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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Diabetes é a variável que mais impacta número de mortes por infarto

Já são conhecidos vários fatores que aumentam o risco de infarto, como glicose elevada (hiperglicemia), obesidade, colesterol alto, hipertensão e tabagismo. E agora um estudo publicado na revista PLOS ONE mensurou o impacto de cada um deles nas estatísticas de morte por doença cardiovascular. A hiperglicemia mostrou uma associação com esse desfecho de cinco a dez vezes maior do que outros fatores.


Pesquisadores da USP analisaram o peso de diferentes fatores de risco nas estatísticas de morte por doenças cardiovasculares. Resultados publicados na PLOS ONE mostram que a hiperglicemia representa um risco ainda maior para mulheres (foto: F. Richter/Pixabay)

Foram usados dados de fontes governamentais, como os ministérios do Desenvolvimento Social e da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrados entre 2005 e 2017. Os números foram confrontados com informações de outros bancos, como o Global Health Data Exchange (GHDx) e o repositório do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), da Universidade de Washington (Estados Unidos).

Por meio de métodos estatísticos, os pesquisadores determinaram o número de óbitos atribuídos a cada fator de risco. O objetivo da pesquisa, apoiada pela FAPESP, foi ajudar a encontrar estratégias mais eficazes para reduzir a incidência de doenças cardiovasculares – que ainda são as maiores causas de morte no país.

“Independentemente do controle que usávamos – e testamos diferentes tipos de variável, modelos estatísticos e métodos – o diabetes sempre se associava à mortalidade por doenças cardiovasculares. Mais do que isso: é uma associação que não se restringia ao ano analisado, mas perdurava por até uma década”, explica Renato Gaspar, pós-doutorando no Laboratório de Biologia Vascular do Instituto do Coração (InCor), viculado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP).

Estudos anteriores estabeleceram uma equação para calcular o número de mortes prevenidas ou adiadas devido a mudanças em fatores de risco. Assim, foi possível analisar também as taxas de mortes “prematuras”, calculadas em relação à expectativa de vida padrão. Os autores concluíram que cerca de 5 mil pessoas não teriam morrido por doença cardiovascular no período analisado caso os índices de diabetes fossem menores na população. Por outro lado, a pesquisa também permitiu concluir que pelo menos 17 mil mortes foram evitadas somente pela diminuição do consumo de cigarros durante esses 12 anos.

“Nossos achados fornecem evidências de que as estratégias para reduzir o tabagismo foram fundamentais para a redução da mortalidade por doença cardiovascular”, apontam os autores.

Outro ponto que chamou a atenção dos cientistas foram as diferenças de gênero. “As disparidades sexuais reiteram outros estudos que apontam o diabetes e a hiperglicemia como fatores de risco mais fortes para doença cardiovascular em mulheres do que em homens”, advertem.

Impacto socioeconômico

A mortalidade e a incidência de doenças cardiovasculares diminuíram 21% e 8%, respectivamente, entre 2005 e 2017 no Brasil. Além da redução do tabagismo, o maior acesso à saúde básica é listado como um dos responsáveis pela melhora nos índices. Essa observação levou em conta a questão da hipertensão, frequentemente associada a problemas cardíacos. No entanto, ela representou sete vezes menos mortes por doenças cardiovasculares do que a hiperglicemia. Uma das possibilidades é que o acesso ao sistema de saúde universal, com aumento na cobertura de atenção primária, tornou alta na população a taxa de controle da hipertensão.

Corrobora esse achado o fato de que a associação entre hiperglicemia e mortalidade por doença cardiovascular foi independente do nível socioeconômico e do acesso aos cuidados de saúde. Os pesquisadores inseriram covariáveis nos modelos analisados para contabilizar dados como renda familiar, benefício do Bolsa Família, produto interno bruto (PIB) per capita, número de médicos por habitantes e cobertura de atenção primária.

“Além de aumentar a renda, diminuir a desigualdade e a pobreza e ampliar a qualidade e o acesso à saúde, precisamos olhar para o diabetes e para a hiperglicemia de maneira específica”, aponta Gaspar, ressaltando que o país tem discutido pouco questões como o alto consumo de açúcar.

“Precisamos de uma política de educação nutricional. Debater se vale a pena colocar uma tarja nos produtos açucarados com um alerta, como nas embalagens de cigarro, ou taxar produtos com açúcar adicionado de forma a incentivar as indústrias a reduzir esse ingrediente. São questões bastante debatidas em outros países e que precisam ser pautadas aqui.”

Para mitigar os índices de doença cardiovascular no Brasil, as políticas de saúde devem ter como objetivo reduzir diretamente a prevalência de hiperglicemia, seja pela educação nutricional, pela restrição a alimentos com açúcar adicionado ou pelo mais amplo acesso às novas classes de medicamentos capazes de diminuir a chance de o paciente diabético morrer por infarto.

O artigo Analysing the impact of modifiable risk factors on cardiovascular disease mortality in Brazil está disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0269549.






Autor: Ricardo Muniz | Agência FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 28/09/2022
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/diabetes-e-a-variavel-que-mais-impacta-numero-de-mortes-por-infarto/39684/

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Estudo ajuda a entender por que obesos tendem a desenvolver complicações metabólicas como diabetes

Um grupo liderado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) demonstrou como o excesso de leptina, substância produzida no tecido adiposo e conhecida como hormônio da saciedade, atua em um tipo de célula imune e contribui para o desenvolvimento de distúrbios metabólicos, como obesidade e diabetes.

Estudo ajuda a entender por que obesos tendem a desenvolver complicações metabólicas como diabetes

Em verde, via mTOR ativada em macrófago (núcleo em azul): via de sinalização celular pode ser alvo para tratamentos de disfunções metabólicas (imagem: Lauar de Brito Monteiro)

Publicado na revista Diabetes, o estudo abre caminho para o desenvolvimento de terapias que possam ajudar pessoas acometidas por essas condições.

“Colocamos camundongos que não respondem à leptina em uma dieta que os deixa obesos. Em comparação aos animais [sensíveis à leptina] normais submetidos à mesma dieta, eles eram mais saudáveis: tiveram melhor controle de glicose, glicemia e insulina”, explica Lauar de Brito Monteiro, primeira autora do estudo realizado durante seu doutorado no Instituto de Biologia (IB-Unicamp) com apoio da FAPESP.

Monteiro realizou parte das análises durante estágio no Instituto Max Planck de Epigenética e Imunobiologia, em Freiburg, na Alemanha, também com bolsa da Fundação.

Para se certificar do papel das células imunes na interação com a leptina, os pesquisadores fizeram tanto experimentos in vitro, usando células, como em animais (in vivo).

Nos primeiros, eles analisaram macrófagos, um tipo de célula imune, isolados de camundongos que não expressam o receptor do hormônio em nenhuma parte do corpo.

Para as análises in vivo, estudaram camundongos que não expressam o receptor da leptina apenas nas células mieloides, envolvidas no processo inflamatório causado pela obesidade.

“Isso exclui os efeitos da leptina em células do sistema nervoso central, como neurônios, uma vez que esse hormônio também atua no cérebro sinalizando quando é hora de parar de comer. Com esses experimentos, mostramos como ela atua especificamente nas células imunes do tecido adiposo, onde a leptina é produzida. Em obesos, normalmente há um excesso desse hormônio e um processo inflamatório por conta disso”, conta Pedro Moraes-Vieira, professor do IB-Unicamp e coordenador do estudo.

“O trabalho mostrou ainda que, num contexto não inflamatório, a leptina é muito importante. Ela atua no reparo tecidual, algo fundamental para o funcionamento do organismo e que ainda não é bem compreendido”, completa.

A investigação foi apoiada pela FAPESP por meio de vários projetos, três deles coordenados por Moraes-Vieira (20/16030-0, 19/25973-8 e 15/15626-8).

Sinalização

Em células normais, os pesquisadores observaram que o contato com a leptina em um ambiente inflamatório faz com que seja secretada grande quantidade de moléculas (citocinas) que aumentam a inflamação. Nas células que não possuem receptor para o hormônio, não houve produção dessas citocinas.

“Os macrófagos do tecido adiposo estão num ambiente rico em leptina e, portanto, o hormônio não tem tanto efeito sobre eles. Em células de outras regiões com baixas concentrações de leptina, como da cavidade peritoneal [que envolve os órgãos abdominais], a susbstância se torna hiperinflamatória. Portanto, os macrófagos fora do tecido adiposo têm contribuição ainda maior para a inflamação sistêmica de baixo grau ocorrida na obesidade”, afirma Monteiro, que atualmente realiza estágio de pós-doutorado no Sunnybrook Research Institute, afiliado à Universidade de Toronto, no Canadá.

O trabalho mostra que as alterações metabólicas nos macrófagos ocorrem por conta de disfunções na mitocôndria da célula, organela responsável pela produção de energia. Com a inflamação, a mitocôndria produz menos energia e mais radicais livres, que reduzem a funcionalidade do organismo.

Por trás de tudo isso está a chamada “via de sinalização celular mTOR”, bastante estudada no contexto de outras doenças por seu papel regulador do metabolismo das células. Os pesquisadores observaram que não só o chamado complexo 1 (C1) da mTOR é importante nesse processo, como já era conhecido na literatura especializada, mas que o complexo 2 (C2) tem um papel ainda maior do que se sabia na inflamação induzida pela leptina.

“Por isso, tratamos as células hiperinflamadas com uma droga que atua nessa via, usada para o tratamento de rejeição ao transplante de órgãos. A rapamicina, como é conhecida, inibiu o aumento excessivo da secreção de citocinas inflamatórias. Isso abre caminho para o desenvolvimento de tratamentos para doenças metabólicas como obesidade e diabetes”, encerra Moraes-Vieira.

Assinam também a publicação pesquisadores do Instituto Max Planck, da Alemanha, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e do Laboratório Nacional de Biociências do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (LNBio-CNPEM), em Campinas.

O trabalho teve apoio da FAPESP ainda por meio do Centro de Pesquisa em Obesidade e Comorbidades (OCRC) e de mais um auxílio concedido ao pesquisador do IB-Unicamp Alessando Farias.

O artigo Leptin Signaling Suppression in Macrophages Improves Immunometabolic Outcomes in Obesity pode ser lido em: diabetesjournals.org/diabetes/article/71/7/1546/144973/.






Autor: André Julião
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 21/09/2022
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/estudo-ajuda-a-entender-por-que-obesos-tendem-a-desenvolver-complicacoes-metabolicas-como-diabetes/39630/

sábado, 4 de junho de 2022

ADA 2022: nutrição no diabetes – quebrando paradigmas

Estamos na cobertura in loco do congresso da American Diabetes Association (ADA 2022) para trazer informações fresquinhas sobre o tema. O ADA é o principal congresso de diabetes do mundo e conta com simpósios muito interessantes que sumarizam evidências em temas específicos e também com apresentação de diversos artigos originais, capazes de modificar a prática clínica.

Um dos destaques do dia de hoje, 03, foi a palestra conjunta das doutoras Alison Evert e Maureen Chomko a respeito de tópicos comumente abordados no tratamento do diabetes e cujo corpo de evidências científicas é controverso: a nutrição do paciente.

Vamos direto aos tópicos abordados.


Nutrição no diabetes

Pessoas com diabetes precisam comer várias vezes ao dia?

É muito comum ouvir, mesmo dentro do ambiente universitário, que pessoas com diabetes devem se alimentar de 3/3 horas ou fazer três refeições principais e três lanches. Apesar da recomendação servir para algumas situações como o diabetes gestacional, para o diabetes tipo 2 (DM2) essa teoria não encontra fundamentos científicos.

A dra. Alison aponta que além da falta de estudos embasando essa prática, a medida pode aumentar a ingestão calórica de forma desnecessária, levando a ganho de peso e piora do controle glicêmico.

Lembrando que ninguém deve comer para evitar hipoglicemias. Se isso for necessário é sinal de excesso de insulina ou hipoglicemiantes na grande maioria das vezes.

