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terça-feira, 19 de outubro de 2021

Avaliação do transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)

O transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) aparece na infância, sendo um mal neurobiológico de origem genética. Os principais sintomas são desatenção, agitação e impulsividade. É comum encontrar a respeito dessa patologia outras formas de identificação, como podemos ver na língua inglesa como ADD, traduzido como Distúrbio do Déficit de Atenção. Esse transtorno ou distúrbio é conhecido em todo mundo. Em alguns países existem leis de proteção a pessoa com TDAH, como por exemplo como a adequação da escola para melhores cuidados a pessoa com TDAH. O transtorno muitas vezes é repudiado pela sociedade e quando ocorre nas crianças a sociedade pode compreender o comportamento diverso como falta de educação ao comportamento ou atenção dos pais frente a criança. É claro que como muitas doenças neurológicas e psiquiátricas, a não materialização perceptível em exame laboratorial, causa diversas interpretações, fazendo com que diagnósticos sejam desconsiderados e negligenciados, o que causa sérios problemas para as pessoas que sofrem desse mal, principalmente crianças.


Esse transtorno é considerado um dos mais comuns em crianças e adolescentes. Cerca até 5% das crianças ao redor do mundo são encaminhadas ao serviço de atendimento em saúde, com a compreensão clínica de TDAH. A construção do diagnóstico passa basicamente por a avidez de dois sintomas, são eles: Desatenção e imperatividade-impulsividade.
Desatenção: Geralmente é percebida na infância, principalmente no mundo escolar, onde o rendimento da criança diminui, além de não acatar ordens e não conseguir se concentrar em atividades;
Hiperatividade-impulsividade: Já identificado na infância, crianças são tidas geralmente de difícil relacionamento, avoadas, “desligadas”, “que vivem no mundo da lua”, que possuem comportamento agitado, “que não param um minuto”. Elas geralmente possui tamanha desatenção que não conseguem avaliar seu comportamento. Doenças associadas comuns estão ligas ao uso de álcool e outras substâncias. A ansiedade é classicamente percebida em crianças, adolescentes e adultos com TDAH. A depressão também é outra comorbidade comum nessas pessoas, mesmo na fase infantil.

A hereditariedade aparece na literatura como um componente forte para o desenvolvimento da doença, não determinando a doença mas causando pré-disposição. No entanto, estudo apresentam a hipótese ambiental, familiar para descrever a origem do problema. Mas a etiologia considerando questões genética é amplamente estudada e aceita por diversos especialistas. O uso de álcool e outras drogas durante a gravidez parece ser um grande fator de vulnerabilidade do desenvolvimento de TDAH nos bebês. Não é causa definida mas a relação vem sendo estudada. Problemas familiares foram descritos como causa do TDAH em outrora, hoje se sabe que não há essa relação, mas sim, que a pessoa com TDAH, pode ser um problema para a saúde familiar.

Alguns critérios diagnósticos do DSM-5 para TDAH, pode nos fazer compreender se a criança possui o quadro de TDAH ou se outras condições devem ser consideradas. É necessário compreender sinais e sintomas de desatenção e outros de hiperatividade e impulsividade. Vamos compreender como podemos suspeitar do quadro.



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Faça a investigação clínica para compreender a possibilidade de TDAH
Considere que os sinais estejam presentes por período determinado de tempo, sem a ocorrência de problemas familiares, econômicos ou violência. Este último é muito importante pois pode gerar sintomas de agitação e desatenção. Compreenda se os sintomas perduram por meses ou mais, também avalie a frequência;
Avalie o local onde os sintomas ocorrem, se em casa ou na escola, investigue os episódios e as avaliações de professores e dos membros da família. A mãe é muito importante no processo de investigação dos sinais e sintomas, uma vez que estudos mostram que é aquela que mais cuida e também sofre com o problema.
Verifique o inicio da ocorrência. O TDAH geralmente possui seus primeiros episódios sintomáticos antes dos 12 anos. Mesmo nessa fase, avalie os transtornos na vida instrumental da criança. Isso pode ser considerativo para a interpretação de uma patologia.
O enfermeiro durante a entrevista de avaliar e examinar a desatenção, compreendendo algumas condições:
Observe nos relatos se a criança presta atenção em detalhes, se consegue realizar as atividades escolares, ou se ao brincar com amigos consegue ter atenção nas atividades;
Avalie se a criança ao se abordada se consegue manter a atenção com as questões perguntadas. Faça perguntas a criança relacionadas ao seu dia a dia;
Verifique se a criança se ajuda consegue realizar tarefas ou cumprir instruções, bem como realizar a organização de atividades. Além disso, avalie a concentração frente as atividades propostas;
Compreenda a partir dos relatos e da avaliação ao exame se a criança perde objetos, se é distraída ou esquecida.
O enfermeiro durante a entrevista de avaliar e examinar a hiperatividade e impulsividade compreendendo algumas condições:
Observe o comportamento da criança durante a entrevista, avaliando se ela fica agitada ou anda pelo espaço, ou se busca atividades não permitidas;
Avalie como é o comportamento da criança junto ao responsável, na escola e no ambiente do lar. Se há eventos que possam deixá-la agitada ou se é algo constante;
Avalie junto aos responsáveis quanto ao comportamento. Se frequentemente é agitada, ansiosa e sofre de angústia para a realização das atividades. Importante se a criança tem dificuldade de aguardar sua vez em locais onde necessite de fila ou organização;
Verifique se a criança faz atividades inapropriadas ou se tem dificuldade de brincar tranquilamente Importante perguntar se a criança se movimenta o tempo todo, como se tivesse “ligada na tomada”. A fala excessiva deve ser avaliada e se responde de maneira acelerada anterior ao fim da pergunta, interrompendo-a.


