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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Dados do Inpe revelam que queimadas em áreas florestais e de lavoura aumentam 52% este ano

Desde o início do ano, foram registrados cerca de 216 mil focos de incêndios em áreas florestais e de lavoura em todo o país, de acordo com informação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com isso, o número de focos de incêndio entre janeiro e junho deste ano já é 52% maior do que o registrado no mesmo período de 2017.

Os três estados com o maior número de queimadas são Roraima, Mato Grosso e Tocantins. Juntos, eles somam cerca de 55% dos focos de incêndio registrados em todo o Brasil neste período.


Os incêndios em áreas florestais e de lavoura já são 216 mil em todo o país (Jose Cruz/Agência Brasil)

Uma das causas do aumento no número de queimadas em áreas florestais e de lavoura pode ser o maior tempo de estiagem em 2018. Mas bombeiros e especialistas também chamam a atenção para o desmatamento e para a degradação ambiental como fatores responsáveis pela ampliação dos focos de incêndio.

Rodrigo Maciel, coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil de Roraima, líder em número de incêndios florestais este ano, afirma que o estado agora passa por um período de chuvas, mas as consequências das queimadas ainda podem ser percebidas, especialmente nas áreas florestais.

“A vegetação florestal depois que você perde ela pela ação do fogo, demora alguns anos para se recuperar. A gente vê isso em algumas serras aqui próximo, que tem a vegetação de floresta densa e, por conta do fogo, parte dela que foi queimada destoa visualmente da parte que está conservada”, afirmou.

Para tirar Roraima do topo de lista dos focos de incêndio, o Corpo de Bombeiros faz agora uma campanha permanente de combate às queimadas. Já o Inpe investiga práticas que influenciam desmatamento na Amazônia. A Floresta Amazônica concentra mais da metade da biodiversidade da Terra, além de um terço das florestas tropicais do planeta.

Por Juliana Cézar Nunes, da Rádio Nacional, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/06/2018




Autor: Juliana Cézar Nunes
Fonte: Rádio Nacional
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 28/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/28/dados-do-inpe-revelam-que-queimadas-em-areas-florestais-e-de-lavoura-aumentam-52-este-ano/

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Incêndios florestais dominam as emissões de carbono durante secas na Amazônia





INPE

Artigo publicado na Nature Communications, revela que as emissões de carbono por incêndios florestais, durante secas extremas, estão superando as emissões associadas ao processo de desmatamento na Amazônia.

“As secas recorrentes durante o século XXI podem afetar o progresso dos esforços bem sucedidos em reduzir as emissões de carbono provenientes do desmatamento na região”, alerta Luiz Aragão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), principal autor do artigo Century drought-related fires counteract the decline of Amazon deforestation carbon emissions.

Aragão e seus colaboradores utilizaram dados de satélite e inventários de gases de efeito estufa para quantificar os impactos de secas amazônicas na incidência de queimadas e nas emissões associadas a este processo no período de 2003 a 2015. Apesar de uma redução de 76% nas taxas de desmatamento nos últimos 13 anos, a incidência de fogo aumentou em 36% durante a seca de 2015, quando comparada à média dos 12 anos precedentes ao evento.

“Incêndios florestais durante anos de seca, sozinhos, contribuem com emissões anuais equivalentes a um bilhão de toneladas de CO2 para atmosfera, que correspondem a mais da metade das emissões associadas ao desmatamento”, explica o pesquisador do INPE.

Esta foi a primeira vez que cientistas puderam claramente demonstrar como os incêndios florestais podem se espalhar extensivamente durante secas recentes e quanto este processo pode influenciar as emissões de carbono na Amazônia na escala decenal.

O conjunto de satélites atualmente em operação permite a aquisição de dados sobre o clima atual, o conteúdo de carbono atmosférico e a qualidade dos ecossistemas terrestres. O INPE está desenvolvendo metodologias robustas para entender e contabilizar as emissões de carbono relativas ao processo de degradação florestal, um dos gargalos para o monitoramento, verificação e relato do balanço de carbono amazônico com exatidão.

O Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que colaborou com o estudo do INPE, ressalta que algumas observações e modelos indicam que a intensidade e frequência de secas na Amazônia podem aumentar como consequência das mudanças climáticas e do desmatamento.

