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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Variante delta, síndrome de Guillain-Barré pós-vacinação e muito mais: confira o top 10 de agosto [infográfico]

 

O mês de agosto contou com muitos destaques no Portal PEBMED. Temas importantes foram trazidos pelos colunistas, como a variante delta, vacinação contra Covid-19, exames de rotina em cardiologia, entre outros vários assuntos. 

Confira o top 10 de agosto e fique por dentro de todos os destaques do mês no Portal PEBMED:

  1. Caso clínico: Um curioso caso de perda ponderal

Um homem de 29 anos foi encaminhado ao ambulatório de Clínica Médica, pelo Posto de Saúde, para investigação de perda ponderal e aparecimento de lesões de pele. Qual será o diagnóstico? Confira o caso clínico!

  1. Exames de rotina em cardiologia: quais o generalista deve solicitar?

Muitas vezes o generalista se depara com situações na rotina médica em que uma investigação mais minuciosa é necessária. Na área da cardiologia, alguns exames de rotina são essenciais para um diagnóstico eficaz. Destacamos três que fazem a diferença na identificação da queixa do paciente. Veja aqui!

  1. Anvisa alerta sobre casos raros de síndrome de Guillain-Barré pós-vacinação

Segundo o comunicado da Anvisa, ocorrências de casos raros da síndrome de Guillain-Barré após a vacinação contra Covid-19 já foram relatadas em alguns países, incluindo no Brasil. Veja os detalhes do comunicado!

  1. Estudo BaSICS: qual o fluido ideal para utilização na UTI?

O estudo BaSICS foi financiado pelo Ministério da Saúde brasileiro, com apoio da Baxter® para fornecimento dos fluidos e auxílio logístico. O estudo foi multicêntrico, envolvendo 75 centros brasileiros, com inclusão de 11.000 pacientes. Uma façanha gigantesca, capaz de ser realizada por poucos, e ainda por cima em meio a pandemia de Covid-19. Saiba mais sobre o BaSICS!

  1. Covid-19 e variante Gama: estudo avalia eficácia da Coronavac e Astrazeneca no Brasil

Uma publicação — ainda em formato pré-print — descreveu os resultados de eficácia da Coronavac e da Astrazeneca no Brasil em um momento em que a variante Gama (antiga P1) era a predominante no país. Confira os resultados!

  1. O que sabemos sobre a variante Delta do SARS-CoV-2 em crianças?

A variante Delta já se espalhou para mais de 132 países, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS): é uma variante mais transmissível, tornando-se a cepa dominante do vírus SARS-CoV-2 em todo o mundo. Veja quais são as suas implicações na esfera pediátrica.

  1. Ivermectina: As atuais evidências científicas e controvérsias anti-Covid-19

Devido a ausência de evidências conclusivas favoráveis que sustentem os efeitos benéficos efetivos do uso da ivermectina, os consensos internacionais e brasileiros de diferentes instituições, incluindo o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Infectologia não recomendam o uso de ivermectina para profilaxia pré e pós-exposição, tratamento precoce ou em pacientes hospitalizados com Covid-19. Confira as principais evidências! 

  1. Editorial: A variante delta e as vacinas para Covid-19

Neste texto publicado em agosto, trouxemos para vocês as evidências mais atuais da eficácia das principais vacinas disponíveis no Brasil para a variante delta, reforçando a importância da imunização coletiva.

  1. Como distinguir os principais sintomas da Covid-19 em vacinados e não vacinados?

Graças aos relatórios diários do aplicativo ZOE COVID Study com dados de um milhão de indivíduos, pesquisadores do Reino Unido conseguiram identificar os cinco principais sintomas atuais da população não vacinada, além da imunizada parcial e totalmente. Veja quais são eles!

  1. Estudo avalia eficácia de vacinas da Pfizer e AstraZeneca contra variante delta

Um estudo publicado na The New England Journal of Medicine procurou avaliar a eficácia de duas vacinas disponíveis – Pfizer e AztraZeneca – contra doença sintomática pela nova variante. Fique por dentro dos resultados!




