quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Colesterol alto causado por mutações do DNA está entre as doenças genéticas mais comuns



Indivíduos com hipercolesterolemia familiar podem ter níveis de LDL até dez vezes superiores ao limite seguro — Foto: MOHAMMED HANEEFA NIZAMUDEEN/Getty Images via BBC



Os médicos recomendam que o LDL, o colesterol ruim, fique sempre abaixo de 130 miligramas por decilitro (mg/dl) de sangue. Mas algumas pessoas chegam a apresentar níveis acima de 800 ou 1.000 mg/dl — e não há dieta ou exercício que faça esses números baixarem.




Estamos falando dos portadores da hipercolesterolemia familiar (também conhecida pela sigla HF), uma doença genética mais comum do que se imagina.



"Um colesterol tão alto por um tempo prolongado chega a antecipar em 10 ou 15 anos quadros como angina, infarto e até morte", explica o cardiologista Raul Santos, presidente da Sociedade Internacional de Aterosclerose.




No Brasil, estima-se que uma a cada 300 pessoas tenha a HF. Em números absolutos, isso significa que quase 700 mil indivíduos em nosso país carregam mutações em seu DNA que fazem o colesterol ir às alturas.


A título de comparação, outras doenças genéticas mais conhecidas, como a Síndrome de Down e a hemofilia, acometem uma a cada mil ou 5 mil pessoas, respectivamente.


"Infelizmente, detectamos menos de 1% dos pacientes com HF no Brasil. A vasta maioria nem sabe que têm essa doença", calcula Santos, que acompanha cerca de 1.500 pessoas com esse problema em seu laboratório no Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.




A boa notícia é que, feito o diagnóstico, o tratamento correto ajuda a baixar o colesterol e minimiza bastante o risco de um ataque cardíaco.






Saiba como controlar o colesterol das crianças com lanches saudáveis




Uma simples troca de letras no DNA




O LDL, sigla em inglês para lipoproteína de baixa densidade, é uma molécula responsável por carregar através do sangue o colesterol produzido no fígado e entregá-lo a diversas partes do corpo.


Ao contrário do que muita gente pensa, o colesterol é essencial à vida. É ele que garante a integridade da membrana de nossas células e permite o bom funcionamento do cérebro, entre muitas outras funções.


O problema é a quantidade: o excesso de colesterol LDL na circulação provoca lesões nas paredes dos vasos sanguíneos, dando origem a trombos e coágulos. Essas formações, por sua vez, crescem até entupir.



O bloqueio à passagem de sangue é o estopim para o infarto ou o acidente vascular cerebral, entre outras repercussões.




Em indivíduos com HF, cujo colesterol fica muito acima da média, esse processo potencialmente fatal acontece com mais frequência e de forma antecipada.


"Na população geral, problemas cardíacos costumam aparecer na faixa dos 50 anos em homens e dos 65 nas mulheres. Neste grupo específico, vemos casos graves na terceira ou quarta década de vida, algumas vezes até antes disso", compara Santos, que também faz estudos no Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, na capital paulista.




A literatura médica apresenta casos de portadores de HF que sofreram infarto aos 12 anos. Há relatos de fetos que tiveram uma parada cardiovascular ainda na barriga da mãe, durante a gestação.




Esses eventos, ainda bem, são bastante raros. Eles acontecem na forma homozigótica da doença, quando o indivíduo herda genes defeituosos da mãe e do pai. Esse tipo de HF só aparece em um a cada 1 milhão de pessoas.


A forma heterozigótica, em que os genes com mutações vêm só do lado materno ou do paterno, é bem mais comum entre a população. "Quando detectamos um caso, fazemos exames em todos os familiares próximos. A cada dois parentes analisados, um apresenta a HF", conclui Santos.


Mas, afinal, como é possível saber quem tem colesterol alto de origem genética?




Flagra precoce




Nos últimos anos, o conhecimento sobre a HF evoluiu muito. E foi justamente para atualizar os conceitos que a Sociedade Brasileira de Cardiologia publicou no final de 2020 um documento com orientações sobre o diagnóstico e o tratamento da doença.


"Resultados dos exames que mostram um colesterol LDL acima dos 190 mg/dl já justificam uma investigação mais profunda sobre a HF", resume a cardiologista Maria Cristina Izar, professora da Universidade Federal de São Paulo uma das autoras da nova diretriz nacional.



Um simples exame de sangue já é suficiente para estimar o LDL, o colesterol ruim, e levantar a suspeita de HF — Foto: WESTEND61/Getty Images via BBC



Nessa triagem criteriosa, o médico afasta outras doenças relacionadas ao aumento do colesterol, procura por mais sintomas sugestivos do quadro (como alterações na pele e nos olhos) e pode até pedir um teste genético que avalia a presença de alterações no DNA relacionadas ao problema — embora na maioria das vezes esse exame, que ainda não está acessível para a maioria da população, não seja tão relevante assim.



"Nós temos critérios clínicos bem estabelecidos que nos permitem fechar o diagnóstico sem a necessidade de métodos muito rebuscados", esclarece Izar.




O artigo, assinado por 25 especialistas brasileiros, também defende a necessidade de detectar a HF o mais cedo possível. "Recomendamos que toda criança cujos pais ou avós possuem histórico de doença cardiovascular tenham o colesterol medido entre os 2 e os 10 anos de vida", diz Izar.



Acima dos 10 anos, é recomendável que todo mundo faça um exame desses, independentemente dos fatores de risco familiares.



O contra-ataque



Mas o fato de possuir um diagnóstico de HF muda em alguma coisa o tratamento para baixar o LDL?


