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terça-feira, 22 de junho de 2021

Nova vacina universal tem como alvo coronavírus para prevenir futuras pandemias


Nova vacina universal tem como alvo coronavírus para prevenir futuras pandemias
Estudo da UNC-Chapel Hill mostra que uma vacina pode ser eficaz contra COVID-19, SARS e outras doenças relacionadas ao coronavírus

Cientistas da Escola Gillings de Saúde Pública Global da Universidade da Carolina do Norte desenvolveram uma vacina universal que protegeu camundongos não apenas contra COVID-19, mas também contra outros coronavírus e acionou o sistema imunológico para combater uma variante perigosa.

Embora ninguém saiba qual vírus pode causar o próximo surto, os coronavírus permanecem uma ameaça após causar o surto de SARS em 2003 e a pandemia global de COVID-19.

Para prevenir uma futura pandemia de coronavírus, os pesquisadores UNC-Chapel Hill desenvolveram a vacina para fornecer proteção contra o atual coronavírus SARS-CoV-2 e um grupo de coronavírus conhecido por fazer o salto de animais para humanos.

As descobertas foram publicadas na revista Science pelos autores principais David Martinez, um pesquisador de pós-doutorado na Escola de Saúde Pública Global da UNC Gillings e Hanna H. Gray Fellow no Howard Hughes Medical Institute, e Ralph Baric , um epidemiologista na UNC Gillings School of Global Public Saúde e professor de imunologia e microbiologia na Escola de Medicina da UNC, cujas pesquisas geraram novas terapias para combater doenças infecciosas emergentes.

Os autores principais trabalharam com uma equipe de cientistas da UNC-Chapel Hill , da Duke University School of Medicine e da University of Pennsylvania Perelman School of Medicine.

Os pesquisadores da UNC-Chapel Hill estão desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento da vacina contra o coronavírus . Depois de testar a eficácia da primeira geração de vacinas COVID-19, eles se concentraram em uma vacina de segunda geração: uma que tem como alvo os sarbecovírus, disse Baric.

Os sarbecovírus, parte da grande família dos coronavírus, são uma prioridade para os virologistas depois que duas doenças devastadoras causaram nas últimas duas décadas: SARS e COVID-19.

A abordagem da equipe começou com mRNA, que é semelhante às vacinas Pfizer e Moderna usadas hoje. Mas, em vez de incluir o código do mRNA para apenas um vírus, eles fundiram o mRNA de vários coronavírus.

Quando administrada a camundongos, a vacina híbrida gerou anticorpos neutralizantes contra várias proteínas de pico – que os vírus usam para se prender a células saudáveis, incluindo uma associada com B.1.351, conhecida como variante sul-africana.

“A vacina tem o potencial de prevenir surtos quando usada quando uma nova variante é detectada”, disse Baric, um pioneiro na preparação para uma pandemia.

O documento inclui dados de camundongos infectados com SARS-CoV e coronavírus relacionados e a vacina preveniu a infecção e danos aos pulmões em camundongos. Testes adicionais podem levar a testes clínicos em humanos no próximo ano.

“Nossas descobertas parecem brilhantes para o futuro porque sugerem que podemos desenvolver mais vacinas universais de pan coronavírus para proteger proativamente contra vírus que sabemos que correm o risco de emergir em humanos”, disse Martinez. “Com essa estratégia, talvez possamos prevenir um SARS-CoV-3.”


Referência:

Chimeric spike mRNA vaccines protect against Sarbecovirus challenge in mice
By David R. Martinez, Alexandra Schäfer, Sarah R. Leist, Gabriela De la Cruz, Ande West, Elena N. Atochina-Vasserman, Lisa C. Lindesmith, Norbert Pardi, Robert Parks, Maggie Barr, Dapeng Li, Boyd Yount, Kevin O. Saunders, Drew Weissman, Barton F. Haynes, Stephanie A. Montgomery, Ralph S. Baric
Science 22 Jun 2021: eabi4506 DOI: 10.1126/science.abi4506



Henrique Cortez, tradução e edição, a partir de informações da University of North Carolina at Chapel Hill

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/06/2021





Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 22/06/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/06/22/nova-vacina-universal-tem-como-alvo-coronavirus-para-prevenir-futuras-pandemias/

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Duas pandemias! Uma sanitária e outra econômica, artigo de Adrimauro Gemaque



Nestes tempos de quarentena são três as palavras que traduzem o sentimento do brasileiro. Medo, preocupação e insegurança, e também os potenciais impactos sociais e econômicos que poderão vir.

