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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Produção agrícola baseada no uso indiscriminado de pesticidas afeta os polinizadores naturais

Uso indiscriminado de pesticidas afeta os polinizadores
Morte de meio bilhão de abelhas é consequência de agrotóxicos

Por Caroline Aragaki, da Rádio USP.




Abelha – Foto: Marcos Santos/USP



Em três meses, meio bilhão de abelhas foram encontradas mortas no Brasil. É o que aponta o levantamento da Agência Pública e Repórter Brasil. O professor Tiago Maurício Francoy, do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e especialista em abelhas, explica por que isso está acontecendo e qual alerta temos que ter diante da estatística.

“O que acontece é que as abelhas precisam buscar néctar e pólen das flores e elas acabam visitando as plantações, e esse uso de agrotóxicos, que aqui no Brasil está se tornando cada vez mais intenso e prejudicial, acaba por levar à morte essas abelhas”, afirma Francoy.

O regimento de agrotóxicos no Brasil está indo em direção contrária ao que os países desenvolvidos estão fazendo. “Esses agrotóxicos estão banidos na Europa e nos Estados Unidos há muito tempo já. E aqui, no Brasil, estamos seguindo o caminho inverso e liberando cada vez mais agrotóxicos.”

O especialista pontua que a morte das abelhas provavelmente é maior do que apenas meio bilhão em três meses, “porque quem está fazendo essa conta de quantas abelhas morreram são os apicultores, é quem vai todo dia à colmeia e vê que a abelha morreu. Mas o que acontece é que nós temos ainda uma diversidade de abelhas nativas, tanto sociais quanto solitárias, que estão morrendo silenciosamente, sem ninguém se dar conta, por viverem em matas ou entornos.”

A importância das abelhas vai muito além da produção de mel, tendo o papel fundamental de polinização. “As abelhas no mundo são responsáveis pela polinização de 75% de todas as plantas com flores que nós temos disponíveis no planeta.”

O uso indiscriminado de agrotóxicos na produção agrícola gera um ciclo vicioso. “A gente usa o agrotóxico para tentar fazer com que menos pragas vão às plantações para devastar aquelas plantações, só que, junto com as pragas morrem também os insetos benéficos. E aí você diminui a produtividade, porque tira o polinizador. E aí você desmata mais o entorno, diminui a área onde a abelha pode morar, usa mais agrotóxico para tentar aumentar a plantação. Só que você diminui a população de polinizadores e diminui também a produção, e assim vai…”, explica o especialista.

Além da produção agrícola, as abelhas também são importantes para as áreas verdes, de preservação ambiental. “Em qualquer área de preservação, sem abelhas você tem uma queda brusca na reprodução dessas plantas, e isso leva a uma diminuição na produção de frutos, do tamanho da área verde… e aí entra numa cadeia destrutiva, porque a planta é alimento de herbívoro, herbívoro é alimento de carnívoro. Se você começa a diminuir um, você vai afetar a cadeia inteirinha.”

A EACH está desenvolvendo um trabalho de conscientização sobre abelhas nativas sem ferrão, chamadas de jataía, que são sociais e também produzem mel. “A vantagem é que, por não terem ferrão, você consegue criar essas abelhas no fundo de casa. Então, estamos começando agora uma série de cursos que nós vamos ministrar na USP Leste, justamente para ensinar a população em geral a criar essas abelhas. Obviamente nosso intuito é de preservação, mas também demonstrar à população a parte da importância e também deles poderem explorar numa espécie de agricultura familiar e tirar até uma renda do mel produzido dessas abelhas.”Tocador de áudio

Da Rádio USP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/04/2019

Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 08/04/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/04/08/producao-agricola-baseada-no-uso-indiscriminado-de-pesticidas-afeta-os-polinizadores-naturais/

sexta-feira, 15 de março de 2019

Pesticidas influenciam o desenvolvimento e a longevidade das abelhas que nidificam no solo

Pesticidas – Estudo explora efeitos pouco compreendidos da exposição do solo em colônias subterrâneas de abelhas

Por Rose Keane* **


Foto: TV Brasil / EBC



Os resultados de um novo estudo sugerem que as abelhas podem estar expostas a pesticidas de mais maneiras do que pensávamos, e isso poderia afetar significativamente o seu desenvolvimento.