Lembre-se que nós enfermeiros podemos avaliar e criar estratégias de cuidado mesmo antes da confirmação médica, buscando refrear sinais e sintomas que causem mal a pessoa. Em caso de suspeita de TDAH, a equipe multidisciplinar deve ser envolvida no cuidado integral da criança. O diagnóstico pode direcionar melhores cuidado para as pessoas com TDAH. Lembre-se alguns casos de TDAH, podem ser observados em adultos. Quando houver a presença de diversos sinais e sintomas, converse com a equipe e encaminhe para os colegas médicos, realizarem o diagnóstico diferencial. No entanto, construa cuidados para diminuir o sofrimento da criança e da família. O projeto terapêutico singular sempre deve ser construído mesmo que seja um projeto terapêutico singular imediato, objetivando a regressão de sinais e sintomas. A terapia comportamental e a artetrapia é muito indicado para esses casos, oriente a mãe ou a pessoa sobre as diversas possibilidades.

Quando mais rápido for realizado a compreensão da TDAH, mais rápido pode ser construída uma linha de cuidado que envolva a família, a escola e a equipe de saúde, além disso, é a partir daí que podemos construir intervenções e cuidados. Valorize sempre a fala da mãe ou de outros familiares e faça o acolhimento dessas pessoas, elas podem estar cansadas ou em adoecimento frente ao cuidado. Por mais seja sensível e tenha uma escuta sensível, acolhendo a criança, o adolescente ou adulto com TDAH.






Autor: Rafael Polakiewicz
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 19/10/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/avaliacao-do-transtorno-do-deficit-de-atencao-com-hiperatividade-tdah/

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

TDAH saiba o que é e como identificar






O transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurobiológico crônico que afeta de 3% a 5% das crianças em idade escolar, sendo a sua prevalência maior em meninos. Os sinais se manifestam logo na infância, antes dos sete anos, mas podem perdurar por toda a vida.

“Os principais sintomas são a falta de atenção da criança para tarefas rotineiras, a dificuldade de manter o foco, para estudar ou sentar para assistir a TV, por exemplo, e a prevalência de atitudes impulsivas”, afirma a psicóloga Telma Oliveira, especialista em terapia sistêmica.

Tais comportamentos podem prejudicar o aproveitamento escolar da criança que possui o TDAH. “O transtorno é diagnosticado pelo neuropediatra e controlado com fármacos, para melhor qualidade de vida faz se necessário o acompanhamento de um profissional responsável, como o psicólogo(a). Ele saberá direcionar o tipo de tratamento e o que deve ser feito para lidar com a criança que possui esta síndrome, esclareceu a especialista.

Segundo a psicóloga, entre os riscos do transtorno, estão desenvolvimento de comorbidades, que são os distúrbios psiquiátricos como a ansiedade e depressão. “Durante a adolescência, o risco maior está no uso abusivo do álcool e de outras drogas, quando ligado a esses sintomas também têm o reflexo negativo no convívio social e familiar, assim como no desempenho escolar ou em outras atividades, pode ser que o diagnóstico seja feito. Esses sintomas podem se manifestar em diferentes graus de comprometimento e intensidade”.

Acho que meu filho tem TDAH. O que devo fazer?