Bem, segundo os especialistas o coronavírus vai passar. Muito embora, já se tenha dito por aí que é apenas uma “gripezinha”. Porém, já contabilizamos no Brasil milhares pessoas infectadas e mortas.

Agora, por inanição dos nossos governantes já estou mais preocupado. Afinal, temos um inimigo que não é um vírus mais que vem destruindo as finanças públicas do governo federal, de estados e dos municípios, que é a Dívida Pública.

Em 2014, quando a maior crise econômica se instalou no país a Dívida Pública veio a cena outra vez. Naquele ano faziam-se 14 anos, que estava fora de qualquer agenda depois da CPI da Dívida em 2010. A crise econômica teve como uma de suas maiores consequências a forte recessão, levando a um recuo no produto interno bruto (PIB) por dois anos consecutivos. A economia contraiu-se em cerca de 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016. A Dívida Pública impactou as finanças de vários estados.

Afinal, todos os brasileiros pagam a Dívida Pública. Pagamos essas dívidas com SACRIFÍCIO SOCIAL: privação de serviços públicos essenciais e desemprego.

A história da dívida pública brasileira tem origem ainda no período colonial, no qual, desde os séculos XVI e XVII, alguns governadores da Colônia faziam empréstimos. A exemplo do processo de endividamento em outras partes do mundo, os empréstimos da época confundiam-se com empréstimos pessoais dos governantes. Além disso, no período colonial “tudo era desconhecido: o tamanho da dívida, a finalidade do empréstimo, as condições em que esse era feito etc.” (NETO, 1980).

Em 25 anos, tomando como referência 31 de julho de 1994 a 31 de dezembro de 2019, o PIB cresceu 3.029% e a Dívida Pública em 3.834%. Então, nestes 9.125 dias que equivale aos 25 anos atualizando os valores mês/ano para o presente com base nos dados do Banco Central, do Tesouro Nacional e do INPC (IBGE), chega-se à conclusão que pagamos a bagatela de R$ 38.223 trilhões, sendo R$ 6.264 trilhões de juros e R$ 31.958 trilhões, como amortização e refinanciamento da dívida.

COMPARATIVO DE JUROS E AMORTIZAÇÕES COM O PAGAMENTO DA DÍVIDA

(1994 a 2019)



Fonte: BACEN, STN e IBGE – Elaborado pelo Autor.

Agora em decorrência da pandemia de Covid-19, provocada pelo coronavírus com os efeitos econômicos da recessão iminente, o aumento dos gastos públicos terá de vir por meio da emissão de títulos da dívida pública, que deverá explodir, podendo chegar a 85% do PIB (Correio Brasiliense, 30-03-2020).

A pandemia está escancarando as graves injustiças sociais no Brasil, que jamais foram resolvidas devido ao privilégio na destinação dos recursos para o Sistema da Dívida. Grande parte da população não possui sequer água potável, rede de esgoto ou uma casa para morar, enquanto a saúde pública clama por mais equipamentos de proteção para médicos e enfermeiros, e a assistência social tem de agir com urgência para salvar a vida de pessoas que estão sem trabalho (FATTORELLI, 2020).

Aliás, nestes 25 anos de análise da evolução da Dívida Pública (1994-2019), podemos constar o seu crescimento a cada ano. A exceção de 2006, que registrou o menor percentual no período. Para a Auditoria Cidadã da Dívida, de janeiro a outubro de 2006, os governos federal, estaduais e municipais geraram um superávit primário (isto é, a economia de recursos para o pagamento da dívida, obtida por meio de aumento de arrecadação de tributos e corte de gastos públicos) equivalente a R$ 90,9 bilhões ou 5,32% do PIB, ou seja, tudo que o país produziu durante estes 10 meses. Porém, este superávit não foi suficiente para pagar os juros da dívida, que atingiram 7,89% do PIB no período. Isto significa que, de cada R$ 100 de toda a riqueza produzida pelo país naqueles 10 meses, R$ 7,89 foram destinados para os juros da dívida.

