sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Pesquisa liderada pelo LNCC e Unifesp ganha apoio da Global Grand Challenges



Pesquisa liderada por pesquisadores do LNCC e Unifesp, com foco na descoberta e validação de novos antibióticos, foi pré-selecionada em maio entre mais de 800 submissões. Após diversas análises técnicas realizadas por especialistas da Fundação Gates, proposta foi oficialmente aprovada neste mês de outubro (Foto: Divulgação)


Uma colaboração interdisciplinar liderada por pesquisadores do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC/MCTI) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com instituições do Brasil, México, Argentina, Uruguai, Chile, Portugal e Canadá, foi selecionada na prestigiada iniciativa internacional Global Grand Challenges – Gr-ADI (Gram-Negative Antibiotic Discovery Innovator).

Patrocinado pelas Fundações Gates, Wellcome e Novo Nordisk, o programa apoia esforços inovadores voltados ao desenvolvimento de novos antibióticos capazes de combater infecções causadas por bactérias gram-negativas resistentes, consideradas uma das maiores ameaças à saúde pública global.

A pesquisadora do LNCC e líder da iniciativa, Marisa Fabiana Nicolás, explica que a proposta brasileira intitulada “Translational Approach with AI for Klebsiella Drug Discovery” foi pré-selecionada em maio de 2025 entre mais de 800 submissões e, após diversas análises técnicas realizadas por especialistas da Fundação Gates, foi oficialmente aprovada em outubro de 2025.

"Nossa iniciativa passa agora a integrar o consórcio global como um dos projetos finalistas e receberá financiamento significativo por 36 meses, com foco na descoberta e validação de novos antibióticos, especialmente contra Klebsiella pneumoniae", conta Nicolás.

Ela explica que essa bactéria é responsável por diversas infecções graves, como pneumonias, infecções de corrente sanguínea e urinárias e abscessos hepáticos, cujo tratamento tem se tornado cada vez mais difícil diante do aumento alarmante da resistência aos antibióticos disponíveis, incluindo os novos inibidores de betalactamases.

"A resistência aos antimicrobianos representa um problema de saúde pública mundial. Foi estimado que aproximadamente 4,95 milhões de mortes em todo o mundo foram associadas a infecções causadas por bactérias resistentes, sendo que 1,27 milhão foram diretamente atribuídas a essas infecções. Projeções indicam que, até 2050, o número de mortes diretamente atribuídas à resistência aos antimicrobianos poderá ultrapassar 1,9 milhão, enquanto as mortes associadas poderão alcançar 8,2 milhões, com impacto particularmente acentuado entre idosos", ela explica.

A Klebsiella pneumoniae resistente às cefalosporinas de terceira e quarta gerações ou carbapenêmicos tem sido reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos patógenos de prioridade crítica para receber os investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novos antibióticos, vacinas, diagnósticos e tratamentos, já que essa bactéria têm se tornado resistentes a todos os antimicrobianos disponíveis para uso clínico.

O pesquisador Laurent Dardenne, também do LNCC, conta que o projeto terá início em dezembro de 2025 e está estruturado em quatro fases principais. Inicialmente, a priorização de alvos terapêuticos. Em seguida, a validação funcional e genética. Posteriormente, ele explica que os pesquisadores envolvidos na rede se dedicarão a descoberta de compostos ativos e, por fim, haverá a etapa de validação experimental de substâncias ativas contra os alvos selecionados.

"Importante ressaltar que toda a base estrutural e científica deste projeto contou com o apoio e financiamento de importantes agências nacionais de fomento como a FAPERJ, a Fapesp, Capes e o CNPq. Sem esse financiamento, não teríamos conquistado esse grant da Fundação Gates", ressalta Dardenne.

Inteligência artificial e supercomputação

O projeto tem como objetivo identificar e validar novos alvos terapêuticos e obter ao menos uma molécula com ação comprovada sobre um ou dois desses alvos, com potencial terapêutico contra K. pneumoniae.