Pessoas com diabetes devem se alimentar pela manhã

Existem estudos mostrando que pular o café da manhã está associado a maior risco cardiovascular. Com o diabetes não é diferente: não se alimentar pela manhã parece aumentar o risco de desenvolver DM2 e em quem já tem a condição, parece piorar o pico pós-prandial de glicemia, refletindo um pior controle. Logo, parece haver um benefício em se alimentar mais pela manhã e menos ao final do dia.

Atenção com adoçantes

Estudar os adoçantes pode ser muito difícil, uma vez que são uma classe heterogênea de moléculas com vias metabólicas particulares. Também existe um viés de que quem busca bebidas artificialmente açucaradas, tendem a consumir mais alimentos processados e a ter uma pior dieta. Contudo, o que temos de evidência sobre essas substâncias?

Em estudos observacionais, os adoçantes não se associaram a redução de peso, mas aumentaram discretamente o risco de diabetes (RR 1,14; IC 95%, 1,05 – 1,25), por mecanismos não discutidos na palestra. Porém vale ressaltar que são dados observacionais e não demonstrados em ensaios randomizados. Recomendação prática? Se o seu paciente puder tomar água, melhor.

O macronutriente importa?

Não há dados que sustentem a recomendação de se omitir ou reduzir um macronutriente (ex.: carboidratos, proteínas ou lipídios) ou outro. Dados de estudos com dieta very low carb (ingestão de carboidratos entre 10 e 26% das calorias diárias) ou cetogênica (cuja definição muda um pouco, limitando a ingestão de carboidratos a 20-50g/dia – sem grande diferença na prática portanto comparado a very low carb) mostram que de fato, a curto prazo (3 a 6 meses) há melhora do controle glicêmico e da resistência insulínica.

Porém esse benefício não é mantido a longo prazo, muito porque é uma dieta difícil de ser mantida. Logo, o mais importante é a qualidade dos alimentos, evitando carboidratos de baixo valor, como os advindos de farinhas brancas, refinados, sucos e derivados.






Autor: Luiz Fernando Fonseca Vieira
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 03/06/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/ada-2022-nutricao-no-diabetes-quebrando-paradigmas/

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Epidemia de diabetes? Quais os sintomas, causas e tratamento



CRÉDITO,MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO
Legenda da foto,

Estima-se que quase 17 milhões de pessoas vivam com diabetes no Brasil


Bastante comum, o diabetes afeta quase 17 milhões de pessoas no Brasil com idades entre 20 e 79 anos. O país é o quinto no ranking mundial, atrás apenas de Estados Unidos, China, Índia e Paquistão.


Mas muitas vezes essa doença é silenciosa. Quase metade das pessoas com o tipo mais comum de diabetes nem sabe da presença dela, e quando descobre pode ser tarde demais.


Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes, um pâncreas em condições normais produz hormônios que regulam o nível de açúcar no sangue. Essa taxa varia quando se ingere um alimento, por exemplo.


Mas no caso do diabetes mellitus, o corpo se torna incapaz de controlar esses níveis de glicose no sangue por não ter o suficiente ou não conseguir usar direito o hormônio que faz essa regulação, a famosa insulina. Isso leva a diversos desdobramentos problemáticos no corpo.


Mesmo comum, a doença é cercada de dúvidas. O que causa essa doença? Como tratá-la? Quais são os tipos? Posso comer isso ou aquilo se tiver diabetes? Vou precisar de injeção de insulina? Posso evitar apesar do histórico familiar? Por que ela afeta cada vez mais gente? E afinal, quem e como descobriu isso tudo?


Em 2021, é comemorado o centenário da descoberta da insulina, algo exaltado por todos os especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, principalmente pela quantidade enorme de vidas salvas por causa desse achado premiado com o Prêmio Nobel.


"Antes de ser descoberta a insulina, as pessoas simplesmente morriam. Não tinha o que fazer, não tinha tratamento." afirma Cesar Boguszewski, médico endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, em entrevista à BBC News Brasil.



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Ele ressalta a importância de se conhecer os fatores de risco da doença (o principal é obesidade) e os benefícios de detectá-la precocemente, mas antes de tudo ampliar a conscientização para prevenir o diabetes com hábitos e alimentos saudáveis.


Mesmo porque o número de casos da doença tem aumentado ao redor do mundo, graças a diversos fatores socioeconômicos, ambientais, genéticos e demográficos.


Mas a informação também é importante quando a doença já foi diagnosticada.


"Uma das coisas mais importantes é a educação em diabetes. O paciente que tem diabetes tem que aprender o que é a doença dele. Lógico que isso não se faz em uma consulta. É um processo de seguimento, aprimorado a cada consulta. É uma doença que pede uma equipe multidisciplinar, com endocrinologista, nutricionista, profissional de educação física, fisioterapeuta, dentista e por aí vai", diz Boguszewski.


A BBC News Brasil responde abaixo 16 perguntas entre as mais buscadas sobre a doença a partir de entrevistas com especialistas, informações oficiais do Ministério da Saúde e de entidades dedicadas ao tema e estudos científicos.

Antes de tudo: é possível prevenir o diabetes?


"Tem como prevenir se os governos tiverem vergonha na cara e estimularem as pessoas a terem hábitos e alimentação saudável", afirma Boguszewski, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.


Para o endocrinologista, as autoridades deveriam investir em campanhas de conscientização, oferecer mais equipamentos de lazer e esporte e adotar medidas para reduzir o consumo de alimentos prejudiciais à saúde, como a tributação de alimentos ultraprocessados e de bebidas açucaradas, que teve resultados positivos em países como o México.


"As comidas ricas em açúcar e em gordura são palatáveis. E a indústria alimentícia sabe muito bem disso e sabe trabalhar para que as pessoas fiquem dependentes. Há estudos mostrando que o cérebro fica viciado nesse tipo de alimento. Tudo isso junto faz essa pandemia de obesidade. Não é só no Brasil. Os EUA, por exemplo, líder mundial disso, já está vendo diabetes do tipo 2 em adolescentes, algo que a gente só via antigamente em adultos."


Segundo Boguszewski, os hábitos e os alimentos saudáveis podem prevenir, adiar ou atenuar o surgimento dos dois principais tipos de diabetes, o 1 e o 2, mesmo quando há fatores genéticos associados.


O Sistema de Saúde Pública do Reino Unido (NHS) recomenda um mínimo de 30 minutos de exercício pelo menos três vezes por semana, reduzir consumo de álcool, não fumar, ter alimentação saudável, com porções diárias de frutas e legumes e baixo teor de gorduras saturadas, sal e alimentos e bebidas com muito açúcar.


Essas condições diabéticas não surgem de uma hora para outra, e algumas vezes os pacientes ainda têm chance de reverter o progresso da doença, como é o caso do estágio pré-diabetes.

O que é o pré-diabetes e como diagnosticá-lo?


A maior parte das pessoas não sabe da existência do pré-diabetes, considerado um estágio de risco e de alerta. Afinal, estima-se que metade desses pacientes vão desenvolver a doença ao longo do tempo, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes.


O pré-diabetes é caracterizado por níveis de glicemia acima do normal, mas sem alcançar o patamar que define o diagnóstico de diabetes. Especialistas dizem que esta é uma fase tida como uma oportunidade para o paciente mudar o estilo de vida a fim de tentar reverter a evolução do quadro.


"Na fase do pré-diabetes, o organismo começa a produzir mais insulina no pâncreas. A glicemia fica pouco elevada, mas não chega a causar problema. O paciente urina um pouco mais, acorda um pouco à noite para urinar, mas isso não incomoda e ele não procura atendimento. Por isso, muitas vezes quando ele chega para a consulta, já está inclusive com complicações crônicas, vasculares, porque realmente não percebeu ou não procurou atendimento e já chega com um quadro mais complicado", afirma Boguszewski, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.


A falta de sintomas dificulta a noção da condição e do risco, mas em geral o pré-diabetes está bastante ligado ao excesso de peso e sedentarismo.


Por isso, é fundamental para esses pacientes a prática de exercícios físicos e a perda de peso. Sair dessa faixa de risco pode retardar ou até prevenir o aparecimento de diabetes.



CRÉDITO,MYRIAM ZILLES
Legenda da foto,

Pessoas com diabetes devem evitar excesso de açúcar na alimentação


E como é feito o diagnóstico? Isso pode ser feito, por exemplo, por meio de exames laboratoriais solicitados por um médico que medem a taxa de glicose no sangue, como o de glicemia de jejum, o qual mede a taxa de glicose no sangue num quadro de jejum de 8 a 12 horas, geralmente.


O quadro de pré-diabetes tem como um dos sinais o nível de glicemia alterada nesse exame, ou seja, de 100 mg/dL e 125 mg/dL. Acima disso já pode indicar um diagnóstico de diabetes.


Há outros testes que também podem ser solicitados para confirmação de diagnóstico, como o teste de curva glicêmica (teste oral de tolerância à glicose - TOTG), que é feito com jejum de 10 a 12 horas.


Ele analisa primeiro a concentração de glicose no sangue em jejum, em seguida o paciente ingere um líquido açucarado e, após 2 horas, testa novamente e então é analisada a concentração de glicose.


Se no resultado for identificado que o açúcar chega de forma lenta ao sangue, a curva é considerada baixa. O oposto é a curva glicêmica alta, isto é, com chance para pré-diabetes e diabetes.


Hoe em dia, este tipo de exame busca resultados mais individualizados, isto porque as referências dependem de outros fatores como a faixa etária. E também porque eles precisam ser analisados em conjunto com os resultados de outros exames.

Quem e como se descobriu o diabetes e a insulina?


A história do diabetes e da insulina foi construída por muitos personagens ao longo de muito tempo.


Em torno de 1.500 a.C, os antigos egípcios já haviam notado pessoas que urinavam em excesso e perdiam peso. Mas foi o médico grego Aretaeus, que viveu de 80 a 138 d.C., que usou o termo diabetes mellitus. Em 1776, o médico e fisiologista inglês, Matthew Dobson, identificou o gosto adocicado na urina de um paciente com diabetes (o que na época era considerado um distúrbio renal).


Quando a publicação "The New England Journal of Medicine and Surgery" foi fundada em 1812, o diabetes virou entidade clínica reconhecida, porque até então ela não era bem documentada.


Pouco antes da virada do século 19 para o 20, os cientistas alemães Oskar Minkowski e Joseph von Mering, da Universidade de Estrasburgo (França), estavam interessados no funcionamento do pâncreas e em como a digestão de gordura era feita. Eles removeram esse órgão de um cachorro, que não morreu, mas passou a ter grande quantidade de açúcar na urina.


Isso serviu de base para a ideia de que o pâncreas possui alguma substância que controlava o açúcar. O animal acabou morrendo porque a dupla de pesquisadores não conseguiu reverter o quadro de descontrole da taxa de glicemia.


Em 1910, o fisiologista inglês Edward Sharpey-Schafer percebeu que uma substância química produzida pelas Ilhotas de Langerhans (localizadas no pâncreas, responsáveis pela secreção de alguns hormônios, entre eles a insulina) estava por trás da doença diabetes.


A substância (insulina) só seria isolada em 1921 pelos canadenses Frederick Grant Banting e John James Richard Macleod, da Universidade de Toronto. A descoberta renderia a eles o Prêmio Nobel em 1923.


E como eles fizeram isso?


A dupla retirou do pâncreas de cães saudáveis células das Ilhotas de Langerhans e aplicou em cachorros com diabetes por meio de injeções. A técnica levou à regressão do diabetes. Depois, eles conseguiram purificar a insulina bovina e aplicar em humanos.


O pioneiro da injeção de insulina foi o jovem canadense Leonard Thompson, de 14 anos. Ele estava internado com um quadro grave de diabetes tipo 1. Naquela época, o tratamento para esse quadro era deixar o corpo sem açúcar, mas essa abordagem deixava as crianças muito magras.