CRESCIMENTO DA DÍVIDA EM PERCENTUAL NO ANO

(1994 a 2019)




Fonte: BACEN, STN e IBGE – Elaborado pelo Autor.

O Relatório Anual de 2018 da Dívida Pública do Tesouro Nacional, aponta que o crescimento do estoque da Dívida Pública Federal foi de 8,9% em relação ao ano anterior. O principal fator explicativo dessa variação foi a apropriação de juros de R$ 342,7 bilhões. A conta de apropriação incluiu o efeito de oscilações cambiais sobre seu estoque.

ESTOQUE DA DÍVIDA PÚBLICA BRASILEIRA EM BILHÕES DE REAIS – DBGG

(1994 a 2019)



Fonte: BACEN, STN e IBGE – Elaborado pelo Autor.

O aumento do Estoque da Dívida Pública Brasileira tem haver principalmente com o serviço da dívida, que nada mais é do que a “rolagem da dívida”, ou seja, a contratação de novo empréstimo para pagar o principal que vence, isso custa além dos juros nominais, com isso mais da metade do orçamento federal vai para a dívida pública. Assim, do ponto de vista prático, a Dívida Pública impõe ao governo – devida observância a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ou seja, a Lei Complementar nº 101/2000. É quando ocorre os cortes no orçamento. Estamos vendo isto agora na prática falta de recursos para saúde com a pandemia do Coronavírus.

O Orçamento Executado do Governo Federal em 2019, mostra de forma clara e didática que o maior e mais privilegiado gasto foi com a Dívida Pública chegou a 38% do foi gasto no ano. Ficando muito acima, dos gastos com a previdência e com a remuneração dos servidores públicos.

Ainda segundo a Auditoria Cidadã da Dívida, isso demonstra que as justificativas oficiais para diversas medidas nefastas, tais como os cortes de investimentos sociais; a Emenda Constitucional 95/2016 (que congelou os investimentos sociais por 20 anos, deixando livres, fora do teto e sem limite algum os gastos com a dívida); a Reforma da Previdência, e, mais recentemente, o chamado “Plano Mais Brasil” e a Reforma Administrativa, não tem sido suficiente para resolver o problema do endividamento público.

ORÇAMENTO FEDERAL EXECUTADO (PAGO) EM 2019 = R$ 2,711 TRILHÕES



Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida – Elaborado pelo Autor.

Como visto somente 4% do Orçamento Executado do Governo Federal em 2019 foram destinados s saúde. Para o pesquisador de economia da saúde e consultor Francisco Funcia do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que analisou os dados do orçamento destinado a saúde chegou à conclusão que, os recursos vêm em “queda livre” desde a implementação da emenda da Emenda Constitucional 95 – do Teto de Gastos. Ainda segundo pesquisador mesmo que a receita da União tenha crescido, em 2019, cerca de 27% em relação a 2016, não houve um crescimento compatível na Saúde. Com a EC 95, os recursos destinados à pasta será sempre aquele valor de 2017 somado à inflação. O estudo que elaborou aponta que em 2017, quando a emenda passou a vigorar, os gastos com os serviços públicos de saúde representavam 15,77% da arrecadação da União, e em 2019, os recursos destinados à área chegaram a 13,54% (Brasil de Fato, 21-02-2020).

PERCENTAGEM APLICADA NA SAÚDE DA RECEITA DA UNIÃO



Fonte: Conselho Nacional de Saúde – Elaboração: Francisco Funcia

Então, se o governo em 2019 tivesse aplicado o mesmo patamar que aplicou em 2017, 15% da receita corrente líquida de cada ano, a Saúde teria um orçamento de cerca de R$ 142,8 bilhões em 2019 – e não R$ 122,6 bilhões aplicados. Ou seja, houve um encolhimento de R$ 20,19 bilhões nos recursos saúde da população. Em resumo foram R$ 20 bilhões perdidos.

