segunda-feira, 23 de outubro de 2023

Livro infantil sobre cientistas negras é recomendado pelas secretarias de Educação



Ela era uma adolescente, cursando o terceiro ano do Ensino Médio, quando a sua escola promoveu uma visita dos alunos a uma reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Foi naquele dia que Ana Lúcia Nunes de Sousa decidiu seguir a carreira acadêmica, tornar-se cientista. Professora adjunta no Instituto Nutes de Educação em Ciências e Saúde, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ana Lúcia lançou durante a Bienal do Livro, em setembro, sua primeira obra, “Luanda no mundo da ciência”. 

O livro, voltado para o público infantil, conta de forma lúdica as histórias de cientistas negras do Rio de Janeiro, a partir do olhar de uma menina de 10 anos, que precisa fazer uma redação sobre o que ela pretende ser quando crescer. É com a chegada de uma prima mais velha que ela vence o desafio, após ser apresentada ao diversificado mundo da Ciência. Entre as cientistas negras do Rio de Janeiro citadas na obra estão a filósofa e professora de história, Helena Theodoro; a engenheira química Michelle Mothé; e a dançarina e professora do curso de dança Tatiana Damasceno, por exemplo. Diante dessa diversidade de possibilidades e atuações, Luanda descobre que nos caminhos da ciência ela poderia ser o que quisesse.


Autor: Paula Guatimosim 
Fonte: Faperj 
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 19/10/2023
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=428.7.7

Lúpulo brasileiro ganha produção por startup em Seropédica


A primeira biofábrica produtora de mudas de lúpulo brasileiro por cultivo in vitro em laboratório tem a proposta de utilizar uma das técnicas mais modernas de melhoramento genético para edição do genoma da planta e criação de novas variedades. As mudas de lúpulo usadas no País para a produção de cerveja são importadas, principalmente, dos Estados Unidos e da Europa, e não adaptadas ao clima brasileiro.

Sediada na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a BioHop é a startup de biotecnologia com foco em produção de mudas por cultivo in vitro com testes de sanidade por técnicas moleculares, uso de engenharia genética para o desenvolvimento de novas variedades de plantas e projetos de inovação para empresas. A startup recebeu investimentos da FAPERJ para a montagem de um laboratório e a implantação de uma biofábrica e viveiro de mudas de lúpulo, no município de Seropédica, no estado do Rio de Janeiro.

A empresa também propõe o uso da tecnologia CRISPR para edição gênica de plantas, “ligando e desligando os genes”, de acordo com as características almejadas. No caso das plantas, permite o desenvolvimento de novas variedades no laboratório em curto prazo, diferente do melhoramento por cruzamento de plantas.

O aroma e o sabor tropicais serão os aspectos almejados das mudas de lúpulo brasileiro. Além disso, os criadores querem superar desafios como adaptação ao clima, pragas e doenças que acometem a lavoura e contribuir, assim, com espécies mais produtividade para agricultores. E como produto final, um valor comercial mais baixo para os cervejeiros artesanais.

"Queremos uma cerveja 100% brasileira. O lúpulo precisa de um impulsionamento do mercado para diminuir a importação do produto, que é um dos mais caros para indústria cervejeira. Queremos ser também exportadores de bebidas com características tropicais. O produto com aroma possui alto valor de mercado, podendo alcançar a cifra de R$ 600, o quilo", ressalta Cássia Coelho, doutora em Agronomia e fundadora da BioHop.


Autor: Claudia Jurberg 
Fonte: Faperj 
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 19/10/2023
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=429.7.3

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Outubro Rosa: mitos e verdades sobre o câncer de mama


O câncer de mama, é uma das doenças que mais afeta as mulheres, ocorre devido alterações genéticas nas células mamárias fazendo com que elas cresçam sem ordem ou controle e formem um tumor maligno. Em 19 de outubro, o mundo celebra o Dia do Combate ao Câncer de Mama, uma data que visa lembrar a importância da prevenção, detecção precoce e tratamento adequado dessa doença.

No entanto, além da esperança e das iniciativas que envolvem esta data, circulam informações que nem sempre são precisas e que podem causar confusão e medo. Nesse contexto, para desmitificar as informações que cercam essa doença complexa, foi consultada a mastologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Viviane Esteves.