O estudo, publicado na revista Nature’s Scientific Reports, analisa os efeitos não-alvo de pesticidas em abelhas que nidificam no solo, um grupo que realmente compõe a maioria das espécies de abelhas. Os efeitos não visados referem-se aos efeitos em outros organismos que não os pretendidos. Muitas das pesquisas atualmente disponíveis sobre os efeitos não-alvo de pesticidas foram limitadas a mel e abelhas e sua exposição a pesticidas ao coletar pólen e néctar.

Embora esses estudos anteriores tenham mostrado que o consumo de agrotóxicos pelo mel e por abelhas pode ter importantes conseqüências ecológicas, este novo estudo é um dos primeiros do tipo a determinar os efeitos do contato com pesticidas, como os que ocorrem nos solos, que outros espécies de abelhas podem encontrar.

Uma diferença fundamental entre as abelhas que nidificam no solo e seus primos de mel e abelha é o tamanho dos seus ninhos menores (tanto em tamanho quanto em número de abelhas) que são feitos escavando-se o solo. As espécies de abelhas que nidificam dessa forma podem permanecer no solo até 49 semanas do ano, emergindo por apenas 3 semanas para forragear, acasalar e por ovos. Isso deixa muito tempo para as abelhas ficarem expostas aos níveis baixos e crônicos de pesticidas encontrados no solo após o uso da terra agrícola.

Os pesquisadores estavam particularmente interessados em uma classe de pesticidas chamados neonicotinóides. Derivados da nicotina, os neonicotinóides são amplamente utilizados para sua eficácia contra insetos, como besouros japoneses e brocas de cinzas esmeralda, mas podem ser tóxicos para os polinizadores. Eles também têm uma meia-vida longa, o que significa que eles podem persistir no solo por longos períodos de tempo. Os pesquisadores usaram abelhas que são parentes muito próximos das espécies de nidificação do solo porque são mais adequadas para testes em laboratório e foram usadas em pesquisas anteriores para aproximar os impactos sobre as espécies de nidificação do solo.

Quando as abelhas foram expostas a neonicotinóides no laboratório, os pesquisadores analisaram níveis semelhantes aos encontrados no campo. Os resultados mostraram que as fêmeas cresceram e não viveram tanto tempo, enquanto os machos foram menores e viveram muito mais tempo. Esta conclusão sugere que a exposição crônica e de baixo nível a pesticidas pode causar uma resposta hormética em abelhas, onde, em baixos níveis de exposição a pesticidas, as abelhas parecem se beneficiar de pequenas formas.

No entanto, os impactos de longo prazo de algumas dessas mudanças podem não ser evidentes. Os pesquisadores acreditam que essas doses mais baixas estão causando mudanças no desenvolvimento da abelha, como desviar a energia dos processos normais de desenvolvimento para fortalecer as barreiras físicas e bioquímicas para combater os efeitos do pesticida.



* Com informações da University of Illinois

** Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/03/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/15/pesticidas-influenciam-o-desenvolvimento-e-a-longevidade-das-abelhas-que-nidificam-no-solo/

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Identificados os mecanismos de resistência de carrapato a pesticidas


Perdas com parasitas somam mais do que o dobro das exportações brasileiras de carne bovina. Estudo feito por pesquisadores da USP foi publicado na Scientific Reports (Larva de Rhipicephalus microplus com aumento de 100 vezes) – Foto: Guilherme Marcondes Klafke

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Em 2017, o rebanho bovino brasileiro era composto de 217,7 milhões de animais, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, com vendas de US$ 6,28 bilhões em 2017.

Tais cifras poderiam ser ainda maiores, não fosse a imensa perda econômica anual causada por parasitas, estimada em, ao menos US$ 13,9 bilhões em 2014. Em outras palavras, as perdas com mortalidade, queda de peso, redução na fertilidade e perda de produtividade provocadas por parasitas equivalem a mais do que o dobro de tudo o que é exportado.