Autor: Luciano Lucas
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 09/09/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/variante-delta-sindrome-de-guillain-barre-pos-vacinacao-e-muito-mais-confira-o-top-10-de-agosto-infografico/

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Editorial: A variante delta e as vacinas para Covid-19

Com o avanço da pandemia por Covid-19 em diferentes regiões do mundo, novas mutações têm surgido e muitas delas associadas à maior transmissão e contágio. A variante delta (B.1617.2) é a preocupação mais recente e há evidências de que esteja circulando em níveis altos no Rio de Janeiro e em outras regiões do país.

Nós que trabalhamos na linha de frente já observamos na última semana um aumento do número de casos, seja na população, seja nos profissionais de saúde. A boa notícia é que as internações de casos graves ainda não subiram na mesma proporção até a data deste editorial (16/08/2021), o que provavelmente indica a eficácia vacinal na redução de SDRA e mortalidade.

Neste texto, trouxemos para vocês as evidências mais atuais da eficácia das principais vacinas disponíveis no Brasil para a variante delta, reforçando a importância da imunização coletiva.

Vacinas de mRNA

A vacina da Pfizer foi avaliada em um recente estudo na NEJM e já publicada em nosso portal. Comparando com a cepa original, chamada de alfa, a eficácia foi de 88% após a segunda dose. O estudo da NEJM não separou casos graves dos demais para análise, considerando apenas a população como um todo, mas estudos subsequentes, no Canadá, Escócia e Israel, mostram eficácia para hospitalização e morte em torno de 80-90%!

A vacina da Moderna, também RNA, não está disponível no Brasil, mas apresentou resultados similares aos da Pfizer.

A vacina da Jansen ainda não concluiu os estudos em humanos contra a variante delta. Apenas um resultado preliminar, ainda não revisado por pares, sugere que o nível de anticorpos neutralizantes induzido seja similar àquele da variante alfa, para a qual a vacina já se mostrou eficaz.

A vacina da AstraZeneca foi avaliada pelo estudo publicado na NEJM junto da Pfizer, porém sua eficácia global, isto é, englobando mesmo casos leves, foi menor, cerca de 67% após duas doses. Estudos no Canadá (ainda não revisado, publicado como preprint) e na Escócia (publicado como correspondência na revista Lancet) indicam resultados similares. A boa notícia é que a eficácia para hospitalização e morte é muito boa, com números em torno de 85-90%!
Vírus inativado

A Coronavac é a principal vacina deste grupo e a primeira a ser utilizada no Brasil. O fato de pessoas já imunizadas com duas doses estarem se infectando e às vezes internando tem gerado alarme na população leiga e até entre profissionais de saúde.

Para melhor entender a situação é necessário olhar com calma os estudos disponíveis até o momento. O principal deles foi realizado no Chile, em população do mundo real, e já comentado no nosso portal. A prevenção de infecções pelo Covid, como esperado, ficou em torno de 60-70%. O ponto central das vacinas é a prevenção de formas graves: a eficácia foi de 85 a 90%! O problema é que neste estudo a maior parte da cepa não era delta.

Recentemente, pesquisadores chineses publicaram como preprint um estudo ainda não revisado por pares avaliando a eficácia da Coronavac em um surto de Covid pela variante delta na província chinesa de Guangdong. Em uma amostra da 10 mil pacientes, que incluiu pessoas com uma dose (grupo “vacinação incompleta”) e duas doses (grupo “vacinação completa”), a eficácia da Coronavac foi de 70% para prevenção de pneumonia e até 100% contra formas graves.
Conclusão

A disponibilidade de vacinas e a ampla vacinação da população não devem ser estímulos para a suspensão de medidas preventivas importantes, como evitar multidões e manter uso de máscaras. Isso porque o efetivo controle da doença a nível mundial só será possível com a vacinação em ampla escala, em todos os países, a fim de frear os casos graves.

Enquanto houver países com níveis incontroláveis de contágio, como a Indonésia e a Índia, recentemente, o surgimento de novas mutações e a possível resistência às vacinas continuarão a nos assombrar. Estudos com doses de reforço, em especial a Coronavac, são urgentes, a fim de programar o calendário vacinal em 2022.