O câncer de mama sempre gera bolas que podem ser sentidas e causam dor

V.E.: Fake. O câncer de mama deve levantar suspeita em nódulos que aparecem em mulheres com mais de 50 anos, nódulos em mulheres com mais de 30 anos que persistem por mais de um ciclo de menstruação, nódulo que têm uma consistência mais endurecida, fixa, que vem aumentando de tamanho, saída de secreção sanguinolenta pelo mamilo, feridas, lesões na pele da mama que não respondem aos tratamentos, homens que tenham tumores ou nódulos palpáveis, caroços linfonodos aumentados na axila, alterações do tamanho da mama ou alterações da pele da mama, edemas com aspecto de casca de laranja, retrações na mama, mudança no formato do mamilo (se ele ficar para dentro, se ele retrair), são todas essas situações que devem ser suspeitas e diante delas é recomendável procurar atendimento médico porque pode ser câncer de mama e não só a bola que causa dor.

O câncer de mama ocorre apenas em mulheres de meia-idade e idosas

V.E.: Fake. A faixa etária de maior risco realmente é de mulheres de 50 a 69 anos, mas nós sabemos que existe uma parcela grande da população que apresenta câncer de mama com menos de 50 anos e uma parcela da população que também apresenta câncer de mama com mais de 69 anos. Então, qualquer alteração das mencionadas acima com relação a mama, a orientação para a paciente é procurar atendimento médico.

A reposição hormonal durante a menopausa traz risco para o câncer de mama

V.E.: Verdade. A reposição hormonal aumenta o risco, mas não aumenta a mortalidade. Então, mulheres com indicação para a realização de terapia de reposição hormonal, com supervisão médica, podem e devem fazer.

Uso de anticoncepcional oral causa câncer de mama

V.E.: Parcialmente verdade. Existem poucos artigos que correlacionam o uso do anticoncepcional com o aumento do risco de câncer, mas são poucos artigos e um risco muito discreto. Então, hoje não é para ninguém deixar de fazer o anticoncepcional por medo do risco de câncer. A mulher pode tomar, se tiver indicação com orientação médica.

A amamentação protege contra o câncer de mama

V.E.: Verdade. A amamentação é realmente um fator de proteção e deve ser incentivada pelo maior tempo possível.

“Não terei câncer de mama se não tiver histórico familiar da doença”

V.E.: Fake. A maior parte dos diagnósticos de câncer de mama são feitos em mulheres que não têm histórico familiar de câncer de mama. Apenas 5 a 10% das pacientes com câncer de mama têm um câncer que nós chamamos de caráter hereditário.

Se tiver um nódulo no seio é muito provável que seja câncer

V.E.: Fake. As causas mais prováveis de nódulos são benignas, principalmente em mulheres jovens. Mas sempre tenha atenção se o nódulo estiver endurecido, espiculado (que aparecem nos exames radiológicos), se ele crescer, e se for muito persistente. Nesses casos a paciente precisa procurar um especialista.

“Meu nódulo mamário é muito doloroso, então certamente não é câncer, já que nódulos cancerígenos supostamente não são dolorosos”

V.E.: Fake. A maior parte dos tumores de mama realmente não são dolorosos, mas se eles forem grandes, tiver comprometimento de pele ou dos gânglios axilares, esses nódulos podem sim ser dolorosos.

“Se meu histórico familiar vier do lado paterno, não terei câncer de mama”

V.E.: Fake. A predisposição hereditária que corresponde a menor percentual dos casos de câncer de mama não estão relacionados com o sexo, com o pai ou com a mãe. Sendo assim, o histórico familiar paterno também conta como risco para câncer de mama.

Uma pancada no seio pode causar câncer

V.E.: Fake. Normalmente, a paciente quando tem uma pancada, ela palpa e observa mais o local e acaba identificando às vezes que tem alguma alteração na mama, mas uma pancada ou queda não causa câncer de mama.

Sutiã apertado pode causar câncer de mama

V.E.: Fake. O sutiã apertado pode causar dor, incômodo, mas não existe nenhuma evidência na literatura científica que indique que o uso de sutiã apertado possa causar câncer de mama.

Usar desodorante antitranspirante causa câncer de mama

V.E.: Fake. Essa história do uso do desodorante com alumínio causando câncer de mama veio por conta da absorção do alumínio, mas também não tem estudo que correlaciona o antiperspirante com o alumínio com o câncer de mama.

Colocar o celular no sutiã pode causar câncer de mama

V.E.: Fake. Não existe comprovação científica de que colocar celular, dinheiro ou cartão no sutiã possa aumentar o risco de câncer de mama.

Comer frango aumenta o risco de câncer de mama

V.E.: Fake. Não existem ainda estudos mostrando que o consumo do frango aumenta ou diminui o risco de câncer de mama.

