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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Obesidade infantil é tema de estudo

Com participação da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), um estudo analisou as ações de prevenção e controle da obesidade infantil, especialmente as de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável (PAAS), que integram políticas do governo federal brasileiro nos últimos 15 anos. Destacam-se as disputas entre os interesses das corporações comerciais de alimentos processados e do agronegócio e os setores governamentais e societários norteados pelos objetivos de PAAS.

O estudo Políticas de Saúde e de Segurança Alimentar e Nutricional: desafios para o controle da obesidade infantil, de Patrícia Henriques, Patricia Camacho Dias, Roseane Moreira Sampaio Barbosa e Luciene Burlandy, da Universidade Federal Fluminense (UFF); e Gisele O’Dwyer, da Ensp/Fiocruz, diz que no Brasil o excesso de peso e a obesidade vêm sendo registrados a partir dos cinco anos de idade, em todos os grupos de renda e regiões, sendo mais prevalentes na área urbana do que na rural. “A infância é uma fase particularmente preocupante porque, para além das doenças associadas com a obesidade, o risco aumenta na idade adulta gerando consequências econômicas e de saúde, para o indivíduo e para a sociedade. Além disso, o estigma e a depressão podem prejudicar o desenvolvimento da criança, especialmente nas atividades escolares e de lazer”.

Conforme relata o artigo, há um consenso de que a obesidade é condicionada por fatores biológicos, ambientais, socioeconômicos, psicossociais e culturais. Entretanto, a sua ocorrência vem sendo predominantemente atribuída a um ambiente que promove ingestão excessiva de alimentos processados e ultraprocessados e desestimula a atividade física. “Estudos apontam que os principais condicionantes da obesidade em crianças são a ingestão de produtos pobres em nutrientes e com conteúdo elevado em açúcar e gorduras, a ingestão regular de bebidas açucaradas e atividade física insuficiente”.

Os autores do artigo expõem que a organização da Atenção Nutricional no Sistema Único de Saúde (SUS) é uma diretriz central da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) que prevê que os cuidados relativos à alimentação e nutrição (promoção da saúde, prevenção, diagnóstico e tratamento de agravos) devem fazer parte do cuidado integral na Rede de Atenção à Saúde (RAS). Nessa perspectiva, afirmam eles, sobressai a Linha de Cuidado para o Tratamento do Sobrepeso e da Obesidade, que define as ações que devem ser desenvolvidas nos diferentes pontos da RAS, inclusive as de PAAS, planejadas com base no conhecimento do cenário epidemiológico e nutricional da população.

Para isso, observa o artigo, a Vigilância Alimentar e Nutricional (VAN) assume papel relevante no monitoramento e análise dos problemas nutricionais, subsidiando o planejamento da atenção nutricional no SUS. “A PAAS também é uma das diretrizes da PNAN que, segundo os termos da própria política, fundamenta-se nas ações de incentivo, apoio, proteção e promoção da saúde, planejadas de forma integrada no âmbito da RAS. Essas ações incluem a reorientação dos serviços, a construção de ambientes promotores de saúde, a educação alimentar e nutricional (EAN) o controle e a regulação de alimentos”.

A Política Nacional da Atenção Básica prevê a reorganização dos serviços com vistas a ampliar a equidade e a qualidade da atenção à saúde e, desse modo, propiciar ambientes que favoreçam a prevenção, a promoção e o cuidado integral em saúde. Nessa perspectiva destacam-se: a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil que visa promover o aleitamento materno e a introdução complementar de alimentos de forma adequada e saudável e o Programa Saúde na Escola (PSE). A promoção e a atenção à saúde do escolar integram tanto a PNAN, quanto a PNPS, e o PSE se propõe a articular a atenção básica em saúde com a escola, possibilitando ações de PAAS e o monitoramento do estado nutricional.

De acordo com o artigo, as ações de EAN integram todas as políticas analisadas e abarcam a produção de instrumentos e materiais educativos que fomentem escolhas alimentares mais saudáveis, e processos educativos desenvolvidos nas redes de educação e saúde e outros espaços públicos. Visando valorizar e qualificar esse conjunto de ações, o governo federal publicou o Marco de Referência de EAN para as políticas públicas.

Os guias alimentares destinados a crianças menores de dois anos e a população brasileira apresentam princípios para alimentação saudável, dentre eles o respeito à cultura alimentar local. Na perspectiva de complementariedade e diálogo entre os materiais produzidos, o livro Alimentos regionais brasileiros divulga a variedade de frutas, hortaliças e leguminosas, ressalta a diversidade cultural e valoriza os alimentos existentes no país. “O guia alimentar inova ao basear-se em uma classificação de alimentos que evidencia as relações entre o crescente consumo de alimentos processados e ultraprocessados e a obesidade. Além disso, aborda a alimentação na perspectiva da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN)”.