"Naquela época as crianças morriam após meses de desnutrição. Elas tinham que fazer uma dieta rigorosa de glicose e carboidrato e ficavam com 20kg/30kg", conta a endocrinologista e coordenadora do departamento de campanhas da Sociedade Brasileira de Diabetes, Dhianah Santini de Oliveira, em entrevista à BBC News Brasil.


Mas por causa da injeção de insulina, Thompson pôde viver por mais 13 anos.


Então depois da descoberta da insulina, os pacientes que antes morriam em decorrência do diabetes não perdiam mais suas vidas, pelo contrário, sobreviviam e viviam por muitos anos.


Cesar Boguszewski, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, explica à BBC News Brasil que inicialmente a insulina era bovina, e ao longo do tempo foram sendo testados os hormônios de outros animais, até chegar à própria insulina humana, usada até hoje. "Depois de muita pesquisa, foi descoberta a insulina que a gente chama de NPH, por volta das décadas de 40, 50. Isso permitiu que já se fizessem insulinas mais prolongadas. As pessoas passaram a receber 1 ou 2 injeções por dia."


A evolução da insulina obviamente não parou ali. No início da década de 1980, a insulina biossintética produzida por técnica recombinante foi criada por uma empresa de biotecnologia que conquistou o feito introduzindo o gene humano do hormônio em uma cepa de bactéria. Isso reduziu as possibilidades de complicações ao sistema imune do paciente. Foi o primeiro remédio feito por técnica recombinante.


Hoje, há insulinas rápidas, ultra rápidas, lentas, ultra lentas com ações prolongadas. E mais recentemente surgiram os análogos de insulina humana e a insulina inalável, por exemplo.


Uma ainda em fase de aprovação é a insulina icodec, que é de ação prolongada e uma aplicação por semana, apenas, diferente das usadas hoje em dia, com aplicação diária.


Há também uma abordagem, que chegou ao Brasil e é mais comum nos Estados Unidos, chamada de pâncreas artificial. "Ele é uma bomba que tenta imitar a secreção fisiológica desses dois hormônios, a insulina e o glucagon, que regulam a glicose pelo pâncreas.", explica Oliveira, da Sociedade Brasileira de Diabetes.


Mas nem todos os tipos de diabetes demandam obrigatoriamente injeções de insulina.

Quais são os tipos de diabetes e seus sintomas?



CRÉDITO,TOWFIQU BARBHUIYA
Legenda da foto,

O tratamento da doença inclui geralmente uma série de medicamentos, consultas e equipamentos para controlar os níveis de açúcar no sangue


Há principalmente dois tipos de diabetes: 1 e 2. Ambos podem dar bastante sede e vontade de urinar e não a priori há um tipo mais grave que o outro. Mas o tipo 2, por ser descoberto tardiamente muitas vezes, pode resultar em mais complicações de saúde. Mas cada caso é um caso e o nível de glicose no sangue não é a única forma de diagnóstico.


Entenda as diferenças dos dois principais tipos abaixo.


- Tipo 1: atinge de 5% a 10% das pessoas com diabetes


Geralmente o tipo 1 é diagnosticado de forma mais "fácil" porque os sintomas podem aparecer rápido, como sede e fome constantes, vontade frequente de urinar, cansaço, fraqueza, perda de peso e mudança de humor.


Esse tipo costuma ser diagnosticado em crianças e adolescentes, mas pode ser também detectado em adultos. Um dos sinais é a presença de corpos cetônicos na urina como compensação do corpo ao usar gordura em vez da glicose para obter energia. O tipo 1 não está associado ao excesso de peso.


Há uma predisposição genética familiar relacionada ao diabetes tipo 1. No entanto, é um consenso entre os médicos que um paciente com histórico familiar pode retardar, atenuar ou mesmo evitar esse quadro caso ele se alimente adequadamente (com pouca gordura e carboidrato), faça exercícios físicos regularmente e não tenha excesso de peso.


Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o diabetes tipo 1 é caracterizado principalmente por um ataque do sistema imunológico contra o próprio corpo, mais especificamente de anticorpos contra células beta responsáveis pela produção de insulina no pâncreas, fazendo com que pouca ou nenhuma insulina seja liberada para o corpo.


Sem ser metabolizada adequadamente, a glicose então permanece em altas doses no sangue (hiperglicemia) em vez de ser usada como energia, por exemplo. Uma das complicações geradas por esse acúmulo excessivo é a lesão de células e vasos sanguíneos. Além disso, grande parte dessa glicose acaba eliminada na urina, que carrega também água, podendo causar desidratação.


É no tipo 1 que o paciente precisa obrigatoriamente de doses de insulina, em geral administradas via injeções.


- Tipo 2: atinge de 90% a 95% das pessoas com diabetes


É um quadro bem diferente do que ocorre com o tipo 1, que tem poucos sintomas ou até nenhum e se caracteriza geralmente por um surgimento mais lento e gradual.


Geralmente é diagnosticada a partir dos 40 anos, mas tem havido um aumento de casos em crianças e jovens tanto por fatores genéticos quanto por ambientais, como alimentação inadequada e sedentarismo. O tipo 2 é associado a excesso de peso, hipertensão e altos níveis de colesterol.


"A grande causa do diabetes é, na verdade, a obesidade. E ela é prevenível. Ou seria prevenível. Esse diabetes está aumentando dessa maneira e vai aumentar ainda mais. As perspectivas são piores porque o que está aumentando é a obesidade. E essa obesidade traz junto dela o diabetes. Essas duas coisas estão fortemente relacionadas", explica Boguszewski, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.


Estima-se, inclusive, que metade das pessoas com diabetes tipo 2 vivam suas vidas sem saber da doença quase silenciosa. O diagnóstico acaba ocorrendo, dessa forma, por meio de exames laboratoriais ou complicações que surgem. Os sinais mais comuns desta condição são sede e fome constantes, infecções frequentes, visão embaçada e formigamento dos pés e das mãos.


Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o tipo 2 é caracterizado por dificuldades do organismo em usar a insulina que produziu ou por problemas na produção de quantidades adequadas desse hormônio para controlar a taxa de glicose no sangue. É o que se chama de resistência à insulina.


Nesse tipo, o paciente pode receber injeções de insulina ou remédios que melhoram a ação da insulina ou estimulam o pâncreas a aumentar a secreção de insulina. A depender do paciente, planejamento alimentar e atividade física são suficientes.


A definição do tratamento caberá ao profissional de saúde responsável pelo diagnóstico e monitoramento.

O que é diabetes gestacional e por que ela ocorre?


Há um outro tipo de diabetes chamado diabetes gestacional, que pode se desenvolver em 1 em cada 20 grávidas.


Normalmente, em meio a mudanças hormonais, a própria placenta afeta a ação da insulina no corpo, levando a um aumento da produção desse hormônio no segundo ou terceiro trimestre de gravidez. Quando essa alta não ocorre, é desenvolvido um quadro de diabetes gestacional com aumento de glicose no sangue.


O tratamento em geral consiste em mudanças na alimentação e exercícios físicos adequados ao período gestacional. Em casos raros, a gestante demanda injeções de insulina para evitar prejuízos a ela e ao feto.


O diabetes desse e de outros tipos envolve riscos para a gestante e para o feto, por isso é essencial que ambos sejam acompanhados por profissionais especializados durante o pré-natal.


Após o parto, se o diabetes é do tipo gestacional, a princípio o quadro some naturalmente. Embora ele possa voltar a ocorrer anos mais tarde.


Por isso é muito importante que a gestante volte a realizar, com acompanhamento especializado, medições da taxa de glicemia no sangue.

O diabetes é considerado uma doença vascular?


Segundo o estudo Estatística Cardiovascular Brasil, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil e uma das complicações mais graves do diabetes. Mais da metade das pessoas com doença cardíaca também têm transtornos relacionados à glicose no corpo.


"Quanto mais tempo de diabetes, quanto pior o controle, maior a chance de ele desenvolver a doença cardiovascular", explica a endocrinologista e coordenadora do departamento de campanhas da Sociedade Brasileira de Diabetes, Dhianah Santini de Oliveira, em entrevista à BBC News Brasil.


Mais de dois terços dos que morrem por problemas cardíacos têm diabetes e mais de 80% das mortes relacionadas ao diabetes são associadas a problemas vasculares, afirma a Sociedade Brasileira de Diabetes.


O diabetes é muito mais prevalente do que outras doenças e leva a uma redução de tempo de vida em torno de 6 a 10 anos, comparado a quem não tem diabetes.


Mas o risco de morte não está associado à diabetes em si, caso o metabolismo esteja sob controle. O quadro com potencial fatal está ligado a complicações do diabetes com controle inadequado, mais especificamente as doenças vasculares.


Isso ocorre, segundo ela, porque a alta taxa de glicose pode começar a danificar os vasos sanguíneos. "A glicose tem que entrar na célula para gerar energia para a célula funcionar. No caso de um paciente com diabetes, a glicose não entra direito e essas células começam a se estressar e vão inflamando, produzindo radicais livres. Isso tudo vai danificando a célula."


Oliveira explica que esse comprometimento vascular pode ser cumulativo ao longo do tempo (por isso a duração do quadro de diabetes é um fator relevante).


Especialistas ressaltam a importância do acompanhamento de profissionais especializados, que podem, por exemplo, requisitar exames preventivos sobre alterações vasculares, muitas vezes silenciosas.


"A prevenção do diabetes é a prevenção do infarto, do AVC, da doença renal, da cegueira", afirma Oliveira.

Por que o diabetes pode levar a amputações e cegueira?


Como explicado acima, o diabetes pode levar a diversos desdobramentos prejudiciais ao corpo humano. Dois dos mais conhecidos e preocupantes são as amputações e a cegueira.


"O diabetes é a principal causa de amputação no mundo. Isso ocorre por causa da doença vascular, com um comprometimento de irrigação nos pés, de nutrição. Às vezes uma pessoa tem uma feridinha de uma topada e aquilo vai evoluindo, evoluindo até ter que amputar o dedo", explica Oliveira, da Sociedade Brasileira de Diabetes.


O chamado pé diabético envolve todas essas mudanças causadas pela doença no membro, como formigamento, perda de sensibilidade, úlceras, problemas de circulação e dificuldade de cicatrização.


Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, pacientes com diabetes mellitus podem ter problemas de cicatrização por causa do desequilíbrio da resposta inflamatória, com situações como um acúmulo prolongado de células inflamatórias, um menor fluxo sanguíneo nos membros inferiores ou o impacto negativo do excesso de açúcar na eficácia das células de defesa. Esse quadro é agravado quando o nível de açúcar no sangue não está controlado.


Estima-se que 1 a cada 4 pessoas com diabetes mellitus terá lesões no pé que podem não ser percebidas. Caso a ferida não seja tratada, pode levar à amputação de parte e a totalidade do dedo, do pé ou da perna. Isso acomete principalmente a população de baixa renda, que vive em piores condições de saúde e com menos acesso a unidades de saúde.



CRÉDITO,SECRETARIA DE SAÚDE DO DF/DIVULGAÇÃO
Legenda da foto,

O SUS oferece medicamentos, equipamentos para monitorar glicemia e consultas com profissionais de saúde


Cerca de 20% das internações de pacientes com diabetes estão relacionadas a complicações nos membros inferiores. Segundo o Ministério da Saúde, as complicações do pé diabético correspondem de 40% a 70% de todas as amputações não realizadas por traumas na população inteira.


Outra complicação preocupante do diabetes é a retinopatia diabética, que pode ocorrer com o descontrole da glicemia e o tempo do diabetes, lesionando os pequenos vasos da retina (camada localizada no fundo do olho que retém as imagens). O resultado mais grave pode ser a cegueira, explica Oliveira, da Sociedade Brasileira de Diabetes.


Por essas e outras consequências é que se mostra muito importante o acompanhamento das pessoas diagnosticadas com diabetes por profissionais de saúde especializados.

Por que alguém com diabetes não pode doar sangue?