Em linhas gerais, os remédios são parecidos. Mas nessas situações mais graves eles costumam ser utilizados numa dosagem bem maior logo de cara.




O medicamento de primeira escolha costuma ser da classe das estatinas, que é bastante segura e está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.




Se esses comprimidos não dão conta do recado, os cardiologistas acrescentam uma segunda droga ao regime farmacêutico: a ezetimiba. Ela não está disponível na rede pública, mas seu preço costuma ser acessível.


Agora, se nem mesmo essa dupla surtir efeito, resta apelar para os inibidores de PCSK9, um fármaco injetável que foi aprovado recentemente. Por ser uma novidade no mercado, seu preço costuma ser bem mais alto.


Os médicos costumam adotar esquemas terapêuticos especiais e individualizados para crianças e gestantes.



Em paralelo, mudanças na alimentação e na prática de atividade física são fundamentais para garantir bons resultados em todos os pacientes com HF.




Seguras e acessíveis, as estatinas costumam ser a primeira escolha para tratar o colesterol alto — Foto: JAZZLOVE/Getty Images via BBC


Vale mencionar ainda que as metas são bem audaciosas: a nova diretriz brasileira estabelece uma redução de pelo menos 50% do LDL. Em alguns casos, o corte nos níveis desse colesterol precisam ser ainda mais drásticos.


"Se o tratamento é feito direitinho, conseguimos prevenir a maioria das complicações", completa Santos, que também assina o documento recém-publicado.




E quem não tem HF?




É importante destacar que, na maioria das vezes, o colesterol elevado acontece mais por questões relacionadas ao estilo de vida do que por falhas nos genes.



Sedentarismo e a dieta desequilibrada são elementos decisivos para o descontrole nos níveis dessas moléculas.




Uma dieta baseada em alimentos frescos, como frutas, verduras, legumes e carnes magras, é o primeiro passo para manter o colesterol sob controle — Foto: HAPPY_LARK/Getty Images via BBC


Uma pesquisa de 2017 feita pela Universidade de São Paulo em parceria com outras seis instituições estima que 12,5% da população brasileira apresenta diagnóstico de colesterol alto.


Junto com outros fatores, como obesidade, diabetes e hipertensão, o excesso de LDL contribui para o aparecimento de uma série de eventos debilitantes e potencialmente fatais, como o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC).


E, por mais que existam muitos remédios à disposição, uma vida saudável segue como a principal recomendação para evitar esses problemas.





Autor: André Biernath, BBC
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 04/01/21
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/viva-voce/noticia/2021/01/04/colesterol-alto-causado-por-mutacoes-do-dna-esta-entre-as-doencas-geneticas-mais-comuns.ghtml

Por que ser gentil com as outras pessoas pode fazer você viver mais



Gastar seu dinheiro com os outros, em vez de só em benefício próprio, tem sido associado a uma série de efeitos positivos na saúde — Foto: Getty Images via BBC



Os jornais começaram a escrever sobre Betty Lowe quando ela tinha 96 anos. Apesar de já ter passado da idade de se aposentar, ela ainda era voluntária em um café no Salford Royal Hospital, no Reino Unido, servindo café, lavando pratos e conversando com pacientes.


Lowe fez então 100 anos. "Ainda é voluntária no hospital", diziam as manchetes. Quando completou 102 anos, a notícia se repetiu: "Continua trabalhando como voluntária". O mesmo aconteceu quando ela completou 104 anos. Inclusive aos 106, Lowe trabalhava no café uma vez por semana, apesar da visão fraca.


Lowe disse aos repórteres que a entrevistaram que o motivo pelo qual ela continuou trabalhando no café por tanto tempo, quando a maioria das pessoas teria decidido ficar de pernas para o ar, foi porque ela acreditava que o voluntariado a mantinha saudável. E ela provavelmente estava certa.


A ciência revela que comportamentos altruístas — de voluntariado formal a doações monetárias e atos aleatórios de gentileza diária — promovem o bem-estar e a longevidade.


Estudos mostram, por exemplo, que o voluntariado está correlacionado a um risco 24% menor de morte prematura — quase o mesmo que comer seis ou mais porções de frutas, legumes e verduras por dia, de acordo com algumas pesquisas.



Além disso, quem faz trabalho voluntário apresenta um risco menor de alto índice de glicose no sangue e um risco menor de níveis de inflamação relacionados a doenças cardíacas. Também passa 38% menos noites em hospitais do que as pessoas que evitam se engajar em atos de caridade.


E esses impactos positivos do voluntariado na saúde parecem ser encontrados em todos os cantos do mundo — da Espanha e Egito à Uganda e Jamaica, de acordo com um estudo baseado em dados do instituto Gallup World Poll.


É claro que pode ser que as pessoas que estejam com a saúde melhor sejam mais propensas a começar a se voluntariar. Se você está sofrendo de artrite severa, por exemplo, é provável que não se ofereça para trabalhar distribuindo sopa a moradores de rua.



"Há pesquisas que sugerem que as pessoas com saúde melhor são mais propensas a se voluntariar, mas como os cientistas estão bem cientes disso, controlamos isso estatisticamente em nossos estudos", explica Sara Konrath, psicóloga e pesquisadora de filantropia da Universidade de Indiana, nos EUA.




Mesmo quando os cientistas removem os efeitos da saúde pré-existente, os impactos do voluntariado no bem-estar ainda permanecem fortes. Além disso, vários experimentos de laboratório randomizados revelam os mecanismos biológicos pelos quais ajudar os outros pode beneficiar nossa saúde.