Os pesquisadores ressaltam que a regulação da publicidade e comercialização de alimentos, especialmente para o público infantil, vem sendo objeto de políticas governamentais desde 2006, com elevado grau de conflito com o setor privado comercial, e obteve avanço significativo apenas na proteção aos lactentes e crianças de primeira infância. “Desde 2007 foram estabelecidos acordos voluntários entre o MS e a Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos para melhoria da composição de produtos industrializados, especialmente aqueles preferidos pelo público infanto-juvenil, com redução gradativa dos teores de açúcares livres, sódio e gorduras trans, mas os acordos para redução de açúcares ainda não foram definidos”.

Eles também enfatizam a regulamentação da rotulagem nutricional para garantir o acesso à informação ao consumidor e inibir a publicidade no rótulo. “Esse tipo de regulação tem avançado no país, contudo ainda existem desafios quanto à qualidade das informações veiculadas e o seu potencial informativo”.

*Este artigo foi originalmente publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva (vol.23 n.12), de dezembro de 2018.





Autor: Ensp/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 28/01/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/obesidade-infantil-e-tema-de-estudo


segunda-feira, 11 de junho de 2018

Atividades podem estimular sinapses e desenvolver potencial infantil


Grupo de pesquisadores pediátricos que estuda o desenvolvimento infantil e como este influencia a vida adulta analisa como intervir na construção das sinapses da criança – Foto: Wikipedia Commons

A arquitetura cerebral de uma pessoa é a base para todas as aptidões que ela pode desenvolver. Se bem formulada desde os primeiros estágios da vida, um ser humano é capaz de exercer todas as suas potencialidades durante a vida. Este é o objetivo de uma nova política pública desenvolvida pelo Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP): garantir que as crianças brasileiras tenham condições de atingir todo o seu potencial. A aplicação planejada de atividades estimulantes entre pais ou cuidadores e criança está sendo testada experimentalmente em Boa Vista (RR). A meta é avaliar os resultados para saber se é viável a implementação da ação em escala – e qual a melhor forma de fazer isso.

A construção cerebral é um processo orgânico e estímulo-dependente, ou seja, a criança precisa ser estimulada por condições ou pessoas externas para que o seu organismo desenvolva cada vez mais a arquitetura de sinapses cerebrais. Esse mecanismo começa durante a gestação e ocorre de forma intensa na primeira infância, entre o nascimento até os três anos de vida, como explica a professora e pediatra Sandra Grisi. Quanto mais desenvolvida a edificação mental de uma pessoa, maiores serão as suas potencialidades e as chances de atingi-las, tanto físicas quanto mentais, tornando-se mais preparada para entender o mundo e se organizar no mesmo.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores pediátricos, do qual a professora Sandra participa, que estuda o desenvolvimento infantil e como este influencia a vida adulta das pessoas, começou a analisar a possibilidade de intervir nessa construção das sinapses infantis.

Tudo começou em 2012, quando o grupo estudava as relações ambientais e familiares no desenvolvimento da criança, tanto somático quanto psíquico. “Num determinado momento pensamos ‘bom, isso é pouco’”, conta a professora Sandra. “Sabemos pelas neurociências que nós temos que estimular o desenvolvimento, então buscamos qual é o melhor jeito de fazer isso e de uma forma democrática.” Os instrumentos utilizados para estimular os bebês são brinquedos que podem ser construídos com materiais simples, como chocalhos, brinquedos de encaixe de formas, entre outros.

Após a pesquisa sobre vários tipos de estímulos infantis na literatura médica, o grupo escolheu o modelo elaborado por Susan Walker, professora na University of the West Side, na Jamaica. Este modelo se baseia no desenvolvimento infantil por meio de atividades entre cuidador e criança. Dessa forma, as atividades de estímulo são incorporadas ao cotidiano do bebê, sendo constantemente estimulado por suas mães ou cuidadores. Os pesquisadores acreditam que essa medida seria irradiante, pois “na medida em que capacitamos esse cuidador ou essa mãe a estimular o desenvolvimento de uma criança, consequentemente estamos capacitando essa mãe ou cuidador a promover o desenvolvimento de toda a sua prole”, explica a professora.