As três “secas do século”, que ocorreram na região em 2005, 2010 e 2015/2016, foram consequência do aquecimento do oceano Atlântico tropical norte e do El Nino. A intensificação destes fenômenos no futuro favorece o aumento de secas. Para os pesquisadores, “se as mudanças do clima em um futuro próximo forem consistentes com os resultados dos modelos e ações políticas não forem implantadas para prever e evitar eficientemente a ocorrência de incêndios, é esperado que as emissões de carbono associadas aos incêndios florestais sejam sustentadas de forma análoga ao que foi demonstrado no estudo”.

O artigo destaca que o Brasil conseguiu avanços substancias referentes ao relato das emissões por desmatamento, no entanto, baseado nos resultados obtidos, o País precisa urgentemente incorporar em suas estimativas as perdas de CO2 associadas às queimadas não relacionadas com o processo de desmatamento. Os autores alertam que os governos precisam conhecer estes números para propor soluções pragmáticas e efetivas para manter as baixas taxas de desmatamento, encontrar novas práticas de manejo da terra e restringir a incidência de fogo. Estas ações serão de extrema importância para reduzir futuras emissões de carbono na Amazônia Brasileira.

O estudo conclui que a continuidade de atividades associadas ao uso da terra e a intensificação de secas extremas têm o potencial de aumentar as emissões por fogo não relacionadas ao desmatamento. Este cenário pode comprometer a estabilidade dos estoques de carbono florestal e reduzir os benefícios associados à biodiversidade que podem ser obtidos com os esquemas de conservação de carbono, como os de redução das emissões por desmatamento e degradação florestal (REDD+).

Confira abaixo, o artigo publicado na Nature Communications
https://www.nature.com/articles/s41467-017-02771-y

Do INPE, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/02/2018

Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 20/02/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/02/21/incendios-florestais-dominam-as-emissoes-de-carbono-durante-secas-na-amazonia/

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Venda dos recursos florestais brasileiros como compensação para países com altas emissões de carbono gera discórdia na COP 23

Floresta é riqueza, não moeda de troca

Nota de Coesus – Coalizão Não Fracking Brasil – e 350.org Brasil.
Área de floresta em chamas próxima a Itaituba, no Pará (Foto: Rogério Assis/Greenpeace



Os representantes da delegação brasileira presentes na 23ª Conferência do Clima da ONU (COP 23) estão divididos. O motivo é o posicionamento histórico do Brasil de deixar suas florestas fora do mercado de carbono. Os mecanismos de compensação de carbono, os chamados offsets, permitem que empresas e países poluidores paguem por serviços ambientais e ações que compensem os estragos feitos ao longo de décadas ao planeta.

De um lado estão alguns políticos dos estados amazônicos, grandes empresas e representantes de países nórdicos que querem precificar os “serviços ambientais” prestados pelas florestas. De outro, ativistas socioambientais e o corpo técnico dos ministérios do Meio Ambiente e de Relações Exteriores, que chamam os offsets de “falsa solução à crise do clima.”

O mercado de carbono surgiu com o Protocolo de Quioto, tratado criado em 1997 e que antecedeu o Acordo de Paris. A prática, no entanto, só passou a vigorar a partir de 2005, quando mais da metade dos países signatários ratificaram o acordo. Segundo a regra, cada tonelada de gás carbônico não emitida ou retirada da atmosfera por um país em desenvolvimento pode ser negociada como “crédito” junto a países que poluem mais. Esse recurso é chamado de offset, e as florestas são um desses mecanismos de troca.

Reconhecidamente, as árvores capturam e absorvem carbono durante a fotossíntese. E o Brasil possui a maior floresta tropical do mundo. Assim, o cálculo é de que, caso o Brasil entre nesse mercado, as florestas nacionais podem render cerca de US$ 70 bilhões em dez anos. No entanto, atualmente a legislação brasileira proíbe o uso da flora para compensar danos ao meio ambiente causados por outros países ou por empresas.

Sociedade civil contra o offset

Desde que as primeiras propostas sobre o tema foram apresentadas, inúmeras organizações e movimentos sociais, representantes de povos indígenas e outras comunidades tradicionais no Brasil e no mundo vêm apontando preocupações e denunciando os offsets florestais. Outros atores, por sua vez, têm aproveitado o atual contexto nacional, com a crise política e a turbulência econômica, e o momento-chave das negociações internacionais, de implementação do Acordo de Paris, como pretexto para demandar medidas a favor dessa proposta.

