Mostrando postagens com marcador citomegalovírus. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador citomegalovírus. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

A associação entre a excreção urinária de citomegalovírus materno e a taxa de infecção congênita

O citomegalovírus (CMV) é o maior responsável por malformações congênitas de origem infecciosa viral. Sendo que a grande parte dessa taxa de infecção congênita é causada na primoinfecção materna. De acordo com Zlatkin (2021), não existem testes não invasivos para diagnosticar a infecção congênita antes do parto, e por esse motivo, sua pesquisa procurou associar a excreção urinária materna de citomegalovírus e a taxa de infecção congênita.



Estudo

O artigo para discussão de hoje foi publicado na revista BMC Pregnancy and Childbirth neste ano de 2021. É um estudo de coorte retrospectivo de gestantes com primoinfecção por citomegalovírus entre 2012 e 2016, que foram assistidas durante o pré-natal e parto em um mesmo centro universitário. Foram analisados a dosagem de excreção materna urinária do citomegalovírus, além de investigada e documentada a infecção congênita por este mesmo vírus.

O autor ressalta a importância de estudos sobre o tema, pois é necessário o diagnóstico precoce desta infecção. Afinal, com o passar da gestação maior a chance de ocorrer a infecção fetal, podendo aumentar em quase três vezes esse risco, quando comparado o primeiro com o terceiro trimestre (ZLATKIN, 2021).

Considerações

Apesar do autor concluir que não existe associação entre a dosagem de citomegalovírus urinário materno e infecção congênita, uma importante relação foi descoberta. Após a conclusão da pesquisa, Zlatin et al. (2021), mostraram que quanto maior a excreção urinária de citomegalovírus maior a chance da infecção ter ocorrido recentemente. Este é um importante dado para manejo materno e fetal.






Autor: Letícia Suzano Lelis Bellusci
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 10/11/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/a-associacao-entre-a-excrecao-urinaria-de-citomegalovirus-materno-e-a-taxa-de-infeccao-congenita/

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Infecção por citomegalovírus é 3x maior em países de baixa e média renda

A infecção congênita por citomegalovírus (CMV) é a infecção congênita mais comum e é a principal causa de perda auditiva não genética, além de estar associada à sepse neonatal e outras sequelas como a hidrocefalia.

Estudos sugerem que a infecção congênita por CMV apresenta alta incidência, prevalência e gravidade em populações de baixa renda. Entretanto, a maioria dos estudos sobre essa doença são em países de alta renda.

Provavelmente, há uma subnotificação de citomegalovírus congênito no mundo, devido à falta de testes disponíveis em países de baixa renda.

A maior parte dos RNs com essa infecção congênita são assintomáticos ao nascer, porém podem haver sequelas mais tardias (até anos após). No momento em que as sequelas são observadas já é tarde demais para avaliar a associação do CMV com o resultado sorológico da criança.

Mesmo com toda essa importância na morbimortalidade, ainda faltam estudos confiáveis da carga de infecção.



Estudo sobre citomegalovírus

Esse estudo foi publicado com o objetivo de estimar a prevalência de citomegalovírus congênita em países de baixa e média renda e países de alta renda, caracterizar a taxa de infecção congênita pelo CMV por métodos de rastreamento e descrever fatores de risco associados.

Para essa metanálise, foram selecionados 1322 estudos no Medline, PubMed, Scopus e Cochrane. Os estudos forneceram dados sobre a prevalência de CMV congênita em recém-nascidos menores que 3 semanas.

A fim de verificar a prevalência de citomegalovirose congênita foi realizada triagem em bebês com menos de 3 semanas de vida com amostras de urina, saliva ou sangue.

Resultados

Setenta e sete estudos preencheram os critérios de inclusão, com 515.646 crianças em 36 países e 5 continentes. A prevalência de citomegalovírus congênita foi de 0,67%. A prevalência de nascimento com CMV em países de baixa e média renda foi 3x maior do que em países de alta renda (1,42% vs 0,48%).

Métodos de triagem com amostras de sangue demonstraram taxas mais altas de CMV do que amostras em urina ou saliva (odds ratio 0,38).

Altas taxas de CMV congênita foram relacionadas em maior soroprevalência materna, maiores prevalências de HIV, menor nível socioeconômico e mães mais jovens de idade.

Conclusões

A CMV congênita é um problema de saúde pública.

Infelizmente, esse estudo relata uma carga de infecção 3x maior em países de baixa e média renda quando comparado com países de alta renda.

Para reduzir sua incidência e complicações é necessário compreender melhor essa relação entre CMV e condição socioeconômica, para assim fornecer dados mais robustos para intervenção de saúde.

Prevenção, diagnóstico e tratamento são essenciais para redução na incidência de CMV e diminuição de sequelas por essa, principalmente em países com poucos recursos.


Autora:



Larissa Pires Marquite da Silva


Graduada em Medicina pela UNIGRANRIO ⦁ Residência Médica em Pediatria pelo Hospital Geral de Nova Iguaçu ⦁ Título de Especialista em Neonatologia pela Sociedade Brasileira de Pediatria ⦁ Pós-Graduação em Medicina Intensiva Pediátrica e Neonatal pela Faculdade Redentor ⦁ Atualmente é Coordenadora do Serviço de Pediatria da Santa Casa de Barra Mansa ⦁ Tem experiência em Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica e Pediatria.


Referência bibliográficas:
Paddy Ssentongo, et al. Congenital Cytomegalovirus Infection Burden and Epidemiologic Risk Factors in Countries With Universal Screening. A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Network Open. 2021;4(8):e2120736. doi: 10.1001/jamanetworkopen.2021.20736




Autor: Larissa Pires Marquite da Silva
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 13/09/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/infeccao-por-citomegalovirus-e-3x-maior-em-paises-de-baixa-e-media-renda/