A Fundação Pró-Sangue, do governo de São Paulo, explica que uma pessoa com diabetes que não pode doar sangue é "aquela que chamamos de insulino-dependente; ou seja, aquela que necessita de insulina para manter seu metabolismo de açúcar próximo da normalidade. Esses pacientes têm importantes alterações do sistema cardiovascular e, em consequência disto, durante ou logo após a doação de sangue, podem apresentar alguma reação que agrave seu estado de saúde".


Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), ligado ao Ministério da Saúde, "se a pessoa que tenha diabetes estiver controlando apenas com alimentação ou hipoglicemiantes orais e não apresente alterações vasculares, poderá doar sangue. Caso ela já tenha utilizado insulina, não poderá doar".

Diabetes engorda ou emagrece?


Segundo especialistas, o diabetes do tipo 1 costuma levar ao emagrecimento quando há um desequilíbrio (diabetes desequilibrada) no tratamento ou quando ele não é feito. É uma complicação do diabetes que acontece quando os níveis de glicose estão muito altos, o que pode resultar em uma perda de peso inesperada. Normalmente ocorre com pessoas que não estão cumprindo o tratamento corretamente ou se o paciente ainda não tem o diagnóstico de diabetes.


Além da perda de peso inesperada, outros sintomas desse desequilíbrio são sede excessiva, vontade frequente de urinar e aumento do apetite.


Para que isso não aconteça o paciente precisa seguir o tratamento indicado, baseado em uma dieta alimentar saudável, combinada com a prática de exercícios físicos e, se ele já tem o diagnóstico de diabetes, fazer o automonitoramento glicêmico com o glicosímetro (aparelho que mede os níveis de glicose no sangue).


O diabetes do tipo 2 é amplamente associado ao excesso de peso, como explicado acima no texto, e com resistência insulínica (síndrome metabólica). Mas quando o paciente segue o tratamento corretamente aliado à prática de exercício físico, ele tende a perder esse excesso de peso adquirido previamente.


Essa síndrome metabólica inclui alterações no corpo decorrentes do excesso de peso. Para a Federação Internacional de Diabetes, a síndrome metabólica é definida pelo excesso de gordura abdominal, combinada com nível de triglicérides alto, colesterol HDL (colesterol bom) abaixo de 40 mg/dL, hipertensão, glicemia de jejum maior ou igual a 100 mg/dL ou diagnóstico anterior de diabetes.


São condições que, quando unidas, aumentam as chances de desenvolvimento de doenças cardíacas e diabetes. Segundo o Ministério da Saúde, ela é resultado de alimentação inadequada e sedentarismo, e por isso pode ser prevenida e curada.


A base da síndrome metabólica é a resistência à ação da insulina, que é a resistência insulínica (ou síndrome de resistência à insulina). A resistência insulínica é uma alteração do funcionamento da insulina que vem do ganho de peso progressivo. Nela, a insulina encontra dificuldade em fazer o seu trabalho e seu desempenho cai.


"E então ele precisa produzir cada vez mais insulina porque quanto mais ele come, mais ele precisa de insulina. E aí vai chegando uma hora que o pâncreas está intoxicado de tanta glicose, de tanta gordura, de tanta energia, que ele começa a falhar. Então a glicose sobe e vem o diabetes", explica Oliveira, da Sociedade Brasileira de Diabetes.


O exercício físico é essencial para melhorar a resistência insulínica e evitar, adiar ou atenuar esse caminho em direção ao diabetes.

O que se pode comer no diabetes?


Pessoas com diabetes precisam seguir uma alimentação equilibrada e saudável, assim como se recomenda a todas as pessoas. Especialistas ressaltam a importância da variedade de alimentos no prato, de evitar excesso de açúcar, sal e gordura e de não pular refeições. Em geral, não há o que não se possa comer para a população em geral, a questão é a quantidade.


Mas a dieta para quem tem diabetes pode se preocupar mais em manter o controle do nível de glicose no sangue, a fim de evitar desequilíbrios, como a hiperglicemia, causada pelo excesso de açúcar, e hipoglicemia, consequência da queda brusca de açúcar no sangue.


Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, essa dieta pode exigir mais planejamento e organização dos hábitos alimentares, pois é preciso escolher melhor quais alimentos consumir e em quais quantidades e em que momento do dia.


A entidade recomenda, por exemplo, que os alimentos sejam distribuídos em 5 a 6 refeições ao dia; na hora dos lanches, dar preferência ao consumo de frutas (e não ao suco); metade do prato deve ser composto por vegetais coloridos; evitar açúcares e alimentos açucarados; priorizar pequenas porções de carnes magras e intercalar o consumo de carne branca e vermelha com ovo; preferir alimentos menos processados.

Como se controla o nível de açúcar no sangue? Com contagem de carboidratos?


A escolha dos tipos de alimentos, bem como a quantidade a ser ingerida depende da idade, de quão ativo fisicamente é cada pessoa e do nível de glicose no sangue.


Há diversas buscas no Google, por exemplo, sobre alimentos específicos, como tapioca, melancia, cerveja, batata doce, cuscuz e beterraba.


O Manual Oficial de Contagem de Carboidratos, criado e atualizado pela Sociedade Brasileira de Diabetes, é uma fonte segura de informação aos pacientes com diabetes a respeito do que se pode ou não comer.


A contagem de carboidratos é uma estratégia nutricional que oferece à pessoa com diabetes maior flexibilidade em sua alimentação.


O foco é no carboidrato, nutriente com maior efeito sobre a glicemia, pois 100% do carboidrato ingerido se transforma em glicose. Por outro lado, de 30% a 60% da proteína podem resultar em glicose e, no caso da gordura, somente 10%.


A fim de controlar os níveis de açúcar no sangue, o método busca um equilíbrio entre a glicemia, a quantidade de carboidratos ingerida e a quantidade de insulina necessária de cada paciente.


Essa contagem é uma técnica utilizada geralmente por pacientes com diabetes do tipo 1, mas todos com diabetes podem praticá-la. Costuma exigir bastante atenção e disciplina no começo, mas se torna menos custoso quando se adquire o hábito.


Toda essa abordagem deve ser feita com acompanhamento de um nutricionista, que definirá para cada paciente a quantidade de calorias e de carboidratos a ser ingerida em cada refeição.


Alguns pacientes anotam e calculam o que se põe no prato, com blocos de notas ou aplicativos.

No Brasil, quem tem direito a injeções de insulina, remédios e novos aparelhos para controlar e tratar o diabetes? O SUS oferece tudo isso?


O tratamento e o monitoramento de pacientes com diabetes inclui geralmente uma série de medicamentos, consultas com profissionais especializados e equipamentos para controlar os níveis de açúcar no sangue.


"Hoje, temos aparelhos para medir a glicose que se coloca no braço, sem precisar mais ficar furando o dedo. Você pode até monitorar a glicose pelo celular, passando perto do braço", diz Oliveira, da Sociedade Brasileira de Diabetes.


Mas novidades como essa, disponíveis no setor privado, nem sempre são oferecidas pelo SUS.


No sistema de saúde público brasileiro, há basicamente 2 tipos de insulinas disponíveis no SUS: a de ação prolongada - insulina humana NPH e a de ação rápida - insulina humana regular.


No tratamento padrão para quem tem diabetes tipo 1 (pessoas com deficiência absoluta de insulina), são necessárias várias injeções de insulina ao longo do dia, assim como diversas medidas de glicose durante o dia.


O SUS oferece ainda medicamentos, equipamentos para monitorar glicemia e consultas com profissionais de saúde, mas nem sempre tudo isso está disponível para todos.


Boguszewski elogia os tratamentos oferecidos pelo SUS, com a entrada gradativa de novos medicamentos para alguns pacientes, apesar das limitações orçamentárias impostas pela quantidade de pessoas com a doença no país.


"Uma medicação bastante efetiva que temos hoje pode custar R$ 500, R$ 600 por mês. Se você multiplicar isso por 10 milhões de pessoas, terá ideia do impacto no sistema de saúde. E o governo não tem que comprar remédio só para diabetes."


Segundo ele, obstáculos ainda maiores existem para equipamentos de monitoramento e controle da glicemia e novos medicamentos mais eficazes. "Já dispomos no mercado de inúmeras medicações extremamente boas e efetivas, mas se somarmos tudo isso, o custo de um tratamento mensal de diabetes será extremamente elevado, quase R$ 2.000 por mês em dieta adequada, aparelhinho, compra de remédios etc."


Em países sem sistema público de saúde universal como os EUA, por exemplo, muitas pessoas não têm condições financeiras de acessar o tratamento básico de insulina. O mercado americano é controlado por poucas farmacêuticas e a insulina chega a custar milhares de dólares por ano.

Controle e tratamento


No Brasil, além do SUS, há uma lei específica para garantir o acesso que é a lei federal nº 11.347, de 2006, a qual dá direito aos portadores de diabetes mellitus brasileiros de receber medicamentos e insumos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), como insulina humana NPH (ação prolongada) e insulina humana regular (ação rápida), medicamentos antidiabéticos (hipoglicemiante: reduz/controla a concentração de açúcar no sangue) como Glibenclamida, Cloridrato de Metformina, Glicazida e insumos como seringas com agulha, tiras reagentes de medida de glicemia capilar, lancetas para punção digital (estes somente aos pacientes insulino-dependentes que estejam cadastrados no cartão SUS e/ou no Programa de Hipertensão e Diabetes - Hiperdia)


Os pacientes que quiserem retirar medicamentos e insumos precisam ter cadastro como paciente com diabetes no SUS ou Hiperdia (Programa de Hipertensão e Diabetes). Para então ir ao posto de saúde mais próximo da sua casa e apresentar a receita médica prescrita pelo médico.





Autor: Cristiane Martins
Fonte: Londres para a BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 18/11/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-59290134

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Brasil finaliza o mais completo estudo sobre a Diabetes Tipo 1 no país



O Diabetes Tipo 1 ocorre em pacientes jovens, enquanto o tipo 2 é mais comum em adultos e idosos (Foto: Tesa-Robbins_Pixabay)

Com uma vida dedicada ao estudo da Diabetes Tipo 1, a professora Marilia de Brito Gomes, médica e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), se prepara para se afastar da vida acadêmica, deixando o legado do único estudo do Brasil, e mundialmente o mais completo, sobre o Diabetes Tipo 1 no País. Realizada com a colaboração de quase duas dezenas de instituições, entre universidades, hospitais, associações e centros de pesquisa, a investigação avaliou 1.760 pacientes de diversos perfis socioeconômicos em todas as regiões do País. O estudo resultou na publicação de diversos artigos, que fizeram com que o Diabetes Tipo 1 ganhasse visibilidade em todo o Brasil e no exterior.

A investigação foi realizada em duas etapas distintas. Na primeira, ainda na Presidência da Sociedade Brasileira de Diabetes (2008/2009), Marília estimulou a aplicação de um questionário e a avaliação dos prontuários médicos dos doentes. Na segunda fase, já com apoio da FAPERJ e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a equipe pôde realizar um trabalho realmente de ponta. Segundo a endocrinologista, pela primeira vez a comunidade científica internacional teve conhecimento da Diabetes do Tipo 1 no Brasil, como a doença se comporta, qual o perfil dos pacientes, como é e quais as dificuldades de tratamento. “O Brasil tem uma população muito miscigenada e a comunidade científica internacional não tem conhecimento nem vivência nesse aspecto”, explica Marilia. Outro ponto importante da pesquisa apresentado internacionalmente foram os dados socioeconômicos dos pacientes analisados, que, muitas vezes, justificam as dificuldades enfrentadas por eles no sistema púbico de saúde.

A médica, que conta com recursos do Programa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ para desenvolver suas pesquisas, é pró-cientista da Uerj e pesquisadora do CNPq, esclarece que a Diabetes tipo 1 difere completamente da Diabetes tipo 2, tendo em comum apenas o aumento da glicose no sangue, mas causadas por motivos diferentes. Segundo ela, no tipo 1 o paciente tem o diagnóstico ainda jovem e saudável, enquanto o tipo 2 se caracteriza como uma doença progressiva e insidiosa, mais comum em adultos e idosos, ocasião na qual o doente geralmente já possui comorbidades como hipertensão, obesidade etc.