Hiperatividade e comportamento impulsivo são atitudes comuns em algumas crianças, especialmente quando são contrariadas ou quando estão fora do seu ambiente doméstico. No caso da desatenção predominante, os pacientes apresentam dificuldade maior de concentração e de seguir instruções. “Em geral, são crianças que saltam de uma tarefa inacabada para outra repentinamente, sem terminar o que começaram. Costumam se distrair com facilidade e até mesmo esquecer onde colocaram seus pertences”, pontua a psicóloga.

Ainda de acordo com Telma, com o passar dos anos, os pacientes podem evoluir para problemas na vida profissional como cometer erros por absoluto descuidado e distração, o que pode prejudicar o processo de aprendizagem. “Nos casos em que prevalece a hiperatividade, os portadores do distúrbio são inquietos, agitados e falam muito. Se é a impulsividade que se destaca os sinais mais marcantes são a impaciência, o agir sem pensar, a dificuldade para ouvir as perguntas até o fim e a precipitação para falar”.

Quanto ao tratamento, a existência ou não de comorbidades ou outras doenças associadas, podem definir os próximos passos. “Basicamente, a psicoterapia, que é o acompanhamento com um psicólogo e por vezes a prescrição de metilfenidato (ritalina), um medicamento psicoestimulante é o mais indicado após o diagnóstico desse transtorno. Existem casos em que as crianças podem exigir os cuidados de equipe multidisciplinar, em função dos desajustes pedagógicos e comportamentais associados ao TDAH”, citou a terapeuta sistêmica.

Ela acrescenta que os efeitos benéficos da medicação geralmente aparecem em poucas semanas. “Pode ocorrer reações adversas como a falta de apetite, insônia e dores abdominais, enquanto o organismo ainda não desenvolveu tolerância a esses compostos. O acompanhamento com um psicólogo é necessário, já que representa um caminho eficaz para a recuperação da autoestima da criança, que pode ser comprometida por sentimentos de tristeza e frustação por não saberem lidar corretamente com as situações rotineiras”, finaliza.

Fonte: Telma Oliveira é psicóloga especialista em gestão de pessoas, psicologia médica e neuropsicologia, Contagem – MG.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/02/2021




Autor: Deborah Ribeiro
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/02/21
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/02/15/tdah-saiba-o-que-e-e-como-identificar/

terça-feira, 2 de abril de 2019

02 de abril é dia mundial de conscientização do autismo. Entenda o transtorno

A ONU (Organização das Nações Unidas) definiu o tema central do atual Dia Mundial de Conscientização do Autismo (no original, em inglês: World Autism Awareness Day), celebrado todo 2 de abril (desde 2008): “Tecnologias assistivas, participação ativa”.

Por Flávia Vargas Ghiurghi


Foto: EBC

A ONU argumenta que, para muitas pessoas no espectro do autismo, o acesso a tecnologias assistenciais a preços acessíveis é um pré-requisito para poder exercer seus direitos humanos básicos e reduzir ou eliminar as barreiras à sua participação em igualdade na sociedade.

Segundo o CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, uma criança a cada 100 nasce com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). O aumento é grande: há alguns anos, a estimativa era de um caso para cada 500 crianças. Estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo tenham autismo, sendo 2 milhões delas no Brasil.

Mas, afinal, o que é o autismo (TEA), e como lidar com essa doença que ainda gera tanto preconceito?

De acordo com o Prof. Dr. Mario Louzã, médico psiquiatra, doutor em Medicina pela Universidade de Würzburg, Alemanha, e Membro Filiado do Instituto de Psicanálise da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo; o diagnóstico começa pela observação do comportamento da criança (paciente). O TEA, na realidade, envolve um grupo de doenças do neurodesenvolvimento, de início precoce (antes dos 2-3 anos de idade), e que se caracteriza por dois aspectos principais: dificuldade de interação social e de comunicação.

Uma criança sadia começa a interagir com outras pessoas em torno dos 4-6 meses de idade. “Ela é capaz de sorrir quando vê alguém conhecido ou reagir com medo se um estranho, por exemplo, tenta pegá-la no colo”, explica Louzã. A medida que a criança cresce, o amadurecimento permite que a interação com outras pessoas se torne possível antes da aquisição da linguagem e da fala.

Estas evoluções ao longo dos primeiros anos de vida dão indicações do progressivo aumento da capacidade de interação social da criança. Já a autista, se mostra indiferente à interação social, e não expressa a reciprocidade no contato com outras pessoas. Tem grande dificuldade na comunicação verbal e não-verbal, e parece desligada do ambiente em torno de si. A linguagem corporal e o contato visual com outras pessoas se mostram prejudicados.

