Mostrando postagens com marcador sustentável. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sustentável. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Construção Sustentável, artigo de Roberto Naime


Foto: EBC
Construção Sustentável

O setor da construção civil tem papel fundamental para a realização dos objetivos de desenvolvimento sustentável. O Conselho Internacional da Construção (CIB) aponta a indústria da construção como o setor de atividades humanas que mais consome recursos naturais e utiliza energia de forma intensiva, o que gera consideráveis impactos ambientais.

Existem também os impactos associados à geração de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. É estimado que mais de 50% dos resíduos sólidos gerados pelo conjunto das atividades humanas sejam provenientes das atividades vinculadas com a construção civil. Estes aspectos ambientais, adicionados com a qualidade de vida que o ambiente construído proporciona, sintetizam as relações entre construção e meio ambiente.

Para buscar minimizar os impactos ambientais provocados pela construção, se estabelece o paradigma da construção sustentável. Nas recomendações para a Construção Sustentável em Países em Desenvolvimento, ocorre conceituação de que a construção sustentável é “um processo holístico que busca a restauração e manutenção da harmonia entre os ambientes naturais e construídos, e a criação de assentamentos que afirmem a dignidade humana e encorajem a equidade econômica”.

No contexto do desenvolvimento sustentável, este conceito transcende a sustentabilidade ambiental, para envolver a sustentabilidade econômica e social, que enfatiza e evidencia o incremento de valor para a qualidade de vida dos indivíduos e das comunidades.

Os desafios para o setor da construção são diversos. Consistem na redução e otimização da utilização de materiais e energia, e na redução dos resíduos gerados, na preservação do ambiente natural e na melhoria da qualidade do ambiente construído.

Para isto é necessária a mudança dos conceitos da arquitetura convencional na direção de projetos flexíveis, com possibilidade de readequação para futuras mudanças de uso e atendimento de novas necessidades, reduzindo as demolições. Também a busca de soluções que ampliem o uso racional de energia ou de energias renováveis;

E a realização de uma gestão ecológica da água e a redução do uso de materiais com alto impacto ambiental, com a redução na geração de resíduos de toda natureza na construção civil.

As tendências atuais em relação ao tema da construção sustentável caminham em duas direções. De um lado, centros de pesquisa em tecnologias alternativas pregam o resgate de materiais e tecnologias primitivas, com o uso da terra crua, da palha, da pedra, do bambu, entre outros materiais naturais e pouco processados a serem organizados em ecovilas e comunidades alternativas.

De outro lado, ocorre evidenciação de “empreendimentos verdes”, com as certificações, tanto no âmbito da edificação quanto no âmbito do urbano. Mas ainda muitos edifícios rotulados como verdes refletem apenas esforços para reduzir a energia incorporada e são, em muitos outros aspectos convencionais, tanto na aparência quanto nos processos construtivos.

Certificações em países pobres, sempre são contraditórias e provocam reflexões. Até que ponto fazem sentido para países como o Brasil, que ainda não resolveram seus problemas mais básicos como pobreza e desigualdade social.

Os governos municipais possuem grande potencial de atuação na temática das construções sustentáveis. As prefeituras podem induzir e fomentar boas práticas por meio da legislação urbanística e código de edificações, incentivos tributários e convênios com as concessionárias dos serviços públicos de água, esgotos e energia.

Para a implantação urbana, é recomendável a adaptação à geomorfologia local, com redução da movimentação de terra, preservação de espécies nativas, previsão de ruas e caminhos que privilegiem o pedestre e o ciclista e contemplem a acessibilidade universal, previsão de espaços de uso comum para integração da comunidade e usos do solo diversificados, minimizando os deslocamentos.

Na dimensão das edificações, é essencial a adequação do projeto ao clima do local, minimizando o consumo de energia e otimizando as condições de ventilação, iluminação e aquecimento naturais, e a previsão de requisitos de acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, e a atenção para a orientação solar adequada e a utilização de coberturas verdes.

