segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Infecção do trato urinário: caso clínico [podcast]

Neste episódio, o Dr. Rafael Duarte, especialista em microbiologia e conteudista do Whitebook, vai falar sobre a infecção do trato urinário (ITU), discutindo um caso clínico. Escute as orientações completas.

A ITU é muito comum nas emergências e urgências e responde por um dos maiores fluxos de pacientes nesses ambientes.

As principais queixas são:
Cistite (ITU baixa): Disúria, polaciúria, urgência miccional, noctúria, dor ou desconforto suprapúbico, urina turva e hematúria macroscópica;
Pielonefrite (ITU alta): Febre alta (> 38ºC) com calafrios, lombalgia, queda do estado geral, náuseas e vômitos. Para o homem, o espectro clínico de ITU inclui prostatite, naqueles com sintomas de cistite recorrentes e dor pélvica ou perineal associada;
Complicações: Abscesso renal, abscesso perinéfrico, pielonefrite enfisematosa, pielonefrite xantogranulomatosa, necrose papilar, bacteremia, sepse, choque séptico e/ou insuficiência renal.




Caso clínico

Para abordar o assunto, veja o caso clínico abaixo, classificado como simples, mas que sempre gera dúvida nos profissionais de saúde na prescrição de conduta terapêutica: ITU não complicada em mulheres não gestantes, em idade reprodutiva com atividade sexual normal.

“Chega ao consultório uma paciente com 20 anos, sem comorbidades, sem histórico cirúrgico ou quadro que chame a atenção. Apresenta queixa de ardência urinária, sente que tem ido mais ao banheiro; não relata como dor, mas sim um incômodo na região suprapúbica. Diz que já vem tratando com analgésicos, automedicação em casa, mas não houve melhora e os sintomas já começaram há dois dias.”
Quais as perguntas que devem ser feitas pelo médico em um caso clínico como o acima?

Veja a explicação completa no podcast!





Autor: Bruna Lupp
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 08/11/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/infeccao-do-trato-urinario-caso-clinico-podcast/

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Mudança climática afetará 321 das maiores bacias hidrográficas do mundo

Mudança climática afetará 321 das maiores bacias hidrográficas do mundo
Revelando riscos ecológicos das mudanças climáticas nas bacias hidrográficas globais

O aumento das temperaturas globais afetará as principais bacias hidrográficas de forma diferente ao redor do mundo, com os rios da América do Sul, África do Sul e Austrália entre os que correm maior risco de mudanças ecológicas extremas, concluiu um novo estudo liderado pela UCL.

Pela University College London

Pela primeira vez, pesquisadores da UCL Geography, da University of Nottingham e do UK Centre for Ecology & Hydrology combinaram grandes conjuntos de dados com uma abordagem de fluxo ambiental para prever como mudanças de 1–3 ° C na temperatura da Terra impactariam 321 do maiores bacias hidrográficas do mundo. Coletivamente, eles cobrem cerca de 50% da superfície terrestre da Terra.



A pesquisa, publicada na revista Earth’s Future , mostrou riscos crescentes de mudança ecológica com o aquecimento, especialmente para períodos sazonais de baixo fluxo.

As descobertas da equipe podem ajudar a direcionar os pontos críticos para a conservação do ecossistema, por meio de uma melhor compreensão dos riscos ecológicos das modificações induzidas pelas mudanças climáticas no fluxo do rio.

As condições ecológicas nos rios do mundo são fortemente controladas pela quantidade, variabilidade e tempo de água que flui neles. As mudanças nos fluxos dos rios impactam na profundidade e velocidade do rio, na química da água e nos habitats, com implicações na vida aquática e nos serviços ecossistêmicos fornecidos pelos rios aos humanos.

Usando os resultados de nove modelos hidrológicos globais forçados por cinco modelos climáticos, os pesquisadores compararam fluxos de rios simulados em uma série de cenários de aquecimento global com fluxos históricos. Eles foram capazes de projetar quais bacias eram mais propensas a sofrer mudanças significativas no ecossistema devido à alteração do fluxo do rio.