“No Diabetes tipo 1 há uma destruição quase total das células que produzem insulina, portanto, os pacientes dependem totalmente da reposição desse hormônio, sob pena de entrarem em coma ou irem a óbito”, explica a médica. Marilia garante que o diagnóstico costuma ser rápido, principalmente devido à uma evolução muito abrupta e uma sintomatologia muito florida da doença, na qual os principais sinais são a perda severa de peso, sede excessiva e necessidade frequente de urinar. A evolução é tão rápida que, não raro, leva crianças a uma descompensação aguda e à necessidade de internação em CTI. A endocrinologista ressalta as melhorias das ferramentas disponíveis atualmente para o tratamento: “Já dispomos de canetas e agulhas muito finas para a aplicação da insulina e podemos fazer a monitorização e acompanhamento da glicemia capilar e de outras formas mais cuidadosas com o paciente”.



Marilia com a camiseta do Dia Mundial do Diabetes, comemorado em 2019 no Cristo Redentor (Foto: arquivo pessoal)


Outro estudo, em parceria com a Associação de Diabéticos de Bauru (SP), revelou o aumento da incidência da doença no País, com um aumento anual médio de 3%. A doença já atinge de 10 a 20 jovens a cada 100 mil habitantes. O levantamento mostra ainda que 75% dos pacientes do universo pesquisado tiveram diagnóstico da doença até os 20 anos de idade. Em média, os doentes se aposentam muito jovens, por volta dos 38 anos, devido a uma perda de capacidade/ano de 17 anos, principalmente em decorrência da retinopatia diabética, complicação muito comum da doença, que pode evoluir para a cegueira. A taxa de mortalidade dos pacientes é três vezes maior do que a população brasileira, em geral, e a morte ocorre muito precocemente devido às complicações crônicas da doença.

A professora contou com a ajuda fundamental da aluna de doutorado Laura Gomes Nunes de Melo, contemplada com Menção Honrosa no Prêmio Capes deste ano, para estudar essa doença multifatorial. “A menção honrosa foi uma vitória para a Laura e para todos que participaram do trabalho. Para mim, particularmente, foi muito gratificante porque a Laura foi uma aluna especial. Ela não fez a faculdade na Uerj, veio da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Não nos conhecíamos, mas ela mostrou uma capacidade de trabalho muito grande”, conta a orientadora, comemorando o fato de ter contribuído para o crescimento científico e acadêmico da aluna.

O estudo da Laura avaliou justamente a retinopatia diabética, uma complicação que reduz, significativamente, a qualidade de vida do paciente, já que sua evolução pode gerar cegueira. “Esta complicação gera um custo alto para o sistema de saúde, pois esses pacientes se aposentam muito cedo devido à cegueira. Além disso, a morbidade é muito elevada”, esclarece Marilia. Segundo a orientadora, a fim de aprofundar o estudo, todos os oftalmologistas envolvidos na pesquisa receberam treinamento, conduzido pelo professor Paulo Henrique Morales, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e os procedimentos foram padronizados, aumentando a robustez dos dados. Além disso, a verba do CNPq viabilizou a aquisição de seis retinógrafos para facilitar o trabalho dos oftalmologistas.

Com o sentimento de ver seu trabalho reconhecido, Laura, que publicou quatro artigos sobre o tema como principal autora, também atribui seu sucesso ao esforço da orientadora em empreender um estudo tão completo e pioneiro, “apesar das dificuldades enfrentadas por pesquisadores no País”. A oftalmologista avaliou, pela primeira vez no Brasil, a prevalência da retinopatia diabética no universo de 1.760 pacientes estudados e os diversos níveis de evolução da doença, que afeta um terço dos pacientes com Diabetes Tipo 1, comprovando o que a literatura mundial já mostrava. O estudo identificou os fatores de risco para o desenvolvimento da retinopatia entre os doentes, mostrando que o tempo da doença, a hipertensão arterial e o descontrole glicêmico são os principais fatores que levam os diabéticos tipo 1 a desenvolverem a retinopatia, corroborando com o disponível na literatura. Laura conta que o estudo revelou uma novidade: uma associação entre os níveis de ácido úrico e a retinopatia diabética. (https://bmcpublichealth.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12889-018-5859-x e https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/aos.13760). Outra vertente da investigação constatou que os pacientes com retinopatia diabética proliferativa (fase mais avançada da doença) têm duas vezes mais chances de desenvolverem problemas cardiovasculares. O artigo publicado gerou diversas citações e configurou entre os principais artigos da revista Frontiers in Endocrinology (https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fendo.2019.00689/full). O quarto artigo produzido pela oftalmologista como primeira autora, já aceito para publicação, aborda a relação da retinopatia diabética proliferativa com fatores inflamatórios (http://dx.doi.org/10.1159/000510879). Sua expressiva produção acadêmica inclui, além dos artigos como primeira autora, a colaboração com outros trabalhos do restante da equipe.



Laura publicou quatro artigos como primeira autora e recebeu Menção Honrosa do Prêmio Capes deste ano (Foto: arquivo pessoal)


A professora Marilia ressalta a importância da investigação da orientanda na correlação entre a retinopatia diabética e os riscos de o paciente desenvolver doença cardiovascular. “Como a Diabetes é uma doença vascular sistêmica, nesse conjunto sistêmico o coração é afetado, assim como o cérebro”, explica a endocrinologista. Segundo ela, dependendo do resultado do exame de olho, o oftalmologista terá um alerta para a necessidade de encaminhar o paciente diabético para uma avaliação cardiológica. A pesquisadora destaca outro artigo, publicado recentemente, com apoio da FAPERJ, na Diabetes Research and Clinical Practice, uma publicação da International Diabetes Federation, único estudo disponível sobre a prevalência da doença renal nos pacientes com diabetes tipo 1 no Brasil, mostrando mais essa complicação (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33010359/). “Este artigo é importante para mostrar à comunidade científica as dificuldades de prosseguirmos na investigação da doença renal em pacientes com diabetes tipo 1. É um alerta para o Brasil e demais países que se dizem ‘desenvolvidos’ e não conseguem enxergar o que acontece em países situados abaixo da linha do Equador”, afirma a pesquisadora. A última etapa que finalizará o estudo, que também conta com apoio da FAPERJ por meio do Edital de Apoio a Projetos Temáticos, será a coleta de DNA, ou seja, um raio-x genético dos pacientes de Diabetes Tipo 1 no Brasil.

“Vou encerrar minha carreira acadêmica finalizando esse trabalho, que é uma grande realização, pois sempre trabalhei com Diabetes tipo 1 e desejava fazer uma radiografia dessa doença no Brasil”. E estamos conseguindo fazer. Marília manda um recado para jovens médicos que se interessarem por estudarem a Diabetes Tipo 1: “É uma doença sem fim de semana, sem feriado e sem férias, pois exige uma interação e dedicação grande ao paciente”. Marilia acredita que devido a todas as particularidades e complicações da doença, o sistema de saúde público e o privado precisam entender que o paciente muitas vezes demanda mais de uma hora de consulta. “Toda a família fica psicologicamente muito afetada, pois é uma das doenças endócrinas mais frequentes nos jovens e até hoje não tem cura. Por isso humaniza muito o médico, já que geralmente acompanha a criança até a vida adulta e, muitas vezes, o médico compartilha da evolução para as complicações crônicas o que causa muita diminuição da qualidade de vida de indivíduos ainda jovens”, lamenta Marilia.





Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 26/11/20
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4116.2.9

terça-feira, 17 de novembro de 2020

Diabetes é fator de risco para insuficiência renal




Diabetes é fator de risco para insuficiência renal

Doença está entre o segundo fator de risco para insuficiência renal. O tratamento para a doença renal é feito por sessões de hemodiálise ou transplante do órgão. Sábado (14/11) é comemorado o Dia Mundial do Diabetes para conscientização sobre a doença.

O diabetes atinge 16 milhões de brasileiros segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Fatores como obesidade, envelhecimento populacional e sedentarismo tem contribuído para o aumento no número de casos de diabetes.

No próximo sábado, 14 de novembro, é comemorado o Dia Mundial do Diabetes, uma data para prevenir e conscientizar a população sobre essa doença que causa muitas mortes no mundo. Além da mudança de vida que a doença exige do paciente, complicações podem comprometer outros órgãos, como os rins.

O diabetes, apesar de ser uma doença conhecida de nome pela população, ainda é cercada de mitos e informações desencontradas, principalmente para os portadores dessa patologia. Diferente do que muitos pensam, quem tem o problema pode ter uma vida normal, mas para isso, o acompanhamento médico, a adesão ao tratamento e a prática de hábitos saudáveis são fundamentais, principalmente para evitar outros transtornos.
Insuficiência renal
O diabetes pode trazer danos aos rins, comprometendo a sua capacidade de filtragem.

“Os altos níveis de açúcar fazem com que os rins filtrem muito sangue, sobrecarregando os órgãos e levando a perda de proteínas na urina”, explica o médico nefrologista e presidente da Fundação Pró-Rim, Dr. Marcos A. Vieira.

“Com o tempo e o excesso de resíduos no sangue, a sobrecarga faz com que os rins percam a capacidade de filtragem e venham a falhar. Assim, o paciente diabético vai necessitar de sessões de hemodiálise ou de um transplante renal”, complementa.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), aproximadamente 25% das pessoas com diabetes tipo I e 5 a 10% dos portadores de diabetes tipo II desenvolvem insuficiência nos rins. Cerca de 35% dos pacientes renais crônicos atendidos na Fundação Pró-Rim – referência nacional no tratamento renal – são diabéticos.
Epidemia silenciosa

A doença renal crônica é considerada uma epidemia silenciosa. Por não ter sintomas específicos, a insuficiência renal pode ser confundida com outras doenças, ocasionando atraso no seu diagnóstico. Os sinais mais comuns são inchaço, falta de apetite, enjoos, fraqueza, dores no estômago e perda de sono. “A identificação da doença muitas vezes só acontece quando se encontra em estágio avançado, e os rins já estão em fase crítica de funcionamento”, conta o nefrologista.
Diagnóstico e prevenção

É recomendado que os diabéticos, tanto do Tipo 1 e do Tipo 2, façam a pesquisa de microalbuminúria, a qual vai verificar a quantidade albumina (proteína produzida no fígado) eliminada na urina. Quanto maior a quantidade de albumina é eliminada pelo organismo, mais os rins estão afetados.

A Sociedade Brasileira de Nefrologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomendam que toda pessoa com diabetes, entre os 12 a 70 anos de idade, faça a pesquisa pelo menos uma vez por ano.

“O controle da glicose é uma das medidas que o diabético deve gerenciar, evitando assim complicações para outras doenças, como a doença renal crônica, doenças cardiovasculares e a retinopatia diabética”, enfatiza Dr. Marcos A. Vieira.

Cuidados com a pressão arterial, o uso correto de medicamentos alinhados com a prática de hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, controle de peso e o não consumo de álcool e cigarros, podem reduzir o desenvolvimento de outras doenças.

“Nem todos os diabéticos desenvolvem a doença renal. O baixo controle da taxa glicêmica e da pressão arterial, e os fatores genéticos podem favorecer o surgimento da doença. É possível conviver com a diabetes desde que a pessoa se comprometa com o tratamento”, conclui o médico.
Identificando a diabetes

Existem dois tipos de diabetes: 1 e 2. A tipo 1 é uma doença autoimune. Aparece geralmente na infância e adolescência, mas pode ser diagnosticada em adultos também. Já a tipo 2 é quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz, ou não produz insulina suficiente para controlar a taxa de açúcar no sangue. Esse tipo é principalmente causado pela obesidade.

