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sexta-feira, 13 de março de 2020

Como é o menor dinossauro do mundo, encontrado em âmbar de 99 milhões de anos


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LIDA XING
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O espécime foi encontrado em um âmbar de 99 milhões de anos

Cientistas descobriram o menor dinossauro já encontrado. A nova espécie foi descrita por uma pessoa da equipe como o "fóssil mais estranho" em que ela já trabalhou.

O espécime, encontrado no norte de Mianmar, consiste em um crânio de pássaro preso em um âmbar de 99 milhões de anos.

Em artigo na revista científica Nature, os pesquisadores relatam que o dinossauro teria o tamanho semelhante ao de um beija-flor abelha — o menor pássaro existente.

A descoberta impressionante pode lançar luz sobre como os pequenos pássaros evoluíram a partir dos dinossauros, que geralmente eram bem maiores.

Enquanto os menores dinossauros, como o Microraptor — que era parecido com um pássaro —, pesavam centenas de gramas, o beija-flor abelha, por exemplo, pesa apenas 2 gramas.


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HAN ZHIXIN
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Ilustração: Apesar de seu tamanho minúsculo, o Oculudentavis khaungraae parece ter sido um predador

"Os animais que se tornam muito pequenos precisam lidar com problemas específicos, como encaixar todos os órgãos sensoriais em uma cabeça muito pequena ou manter o calor do corpo", afirmou o professor Jingmai O'Connor, da Academia Chinesa de Ciências de Pequim.

A nova espécie, apelidada de Oculudentavis khaungraae, parece ter lidado com esses desafios de maneiras incomuns.

Por exemplo, a estrutura ocular do animal surpreendeu os cientistas.

Os pássaros têm um anel de ossos, o anel escleral, que ajuda a sustentar o olho. Na maioria das aves, os ossos individuais, chamados ossículos esclerais, são simples e razoavelmente quadrados.


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LI GANG
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Uma tomografia computadorizada do crânio de Oculudentavis khaungraae

Mas nos Oculudentavis, eles são em forma de colher, uma característica anteriormente encontrada apenas em alguns lagartos.

Os ossos do olho formariam um cone, como nas corujas. Isso indica que esse dinossauro tinha uma visão excepcional.

Mas ao contrário das corujas, os olhos ficavam ao lado e a abertura no centro dos ossículos era estreita, o que restringiria a quantidade de luz que entra no olho. Isso fornece fortes evidências de que o Oculudentavis estava ativo durante o dia.

Além disso, os olhos da criatura se projetavam para fora do crânio de uma maneira que não é vista em nenhum outro animal vivo, dificultando a compreensão exata de como seus olhos funcionavam.

"É o fóssil mais estranho que já tive a sorte de estudar", explicou O'Connor. "Adoro como a seleção natural acaba produzindo formas tão bizarras. Também temos muita sorte de que esse fóssil tenha sobrevivido e sido descoberto 99 milhões de anos depois".


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HAN ZHIXIN
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Ilustração: Oculudentavis tinha um número surpreendentemente grande de dentes

Como o novo espécime consiste apenas em um crânio, não é claro o entendimento de como ele pode estar relacionado à evolução dos pássaros. Algumas características do crânio são como as dos dinossauros, enquanto outras são parecidas com as de pássaros que existem hoje na natureza.

Os pesquisadores dizem que o notável conjunto de características do espécime descoberto poderia ter evoluído tanto pelas restrições da miniaturização quanto pela especialização em um estilo de vida específico.

A mandíbula do dinossauro tinha um número surpreendentemente grande de dentes. Isso pode sugerir que, apesar de seu tamanho minúsculo, o Oculudentavis era um predador que comia insetos.

Alguns tecidos moles também foram preservados com o crânio, notadamente os restos da língua do animal, o que poderia fornecer mais informações sobre sua biologia.

A descoberta destaca o incrível potencial do âmbar em preservar exemplares fósseis que, de outra forma, não teriam sobrevivido.

O co-autor da pesquisa, Luis Chiappe, do Museu de História Natural do Condado de Los Angeles, afirmou: "É uma sorte que essa pequena criatura tenha sido preservada em âmbar, pois esses animais pequenos e frágeis não são comuns no registro fóssil."

"Essa descoberta é emocionante porque nos dá uma imagem dos pequenos animais que viveram em uma floresta tropical durante a era dos dinossauros".

A localização geográfica da descoberta pode ter algo a ver com o processo de miniaturização, dizem os cientistas.

O isolamento em âmbar envolve frequentemente animais que evoluem com tamanho corporal menor, com alguns exemplos notáveis ​​ocorrendo nas ilhas.

Curiosamente, acredita-se que o âmbar de Mianmar tenha se formado em um antigo ponto da ilha.



Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 13/03/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/media-51872578

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Parasita de 99 milhões de anos é encontrado preservado em âmbar

(FOTO: ZOOKEYES)

Ofóssil de um piolho-de-cobra de 99 milhões foi encontrado preservado em uma pedra de âmbar, em Myanmar. O artrópode da classe diplóide é tão único que os especialistas tiveram de criar uma subordem própria para ele. A espécie foi nomeadaBurmanopetalum inexpectatum.

O exemplar é o primeiro fóssil de um milípede pertencente à ordem Callipodida já encontrado, e é menor do que seus parentes da mesma época — apenas 8,2 milímetros. A descoberta também ajuda na compreensão de quando a espécie apareceu, sugerindo que esse grupo de artrópodes deve ter evoluído há pelo menos 100 milhões de anos.