Em um desses experimentos, alunos do ensino médio no Canadá foram designados a dar aulas a crianças do ensino fundamental por dois meses ou colocados em uma lista de espera. Quatro meses depois, após o término das aulas, as diferenças entre os dois grupos de adolescentes eram claramente visíveis em seu sangue.



Durante a pandemia de covid-19, muitas pessoas se ofereceram para ajudar os mais vulneráveis — Foto: Getty Images via BBC



Em comparação com aqueles que estavam na lista de espera, os alunos que ofereceram monitoria ativamente às crianças mais novas apresentaram níveis mais baixos de colesterol, assim como marcadores inflamatórios mais baixos, como a interleucina 6 no sangue — que, além de ser um poderoso preditor de saúde cardiovascular, também desempenha um papel importante nas infecções virais.


É claro que, em tempos de pandemia, o voluntariado pode ser um desafio maior. No entanto, Konrath acredita que fazer isso online também pode trazer benefícios para a saúde, se a nossa motivação for realmente ajudar outras pessoas.


Ela também recomenda se voluntariar virtualmente com amigos, já que pesquisas mostram que o componente social do voluntariado é importante para o bem-estar.


Mas não são apenas os efeitos do voluntariado formal que aparecem no sangue — atos aleatórios de bondade também.


Em um estudo na Califórnia, participantes que foram designados a realizar atos simples de gentileza, como comprar café para um estranho, apresentaram menor atividade dos genes leucocitários relacionados à inflamação. Isso é bom, uma vez que a inflamação crônica tem sido associada a condições como artrite reumatoide, câncer, doenças cardíacas e diabetes.


E se você submeter as pessoas a um exame de ressonância magnética funcional, e dizer a elas para agir de forma altruísta, poderá ver mudanças em como seus cérebros reagem à dor. Em um experimento recente, voluntários tiveram que tomar várias decisões, incluindo se doavam dinheiro ou não, enquanto suas mãos eram submetidas a choques elétricos leves.


Os resultados foram claros: os cérebros daqueles que fizeram a doação se iluminaram menos em resposta à dor. E quanto mais eles consideravam suas ações como úteis, mais resistentes à dor eles se tornavam.


Da mesma forma, doar sangue parece doer menos do que a coleta de sangue para exame, embora no primeiro cenário a agulha possa ter o dobro da espessura.



Há inúmeros outros exemplos dos efeitos positivos para a saúde de gentilezas e doações monetárias. Por exemplo, avós que tomam conta regularmente dos netos apresentam um risco de morte até 37% menor do que aqueles que não prestam esses cuidados.


Isso tem um efeito maior do que pode ser alcançado com exercícios físicos regulares, de acordo com estudos de meta-análise. Isso pressupõe que os avós não estão assumindo o lugar dos pais completamente (embora, reconhecidamente, cuidar dos netos muitas vezes envolva muita atividade física, especialmente no caso de bebês).


Por outro lado, gastar dinheiro com os outros, e não apenas em benefício próprio, pode levar a uma melhor audição, a um sono de mais qualidade e à redução da pressão arterial, com efeitos tão significativos quanto iniciar uma nova medicação para hipertensão.


Para Tristen Inagaki, neurocientista da San Diego State University, nos EUA, não há nada de surpreendente no fato de que a gentileza e o altruísmo devem impactar nosso bem-estar físico.


"Os seres humanos são extremamente sociais, temos uma saúde melhor quando estamos interconectados, e parte de estarmos interconectados é doar", diz ela.



Gestos aleatórios de gentileza podem fazer muito mais do que simplesmente botar um sorriso no rosto de alguém — Foto: Getty Images via BBC


Inagaki estuda nosso sistema do cuidado — uma rede de regiões do cérebro ligadas tanto a comportamentos de ajuda ao próximo quanto à saúde. Esse sistema provavelmente evoluiu para facilitar a criação de nossos bebês, incomumente indefesos para os padrões dos mamíferos, e mais tarde provavelmente foi cooptado para ajudar outras pessoas também.



Parte do sistema é composto por regiões de recompensa do cérebro, como a área septal e o corpo estriado ventral — os mesmos que se iluminam quando você ganha um prêmio na máquina de caça-níqueis.


Ao conectar a maternidade/paternidade ao sistema de recompensa, a natureza tentou garantir que não fugíssemos de nossos bebês carentes e aos berros. Estudos de neuroimagem feitos por Inagaki e seus colegas mostram que essas áreas do cérebro também se iluminam quando damos apoio a outros entes queridos.


Além de tornar o cuidado gratificante, a evolução também o associou à redução do estresse. Quando agimos com gentileza, ou simplesmente refletimos sobre gentilezas que fizemos no passado, a atividade do centro do medo do nosso cérebro, a amígdala, diminui. Novamente, isso pode estar relacionado à criação de filhos.


Pode parecer contraintuitivo que cuidar de crianças reduza o estresse — pergunte a qualquer pessoa que acabou de ser pai ou mãe, e eles provavelmente vão te dizer que cuidar de bebês não é exatamente uma ida ao spa.


Mas uma pesquisa revela que quando os animais ouvem o choro de filhotes da mesma espécie, a atividade de suas amígdalas se acalma, e a mesma coisa acontece com pais e mães quando mostram a eles a foto de seu próprio filho.


Inagaki explica que a atividade do centro do medo do cérebro precisa diminuir se quisermos ser realmente úteis aos outros.



"Se você estivesse completamente sobrecarregado pelo estresse deles, provavelmente não conseguiria nem sequer abordá-los para ajudar em primeiro lugar", diz ela.