Praticar exercícios físicos ajuda na prevenção do câncer de mama

V.E.: Verdade. A prática de exercício físico é um fator de proteção e deve sempre ser estimulada.

Ter seios pequenos torna você menos propensa ao câncer de mama

V.E.: Fake. O tamanho dos seios não interfere no risco de desenvolver câncer de mama. Basta ter o tecido mamário que a mulher pode desenvolver a doença.

Próteses de silicone aumentam o risco de câncer

V.E.: Fake. A prótese de silicone está associada a um risco de câncer muito raro, que é o linfoma de grandes células da mama, e não tem a ver com o câncer de mama mais comum, que é o carcinoma. 

Ter um seio maior que o outro é sinal de que pode gerar câncer de forma mais fácil

V.E.: Fake. Um seio maior que o outro não aumenta risco de câncer de mama.

Cremes reafirmantes de mama e cremes antiestrias são fatores de risco relacionados ao câncer de mama

V.E.: Fake. Hoje em dia, existem estudos falando sobre os disruptores endócrinos, mas ainda não podemos afirmar que esses cremes estão associados ao aumento do risco de câncer.

Consumir muito açúcar pode causar câncer de mama

V.E.: Verdade. O consumo de doces pode causar câncer de mama parcialmente. O que está associado ao aumento do risco de câncer de mama é o excesso de gordura corporal, uma obesidade, sobrepeso, então pessoas que consomem muito doce, em demasia, elas têm uma maior predisposição a estarem acima do peso e o sobrepeso aumenta o risco de câncer de mama.

A mamografia é dolorosa

V.E.: Fake. Para termos uma boa mamografia, é preciso que a mama seja comprimida para uma boa visualização das estruturas do seio. A pessoa pode sentir um incômodo da compressão da mama, mas não é para ter dor fazendo a mamografia.

“Estou grávida. Devo aguardar para fazer a mamografia”

V.E.: Verdade. Se estiver grávida, a orientação é que não faça a mamografia. Mas se houver necessidade, a gestante pode fazer a mamografia, porque a radiação é muito pequena e elas usam uma proteção abdominal. Mas somente se tiver uma suspeita ela pode fazer a mamografia com proteção abdominal.

A punção do seio para diagnósticos pode espalhar o câncer se a pessoa tiver a doença

V.E.: Fake. Já existem muitos trabalhos mostrando que a punção não aumenta a disseminação no sangue ou na própria mama de células do câncer de mama. Então, a primeira opção, quando possível, diante de um nódulo de mama é realizar a punção antes da cirurgia.

Fazer autoexame descarta a necessidade da mamografia

V.E.: Fake. O autoexame não diagnostica tumores pequenos, a mamografia diagnostica tumores menores do que um centímetro e nós sabemos que no diagnóstico precoce, a detecção de tumores pequenos aumenta as taxas de cura. Então, o recomendável é a mulher fazer o autoexame para uma consciência corporal, para saber como são suas mamas, e caso encontre qualquer alteração procurar o especialista, mas isso não impede que ela faça mamografia.

O consumo de álcool aumenta as chances de câncer de mama

V.E.: Verdade. Atualmente, sabemos que o consumo de álcool aumenta o risco de câncer de mama. Nesse sentido, como prevenção, as pacientes devem ser estimuladas a diminuir o consumo do álcool, pois é um agente carcinogênico.

Fumar pode causar câncer de mama

V.E.: Parcialmente verdade. O tabagismo não deve ser estimulado independentemente do tipo de câncer, pois ele aumenta o risco de diversos tipos de câncer. No caso do câncer de mama, alguns estudos mostram que ele aumenta e alguns outros estudos falam que não aumenta. Mas, possivelmente, fumar aumenta o risco desse tipo de câncer.

Todos os tipos de câncer de mama são tratados praticamente da mesma maneira

V.E.: Fake. Hoje, não temos mais um tipo de carcinoma, existem pelo menos 4 grandes grupos de carcinomas que são tratados de maneiras diferentes. Os que respondem ao hormônio tratamos com o hormônio, os que respondem a um tipo de receptor, que é o HER-2, tratamos com o bloqueador de HER-2, às vezes eles respondem a esse bloqueador e respondem ao hormônio, então tratamos com os dois, e tem uns que não respondem nem ao hormônio, nem ao HER-2, sendo tratados de maneira diferente, pois na realidade têm comportamentos distintos. O tratamento vai ser totalmente diferente, depende de cada paciente.