Fatores de risco:

– Idade igual ou superior a 45 anos

– História familiar de Diabetes Mellitus (pais, filhos e irmãos)

– Excesso de peso (IMC igual ou maior a 25Kg/m²)

– Sedentarismo

– Taxa de HDL-c (“bom” colesterol) baixa ou de triglicerídeos elevada

– Hipertensão Arterial

– Diabetes Mellitus gestacional prévio

– Macrossomia ou história de abortos de repetição ou mortalidade perinatal

– Uso de medicamentos hiperglicemiantes: corticosteroides, tiazídicos, betabloqueadores

Fonte: Fundação Pró-Rim



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/11/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 13/11/20
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/11/13/diabetes-e-fator-de-risco-para-insuficiencia-renal/

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Rotina saudável contribui para afastar o risco e a controlar melhor o diabetes




Rotina saudável contribui para afastar o risco e a controlar melhor o diabetes

Por Bruno Mafra
Crônica e silenciosa, o Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pelo aumento da taxa de açúcar – ou melhor: de glicose – no sangue.

Essa elevação pode acontecer devido a problemas no pâncreas ou na ação da insulina, que é um dos hormônios produzido por essa glândula.

O endocrinologista cooperado da Unimed-BH Paulo Augusto Miranda explica que “a função da insulina é fazer com que a glicose entre nas células e possa ser aproveitada a fim de gerar energia para o corpo. A falta dessa insulina ou um defeito em sua ação resulta, portanto, no acúmulo de glicose no sangue, o que chamamos de hiperglicemia”.

A doença pode ser dividida em três tipos: o diabetes tipo 1, de origem autoimune; o tipo 2, que representa cerca de 90% dos casos, associado aos hábitos de vida e à obesidade; e o diabetes gestacional, que atinge mulheres durante a gravidez. Entre as complicações mais graves estão a cegueira, perda da função dos rins, infarto do miocárdio (ataque do coração), acidente vascular cerebral (AVC) e amputação de membros.

Segundo dados de 2019 da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a doença atinge mais de 16,5 milhões de pessoas no Brasil, sendo que metade delas não sabe que são diabéticas. A campanha do Dia Mundial do Diabetes busca reforçar a importância de se fazer o rastreamento da doença e garantir o diagnóstico o mais cedo possível, para que o controle e o tratamento sejam iniciados, a fim de reduzir os riscos de complicações. “Não existe fórmula mágica. Para se evitar o diabetes, a medicina recomenda a adoção de hábitos saudáveis, a prática regular de atividades físicas, alimentação balanceada e, principalmente, manter-se bem informado” Esse é o recado do endocrinologista cooperado da Unimed-BH para o Dia Mundial do Diabetes, celebrado em 14 de novembro.

O diabetes, assim como a obesidade, são fatores de risco associados às formas mais graves da covid-19. “É importante, ainda mais durante a pandemia, que as pessoas procurem reforçar hábitos e práticas saudáveis e mantenham o acompanhamento médico regular, pois sabemos que o controle da diabetes e da obesidade pode fazer a diferença em relação ao agravamento ou não de doenças infecciosas como a covid-19”, destaca o especialista.
CUIDADOS COM OS PÉS

Paulo Miranda reforça que o diabetes mal controlado aliado ao tabagismo, que também contribui para a insuficiência vascular, pode culminar em complicações crônicas, como o “pé diabético”, fator ligado a um alto número de amputações em todo o mundo.

Segundo o endocrinologista, portadores da doença têm maior risco de que problemas nas pernas e, principalmente, nos pés tornem-se mais graves, devido a uma dificuldade na cicatrização de feridas, causada pela diabetes.

O endocrinologista destaca que é importante para o diabético criar o hábito examinar os próprios pés, inclusive entre os dedos e por baixo, na planta ou sola. “Se necessário, use um espelho para auxiliá-lo nesse autoexame. Além disso, lave os pés todos os dias, secando bem, principalmente entre os dedos. Caso perceba calos ou bolhas, tenha muito cuidado, pois são sinais de que algo está agredindo os seus pés.”

Apesar de não ter cura, o diabetes pode – e deve – ser controlado. Paulo Miranda afirma que o foco do tratamento é o bem-estar do paciente. Por isso, vem aumentando as opções tecnológicas e de medicamentos a fim de melhorar a qualidade de vida após o diagnóstico. Porém, ele reforça que apenas o medicamento não é suficiente: “a parte mais importante do tratamento é a adoção de hábitos de vida mais saudáveis, além de seguir as orientações do seu médico. Não raro, as pessoas se afastam do tratamento ao perceber os desafios a serem enfrentados. É preciso estimulá-las a procurar um médico e as campanhas de conscientização, como o Dia Mundial do Diabetes, ajudam a cumprir esse propósito”, finaliza o especialista.

Para ajudar com informações úteis e relevantes, a Unimed-BH oferece uma cartilha digital, com orientações para que diabéticos possam reduzir as chances de complicações mais graves da doença nas pernas e nos pés, tais como a neuropatia diabética (comprometimento dos nervos das pernas) e a insuficiência vascular periférica (falta de circulação nas pernas e pés). O documento, com dicas e recomendações, pode ser acessado em: tinyurl.com/pediabetico-unimedbh



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/11/2020


Autor: Bruno Mafra
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 13/11/20
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/11/13/rotina-saudavel-contribui-para-afastar-o-risco-e-a-controlar-melhor-o-diabetes/

Diabetes é fator de risco para insuficiência renal



Doença está entre o segundo fator de risco para insuficiência renal. O tratamento para a doença renal é feito por sessões de hemodiálise ou transplante do órgão. Sábado (14/11) é comemorado o Dia Mundial do Diabetes para conscientização sobre a doença.

O diabetes atinge 16 milhões de brasileiros segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Fatores como obesidade, envelhecimento populacional e sedentarismo tem contribuído para o aumento no número de casos de diabetes.

No próximo sábado, 14 de novembro, é comemorado o Dia Mundial do Diabetes, uma data para prevenir e conscientizar a população sobre essa doença que causa muitas mortes no mundo. Além da mudança de vida que a doença exige do paciente, complicações podem comprometer outros órgãos, como os rins.

O diabetes, apesar de ser uma doença conhecida de nome pela população, ainda é cercada de mitos e informações desencontradas, principalmente para os portadores dessa patologia. Diferente do que muitos pensam, quem tem o problema pode ter uma vida normal, mas para isso, o acompanhamento médico, a adesão ao tratamento e a prática de hábitos saudáveis são fundamentais, principalmente para evitar outros transtornos.
Insuficiência renal
O diabetes pode trazer danos aos rins, comprometendo a sua capacidade de filtragem.

“Os altos níveis de açúcar fazem com que os rins filtrem muito sangue, sobrecarregando os órgãos e levando a perda de proteínas na urina”, explica o médico nefrologista e presidente da Fundação Pró-Rim, Dr. Marcos A. Vieira.

“Com o tempo e o excesso de resíduos no sangue, a sobrecarga faz com que os rins percam a capacidade de filtragem e venham a falhar. Assim, o paciente diabético vai necessitar de sessões de hemodiálise ou de um transplante renal”, complementa.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), aproximadamente 25% das pessoas com diabetes tipo I e 5 a 10% dos portadores de diabetes tipo II desenvolvem insuficiência nos rins. Cerca de 35% dos pacientes renais crônicos atendidos na Fundação Pró-Rim – referência nacional no tratamento renal – são diabéticos.
Epidemia silenciosa

A doença renal crônica é considerada uma epidemia silenciosa. Por não ter sintomas específicos, a insuficiência renal pode ser confundida com outras doenças, ocasionando atraso no seu diagnóstico. Os sinais mais comuns são inchaço, falta de apetite, enjoos, fraqueza, dores no estômago e perda de sono. “A identificação da doença muitas vezes só acontece quando se encontra em estágio avançado, e os rins já estão em fase crítica de funcionamento”, conta o nefrologista.
Diagnóstico e prevenção

É recomendado que os diabéticos, tanto do Tipo 1 e do Tipo 2, façam a pesquisa de microalbuminúria, a qual vai verificar a quantidade albumina (proteína produzida no fígado) eliminada na urina. Quanto maior a quantidade de albumina é eliminada pelo organismo, mais os rins estão afetados.

A Sociedade Brasileira de Nefrologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomendam que toda pessoa com diabetes, entre os 12 a 70 anos de idade, faça a pesquisa pelo menos uma vez por ano.

“O controle da glicose é uma das medidas que o diabético deve gerenciar, evitando assim complicações para outras doenças, como a doença renal crônica, doenças cardiovasculares e a retinopatia diabética”, enfatiza Dr. Marcos A. Vieira.

Cuidados com a pressão arterial, o uso correto de medicamentos alinhados com a prática de hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, controle de peso e o não consumo de álcool e cigarros, podem reduzir o desenvolvimento de outras doenças.

“Nem todos os diabéticos desenvolvem a doença renal. O baixo controle da taxa glicêmica e da pressão arterial, e os fatores genéticos podem favorecer o surgimento da doença. É possível conviver com a diabetes desde que a pessoa se comprometa com o tratamento”, conclui o médico.
Identificando a diabetes

Existem dois tipos de diabetes: 1 e 2. A tipo 1 é uma doença autoimune. Aparece geralmente na infância e adolescência, mas pode ser diagnosticada em adultos também. Já a tipo 2 é quando o organismo não consegue usar adequadamente a insulina que produz, ou não produz insulina suficiente para controlar a taxa de açúcar no sangue. Esse tipo é principalmente causado pela obesidade.

Fatores de risco:

– Idade igual ou superior a 45 anos

– História familiar de Diabetes Mellitus (pais, filhos e irmãos)

– Excesso de peso (IMC igual ou maior a 25Kg/m²)

– Sedentarismo

– Taxa de HDL-c (“bom” colesterol) baixa ou de triglicerídeos elevada

– Hipertensão Arterial

– Diabetes Mellitus gestacional prévio

– Macrossomia ou história de abortos de repetição ou mortalidade perinatal

– Uso de medicamentos hiperglicemiantes: corticosteroides, tiazídicos, betabloqueadores

Fonte: Fundação Pró-Rim



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/11/2020

Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 13/11/20
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/11/13/diabetes-e-fator-de-risco-para-insuficiencia-renal/

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Diabetes (diabetes mellitus): Sintomas, Causas e Tratamentos

Os medicamentos inovadores para o tratamento da Diabetes - Guia da ...

O que é diabetes?

Diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo.
insulina é um hormônio que tem a função de quebrar as moléculas de glicose(açúcar) transformando-a em energia para manutenção das células do nosso organismo.
O diabetes pode causar o aumento da glicemia e as altas taxas podem levar a complicações no coração, nas artérias, nos olhos, nos rins e nos nervos. Em casos mais graves, o diabetes pode levar à morte.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população nacional.
A melhor forma de prevenir é praticando atividades físicas regularmente, mantendo uma alimentação saudável e evitando consumo de álcool, tabaco e outras drogas.
Comportamentos saudáveis evitam não apenas o diabetes, mas outras doenças crônicas, como o câncer.
A causa do tipo de diabetes ainda é desconhecida e a melhor forma de preveni-la é com práticas de vida saudáveis (alimentação, atividades físicas e evitando álcool, tabaco e outras drogas).

Quais os tipos mais comuns de diabetes?

O diabetes mellitus pode se apresentar de diversas formas e possui diversos tipos diferentes. Independente do tipo de diabetes, com aparecimento de qualquer sintoma é fundamental que o paciente procure com urgência o atendimento médico especializado para dar início ao tratamento.

O que é diabetes tipo 1?

Sabe-se que, via de regra, é uma doença crônica não transmissível, hereditária, que concentra entre 5% e 10% do total de diabéticos no Brasil. Cerca de 90% dos pacientes diabéticos no Brasil têm esse tipo. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças também podem apresentar. 
diabetes tipo 1 aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. Pessoas com parentes próximos que têm ou tiveram a doença devem fazer exames regularmente para acompanhar a glicose no sangue.
O tratamento exige o uso diário de insulina e/ou outros medicamentos para controlar a glicose no sangue.
A causa do diabetes tipo 1 ainda é desconhecida e a melhor forma de preveni-la é com práticas de vida saudáveis (alimentação, atividades físicas e evitando álcool, tabaco e outras drogas).