Tudo isso tem consequências diretas para a saúde. O sistema de cuidado — a amígdala e as áreas de recompensa — está ligado ao nosso sistema nervoso simpático, que atua na regulação da pressão arterial e na resposta inflamatória, explica Inagaki. É por isso que praticar o cuidado com o próximo pode melhorar sua saúde cardiovascular e ajudá-lo a viver mais.



Descobriu-se que adolescentes que doam seu tempo apresentam níveis mais baixos de dois marcadores de inflamação: interleucina 6 e proteína C reativa. Ambos estiveram envolvidos em desfechos graves de pacientes infectados com covid-19.


Isso levanta a perspectiva tentadora de que, durante a pandemia, ajudar os necessitados pode ser particularmente poderoso, não simplesmente como uma forma de melhorar nosso humor durante o lockdown.


Ainda não foi realizada uma pesquisa para avaliar até que ponto o voluntariado poderia ter um efeito protetor contra a covid-19, e qualquer coisa que aumente seu contato com outras pessoas que possam ser portadoras do vírus aumentaria potencialmente o risco de ser infectado.


E se, no entanto, a doação não for algo natural para você?


A empatia, uma qualidade fortemente ligada a comportamentos de voluntariado e doação, é altamente hereditária — cerca de um terço de nossa empatia depende de nossos genes. Porém, Konrath diz que isso não significa que as pessoas nascidas com baixo grau de empatia estejam condenadas.


"Também nascemos com potencial atlético diferente, é mais fácil para alguns de nós ganhar massa muscular do que para outros. Mas todos nós temos músculos, e todos nós, se fizermos alguns exercícios, vamos criar músculos", afirma.


"Não importa por onde a gente comece, e as pesquisas mostram isso, todos nós podemos melhorar em empatia."


Algumas intervenções não levam mais do que alguns segundos. Por exemplo, você pode tentar olhar o mundo sob a perspectiva de outra pessoa, se colocando realmente no lugar dela, por um ou dois momentos do dia. Ou pode praticar a meditação mindfulness (atenção plena) e da bondade amorosa. Cuidar de animais de estimação e ler livros carregados de emoção, um passatempo perfeito para o lockdown, também funcionam bem para aumentar a empatia.


Durante os primeiros seis meses de 2020, os britânicos doaram 800 milhões de libras a mais para instituições de caridade do que no mesmo período de 2019, e estatísticas semelhantes chegam de outros países. Quase metade dos americanos verificou recentemente como seus vizinhos idosos ou doentes estavam.



Na Alemanha, a crise do coronavírus aproximou as pessoas — enquanto, em fevereiro de 2020, 41% diziam que as pessoas não se importavam com as outras, esse percentual caiu para apenas 19% no início do verão.


E há ainda as histórias de gentileza em meio à pandemia — como americanos e australianos deixando ursinhos de pelúcia em suas janelas para animar as crianças. E a florista francesa, Murielle Marcenac, que colocou 400 buquês de flores nos carros de funcionários de um hospital na cidade de Perpignan.


Pesquisas sugerem que essas gentilezas não apenas aquecem nossos corações, mas também podem nos ajudar a permanecer saudáveis ​​por mais tempo.


"Há realmente algo no ato de apenas focar nos outros às vezes, que faz muito bem para você", diz Inagaki.


Com isso em mente, todos nós poderíamos certamente reservar um pouco de tempo para praticar momentos de gentileza nos próximos meses.





Autor: Marta Zaraska, BBC
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 04/01/21
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/2021/01/04/por-que-ser-gentil-com-as-outras-pessoas-pode-fazer-voce-viver-mais.ghtml

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Dinossauro achado no Brasil foi pioneiro em 'visual chamativo' como dos pavões, mostra estudo



CRÉDITO,ARTWORK © BOB NICHOLLS / PALEOCREATIONS.COM 2020
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Ubirajara jubatus tinha tamanho aproximado de uma galinha e viveu há 110 milhões de anos


*Atualização às 12h08 de 29/12/2020: A revista científica Cretaceous Research tirou do ar o artigo citado nesta matéria, afirmando que se trata de uma "remoção temporária", mas sem detalhes do porquê. Na véspera da retirada, vários pesquisadores brasileiros se manifestaram acusando irregularidades na exportação e estudo do fóssil no exterior, como em postagens nas redes sociais com a hashtag #UbirajaraBelongstoBR. Dois dias após a publicação desta reportagem, em 16 de dezembro, a BBC News Brasil solicitou por e-mail à equipe de pesquisadores e ao Museu Estadual de História Natural Karlsruhe documentos comprovando a regularidade da exportação do material, mas até o momento não recebeu estes registros nem um prazo para o envio. Em 17 de dezembro, porém, a assessoria de imprensa do museu alemão escreveu que "retornaria o mais breve possível" com um esclarecimento, afirmando "estar confiante" de que apresentaria uma "réplica justa". A reportagem segue acompanhando o caso.


Há cerca de 110 milhões de anos, quando nem o Brasil e muito menos o carnaval existiam, um pequeno dinossauro vivendo na região do Crato, Ceará, parece ter antecipado a exuberância da festa que torna o país famoso mundialmente.


Descrita nesta segunda-feira (14/12) no periódico científico Cretaceous Research, a espécie Ubirajara jubatus se destaca como um dos dinossauros com aparência mais elaborada já descritos e ajuda a entender como "aves, tais quais os pavões, herdaram sua capacidade de se exibir", segundo os autores do estudo.


Do tamanho aproximado de uma galinha, a nova espécie revelada pelos cientistas tinha uma crina ao longo do dorso e um par de "fitas" alongadas e rígidas provavelmente saindo do ombro — características nunca vistas antes em fósseis de dinossauros.


