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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Pesquisa analisa tártaro dentário dos mastodontes para descobrir segredos da Era do Gelo

Na Era do Gelo, que começou há cerca de 2,5 milhões de anos e terminou há aproximadamente 12 mil anos — quando se deu o início do Holoceno, período interglacial que dura até hoje —, o território que corresponde à América do Sul era habitado por mastodontes. Chegando a pesar até cinco toneladas e medindo aproximadamente três metros de altura, esses mamíferos pré-históricos, com duas presas de marfim e uma tromba, estão sendo investigados pelos pesquisadores a partir de um detalhe curioso: o tártaro dentário fossilizado. Uma pesquisa desenvolvida pela bióloga Dimila Mothé, que é bolsista da FAPERJ pelo programa Pós-Doutorado Nota 10 e recebe a supervisão do professor Leonardo Avilla, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), resultou na elaboração de um artigo sobre o tema, a ser publicado na edição do vol. 33, de junho de 2021, no International Journal of Paleopathology. Intitulado The micro from mega: Dental calculus description and the first record of fossilized oral bacteria from an extinct proboscidean, o artigo já está disponível para leitura online aqui.





“Nesse artigo, observamos e descrevemos as primeiras bactérias fossilizadas encontradas no tártaro dentário da megafauna do Quaternário sul-americano, mais especificamente no mastodonte da espécie Notiomastodon platensis, que vivia no território hoje correspondente à América do Sul”, explicou Dimila. O artigo, que tem a bióloga como primeira autora, também é assinado pelos pesquisadores Karoliny de Oliveira e Alline Rotti (do Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ), José Luis Roman-Carrión (Escola Politécnica Nacional, do Equador), Luiz Carlos Bertolino (Centro de Tecnologia Mineral - Cetem), Natascha Krepsky (Laboratório de Microbiologia das Águas, da UniRio) e Leonardo Avilla (Laboratório de Mastozoologia, da UniRio). Dimila, além de ser pesquisadora de pós-doutorado deste último laboratório, na UniRio, é associada ao Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva, ligado ao Centro de Ciências Biológicas da UFRJ, na Ilha do Fundão.

Os animais da megafauna, como os mastodontes, os tigres-de-dente-de-sabre e os mamutes, tinham grandes proporções corporais. Os primeiros conviveram com a espécie humana até serem extintos, no Quaternário tardio. “Os mastodontes foram parentes pré-históricos dos elefantes”, contextualizou. A pesquisadora, que estuda os mastodontes desde a época da sua graduação em Ciências Biólogicas na UniRio, quando foi bolsista de Iniciação Científica da FAPERJ e deu os primeiros passos na vida acadêmica no Laboratório de Mastozoologia, sob a orientação de Leonardo Avilla, conta que o tártaro só tinha sido objeto de estudo anteriormente em pesquisas na área de Arqueologia, para a análise de populações humanas antigas, por exemplo. “Estamos inovando ao introduzir, na América do Sul, essa metodologia de estudo do tártaro na Paleoecologia, e em mastodontes. Estudamos vários dentes da espécie Notiomastodon platensis em fósseis encontrados no Brasil, na Argentina e no Equador, por meio de estudos no microscópio eletrônico de varredura do Cetem, para ver a superfície da placa bacteriana dentária. Também fazemos análises químicas, que permitem dissolver a matriz do tártaro para observar detalhes, como os vestígios da alimentação herbívora que o animal tinha no passado”, destacou.


Dimila Mothé com um exemplar do Notiomastodon platensis: pesquisadora destaca a importância da análise do tártaro como nova metodologia no estudo dos mastodontes (Foto: Divulgação)


Surpreendentemente, o tártaro, doença bucal comum em humanos, pode ajudar a revelar fatos pouco conhecidos dos mastodontes e detalhes importantes da vida na Terra na época em que viveram. “Além de dar pistas sobre a dieta dos mastodontes na pré-História, o tártaro dentário revela patógenos preservados. Ele tinha sido observado apenas por arqueólogos, em estudos com o tártaro humano de múmias”, contou. O estudo traz à tona o primeiro registro de uma bactéria bucal fossilizada encontrada em um Proboscideo, a ordem de mamíferos placentários, que contém apenas uma família vivente, a Elephantidae, à qual pertencem os atuais elefantes. “No artigo, descrevemos a presença da bactéria Streptococcus, que identificamos preservada, em seu formato esférico e de corrente, no microscópio eletrônico do Cetem. Essa bactéria é comum na cavidade oral de mamíferos, mas não sabíamos se conseguiríamos observá-la de forma isolada e preservada no tártaro de mastodontes. Queremos, no futuro, avaliar o material genômico desse tártaro. Sabemos que existem até 600 tipos de bactérias presentes na boca deles, ainda a serem estudadas, que podem explicar até as doenças comuns entre esses mamíferos na época”, explicou.