Ronaldo Gismondi


Editor-chefe médico da PEBMED ⦁ Pós-doutorado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Coordenador da Cardiologia do Niterói D’Or ⦁ Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF)


Referências bibliográficas:
Kang M, et al. Effectiveness of Inactivated COVID-19 Vaccines Against COVID-19 Pneumonia and Severe Illness Caused by the B.1.617.2 (Delta) Variant: Evidence from an Outbreak in Guangdong, China. http://dx.doi.org/10.2139/ssrn.3895639
Jongeneelen M, et al. Ad26.COV2.S elicited neutralizing activity against Delta and other SARS-CoV-2 variants of concern. Biorxiv. doi: https://doi.org/10.1101/2021.07.01.450707
Bernal JL, et al. Effectiveness of Covid-19 Vaccines against the B.1.617.2 (Delta) Variant. New England Journal of Medicine. August 12, 2021; 385:585-594. DOI: 10.1056/NEJMoa2108891
Jara A, et al. Effectiveness of an Inactivated SARS-CoV-2 Vaccine in Chile. New England Journal of Medicine. July 7, 2021. DOI: 10.1056/NEJMoa2107715
Nasreen S, et al. Effectiveness of COVID-19 vaccines against variants of concern, Canada. medRxiv preprint doi: https://doi.org/10.1101/2021.06.28.21259420
Sheikh A, et al. SARS-CoV-2 Delta VOC in Scotland: demographics, risk of hospital admission, and vaccine effectiveness. The Lancet. June 14, 2021 DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)01358-1
Pancini L. Covid-19: Qual a eficácia das vacinas contra a variante Delta? Revista Exame. 30 de julho de 2021. https://exame.com/ciencia/eficacia-das-vacinas-contra-variante-delta/




Autor: pebmed
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 19/08/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/editorial-a-variante-delta-e-as-vacinas-para-covid-19/

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

O que sabemos sobre a variante Delta do SARS-CoV-2 em crianças?

A disseminação massiva e rápida da pandemia de Covid-19 levou ao surgimento de muitas variantes, resultando em diversidade genética. Atualmente, existem quatro variantes de preocupação (VP) reconhecidas globalmente. Entre elas, a variante Delta já se espalhou para mais de 132 países, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS): é uma variante mais transmissível, tornando-se a cepa dominante do vírus SARS-CoV-2 em todo o mundo.

Ao longo da pandemia, a Covid-19 se manifestou, na população pediátrica, como uma doença de curso mais leve na maioria dos casos, o que ainda tem sido descrito na literatura. Todavia, com a chegada da variante Delta, o risco para as crianças está aumentando, segundo dados do órgão americano CDC (Centers for Disease Control and Prevention). Nos Estados Unidos, aproximadamente 1.800 crianças foram hospitalizadas com Covid-19 na primeira semana de agosto, um aumento de 500% na taxa de hospitalizações de crianças com Covid-19 desde o início de julho de 2021.




Proteção pela vacina

No mundo todo, com o surgimento da variante Delta e outras VP, as pessoas que não foram vacinadas correrão maior risco, especialmente crianças com idade inferior a 12 anos, que não podem ainda ser vacinadas, e adolescentes que estão em processo de vacinação. No Canadá, por exemplo, um estudo recente sugere que as crianças com teste positivo para Covid-19 durante a onda Delta podem ter duas vezes mais probabilidade de serem hospitalizadas do que quando as variantes anteriores estavam dominando a transmissão. Infelizmente, esses dados falam a favor de que crianças mais novas têm apresentado quadros clínicos mais graves da doença. Ainda no Canadá, considerando os indivíduos vacinados, a efetividade contra hospitalização ou óbito para a variante Delta, depois de uma dose das vacinas AstraZeneca®, Pfizer® ou Moderna®, foi de 88%, 68% e 96%, respectivamente, mesmo com a circulação das quatro VP. Em nota conjunta, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) descrevem que esses resultados reforçam evidências prévias que demonstraram que a proteção da resposta induzida pelas vacinas se mantém alta para os desfechos graves, como internação hospitalar e morte.

A variante Delta está se apresentando de forma um pouco diferente em crianças e adolescentes. As manifestações clínicas incluem sintomas de vias aéreas superiores, como congestão nasal, e menos proeminência de perda do paladar e do olfato, pelo menos inicialmente. Além disso, sintomas semelhantes que foram aparentes durante a pandemia continuam a ocorrer em crianças e adolescentes, como febre e fadiga. Dessa forma, qualquer criança que apresente sintomas consistentes com infecção do trato respiratório superior deve ser avaliada para Covid-19. Além disso, crianças sintomáticas devem ficar em casa e não frequentar a escola e/ou a creche.