Estas fitas não são escamas, pelos ou penas como conhecemos, mas estruturas provavelmente únicas deste animal — apesar de semelhantes ao do pássaro Semioptera wallacii.

E para que tanto capricho? De acordo com os pesquisadores — atuando na Alemanha, Inglaterra e México —, possivelmente a aparência chamativa tinha a função de atrair parceiros ou intimidar inimigos.


"Para muitos animais, o sucesso evolutivo vai além de apenas buscar a sobrevivência — é preciso ter uma boa aparência para passar seus genes para a próxima geração", explicou em um comunicado à imprensa Robert Smyth, da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra.


"As aves modernas são conhecidas por sua plumagem elaborada e por detalhes chamativos que são usados para atrair parceiros — as caudas do pavão e da ave-do-paraíso macho são exemplos clássicos disso. O Ubirajara nos mostra que esta tendência de 'se exibir' não é apenas uma característica das aves, mas algo que elas herdaram de seus antepassados dinossauros."



CRÉDITO,REPRODUÇÃO/CRETACEOUS RESEARCH
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Fóssil parcialmente preservado foi encontrado no Ceará e está atualmente em museu na Alemanha


Os resultados publicados na Cretaceous Research tiveram como base um fóssil parcialmente preservado encontrado no Crato e levado para a Alemanha em 1995, onde atualmente faz parte do acervo do Museu Estadual de História Natural Karlsruhe.


Segundo os pesquisadores, o material foi encontrado em uma pedreira entre Nova Olinda e Santana do Cariri e teve exportação autorizada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) do Brasil.


A equipe de cientistas explicou que a espécie foi batizada com a palavra em tupi Ubirajara, que remete a algo como senhor da lança — em referências às "fitas" que marcam o dinossauro; e com a palavra jubatus, do latim, que significa crina.


Esta, inclusive, provavelmente era controlada por músculos que permitiam que ela fosse eriçada, ajudando sua movimentação e disfarce quando necessário.


Vivendo no período Cretáceo, o Ubirajara jubatus faz parte da subordem de dinossauros Theropoda e é "parente" do dinossauro jurássico Compsognathus, encontrado na Europa.


O fóssil apresentado na Cretaceous Research era de um Ubirajara jubatus jovem e possivelmente macho, e marca também o primeiro dinossauro não-aviário encontrado no Crato, formação geológica no Brasil conhecida mundialmente por ter revelado vários fósseis relevantes para a paleontologia.







Autor: BBC
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 14/12/20
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55312101

Por que o ano não terminou realmente à meia-noite de 31 de dezembro, nem dura sempre o mesmo tempo



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O dia em que o ano começa e termina é uma convenção


Brindes, ondas, uvas, resoluções, simpatias... a meia-noite do dia 31 de dezembro costuma ser um momento de esperança e balanço para milhões de pessoas em todo o planeta.


Um ano "acaba" e outro "começa" e, com ele, as aspirações de dias melhores e de inúmeros propósitos e novas metas.


É o último dia do calendário gregoriano, o convencional de 365 dias (mais um nos anos bissextos, como 2020) que rege o Ocidente desde que o calendário juliano deixou de ser usado, em 1582.


A virada celebra o fim de um ciclo que marca o tempo de várias culturas há milênios: uma volta completa da Terra em torno de sua estrela.


"O que tradicionalmente entendemos por ano, tanto em astronomia quanto em muitas culturas, é o tempo que nosso planeta leva para girar em torno do Sol", explica à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) o astrônomo e acadêmico Eduard Larrañaga, do Observatório Astronômico Nacional da Universidade Nacional da Colômbia.


Porém, como o físico teórico também relata, a data em que um ano começa e termina não é baseada na ciência — é, na verdade, uma convenção, ou seja, um sistema, em última análise, "inventado".


"Partir do pressuposto de que o ano termina à meia-noite do dia 31 de dezembro e começa no dia 1º de janeiro é uma construção social, uma definição que foi feita em um momento da história", afirma.


Segundo Larrañaga, dado que a base para medir um ano é o tempo que a Terra leva para dar a volta no Sol, contar quando esse ciclo começa e termina pode ocorrer, na prática, a qualquer momento.


"Do ponto de vista astronômico, nada de especial acontece no dia 31 de dezembro para dizer que é aqui que termina o ano, tampouco nada de especial acontece no dia 1º de janeiro para dizer que é quando começa", explica.


"Na realidade, em toda a órbita da Terra não há nada de especial ou fora do comum que aconteça para marcar a mudança de um ano."


Mas não para por aí.


A duração exata de 365 dias do ano (ou 366, no caso dos bissextos) é outra convenção social.


"Na verdade, há muitas formas de medir a duração de um ano", diz Larrañaga.


E, dependendo da forma utilizada, a duração não é a mesma.


Mas como isso é possível?

A duração do ano


Desde que foi introduzido pelo imperador Júlio César, em 46 a.C., o calendário juliano serviu para contar a passagem dos anos e da história da Europa até o fim do século 16.


Porém, desde a Idade Média, vários astrônomos perceberam que essa forma de medir o tempo produzia um erro acumulado de aproximadamente 11 minutos e 14 segundos a cada ano.


Foi então que, em 1582, o Papa Gregório 13 promoveu a reforma do calendário que usamos até hoje, fazendo ajustes para aperfeiçoar o modelo introduzido por Júlio César, que já previa os anos bissextos. Uma das alterações instituídas pelo pontífice para lidar com o excedente acumulado foi deixar de tornar um ano bissexto aquele divisível por 100, mas não por 400. Por exemplo, 2000 e 1600 foram anos bissextos, mas 1700 e 1900 não.



