terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

De “Os miseráveis”, de Victor Hugo, às crianças de hoje: o amor pelas árvores

apaixonados pelas suas senhoritas? Muitos ficaram famosos e até hoje são lidos no mundo inteiro como é o caso do romance que vamos estudar neste ensaio intitulado “Os miseráveis” do autor francês Victor Hugo. Eu tenho muitas razões para ter escolhido este romance para falar sobre as árvores e a natureza que o preenche em todos os seus capítulos, mas uma delas é o amor que o autor procura passar para o leitor da natureza.

Esse cuidado com a natureza, de mostrar-lhe bela e exuberante mesmo em meio a uma guerra, mesmo em meio a fome, mesmo em meio ao desespero, faz do romance “Os miseráveis” de Victor Hugo algo maravilhoso aos nossos olhos e se o leitor for atento igual a mim verá que são tantas as vezes em que o autor traz a palavra “árvores” em seu romance que a gente acaba criando uma paisagem verde na descrição dos lugares que ele faz de forma própria e rápida. Uma leitura que recomendo a todos os amantes da literatura é essa obra que enaltece a beleza da natureza do eu, ou seja, do ser na sua essência mais sofrida e da própria natureza das florestas que estão sempre presentes nos românticos desse século.



Autor: Maria Joseth do Nascimento 
Fonte: ecodebate 
Sítio Online da Publicação: ecodebate 
Data: 06/02/2024 

Bolsa Família reduz risco de mortalidade por câncer de mama em municípios segregados


Mulheres residentes em áreas segregadas economicamente, e com poucos recursos e acesso escasso a serviços de saúde, estão mais propensas a morrerem por câncer de mama. Mas esses fatores de risco podem ser mitigados com programas de transferência de renda, como o Programa Bolsa Família (PBF). Um estudo recente, publicado na revista Jama Network, conduzido por pesquisadoras e pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia, avaliou mais de 20 milhões de mulheres adultas - entre 18 e 100 anos - e identificou que quanto maior o nível de segregação da área de moradia, maior o risco de morrer por câncer de mama. Ao comparar beneficiárias e não beneficiárias, mulheres que não receberam o Bolsa Família tiveram um risco de mortalidade por câncer de mama 17% maior em comparação com as beneficiárias do Programa.



O estudo mostrou que o PBF estava associado à melhoria da renda das mulheres e o acesso a serviços preventivos de câncer, levando à detecção precoce e ao tratamento  

Entre as mulheres que recebiam o PBF, aquelas que viviam em municípios com alta segregação de renda tinham um risco 13% maior de morrer por câncer de mama em comparação com aquelas que viviam em municípios com baixa segregação. Já entre aquelas que não recebiam o Programa, as que viviam em municípios com alta segregação tiveram um risco 24% maior de morrer de câncer de mama, comparado com as que viviam em municípios com baixa segregação. 

O estudo ainda reforça o resultado de pesquisa anterior, também realizada por pesquisadoras do Cidacs/Fiocruz Bahia, em que mulheres pretas tiveram um risco 10% maior de morrer da doença, em comparação com brancas. Essa avaliação anterior também levou em consideração mulheres registradas no Cadastro Único (CadÚnico), ou seja, que fazem parte de famílias pobres ou extremamente pobres. 

Para a pesquisadora Joanna Guimarães, associada ao Cidacs/Fiocruz Bahia, boa parte dos estudos sobre os efeitos do PBF têm foco na saúde infantil e doenças infecciosas, como hanseníase e tuberculose, e a saúde da mulher é menos explorada. “Este foi o primeiro estudo que investigou a associação entre o PBF e mortalidade por câncer de mama, que é o tipo de câncer que mais mata mulheres no Brasil e no mundo”, afirma a pesquisadora. 

A incidência de mortalidade por câncer de mama em municípios com baixa segregação foi de 6,4 mulheres a cada 100 mil habitantes. Em municípios com média segregação, a incidência de mortalidade foi de 6,7, enquanto nos municípios com alta segregação de renda, essa taxa chega a ser de 8,2 óbitos a cada 100 mil. 