Os rios com maior risco projetado incluem o Amazonas e o Paraná na América do Sul, os rios Limpopo e Orange no sul da África e o rio Darling, na Austrália.

Descobriu-se que as bacias do hemisfério norte de alta latitude correm menos risco, embora a equipe diga que isso pode ser subestimado, pois os efeitos do derretimento do permafrost ( solo que permanece continuamente congelado ) não são representados na maioria dos modelos hidrológicos globais.

Em todo o mundo, quanto maior o aumento da temperatura, maior o risco de mudança, especialmente para fluxos baixos no nível mais alto de aquecimento.

O autor principal, Professor Julian Thompson (UCL Geography) disse: “Espera-se que as mudanças climáticas levem a uma intensificação do ciclo hidrológico. No entanto, o sinal da mudança climática e suas consequências variam em todo o mundo, conforme revelado por nossa análise. Em algumas partes do mundo, há grande incerteza. ”

O coautor, Professor Simon Gosling (Escola de Geografia, Universidade de Nottingham) acrescentou: “Os riscos para alguns rios são particularmente elevados se os objetivos de 1,5 ° C e 2 ° C do Acordo Climático da ONU de Paris não forem cumpridos. Os resultados deste estudo destacam a necessidade de reduções ambiciosas nas emissões globais de gases de efeito estufa para evitar a degradação ecológica de alguns dos maiores rios do mundo. ”

O professor Thompson explicou que os ecossistemas aquáticos sustentam vários serviços ecossistêmicos que beneficiam as comunidades humanas, seja para alimentos, abastecimento de água ou purificação da água.

“Se o regime de um rio mudar, o serviço do ecossistema associado mudará”, disse ele. “Ecossistemas aquáticos naturais têm processos que podem melhorar a qualidade da água – a redução do fluxo do rio afeta sua capacidade de diluir os poluentes. Fluxos mais altos podem estar mais associados a mudanças nas cargas de sedimentos, o que pode colocar a purificação da água sob estresse. Os ciclos de vida dos animais aquáticos, em particular de muitas espécies de peixes, são sincronizados com as variações sazonais do fluxo do rio, de modo que as mudanças na vazão podem aumentar a pressão sobre os pesqueiros, muitos dos quais já estão estressados ??”.

A equipe começou a expandir sua análise global para incluir os impactos das atividades humanas, como represas e desvios de água. Isso permitirá uma atribuição de riscos futuros de mudança ecológica entre as intervenções humanas e as mudanças climáticas.

O professor Thompson observou que às vezes a infraestrutura, como barragens, pode ser reaproveitada para recriar regimes fluviais mais naturais e mitigar os impactos das mudanças climáticas, por exemplo, usando vazamentos de enchentes artificiais para imitar fluxos naturais e manter ambientes a jusante, uma opção explorada para planícies aluviais africanas como parte de pesquisa anterior da UCL Geography.

Ele acrescentou: “As pessoas precisariam considerar como você faz as trocas entre o meio ambiente, a agricultura e outras demandas humanas por água. À medida que o clima esquenta, você precisa de mais água para irrigação, mas pode ter menos água no rio. Como você prioriza demandas concorrentes por um recurso finito? Isso exigirá muita vontade política, sustentada por uma ciência sólida. ”

Referência:

Thompson, J. R., Gosling, S. N., Zaherpour, J., & Laizé, C. L. R. (2021). Increasing risk of ecological change to major rivers of the world with global warming. Earth’s Future, 9, e2021EF002048. https://doi.org/10.1029/2021EF002048

Henrique Cortez *, tradução e edição

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/11/2021






Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 04/11/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/11/04/mudanca-climatica-afetara-321-das-maiores-bacias-hidrograficas-do-mundo/