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Há pelo menos quatro maneiras de contar o tempo que a Terra leva para dar uma volta em torno do Sol


Larrañaga explica que, do ponto de vista da astronomia, base para a definição do que é um ano, não existe uma unidade de medida única, mas pelo menos quatro para contar o tempo que a Terra leva para dar uma volta em torno do Sol:


- Ano ou calendário juliano: "É uma convenção e é usada na astronomia como uma unidade de medida em que se considera que a Terra dá a volta no Sol em 365,25 dias".


- Ano sideral: "É o tempo que a Terra leva para dar uma volta no Sol em relação a um sistema de referência fixo. Neste caso, um grupo de estrelas é usado como referência, e esse ano tem uma duração de 365,25636 dias" .


- Ano trópico: "Leva em consideração a longitude eclíptica do Sol, ou seja, o ângulo do Sol no céu em relação à Terra ao longo do ano, principalmente nos equinócios. E dura um pouco menos que o ano sideral, 365,242189 dias".


- Ano anomalístico: "A Terra, assim como os outros planetas, se move em elipse. Essa elipse faz com que, em algumas ocasiões, o Sol esteja mais perto e mais distante da Terra. Mas há um ponto em que ambos estão o mais perto possível, chamado periélio". E o ano anomalístico é o tempo decorrido entre duas passagens consecutivas da Terra por seu periélio. Dura 365,2596 dias".


Embora Larrañaga indique que todos são da ordem de 365 dias, presumir que este é o período exato da duração de um ano se torna uma simplificação.


Mas também não leva em consideração outro fator.


"Há uma outra questão. É que, embora tenhamos esses cálculos, nem todos os anos duram o mesmo, não têm a mesma duração todas as vezes", diz.

Influências externas


De acordo com o especialista, embora os astrônomos tenham tentado calcular com precisão ao longo dos séculos o tempo que a Terra leva para dar uma volta em torno do Sol, há um problema básico que os impede de obter um número definitivo.


"É preciso levar em conta que a duração dos anos nunca é a mesma porque tudo muda no Sistema Solar. Veja o caso do ano anomalístico: enquanto a Terra gira em torno do Sol, o periélio muda como resultado da ação gravitacional de outros planetas, como Júpiter", explica.



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A influência gravitacional dos planetas e o movimento da Terra fazem com que a duração do ano nem sempre seja a mesma


O físico teórico lembra que algo semelhante ocorre com o chamado ano trópico, que mede o intervalo de tempo entre duas passagens consecutivas do Sol pelo Ponto Áries ou equinócio de primavera, ou com o sideral.


"O ano trópico também muda, uma vez que depende do eixo da Terra, que é torcido. É como um pião que vai balançando. Então a data e a hora do equinócio também são diferentes", afirma.


"E se compararmos quanto tempo durou o ano sideral em 2020 com quanto tempo durou em 1300, certamente notaremos uma diferença. Seria sempre em torno de 365 dias, mas não seria exatamente a mesma duração, porque o movimento da Terra nem sempre é o mesmo."


*Correção às 18h40 de 1 de janeiro de 2021: A versão original dessa matéria afirmava que os anos bissextos foram introduzidos pelo Papa Gregório 13, o que é incorreto, pois eles foram definidos anteriormente pelo calendário juliano — o que o pontífice promoveu foram ajustes sobre o modelo de Júlio César. A informação foi corrigida no texto.







Autor: Lioman Lima - @liomanlima BBC News Mundo
Fonte: BBC News
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 31/12/20
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55500776

Proxima centauri b: O intrigante sinal que chegou do sistema estelar mais perto do Sol



CRÉDITO,NASA
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Acredita-se que Proxima Centauri b seja um exoplaneta com superfície rochosa e fontes de água líquida


Cientistas investigam uma estranha emissão de ondas que pode ter chegado à Terra a partir de um planeta de fora do Sistema Solar e avaliam se ela poderia ser considerada um indício de vida extraterrestre.


Especialistas dizem que há indícios de que o sinal teria partido de Proxima Centauri b, o exoplaneta que orbita a estrela Proxima Centauri, a mais próxima do Sol, em uma região considerada potencialmente habitável.


Os astrônomos creem que Proxima Centauri b, planeta a 4,2 anos-luz da Terra, tenha uma superfície rochosa e fontes de água líquida. Algumas medições também indicam que poderia ter uma atmosfera, como ocorre na Terra.


A Nasa (agência espacial americana) classifica Proxima Centauri b, descoberto em 2016, como um exoplaneta ligeiramente maior do que a Terra (com massa 27% maior).


As ondas foram detectadas em 2019 por um radiotelescópio gigante instalado na Austrália e, desde então, grupos diferentes de cientistas tentam entender a descoberta.


Entre as hipóteses avaliadas está a de que a origem das ondas esteja ligada a alguma forma de vida fora da Terra.


"Foi um sinal que apareceu uma vez e não voltou a se repetir. Tinha uma frequência diferente da que emitem os dispositivos terrestres como satélites e espaçonaves", explica à BBC Mundo (serviço em espanhol da BBC) a pesquisadora Mar Gómez, doutora em Ciências Físicas pela Universidade Complutense de Madrid.

A detecção das ondas


O Observatório Parkes está localizado no Estado de Nova Gales do Sul, na Austrália. É chamado de "O Prato" por conta do radiotelescópio que funciona ali há 50 anos. Foi ele que detectou o sinal estranho.