“Esse é um estudo bastante simbólico porque mostra como os cientistas brasileiros podem ser criativos no sentido de buscar metodologias em outras áreas. Investigamos material do nosso patrimônio fossilífero, com colaborações entre várias instituições de pesquisa”, ponderou Dimila. Aos 34 anos, com uma trajetória voltada ao estudo dos mastodontes e da evolução das espécies, ela ainda concilia a vida acadêmica com participações pontuais como modelo. “É um hobby que tenho e o mais importante é saber que estou ajudando a projetar a imagem da mulher cientista e a divulgar a Ciência. É bom passar uma mensagem positiva às meninas que estão pensando em seguir carreira na pesquisa, de que elas são capazes e é totalmente possível conciliar os estudos com atividades extracurriculares, que fogem ao estereótipo que muitas pessoas ainda têm de que o cientista é um homem, mais velho, e de jaleco branco. Todos e todas podem ser cientistas”, concluiu Dimila, que é mestre e doutora em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, quando foi orientanda do professor Alexander Kellner e cursou período Sanduíche pelo Programa Ciência Sem Fronteiras na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.






Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 08/04/2021
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4191.2.2

terça-feira, 13 de abril de 2021

Pesquisa analisa tártaro dentário dos mastodontes para descobrir segredos da Era do Gelo



Na Era do Gelo, que começou há cerca de 2,5 milhões de anos e terminou há aproximadamente 12 mil anos — quando se deu o início do Holoceno, período interglacial que dura até hoje —, o território que corresponde à América do Sul era habitado por mastodontes. Chegando a pesar até cinco toneladas e medindo aproximadamente três metros de altura, esses mamíferos pré-históricos, com duas presas de marfim e uma tromba, estão sendo investigados pelos pesquisadores a partir de um detalhe curioso: o tártaro dentário fossilizado. Uma pesquisa desenvolvida pela bióloga Dimila Mothé, que é bolsista da FAPERJ pelo programa Pós-Doutorado Nota 10 e recebe a supervisão do professor Leonardo Avilla, na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), resultou na elaboração de um artigo sobre o tema, a ser publicado na edição do vol. 33, de junho de 2021, no International Journal of Paleopathology. Intitulado The micro from mega: Dental calculus description and the first record of fossilized oral bacteria from an extinct proboscidean, o artigo já está disponível para leitura online aqui.

“Nesse artigo, observamos e descrevemos as primeiras bactérias fossilizadas encontradas no tártaro dentário da megafauna do Quaternário sul-americano, mais especificamente no mastodonte da espécie Notiomastodon platensis, que vivia no território hoje correspondente à América do Sul”, explicou Dimila. O artigo, que tem a bióloga como primeira autora, também é assinado pelos pesquisadores Karoliny de Oliveira e Alline Rotti (do Programa de Pós-graduação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ), José Luis Roman-Carrión (Escola Politécnica Nacional, do Equador), Luiz Carlos Bertolino (Centro de Tecnologia Mineral - Cetem), Natascha Krepsky (Laboratório de Microbiologia das Águas, da UniRio) e Leonardo Avilla (Laboratório de Mastozoologia, da UniRio). Dimila, além de ser pesquisadora de pós-doutorado deste último laboratório, na UniRio, é associada ao Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva, ligado ao Centro de Ciências Biológicas da UFRJ, na Ilha do Fundão.

Os animais da megafauna, como os mastodontes, os tigres-de-dente-de-sabre e os mamutes, tinham grandes proporções corporais. Os primeiros conviveram com a espécie humana até serem extintos, no Quaternário tardio. “Os mastodontes foram parentes pré-históricos dos elefantes”, contextualizou. A pesquisadora, que estuda os mastodontes desde a época da sua graduação em Ciências Biólogicas na UniRio, quando foi bolsista de Iniciação Científica da FAPERJ e deu os primeiros passos na vida acadêmica no Laboratório de Mastozoologia, sob a orientação de Leonardo Avilla, conta que o tártaro só tinha sido objeto de estudo anteriormente em pesquisas na área de Arqueologia, para a análise de populações humanas antigas, por exemplo. “Estamos inovando ao introduzir, na América do Sul, essa metodologia de estudo do tártaro na Paleoecologia, e em mastodontes. Estudamos vários dentes da espécie Notiomastodon platensis em fósseis encontrados no Brasil, na Argentina e no Equador, por meio de estudos no microscópio eletrônico de varredura do Cetem, para ver a superfície da placa bacteriana dentária. Também fazemos análises químicas, que permitem dissolver a matriz do tártaro para observar detalhes, como os vestígios da alimentação herbívora que o animal tinha no passado”, destacou.



