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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Invasão nociva do trabalho na vida pessoal afeta saúde do professor


Depoimentos revelaram diversas fontes de sofrimento na vida e no trabalho dos professores, mas também numerosas estratégias de enfrentamento e experiências positivas – Foto: Pixabay-CC

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Na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, pesquisa investiga a repercussão do trabalho dos professores sobre sua vida cotidiana e as consequências nos processos de saúde e doença. A análise revela que os professores percebem uma invasão nociva do trabalho na própria vida pessoal, na forma de um vínculo contínuo com a profissão ou com algum abalo sofrido em sala de aula, como a perda de autoridade. Esses vínculos levam a um estado de sofrimento e indisponibilidade prolongada que prejudica a convivência familiar e social, além da própria recuperação para o trabalho, podendo causar adoecimento.

O estudo, descrito na tese de doutorado Quando o trabalho invade a vida: um estudo sobre a relação trabalho, vida pessoal cotidiana e saúde de professores do ensino regular e integral de São Paulo, é de autoria do cientista social Jefferson Peixoto da Silva, sob orientação da professora Frida Marina Fischer, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP. Segundo o pesquisador, a revolução tecnológica e as mudanças no mundo do trabalho têm levado cada vez mais trabalhadores a realizarem parte das suas atividades em contextos que vão além dos seus domínios laborais tradicionais, chamando a atenção para os possíveis efeitos desta dinâmica sobre a saúde.

Jefferson observou que diversos estudos apontam para um cenário de precarização e recorrentes casos de adoecimento entre os professores, mas o modo como o trabalho repercute sobre sua vida pessoal cotidiana não tem recebido significativa atenção enquanto fator potencialmente patogênico. Isso acontece mesmo considerando que levar trabalho para casa seja algo comum entre eles e que isso se reflita de alguma forma na complexa relação entre trabalho e vida pessoal cotidiana.


Foto: Daniel Guimarães/SEE SP
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Revisão e entrevistas

Para realizar sua pesquisa, o cientista social fez uma ampla revisão da literatura científica existente sobre o tema, além de entrevistar 29 professores de educação básica atuantes em quatro escolas públicas, além dos quatro diretores dessas referidas escolas. Duas delas se dedicavam ao ensino regular (uma municipal e outra estadual), enquanto as outras duas, ao ensino integral (ambas estaduais). A idade dos participantes variou entre 29 e 61 anos e o tempo de experiência na docência entre um e 37 anos, sendo o público predominantemente do sexo feminino. Esse material foi analisado sob a perspectiva das teorias da Saúde do Trabalhador e psicodinâmica do trabalho, recorrendo também a pressupostos da clínica da atividade, da ergonomia da atividade e da antropologia da saúde.

A revisão de literatura revelou um conjunto de 155 estudos sobre trabalho e saúde dos professores publicados nos últimos 20 anos, com aumento dessas obras nos últimos dez anos. A análise configurou o seguinte perfil: transtornos e problemas de saúde típicos; condições de trabalho e saúde; qualidade de vida; trabalho, carreira e fundamentos da ação docente. A codificação das entrevistas, por sua vez, conduziu a cinco categorias temáticas: tipologias da vida cotidiana; prazer e sofrimento no trabalho; estratégias de conciliação entre vida, trabalho e saúde; percepção, concepção e experiências de saúde e doença relatadas; invasão multiforme da vida pelo trabalho.

Os depoimentos revelaram diversas fontes de sofrimento na vida e no trabalho dos professores. Ao mesmo tempo, também mostram numerosos casos e experiências de presenteísmo (frequência do profissional no trabalho), bem como o emprego de estratégias visando a conciliar tais dimensões com a manutenção da saúde.
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Vida invadida

Após essa análise do material coletado, o pesquisador detectou como resultado principal o fato de que a maioria dos entrevistados demonstrou que sente sua vida ser invadida pelo trabalho de modo nocivo e que essa invasão não acontece de forma única e linear. Basicamente, ela se manifesta por meio de um estado de vinculação contínua com o trabalho (ou com algum abalo sofrido durante sua realização) – do qual o indivíduo não consegue se desligar, por mais que ele tente. Isso gera um estado de sofrimento e indisponibilidade prolongada para si e para o outro que prejudica a convivência familiar e social, além da própria recuperação para o trabalho.

Com base nestes resultados, o pesquisador concluiu que as agressões à saúde vivenciadas pelos professores no trabalho têm se projetado sobre a sua própria vida pessoal e se combinado a fatores de agressão advindos do contexto social. Neste, o desprestígio dos professores é crescente e retorna à escola na forma de perda de autoridade e até rejeição, produzindo frustrações repetitivas que contribuem para instituir um cenário de sofrimento social que se associa à invasão da vida pelo trabalho. Dado o sofrimento de amplitude social e de tipo patogênico que essa invasão multiforme produz, tal fenômeno pode ser considerado como mais um dos elementos que podem ajudar a explicar os recorrentes quadros de adoecimento desses profissionais.




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 19/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-humanas/invasao-nociva-do-trabalho-na-vida-pessoal-afeta-saude-do-professor/

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp abre inscrição para professor substituto



São duas vagas, para Biologia Molecular e Hematologia. Interessados devem se inscrever até 10 de janeiro (foto: Unesp)

A Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp de Araraquara abriu chamada para duas vagas de professor substituto, em caráter emergencial, para as disciplinas de Biologia Molecular e Hematologia. Os contratados trabalharão no período relativo ao ano letivo de 2018, pelo prazo máximo de 10 meses.

O salário de professor substituto para Biologia Molecular é de R$ 1.795,81, em 12 horas semanais. Poderão se inscrever graduados em curso de nível superior em Farmácia-Bioquímica, Ciências Biológicas, Biotecnologia e áreas afins, que tenham, no mínimo, título de doutor. A qualificação necessária à inscrição para o concurso será demonstrada por estudos, em nível de graduação.

Já o professor substituto da disciplina Hematologia Clínica / Hematologia aplicada à Farmácia receberá salário de R$ 1.283,91, em regime de 12 horas semanais. Poderão se inscrever graduados em curso de nível superior em Ciências Biomédicas, Ciências Biológicas, Ciências Farmacêuticas ou Medicina, com especialização ou aprimoramento profissional em Análises Clínicas e Hemoterapia, que tenham, no mínimo, título de mestre em Ciências Farmacêuticas ou equivalente.

As inscrições serão recebidas, em dias úteis, de 8 a 10 de janeiro de 2018, na Seção Técnica de Comunicações do Prédio da Administração da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, localizada na rodovia Araraquara-Jaú, km 1, Araraquara (SP). A taxa de inscrição é de R$ 93.

O processo seletivo terá duas etapas: análise curricular e prova didática. A primeira consistirá na análise das atividades de formação/qualificação, experiência profissional, produção científica e outras atividades. A prova didática será uma aula teórica em nível de graduação, com duração de 40 a 60 minutos.

O resultado do concurso público será homologado pela Congregação da Unidade Universitária e será publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo.

Mais informações sobre as inscrições e o processo seletivo estão em https://goo.gl/Z6yWkM (Biologia Molecular) e https://goo.gl/n3vVHV (Hematologia).




Autor: Agência FAPESP
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: 05/01/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/faculdade_de_ciencias_farmaceuticas_da_unesp_abre_inscricao_para_professor_substituto/26950/