Numa idade maior, o desinteresse em brincar com outras crianças é ainda mais nítido. Normalmente, ela se isola e se fixa em uma única atividade, com ritualização de movimentos repetitivos. Outra característica é a dificuldade de seguir rotinas, além de apresentar hipo ou hiperatividade aos estímulos sensoriais.

Segundo o psiquiatra Mario Louzã, o autismo, propriamente dito, não é tratado com medicamentos. Estes são utilizados quando há outros sintomas associados ao autismo, como ansiedade, TDAH, depressão, transtorno obsessivo compulsivo, agitação, irritabilidade, distúrbios do sono, entre outros. Para cada situação, há uma medicação específica.

Sobre efeitos colaterais, depende do medicamento, da dose, da idade da criança e de outros fatores. Como são vários remédios de classes terapêuticas diferentes, fica difícil generalizar os efeitos colaterais. Também há indicação de psicofármacos para casos mais leves.

E como facilitar a integração do autista na sociedade? “Infelizmente, ainda há muito preconceito, principalmente por parte das crianças, que não têm o poder de compreensão de um adulto, e excluem o autista. Por incrível que pareça, há até mães e pais que evitam a amizade de seus filhos com as crianças portadoras do TEA, o que é uma triste ignorância”, afirma Mario Louzã.

Para quem tem filho autista, a melhor dica é motivá-lo a levar uma vida normal, na medida do possível. Incentive-o nas atividades, estimule-o a fazer tarefas em casa e, quando ele perceber suas próprias limitações, explique que as pessoas são diferentes, e que tem gente que consegue fazer certas coisas, e outras, não. Se for o caso, há escolas que têm maior preparo para integrar um autista em uma classe comum.

Mesmo quando ele já for maior e tiver ciência do seu autismo, nunca o deixe pensar que é incapaz ou inferior a outras pessoas. De acordo com o psiquiatra, o apoio da família é sempre o melhor tratamento para qualquer tipo de transtorno.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/04/2019



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/04/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/04/02/02-de-abril-e-dia-mundial-de-conscientizacao-do-autismo-entenda-o-transtorno/

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Desempenho escolar e TDAH: tudo o que você precisa saber

Fevereiro é o mês da volta às aulas. O fim das férias escolares marca um período de grande ansiedade e expectativas. Entretanto, esse é o melhor período para se planejar o ano escolar e se atentar a algo que geralmente só é lembrado no final do ano, com o encerramento dos ciclos avaliativos e quando as intervenções são bem mais limitadas: a dificuldade escolar.

O Transtorno do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH) é a causa inespecífica de dificuldade escolar mais prevalente. No Brasil, essa prevalência entre crianças e adolescentes em idade escolar é de 6% aproximadamente. Isso significa que em uma sala de 20 alunos a chance de que ao menos um tenha TDAH é alta.

O acometimento neurológico é na verdade um atraso na maturação neuronal. As consequências do TDAH na vida do indivíduo são grandes. As pesquisas apontam que o TDAH está relacionado à:

• Dificuldade escolar
• Gravidez na adolescência
• Uso nocivo de substâncias
• Maior envolvimento em acidentes de trânsito
• Dificuldade de manter relacionamentos
• Dificuldades de manutenção de emprego
• Envolvimento com jogo nocivo

As alterações fisiopatológicas do TDAH não estão totalmente esclarecidas. Contudo o sistema dopaminérgico parece ser o principal responsável pelos sintomas que acometem os indivíduos com TDAH, especialmente nos polimorfismo dos genes DAT1 e DRD4 que modificam o transportador e o receptor da dopamina, respectivamente.

As mutações e polimorfismos desses genes parecem estar intimamente influenciadas por fatores epigenéticos como uso do álcool e tabaco durante a gestação. Outro aspecto interessante é que o TDAH da infância e que permanece com sintomas na vida adulta (10% dos casos) se difere fisiopatologicamente do TDAH do adulto.

O que focaremos nesse texto é o reconhecimento dos sintomas e prejuízos de maneira precoce, enquanto ainda temos tempo de promover cuidados ambientais para auxiliar no manejo das dificuldades de aprendizagem. Os sintomas do TDAH se manifestam como desatenção, hiperatividade e impulsividade. A seguir está a lista de sintomas apresentada no DSM-5.

Desatenção:
frequentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em
atividades escolares, de trabalho ou outras;
com frequência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
com frequência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra;
com frequência não segue instruções e não termina seus deveres escolares, tarefas
domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou
incapacidade de compreender instruções);
com frequência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;
com frequência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental
constante (como tarefas escolares e deveres de casa);
com frequência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por ex. brinquedos,
tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais);
é facilmente distraído por estímulos alheios às tarefas;
com frequência apresenta esquecimento em atividades físicas.