Para isso, integra abordagens computacionais de última geração – como inteligência artificial (IA), modelagem molecular, bioinformática e triagem virtual – com validação experimental por meio de ensaios biológicos. Essas análises exigem grande capacidade de processamento, viabilizada pelo uso do Supercomputador Santos Dumont (SDumont), instalado no LNCC, o mais potente da América Latina dedicado à pesquisa científica.

Um dos pilares tecnológicos do projeto será a aplicação de modelos de inteligência artificial generativa, desenvolvidos no próprio LNCC. Esses modelos utilizam uma abordagem de novo multiobjetivo, capaz de propor novas moléculas potencialmente ativas contra alvos moleculares a serem validadas experimentalmente ao longo do projeto.

Essas metodologias fazem parte do ecossistema de programas DockThor-VS (https://www.dockthor.lncc.br), DockTDesign e DockTDeep, desenvolvidos pelo Grupo de Modelagem Molecular de Sistemas Biológicos do LNCC.


Laurent Dardenne e Marisa Fabiana Nicolás, pesquisadores no LNCC: proposta de estudo pré- aprovada se apoia na integração de múltiplas abordagens inovadoras, combinando metodologias computacionais e experimentais de última geração, incluindo aplicação de ferramentas avançadas de inteligência artificial, aprendizado de máquina e modelagem molecular (Foto: Divulgação)


"O portal DockThor-VS, integrado ao supercomputador SDumont, é hoje uma das principais plataformas globais de triagem virtual em larga escala. Somente nos últimos dois anos, mais de 40 mil simulações foram submetidas por pesquisadores de diversos países, evidenciando seu impacto e sua relevância internacional na descoberta de fármacos assistida por supercomputação", explica Dardenne.

Grandes diferenciais

Entre os principais diferenciais desta proposta está a sólida colaboração entre o Labinfo/LNCC e o Instituto Paulista de Resistência aos Antimicrobianos (ARIES) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma das maiores referências em resistência antimicrobiana no Brasil e no cenário internacional.

"Juntas, as equipes conduziram o sequenciamento e a análise de um dos primeiros genomas completos de um isolado de K. pneumoniae produtor da carbapenemase KPC, que, além de resistente aos antibióticos carbapenêmicos, também era resistente às polimixinas - a última opção terapêutica disponível naquela época. Essa colaboração, somada a estudos clínicos e epidemiológicos de resistência, fortalece a base translacional do projeto", explica Nicolás.

Os pesquisadores ressaltam que a proposta se apoia na integração de múltiplas abordagens inovadoras, combinando metodologias computacionais e experimentais de última geração. No eixo in silico, serão aplicadas ferramentas avançadas de inteligência artificial, aprendizado de máquina e modelagem molecular. Além disso, a pesquisa será reforçada pelo protocolo desenvolvido pelo grupo argentino Target Pathogen, em colaboração com especialistas da Fiocruz (BA), México, Uruguai e Chile.

Do ponto de vista experimental, o projeto contará com tecnologias de ponta como CRISPR interference (CRISPRi) – uma técnica de silenciamento genético que permite inibir genes específicos para estudar sua função –, e Ribo-seq, um método que analisa quais proteínas estão sendo produzidas pelas bactérias em condições de estresse. Também serão realizados ensaios funcionais de expressão e inibição enzimática, de avaliações de concentração inibitória mínima, toxicidade e cristalografia de alguns alvos moleculares com compostos antimicrobianos promissores.

As etapas de síntese, otimização e testes microbiológicos serão conduzidas por grupos com experiência consolidada da UFRJ, da Unifesp e da Universidade de Manitoba do Canadá.

Essa integração entre diferentes frentes tecnológicas permitirá validar biologicamente os alvos identificados e comprovar, in vitro e in vivo, a eficácia das substâncias promissoras encontradas sobre os alvos validados.