O que é diabetes tipo 2?

diabetes tipo 2 ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida. A causa do diabetes tipo 2 está diretamente relacionado ao sobrepesosedentarismotriglicerídeos elevadoshipertensão.e hábitos alimentares inadequados.
Por isso, é essencial manter acompanhamento médico para tratar, também, dessas outras doenças, que podem aparecer junto com o diabetes. 
Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA):  Atinge basicamente os adultos e representa um agravamento do diabetes tipo 2. 
Caracteriza-se, basicamente, no desenvolvimento de um processo autoimune do organismo, que começa a atacar as células do pâncreas.  

O que é o pré-diabetes?

Pré-diabetes é quando os níveis de glicose no sangue estão mais altos do que o normal, mas ainda não estão elevados o suficiente para caracterizar um Diabetes Tipo 1 ou Tipo 2. É um sinal de alerta do corpo, que normalmente aparece em obesos, hipertensos e/ou pessoas com alterações nos lipídios. 
Esse alerta do corpo é importante por ser a única etapa do diabetes que ainda pode ser revertida, prevenindo a evolução da doença e o aparecimento de complicações, incluindo o infarto.
No entanto, 50% dos pacientes que têm o diagnóstico de pré-diabetes, mesmo com as devidas orientações médicas, desenvolvem a doença.
A mudança de hábito alimentar e a prática de exercícios são os principais fatores de sucesso para o controle.

O que é diabetes gestacional?

Ocorre temporariamente durante a gravidez. As taxas de açúcar no sangue ficam acima do normal, mas ainda abaixo do valor para ser classificada como diabetes tipo 2. 
Toda gestante deve fazer o exame de diabetes, regularmente, durante o pré-natal. Mulheres com a doença têm maior risco de complicações durante a gravidez e o parto. 
Esse tipo de diabetes afeta entre 2 e 4% de todas as gestantes e implica risco aumentado do desenvolvimento posterior de diabetes para a mãe e o bebê.

Quais os sintomas do diabetes?

Os principais sintomas do diabete são: fome e sede excessiva e vontade de urinar várias vezes ao dia.    
Sintomas do diabetes tipo 1:
  • Fome frequente;
  • Sede constante;
  • Vontade de urinar diversas vezes ao dia;
  • Perda de peso;
  • Fraqueza;
  • Fadiga;
  • Mudanças de humor;
  • Náusea e vômito.

Sintomas do diabetes tipo 2:
  • Fome frequente;
  • Sede constante;
  • Formigamento nos pés e mãos;
  • Vontade de urinar diversas vezes;
  • Infecções frequentes na bexiga, rins, pele e infecções de pele;
  • Feridas que demoram para cicatrizar;
  • Visão embaçada.

Como prevenir o diabetes?

melhor forma de prevenir o diabetes e diversas outras doenças é a prática de hábitos saudáveis 
  • Comer diariamente verduras, legumes e, pelo menos, três porções de frutas.
  • Reduzir o consumo de sal, açúcar e gorduras.
  • Parar de fumar.
  • Praticar exercícios físicos regularmente, (pelo menos 30 minutos todos os dias).
  • Manter o peso controlado. 
O incentivo para uma alimentação saudável e balanceada e a prática de atividades físicas é prioridade do Governo Federal. O Ministério da Saúde adotou internacionalmente metas para frear o crescimento do excesso de peso e obesidade no país.
O País assumiu como compromisso deter o crescimento da obesidade na população adulta até 2019, por meio de políticas intersetoriais de saúde e segurança alimentar e nutricional; reduzir o consumo regular de refrigerante e suco artificial em pelo menos 30% na população adulta, até 2019; e ampliar pelo menos 17,8% o percentual de adultos que consomem frutas e hortaliças regularmente até 2019.
Outra ação para a promoção da alimentação saudável foi a publicação do Guia Alimentar para a População Brasileira. Reconhecida mundialmente pela abordagem integral da promoção à nutrição adequada, a publicação orienta a população com recomendações sobre alimentação saudável e para fazer de alimentos in natura ou minimamente processados a base da alimentação.
O Governo Federal também incentiva a prática de atividades físicas por meio do Programa Academia da Saúde, com aproximadamente 4 mil polos habilitados e 2.012 com obras concluídos.

Quais fatores de risco para desenvolver o diabetes?


Além dos fatores genéticos e a ausência de hábitos saudáveis, existem outros fatores de risco que pode contribuir para o desenvolvimento do diabetes.
  • Diagnóstico de pré-diabetes;
  • Pressão alta;
  • Colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue;
  • Sobrepeso, principalmente se a gordura estiver concentrada em volta da cintura;
  • Pais, irmãos ou parentes próximos com diabetes;
  • Doenças renais crônicas;
  • Mulher que deu à luz criança com mais de 4kg;
  • Diabetes gestacional;
  • Síndrome de ovários policísticos;
  • Diagnóstico de distúrbios psiquiátricos - esquizofrenia, depressão, transtorno bipolar;
  • Apneia do sono;
  • Uso de medicamentos da classe dos glicocorticoides.

Qual o tratamento  para o diabetes do tipo 1?

Os pacientes que apresentam diabetes do Tipo 1 precisam de injeções diárias de insulina para manterem a glicose no sangue em valores considerados normais.
Para essa medição, é aconselhável ter em casa um aparelho, chamado glicosímetro, que será capaz de medir a concentração exata de glicose no sangue durante o dia-a-dia do paciente.
Os médicos recomendam que a insulina deva ser aplicada diretamente na camada de células de gordura, logo abaixo da pele. Os melhores locais para a aplicação de insulina são barriga, coxa, braço, região da cintura e glúteo.
 Além de prescrever injeções de insulina para baixar o açúcar no sangue, alguns médicos solicitam que o paciente inclua, também, medicamentos via oral em seu tratamento, de acordo com a necessidade de cada caso.

Qual o tratamento para o diabetes do tipo 2?

Já para os pacientes que apresentam diabetes Tipo 2, o tratamento consiste em identificar o grau de necessidade de cada pessoa e indicar, conforme cada caso, os seguintes medicamentos/técnicas:
  • Inibidores da alfaglicosidase: impedem a digestão e absorção de carboidratos no intestino;
  • Sulfonilureias: estimulam a produção pancreática de insulina pelas células;
  • Glinidas: agem também estimulando a produção de insulina pelo pâncreas.
Diabetes Tipo 2 normalmente vem acompanhado de outros problemas de saúde, como obesidadesobrepesosedentarismotriglicerídios elevados e hipertensão.
Por isso, é essencial manter acompanhamento médico para tratar, também, dessas outras doenças, que podem aparecer junto com o diabetes. 
Para tratar o diabetes, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece medicamentos de graça. São seis medicamentos financiados pelo Ministério da Saúde e liberados nas farmácias credenciadas.
Além disso, os pacientes portadores da doença são acompanhados pela Atenção Básica e a obtenção do medicamento para o tratamento tem sido fundamental para reduzir os desfechos mais graves da doença.
Desta forma, os doentes têm assegurado gratuitamente o tratamento integral no Sistema Único de Saúde, que fornece à população as insulinas humana NPH – suspensão injetável 1 e insulina humana regular, além de outros três medicamentos que ajudam a controlar o índice de glicose no sangue: Glibenclamida, Metformida e Glicazida.
Em março de 2017, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) incorporou ao SUS duas novas tecnologias para o tratamento do diabetes.
  • A caneta para injeção de insulina, para proporcionar a melhor comodidade na aplicação, facilidade de transporte, armazenamento e manuseio e maior assertividade no ajuste da dosagem;
  • Insulina análoga de ação rápida, que são insulinas semelhantes às insulinas humanas, porém com pequenas alterações nas moléculas, que foram feitas para modificar a maneira como as insulinas agem no organismo humano, especialmente em relação ao tempo para início de ação e duração do efeito. 

Para os que já têm diagnóstico de diabetes, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta gratuitamente, já na atenção básica,  atenção integral e gratuita, desenvolvendo ações de prevenção, detecção, controle e tratamento medicamentoso, inclusive com insulinas.
Para monitoramento do índice glicêmico, também está disponível nas Unidades Básicas de Saúde reagentes e seringas. O programa Aqui Tem Farmácia Popular, parceria do Ministério da Saúde com mais de 34 mil farmácias privadas em todo o país, também distribui medicamentos gratuitos, entre eles o cloridrato de metformina, glibenclamida e insulinas. 

O que é Hipoglicemia?

A hipoglicemia é literalmente nível muito baixo de glicose no sangue e é comum em pessoas com diabetes. Para evitar a hipoglicemia, além das complicações do diabetes, o segredo é manter os níveis de glicose dentro da meta estabelecida pelo profissional da saúde para cada paciente. Essa meta varia de acordo com a idade, condições gerais de saúde e outros fatores de risco, além de situações como a gravidez.
Durante o tratamento, é essencial manter hábitos saudáveis e estilo de vida ativo, além de seguir as orientações medicamentosas recomendadas pelo profissional de saúde para manter a meta de glicose, evitando a hipoglicemia e a hiperglicemia. 

O que pode causar hipoglicemia em pacientes diabéticos

  • Aumentar quantidade de exerícios físicos sem orientação ou sem ajuste correspondente na alimentação/medicação;
  • Pular refeições e os horários de refeições;
  • Comer menos do que o necessário;
  • Exagerar na medicação (essa conduta não traz controle melhor do diabetes, pelo contrário);
  • Ingestação de álcool.  
Em situações extremas, a hipoglicemia pode causar desmaios ou crises convulsivas e necessitam de intervenção médicas imediata. Tenha cuidado com sua saúde e siga à risca as orientaões médicas. Diabetes e hipoglicemia severa podem causar acidentes, lesões, levar ao estado de coma e até à morte.

Sintomas da hipoglicemia:

  • Tremedeira;
  • Nervosismo e ansiedade;
  • Suores e calafrios;
  • Irritabilidade e impaciência;
  • Confusão mental e até delírio;
  • Taquicardia, coração batendo mais rápido que o normal;
  • Tontura ou vertigem;
  • Fome e náusea;
  • Sonolência;
  • Visão embaçada;
  • Sensação de formigamento ou dormência nos lábios e na língua;
  • Dor de cabeça;
  • Fraqueza e fadiga;
  • Raiva ou tristeza;
  • Falta de coordenação motora;
  • Pesadelos, choro durante o sono;
  • Convulsões;
  • Inconsciência.
O chamado ‘fenômeno do alvorecer’ Todas as pessoas passam por essa condição, tenham ou não diabetes. É uma onda de hormônios que o corpo produz entre 4h e 5h da manhã, todos os dias, que provocam uma reação do fígado, com liberação de glicose e preparação do organismo para mais um dia de atividades. O corpo produz menos insulina e mais glucagon (hormônio que aumenta a glicose no sangue), mas as pessoas com diabetes não têm respostas normais de insulina para regular essa onda e a glicemia de jejum pode subir consideravelmente.
Para evitar essa condição, valem as dicas: jantar no início da noite, fazer uma caminhada leve após o jantar, perguntar ao médico sobre medicamentos específicos ou ajuste do tratamento do diabetes, seja insulina ou outros medicamentos.

Complicações do Diabetes

O diabetes, quando não tratado corretamente, pode evoluir para formas mais graves e apresentar diversas complicações tais como:

Neuropatia Diabética

Você sabe o que são nervos periféricos? Eles carregam as informações que saem do cérebro e as que chegam até ele, além de sinais da medula espinhal para o resto do corpo. Os danos a esses nervos, condição chamada de neuropatia periférica, fazem com que esse mecanismo não funciona bem. A neuropatia pode afetar um único nervo, um grupo de nervos ou nervos no corpo inteiro. 
A neuropatia costuma vir acompanhada da diminuição da energia, da mobilidade, da satisfação com a vida e do envolvimento com as atividades sociais.
Tanto as alterações nos vasos sanguíneos quanto as alterações no metabolismo podem causar danos aos nervos periféricos. A glicemia alta reduz a capacidade de eliminar radicais livres e compromete o metabolismo de várias células, principalmente as dos neurônios.
IMPORTANTÍSSIMO: O diabetes é a causa mais comum da neuropatia periférica e merece especial atenção porque a neuropatia é a complicação crônica mais comum e mais incapacitante do diabetes. Ela é responsável por cerca de dois terços das amputações não-traumáticas (que não são causadas por acidentes e fatores externos).