Conclusão

Portanto, todos os esforços devem ser implementados para estimular a vacinação e fornecer acesso às vacinas. O uso de máscaras e a manutenção do distanciamento social ainda devem ser estimulados, devido ao possível aumento iminente de casos secundários às novas variantes.


No Brasil, segundo o presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, Dr. Renato Kfouri, ainda não existem indícios de que seja preciso disparar o alerta em relação à variante Delta do SARS-CoV-2 em adultos ou crianças.

Autor(a):



Roberta Esteves Vieira de Castro


Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença ⦁ Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes ⦁ Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil (UFF) ⦁ Doutora em Medicina (UERJ) ⦁ Aperfeiçoamento em neurointensivismo (IDOR) ⦁ Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da UERJ ⦁ Professora de pediatria do curso de Medicina da Fundação Técnico-Educacional Souza Marques ⦁ Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do IDOR no Rio de Janeiro ⦁ Acompanhou as UTI Pediátrica e Cardíaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox ⦁ Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ⦁ Membro do comitê de sedação, analgesia e delirium da AMIB e da Sociedade Latino-Americana de Cuidados Intensivos Pediátricos (SLACIP) ⦁ Membro da diretoria da American Delirium Society (ADS) ⦁ Coordenadora e cofundadora do Latin American Delirium Special Interest Group (LADIG) ⦁ Membro de apoio da Society for Pediatric Sedation (SPS) ⦁ Consultora de sono infantil e de amamentação.


Referências bibliográficas:
Liang Q, et al. Vaccination remains the first choice to control the spread of delta and other variants of severe acute respiratory coronavirus virus 2 (SARS-CoV-2). Infect Control Hosp Epidemiol. 2021
World Health Organization. COVID-19 Virtual Press conference transcript – 30 July 2021. 2021. Disponível em: https://www.who.int/publications/m/item/covid-19-virtual-press-conference-transcript—30-july-2021. Acesso em: 18/08/2021
Goodman B. US Pediatric Hospitals in Peril as Delta Hits Children. 2021. Disponível em: https://www.medscape.com/viewarticle/956690?src=wnl_edit_tpal&uac=137967BJ&impID=3575547&faf=1. Acesso em: 17/08/2021
Versalovic J. The Delta variant: What parents need to know as children head back to school. 2021. Disponível em: https://www.texaschildrens.org/blog/delta-variant-what-parents-need-know-children-head-back-school. Acesso em: 17/08/2021
Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Imunizações. Intervalo entre as doses das vacinas COVID-19: AstraZeneca/Oxford e Pfizer. 2021. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23126d-NTC_-_Intervalo_doses_vacinas_COVID_AstraZeneca-Pfizer.pdf. Acesso em: 17/08/2021
Metropoles. Brasil LM. Variante Delta é mais perigosa para crianças? O que se sabe até aqui. 2021. Disponível em: https://www.metropoles.com/saude/variante-delta-e-mais-perigosa-para-criancas-o-que-se-sabe-ate-aqui





Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 19/08/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/o-que-sabemos-sobre-a-variante-delta-do-sars-cov-2-em-criancas/

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Editorial: A variante delta e as vacinas para Covid-19

Com o avanço da pandemia por Covid-19 em diferentes regiões do mundo, novas mutações têm surgido e muitas delas associadas à maior transmissão e contágio. A variante delta (B.1617.2) é a preocupação mais recente e há evidências de que esteja circulando em níveis altos no Rio de Janeiro e em outras regiões do país.


Nós que trabalhamos na linha de frente já observamos na última semana um aumento do número de casos, seja na população, seja nos profissionais de saúde. A boa notícia é que as internações de casos graves ainda não subiram na mesma proporção até a data deste editorial (16/08/2021), o que provavelmente indica a eficácia vacinal na redução de SDRA e mortalidade.

Neste texto, trouxemos para vocês as evidências mais atuais da eficácia das principais vacinas disponíveis no Brasil para a variante delta, reforçando a importância da imunização coletiva.