“O estudo também mostra a importância do local de moradia das pessoas como um determinante das desigualdades na mortalidade por este tipo de câncer (para além dos fatores de risco individuais tradicionais como dieta, fumo e outros comportamentos de saúde), e como o PBF ajudou a proteger as mulheres dos efeitos negativos de viver em áreas mais pobres”, explica Joanna.

Dentre as 21.680.930 mulheres estudadas, 11.549.000 (53,3%) eram pardas, 7.110.375 (32,8%) eram brancas, 1.772.843 (8,2%) eram pretas, 104.252 (0,5%) eram indígenas e 96.085 (0,4%) eram asiáticas. Dessas, havia 7.227.998 mulheres em municípios com baixa segregação, 7.309.565 mulheres em municípios com média segregação e 7.143.367 mulheres vivendo em municípios com alta segregação.

Segregação e o processo saúde-doença

Pessoas com renda mais baixa e residentes de locais com acentuadas desigualdades estão sujeitas a fatores estruturais e ambientais que moldam o comportamento e as condições de vida. “A pesquisa mostrou o resultado de uma política pública, o Bolsa Família, na redução das desigualdades na mortalidade por câncer de mama em mulheres. Isso se deve possivelmente ao aumento da renda familiar e com isso maior acesso a medicamentos, alimentação de qualidade e acesso a serviços de transporte, permitindo a busca por serviços preventivos de câncer, como a realização de mamografia, em outros locais”, afirma Joanna.

Para os pesquisadores, amparados em estudos anteriores, as evidências também mostram que viver em áreas economicamente desfavorecidas está associado a um acesso mais limitado de serviços de rastreamento e cuidado, bem como a resultados desfavoráveis no câncer de mama. Entre eles, diagnóstico em estágio avançado, tratamento menos adequado, menor sobrevida e maior taxa de mortalidade.

Segundo o estudo, a segregação de renda, também chamada de segregação residencial por renda, é a separação sistemática de indivíduos em diferentes áreas geográficas, em que políticas habitacionais discriminatórias, historicamente, marginalizam pessoas com renda mais baixa. A investigação ainda apontou que a segregação de renda, mesmo entre as mulheres que recebiam o Bolsa Família, foi associada a um aumento no risco de mortalidade por câncer de mama para aquelas que receberam o benefício por menos tempo – até quatro anos.

Melhorias

O estudo conduzido por pesquisadoras do Cidacs/Fiocruz Bahia descobriu que o PBF estava associado à redução na mortalidade por câncer de mama. Essa associação provavelmente se deve à melhoria da renda das mulheres e o acesso a serviços preventivos de câncer, levando à detecção precoce e ao tratamento e, em última instância, à redução da mortalidade. 

“As condicionalidades do PBF impõem uma maior utilização dos serviços de saúde, aumentando a detecção precoce e tratamento oportuno, potencialmente reduzindo a mortalidade. O estudo tem implicações políticas, pois sugere a inclusão do rastreamento e exame clínico das mamas entre as condicionalidades do PBF”, sugere Joanna.

O estudo foi realizado a partir de uma colaboração entre pesquisadores do Cidacs/Fiocruz Bahia, da Faculdade de Epidemiologia e Saúde da População da London School of Hygiene and Tropical Medicine, do Ubuntu Center on Racism, Global Movements and Population Health Equity da Universidade Drexel, do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia e do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia. Para o estudo foram utilizados dados da Coorte dos 100 milhões de brasileiros, uma coorte populacional, montada pelo Cidacs/Fiocruz Bahia, a partir do Cadastro Único do governo federal, que inclui os dados de mais de 114 milhões de brasileiros com baixa renda (quase 55% da população do país) no período de 2001 a 2015.