Um passo para antibióticos de nova geração

A combinação entre priorização de novos alvos moleculares associada ao planejamento de novas moléculas por meio de IA generativa apoiada pela validação experimental é a chave para o desenvolvimento de antibióticos de nova geração.

"Ser selecionado em uma concorrência internacional altamente competitiva, na qual a inovação científica foi um dos critérios centrais, reforça a relevância e a excelência da ciência brasileira e latino-americana em uma área de pesquisa considerada extremamente desafiadora e com potencial de beneficiar milhões de pessoas em todo o mundo", ressalta Nicolás.

Os pesquisadores destacam que este projeto tem a colaboração de uma equipe multidisciplinar brasileira e internacional e conta com a colaboração de Isabela Alvim Guedes, Fabio Custódio, André Borges Farias e Maria Carolina del Valle Sisco Zerpa, do LNCC; Lídia Moreira Lima da UFRJ; Ana Cristina Gales, Fernanda Fernandes dos Santos e Marcelo Ferreira Marcondes Machado, da Unifesp; Pablo Ivan Pereira Ramos da Fiocruz Bahia; Priscilla Capriles da Universidade Federal de Juiz de Fora; Adrian Turjanski e Dario Fernandez Do Porto da Facultad de Ciencias Exáctas y Naturales (FCEyN) da Universidade de Buenos Aires (Argentina); Pablo Smircich e José Sotelo da Universidad de la República (Udelar) e Instituto Clemente Estable (Uruguai); Ernesto Pérez Rueda da Universidad Nacional Autónoma de Méxic (México); J. Eduardo Martinez-Hernandez da Universidad de las Américas (Chile); Silvia Cardona da University of Manitoba do Canadá; Pedro J. B. Pereira da i3S – Universidade do Porto (Portugal).



Autor: Claudia Jurberg
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 06/10/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=904.7.8

Projeto de educação ambiental na PUC-Rio mobiliza atores sociais pela preservação do Rio Rainha



Em visita ao Parque da Cidade, guiados por Leandro Urso Santos, líder comunitário e vice-presidente da Associação de Moradores do local, estudantes de graduação de Geografia da PUC-Rio conheceram o Rio Rainha (acima) e discutiram os desafios para seu saneamento e preservação (Fotos: Divulgação)


O Rio Rainha, que corta o campus da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na Gávea, tem sua identidade associada à própria história deste bairro. Para promover ações de educação ambiental e a recuperação e manejo desse recurso hídrico, que nasce no Maciço da Tijuca, atravessa a Gávea e deságua no canal da Rua Visconde de Albuquerque, no Leblon, pesquisadores da PUC-Rio criaram um projeto de extensão que envolve diversos atores sociais e a comunidade local. Trata-se do projeto Laboratório Vivo de Educação Ambiental e Sustentabilidade (Luvas).

“O Luvas surgiu em 2023, quando fomos motivados com o lançamento, pela FAPERJ, do edital Programa de Educação Ambiental: Capacitação e Ações de Lixo Zero em Lagoas, Manguezais e na Região Costeira”, contou a coordenadora do projeto, Agnieszka Ewa Latawiec, que também é professora do Departamento de Geografia e Meio Ambiente (GEO/PUC-Rio). A chamada, com previsão inicial de repasse de R$ 5 milhões, destina-se a apoiar projetos científicos dedicados ao desenvolvimento de pesquisas-extensão em Educação Ambiental, de capacitação e ações voltadas para alcançar a meta de lixo zero em lagoas e na região costeira fluminenses, valorizando ativos econômicos, sociais e a preservação ambiental da biodiversidade no território do estado do Rio de Janeiro.