Além disso, o método de Susan Walker já possuía uma aplicação concreta e um acompanhamento a longo prazo dos efeitos da aplicação. Dessa forma, os pesquisadores sabiam da eficiência do procedimento. Após fazer uma adaptação dos brinquedos usados nas atividades estimulantes e uma revisão do currículo da programação de estímulo, o departamento deu início à avaliação de impacto do projeto.
 

Foto: Divulgação / Departamento de Pediatria da FMUSP
Avaliação de impacto

Com apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, que financia projetos em educação infantil, e o financiamento recebido pela vitória do Gand Challenge Canada (um edital internacional promovido pelo governo canadense para obter recursos voltados para pesquisas), em 2017 iniciou-se a fase de avaliação de impacto, para verificar se a intervenção teria efeito e qual o modo mais eficiente para ela. O estudo foi realizado em São Paulo, com crianças da zona oeste da cidade.

Nesse processo foram avaliadas quatro tipos de situações. Na primeira, o ensino da intervenção às mães e cuidadores seria realizado por agentes comunitários de saúde, que já realizam visitas em domicílios para acompanhar a saúde de pessoas com doenças crônicas. Neste caso, cada agente atende uma região, então as visitas à casa de crianças de até três anos foram incorporadas no cronograma desses agentes. Na segunda situação, as visitas foram comandadas por agentes de desenvolvimento infantil, que eram pessoas da comunidade local encarregadas de aplicar apenas a intervenção. O terceiro caso era a avaliação de crianças que frequentavam creches sem a intervenção e o último caso era composto de crianças que não recebiam a intervenção e não estavam matriculadas em creches.

Após a aplicação do programa, os dados mostram que as crianças do primeiro grupo receberam menos de 20% da intervenção, devido à rotina sobrecarregada dos agentes comunitários. Em contrapartida, as casas submetidas à intervenção com agentes de desenvolvimentos receberam em torno de 80% da intervenção. Esse dado é interessante quando essas crianças são submetidas a testes e avaliações do desenvolvimento. As crianças do segundo grupo obtiveram desempenho muito superior ao dos outros três, chegando a ter uma pontuação duas vezes maior sobre o primeiro grupo. “O modo de intervenção pode mudar completamente o resultado”, comentou a professora.
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Avaliação em escala

A ação em Roraima será realizada com agentes de desenvolvimento infantil, por ter se mostrado a forma mais eficiente. Serão pessoas da comunidade local, treinadas pela equipe da FMUSP para ensinar as mães ou cuidadores a realizar a intervenção. Soma-se a isso a iniciativa de passar essas instruções de maneira coletiva, ou seja, a intervenção poderá ser ensinada para as mães em grupos ou em domicílio. Estima-se que em 2018 haverá cerca de nove mil nascimentos em Boa Vista e ainda neste ano um terço da cidade irá receber o procedimento. No ano seguinte, outro terço começará a receber a intervenção, até que em 2020 todas as crianças nascidas em Boa Vista estejam incorporadas ao programa, com apoio da prefeitura local.

A capital roraimense foi escolhida por uma série de fatores, mas a professora destaca os baixos níveis de desenvolvimento social e de renda. Entretanto, a cidade já oferecia um sistema público de saúde consolidado, o que permite aos pesquisadores analisar a interação da inserção da intervenção na política pública. Após o fim da experiência em Roraima, os dados dirão se a intervenção é viável em larga escala e a melhor forma de fazê-la, para assim poder levar os resultados ao poder público.



Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data de Publicação: 08/06/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/pesquisa-avalia-modelo-para-estimular-crianca-a-desenvolver-potenciais/

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Como perceber se uma criança está sofrendo bullying


Imagem: EBC


Entenda quais os sinais apresentados pelas vítimas de bullying e saiba como agir

Todos já passamos em algum momento da vida por uma situação de bullying, mas, não é porque foi no passado que não tenha te afetado até hoje.

Sabendo disso, é necessário identificar se uma criança está sofrendo bullying para poder agir e combater esse mal que se espalha pelas escolas.

Como identificar que a criança está sofrendo bullying?

O primeiro passo para combater o bullying é saber identificar se uma criança está sofrendo a agressão. Geralmente, alguns comportamentos podem te alertar sobre a possível situação. Veja abaixo alguns sinais que podem te ajudar a identificar se uma criança está sofrendo bullying.

– Muito silêncio

Se a criança ficar muito quieta, se isolar, não querer conversar sobre a escola ou o dia, isso pode indicar que ele está passando por problemas, especialmente se ficar em silêncio não for um comportamento típico de sua personalidade.