O que sugerem os resultados

• As evidências do estudo demonstram que a associação entre segregação e mortes por câncer de mama foi diferente para mulheres que receberam e não receberam o Bolsa Família.
• Os resultados apontam que mulheres que viviam em municípios com alta segregação de renda eram mais propensas a serem mais velhas, indígenas ou negras, com um nível de educação mais elevado, e menos propensas a serem beneficiárias do Bolsa Família em comparação com aquelas que viviam em municípios com média ou baixa segregação. 
• Os municípios com maior segregação de renda eram maiores, tinham maior densidade populacional e tinham uma proporção maior de mulheres residentes em áreas urbanas do que municípios com menor segregação de renda. 
• Ao comparar mulheres que receberam o Bolsa Família com aquelas que não receberam, as não beneficiárias eram mais propensas a serem brancas, mais velhas e mais educadas, e tendiam a viver em municípios mais urbanos e segregados do que as beneficiárias do Bolsa Família.
• A estratificação pelo tempo em anos de recebimento do benefício do PBF demonstrou que a segregação de renda estava associada à mortalidade apenas entre as mulheres que recebiam o benefício por menos tempo.



Autor: Luire Campelo (Cidacs/Fiocruz Bahia) 
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 02/02/2024 

Com lançamento de documentário, projeto sobre saúde antirracista na favela vai circular pelo RJ



Público assistindo ao documentário na Arena Dicró.

Carrapa começou sua fala perguntando para o público de quais territórios as pessoas presentes eram e remarcou que não havia no encontro pessoas moradoras de territórios de favelas da Zona Sul. “Favela não é tudo igual. Precisamos identificar os lugares de fala e de ação de cada um. Quando um favelado da Rocinha, do alto do morro, abre a janela ele vê São Conrado e a Mata Atlântica. Nós, favelados da Zona Norte e da Zona Oeste vemos helicóptero, caveirão, tiroteio”, disse a liderança da Vila Kennedy. O assunto mobilizou o público para refletir as diferenças de experiências nos territórios favelados de acordo com os zoneamentos da cidade em um microfone aberto. 

Já o advogado Melquizedeque contou sua história de formação, os desafios para se formar e as conquistas que compartilha com os alunos do pré-vestibular comunitário no qual ele milita. “Eu morro de inveja dos colegas de classe média que se formaram comigo, que estão sempre postando das redes sociais fotos em que reproduzem encontros com seus amigos de infância e juventude, agora com todo mundo de cabelo e barba branca, abraçado. Eu não posso fazer isso porque a maior parte dos meus amigos não estão mais vivos, eu sou um sobrevivente da Cidade Alta. É isso que o estado vem proporcionando ao povo negro, o extermínio”, relatou o pastor e líder do MNU no Rio de Janeiro. 


Rodas de conversa como essa acontecerão em territórios de favelas nos próximos meses, acompanhando a exibição do documentário e a distribuição da cartilha para o público dos seguintes territórios. Para mais informações, acompanhe no site e redes sociais do MNU.

Reconhecer o racismo: um passo para a liberdade e para a defesa dos direitos humanos

“Ontem eu estava aguardando para fazer um exame na unidade de saúde na Ilha do Governador quando ouvi uma denúncia de abuso de uma criança. Depois do que aprendi, eu não podia deixar passar aquilo. Automaticamente liguei para a Valéria [Montezuma, pesquisadora da Cooperação Social] e me informei do que poderia fazer. Agora o caso está encaminhado. Como pode que ninguém na unidade de saúde estivesse fazendo nada ao ouvir aquela história?”, disse Kleber, morador do Complexo Maré, integrante do Movimento Negro Unificado e promotor popular de saúde da Vila Cruzeiro no evento de lançamento da Cartilha na Fiocruz. 

Kleber falou dos aprendizados colhidos a partir dos ciclos formativos promovidos pelo projeto durante o ano de 2023 para moradores, moradoras e articuladoras territoriais que desejavam se tornar promotores populares de saúde na comunidade. As oficinas foram realizadas com as contribuições de uma equipe multidisciplinar, que trabalhou o tema do antirracismo a partir da base conceitual da Promoção da Saúde e da participação nas diversas instâncias do Sistema Único de Saúde (SUS). A atuação aconteceu em quatro territórios do Rio de Janeiro: Vila Cruzeiro, localizada na Penha, Zona da Leopoldina; Jacarezinho, Zona Norte; Vila Kennedy, Zona Oeste; e Mangueirinha, município de Duque de Caxias, região da Baixada Fluminense.   