O projeto articula esforços da academia (PUC-Rio e parceiros), do meio empresarial (Fundação Grupo Boticário) e do governo (FAPERJ, Secretaria do Ambiente e Sustentabilidade - SEAS, Prefeitura do Rio, Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia – SMCT, Fundação Rio-Água e Museu Histórico da Cidade), além da sociedade civil como o Comitê de Bacia da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara, o Instituto Francisco, o Instituto Fecomércio de Sustentabilidade, a Associação de Amigos e Moradores da Gávea - Amagávea e a Associação de moradores [da comunidade] do Parque da Cidade.

“Nosso objetivo é fazer confluir comunidade local, universidade, governo e setor privado para transformar a região do Rio Rainha em um modelo de desenvolvimento sustentável e de impacto positivo para o meio ambiente, a economia e a cidade do Rio de Janeiro”, completou a economista Ruth Mello, articuladora de parcerias do projeto Luvas e líder de inovação para impacto socioambiental da Vice-Reitoria de Desenvolvimento e Inovação da PUC-Rio.

Ao atravessar a Gávea, o Rio Rainha participa do ciclo das águas, influencia a vegetação, a fauna e até aspectos urbanos, como drenagem e microclima. Em parceria com o Departamento de Química da PUC-Rio e o Comitê da Bacia da Baía de Guanabara (gerido por Estado, Prefeitura e sociedade civil), será realizado um monitoramento da qualidade desse curso d’água. “Vamos monitorar os microplásticos presentes no Rio Rainha. Phelipe Marinho e Diene Miguel são os pesquisadores que, sob a supervisão do professor Renato Carreira, estão verificando o aporte, a distribuição e o destino da contaminação por microplásticos no curso do nosso rio. Estes microplásticos serão classificados de acordo com o tipo de material, por critérios como dureza, tamanho, cor e maleabilidade”, contou Daniela Neves, gestora da iniciativa. “Na nascente do rio, que fica no Parque da Cidade, na Rua Marquês de São Vicente, próximo da PUC, e no canal da Avenida Visconde de Albuquerque, estão sendo realizadas as análises dos pontos de interferência nas áreas já mapeadas pelo Comitê da Bacia da nossa Baía de Guanabara”, detalhou.


Realização da Oficina de Futuros no Centro Loyola: encontro reuniu lideranças do Parque da Cidade, professores, pesquisadores e agentes sociais. À dir., de camisa azul, a articuladora de parcerias do projeto LUVAS, Ruth Mello


Outras atividades realizadas no âmbito do projeto Luvas são oficinas educativas e campanhas de conscientização ambiental. No dia 9 de julho, o Centro Loyola, no Alto da Gávea, recebeu a “Oficina de Futuros – Olhar coletivo para o Rio Rainha. O encontro reuniu lideranças do Parque da Cidade, professores, pesquisadores e agentes sociais. A iniciativa abre caminho para ações de educação ambiental, visto que escolas da Gávea começaram a visitar o Parque da Cidade para conhecer a bacia do Rio Rainha. Já a Escola Municipal Christiano Hamann, na Gávea, e a Escola Parque acolheram dinâmica similar com suas crianças e jovens. Esta atividade foi coordenada pela então mestranda em Ciência da Sustentabilidade pela PUC-Rio, Caroline de Albuquerque Neutzling.

Na campanha “Abrace uma árvore”, realizada em 10 de novembro de 2024, a proposta foi uma reconexão social do homem com a natureza. “Ao motivar os transeuntes a abraçarem o tronco de uma árvore e escutarem sobre a história e importância do Rio Rainha, promovemos um experimento social na Lagoa e no campus da PUC”, disse Ruth.

O projeto também promoveu a Caminhada e Corrida do Rio Rainha, com direito a medalha. A ação, aberta ao público, foi coordenada pela oceanógrafa Manoela Barbosa, colaboradora do projeto, nas margens do canal da Avenida Visconde de Albuquerque. Depois de percorrerem o trajeto e observarem de perto trechos do Rio Rainha, os participantes formaram uma roda de conversa, em que discutiram a poluição e o lixo irregular ali despejados. Eles refletiram sobre a importância do rio para a comunidade.