Agora, com objetivo de combater as despesas extras com a pandemia do coronavírus, o secretário do Tesouro Nacional já declarou que o governo aumentará o endividamento, vendendo títulos da dívida. Isto é uma espécie de empréstimo feito ao governo. Nas contas do Ministério da Economia, serão necessários gastar R$ 419,2 bilhões como emissão de títulos públicos em 2020 para manter o funcionamento do governo e cobrir as despesas com a pandemia.

Lógico, que a Dívida Pública deve crescer em 2020. O governo ainda não divulgou uma projeção para este ano. Porém, no mercado os analistas estão pessimistas.

Vivemos no Brasil um momento único nesta década que se inicia com duas pandemias: uma sanitária e outra econômica. A sanitária os especialistas da área da saúde afirmam cotidianamente que vai passar. Agora a pandemia econômica que é da Dívida Pública vai continuar conosco por muito tempo.

Será que é mal administrada e com isso afeta o orçamento público? Ela gera uma espécie de estrangulamento nos caixas do União, Estados e Municípios.

Com uma dívida nesse patamar, estamos sacrificando investimentos no Brasil.

Adrimauro Gemaque, Analista do IBGE, graduado em Administração Pública, Formação em Consultoria Empresarial e Articulista, expressa seu ponto de vista em caráter pessoal

Referências:

SILVA, Anderson Caputo. Origem e história da dívida pública no Brasil até 1963. Parte 1, Capítulo 1 (pág. 33).
FATTORELLI, Maria Lucia. Pandemia escancara injustiças nunca resolvidas para privilegiar Sistema da Dívida (2020). https://aspuv.org.br/pandemia-escancara-injusticas-nunca-resolvidas-para-privilegiar-sistema-da-divida/
Dívida Pública Federal Relatório Anual – 2018. Tesouro Nacional. http://www.tesouro.fazenda.gov.br/documents/10180/269444/RAD_2019.pdf/85c6fb46-144a-4c26-88f2-6b15e4098744


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/06/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 04/06/2020
Publicação Original: ecodebate.com.br/2020/06/04/duas-pandemias-uma-sanitaria-e-outra-economica-artigo-de-adrimauro-gemaque/

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

OMS alerta para 13 ameaças emergentes à saúde, incluindo possíveis pandemias


Foto: Ministério da Saúde

Por Eileen Drage O’Reilly, Axios*

Os líderes governamentais precisam implementar uma ” década de mudança ” e investir mais nas principais prioridades e sistemas de saúde para evitar ameaças globais à saúde na próxima década, alertou a Organização Mundial da Saúde na semana passada.

O que há de novo: mudança climática, doenças infecciosas e ameaças de epidemia, desigualdades socioeconômicas e conflitos são alguns dos 13 desafios urgentes que a OMS afirma colocar em risco a saúde global – mas abordá-los está “ao alcance” se as medidas forem tomadas agora.

O que eles estão dizendo: Eric Toner, pesquisador sênior do Centro de Segurança da Saúde Johns Hopkins, diz ao Axios “as ameaças colocadas por surtos quase constantes de doenças infecciosas e a ameaça iminente de outra pandemia são muito reais” e devem envolver tanto os indivíduos quanto os particulares. setor público na preparação de crises.

“Como demonstramos em nosso exercício do Evento 201 em outubro, o mundo está mal preparado para uma pandemia grave. Esse surto global de doenças não apenas causaria doenças e mortes generalizadas, mas também haveria graves conseqüências sociais e econômicas”, Toner acrescenta.


Axios participou do Evento 201 , que envolveu 15 líderes governamentais e empresariais em uma simulação de uma pandemia baseada em um coronavírus falso chamado CAPS. (Na vida real, o coronavírus SARS e MERS causaram devastação, e as autoridades de saúde pública estão atualmente monitorando um coronavírus da China chamado ” 2019-nCoV ” muito de perto.)