Ato denuncia devastação do Rodoanel em Santa Luzia e RMBH



Ato denuncia devastação do Rodoanel em Santa Luzia e RMBH
Missa Afro e Abraço denunciam devastação do Rodoanel, o “Rodominério”, em Santa Luzia, no Cemitério dos Escravizados, na região de Pinhões, Vale do Rio das Velhas, MG

Glaucon Durães1

Alenice Baeta2

Gilvander Moreira3

Henrique Lazarotti4

Aconteceu no dia 02 de novembro de 2021, no Dia de Finados, das 16h às 19h, a tradicional Missa Afro no “Cemitério dos Escravos”, ou melhor, no Cemitério dos Escravizados, localizado na Comunidade Rural dos Fechos, ao lado da Comunidade Quilombola dos Pinhões, município de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), MG. A missa foi organizada pela Pastoral Afro e presidida pelo padre João Lucena, da paróquia São Raimundo Nonato, distrito de São Benedito, Santa Luzia, e por Frei Gilvander Luís Moreira, da Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG).

Durante a Missa Afro, que ocorre há decênios em reverência e memória dos ancestrais do povo negro escravizado, quilombola da região, ali enterrados, foi denunciado o megaprojeto devastador do Rodoanel, mais conhecido como “Rodominério”, que vai rasgar e devastar brutalmente territórios tradicionais, milhares de moradias, fontes de água, campos sagrados, entre outras benfeitorias no município de Santa Luzia e em outros 12 municípios da RMBH.

O projeto do Rodoanel do Governador Zema, em “parceria” com a mineradora Vale S/A, é composto por quatro alças – Sul, Sudoeste, Oeste e Norte – e indica que no Vetor Norte vai destruir e descaracterizar o território místico em que se encontram o Cemitério dos Escravos, o Córrego do Cachimbeiro, o Cruzeiro do Cantanhão e a Comunidade Quilombola de Pinhões, área da antiga sesmaria de Bicas. Esta destruição seria uma grande tragédia socioambiental, cultural, histórica, simbólica e religiosa para o estado de Minas Gerais, em especial para a memória e a resistência do povo preto e quilombola. O Cemitério dos Escravos é um importante campo sagrado, sítio arqueológico e histórico, tombado em nível municipal em 2008, categoria de patrimônio material e imaterial, composto por construção vernacular em alvenaria de pedra seca, cuja obra remonta do início do século XIX. É fundamental, inclusive, que a referida Missa Afro seja reconhecida também como patrimônio imaterial.

O traçado oficial do Rodoanel, divulgado pelo governo de Minas Gerais proposto, e suas “alternativas” (muitas delas apresentadas por entidades ditas “ambientalistas” de forma oportunista e superficial), demonstram reiterado desconhecimento e irresponsabilidade para com os territórios e bens ambientais, culturais e socioeducativos da RMBH, em especial por parte da Secretaria de Infraestrutura e Mobilidade (SEINFRA), indicando forte crise de governança, falta de transparência, evidente inconsistência técnica e péssima gestão dos recursos patrimoniais e hídricos, além de ser regado por um processo de licenciamento ambiental conturbado e repleto de sequelas normativas e legais inaceitáveis, a começar pela ausência de participação e consulta popular de forma eficaz, bem como ausência de consulta prévia, livre e informada (CPLI) aos povos e comunidades tradicionais, como prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Visando denunciar o famigerado projeto do Rodoanel e o terrorismo socioambiental que se instalou por seus “defensores” na RMBH, após a Missa Afro tradicional, houve um grande ato denominado “Abraço Coletivo ao Cemitério dos Escravos”, com muitas faixas, panfletos e bandeirolas, denunciando o RODOANEL. Perguntou-se: “A quem interessaria este projeto? Ao povo que não é”. Serão geradas pelo governo do estado de Minas Gerais, com esta obra na RMBH, milhares de famílias atingidas pelo Rodoanel, população já assolada pelas tragédias causadas pelo rompimento das barragens de mineradoras que destruíram a Bacia do Rio Doce e do Rio Paraopeba, além de precipitar o risco já iminente de colapso hídrico e de carência por moradia, destruindo ainda áreas periurbanas e do cinturão verde, voltadas tradicionalmente para a agricultura familiar e produção de alimentos, o que causará fatalmente insegurança alimentar em todo o colar metropolitano.