Outro desdobramento do projeto Luvas será a formalização de uma disciplina de extensão curricular disponível para todos os alunos de graduação da PUC-Rio. “Ano que vem, vamos formalizar o Luvas como um programa de extensão da PUC-Rio. Estamos alinhados com a Vice-reitoria de Extensão e Estratégia Pedagógica para o acolhimento desta proposta de disciplinas extensionistas, como a ‘Métodos e técnicas de pesquisa em Geografia’, da professora Agnieszka, e da ‘Neurociência comunitária’, que eu leciono na PUC-Rio”, disse Ruth. Precisamos revisitar as práticas extensionistas na universidade, criando laços dialógicos e profundos com a sociedade. As disciplinas de Extensão, por obrigatoriedade do MEC, devem compreender ao menos 10% do currículo de todos os cursos de graduação, e o Luvas está fazendo parte dessa história.”


Outra atividade realizada pelo projeto LUVAS foi a campanha Abrace uma Árvore, para promover a conscientização ambiental dos transeuntes na Lagoa Rodrigo de Freitas


Também participam da equipe do projeto Luvas: a engenheira civil e professora Ana Cristina Carvalho; a engenheira e advogada, vice-presidente do Comitê da Bacia da Baía de Guanabara, Adriana Bocaiúva; a advogada indígena da etnia Pataxó, Wilza Neves; a assistente social Lídia Mello; a cientista e professora Ailim Schwambach; o geógrafo Alex Archer Marques Gomes; a assistente social e teóloga Anne Ramiro; a arquiteta e urbanista do Instituto Fecomércio de Sustentabilidade, Erika Laursen; o designer e professor Gilberto Mendes; o geógrafo Glaucio Marafon; o graduando em Sociologia e liderança comunitária Felipe Luther; o engenheiro químico da Fundação Rio Águas, Daniel Hoefle; o líder da comunidade Vila Parque da Cidade, Leandro Urso; a arquiteta e urbanista e professora Raquel Cruz; a graduanda em Administração Sara Pimenta; a engenheira civil Helena Gottschalk; o designer João Pedro Bittencourt; a bióloga e educadora ambiental Lucia Souza; advogada ambiental Eduarda Martins de Oliveira; a estudante de Engenharia Química Stephanie Abdala; o administrador e professor Marcos Cohen; a antropóloga social e cultural Camille Ibarroule, dentre outros que têm acolhido ao chamado do grupo no sentido de contribuir em favor da educação ambiental e do bem-estar da sociedade.

Breve história do Rio Rainha

O Rio Rainha nasce na Ponta das Andorinhas – um dos picos da Serra da Carioca, no Maciço da Tijuca – e corta a Gávea em rumo paralelo à Rua Marquês de São Vicente, a principal rua do bairro, desaguando no canal da Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon. Antes de ser Rainha, o rio era chamado de Branco. Até a década de 1920, ele desaguava na Lagoa Rodrigo de Freitas. No governo do prefeito Carlos Sampaio (1920-22), quando foram feitas canalizações dos rios da Serra da Carioca, seu destino passou a ser o canal da Avenida Visconde de Albuquerque.




Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 06/10/2025
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=880.7.2

Radis faz balanço da 5ª Conferência de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora


Mudanças no mundo do trabalho, redução da jornada, criação de uma Política Nacional de Saúde do Trabalhador, fortalecimento da vigilância em saúde do trabalho e revogação de reformas que precarizam a vida profissional estiveram em pauta na 5ª Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (5ª CNSTT). A conferência contou com ampla participação popular e destacou que a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras é direito humano. Tudo isso está na nova edição da revista Radis, publicada pela Fiocruz.

A revista mostra o que esteve em discussão no encontro. E lista quais os desafios estruturais do mundo do trabalho e como dar continuidade às lutas para que essas pautas deixem de ser promessa e se tornem realidade.