Dimila Mothé com um exemplar do Notiomastodon platensis: pesquisadora destaca a importância da análise do tártaro como nova metodologia no estudo dos mastodontes (Foto: Divulgação)


Surpreendentemente, o tártaro, doença bucal comum em humanos, pode ajudar a revelar fatos pouco conhecidos dos mastodontes e detalhes importantes da vida na Terra na época em que viveram. “Além de dar pistas sobre a dieta dos mastodontes na pré-História, o tártaro dentário revela patógenos preservados. Ele tinha sido observado apenas por arqueólogos, em estudos com o tártaro humano de múmias”, contou. O estudo traz à tona o primeiro registro de uma bactéria bucal fossilizada encontrada em um Proboscideo, a ordem de mamíferos placentários, que contém apenas uma família vivente, a Elephantidae, à qual pertencem os atuais elefantes. “No artigo, descrevemos a presença da bactéria Streptococcus, que identificamos preservada, em seu formato esférico e de corrente, no microscópio eletrônico do Cetem. Essa bactéria é comum na cavidade oral de mamíferos, mas não sabíamos se conseguiríamos observá-la de forma isolada e preservada no tártaro de mastodontes. Queremos, no futuro, avaliar o material genômico desse tártaro. Sabemos que existem até 600 tipos de bactérias presentes na boca deles, ainda a serem estudadas, que podem explicar até as doenças comuns entre esses mamíferos na época”, explicou.

“Esse é um estudo bastante simbólico porque mostra como os cientistas brasileiros podem ser criativos no sentido de buscar metodologias em outras áreas. Investigamos material do nosso patrimônio fossilífero, com colaborações entre várias instituições de pesquisa”, ponderou Dimila. Aos 34 anos, com uma trajetória voltada ao estudo dos mastodontes e da evolução das espécies, ela ainda concilia a vida acadêmica com participações pontuais como modelo. “É um hobby que tenho e o mais importante é saber que estou ajudando a projetar a imagem da mulher cientista e a divulgar a Ciência. É bom passar uma mensagem positiva às meninas que estão pensando em seguir carreira na pesquisa, de que elas são capazes e é totalmente possível conciliar os estudos com atividades extracurriculares, que fogem ao estereótipo que muitas pessoas ainda têm de que o cientista é um homem, mais velho, e de jaleco branco. Todos e todas podem ser cientistas”, concluiu Dimila, que é mestre e doutora em Zoologia pelo Museu Nacional/UFRJ, quando foi orientanda do professor Alexander Kellner e cursou período Sanduíche pelo Programa Ciência Sem Fronteiras na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos.


Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 08/04/2021
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4188.2.4

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Cientistas resolvem o mistério de gigantesca cratera na Sibéria

As mudanças climáticas foram as responsáveis pelo aparecimento súbito de uma imensa cratera com 20 metros de largura e 30 metros de profundidade na península de Yamal, na tundra siberiana.

A cratera, que ficou conhecida como C17, foi descoberta em setembro de 2020 e não é única: outras 16 foram encontradas na região entre as penínsulas de Yamal e Gyda. Segundo os cientistas, elas acontecem quando o solo permanentemente congelado da região, chamado de permafrost, começa a se descongelar devido ao aumento de temperatura registrado na região nos últimos anos.


A permafrost é um imenso reservatório natural do gás metano. Com o degelo o gás acumulado em cavidades subterrâneas se expande, sem ter para onde escapar, até o solo descongelado sobre ele não resistir à pressão. O resultado é uma explosão e uma imensa cratera.

Segundo Evgeny Chuvilin, pesquisador sênior do Centro para Recuperação de Hidrocarbonetos do Instituto de Ciência e Tecnologia Skolkovo, em Moscou, a C17 está “unicamente bem preservada, já que a água da superfície ainda não tinha se acumulado dentro dela quando a estudamos, o que nos permitiu estudar uma cratera fresca, intocada pela degradação”.