Se um câncer for exposto ao ar ele se espalhará

V.E.: Fake. Cirurgias e biópsias não aumentam o risco do câncer se espalhar.

A radioterapia é perigosa e pode comprometer outros órgãos, como coração, costelas e pulmões

V.E.: Parcialmente verdade. A radioterapia atualmente já tem bastante melhoria, então, apesar de realmente ter um risco de poder ter algum escape para o pulmão ou para o coração, o benefício da radioterapia é enorme nas cirurgias conservadoras. Ela deve ser realizada e os aparelhos hoje já estão muito mais modernos, o que diminui muito o risco de comprometer os outros órgãos.

Ter câncer de mama é uma sentença de morte

V.E.: Fake. O câncer de mama tem cura. Quanto mais precoce o diagnóstico, mais chance de cura, então quanto menor a lesão, maior a chance de cura e muitos fatores têm que ser considerados, mas o câncer de mama pode ser curado. Hoje em dia, tumores mais avançados também têm tratamento, então tem muitos pacientes convivendo com tumores avançados, fazendo tratamento e vivendo bem.

Nada pode ser feito para evitar a doença

V.E.: Fake. Nós podemos reduzir o risco de desenvolver câncer de mama com a prática de atividade física, mantendo o peso adequado, com uma alimentação mais saudável, evitando o consumo de bebidas alcoólicas, praticando a amamentação, quando for o caso, e evitado o tabagismo. Com essas mudanças de hábitos de vida podemos prevenir em até 30% o risco de desenvolvimento do câncer de mama.

Nesse Dia do Combate ao Câncer de Mama, a mensagem é clara: prestar sempre atenção aos seios, procurar um especialista caso alguma alteração, fazer a mamografia e buscar informações precisas são passos cruciais para a prevenção precoce. 

A detecção prematura é uma aliada poderosa que pode salvar vidas na batalha contra essa doença. Para aprofundar seu entendimento sobre como a detecção precoce pode fazer a diferença, assista ao vídeo com orientações da mastologista do Instituto, disponível no instagram. 


Autor: Fiocruz 
Fonte: Fiocruz 
Sítio Online da Publicação: Fiocruz 
Data: 20/10/2023

Estudo avalia se vacinação materna contra coqueluche é efetiva em lactentes.


A coqueluche é uma doença respiratória altamente contagiosa e potencialmente grave. Apesar da redução da gravidade ter sido expressiva desde a introdução de vacinas infantis de células inteiras e acelulares, a morbilidade e a mortalidade permanecem elevadas em crianças pequenas, que representam 70 a 90% de todas as hospitalizações e óbitos atribuíveis à tosse coqueluchoide. Durante a gestação, a vacinação contra coqueluche protege contra a doença no bebê durante os primeiros seis meses de idade. No entanto, os possíveis efeitos dos anticorpos maternos na resposta dos bebês à imunização primária continuam a ser uma questão relevante.  

Recentemente, pesquisadores na Austrália conduziram um estudo muito interessante cujos objetivos foram fornecer estimativas robustas da eficácia da vacina (EV) materna contra a coqueluche na prevenção da infecção em bebês (em geral, por idade infantil e por idade gestacional na vacinação), além de investigar possíveis efeitos de embotamento da resposta imune em nível populacional, usando dados reais mundiais.


Autor: Por Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed 
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 19/10/2023


quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Anvisa autoriza pesquisa clínica com células CAR-T no tratamento contra o câncer


agora é





Oncologia

Anvisa autoriza pesquisa clínica com células CAR-T no tratamento contra o câncer
O ensaio clínico será realizado com medicamento especial à base de células geneticamente modificadas, as chamadas células CAR-T.

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Por Augusto Coutinho — 28/09/2023
A Anvisa autorizou a realização do estudo clínico da terapia genética conhecida como CAR-T Cell, fruto de uma parceria entre a Fundação Hemocentro de Ribeirão Preto (FUNDHERP) e o Instituto Butantan. O tratamento envolve a utilização de células do próprio paciente, que são retiradas, modificadas e reinseridas no paciente para combaterem o tumor.