A edição também traz outros assuntos: iniciativas na atenção primária que valorizam o brincar no desenvolvimento infantil; o canto coral que promove saúde mental e inclusão; e o projeto Mosaic, que une ciência e saberes locais para enfrentar degradação ambiental. E ainda apresenta um estudo da Fiocruz que revela melhorias do parto vaginal no SUS, mas aponta falhas no pré-natal e altos índices de violência obstétrica.


Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 06/10/2025
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2025/11/radis-faz-balanco-da-5a-conferencia-de-saude-do-trabalhador-e-da-trabalhadora

InfoGripe: casos de influenza A aumentam no Sudeste e avançam para a Bahia

Divulgada nesta quinta-feira (6/11), a mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz chama atenção para a manutenção do aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza A em São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O número de casos graves pelo vírus começa a apresentar início de aumento também na Bahia.



O atual cenário alerta que a Covid-19 segue em tendência de crescimento em alguns estados. As notificações dos casos graves do vírus continuam aumentando no Paraná, Santa Catarina e São Paulo, porém ainda em níveis baixos de incidência. No Espírito Santo, os casos de SRAG nos idosos associados à Covid-19 estão estáveis, mas ainda em níveis moderados de incidência.

A análise é referente à Semana epidemiológica 44, de 26 de outubro a 1º de novembro. O InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Programa de Computação Científica da Fiocruz e responsável pelo InfoGripe, ressalta que em relação às crianças pequenas o estudo verificou em Sergipe uma alta atípica, para esta época do ano, de SRAG por vírus sincicial respiratório (VSR) em crianças pequenas.

O Boletim sublinha que três estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco e alto risco, com tendência de crescimento: Mato Grosso do Sul, Paraíba e Tocantins. No Mato Grosso do Sul e na Paraíba o aumento de SRAG tem se concentrado nas crianças pequenas e tem sido impulsionado em grande parte pelo rinovírus.

Em Tocantins o número de casos de SRAG tem aumentado principalmente na faixa etária a partir dos 50 anos. Ainda não há dados laboratoriais suficientes no estado para determinar o vírus responsável pelo crescimento. Contudo, é possível que esse aumento esteja sendo impulsionado pela influenza A, devido à faixa etária mais afetada, e a proximidade do estado com Goiás e o Distrito Federal, que apresentaram uma alta recente de casos graves pelo vírus.

“Continuamos recomendando ações de etiqueta respiratória, como cobrir a boca com o braço ao tossir ou espirrar, fazer isolamento dentro de casa ou usar uma boa máscara em locais públicos em casos de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado. E, por último e não menos importante, manter a vacinação contra a influenza e a Covid-19 sempre em dia, especialmente para a população que apresenta maior risco de desenvolver quadros graves ou ir a óbito por esses vírus, como crianças pequenas, idosos e pessoas com alguma comorbidade. E pessoas que possuem maior exposição ao vírus como profissionais da área da saúde”, afirma a pesquisadora.

Estados e capitais

Em nível nacional, os casos de SRAG apresentam sinal de estabilidade nas tendências de longo e de curto prazo. Três das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a Semana 44: Mato Grosso do Sul, Paraíba e Tocantins. No Espírito Santo, os casos de SRAG entre os idosos associados à Covid-19 estão estáveis, mas continuam em um patamar considerado moderado para o estado. Sobre o VSR, apenas Sergipe apresenta uma alta recente de casos graves do vírus em crianças pequenas.

O estudo verificou que 3 das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento de SRAG na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 44: Florianópolis (SC), João Pessoa (PB) e Palmas (TO).

Dados epidemiológicos

Referente ao ano epidemiológico 2025 já foram notificados 204.086 casos de SRAG, sendo 107.393 (52,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 74.297 (36,4%) negativos e ao menos 9.174 (4,5%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.

Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,2% de influenza A, 1,2% de influenza B, 40,1% de vírus sincicial respiratório, 28,2% de rinovírus e 8,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 24,8% de influenza A, 1,3% de influenza B, 6,4% de vírus sincicial respiratório, 37,8% de rinovírus, e 14,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Óbitos

Referente aos óbitos de SRAG em 2025, já foram registrados 12.151 óbitos de SRAG, sendo 6.216 (51,2%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 4.804 (39,5%) negativos e ao menos 194 (1,6%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 49,4% de influenza A, 1,8% de influenza B, 11,6% de vírus sincicial respiratório, 14,4% de rinovírus e 23,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas a prevalência entre os óbitos positivos foi de 24,7% de influenza A, 2% de influenza B, 3,5% de vírus sincicial respiratório, 28,8% de rinovírus e 39,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19).


Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 06/10/2025
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2025/11/infogripe-casos-de-influenza-aumentam-no-sudeste-e-avancam-para-bahia

EJA/Fiocruz e Coletivo Recriando Manguinhos realizam roda de conversa sobre valorização da infância nas favelas (10/11)

Na próxima segunda-feira (10/11), a Educação de Jovens e Adultos da Fiocruz (EJA/Fiocruz), coordenada pela Cooperação Social da Fiocruz em parceria com a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz), e o Coletivo Recriando Manguinhos promovem a roda de conversa “Se essa rua fosse minha: por um plano de valorização da infância nas favelas”. O encontro será realizado a partir das 18h30, na Tenda da EPSJV e tem como objetivo compartilhar saberes construídos por organizações comunitárias que atuam com crianças e adolescentes, além de reunir propostas para a elaboração de um plano de valorização da infância nas favelas.

A mesa contará com a participação de organizações comunitárias e ativistas da pauta infantojuvenil, entre eles: Elizabeth Campos, ativista de direitos humanos e coordenadora do Espaço Casa Viva/Rede CCAP; Carine Lopes, presidente do Ballet Manguinhos; Jota Marques, educador popular, comunicador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e morador da Cidade de Deus, favela localizada no Rio de Janeiro; e Michelle Oliveira, professora e pesquisadora de Educação de Jovens e Adultos (EJA/Fiocruz) e coordenadora do Coletivo Recriando Manguinhos.



Serviço

Roda de conversa “Se essa rua fosse minha: por um plano de valorização da infância nas favelas”

Data: 10 de novembro - a partir das 18h30

Local: Tenda da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz)

Endereço: Av. Brasil, 4365 - Manguinhos, Rio de Janeiro



Sobre a EJA/ Fiocruz

A Educação de Jovens e Adultos (EJA-Fiocruz) é um curso de educação básica coordenado pela Cooperação Social, em parceria com a EPSJV/Fiocruz, com o objetivo de possibilitar a formação crítica, cidadã e territorializada, entendendo a educação como promoção de saúde.



Sobre o Coletivo Recriando Manguinhos

Recriando Manguinhos é um coletivo que desenvolve atividades de arte-educação com crianças de Manguinhos com o objetivo de proporcionar recreação associada à criação e politização. O coletivo tem como pauta a valorização da infância nos territórios de favela e a reivindicação de políticas públicas infanto-juvenis.



Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 06/10/2025
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2025/11/eja-fiocruz-e-coletivo-recriando-manguinhos-realizam-roda-de-conversa-sobre

terça-feira, 4 de novembro de 2025

FAPESP anuncia chamada com o Ministério Federal de Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha



Serão apoiados projetos colaborativos em Bioeconomia reunindo pesquisadores do estado de São Paulo e da Alemanha

Foto: Felipe Maeda/Agência FAPESP

A FAPESP anuncia a participação na edição 2026 da chamada Bioeconomy International do Ministério Federal de Pesquisa, Tecnologia e Espaço da Alemanha (BMFTR, antigo BMBF).