Além de inúmeros moradores de Santa Luzia e dos representantes das comunidades tradicionais Quilombolas de Pinhões, Manzo Ngunzo Kaingo e indígena (etnia Pataxó, moradora no bairro Bonanza), várias entidades, associações, coletivos e movimentos ambientalistas de toda a RMBH compareceram à Missa Afro e ao “Ato Abraço Coletivo ao Cemitério dos Escravos”, entre eles, Movimento Salve Santa Luzia, S.O.S Santa Luzia, Pastoral Afro de Santa Luzia, Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG), Movimento Negro Unificado (MNU/MG), Federação Quilombola de Minas Gerais-N´Golo, Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva (CEDEFES), Movimento Serra Sempre Viva, SOS Vargem das Flores, Observatório da Evangelização da PUC/MG, Paróquia São Raimundo Nonato, Movimento Todos Contra o Rodoanel, Diretório Municipal do PT de Santa Luzia, Diretório Municipal do PSOL de Santa Luzia, Jornal Brasil de Fato, Site Luzias etc.

Nos últimos meses, várias manifestações, atividades e atos públicos vêm sendo realizados continuamente em toda a RMBH com o objetivo de denunciar o Rodoanel, megaprojeto devastador: notas, manifestos, artigos, panfletagem, faixas, lives (veja canal youtube frei Gilvander), aulão, vídeos, rodas de conversa, carro de som denunciando nas ruas dos bairros, carreatas, reuniões virtuais e presenciais, entre outros.

Na Missa Afro e no Abraço Coletivo ao Cemitério dos Escravos foram proferidas falas e manifestações que reiteraram e ecoaram alto que o projeto do Rodoanel não será aceito em nenhuma hipótese, pois todo e qualquer trajeto/traçado será brutalmente devastador e injusto socialmente. O Rodoanel não será uma rodovia pública, mas “privada”, com o pedágio mais caro do Brasil: acima de 35 centavos por KM, totalizando mais de R$70,00 de pedágio para ir e voltar, passando por esse famigerado Rodoanel. Quem poderá pagar acima de R$70,00 por dia durante toda a semana para ir trabalhar e voltar? Assim, o rodoanel é obra tecnocida, ecocida e de cunho racista ambiental, onde deverão circular os grandes caminhões de escoamento de produtos da mineração, do agronegócio e industriais, por isso a denominação “Rodominério”, incentivando a ampliação e a instalação de empreendimentos danosos à RMBH.

O Rodoanel não resolverá em nada os problemas de mobilidade em BH e na RMBH, pois o que precisa, respeitando os acordos climáticos e as normas internacionais para o bem viver nas cidades, é incentivar projetos comprometidos com a baixa emissão de carbono e não investimento em novas rodovias voltadas para o tráfego de caminhões e veículos pesados. Os problemas de mobilidade urbana em BH e RMBH podem ser equacionados com: 1) Ampliação do metrô para várias cidades da RMBH; 2) Resgate do transporte de passageiros através de trens, o que existia entre as 34 cidades das RMBH com BH; 3) Melhoria no transporte público por meio de ônibus.

O megaprojeto do rodoanel, portanto, vai na contramão das orientações internacionais de cunho socioambientais e urbanísticos para as cidades e, concretizado, funcionará como uma grande muralha na RMBH, desalojando moradores, escolas, apartando inúmeras comunidades e bairros, mutilando territórios tradicionais, sítios históricos, áreas da agricultura familiar, áreas verdes, bichos, plantas, nascentes, aquíferos e unidades de conservação ao longo dos seus mais de 100 km de extensão.