Problemas arteriais e amputações 

Muitas pessoas com diabetes têm a doença arterial periférica, que reduz o fluxo de sangue para os pés. Além disso, pode haver redução de sensibilidade devido aos danos que a falta de controle da glicose causa aos nervos. Essas duas condições fazem com que seja mais fácil sofrer com úlceras e infecções, que podem levar à amputação.
No entanto, a maioria das amputações são evitáveis, com cuidados regulares e calçados adequados. Cuidar bem de seus pés e visitar o seu médico imediatamente, assim que observar alguma alteração, é muito importante. Pergunte sobre sapatos adequados e considere seriamente um plano estratégico, caso seja fumante: pare de fumar imediatamente! O tabagismo tem sério impacto nos pequenos vasos sanguíneos que compõem o sistema circulatório, causando ainda mais diminuição do fluxo de sangue para os pés.

Doença renal

Os rins são uma espécie de filtro, compostos por milhões de vasinhos sanguíneos (capilares), que removem os resíduos do sangue. O diabetes pode trazer danos aos rins, afetando sua capacidade de filtragem. O processo de digestão dos alimentos gera resíduos. Essas substâncias que o corpo não vai utilizar geralmente têm moléculas bem pequenas, que passam pelos capilares e vão compor a urina. As substâncias úteis, por sua vez, a exemplo das proteínas, têm moléculas maiores e continuam circulando no sangue.
O problema é que os altos níveis de açúcar fazem com que os rins filtrem muito sangue, sobrecarregando os órgãos e fazendo com moléculas de proteína acabem sendo perdidas na urina. A presença de pequenas quantidades de proteína na urina é chamada de microalbuminúria. Quando a doença renal é diagnosticada precocemente, durante a microalbuminúria, diversos tratamentos podem evitar o agravamento.
Quando é detectada mais tarde, já na fase da macroalbuminúria, a complicação já é chamada de doença renal terminal. Com o tempo, o estresse da sobrecarga faz com que os rins percam a capacidade de filtragem. Os resíduos começam a acumular-se no sangue e, finalmente, os rins falham. Uma pessoa com doença renal terminal vai precisar de um transplante ou de sessões regulares de hemodiálise.
ATENÇÃO: Nem todas as pessoas que têm diabetes desenvolvem a doença renal. Fatores genéticos, baixo controle da taxa glicêmica e da pressão arterial favorecem o aparecimento da complicação.

Pé Diabético

São feridas que podem ocorrer no pé das pessoas com diabetes e têm difícil cicatrização devido aos níveis elevados de açúcar no sangue e/ou circulação sanguínea deficiente. É uma das complicações mais comuns do diabetes mal controlado. Aproximadamente um quarto dos pacientes com diabetes desenvolver úlceras nos pés e 85% das amputações de membros inferiores ocorre em pacientes com diabetes.

Problemas nos olhos

Se você gerencia bem a taxa de glicemia, é bem provável que apresente problemas oculares de menor gravidade ou nem apresente. Isso porque quem tem diabetes está mais sujeito à cegueira, se não tratá-la corretamente. Fazendo exames regularmente e entendendo como funcionam os olhos, fica mais fácil manter essas complicações sob controle. Uma parte da retina é especializada em diferenciar detalhes finos. Essa pequena área é chamada mácula, que é irrigada por vasos sanguíneos para garantir seu funcionamento. Essas estruturas podem ser alvo de algumas complicações da diabetes.

Glaucoma

Pessoas com diabetes têm 40% mais chance de desenvolver glaucoma, que é a pressão elevada nos olhos. Quando mais tempo convivendo com a doença, maior o risco. Na maioria dos casos, a pressão faz com que o sistema de drenagem do humor aquoso se torne mais lento, causando o acúmulo na câmara anterior. Isso comprime os vasos sanguíneos que transportam sangue para a retina e o nervo óptico e pode causar a perda gradual da visão. Há vários tratamentos para o glaucoma – de medicamentos à cirurgia.

Catarata

Pessoas com diabetes têm 60% mais chance de desenvolver a catarata, que acontece quando a lente clara do olho, o cristalino, fica opaca, bloqueando a luz. Quem tem diabetes costuma desenvolver a catarata mais cedo e a doença progride mais rápido. Para ajudar a lidar com graus leves de catarata, é necessário usar óculos de sol e lentes de controle de brilho nos óculos comuns. Quando a opacidade atrapalha muito a visão, geralmente é realizada uma cirurgia que remove as lentes e implanta novas estruturas. Entretanto, é preciso ter consciência de que, em pessoas com diabetes, a remoção das lentes pode favorecer o desenvolvimento de glaucoma (complicação anterior) e de retinopatia (próxima complicação).

Retinopatia

Retinopatia diabética é um termo genérico que designa todas os problemas de retina causados pelo diabetes.
Há dois tipos mais comuns:
  • o não-proliferativo;
  • o proliferativo.

O tipo não-proliferativo é o mais comum. Os capilares (pequenos vasos sanguíneos) na parte de trás do olho incham e formam bolsas. Há três estágios - leve, moderado e grave – na medida em que mais vasos sanguíneos ficam bloqueados. Em alguns casos, as paredes dos capilares podem perder o controle sobre a passagem de substâncias entre o sangue e a retina e o fluido pode vazar dentro da mácula.
Isso é o que chamamos de edema macular – a visão embaça e pode ser totalmente perdida. Geralmente, a retinopatia não-proliferativa não exige tratamento específico, mas o edema macular sim. Frequentemente o tratamento permite a recuperação da visão.
Depois de alguns anos, a retinopatia pode progredir para um tipo mais sério, o proliferativo. Os vasos sanguíneos ficam totalmente obstruídos e não levam mais oxigênio à retina. Parte dela pode até morrer e novos vasos começam a crescer para tentar resolver o problema. Esses novos vasinhos são frágeis e podem vazar, causando hemorragia vítrea. Os novos capilares podem causar também uma espécie de cicatriz, distorcendo a retina e provocando seu descolamento, ou ainda, glaucoma.
Os fatores de risco da retinopatia são o controle da glicose no sangue, o controle da pressão, o tempo de convivência com o diabetes e a influência genética. A retinopatia não-proliferativa é muito comum, principalmente entre as pessoas com diabetes Tipo 1, mas pode afetar aqueles com Tipo 2 também. Cerca de uma em cada quatro pessoas com diabetes tem o problema em algum momento da vida.
Já a retinopatia proliferativa é pouco comum – afeta cerca de uma em cada 20 pessoas com diabetes.
Quem mantém bom controle da glicemia têm chance muito menor de desenvolver qualquer retinopatia. Nem sempre a retinopatia apresenta sintomas. A retina pode estar seriamente danificada antes que o paciente perceba uma alteração na visão. Por isso, é necessário consultar um oftalmologista anualmente ou a cada dois anos, mesmo que esteja se sentindo bem.

Pele mais sensível

Muitas vezes, a pele dá os primeiros sinais de que você pode estar com diabetes. Ao mesmo tempo, as complicações associadas podem ser facilmente prevenidas. Quem tem diabetes tem mais chance de ter pele seca, coceira e infecções por fungos e/ou bactérias, uma vez que a hiperglicemia favorece a desidratação – a glicose em excesso rouba água do corpo.
Por outro lado, se já havia algum problema dermatológico anterior, pode ser que o diabetes ajude a piorar o quadro. As altas taxas glicêmicas prejudicam também os pequenos vasos sanguíneos responsáveis pelo transporte de nutrientes para a pele e os órgãos.
A pele seca fica suscetível a rachaduras, que evoluem para feridas. Diabéticos têm a cicatrização dificultada (em razão da vascularização deficiente). Trata-se, portanto, de um círculo vicioso, cuja consequência mais severa é a amputação do membro afetado. Além de cuidar da dieta e dos exercícios, portanto, a recomendação é cuidar bem da pele também. Quando controlada, o diabetes pode não apresentar qualquer manifestação cutânea.

Alteração de humor, ansiedade e depressão 

Ao receber o diagnóstico de diabetes, muitas pessoas apresentam várias reações emocionais, como choque, negação, medo, raiva, tristeza e ansiedade. Isso é absolutamente normal. O mental e o emocional podem ser afetados com o diagnóstico de alguma doença crônica, como o diabetes.

Ansiedade

Muitas pessoas com diabetes apresentam distúrbios de ansiedade. A má interpretação de alguns sintomas de hipoglicemia como sendo ansiedade pode prejudicar a rápida correção exigida pelas baixas taxas de glicemia. 
Uma ansiedade em relação a injeções e a visão de sangue também pode complicar a vida de quem precisa tomar diariamente insulina e fazer várias mensurações de glicemia por dia.
O medo de hipoglicemia, uma fonte comum de ansiedade em pessoas com diabetes, pode fazer com que os pacientes mantenham suas taxas glicêmicas acima dos alvos. Pais de crianças com diabetes também costumam apresentar um extremo medo de hipoglicemia.

Depressão 

A depressão ocorre duas vezes mais em portadores de diabetes do que na população em geral. Ocorre em aproximadamente 20% dos portadores de diabetes tanto no tipo 1 quanto no tipo 2, sendo a taxa de depressão maior nas mulheres. A causa da depressão em portadores de diabetes ainda é desconhecida. Provavelmente é o resultado da interação entre fatores psicológicos, físicos e genéticos. A contribuição de cada um desses fatores para a depressão varia de paciente para paciente.
As restrições alimentares, o tratamento, as hospitalizações e o aumento nas despesas podem ser estressantes para o portador de diabetes. Lidar com as complicações quando o diabetes está mal controlado também pode contribuir pra a depressão. Alterações físicas associadas ao diabetes (neuroquímicas e neurovasculares) também podem ser fatores causais. Fatores genéticos não relacionados ao diabetes podem causar depressão em portadores de diabetes. Qualquer que seja a causa, a depressão pode afetar negativamente o controle do diabetes.
A depressão está associada ao pobre controle glicêmico que é a maior causa das complicações do diabetes. Abra-se com seu médico e outros membros da equipe multidisciplinar. Psicoterapia, medicação e uma combinação das duas coisas, dependendo do caso, têm apresentado excelentes resultados para o bem-estar e também para o controle da glicemia. Antidepressivos são bem tolerados e seguros para pessoas com diabetes, desde que ingeridos nos horários e doses recomendados.
É importante lembrar, no entanto, que cada pessoa responde de uma forma ao tratamento; e recuperar-se de uma depressão pode levar tempo. As doses dos medicamentos – que não têm efeito imediato – e o número de sessões de psicoterapia podem precisar de ajustes. É importante que o psicoterapeuta converse com o médico que trata o seu diabetes.

Problemas sexuais

Os problemas sexuais são muito comuns, mas muitas vezes somos influenciados por uma imagem exagerada vendida pela mídia. Hoje, já há uma série de soluções para vários desses problemas, mas é preciso haver um diálogo franco com o médico. A saúde sexual também está diretamente relacionada às complicações do diabetes.
Alguns problemas comuns são: disfunção erétil e problemas de ejaculação
A disfunção sexual do diabetes também pode afetar as mulheres. Altas taxas de glicose, lesões nos nervos, depressão e propensão a infecções genitais são alguns dos fatores que podem afetar a vida sexual da mulher com diabetes.
Algumas complicações são críticas e podem levar à morte. Manter hábitos e estilos de vida saudáveis são a melhor forma de controlar e prevenir a doença.

Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 26/05/2020
Publicação Original: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/diabetes