Autor: pebmed 
Fonte: pebmed 
Sítio Online da Publicação: pebmed 
Data: 28/09/2023

Fiocruz Amazônia alerta para efeito devastador das queimadas


A médica veterinária e pesquisadora em Saúde Pública do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) Alessandra Nava faz um alerta para o efeito devastador das queimadas, cuja fumaça há dias encobre diversas cidades do Amazonas. Segundo ela, seres humanos e animais estão sendo “envenenados”, por conta da atitude criminosa de quem queima quilômetros de floresta para ocupação ilegal. “Os hospitais estão lotados de pessoas, principalmente crianças com problemas respiratórios. Porém, as queimadas criminosas que estão ocorrendo no Estado afetam diretamente a saúde humana e animal, causam perda de biodiversidade e da floresta – e dos preciosos serviços ecossistêmicos que a floresta e sua biodiversidade provêm”, destaca a veterinária.

Alessandra considera a ocorrência um problema grave, complexo, de múltiplas consequências, o que demonstra como a abordagem em Saúde Única (One Health) é importante, na promoção, prevenção e resolução de problemas. “A Saúde Única tem como base a premissa de que estamos todos interligados: sufoca gente, queima bicho, sofre a floresta e perdemos todos com isso, mesmo quem está botando fogo pra lucrar”, salienta, alertando que as queimadas e os múltiplos problemas decorrentes desta afetarão mais duramente um  recorte da população, que já se encontra em situação de vulnerabilidade devido à dificuldade de acesso a serviços de saúde, água potável e insegurança alimentar, decorrentes da seca severa que afeta os rios.

“Para essas pessoas, o acolhimento é emergencial e tem que ser abordado imediatamente. Para agravar essa situação, estamos sofrendo uma das maiores secas dos últimos anos no Amazonas, exacerbada pela crise climática e o El Niño (fenômeno que causa o aquecimento anormal das águas do Pacífico e altera temporariamente a distribuição de umidade e calor no Planeta, principalmente na zona tropical). Peixes e mamíferos marinhos morrendo no rio que seca e ferve e onde a temperatura aumentou 7 graus na mesma época de um ano a outro”, explica a veterinária, referindo às possíveis causas da morte de botos que ainda está em investigação.  “Em relação aos mamíferos marinhos, pelo menos a gripe aviária já foi descartada”, observa.

Poluentes

Para a médica veterinária, a inalação contínua de poluentes como o monóxido de Carbono, e material particulado podem causar problemas sérios de saúde para a população. “O material particulado PM 2.5, são partículas muito finas que podem ter o diâmetro de 2.5 mícrons ou até menos e tem capacidade de penetrar profundamente nos pulmões causando graves problemas respiratórios, podendo afetar outros órgãos e inclusive podendo causar acidentes vasculares cerebrais (AVC). É urgente que nossos gestores, a sociedade civil e seus atores estejam atentos a crimes ambientais, que privatizam os lucros e socializam enormemente os prejuízos. Devemos denunciar as queimadas ilegais pressionar ações de prevenção desses crimes”, frisa.



Autor: Fiocruz Amazônia 

Fonte: Fiocruz Amazônia

Sítio Online da Publicação: Fiocruz Amazônia

Data: 17/10/2023

Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-amazonia-alerta-para-efeito-devastador-das-queimadas

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Semana Nacional de Ciência e Tecnologia contará com diversas atividades na Fiocruz


De 17 a 20 de outubro, as unidades e escritórios da Fiocruz em diversos estados promoverão atividades da 20ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia. A Semana terá início com a cerimônia de abertura Rios de conhecimentos: demarcando a ciência com as vozes indígenas, nesta terça-feira (17/10), às 9h, no Auditório do Museu da Vida Fiocruz, no Rio de Janeiro, com Diadiney Helena de Almeida. Historiadora, mulher indígena de origem pataxó e professora do Departamento de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), Almeida abordará a potência da escrita na luta pela garantia dos direitos de todos os povos indígenas. Ela falará também sobre a defesa dos registros indígenas, as formas de comunicação, ensino e aprendizagem. A cerimônia de abertura será uma defesa dos modos tradicionais de expressão de cada povo, tão necessários para combater o racismo, o epistemicídio e para o fortalecimento dos rios de conhecimentos.

A mediação fica por conta da pesquisadora Ana Lúcia Pontes (Ensp/Fiocruz), médica coordenadora do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), estruturado em janeiro de 2023 para reverter os impactos causados pela desassistência e pelo garimpo na saúde do povo yanomami. Ao final da mesa haverá a premiação do 1º Concurso Portinho Livre de Literatura Infantojuvenil, promovido pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), com apoio do Edital Ideias Inovadoras, do Programa Fiocruz de Fomento à Inovação. É uma homenagem aos 50 anos do Programa Nacional de Imunizações do Brasil. Dentre 166 trabalhos recebidos, o júri do concurso elegeu como vencedor Luiz Felipe Lemos Amorim, de 14 anos, que virá de São Luis para receber a placa de primeiro lugar. Toda a cerimônia será transmitida on-line. Presencialmente haverá intérprete de Libras e profissionais de audiodescrição.