A organização popular está a cada dia se fortalecendo contra mais esta aberração e desrespeito ao povo, aos viventes, às terras e às águas de Minas Gerais. “Olhem bem as montanhas” e valorizem as águas que delas emanam…

FORA, RODOANEL! FORA, RODOMINÉRIO!

Santa Luzia, 03 de novembro de 2021.


1 Professor de Sociologia, doutorando em Ciências Sociais pela PUC Minas, colaborador jovem do Observatório da Evangelização da PUC Minas, morador de Santa Luzia e membro do movimento das comunidades quilombolas de Santa Luzia e região impactadas pelo Rodoanel e do coletivo Salve Santa Luzia. E-mail: galduraes@gmail.com


2 Doutora em Arqueologia pelo MAE/USP; Pós-Doutorado Antropologia e Arqueologia-FAFICH/UFMG; Historiadora e Membro do CEDEFES, do Movimento Serra Sempre Viva, do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios-ICOMOS/Brasil. E-mail: alenicebaeta@yahoo.com.br


3 Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; agente e assessor da CPT/MG, assessor do CEBI e Ocupações Urbanas; prof. de Teologia bíblica no SAB (Serviço de Animação Bíblica), em Belo Horizonte, MG. E-mail: gilvanderlm@gmail.com – www.gilvander.org.br – www.freigilvander.blogspot.com.br – www.twitter.com/gilvanderluis – Facebook: Gilvander Moreira III


4 Advogado popular e integrante do Movimento Serra Sempre Viva, de Ibirité, MG. E-mail: henriquelazarottioliveira@gmail.com – Os autores e autora deste artigo integram o Movimento Todos Contra o Rodoanel na RMBH.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/11/2021





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 04/11/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/11/04/ato-denuncia-devastacao-do-rodoanel-em-santa-luzia-e-rmbh/

Projetos de novas usinas nucleares: Perdemos a batalha, não a guerra

Projetos de novas usinas nucleares: Perdemos a batalha, não a guerra, artigo de Heitor Scalambrini Costa

O título retrata o estado de ânimo e de espírito diante das últimas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), definindo que legislar sobre atividades nucleares cabe exclusivamente a União Federal.

Este entendimento ocorreu após o ajuizamento, pelo Procurador Geral da República, de ações de inconstitucionalidade contra artigos e dispositivos de Constituições Estaduais que defendiam e protegiam suas populações e o meio ambiente de uma “catástrofe nuclear”.

Por exemplo, no caso de Pernambuco, o artigo 216 de sua Constituição Estadual restringia a instalação de usinas nucleares em seu território, desde que todas outras fontes energéticas já tivessem sido utilizadas. Segundo decisão do STF este dispositivo foi anulado, e assim, do ponto de vista jurídico, esta decisão vai facilitar a instalação de usinas nucleares em seu território, conforme defende o atual (des)governo federal.


As usinas nucleares, termoelétricas que transformam o calor produzido pelas reações nucleares em energia elétrica, é uma tecnologia em declínio de aceitação, principalmente pela possibilidade de ocorrer acidentes extremos, ou seja, vazamento de material radioativo para a atmosfera. Além do custo da energia gerada ser considerada uma das mais caras entre as opções energéticas para termoelétricas. Hoje seu custo por MWh está em torno de 4 vezes maior que o produzido pelas usinas solares fotovoltaicas e eólicas.

Países como a Alemanha, Itália, Áustria, Bélgica, entre outros, já abandonaram esta tecnologia. Na França e no Japão novas instalações de usinas nucleares sofrem grandes resistências, de inúmeros e representativos grupos sociais. Nota-se mundialmente entre os povos, um posicionamento majoritário contrário a tecnologia nuclear, pois além do risco de uma tragédia com espalhamento de material radioativo para o solo-terra-ar; as usinas nucleares são caras, sujas e perigosas.

