visceral, mas resistente aos tratamentos disponíveis. Essa identificação foi feita em pacientes atendidos no Hospital Universitário de Sergipe, em Aracaju.

Apontado como o responsável por ter causado duas mortes e deixado 150 pessoas com infecções graves, o protozoário não pertence ao gênero Leishmania, composto por mais de 20 espécies causadoras de três diferentes tipos de leishmaniose: visceral, cutânea e difusa. Os resultados do estudo, que durou oito anos, foram publicados recentemente pela revista Emerging Infectious Diseases.

A descoberta foi realizada a partir da comparação entre os genomas do parasita não catalogado com os do gênero Leishmania sp. Esta comparação revelou que, apesar da similaridade nos sintomas da doença (febre, espleno e hepatomegalia, e pancitopenia), a carga genética era mais parecida com a de outro parasita: o Crithidia fasciculata.

“A espécie analisada está mais próxima da Crithidia fasciculata, um parasita de mosquito incapaz de infectar humanos ou outros mamíferos. Conseguimos infectar roedores com ele e, por esse motivo, acreditamos se tratar de um novo protozoário, para o qual iremos propor a nomenclatura Cridia sergipensis”, conta o professor João Santana da Silva, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e membro do Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias (CRID) e do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), em entrevista para o Portal de Notícias da PEBMED.

O início do estudo

O especialista em leishmaniose, professor Roque Almeida, diagnosticou o primeiro caso da doença causada pelo parasita, em 2011. Um homem de 64 anos que deu entrada no Hospital Universitário de Sergipe, em Aracaju, com sintomas típicos de leishmaniose visceral, em estado grave.

O paciente recebeu o tratamento padrão e melhorou, mas teve uma recaída apenas quatro meses depois. Então, ele foi tratado com anfotericina B lipossomal e respondeu bem à medicação, mas oito meses depois teve uma nova recidiva.

Desta vez, ele desenvolveu manchas eritematosas na pele, disseminadas por todo o corpo, algo que não vemos em leishmaniose visceral. “Infelizmente, com as recidivas, as falhas terapêuticas sucessivas e a disseminação da enfermidade para a pele, o paciente veio a falecer após a cirurgia para retirada do baço, recomendada em casos graves que não respondem ao tratamento”, lamentou Roque Almeida.
Genoma sequenciado

Os pesquisadores sequenciaram o genoma desta espécie desconhecida para encontrar alguma semelhança na literatura médica, mas não encontraram. O DNA mais próximo encontrado foi o do protozoário Crithidia fasciculata.

As espécies de Crithidia pertencem à mesma família dos Leishmania e Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, mas os primeiros não são capazes de infectar mamíferos.

“Com a amostra que retiramos, fizemos testes para identificar o tipo de parasita. Deu negativo para o gênero Leishmania, e aí pensamos que alguma coisa estava errada. Precisávamos identificar que tipo de parasita era este e vimos que ele tinha um genoma de tamanho diferente do conhecido. Por isso, acreditamos se tratar de um novo e desconhecido parasita”, ressaltou o pesquisador João Santana Silva.
Próxima fase do estudo

Segundo os pesquisadores, a próxima fase do estudo é tornar a metodologia ainda mais sensível para que o teste molecular possa ser realizado diretamente com amostras de sangue dos pacientes com suspeita da doença.

“A partir de agora vamos verificar drogas que inibam a ação desse parasita, avaliar a extensão dessa infecção e averiguar o número certo de pacientes que foram infectados em Aracaju. E, para isso, precisaremos da ajuda de mais pesquisadores”, conta o pesquisador João Santana Silva.



Autor: Pebmed
Fonte: Pebmed
Sítio Online da Publicação: Pebmed
Data: 22/10/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/descoberto-parasita-responsavel-por-mortes-e-casos-de-infeccoes-graves-em-aracaju/

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Parasita de 99 milhões de anos é encontrado preservado em âmbar

(FOTO: ZOOKEYES)

Ofóssil de um piolho-de-cobra de 99 milhões foi encontrado preservado em uma pedra de âmbar, em Myanmar. O artrópode da classe diplóide é tão único que os especialistas tiveram de criar uma subordem própria para ele. A espécie foi nomeadaBurmanopetalum inexpectatum.

O exemplar é o primeiro fóssil de um milípede pertencente à ordem Callipodida já encontrado, e é menor do que seus parentes da mesma época — apenas 8,2 milímetros. A descoberta também ajuda na compreensão de quando a espécie apareceu, sugerindo que esse grupo de artrópodes deve ter evoluído há pelo menos 100 milhões de anos.

"Foi uma grande surpresa para nós que este animal não possa ser colocado na atual classificação de milípedes", disse o principal autor do estudo, professor Pavel Stoev, em comunicado. "Apesar de sua aparência geral ter permanecido inalterada nos últimos 100 milhões de anos, como nosso planeta sofreu mudanças dramáticas várias vezes nesse período, algumas características morfológicas na linhagem Callipodida evoluíram significativamente."

De acordo com o co-autor do estudo, Dr. Thomas Wesener, apenas 12 espécies de diplóides da Era Mesozóica — um período de 185 milhões de anos — foram encontradas até então, mas as expectativas crescem com novas descobertas.

Isso porque o âmbar em que Burmanopetalum inexpectatum foi encontrado contém mais 528 milípedes, que vem sendo investigados: "Nos últimos anos, quase todas as 16 ordens vivas de milípedes foram identificadas neste âmbar de 99 milhões de anos de idade. Os belos dados anatômicos apresentados por Stoev mostram que Callipodida agora se junta ao clube", disse Wesener.


(FOTO: ZOOKEYES)


Autor: Revista Galileu
Fonte: Revista Galileu
Sítio Online da Publicação: Revista Galileu
Data: 07/05/2019
Publicação Original: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2019/05/parasita-de-99-milhoes-de-anos-e-encontrado-preservado-em-ambar.html