Vacinas de mRNA

A vacina da Pfizer foi avaliada em um recente estudo na NEJM e já publicada em nosso portal. Comparando com a cepa original, chamada de alfa, a eficácia foi de 88% após a segunda dose. O estudo da NEJM não separou casos graves dos demais para análise, considerando apenas a população como um todo, mas estudos subsequentes, no Canadá, Escócia e Israel, mostram eficácia para hospitalização e morte em torno de 80-90%!

A vacina da Moderna, também RNA, não está disponível no Brasil, mas apresentou resultados similares aos da Pfizer.

Vetor viral

A vacina da Jansen ainda não concluiu os estudos em humanos contra a variante delta. Apenas um resultado preliminar, ainda não revisado por pares, sugere que o nível de anticorpos neutralizantes induzido seja similar àquele da variante alfa, para a qual a vacina já se mostrou eficaz.

A vacina da AstraZeneca foi avaliada pelo estudo publicado na NEJM junto da Pfizer, porém sua eficácia global, isto é, englobando mesmo casos leves, foi menor, cerca de 67% após duas doses. Estudos no Canadá e na Escócia, ainda não revisados por pares, indicam resultados similares. A boa notícia é que a eficácia para hospitalização e morte é muito boa, com números em torno de 85-90%!
Vírus inativado

A Coronavac é a principal vacina deste grupo e a primeira a ser utilizada no Brasil. O fato de pessoas já imunizadas com duas doses estarem se infectando e às vezes internando tem gerado alarme na população leiga e até entre profissionais de saúde.

Para melhor entender a situação é necessário olhar com calma os estudos disponíveis até o momento. O principal deles foi realizado no Chile, em população do mundo real, e já comentado no nosso portal. A prevenção de infecções pelo Covid, como esperado, ficou em torno de 60-70%. O ponto central das vacinas é a prevenção de formas graves: a eficácia foi de 85 a 90%!

O problema é que neste estudo a maior parte da cepa não era delta. Infelizmente, para essa cepa, ainda não há estudos publicados. Tanto o Instituto Butantã quanto o fabricante chinês afirmam que há pesquisas em andamento, mas até o momento sem resultados revelados.
Conclusão

A disponibilidade de vacinas e a ampla vacinação da população não devem ser estímulos para a suspensão de medidas preventivas importantes, como evitar multidões e manter uso de máscaras. Isso porque o efetivo controle da doença a nível mundial só será possível com a vacinação em ampla escala, em todos os países, a fim de frear os casos graves.

Enquanto houver países com níveis incontroláveis de contágio, como a Indonésia e a Índia, recentemente, o surgimento de novas mutações e a possível resistência às vacinas continuarão a nos assombrar. Estudos com doses de reforço, em especial a Coronavac, são urgentes, a fim de programar o calendário vacinal em 2022.



Ronaldo Gismondi


Editor-chefe médico da PEBMED ⦁ Pós-doutorado em Medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) ⦁ Coordenador da Cardiologia do Niterói D’Or ⦁ Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF)


Referências bibliográficas:
Jongeneelen M, et al. Ad26.COV2.S elicited neutralizing activity against Delta and other SARS-CoV-2 variants of concern. Biorxiv. doi: https://doi.org/10.1101/2021.07.01.450707
Bernal JL, et al. Effectiveness of Covid-19 Vaccines against the B.1.617.2 (Delta) Variant. New England Journal of Medicine. August 12, 2021; 385:585-594. DOI: 10.1056/NEJMoa2108891
Jara A, et al. Effectiveness of an Inactivated SARS-CoV-2 Vaccine in Chile. New England Journal of Medicine. July 7, 2021. DOI: 10.1056/NEJMoa2107715
Nasreen S, et al. Effectiveness of COVID-19 vaccines against variants of concern, Canada. medRxiv preprint doi: https://doi.org/10.1101/2021.06.28.21259420
Sheikh A, et al. SARS-CoV-2 Delta VOC in Scotland: demographics, risk of hospital admission, and vaccine effectiveness. The Lancet. June 14, 2021 DOI: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(21)01358-1
Pancini L. Covid-19: Qual a eficácia das vacinas contra a variante Delta? Revista Exame. 30 de julho de 2021. https://exame.com/ciencia/eficacia-das-vacinas-contra-variante-delta/