Ana Tobossi dá entrevista durante evento de lançamento do documentário.

Ana Tobossi, moradora da Vila Cruzeiro, disse que antes de fazer parte do projeto ela acreditava que nunca tinha sofrido racismo. “Nós somos de um território que veio de um quilombo, a Vila Cruzeiro. Lá quase todo mundo é preto, então ninguém achava que sofria racismo. Na nossa primeira roda ninguém disse que já tinha sofrido”, disse Ana. Ela revelou que foi a partir das oficinas que entendeu que a dificuldade para ser atendida no serviço de saúde ou a relação que a polícia tem com as famílias e casas no seu território derivam do racismo. “Eu achava que porque nunca fui xingada com expressões evidentemente racistas, eu não era vítima dele. Hoje me pergunto: a polícia entra metendo o pé na nossa porta e não faz isso na Zona Sul. Por quê?”, completou.  

“Antes eu estava muito desanimada, me achando muito velha para sonhar. No projeto eu conheci a Cleo e pensei: uma mulher trans preta formada na PUC e por que não eu também? Essas oficinas mudaram a minha vida, até vestibular eu fiz”, afirmou Ana. Para ela sempre esteve óbvio que o mundo tinha oportunidades e caminhos, mas nunca acreditou que essas possibilidades estariam acessíveis para ela. Hoje, Ana diz que convence outras mulheres porque quer que elas também percebam que podem mais do que acreditam. “Isso tinha que acontecer em todos os lugares porque a maioria das pessoas não entende o racismo de fato e não sabe o quanto ele nos limita até de construir um futuro”, completou.  

A professora de filosofia Pri Abebe também se formou nas oficinas como mobilizadora na Vila Cruzeiro e destaca o caráter de integração que o projeto tem. “A formação acabou, mas ainda estamos conectadas, nos sentindo parte de uma família que está engajada na luta por direitos. E para mim o mais importante é que a gente possa tratar de assuntos sérios com leveza, com alegria, confiando na sabedoria que já mora em nós”, afirmou a também erveira e mãe da Maion.  

Entender o impacto do racismo no atendimento de saúde foi o que mais impactou os promotores em formação. “A saúde aqui onde moro é marcada pela capilaridade do SUS. Em cada aula, a gente tinha uma noção de certos direitos que são nossos e como o racismo afeta a todos de forma sistêmica”, disse a estudante de enfermagem e moradora da Mangueirinha, Ana Paula. “Me mobilizei a fazer parte do projeto porque eu, uma simples pessoa sem nenhuma graduação na área da saúde, teria a possibilidade de atuar com o assunto. Quero ajudar as pessoas a cuidarem das consequências que a violência causa nos nossos corpos”, disse Vania, aluna da turma da Vila Cruzeiro. “Olhar a saúde na perspectiva coletiva, não só nas suas bases técnicas, foi o mais importante para mim sobre a formação. Lutar pela saúde pensando os fatores sociais e como isso impacta o acesso e o tratamento das pessoas fortaleceu o meu entendimento de que saúde é um tema transversal de interesse de todos”, disse Kayo, aluno no Jacarezinho.

Kleber, Ana, Pri, Ana Paula, Vania e Kayo são seis dentre os 139 mobilizadores formados em 2023 pelo projeto. Ao todo 10 turmas passaram pelas oficinas nos quatro territórios. Essa rede de promotores populares de saúde na comunidade será referência para o desenvolvimento da Campanha de Promoção da Saúde Antirracista.  

Cartilha Saúde na Favela numa Perspectiva Antirracista

É um material para uso de moradoras, moradores e profissionais dos territórios que foi lançado em evento público na Fiocruz no dia 13 de novembro. O documento instrui sobre temas transversais à Promoção da Saúde, questões de raça, violência armada, garantia de direitos, entre outros. Clique aqui para acessar e baixar. 