Diferentemente daqueles que defendem tal tecnologia para o Brasil, a nucleoeletricidade em nada contribui para a transição energética. No Brasil real as usinas Angra I e Angra II contribuem com menos de 2% da potência total instalada na matriz elétrica. O Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, projeta uma ampliação da geração nuclear entre 8 e 10 Gigawatts (GW). Mesmo que esta potência seja agregada a matriz elétrica nos próximos anos, a contribuição da fonte nuclear continuaria mínima e desnecessária para segurança energética do país.

Existem inequívocos interesses econômicos e militares em promover as usinas nucleares, em detrimento ao interesse público. Econômicos, pois são construções caras, 5 bilhões de dólares cada usina de 1.200 Megawatts (MW), obviamente de grande interesse dos vendedores dos equipamentos e das empreiteiras. Do ponto de vista militar, um acordo binacional está em pleno andamento com a França para a construção de submarinos nucleares, cujo custo ao pais é estimado em 35 bilhões de reais. E sem dúvida na área militar, o desejo sempre desmentido, é pela construção de artefatos nucleares, como a bomba nuclear.

Assuntos gravíssimos e de interesse da sociedade brasileira, que impliquem consequências para as gerações futuras não estão sendo devidamente debatidos. Um deles é a nuclearização do pais em um continente até então pouco provido de atividades nucleares.

Heitor Scalambrini Costa
Professor aposentado da Universidade Federal de Pernambuco
Membro da Articulação Antinuclear Brasileira (AAB)

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/11/2021





Autor: Heitor Scalambrini Costa
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 04/11/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/11/04/projetos-de-novas-usinas-nucleares-perdemos-a-batalha-nao-a-guerra/

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Caso clínico: Homem hipertenso comparece à consulta médica queixando-se de “coceira e vermelhidão no peito”

Homem, 69 anos, hipertenso em uso regular de atenolol e enalapril, comparece à consulta médica queixando-se de “coceira e vermelhidão no peito”. Refere que notou edema e eritema na pele da mama direita há aproximadamente 6 meses e que os sintomas estão em piora progressiva desde então. Ao exame físico, nota-se hiperemia em toda a mama direita, associado a presença de lesões nodulares, por vezes ulceradas, exudativas e coalescentes. Ausência de linfonodomegalia axilar palpável. Restante do exame físico inocente.




Qual conduta?

O quadro admite vários diagnósticos diferenciais que vão desde doenças infecciosas/inflamatórias de pele até neoplasias malignas. O médico deve proceder com biópsia da lesão e solicitar exames complementares para definir o diagnóstico e guiar o tratamento.

A biópsia revelou tratar-se de carcinoma mamário. O estudo de imunohistoquímica identificou a presença de receptores hormonais (estrogênio e progesterona). A partir desses achados, o paciente foi submetido à exames de estadiamento com imagens sistêmicas (tomografia de tórax, abdome e pelve) e rotina laboratorial básica.

Os exames de imagem identificaram lesões esparsas no fígado, de até dois centímetros, suspeitas para acometimento secundário. A biópsia hepática confirmou a presença de metástase de câncer de mama.

O paciente iniciou então tratamento sistêmico com hormonioterapia. Aproximadamente dois meses após o início do tratamento, evoluiu com melhora dos sintomas e das lesões.

O câncer de mama em homens é extremamente raro. O diagnóstico é histopatológico e a imunohistoquímica é fundamental para diferenciar os diversos subtipos histológicos. Após o diagnóstico, deve-se fazer estadiamento com imagens sistêmicas para avaliar a extensão da doença e guiar o tratamento. O subtipo histológico mais comum em homens é o carcinoma mamário positivo para a expressão de receptores de hormônio. Esse subtipo está relacionado a um melhor prognóstico e por isso a doença tende a ser menos agressiva. A abordagem terapêutica é semelhante em homens e mulheres.