Ele já foi usado em várias missões espaciais e compartilha informações com diferentes organizações, como a Nasa.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

O estranho sinal de rádio foi detectado por radiotelescópio na Austrália


"Estamos falando de um telescópio muito importante. Temos que lembrar que ele foi utilizado para receber imagens da aterrissagem da Apolo 12 na Lua", comenta Gómez.


A pesquisadora acrescenta que o observatório também colabora com outras missões como os projetos de busca por inteligência extraterrestre (SETI, na sigla em inglês).


A estranha emissão de ondas chamou a atenção dos cientistas.


"Como no espaço não há som, a única forma que temos para nos comunicarmos, assim dizendo, são ondas de rádio. Nós podemos emiti-las ao espaço exterior. Talvez em outro planeta ou sistema estelar exista uma forma de vida que tente se comunicar dessa forma", afirma.


O projeto Breakthrough Listen, que se dedica à observação e à análise da busca de sinais de vida no Universo, também investiga os sinais.


Trata-se de um fundo de US$ 100 milhões (R$ 520 milhões) que contou com o apoio do astrofísico Stephen Hawking na época de seu lançamento (2015).


Segundo o diário britânico The Guardian, o Breakthrough Listen publicará um relatório sobre os sinais de rádio detectados na Austrália nos próximos meses.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

O telescópio gigante está localizado no sudeste da Austrália


Gómez indica que até agora não há muitas informações na comunidade científica sobre os resultados das pesquisas.

Procura por vida extraterrestre


Há cada vez mais cientistas que defendem uma busca mais séria por vida extraterrestre.


Pallab Ghosh, jornalista de ciência da BBC, relatou em fevereiro de 2020 que esse foi um dos pedidos feitos em uma reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em Seattle.


Naquela ocasião, o diretor do Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA, Anthony Beasley, afirmou que deveria haver mais apoio do governo americano para esse campo de pesquisas, rejeitado por décadas pelos financiadores dos projetos governamentais.


A Nasa também tem seus projetos sobre isso e foi além da observação astronômica. Em julho a agência lançou a missão do robô explorador Perseverance para buscar vestígios de vida em Marte.


Esta é a primeira missão da Nasa que procura diretamente "assinaturas" ou sinais biológicos de vida desde a missão Viking, na década de 1970.



CRÉDITO,NASA / JPL-CALTECH
Legenda da foto,

O Perseverance explorará Marte por ao menos um ano marciano (687 dias terrestres)


Justamente nessa época se enviou o primeiro sinal da Terra para tentar contactar possíveis civilizações no espaço.


Gómez explica que todos esses projetos são relevates porque, ainda que se encontre somente bactérias ou micróbios em outros planetas, pode ser uma das notícias científicas mais importantes da história.


"Essa é nossa maior inquietação. O fato de poder existir qualquer forma de vida e a encontrarmos vai nos permitir conhecer nossas próprias origens e como a vida pode se desenvolver. Basicamente é a pergunta final de nossa existência", conclui.







Autor: Boris Miranda BBC News Mundo
Fonte: BBC News
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 01/01/21
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55498244

sábado, 2 de janeiro de 2021

Primeira exposição ao coronavírus pode não produzir memória imune




Em continuidade às ações de enfrentamento à pandemia, os pesquisadores da Fiocruz constataram que a memória para resposta imune do coronavírus — que impediria uma nova infecção — pode não acontecer em casos brandos. A descoberta se deu após o sequenciamento dos genótipos do novo coronavírus e reforça que a reinfecção por Sars-Cov-2 é possível. O artigo Viral Genetic Evidence and Host Immune Response of a Small Cluster of Individuals with Two Episodes of Sars-Cov-2 Infection, em pre-print no periódico Social Science Research Network (SSRN), foi coordenada pelo pesquisador do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS/Fiocruz) Thiago Moreno.

A pesquisa acompanhou semanalmente quatro indivíduos assintomáticos a partir do início da pandemia, em março. Durante a pesquisa, foram feitos testes sorológicos e RT-PCR nos indivíduos acompanhados. No sequenciamento dos genomas, os pesquisadores confirmaram que uma pessoa contraiu o vírus associado à um genoma importado para o país e outra apresentou uma estrutura viral associada ao genoma que já circulava pelo Rio de Janeiro. Todos os indivíduos testaram positivo para Covid-19 e eram assintomáticos.

De acordo com Thiago Moreno, uma das pessoas acompanhadas procurou novamente o grupo de pesquisa no final de maio alegando sinais e sintomas mais fortes de Covid-19, como febre e perda de paladar e olfato. “Quando fizemos o RT-PCR mais uma vez, os quatro indivíduos testaram positivo. O que observamos foi uma reinfecção dentro do ambiente familiar. Contudo, a pessoa que apresentou em março o genótipo associado com casos importados no Brasil agora estava infectada por uma outra cepa. No sequenciamento, também foi observado que o outro indivíduo que tinha sido infectado com o genótipo que circulava no Rio continuava com o mesmo genótipo, mas tinha um acúmulo de mutações que permitiu a interpretação de que era uma reinfecção e não uma persistência de infecção”, explica.

Para o virologista, o trabalho reforçou a noção de que a reinfecção pelo novo coronavírus é possível, e que é algo comum entre vírus respiratórios, enfatizando que a primeira exposição ao vírus não é formadora de memória imune. “Casos assintomáticos ou muito brandos, se forem reexpostos ao vírus, poderão ter novamente uma infecção. Desta vez, pode ser que o quadro se agrave e que essa infecção seja mais severa do que a primeira, como demonstrado na pesquisa. Por isso, o alerta à população sobre a imunidade para o coronavírus. Em alguns casos, as respostas imunes podem ser fortes num primeiro momento, mas não significa que elas sejam duradouras”, conclui.