Um dos destaques nacionais são as atividades de promoção da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma), realizadas no âmbito da temática Ciências básicas para o desenvolvimento sustentável, para estimular os jovens a se inscreverem na Obsma. Essa atividade participará da Feira de Ciência e Tecnologia, no Campus Manguinhos da Fiocruz, entre os dias 17 e 20. Simultaneamente, a Fiocruz Pernambuco oferecerá a atividade Projeto de ciências: um instrumento para atividades transversais em saúde e meio ambiente nas escolas, oficina pedagógica de cunho formativo, vinculada à Obsma, para apoiar no desenvolvimento de um projeto de ciências junto a professores e alunos.

Quem estiver pelo Rio de Janeiro poderá participar de muitas atividades na sede da Fiocruz Manguinhos. Entre 17 e 20 de outubro, a atividade Como está seu status vacinal?, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), é uma boa sugestão para quem deseja se informar sobre vacinas de um modo divertido. Será das 9h às 12h, no espaço da feira de ciência e tecnologia, ao lado da sede do Museu da Vida Fiocruz.

Quem quiser se aprofundar ainda mais no assunto de vacinação, a atividade O básico da ciência: vacina! Não vacila!, promovida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) no dia 18, das 9h às 12h, apresentará dimensões biológicas, filosóficas, históricas e sociais da importância da vacinação. Para quem gosta de assuntos museológicos, este ano contaremos com algumas coleções de instituições repletas de história, como a coleção didática do setor educativo do Museu Nacional da UFRJ (dias 19 e 20/10, das 9h às 12h, na Feira de ciência e tecnologia), que trará a público uma variedade de espécies de animais para observação e interação. Outras coleções que marcarão presença são as do Museu da Patologia e do Museu da Vida Fiocruz, com exemplares de lâminas entomológicas (insetos) e histopatológicas (tecidos humanos).

Na Fiocruz Mata Atlântica, no dia 18, às 13h, ocorrerá a atividade Visita técnica da Caravana Bem Viver às instalações pedagógicas das tecnologias sociais da Fiocruz Mata Atlântica. Será uma oportunidade única para mostrar aos visitantes da caravana como a Fiocruz Mata Atlântica vem desenvolvendo trabalhos de preservação ambiental e social no território.

Entre os dias 17 e 19, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) promoverá o bate-papo Ciência na neve, sobre a instalação que mostra a experiência de pesquisadores do IOC na Antártica. A atividade ocorrerá em diferentes lugares do Campus Manguinhos a cada dia, com diversas oportunidades de horários. O intuito é sempre dialogar com o público presente de forma lúdica.

“É fundamental a gente dialogar sobre o que está sendo produzido pela academia e também pelo conhecimento científico tradicional, com outras formas de conhecimentos e outros saberes existentes na sociedade, porque isso também gera soluções de inovação mais potentes e mais socialmente sustentáveis a longo prazo”, ressalta o vice-diretor de Patrimônio Cultural e Divulgação Científica da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) e um dos coordenadores da SNCT na Fiocruz, Diego Bevilaqua.

No dia 19, no Salão do Icict, a Presidência da Fiocruz promoverá o bate-papo Nas lacunas e ausências: como garantir a sustentabilidade da interseccionalidade nos processos educativos, científicos e formativos?, no qual serão debatidas ações mais inclusivas, priorizando as interseccionalidades, para grupos da sociedade que ainda não recebem a devida atenção dentro de projetos de diversidade e inclusão. A atividade será oferecida das 10h às 11h e das 11h às 12h.

A SNCT, que comemora 20 anos na Fiocruz, também vai ocupar outros espaços do Rio de Janeiro, como o Sesc São Gonçalo, com o Ciência Móvel: Arte e Ciência Sobre Rodas. Neste museu itinerante, o Museu da Vida Fiocruz busca alcançar um público amplo e diversificado, levando para as escolas exposições, mostra de filmes e um programa educativo, a fim de promover a cultura científica e democratizar o conhecimento.

A programação completa pode ser consultada na aba Programação, disponível no site da SNCT na Fiocruz.


Autor: Fiocruz 
Fonte: Fiocruz 
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 17/10/2023