No final da simulação do Evento 201, o CAPS matou 65 milhões de pessoas em todo o mundo, enquanto os países discutiam sobre alocação de medicamentos e logística de transporte, entre outras questões. A economia global também foi destruída quando as pessoas se recusaram a ir trabalhar ou viajar, levando ao desligamento das comunicações, saneamento básico e tratamentos de saúde, sem mencionar a devastação de economias inteiras dependentes do turismo.

As 13 ameaças urgentes à saúde desta década, por OMS …


Entender que “a mudança climática é uma crise de saúde” é fundamental para as políticas do governo, escreve a OMS. Além das emergências de saúde decorrentes de eventos climáticos extremos, as mudanças climáticas exacerbam a desnutrição, espalham doenças infecciosas e levam à poluição do ar, que está ligada a aproximadamente 7 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano.


A segurança dos profissionais de saúde precisa ser garantida, pois a violência contra pessoas que tratam pessoas em regiões de conflito aumentou, com 978 ataques e 193 mortes relatadas em 11 países no ano passado.


As desigualdades nos cuidados de saúde causadas pelas divisões socioeconômicas continuam, levando a uma lacuna de 18 anos na expectativa de vida entre países ricos e pobres.


Pouco ou nenhum acesso a medicamentos, vacinas e diagnósticos deve ser tratado, pois isso coloca em risco os pacientes e aumenta a resistência aos medicamentos.


As doenças infecciosas matam cerca de 4 milhões de pessoas em todo o mundo a cada ano, e pedem financiamento de serviços básicos de saúde, erradicação de vetores de doenças e aumento dos programas de vacinação.


A preparação para epidemias e uma possível pandemia que poderia trazer um número devastador de mortes exige que as nações fortaleçam sua infraestrutura e instituições multilaterais focadas na preparação global .


A insegurança alimentar, produtos perigosos como tabaco e dietas pouco saudáveis foram associados a um terço da atual carga global de doenças.


É necessário investir na educação de mais profissionais de saúde, como parteiras e enfermeiras, para lidar com o que se espera ser um déficit de 18 milhões de trabalhadores até 2030.


Os adolescentes devem ser protegidos , pois mais de 1 milhão de crianças de 10 a 19 anos morrem a cada ano, de ferimentos nas estradas, HIV, suicídio, infecções respiratórias inferiores e violência interpessoal.


A confiança do público deve ser restaurada nas instituições de saúde, para combater a desinformação e desenvolver a alfabetização científica.


Questões médicas e implicações éticas de novas tecnologias, incluindo edição de genoma, biologia sintética e uso de inteligência artificial devem ser abordadas.


A ameaça de resistência antimicrobiana, que “ameaça enviar a medicina moderna décadas atrás à era pré-antibiótica, quando mesmo as cirurgias de rotina eram perigosas”, precisa de novos antibióticos e melhores práticas humanas e animais.


Água, saneamento e higiene em todas as unidades de saúde devem ser melhorados.

“O custo de não fazer nada é um que não podemos arcar. Governos, comunidades e agências internacionais devem trabalhar juntos para alcançar esses objetivos críticos”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS, em comunicado .



* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/01/2020




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 23/01/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/01/23/oms-alerta-para-13-ameacas-emergentes-a-saude-incluindo-possiveis-pandemias/

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Projeto busca vírus que possam causar pandemias globais

A revista Science publicou, nesta sexta-feira (23/2), artigo que descreve o Projeto Viroma Global (PVG), iniciativa internacional que propõe uma estratégia absolutamente diversa da que tem sido adotada ao combate dos riscos virais. O objetivo do PVG é identificar e caracterizar os vírus com potencial de risco, gerando conhecimento que possibilite prever as próximas epidemias e mitigar seus danos. O projeto se baseia na estimativa de que há aproximadamente 1,6 milhão de vírus desconhecidos no mundo, entre eles, de 600 a 800 mil deles podem infectar o homem. Os cientistas do PVG querem saber quem são eles e qual caminho podem seguir. Para isso, pretendem caracterizar os patógenos emergentes, identificar práticas e comportamentos que levam a propagação e ampliação da doença e propor conjunto de medidas para caso de emergências.