Sobre o projeto

O projeto “Saúde na favela pela perspectiva antirracista” objetiva a formação em Promoção da Saúde com acolhimento, escuta ativa, e enfoque antirracista voltada para moradores de quatro favelas do Rio de Janeiro que tenham passado por violações de direitos humanos. Também visa analisar as demandas locais frente a disponibilidade de serviços psicossociais para moradores dessas favelas na perspectiva antirracista do compartilhamento de Saberes Ancestrais, sobretudo reconhecendo e valorizando tais saberes que estão presentes nos quatro lugares de atuação do projeto. O projeto é realizado pela Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz, em parceria com o Movimento Negro Unificado (MNU) e conta com o apoio da Biblioteca Parque de Manguinhos, do Centro de Referência Para a Saúde da Mulher (Cresam), da Associação Brasileira Terra dos Homens, do Projeto Cultural Arte Transformadora, da Igreja Batista Central do Centenário e do Centro Comunitário Irmãos Kennedy.  


Autor: Fiocruz 
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 05/02/2024

domingo, 4 de fevereiro de 2024

Atlas do Chão: coletânea reúne pontos geográficos que contam a história da descolonização


O chão não é apenas o lugar onde se pisa. Ele é testemunha de longos processos históricos de lutas e dominação e revela diferentes modos de ser e viver ao redor do mundo. Com esse olhar sensível sobre o mapa-múndi, visto como uma constelação dinâmica de pontos cartográficos em suas múltiplas dimensões e sentidos geopolíticos, o projeto Atlas do Chão: Constelação Independente se apresenta. Trata-se de uma plataforma aberta e colaborativa de pesquisa e experimentação cartográfica-historiográfica, que reúne pontos do território global relevantes para a compreensão dos processos de colonização, descolonização e urbanização. Além da plataforma, o projeto teve como desdobramento o lançamento de uma coletânea impressa, organizada pelos arquitetos e pesquisadores Ana Luiza Nobre, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e David Sperling, da Universidade de São Paulo (USP), e lançada com apoio da FAPERJ, por meio do edital Apoio ao Bicentenário da Independência e do Centenário da Semana de Arte Moderna, pela editora Rio Books.   

Segundo os autores, a plataforma propõe a criação de um atlas virtual infinito, com uma dimensão ficcional correspondente à ambição desvairada de mapear o chão do mundo. “Na plataforma aberta e colaborativa do Atlas do Chão, o leitor pode criar constelações a partir das relações entre pontos já mapeados. Após preencher todos os campos solicitados, ele recebe um link para visualizar sua constelação, que poderá ser compartilhada com quem ele quiser. Sua constelação será também visualizada pela organização do Atlas que, mediante análise, poderá incorporá-la ao projeto”, explicou Ana Luiza, que coordenou o desenvolvimento da plataforma com recursos da bolsa Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, e é professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-graduação em Arquitetura da PUC-Rio.

Na publicação, intitulada Atlas do Chão: Constelação independente, foram mapeados 200 pontos cartográficos estratégicos, ligados a processos de colonização, descolonização, urbanização e territorialização no mundo todo. “O chão é um arquivo do mundo e buscamos marcas, vestígios nesse complexo de histórias e processos para desconstruir e construir narrativas através das relações entre pontos geograficamente distantes. Alguns desses pontos nos fazem refletir sobre o processo de Independência do Brasil também e seus desdobramentos contemporâneos”, refletiu Ana.


David Sperling e Ana Nobre: autores da publicação que reúne análises críticas sobre os 200 pontos cartográficos destacados na obra (Foto: Divulgação)  

Ela explicou os critérios para a escolha dos 200 pontos cartográficos apresentados na obra. “Os pontos se inserem nesta encruzilhada onde as desigualdades herdadas da violência colonial se expressam como nunca no corpo em que pisamos cotidianamente, sobre o qual erguemos nossas casas, onde enterramos nossos mortos e do qual depende a habitabilidade do planeta. Mas onde também, junto com as ameaças crescentes provocadas pela urbanização descontrolada, a pavimentação extensiva, o extrativismo predatório, o agronegócio, o desmatamento, ainda podemos ouvir a floresta, na voz firme e doce de Ailton Krenak: “Pise suavemente no chão”’, completou.


Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 01/02/2024
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=479.7.0