– Machucados e hematomas

Note se a criança está com muitos hematomas e machucados pelo corpo. Ela pode afirmar que caiu ao longo do dia ou que bateu em algum lugar, mas se esse tipo de situação começar a se tornar mais frequente, é aconselhável que a situação seja investigada.

– Rejeição a escola

Se o seu filho começar a querer a evitar a escola, pedindo para faltar ou arranjando motivos para não ir, isso pode ser um indício de que ele está sofrendo bullying. Ele também pode lhe pedir para trocar de sala ou até mesmo de instituição.

– Roupas ou materiais estragados

Em algumas situações, quem sofre bullying tem seus pertencer destruídos ou jogados fora. Comece a notar se isso está acontecendo com a criança, pois pode te dar um sinal de que algo está errado.

– Muito irritado

Se em casa a criança começar a se mostrar muito irritada por qualquer motivo, isso pode indicar que ela sofrendo bullying ou que é quem o pratica. Junte isso a outros comportamentos para identificar se o seu filho é a vítima ou o agressor.

– Medo de ir sozinho para a escola

Pode ser que ele comece a pedir para trocar de caminho ou para que alguém o acompanhe até a escola, fique atento, isso pode indicar que ele está com medo de encontrar com os praticantes do bullying.

– Muitas brigas em sala de aula

A criança que briga muito dentro da escola pode estar tentando se defender e isso deve ser um alerta para pais, professores e coordenadores.

– Rendimento escolar começa a cair

Por não se sentir bem no ambiente, a vítima tende desenvolve uma dificuldade na escola, podendo afetar suas notas, participação e outros fatores.

– Redes sociais

Você pode perceber que seu filho ou aluno está sofrendo bullying ao verificar suas redes sociais. Muitas vezes o bullying vira o cyberbullying, que também precisa ser combatido. Porém, tome cuidado com os limites de privacidade da criança.

Saiba como agir

– Se você é o pai, mãe ou responsável: converse com o seu filho de forma aberta e sincera. Entenda o que ele está passando e não o force a nada. Fale com a escola para que juntos vocês descubram a melhor forma de ajudar a criança afetada.

Nunca culpe o seu filho pela situação, nesse momento ele precisa de apoio e incentivo. Se necessário, leve-o para um acompanhamento com psicólogo, que iniciará um tratamento personalizado para a criança.

– Se você é professor: como professor você tem mais facilidade para entender o que está acontecendo no ambiente. Preste atenção em piadinhas e agressões físicas que podem estar acontecendo na sua sala de aula. Não deixe passar, aproveite o momento para resolver a situação.

Alguns cursos online de psicologia infantil ajudam a compreender a mente das crianças e te darão clareza para lidar com o bullying.

O ideal é que se converse com as crianças envolvidas de forma adequada, pois tanto a vítima quanto o agressor precisam de ajuda durante esse processo.

Vale lembrar que o bullying é um assunto sério e que precisa de muita atenção, pois ele pode causar efeitos permanentes em algumas pessoas.



Colaboração de Tainá Fantin, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/02/2018

Autor: Tainá Fantin
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 27/02/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/02/27/como-perceber-se-uma-crianca-esta-sofrendo-bullying/

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Saiba o que fazer em caso de intoxicação infantil, artigo de Carlo Crivellaro






A maioria das intoxicações em crianças pode ser tratada, se for dado atendimento imediato. Se achar que seu filho ingeriu algo tóxico, fique atento aos seguintes sinais e sintomas: manchas estranhas na roupa da criança, queimaduras nos lábios ou na boca, salivação excessiva ou hálito com odor forte, náuseas ou vômitos de início súbito e sem explicação, dor abdominal sem febre, dificuldade para respirar, alterações súbitas de comportamento (sono, irritabilidade ou excitação). Em casos mais sérios, pode haver até convulsões e perda de consciência.

Saiba como agir nas situações abaixo:

VENENOS INGERIDOS:

Tirar a substância de perto da criança. Se ainda tiver um pouco na boca, faça com que ela cuspa ou retire da boca com a sua mão. Guarde esse material, embalagens, rótulos, bulas, ou qualquer outra coisa que possa ajudar na identificação da substância. Checar os seguintes sinais: dor de garganta importante, salivação excessiva, dificuldade respiratória, convulsões, tontura ou sonolência excessiva. Se a criança tiver algum desses sintomas, leve imediatamente ao hospital mais próximo.