Imagens da cratera C17, na tundra siberiana, feitas por um drone. Imagem: Bogoyavlensky, V.; Bogoyavlensky, I.; Nikonov, R.; Kargina, T.; Chuvilin, E.; Bukhanov, B.; Umnikov, A.

Esta também foi a primeira vez que os cientistas conseguiram mandar um drone para dentro de uma cratera, descendo de 10 a 15 metros abaixo da superfície para mapear o seu interior em três dimensões.

Igor Bogoyavlensky, do Instituto de Pesquisa de Óleo e Gás da Academia Russa de Ciências, foi quem pilotou o drone. Ele teve que se deitar na borda da cratera e pendurar seus braços e o controle sobre o fosso para conseguir manter contato com a aeronave. “Três vezes ficamos perto de perder ela, mas conseguimos capturar os dados para o modelo 3D”, disse à CNN.


Embora saibam o mecanismo que criou a cratera, os cientistas ainda não sabem a origem do gás metano. Ele pode ter vindo de camadas profundas da crosta terrestre, de depósitos mais próximos da superfície, ou de uma mistura dos dois.

Crateras imensas não são as únicas surpresas que estão sendo encontradas por causa do degelo da permafrost na Sibéria. Em janeiro um rinoceronte lanoso da Era do Gelo foi encontrado próximo a um rio da região de Yakutia com todos os seus membros, alguns de seus órgãos, suas presas e até mesmo sua lã intactos.

Fonte: CNN





Autor: olhar digital
Fonte: CNN
Sítio Online da Publicação: olhar digital
Data: 1702/21
Publicação Original: https://olhardigital.com.br/2021/02/17/ciencia-e-espaco/cientistas-resolvem-o-misterio-de-gigantesca-cratera-na-siberia/

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Restos humanos e ossos de animais da Era do Gelo são encontrados em caverna do México





Restos mortais de humanos que viveram na Era do Gelo são encontrados em caverna no México

Arqueólogos que exploram a maior caverna inundada do mundo, localizada no México, descobriram restos humanos de no mínimo 9 mil anos de idade e ossos de animais que habitavam a Terra durante a última Era do Gelo.


Um grupo de mergulhadores recentemente conectou duas cavernas submarinas no leste do México e revelou o que se acredita ser a maior caverna inundada do planeta, uma descoberta que pode ajudar a lançar uma nova luz sobre a antiga civilização maia.


A península de Yucatán está repleta de relíquias monumentais do povo maia, cujas cidades contavam com uma rede extensa de escoadouros ligados a águas subterrâneas, conhecidos como cenotes.


Pesquisadores dizem ter encontrado 248 cenotes no sistema de cavernas de 347 quilômetros conhecido como Sac Actun, próximo do balneário de Tulum. Dos 200 sítios arqueológicos que localizaram ali, cerca de 140 são maias.




Mergulhadores exploram sistema de cavernas submarinas de Sac Actun, no México (Foto: Herbert Mayrl/Projeto Grande Aquífero Maia (GAM))


Alguns cenotes adquiriram um significado religioso particular para os maias, cujos descendentes continuam a habitar a região.


Além dos restos humanos, eles também encontraram ossos de bichos-preguiça gigantes, elefantes antigos e ursos extintos do período Pleistoceno, disse o Ministério da Cultura mexicano em um comunicado.


A descoberta da caverna abalou o mundo da arqueologia.


"Acho que é impressionante. Sem dúvida é o maior sítio arqueológico submarino do mundo", disse Guillermo de Anda, pesquisador do Instituto Nacional de Antropologia e História do México (Inah).



De Anda também é diretor do Grande Aquífero Maia (GAM), um projeto dedicado ao estudo e à preservação das águas subterrâneas da península de Yucatán.


De acordo com o Inah, o nível das águas subiu 100 metros no final da Era do Gelo, inundando o sistema de cavernas e criando as "condições ideais para a preservação dos restos da megafauna extinta do Pleistoceno".


A época geológica deste período, a Era do Gelo mais recente, começou 2,6 milhões de anos atrás e terminou há cerca de 11.700 anos.



Autor: G1 Globo Saúde
Fonte: G1 Globo Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Globo Saúde
Data de Publicação: 20/02/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/restos-humanos-e-ossos-de-animais-da-era-do-gelo-sao-encontrados-em-caverna-do-mexico.ghtml