A 350.org, junto com 50 outras organizações da sociedade civil brasileira, acredita que a monetização das matas não resolve a questão climática global, uma vez que os gases nocivos continuam sendo emitidos. Uma carta entregue em julho aos ministérios do Meio Ambiente e de Relações Exteriores defende a manutenção do posicionamento do Brasil contra os offsets florestais, sob o argumento de que “qualquer mudança nesse sentido colocaria em risco a integridade ambiental do país e do planeta, além do cumprimento das responsabilidades históricas por parte de países desenvolvidos, e a arquitetura do Acordo de Paris.”

De acordo com as entidades, o offset florestal apresenta uma falsa solução para a crise climática, “porque é um jogo de soma zero”, já que o montante de CO2 capturado pelas florestas não evita que outros setores da economia, como o de energia, continuem emitindo, às vezes muito mais, por meio de outras atividades.

Segundo Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora da 350.org Brasil e América Latina, esse tipo de compensação nunca é uma redução efetiva.”Os mecanismos de offset dão a licença que a indústria fóssil deseja para continuar promovendo a dependência energética mundial em combustíveis sujos e altamente poluentes. Além disso, eles transferem a responsabilidade sobre as emissões para povos indígenas, populações tradicionais, agricultores familiares e camponeses, que também são alvo da exploração e opressão petroleira.”

As organizações signatárias também reforçam que a monetização das florestas aprofunda e gera novas formas de desigualdade social, já que quem tem dinheiro e poder pode pagar e continuar emitindo sem fazer a sua parte. A participação do Brasil é fundamental nesse debate, já que o país é uma das maiores lideranças no assunto florestal. Uma eventual mudança de posição teria repercussão mundial, podendo influenciar não apenas os demais países amazônicos como também todos os outros.

“Não basta sermos ameaçados diariamente dentro de nossos próprios territórios por aqueles que querem nossos recursos naturais, incentivando o desmatamento, a mineração e a exploração de petróleo e gás, e colocando as vidas e as culturas das nossas populações em risco. Agora também querem se aproveitar da nossa riqueza florestal, usando nossas matas como moeda de troca. As empresas e países poluidores têm que pagar pelo mal que fazem para o planeta, e não lucrar ainda em cima disso”, afirmou Kretã Kaingang, liderança do Paraná e integrante da coordenação-executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

Políticos amazônicos de olhos nos créditos

Apesar de ter admitido durante a COP 21, em Marrakech, que os mecanismos de offset não são um consenso na sociedade civil brasileira, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, se posicionou do lado dos que defendem a entrada do Brasil no mercado de carbono. No início de outubro, ele classificou como “serviços” as atividades florestais de absorção do carbono e demandou uma recompensa financeira por isso, abrindo o caminho para o discurso pró-mercado. O senador Jorge Viana (PT-AC), que preside a Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso Nacional, segue a mesma linha. Para ele, “a floresta precisa ser vista como um ativo econômico”.

Parlamentares e governadores da região amazônica são a principal força política pela liberação do crédito de carbono. Como a floresta amazônica é responsável por boa parte do trabalho de absorção do CO2 do planeta, a entrada nesse mercado de compensação funcionaria como uma valiosa fonte de recursos para os estados da região.

De olho nesse potencial orçamentário, o Fórum de Governadores da Amazônia Legal (que reúne autoridades do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins) prepara uma ofensiva pesada durante a COP, com objetivo de atrair recursos via cooperação internacional e iniciativa privada.

“Os compromissos assumidos pelos países no Acordo de Paris por si só já são insuficientes e deixam o aquecimento global acima dos 2oC, intensificando ainda mais o caos climático. É inaceitável que a indústria fóssil siga com seu modus operandi, poluindo, contaminando e oprimindo com o aval dos governos e da sociedade, enquanto deveríamos estar discutindo formas de energia livre, com geração local e justa, sem impactos sociais ou ambientais”, defendeu Juliano Bueno de Araújo, coordenador de campanhas climáticas da 350.org Brasil e fundador da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.




Autora: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 10/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/10/venda-dos-recursos-florestais-brasileiros-como-compensacao-para-paises-com-altas-emissoes-de-carbono-gera-discordia-na-cop-23/