Autor: Ronaldo Gismondi
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 16/08/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/virus-de-marburg-a-febre-hemorragica-detectada-no-guine-que-ainda-nao-possui-vacina/

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Estudo Corona-Ômica-RJ identifica dois casos da variante Delta na Região Metropolitana




Sequenciamento de amostras permitiu identificar a cepa Delta, presente em pessoas testadas em dois municípios da Região Metropolitana (Foto: Hermann Kollinger/Pixabay)

A Secretaria Estadual de Saúde (SES), que realiza um dos mais amplos programas de monitoramento genômico do País para encontrar possíveis modificações sofridas pelo vírus SARS-CoV-2, identificou dois casos da variante Delta (B.1.617) em moradores da Região Metropolitana do Rio, nos municípios de Seropédica e São João de Meriti. Detectada na Índia em outubro de 2020, a variante Delta se espalhou rapidamente por quase uma centena de países e preocupa as autoridades.

A descoberta de sua presença em território fluminense foi possivel graças ao estudo Corona-Ômica-RJ, resultado de uma parceria entre SES, Laboratório Nacional de Computação Científica - LNCC (unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações - MCTI), Laboratório de Virologia Molecular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Laboratório Central Noel Nutels, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. São sequenciadas cerca de 800 amostras de todo o estado por mês, em ação coordenada pela Rede Corona-Ômica-RJ, integrada por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores de laboratórios de diferentes instituições do estado do Rio de Janeiro.

Os sequenciamentos foram confirmados na segunda-feira (5/7) a partir de amostras de casos registrados nos dias 16 e 17 de junho, em um homem de 30 anos e uma mulher de 22 anos. Os municípios já foram comunicados e estão realizando a investigação epidemiológica para identificar se são casos importados ou autóctones, ou seja, adquiridos dentro do estado. Importante esclarecer que o sequenciamento do vírus não é um exame de rotina nem de diagnóstico, é feito para vigilância genômica.

Para Ana Tereza Vasconcelos, do LNCC, a vigilância genômica que está sendo realizada no estado do Rio de Janeiro, tem sido bastante eficiente, já tendo identificado anteriormenrte novas linhagens circulando pelo território fluminense, como a P1.2 e P1.5. "Agora, novamente num curto espaço de tempo, descobrimos que a Delta já está circulando e a Secretaria de Saúde foi avisada rapidamente e já está investigando esses pacientes e as pessoas com quem elas tiveram contato", conta a pesquisadora, coordenadora da equipe do LNCC que participa da Rede Corona-Ômica-RJ.

Ela destaca que o monitoramento municipal e em tempo real, realizado pelo Rio de Janeiro, é extraordinário para o Brasil, e está dentro das recomendações da Organização Mundial da Saúde que preconiza 18 dias como intervalo ideal entre a divulgação de novos dados. Dos 92 municípios fluminenses, 91 já estão sendo monitorados. De março até junho de 2021,mais de 2.300 amostras já foram sequenciadas e processadas no supercomputador Santos Dumont, do LNCC.

Os dados do monitoramento mostram ainda que a linhagem P.1 (Brasil) continua sendo a mais frequente no estado. Além disso, registrou uma baixa frequência da VOC B.1.1.7 (Reino Unido) e o declínio da P.2, desde novembro do ano passado.

Em suas redes sociais, a Prefeitura de Seropédica publicou nota para alertar a população, acrescentando que a moradora contaminada pela variante Delta já está curada da Covid-19: “O caso já foi investigado e está sendo monitorado pela Vigilância Epidemiológica Municipal”, informou o texto, chamando a atenção para o fato de que a variante Delta, originária da Índia, tem “maior potencial de dispersão e infecção”.

No mês de maio, um morador de Campos, no Norte Fluminense, testou positivo para Covid-19 ao retornar ao País de uma viagem a trabalho para a Índia. Na ocasião, o sequenciamento do vírus confirmou que o paciente havia sido contaminado pela Delta. Após desembarcar em Guarulhos (SP), ele seguiu para a capital fluminense, de onde foi de carro até Campos. O caso levou a uma alteração no protocolo para evitar a disseminação da cepa. E equipe da Vigilância Sanitária passou a controlar a entrada de pessoas vindo da Índia que chegam a aeroportos do Rio.