Na dúvida, nunca provoque vômito. Se a substância for muito ácida ou muito básica, provocar o vômito pode causar piora e nova queimadura das mucosas. Se a criança não tiver nenhum dos sintomas listados, você tem tempo para checar com o pediatra ou no Centro de Intoxicações de sua cidade sobre qual a melhor conduta a ser tomada. Dependendo da substância e da idade da criança, pode ser necessário levá-la ao pronto-socorro. A não ser que receba instruções, não dê água ou leite.

No pronto-socorro, o tratamento se baseia em quatro itens principais: diminuir a exposição do organismo ao tóxico, promover a eliminação do tóxico já absorvido, uso de antídotos e, por fim, medidas gerais e de suporte. Muitas vezes, é necessário realizar exames e permanecer em observação por 6 a 12 horas.

Em São Paulo, um dos Centros de Intoxicação é o CEATOX, ou Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Funciona 24hs por dia, o contato pode ser feito pelo telefone 0800-0148110 ou pelo site www.ceatox.org.br. Ao ligar, tenha em mãos os seguintes dados: o nome da criança, idade e peso, e eventuais doenças ou medicações que esteja em uso; o nome da substância ingerida, lido ou soletrado, e as informações contidas no rótulo; a hora que ingeriu e a quantidade engolida estimada.

CONTATO COM A PELE:

Se a criança derrubar alguma substância perigosa no corpo, tire toda a roupa e lave a criança com água tépida, não quente. Se houver sinais de queimadura, continue lavando por 15 minutos, no mínimo, mesmo que a criança reclame. Depois, ligue para o pediatra ou Centro de Intoxicações. Não passe pomadas ou óleos sem orientação.

CONTATO COM OS OLHOS:

Lave bem os olhos, abrindo as pálpebras, com água corrente no canto interno (do lado do nariz) do olho. Para crianças pequenas, pode ser necessário um outro adulto para segurá-la. Lave por 15 minutos e ligue para o Centro de Intoxicações para receber orientações. Não pingue colírios ou qualquer outra substância no olho.

INALAÇÃO DE VAPORES/GASES TÓXICOS:

Os gases que mais comumente provocam intoxicações são fumaça de escapamento em uma garagem fechada, fumaça de incêndios, vazamento de gás de cozinha, ou problemas em fogões à lenha ou carvão. Afaste a criança imediatamente, de preferência, indo a um local ao ar livre. Se estiver respirando, ligue para o Centro de Intoxicações para orientações ou para o SAMU (192). Se não estiver respirando, é necessário ter alguém com noções de reanimação. Se estiver em duas pessoas, uma inicia a reanimação enquanto outra liga para o SAMU. Só pare se a criança voltar a respirar ou quando chegar ajuda. Se estiver sozinho, reanime a criança por 1 minuto e só depois ligue para o SAMU.

PREVENÇÃO:

Crianças pequenas são intoxicadas, em geral, por produtos que temos na nossa própria casa. Pode ser medicamentos, produtos de limpeza, plantas, cosméticos, inseticidas, tintas, solventes, entre outros. Colocar coisas na boca e experimentar seu gosto é o modo como crianças pequenas exploram o ambiente. Isso ocorre em um rápido momento de distração dos adultos, principalmente quando estão doentes, estressados ou sobrecarregados.

O melhor meio de prevenção é manter medicamentos e produtos tóxicos trancados, onde a criança não consiga ter acesso. Redobre a atenção em visitas a amigos e parentes que não tenham crianças. Provavelmente, o local não terá os mesmos cuidados que sua casa.

Outras dicas incluem: não tomar medicamentos na frente de crianças, pois elas gostam de imitar os adultos. Não chamar medicamentos de “balinha” para que ela aceite tomar. Cheque o rótulo e a dosagem prescritos, principalmente na madrugada, e com uma luz acesa. Nunca mude a embalagem de um produto, colocando substâncias tóxicas em garrafas de refrigerante ou latas de alimentos. Não permaneça com o motor do carro ligado em uma garagem fechada. Ao sentir cheiro de gás, desligue imediatamente e chame a companhia de gás. Deixe o telefone do Centro de Intoxicações sempre em local de fácil acesso, inclusive para babás ou outros cuidadores da criança.

Por Dr. Carlo Crivellaro, Pediatra com Título de Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria; Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria; e Membro da Highway to Health International Healthcare Community

Colaboração de Flávia Vargas Ghiurghi, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/11/2017


Autora: Dr. Carlo Crivellaro
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 28/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/28/saiba-o-que-fazer-em-caso-de-intoxicacao-infantil-artigo-de-carlo-crivellaro/