Quando da escolha dos materiais de construção deve ser privilegiada a utilização de materiais disponíveis no local, que sejam pouco processados, não tóxicos, potencialmente recicláveis e culturalmente aceitos. Devem ser materiais propícios para a autoconstrução e para a construção em regime de mutirões.

Além disso, devem se evitar sempre o uso de materiais químicos prejudiciais à saúde humana ou ao meio ambiente, como amianto, formaldeído, policloreto de vinila (PVC), tratamento de madeira com substâncias tóxica. Quanto aos resíduos da construção civil, deve ser estimulada sua redução e disposição adequada, com promoção de reciclagem.

É recomendável usar energia eólica para bombeamento de água e de energia solar fotovoltaica, com possibilidade de se injetar o excedente na rede pública. Sobre águas, deve ser incentivada a coleta e utilização de águas pluviais, a utilização de dispositivos economizadores de água, o reuso de águas e o tratamento adequado de esgoto no local.

Nas áreas externas, é recomendável a valorização dos elementos naturais no tratamento paisagístico e o uso de espécies nativas. Também a destinação de espaços para produção de alimentos e compostagem de resíduos orgânicos e o uso de pavimentação permeável, para favorecer a infiltração.

A civilização vai acabar determinando nova autopoiese sistêmica, que contemple a solução dos maiores problemas e contradições exibidas pelo atual arranjo de equilíbrio. Que é um sistema instável, muito frágil e vulnerável em todos os sentidos e vai impor uma metamorfose efetiva.


Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Aposentado do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/07/2019




Autor: Roberto Naime
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 25/07/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/07/25/construcao-sustentavel-artigo-de-roberto-naime/

terça-feira, 18 de junho de 2019

Projetos em conservação e manejo sustentável da biodiversidade serão apoiados

A FAPESP, por meio de seu Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-FAPESP), anuncia o lançamento de nova chamada de propostas, inserida no âmbito do convênio firmado com a Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SIMA) e a Fundação para a Conservação e a Produção Florestal do Estado de São Paulo (FF).

O objetivo dessa chamada é selecionar e apoiar projetos de pesquisa inovadores para promoção da conservação, da restauração e do uso sustentável da biodiversidade com foco na gestão de Unidades de Conservação (UCs) do Estado de São Paulo, visando a implantação das Metas de Aichi (Plano Estratégico 2011-2020 da CDB – Convenção da Diversidade Biológica).

As propostas deverão abordar de um (mínimo) a três (máximo) dos dez temas que sumarizam os objetivos subjacentes à cooperação entre FAPESP, SIMA e FF e que balizarão o apoio a ações futuras para o manejo e conservação das UCs.

A chamada é aberta a pesquisadores de Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa, públicas ou privadas, no estado de São Paulo. As propostas devem ser enviadas exclusivamente pelo Sistema SAGe (www.fapesp.br/sage) até 3 de setembro, e serão apoiadas de acordo com as normas da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

A avaliação das propostas ocorre em dois âmbitos – por um lado, a FAPESP fará uma análise colegiada com base nos critérios específicos da modalidade de apoio; por outro, um Comitê Gestor do Convênio realizará um exame quanto à aderência aos termos e temas da Chamada.

A chamada está disponível em: www.fapesp.br/12910.




Chamada em parceria com a SIMA e a Fundação Florestal vai selecionar projetos que inovem na gestão das Unidades de Conservação do Estado de São Paulo com base nas Metas de Aichi (foto: Serra do Mar/ Matheus Faria, Wikimedia Commons)




Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 18/06/2019
Publicação Original: http://www.fapesp.br/12922

sábado, 18 de maio de 2019

Reunião Magna da ABC discute Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU



Luiz Davidovich (à esq.), presidente da Academia Brasileira de Ciências, e Edson Watanabe, diretor do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Coppe/UFRJ (Foto: Manuella Caputo).