Os maiores causadores de prejuízos são os parasitas internos, como vermes gastrintestinais, responsáveis por perdas de US$ 7,1 bilhões (51%). Em seguida vêm os parasitas externos, que se instalam fora do corpo do hospedeiro. Nenhum causa mais prejuízos do que o carrapato bovino (Rhipicephalus microplus/ Boophilus microplus), responsável por perdas de US$ 3,2 bilhões ao ano (23,2%). A mosca-dos-chifres custa perdas de US$ 2,5 bilhões (18,3%), enquanto o berne, a mosca-da-bicheira e a mosca-dos-estábulos somam perdas de US$ 1 bilhão (7,5%).

O controle do carrapato bovino é feito por meio da aplicação de pesticidas, o que conduz, invariavelmente, à seleção de linhagens resistentes. Hoje, no Brasil, o carrapato bovino apresenta resistência, em maior ou menor grau, a todos os pesticidas comerciais empregados no controle da praga.

Em um trabalho publicado na Scientific Reports, pesquisadores do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências (IB) da USP e do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), em Eldorado do Sul (RS), identificaram mecanismos de resistência do carrapato bovino contra a ação da ivermectina, uma das drogas mais utilizadas no combate às infestações por R. microplus. A pesquisa teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“A infestação ocorre no momento em que o carrapato se alimenta com sangue do animal. É quando o inseto inocula substâncias anti-hemostáticas, anti-inflamatórias e imunomodulatórias contidas em sua saliva”, contou a pesquisadora Tatiana Teixeira Torres, que conduziu a pesquisa com os geneticistas Valéria Lis Le Gall e Guilherme Marcondes Klafke.

Segundo Tatiana, essas substâncias modificam a fisiologia no local da picada, causando perda de sangue, redução na imunidade do hospedeiro e irritação. “O estresse do animal causado pelas infestações conduz à interrupção na alimentação e, consequentemente, à perda de peso e à redução da fertilidade”, disse à Agência Fapesp.

A droga de referência no combate ao carrapato bovino é a ivermectina, com propriedades anti-helmínticas, acaricidas e inseticidas. A ivermectina é antiparasita de amplo espectro, usada tanto no tratamento de humanos como dos animais de criação.

“A ivermectina atua como um análogo de um neurotransmissor chamado GABA, existente em vertebrados e invertebrados. No caso do carrapato, esse neurotransmissor atua nos canais de cloro ligantes de glutamato, que são neuroreceptores exclusivos dos invertebrados. Atuando em nível molecular, a droga se liga aos canais de cloro dos neurônios da junção neuromuscular do inseto, bloqueando a neurotransmissão, o que paralisa a musculatura do inseto, levando-o à morte”, disse a pesquisadora.

A ivermectina foi descoberta em 1975 e vem sendo usada comercialmente desde 1981. Isso significa que, no caso do carrapato bovino, ao longo das últimas três décadas inúmeras gerações de R. microplus foram expostas à ação da droga. Daí que a espécie acabou por desenvolver resistência à ivermectina.

De acordo com Tatiana, em R. microplus vários mecanismos podem estar envolvidos na resistência à ivermectina, incluindo a capacidade fisiológica de desintoxicar ou tolerar substâncias tóxicas. “Os mecanismos metabólicos da desintoxicação são mediados por famílias de enzimas e também por proteínas específicas, que foram sendo selecionadas pelo mecanismo da seleção natural”, disse.

Os carrapatos que não contavam com a ação de tais enzimas e proteínas morriam em presença da ivermectina. Já aqueles que produziram essas substâncias sobreviveram e produziram mais descendentes, que acabaram por formar as linhagens resistentes.

Segundo Tatiana, os mecanismos metabólicos nos carrapatos responsáveis pela desintoxicação são mediados por famílias de enzimas, incluindo o citocromo P450, esterase e glutationa-S-transferases (GST).