Hiperatividade:
frequentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira;
frequentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se
espera que permaneça sentado;
frequentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isto é inapropriado (em
adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensações subjetivas de inquietação);
com frequência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades
de lazer;
está frequentemente “a mil” ou muitas vezes age como se estivesse “a todo vapor”;
frequentemente fala em demasia;
frequentemente dá respostas precipitadas antes de as perguntas terem sido completadas;
com frequência tem dificuldade para aguardar sua vez;
frequentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por exemplo, intromete-se em
conversas ou brincadeiras)

Para o diagnóstico de TDAH ser realizado os sintomas devem estar presentes em pelo menos 2 ambientes, estar presentes por 6 meses, não ter nenhuma outra causa que os explique (hipertireoidismo, Coreia de Sydenhan) e trazerem prejuízos. Para o rastreio de sintomas o instrumento MTA-SNAP IV pode ser utilizado. O instrumento é uma escala do tipo likert aplicável a pais e professores. Os sintomas estão categorizados em grupos de desatenção e hiperatividade.

A intensidade de sintomas varia entre 1 e 4 conforme a frequência de ocorrência e pode ser considerada presente para pontuações 3 e 4 ou ausente para 1 e 2. Crianças que pontuam 6 em 9 para desatenção ou 6 em 9 para hiperatividade possuem chances de terem TDAH e devem ser vistas pelo especialista focal. A sensibilidade do teste é de 88,24% e um valor preditivo negativo de 99%; dessa forma é um bom instrumento para se tirar os casos suspeitos e descartar os casos negativos.




A avaliação de prejuízos pode ser dimensionada objetivamente por instrumentos como o Child Behavior Checklist (CBCL), de aplicação exclusiva do profissional de psicologia. Contudo na prática cotidiana os pais e profissionais podem se atentar a observar 4 grupos de prejuízos para se avaliar a necessidade de consulta ao especialista focal.
Escolar: os prejuízos escolares relacionados ao desempenho e dificuldade de aprendizagem são bem vistos pelos professores. Acima disso, é importante ressaltar que algumas vezes o desempenho escolar não é fato afetado, mas o tempo e necessidades de repetição podem ser muito maiores para a criança com o TDAH a limitando nos demais componentes do desenvolvimento saudável, e a isso os pais devem estar atentos e serem bem orientados pelo profissional coordenador do cuidado.
Social: os prejuízos sociais dizem respeito às relações das crianças com os pares e professores, por exemplo. As crianças com perfil desatento tendem a ter maior introspecção e dificuldade de estabelecimento de relações sociais, ao passo que aqueles com perfil de maior hiperatividade tendem a ter os traços opostos; ainda há a possibilidade dos sintomas de impulsividade estarem associados à dificuldade de convívio com respeito à normas e frustrações. Esses prejuízos sociais se afinam ao maior sofrimento de bullying escolar, por exemplo, e ao, mesmo tempo, aos comportamentos sociais disfuncionais que implicam maior envolvimento com uso nocivo de substâncias, criminalidade e acidentes de trânsito.
Familiar: os prejuízos familiares de devem à questões semelhantes aos dos aspectos sociais, porém aplicados ao contexto familiar. Isso implica em vínculos parentais que podem conter traços de disfuncionalidade e principalmente maior volume de interações negativas. Esse tipo de prejuízo costuma manifestar suas consequências no período de longo prazo e precisa ser cuidado a fim de se evitar prejuízos maiores no desenvolvimento do indivíduo e sobrecarga parental.
Pessoal: finalmente o prejuízo pessoal diz respeito à percepção do sujeito de sua condição clínica, o insight que é capaz de fazer e como ele percebe os prejuízos de seus processos cognitivos em seu cotidianos. Isso tem total relação com as dificuldades de autoestima experimentadas por essas crianças e adolescentes ao longo de seu desenvolvimento e é traço com impacto total ao longo da vida adulta.

Agora você já é capaz de identificar os sintomas principais do TDAH bem como suas implicações para as crianças e adolescentes ao longo do ciclo de vida. A mensagem a ser levada é a aplicabilidade prática dos instrumentos de triagem diagnóstica como parâmetro para saber quais casos merecem ser vistos pelo especialista focal ou não.





Autor: Marcelo Gobbo Jr
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 05/02/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/desempenho-escolar-e-tdah-tudo-o-que-voce-precisa-saber/