Autor: Gardênia Vargas (CDTS/Fiocruz) e Matheus Cruz (CCS/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 23/12/20
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/primeira-exposicao-ao-coronavirus-pode-nao-produzir-memoria-imune

Calendário astronômico: os eventos para se observar nos céus em 2021



Céu estrelado na região do Himalaia — Foto: Divulgação



Olhar para o céu trará algumas recompensas em 2021.


O novo ano terá um eclipse lunar parcial que será visível no México, América Central e parte da América do Sul (infelizmente não no Brasil), bem como um eclipse solar total e as tradicionais chuvas de meteoros.


Além das três superluas, outras datas a destacar dizem respeito à exploração espacial, com o lançamento de missões e a chegada de algumas sondas ao seu destino.


Este é um calendário dos eventos astronômicos mais importantes de 2021, com uma explicação de onde eles serão visíveis.


Eclipses




Vista geral do eclipse solar parcial da cidade de Santo André, na grande São Paulo, nesta segunda-feira, 14 de dezembro de 2020. — Foto: DEIVIDI CORREA/ESTADÃO CONTEÚDO


Em 2021, apenas dois quatro eclipses que ocorrerão serão vistos na América Latina. Os outros três serão vistos de forma limitada na região.



26 de maio, eclipse lunar total. Nesta data o satélite natural da Terra vai passar pela sombra (umbra) do planeta.


À medida que isso acontece, a Lua vai escurecendo gradualmente. Neste ano, por coincidir com o fenômeno da superlua, cuja face parece maior e mais brilhante devido à sua proximidade com a Terra, o eclipse deve ser mais atraente.


O eclipse poderá ser totalmente apreciado em países do Pacífico e Leste Asiático, Austrália e oeste da América do Norte. Mas em México, Chile e Argentina, a visão será parcial.


10 de junho, eclipse anular do Sol. Quando a Lua ficar entre a Terra e o Sol nesta data, ocorrerá um eclipse. O resultado será um anel de luz solar. No entanto, o eclipse será parcial, e não total.


Este show será visível no Canadá, Rússia e no Oceano Ártico. E parcialmente no nordeste dos EUA e na Europa.


19 de novembro, eclipse lunar parcial. Eclipses como este ocorrem quando a Lua passa parcialmente pela sombra da Terra (penumbra) e apenas parte do satélite passa pela sombra mais escura (umbra).


Será visível no México, América Central e na parte mais noroeste da América do Sul, em certas partes da Colômbia, Equador e Peru. Também nos EUA, Canadá e leste da Rússia.


4 de dezembro, eclipse total do Sol. Embora seja o espetáculo mais esperado do gênero, como a Lua bloqueia totalmente a luz do Sol e gera trevas, será um eclipse visível apenas em algumas áreas remotas, entre outras, da Antártica, a Atlântico Sul e parte do extremo sul da África.


Chuva de meteoros


Como todos os anos, quando a órbita da Terra passa perto dos restos de gelo, poeira e partículas que os cometas perdem após sua última aproximação do Sol, ocorrerá o fenômeno conhecido como "chuva de meteoros" ou "estrela cadente".



Na realidade, consiste na passagem de meteoros pela atmosfera. Quando queimados, eles produzem o conhecido efeito visual, linhas de luz que cruzam o céu. Se sobrevivem e chegam ao solo, as rochas são chamadas de meteoritos.


Essas chuvas podem ser vistas em quase qualquer lugar do mundo, em lugares com pouca iluminação artificial e uma ampla faixa de horizonte.


Os dias para apreciar as diferentes chuvas de meteoros, que recebem os nomes das constelações em que são geradas, serão os seguintes:



3 de janeiro: Quadrantídeos.
22 de abril: Lírico.
4 de maio: Eta aquarídeos.
27 de julho: Aquarídeos delta.
12 de agosto: Perseidas.
7 de outubro: Draconídeos.
21 de outubro: Orionidas.
5 de novembro: Taurídeos do Sul.
12 de novembro: Taurídeos do Norte.
17 de novembro: Leônidas.
19 de novembro: Geminidas.
22 de dezembro: Ursidas.


As "superluas"


Uma "superlua" ocorre quando a órbita da Lua está mais próxima (perigeu) da Terra ao mesmo tempo em que está cheia. No novo ano ocorrerão três "superluas", que costumam ter nomes curiosos por sua cor ou motivo.



8 de abril: Lua Super "rosa".
26 de maio: lua cheia das "flores".
24 de junho: lua super de "morango".


Exploração espacial


2021 também será um ano marcante na exploração espacial, pois algumas missões atingirão seu objetivo, enquanto outras serão lançadas.


Se tudo correr bem, estas são as datas programadas:


18 de fevereiro: a sonda Perseverance da NASA chega à cratera Jezero em Marte.
Fevereiro (dia a ser determinado): chegada da sonda chinesa Tianwen-1 à planície Utopia Planitia de Marte.
22 de julho: NASA lança missão DART aos asteróides Didymos e Dimorphos, com o objetivo de desviá-los, algo que nunca foi feito.
16 de outubro: a NASA lança a missão Lucy para explorar sete asteroides de Tróia que flutuam na órbita de Júpiter e são material primordial de outros planetas, em uma tentativa de decifrar a formação do Sistema Solar.
31 de outubro: A Agência Espacial Europeia, a NASA e sua contraparte canadense lançarão o telescópio James Webb, o mais avançado observatório espacial que substituirá o histórico telescópio Hubble.




Autor: BBC
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 02/01/21
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2021/01/02/calendario-astronomico-os-eventos-para-se-observar-nos-ceus-em-2021.ghtml