“Outras proteínas, como os transportadores ABC, também contribuem para os processos de desintoxicação, transportando substâncias tóxicas para fora das células, com consumo de ATP”, disse.
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Bioensaios letais

A desintoxicação de pesticidas pelo aumento de atividade das enzimas citocromo P450, esterases, GST e transportadores ABC é bem conhecida em vários grupos de artrópodes, incluindo o carrapato bovino R. microplus.

“Em nosso estudo, investigamos os mecanismos de desintoxicação operantes em uma cepa do carrapato R. microplus resistente à ivermectina, comparada com uma cepa suscetível ao pesticida”, disse Tatiana Torres.

“Analisamos a desintoxicação da ivermectina em ambas as cepas utilizando bioensaios de tempo letal na presença de inibidores que bloqueiam a atividade enzimática ou transportadora das proteínas, permitindo que os efeitos tóxicos da ivermectina prevaleçam e, consequentemente, aumentem a taxa de mortalidade”, disse.

A meta do trabalho foi identificar quais proteínas teriam papel predominante na desintoxicação da ivermectina em uma linhagem multirresistente do carrapato bovino. Para testar a influência dessas proteínas na resistência, os pesquisadores utilizaram inibidores específicos para cada uma das famílias proteicas e compararam as taxas de mortalidade em tratamentos com ivermectina na presença e na ausência dos inibidores.

Foram empregadas como inibidores substâncias com capacidade de induzir mudanças que impedem sua atividade de desintoxicação. Para inibir a ação do citocromo P450 foi utilizado butóxido de piperonila (PBO). Contra a esterase, empregou-se s,s,s-tributil fosforotritioato (DEF). Para inibir a GST, escolheu-se o maleato de dietila (DEM). Por fim, contra os transportadores ABC, usou-se ciclosporina A (CsA).

Com essa finalidade, foram usadas duas cepas de carrapatos bovinos. A Mozo, originária do Uruguai, é a cepa suscetível usada nos estudos e diagnóstico de resistência na América Latina. Essa cepa é mantida sem contato com acaricidas no IPVDF.

A pesquisadora contou que a cepa Juarez foi isolada no ano 2010 no município de Jacareí (SP), coletada em uma fazenda de gado com relato de falha da eficácia da ivermectina no controle do carrapato. Juarez é uma cepa multirresistente que, além da ivermectina, apresenta mortalidade reduzida para outros pesticidas: cipermetrina, amitraz, clorpirifós e fipronil. O estudo feito no Instituto de Biociências da USP é restrito à ivermectina.

Foram realizadas separadamente duas baterias de bioensaios letais. Na primeira bateria, buscou-se determinar a ação letal da ivermectina, sozinha, na cepa suscetível Mozo e na cepa resistente Juarez. Foram colocados em um envelope cerca de 100 a 150 larvas de carrapato. A seguir, o envelope foi mergulhado por 10 minutos em uma solução contendo ivermectina.

Segundo a pesquisadora do IB, ao retirar o envelope da solução, passou-se a contar a porcentagem de larvas de cada amostra que morria após um determinado tempo de exposição ao veneno. Foi checada a mortalidade decorridos 10 minutos, 2 horas, 3 horas, 4 horas e 24 horas.

“Os resultados da primeira bateria de bioensaios letais revelaram uma clara diferença na resposta ao tratamento das larvas apenas com ivermectina ao longo do tempo”, disse Tatiana.

“Após quatro horas de exposição, todas as larvas da cepa suscetível (Mozo) haviam morrido, enquanto a mortalidade de larvas da cepa resistente (Juarez) havia atingido apenas 40%, resultado que se manteve constante decorridas 24 horas da exposição. A mesma dose que mata a linhagem suscetível não mata a linhagem resistente”, disse.

Na segunda bateria de testes, foi repetido o experimento com a cepa suscetível e a resistente, porém, além do pesticida ivermectina, foi introduzido na solução letal um dos quatro inibidores que bloqueiam a ação das enzimas e do transportador desintoxicante.