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) realiza esta semana a edição anual de sua Reunião Magna no auditório do Museu do Amanhã, na Zona Portuária do Rio. O foco deste ano é a participação da ciência e cientistas no cumprimento dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Na abertura, na terça-feira, dia 14 de maio, o coordenador do evento e diretor do Instituto de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Edson Watanabe, fez uma rápida fala e exaltou a escolha do tema. “Todos os objetivos são todos extremamente importantes e não é possível escolher um ou outro. Espero que em um futuro próximo tenhamos um Brasil mais próximo de um mundo sustentável. E nós estamos bem longe disso”. A reunião termina nesta quinta-feira, dia 16 de maio.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, lembrou que ABC segue o exemplo de outras academias. “Escolhemos esse tema porque ele está sendo considerado por academias de ciência por todo mundo. E é extremamente relevante para o Brasil porque toca em questões que afeta a qualidade de vida dos brasileiros. Questões relativas à saúde, ao saneamento, à possibilidade ter água potável, a redução da desigualdade, a erradicação da pobreza, a segurança alimentar. Acho que isso confirma também a ABC como um centro de pensamento sobre o País, apartidário, mas que coloca a ciência em primeiro lugar, a serviço do Brasil e do seu povo”, disse o físico, professor titular do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Watanabe e Davidovich têm, ambos, apoio da FAPERJ por meio do programa de fomento à pesquisa “Cientista do Nosso Estado”.

A primeira manhã do evento reuniu convidados para discutir de forma transversal os objetivos listados pela ONU, em especial sobre a redução da desigualdade, qualidade na educação, trabalho decente e crescimento econômico. Flávia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), abriu os trabalhos com uma palestra sobre a divisão social do trabalho e gênero. "Essa não é uma discussão minoritária. É sobre como a sociedade se organiza. E não basta, apenas, os casais dividirem melhor suas tarefas dentro de casa. É preciso criar políticas públicas para não prejudicar aqueles, em sua maioria mulheres, que se dedicam ao trabalho de cuidado de crianças e idosos", disse Flávia.

Em seguida, o pesquisador do Centro de Informaciones y Estudios del Uruguay (Ciesu) Fernando Filgueira explorou o argumento de que a globalização atual não permite que os países façam uma distribuição adequada de renda internamente e advogou por políticas globais de cidadania para diminuir a barreira para migrações e por mecanismos de decisão política que sejam independentes da boa vontade de um ou outro país. Para encerrar a primeira plenária, Ricardo Paes de Barros, professor do Instituto Ayrton Senna e do Insper, relacionou crescimento da produtividade e redução da desigualdade como a melhor forma de cumprir os objetivos propostos pela ONU. “Se você tiver um crescimento focado no pobre, você vai afetar todos os ODS de uma maneira muito mais forte. Nesse sentido, a pobreza é um acelerador de todos os ODS. Um crescimento econômico que vem junto com 5% de redução da desigualdade, tem um impacto na pobreza igual a um crescimento duas vezes maior", disse.

A primeira Conferência Magna foi proferida pelo embaixador de Portugal na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e ex-reitor da Universidade de Lisboa, Antonio Nóvoa. O especialista em História e Políticas Públicas de Educação falou da necessidade de articular uma linguagem comum, para além das especificidades das culturas e identidades, responsável por realizar as transformações necessárias dentro dos objetivos colocados pela ONU. Nóvoa também refletiu sobre a necessidade de democracia para se fazer ciência. "A ciência não é democrática. Uma descoberta científica geralmente vai contra o censo comum, contra o pensamento da maioria. Mas sem democracia, não podemos produzir ciência. E ainda que as descobertas sejam fruto do acaso, como disse Louis Pasteur, o acaso favorece as mentes preparadas. Felizmente a maçã caiu na cabeça de Newton e não na minha", brincou o palestrante no final de sua fala e foi efusivamente aplaudido. Durante o evento, também será celebrado a posse de 21 novos membros da academia, quatro deles vinculados a instituições do Rio de Janeiro. São eles: Eduardo Batalha Viveiros de Castro (Museu Nacional/UFRJ), Armando Martins Leite da Silva (Engenharia Elétrica/PUC-Rio), Marcelo Torres Bozza (Microbiologia/UFRJ) e Roberto Kant de Lima (Antropologia/UFF). Os dois últimos recebem apoio da FAPERJ por meio do programa Cientistas do Nosso Estado, da FAPERJ.




Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 16/05/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3757.2.5

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Água para o desenvolvimento sustentável, artigo de Cleverson V. Andreoli




Um recente relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), denominado “Perspectivas do Meio Ambiente Mundial”, apresenta um quadro sombrio sobre as consequências para a sociedade, da degradação da qualidade ambiental planetária. Com relação a água, o relatório mostra que uma em cada três pessoas no mundo, cerca de 2,3 bilhões de habitantes, não tem acesso ao saneamento. Além disso, aponta que, desde o ano de 1990, está sendo observada uma significativa piora da qualidade da água em todo o planeta.

Para facilitar a compreensão da sociedade, geralmente os problemas ambientais têm uma abordagem setorial, contudo há uma relação indissociável entre eles. As alterações na atmosfera, por exemplo, têm uma relação direta com os problemas hídricos, pois ampliam os extremos climáticos. Chuvas mais intensas amplificam os problemas de erosão e ao mesmo tempo geram inundações catastróficas. A proteção de matas ciliares integra a preservação da biodiversidade com a manutenção da qualidade de água.

A qualidade da água depende de como os demais compartimentos ambientais de uma bacia hidrográfica são manejados. Os problemas de segurança hídrica, relacionados com a disponibilidade de água e das cheias, têm causas globais, como as alterações climáticas, e causas locais, como a urbanização em áreas inundáveis e impermeabilização do solo. Consequentemente, o seu gerenciamento necessita ser integrado considerando os diversos fatores para que os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (OSDs) sejam efetivamente alcançados.

A gestão de recursos hídricos exige uma nova governança que garanta a eficácia da aplicação de políticas que orientem a sustentabilidade dos processos. A gestão preventiva dos problemas ambientais é muito mais adequada, além de ser mais barata. As medidas mais importantes são aquelas que incorporam a consideração dos impactos ambientais nas decisões econômicas, em direção a uma economia circular, que maximize a otimização dos usos dos recursos e a reciclagem, equilibrando as dimensões ambientais, sociais e econômicas de novos projetos. Esses mecanismos devem ser capazes de inserir nos processos de tomada de decisão o conceito de que o meio ambiente saudável é a base principal da prosperidade econômica e do bem-estar social.

Independentemente de políticas globais, as empresas e as pessoas devem adotar medidas para aumentar a eficiência do uso dos recursos hídricos, para a reciclagem da água (aproveitamento do esgoto tratado), para a utilização de águas pluviais e para a adoção de tecnologias mais avançadas para a melhoria desse bem planetário tão importante. Além disso, os grandes empresários não podem esquecer que o aumento da eficiência no uso da água aumenta a competitividade das empresas e, principalmente, traz muitos benefícios para a sociedade.

*Cleverson V. Andreoli é professor do Mestrado Profissional em Governança e Sustentabilidade do ISAE Escola de Negócios (www.isaebrasil.com.br)



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/05/2019




Autor: Cleverson V. Andreoli
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 16/05/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/05/16/agua-para-o-desenvolvimento-sustentavel-artigo-de-cleverson-v-andreoli-2/

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Modelo de desenvolvimento mais sustentável geraria novas oportunidades de emprego, avaliam CEPAL e OIT

A região da América Latina e do Caribe tem a maior biodiversidade do mundo, mas está perdendo suas riquezas naturais com a deterioração ambiental provocada pelo atual modelo de desenvolvimento

ONU


Na América Latina e no Caribe, pelo menos 1 milhão de empregos serão gerados como resultado do uso de energias renováveis, segundo a OIT. Foto: Banco Mundial/Dana Smillie



A região da América Latina e do Caribe tem a maior biodiversidade do mundo, mas está perdendo suas riquezas naturais com a deterioração ambiental provocada pelo atual modelo de desenvolvimento, o que cria urgência de transição para um modelo mais sustentável, tanto do ponto de vista ambiental, quanto trabalhista.