A proposta, embora audaciosa, está sustentada em evidências robustas coletadas pelo Predict – um projeto piloto, conduzido pela Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAIDS) com foco no fortalecimento de competências e estruturas laboratoriais para detectar e prever pandemias a partir de vírus que são transmitidos da relação entre animais e humanos. Para alcançar seu objetivo, o PVG pretende ampliar e fortalecer laboratórios de virologia existentes e criar uma base de dados de larga escala em ecologia e genética de vírus de alto risco propondo transformar a ciência básica em virologia em uma área de conhecimento baseada em big data.

O Predict, em oito anos, com U$ 170 milhões e mais de 30 países parceiros, conseguiu coletar aproximadamente 250 mil amostras de mais de 90 mil origens e identificou aproximadamente mil novos vírus. Capacitou mais de 4 mil profissionais e tem 50 laboratórios em plena atividade. Os números demonstram o acerto na abordagem OneHealth, que considera a intrínseca relação entre a população, animais e o meio ambiente para o mapeamento de vírus que representam perigo para a saúde.

De fato, 75% dos patógenos emergentes é transmitido por animais. De acordo com o artigo publicado na Science, o PVG estima que a maioria da diversidade viral de nossos reservatórios zoonóticos podem ser descobertos, caracterizados e avaliados em um prazo de dez anos. De acordo com o artigo, a iniciativa dependerá da adoção de tecnologias de ponta para sequenciamento além da colaboração entre virologistas, epidemiologistas e modeladores, novas estratégias para avaliar as relações entre vírus e hospedeiros, e conhecimento nas áreas de biologia evolutiva, modelagem de biodiversidade, veterinária, entre outras.

O Brasil faz parte dessa iniciativa. O coordenador do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias em Saúde (CDTS/Fiocruz), Carlos Morel, é co-autor do artigo da Science e participa da governança do projeto ao lado do diretor da Unidade de Desenvolvimento e Segurança da Saúde Global da Agência Americana para Ajuda Internacional, Dennis Carroll. O Brasil é um hotspot para pesquisas e coleta de amostras dada a alta probabilidade de extrapolação dos vírus de seus reservatórios para o ser humano. Além disso, o país tem cientistas com importantes contribuições para a compreensão e prevenção de doenças emergentes virais, como o especialista em virologia do CDTS Thiago Moreno, que a partir do sequenciamento e análise do comportamento do vírus da zika identificou a trajetória da epidemia e testa medicamentos já aprovados para tratar a doença e evitar que a transmissão do vírus para o feto. O Brasil tem biodiversidade, liderança, ciência e experiência em alianças internacionais.

Os organizadores do PVG estão estabelecendo um desenho de gestão transparente e com participação equitativa de cada país envolvido. Questões éticas, sociais, legais pautam as atividades científicas. Na prática, isso representa um esforço para construir protocolos de acesso a biodiversidade e patrimônio genético em conformidade com Protocolo de Nagoya e as regras dos países envolvidos, acordos para o compartilhamento de amostras, dados e potenciais benefícios na hipótese de desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços, além de políticas de proteção da propriedade intelectual e compliance que estabelecem, de antemão, os valores e princípios que os parceiros devem observar, garantindo a proteção das populações e o meio ambiente e a primazia do interesse público e o bem comum. A estratégia de vigilância orientada e baseada no risco, voltada para a detecção de vírus no seu ambiente natural pode conduzir a intervenções eficientes antes do contágio de pessoas ou animais alimentares.

O custo da empreitada foi avaliado em US$ 1,2 bilhão, para aumentar a capacidade de identificação de patógenos, fortalecer capacidades e laboratórios existentes, colher dados e gerar conhecimento. Entre os benefícios, mais conhecimento pode oferecer respostas mais eficientes e rápidas aos surtos, nortear o desenvolvimento e aprimoramento de diagnósticos, medicamentos e vacinas. Entendendo como o vírus se comporta, é possível, inclusive, evitar que se espalhe e criar consciência global e regional e informar políticas para evitar ou mitigar a disseminação dos vírus.