Autor: Luciano Lucas
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 03/11/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/caso-clinico-homem-hipertenso-comparece-a-consulta-medica-queixando-se-de-coceira-e-vermelhidao-no-peito/

Qual é a dose ideal de ácido tranexâmico tópico nas artroplastias totais de joelho?

O uso do ácido tranexâmico surgiu como uma estratégia importante para limitar a perda sanguínea nas cirurgias ortopédicas. Seu uso nas cirurgias de substituição articular vem se tornando cada vez mais popular, especialmente nas artroplastias totais de Joelho (ATJ).

O ácido tranexâmico (AT) atua como inibidos da fibrinólise e pode ser utilizado de maneira sistêmica ou tópica, esta última podendo manter as propriedades desejadas e evitar as potenciais complicações do uso sistêmico. Ainda persistem dúvidas na literatura, entretanto acerca da dose ideal de administração utilizando o uso tópico.



Análise atual

Um artigo recente foi publicado na revista Knee Surgery, Sports Traumatology, Arthroscopy abordando este tema. O objetivo do estudo foi avaliar a dosagem ideal de ácido tranexâmico tópico considerando a eficácia e segurança para controle de sangramento após cirurgias de artroplastia total de joelho.

Foi elaborado um ensaio cínico randomizado, duplo-cego, incluindo 325 participantes submetidos à ATJ. Os participantes foram divididos em 5 grupos de 65 pacientes:
Grupo 1: 0,5g AT;
Grupo 2: 1,0 g AT;
Grupo 3: 2,0g AT;
Grupo 4: 3,0g AT;
Grupo 5: grupo controle no qual não foi utilizado AT.

Foi avaliada a diminuição dos nos níveis de hemoglobina pós-operatória. Também foram registradas a perda de sangue calculada usando o método de Good, o débito no dreno hemovac, a frequência de transfusão e amplitude de movimento (ADM). Os níveis plasmáticos de AT e as complicações também foram avaliados.

Diferenças significativas foram observadas na diminuição dos níveis de hemoglobina entre o grupo controle e os grupos 2 (p = 0,0027), 3 (p = 0,005) e 4 (p = 0,001). Diferenças significativas na perda total de sangue e frequência de transfusão foram observadas entre o grupo controle e os grupos 2 (p = 0,004, 0,002, respectivamente), 3 (p = 0,007, 0,001, respectivamente) e 4 (p = 0,001, 0,009, respectivamente). Com relação ao volume de drenagem, não houve diferenças significativas entre os grupos.

Os níveis séricos de TXA aumentaram proporcionalmente com a dose aplicada de AT tópico imediatamente e em 3 e 6 horas de pós-operatório. Trombose venosa profunda sintomática ou embolia pulmonar não foi observada em nenhum grupo. Outras complicações relacionadas à administração de AT não foram detectadas.
Conclusão

O estudo sugere que a aplicação tópica de 1,0 g ou mais de AT mostra controle significativo do sangramento sem uma relação dose-resposta. Portanto, para evitar a sobre dosagem e reduzir potenciais complicações com garantia da eficácia, recomenda-se o uso 1,0 g de AT como aplicação tópica.






Autor: Rafael Erthal
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 03/11/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/qual-e-a-dose-ideal-de-acido-tranexamico-topico-nas-artroplastias-totais-de-joelho/

A importância da espiritualidade na prática médica

As infecções pelo coronavírus SARS-CoV-2, associado à pandêmica síndrome de Covid-19, alteraram diversos conceitos organizacionais e estruturas tradicionais em diversos setores da medicina em diferentes países. Uma nova estruturação, talvez uma nova fase, da medicina têm sido necessária para que a qualidade dos cuidados ao doente seja mantida, em diversas vertentes, mesmo diante dos cenários desafiadores impostos pelas epidemias.