"Foi uma grande surpresa para nós que este animal não possa ser colocado na atual classificação de milípedes", disse o principal autor do estudo, professor Pavel Stoev, em comunicado. "Apesar de sua aparência geral ter permanecido inalterada nos últimos 100 milhões de anos, como nosso planeta sofreu mudanças dramáticas várias vezes nesse período, algumas características morfológicas na linhagem Callipodida evoluíram significativamente."

De acordo com o co-autor do estudo, Dr. Thomas Wesener, apenas 12 espécies de diplóides da Era Mesozóica — um período de 185 milhões de anos — foram encontradas até então, mas as expectativas crescem com novas descobertas.

Isso porque o âmbar em que Burmanopetalum inexpectatum foi encontrado contém mais 528 milípedes, que vem sendo investigados: "Nos últimos anos, quase todas as 16 ordens vivas de milípedes foram identificadas neste âmbar de 99 milhões de anos de idade. Os belos dados anatômicos apresentados por Stoev mostram que Callipodida agora se junta ao clube", disse Wesener.


(FOTO: ZOOKEYES)


Autor: Revista Galileu
Fonte: Revista Galileu
Sítio Online da Publicação: Revista Galileu
Data: 07/05/2019
Publicação Original: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2019/05/parasita-de-99-milhoes-de-anos-e-encontrado-preservado-em-ambar.html

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O que descoberta de cauda de dinossauro preservada em âmbar pode revelar sobre a evolução das penas




Direito de imagemCURRENT BIOLOGYImage captionPenas da cauda de dinossauro foram encontradas preservadas em âmbar em Myanmar

A cauda de um dinossauro, com suas penas ainda intactas, foi encontrada perfeitamente preservada em âmbar.

A descoberta, ocorida em Myamar e publicada na revista científica Current Biology, ajuda a entender a disposição das plumas nessas criaturas extintas e oferece pistas sobre a evolução das penas, o que não era possível determinar a partir de evidências fósseis.

"Essa é a primeira vez que encontramos material de dinossauro preservado em âmbar", disse à BBC o coautor da pesquisa Ryan McKellar, do Museu Royal Saskatchewan, no Canadá.
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De acordo com Paul Barrett, do Museu de História Natural de Londres, a descoberta confirma teorias de biólogos do desenvolvimento sobre a ordem em que algumas características das penas surgiram.

A análise revela que as plumas do dinossauro, que deve ter vivido há 99 milhões de anos, não apresentavam um eixo central bem desenvolvido.

Sua estrutura sugere que dois níveis de ramificação das penas modernas, conhecidos como farpas e barbas, surgiram antes do seu eixo central ser formado.




Direito de imagemCHEUNG CHUNG-TATImage captionDinossauro era quase do tamanho de um pardal

O especialista destaca que pela primeira vez foi possível observar em 3D o arranjo de penas de um dinossauro - quando os animais pré-históricos se tornam fósseis em rochas sedimentares, costumam ser comprimidos e apresentados apenas em duas dimensões.

"Já foram recuperadas penas em âmbar antes, esse aspecto não é novo. O que esse espécime mostra pela primeira vez é o arranjo 3D de penas de um dinossauro/pássaro mesozóico", explica Barrett à BBC.
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"Quase todos os outros fósseis de dinossauro emplumados e esqueletos de pássaros mesozoicos que temos são achatados em 2D, o que esconde algumas características importantes de sua anatomia."
Âmbar quase virou joia

A principal autora do estudo, Lida Xing, da Universidade de Geociências da China, em Pequim, descobriu o âmbar em um mercado de Myitkina, em Myamar. A peça já tinha sido polida para ser vendida como joia - o vendedor acreditava que o material preservado era de origem vegetal.

Uma análise mais detalhada revelou, no entanto, que se tratava da cauda de um dinossauro emplumado do tamanho de um pardal. Seu rabo era marrom na parte exterior e mais claro na porção de dentro.




Direito de imagemCURRENT BIOLOGYImage captionDescoberta dá pistas sobre a evolução das penas

De acordo com McKellar, a anatomia da cauda não deixa dúvidas de que pertencia a um dinossauro de penas, e não a um pássaro antigo.

"Podemos ter certeza porque as vértebras não são fundidas em uma haste, como nas aves modernas e em seus parentes mais próximos", explica.

"Em vez disso, a cauda é longa e flexível, com quilhas de penas correndo para baixo de cada lado."




Direito de imagemCURRENT BIOLOGYImage captionInicialmente, pensou-se que a cauda emplumada era um material de origem vegetal

A análise do material mostra que o dinossauro ainda tinha fluidos quando foi incorporado à resina de árvore que acabou formando o âmbar - o que indica que ele poderia estar vivo quando isso aconteceu.

"É incrível ver todos os detalhes de uma cauda de dinossauro - os ossos, a carne, a pele, as penas - e imaginar como este pequeno ser prendeu o rabo na resina e provavelmente morreu porque não conseguiu se libertar", diz o coautor da pequisa Mike Benton, da Universidade de Bristol, no Reino Unido.

O material estava tão bem preservado que a camada de tecido mole ao redor dos ossos reteve traços de ferro, deixado pela hemoglobina que também estava presa na amostra.




Direito de imagemCURRENT BIOLOGYImage captionO pequeno dinossauro poderia estar vivo quando ficou preso no âmbar

Outras partes preservadas do dinossauro emplumado podem vir a revelar se tratava-se de um animal que voava ou planava.

"Houve relatos de espécimes similares provenientes da região. Mas, se as peças de âmbar desaparecem em 
coleções particulares, serão perdidas para a Ciência", alerta McKellar.


Autora: Paul Rincon
Fonte: BBC News
Sítio Online da Publicação: bbc
Data de Publicação: 09/12/2017
Publicação Original: http://www.bbc.com/portuguese/geral-38261093?utm_source=meio&utm_medium=email