Tal transição permitiria acesso a novas oportunidades e melhorias no emprego, destacaram a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em nova publicação conjunta.

Na 19ª edição da “Conjuntura Trabalhista na América Latina e no Caribe“, CEPAL e OIT abordam as formas com as quais a necessária sustentabilidade ambiental, em especial a descarbonização do setor energético e a economia circular, pode afetar o mundo do emprego e os desafios que esta situação apresenta.

Os organismos internacionais projetam, por exemplo, que a transição para sustentabilidade energética criaria mais de 1 milhão de empregos na América Latina e no Caribe até 2030.

Da mesma forma, a evolução para uma economia circular – na qual se melhora a eficiência e a vida útil dos materiais ao promover a durabilidade e a capacidade de reparos, reutilização e reciclagem – geraria 4,8 milhões de empregos até 2030, já que a criação de empregos nos setores de reprocessamento de aço, alumínio, madeira e outros materiais compensaria amplamente as perdas associadas à extração de minérios e outras matérias-primas.

No entanto, as transições ambientais também geram desafios para o mundo trabalhista e necessidades de desenvolvimento de outras competências adequadas à mão de obra, alertam a CEPAL e a OIT.

“Para fazer uma transição com capacidade de criar empregos decentes e que seja justa para todos, é essencial a complementaridade das políticas. As políticas que apontam à sustentabilidade ambiental devem ser acompanhadas de marcos jurídicos integrados e de políticas de proteção social, de desenvolvimento de competências e de igualdade de gênero, que promovam o diálogo social”, destacam Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, e José Manuel Salazar, diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, no prólogo do documento.

Ao longo do documento é explicado que, para impulsionar uma transição ambiental que otimize a criação de emprego e de trabalhos decentes, existem algumas normas, marcos jurídicos e políticas, tanto no nível internacional quanto nacional.

Algumas convenções internacionais do trabalho fazem, por exemplo, menção direta às normais internacionais do trabalho, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (1982) e o Convênio Internacional das Madeiras Tropicais (2006). O Acordo de Paris, da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (2015), também inclui dimensões essenciais do mundo do trabalho.

Em uma amostra de sete países da América Latina e do Caribe, seis fazem menção explícita em seus marcos jurídicos do setor energético ao desenvolvimento de competências e à pesquisa e desenvolvimento. Em cinco deles são feitas referências gerais ao mundo do trabalho e em quatro à criação de empregos. No entanto, em nenhum dos países é mencionado diálogo social, que é um mecanismo para avançar para uma transição justa, segundo a CEPAL e a OIT.

O documento destaca que, depois de sete semestres de aumentos interanuais da taxa de desemprego urbana aberta da América Latina e do Caribe, no primeiro semestre de 2018 foi registrada pela primeira vez uma redução, mesmo que pequena, de 0,1 ponto percentual. Isto aconteceu em parte porque, desde o terceiro trimestre de 2017, a taxa de ocupação urbana mostra aumentos interanuais de 0,2 ponto percentual e no início de 2018 seu impacto na taxa de desemprego coincidiu com uma leve desaceleração do aumento da taxa de participação, que segue impulsionada por uma inserção crescente das mulheres no mercado de trabalho.

De acordo com os dois órgãos, a taxa de desemprego está acima das projeções realizadas no final de 2017, à medida que o crescimento econômico da região teve resultado menos dinâmico que o esperado (a projeção para 2018 caiu 2,2 por cento no final de 2017 ante 1,3 por cento em outubro do ano em curso). Neste novo cenário, é esperado que, na média de 2018, a taxa de desemprego urbano mostre poucas mudanças ante 2017, ficando novamente em torno de 9,3 por cento.

Neste contexto, as políticas do mercado trabalhista e de proteção social seguirão essenciais para a proteção do bem-estar da população, de acordo com a CEPAL e a OIT.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2018


Autor: EcoDebate
Fonte: ONU Brasil
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 30/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/30/modelo-de-desenvolvimento-mais-sustentavel-geraria-novas-oportunidades-de-emprego-avaliam-cepal-e-oit/