Medicina e espiritualidade

Apesar de controverso, recentemente, e especialmente frente às particularidades da Covid-19 moderada a grave, isolamentos respiratórios e de contato, e as inúmeras perdas abruptas de familiares e amigos, têm-se observado uma gradual tendência na incorporação dos conceitos e práticas da espiritualidade como incremento à saúde humana mesmo no ambiente hospitalar. A espiritualidade pode ser definida como: “Práticas ou experiências humanas que buscam dar significado ou propósito à vida através da conexão com outros, com a natureza e/ou com alguma representação não física”. E há evidências empíricas já publicadas que sugerem que a espiritualidade apresenta uma influência benéfica direta no bem-estar do indivíduo, especialmente no doente vulnerável, com consequências fisiológicas que impactam a saúde física e a resposta aos tratamentos. Adicionalmente, o cuidado espiritual compõe a psique humana e consiste em um componente crítico para a integralidade da saúde do indivíduo, com alcance para familiares, outros doentes e os profissionais atuantes.

E de forma a incorporar ou ampliar as publicações científicas no campo da espiritualidade, diversas instituições têm incluído aulas ou disciplinas sobre espiritualidade na grade curricular. Uma das tendências consiste na educação médica holística. Tais medidas, independente das crenças particulares dos profissionais, visam estreitar a relação médico-paciente, minimizar os sofrimentos dos pacientes e dos profissionais, reduzir as cargas de estresse geradas no ambiente hospitalar para ambas as partes, aplicar métodos de humanização das relações e incrementar a qualidade do acolhimento e atenção ao doente.


Um exemplo de implementação da religiosidade na formação do estudante de medicina, ocorreu na universidade de Ciências Médicas de Qom (Qom University of Medical Sciences), no Irã. Tal instituição desenvolveu um centro de pesquisa para a saúde espiritual (Spiritual Health Research Centre) e uma escola de saúde e religião (School of Health and Religion) nos quais os educadores e pesquisadores tentam incorporar os conceitos da espiritualidade na educação médica, em disciplinas, workshops e congressos para os cursos de graduação e de pós-graduação. Dentre os conceitos ou competências abordados nessa nova tendência, são incluídos:
O respeito às crenças do paciente;
A capacidade de manter um diálogo com o paciente em seus conceitos e práticas espirituais;
O reconhecimento dos efeitos benéficos de soluções ou práticas espiritualizadas (ex. orações, meditações e outros) como forma de tranquilizar o doente e auxiliar na adesão ao tratamento;
O uso da religiosidade do paciente para facilitar o processo de cura ou aceitação da doença;
Suporte ou possibilidade de satisfazer as necessidades espirituais/religiosas do paciente;
Demonstração de atributos solidários profissionais ao doente (empatia, honestidade, piedade, compaixão e altruísmo);
Alinhamento das tarefas e intervenções médicas com as práticas religiosas do doente.

Alguns autores sugerem que essa abordagem possa ser inserida na disciplina de Ética Médica e de forma consolidada, com estudos de caso, publicações, discussões em grupo, e simulações.
Mensagem final

Observa-se claramente que com a pandemia da Covid-19, as iniciativas se multiplicaram em diferentes unidades de saúde, seja por altruísmo ou compreensão das necessidades humanas, e permitiu a aplicação ou treinamento prático, em contextos reais, das medidas de conforto com foco em espiritualidade. A atual pandemia de infecções por SARS-CoV-2 ressalta diariamente as necessidades de implementação de respeito às medidas holísticas tanto para os vulneráveis quanto para os profissionais, com alcance aos cuidados à Saúde Mental quanto para a os Cuidados Paliativos, de forma a minimizar o sofrimento individual e do próximo, em seu curso nessa vida real.

Maiores detalhes sobre essa discussão podem ser vistos nas referências citadas abaixo.






Autor: Rafael Duarte
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 03/11/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/a-importancia-da-espiritualidade-na-pratica-medica/