A Secretaria Estadual de Saúde ressalta que, independentemente da cepa do vírus ou linhagem, as medidas de prevenção e métodos de diagnóstico e tratamento da Covid-19 seguem os mesmos. Assim, não há alteração nas medidas sanitárias já adotadas, como uso de máscaras e álcool em gel, lavagem das mãos e distanciamento social. Além disso, é importante que os municípios continuem avançando no processo de vacinação contra a Covid-19 e que a população retorne para receber a segunda dose. Estudos mostram que todas as vacinas disponíveis no Brasil são eficazes contra as variantes identificadas até o momento.

* Com informações da Secretaria de Estado de Saúde (SES) e do LNCC




Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 08/07/2021
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4257.2.7

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Surto de variante Delta em Israel infecta adultos vacinados e crianças

Governo decide vacinar crianças e adolescentes de 12 a 15 anos e retomar uso de máscaras


Israel retoma restrições anticonvid e vacina crianças de 12 a 15 anos para conter cepaMarco Verch

PODER360
29.jun.2021 (terça-feira) - 3h54
atualizado: 29.jun.2021 (terça-feira) - 4h02


O governo de Israel voltou atrás na flexibilização de medidas de restrições contra o coronavírus. A decisão foi uma resposta a um surto da variante Delta da covid-19, identificada pela 1ª vez na Índia. Entre as regras impostas, está a obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados.

Segundo o The Wall Street Journal, cerca de metade das pessoas infectadas já havia sido vacinada com o imunizante da Pfizer. Autoridades de saúde do país acreditam que 90% das novas infecções tenham sido causadas pela variante Delta.

Especialistas do país afirmaram que os menores de 16 anos, que, na sua maioria, ainda não foram vacinados, são responsáveis ​​por aproximadamente 50% dos novos casos. Por esse motivo, o governo decidiu expandir a campanha de vacinação para abranger crianças e adolescentes de 12 a 15 anos.

Comparado com outros países, o número de casos em Israel é relativamente baixo, mas cresceu exponencialmente na última 5ª feira (24.jun.2021). Saltou de uma média de 10 novos infectados por dia para mais de 200.

Evidências de países como o Reino Unido indicam que, mesmo que a variante se espalhe, a vacina deve prevenir um grande aumento de infecções graves e hospitalizações, que fizeram o sistema de saúde de Israel colapsar em surtos anteriores. Nos últimos 10 dias, Israel registrou 5 casos graves de covid-19.


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O governo israelense deixou de exigir o uso de máscara em ambientes fechados em meados de abril e abandonou outras medidas preventivas depois de realizar uma das campanhas de vacinação mais rápidas do mundo. Cerca de 80% dos israelenses com 16 anos ou mais receberam duas doses da vacina da Pfizer.


Autoridades de saúde israelenses afirmam que a variante Delta provavelmente tenha entrada no país pelo seu principal aeroporto internacional, nos arredores de Tel Aviv. Um sistema destinado a examinar os viajantes por meio de testes ficou sobrecarregado nos últimos dias em meio a um aumento no número de voos do exterior.

“Nosso objetivo no momento, em primeiro lugar, é proteger os cidadãos de Israel da variante Delta, que está preocupando o mundo”, disse o primeiro-ministro israelense Naftali Bennett, na última 4ª feira (23.jun).

Desde o início da pandemia, 840.522 dos 9,3 milhões de cidadãos do país foram infectados, dos quais 6.429 morreram.
VARIANTE DELTA

Em maio deste ano, depois de ser associada ao agravamento da pandemia na Índia e no Reino Unido, a variante Delta foi declarada como cepa de preocupação pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A variante Delta é transmitida com maior velocidade em comparação às outras cepas, disse a OMS em 21 de junho. “É a variante mais rápida e pode facilmente afetar os mais vulneráveis”, afirmou o diretor de Emergências Sanitárias da OMS, Mike Ryan, em entrevista a jornalistas.

“Essa variante nos preocupa muito e já está circulando em 92 países”, completou Maria Van Kerkhove, chefe da célula técnica anticovid-19 da OMS.






Autor: poder360
Fonte: poder360
Sítio Online da Publicação: poder360
Data: 29/06/2021
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