Para fins de comparação, um recente estudo na área da economia da saúde avaliou que o Brasil gastou R$ 2,3 bilhões com dengue, chikungunya e zika, apenas em 2016. Considerado conservador pelos próprios autores, o estudo calculou custos diretos, como atendimento e medicamentos e ausência no trabalho, e indiretos, como o combate ao mosquito vetor, mas excluiu, por exemplo, despesas com tratamento da microcefalia e anos de vida perdidos. Pode-se dizer que o Brasil pagou o preço alto pela inação.

O Boletim Epidemiológico 3/2018 do Ministério da Saúde divulgou que mais de 3 mil crianças nasceram com malformação em virtude do vírus zika entre os anos de 2015 e 2017. Por malformação compreende-se microcefalia, comprometimento do sistema nervoso central, epilepsia, deficiências auditivas e visuais, dificuldade de desenvolvimento psicomotor, além de prejuízos nos ossos e articulações. Entre mais de 15 mil notificações de suspeitas de zika, 507 crianças morreram, desconsiderando abortos e natimortos.

Esse número ganha corpo com a história de Henrique, de 2 anos. Diagnosticado com microcefalia causada pela zika, tem dificuldades de se manter de pé, sentar ou sustentar a cabeça. Pouco fala e mal enxerga. As atividades de fisioterapia, fonoaudiologia, estimulação visual e terapia ocupacional que o menino faz desde o nascimento não têm promovido melhoras expressivas e a mãe de Henrique, apesar da esperança, pouco sabe sobre seu futuro.

Cientistas vêm descobrindo e descrevendo os efeitos das epidemias virais na medida em que seus danos ocorrem. Do mesmo modo que autoridades administrativas na área da saúde tomam decisões no auge dessas emergências. A fragilidade das ações em saúde pública que reagem a propagação de vírus novos e reemergentes não é exclusividade do Brasil. Agora mesmo, assistimos os EUA definindo como lidar com o H3N2, um tipo de influenza A, no meio da crise.

Há muito ainda para ser desenvolvido em termos de tecnologias para diagnósticos e tratamentos. Medicamentos e vacinas levam de 10 a 20 para seu desenvolvimento completo. É um processo longo, complexo, custoso e de alto risco. Por outro lado, aproximadamente três novas doenças virais surgem a cada ano. De acordo com o Ministério da Saúde, em apenas dois anos o número de mortos pelo chikungunya subiu de 14 (2015) para 173 pessoas (2017).

As tecnologias disponíveis não dão conta dos efeitos causados pelas doenças virais emergentes, seja porque pensadas para um grupo limitado de pacientes ou por falta de capacidade de produção e distribuição que garanta o acesso imediato de alto volume de tratamento ou vacinas. O vírus H1N1, por exemplo, foi detectado em 2009 e infectou quase 2 bilhões de pessoas em 73 países. Nesse mesmo prazo, como resposta sanitária, apenas 17% da população global foi imunizada.

Pensar em política públicas de saúde e desenvolver medidas de reparação após a dispersão do vírus expõe a população a danos trágicos, como os de Henrique. Estudos recentes estimam que o mundo conhece apenas 1% dos vírus que podem causar doenças. Mudanças demográficas e ambientais, além do mercado global e trânsito internacional de pessoas, contribuem para o aumento e propagação de vírus novos e reemergentes, como HIV, ebola, Mers, síndrome respiratória aguda grave (SARS), dengue, chikungunya, zika etc.

Detecção precoce é elemento imprescindível para combater as doenças virais emergentes. Nossa capacidade de lidar com as próximas epidemias está limitada pelo desconhecimento sobre essas ameaças. O PVG pretende abastecer a comunidade global com informações necessárias para detectar, prevenir e agir de maneira proativa às epidemias emergentes, mitigando o risco de futuras epidemias reduzindo o impacto das doenças como a zika, que afetou Henrique e sua família. Se o objetivo for alcançado, o preço é insignificante.

Autor: Renata Curl Hauegen
Fonte: CDTS/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 23/02/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/projeto-busca-virus-que-possam-causar-pandemias-globais