Todos os quatro inibidores foram testados individualmente, e em cinco concentrações diferentes, entre 1,88 e 30 micromolar (μM). Buscou-se assim identificar as concentrações ideais (não tóxicas) dos inibidores na ausência da ivermectina. Uma vez determinada a maior concentração não letal dos inibidores, cada um deles foi utilizado em ensaios independentes em combinação com a ivermectina.

A ideia do teste foi revelar o papel das proteínas na resistência por meio de sua inibição. Por exemplo, se uma enzima é responsável pela desintoxicação do pesticida e leva à redução da mortalidade em uma cepa de carrapatos, sua inibição implicará um aumento da mortalidade, que pode chegar a níveis de mortalidade similares aos da linhagem suscetível.

Os pesquisadores constataram que a inibição das quatro famílias proteicas resultava no aumento da mortalidade das larvas de carrapato em diferentes graus.

“Observamos que os transportadores ABC tinham um papel mais importante na resistência apresentada pela linhagem Juarez. Quando era inibido com a ciclosporina A, os níveis de mortalidade ficavam muito parecidos com aqueles observados na linhagem suscetível. O uso dos outros inibidores [PBO, DEF e DEM] também levou a aumentos na mortalidade da linhagem, mas as enzimas inibidas desempenham papéis menos importantes na desintoxicação”, disse Tatiana.

Durante os bioensaios letais com a cepa resistente Juarez, os melhores resultados foram obtidos quando as larvas foram mergulhadas numa solução contendo ivermectina associada à ciclosporina A em concentração de 12 μM.

Após a exposição das larvas resistentes apenas à ivermectina, foi preciso aguardar quatro horas para verificar a morte de 40% dos indivíduos, porcentagem que não se modificou decorridas 24 horas. Já a exposição das larvas ao pesticida mais ciclosporina A resultou na mortalidade de 50% da amostra em 3 horas e 20 minutos. Decorridas 24 horas, a mortalidade se aproximou de 100% da amostra.

“Curiosamente, o tempo letal para matar 50% da amostra da cepa resistente, quando exposta à combinação ivermectina e ciclosporina A, se aproximou do tempo letal para eliminar 50% da amostra da cepa suscetível Mozo, fornecendo evidências de uma reversão quase completa do fenótipo resistente da cepa Juarez”, disse a pesquisadora à Agência Fapesp.

“O efeito sinérgico da ciclosporina A foi demonstrado por um aumento de 60% na mortalidade da cepa exposta à combinação ivermectina e CsA quando comparada com a mesma cepa exposta somente à ivermectina após 24 horas”, disse.

Os resultados fornecem evidências da ação dos mecanismos de desintoxicação em R. microplus resistentes à ivermectina, contribuindo para o entendimento da base molecular do fenótipo resistente à ivermectina.

“Tal conhecimento pode auxiliar na busca de novas estratégias para lidar com a resistência à ivermectina no campo. Por exemplo, os inibidores testados, ou outras moléculas de efeito análogo, poderiam ser introduzidos em formulações comerciais de ivermectina”, disse.

As diferenças nas atividades das proteínas estudadas podem ser causadas por variações na estrutura, sequência ou expressão dos genes que codificam essas proteínas entre as cepas suscetível e resistente. Ainda como parte do projeto, os pesquisadores agora investigam as substituições nas sequências codificantes de genes pertencentes a essas quatro famílias, bem como seus níveis de expressão. “A análise nos ajudará a estabelecer as relações causais entre a função do gene e a resistência metabólica à ivermectina”, disse a pesquisadora.

O artigo Detoxification mechanisms involved in ivermectin resistance in the cattle tick, Rhipicephalus (Boophilus) microplus (doi: 10.1038/s41598-018-30907-7), de Valeria Lis Le Gall, Guilherme Marcondes Klafke e Tatiana Teixeira Torres, pode ser lido em www.nature.com/articles/s41598-018-30907-7.

Texto de Peter Moon / Agência Fapesp, com edição do Jornal da USP (leia aqui matéria original na íntegra)




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 10/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-agrarias/identificados-os-mecanismos-de-resistencia-de-carrapato-a-pesticidas/