Como instituição que mantém acordo de cooperação científica com o BMFTR, a FAPESP apoiará pesquisadores paulistas interessados em formar consórcios com universidades, centros de pesquisa e empresas alemãs com o objetivo de desenvolver projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação.

O projeto colaborativo a ser financiado deve abordar pelo menos um dos três blocos de pesquisa: 1) Conhecimento biológico como elemento chave para a bioeconomia; 2) Tecnologias convergentes e colaboração transdisciplinar (digitalização, inteligência artificial, nanotecnologia, automação, miniaturização, etc); e 3) Transferência para aplicação (redes de criação de valor, etc)

Além disso, de acordo com os detalhes descritos na chamada Bioeconomy International, o projeto colaborativo financiado deve estar relacionado a pelo menos uma das seguintes áreas temáticas: bioprocessos sustentáveis para indústria e novos produtos da bioeconomia.

Na FAPESP, as propostas deverão seguir as normas de Auxílio à Pesquisa Regular incluindo condições orçamentárias. A duração dos projetos poderá ser de até 36 meses.

A data limite para submissão é 7 de novembro de 2025.

A chamada de propostas está publicada em: fapesp.br/17864.




Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 22/10/2025
Publicação Original: https://fapesp.br/17866/fapesp-anuncia-chamada-com-o-ministerio-federal-de-pesquisa-tecnologia-e-espaco-da-alemanha

FAPESP lança nova chamada do Programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD)

Com orçamento de R$ 200 milhões, chamada apoiará projetos com duração de até cinco anos voltados à solução de grandes desafios públicos

A FAPESP anuncia o lançamento de uma nova chamada de propostas do Programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), que busca fortalecer a integração entre universidades, institutos de pesquisa e órgãos públicos na formulação de soluções inovadoras para problemas estratégicos do Estado de São Paulo. A iniciativa visa fomentar pesquisas com impacto direto em políticas públicas, desenvolvimento econômico e bem-estar social.

Com orçamento total de R$ 200 milhões, a chamada apoiará propostas com duração de três a cinco anos. As submissões devem ser feitas exclusivamente pelo sistema SAGe até 3 de março de 2026.

Os Centros de Ciência para o Desenvolvimento são núcleos de pesquisa criados em parceria com entes públicos – cuja participação é obrigatória – e, de forma desejável, com empresas e organizações não governamentais. As propostas devem propor soluções concretas para desafios identificados pelo governo, promover o avanço científico e tecnológico e contribuir para a criação ou o aprimoramento de políticas públicas.

Cada proposta deve definir metas e indicadores mensuráveis de impacto, com resultados esperados em transferência de tecnologia, difusão de conhecimento, criação de novas empresas ou outras ações de relevância social e econômica.

Os projetos selecionados poderão solicitar à FAPESP até R$ 2 milhões por ano, em um período máximo de cinco anos. As instituições participantes deverão aportar contrapartidas financeiras e/ou econômicas equivalentes ao valor solicitado à FAPESP. É obrigatória a presença de ao menos um órgão governamental (secretaria estadual, municipal ou federal) como parceiro cofinanciador.

Os temas estratégicos sugeridos pelos órgãos públicos estão publicados na chamada. Também serão consideradas propostas em outras áreas relevantes para o desenvolvimento científico e tecnológico do estado de São Paulo, desde que atendam aos critérios definidos no edital.

O processo de seleção compreenderá as etapas de habilitação, enquadramento e análise de mérito e impacto tanto por especialistas quanto pelos órgãos públicos vinculados a cada proposta. O anúncio das propostas selecionadas está previsto para setembro de 2026.

Mais informações sobre requisitos, documentação e critérios de elegibilidade estão disponíveis no texto completo da Chamada de Propostas – Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) 2025/2026, em fapesp.br/17876.



Autor: FAPESP 
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 31/10/2025
Publicação Original: https://fapesp.br/17878/fapesp-lanca-nova-chamada-do-programa-centros-de-ciencia-para-o-desenvolvimento-ccd