terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

A importância dos ‘rios voadores’ para o clima


O caminho dos rios voadores. Fonte: Projeto Rios Voadores
A importância dos ‘rios voadores’ para o clima
Os “rios voadores” são correntes de vapor de água na atmosfera que se movem pela região da Amazônia e transportam grandes quantidades de água doce da bacia amazônica para outras regiões do continente sul-americano, incluindo a região sudeste e sul do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

A Amazônia é a principal fonte dos “rios voadores“, que são correntes de vapor de água na atmosfera que se movem pela região e transportam grandes quantidades de água doce da bacia amazônica para outras regiões do continente sul-americano.

Esses rios voadores são formados a partir da evapotranspiração da floresta amazônica, que é o processo pelo qual as plantas liberam vapor de água na atmosfera através da transpiração e que é em grande parte causado pela intensa evaporação da umidade do solo e da vegetação da região amazônica. Esse vapor de água sobe para a atmosfera e é transportado pelo vento, formando as correntes que se movem pela região e que podem viajar por milhares de quilômetros.


Esses rios voadores são extremamente importantes para o clima da região, pois ajudam a regular o ciclo hidrológico, ou seja, a distribuição de água na natureza, em grande parte da América do Sul. A umidade transportada pelos rios voadores é fundamental para manter a umidade do solo, irrigar as plantações, alimentar rios e lagos, além de fornecer água para consumo humano e animal.

Além disso, os rios voadores também têm um impacto significativo no clima da região, ajudando a equilibrar as temperaturas e os níveis de umidade em diferentes áreas. A umidade fornecida pelos rios voadores ajuda a prevenir a desertificação e a manter a biodiversidade na região.

No entanto, a degradação ambiental na região amazônica, como a desflorestação e a mudança no uso da terra, podem afetar significativamente a quantidade de vapor de água transportado pelos rios voadores, causando mudanças climáticas negativas na região e em outras áreas da América do Sul.

Assim, a preservação da floresta amazônica é essencial para manter o equilíbrio ecológico e climático da região e do continente como um todo, além de ser vital para a manutenção da biodiversidade e dos recursos hídricos na região.


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in EcoDebate, ISSN 2446-9394




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 21/02/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/02/21/a-importancia-dos-rios-voadores-para-o-clima/

Check-up Semanal: telemedicina para risco cirúrgico, pancreatite aguda e mais!

No episódio de hoje do Check-up Semanal, nosso editor-chefe médico, Ronaldo Gismondi, traz os principais destaques da semana abordados no Portal PEBMED.

Confira os temas do check-up de hoje: telemedicina para risco cirúrgico, IOT em pediatria: escolha do tubo ideal, anti HAS no puerpério, novidades no tratamento da pancreatite aguda e qual corticoide usar na laringite.

Confira o episódio!

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Leia na íntegra os artigos mencionados hoje:


Telemedicina para avaliação pré-operatória difere de avaliação presencial?

Intubação endotraqueal em pediatria: como escolher o tubo?

Relação entre anti-hipertensivos e reinternação por pré-eclâmpsia pós-parto.

O que há de novo no tratamento da pancreatite aguda?

Laringite: qual corticoide é mais eficaz no tratamento?

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Autor: Redação do Portal PEBMED
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 20/02/2023
Publicação Original: https://pebmed.com.br/check-up-semanal-telemedicina-para-risco-cirurgico-pancreatite-aguda-e-mais/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Redução de emissões poderia diminuir o número de mortes pela poluição

Redução de emissões poderia diminuir o número de mortes pela poluição
Os planos de mitigação das mudanças climáticas também reduziriam a poluição do ar. Isso poderia salvar centenas de milhares de vidas nas próximas décadas.

Por Kirsten Steinke

A combustão de combustíveis fósseis produz gases de efeito estufa que aquecem o planeta, mas também emite poluentes atmosféricos prejudiciais à saúde humana. O material particulado fino e o ozônio, por exemplo, têm sido associados a problemas fatais de pulmão e coração. E um estudo recente publicado na GeoHealth acrescenta ao crescente corpo de pesquisa que mostra que quando os países reduzem suas emissões de gases de efeito estufa, as melhorias associadas na qualidade do ar podem salvar inúmeras vidas.

A equipe concluiu que o material particulado e o ozônio causaram mais de 2,2 milhões de mortes prematuras a cada ano nos países do G20. Reduzir as emissões nesses países apenas das usinas poderia reduzir esse número de mortes em quase 300.000 vidas até 2040.


O número total de mortes anuais por partículas finas de origem humana e poluição por ozônio nos países do G20, onde cores mais escuras refletem um número maior de mortes anuais. Crédito: AGU

Poluição do ar além das fronteiras

O G20 representa 19 dos países economicamente mais desenvolvidos do mundo e a União Europeia. Esse coletivo é responsável por mais de 90% do produto interno bruto mundial, mais de 60% da população mundial e 80% das emissões de gases de efeito estufa .

Em um esforço para combater as mudanças climáticas, muitos desses países estabelecem metas para minimizar sua pegada de carbono, reduzindo a queima de combustíveis fósseis. Como a combustão de combustíveis fósseis produz emissões de poluentes que aumentam as concentrações de ozônio e partículas finas, a transição para energia limpa também pode trazer benefícios para a saúde pública.

Para quantificar como a poluição do ar desses países afeta a saúde pública, os pesquisadores realizaram simulações de computador usando dados meteorológicos do Escritório Global de Modelagem e Assimilação da NASA .

Os pesquisadores descobriram que China, Índia e Estados Unidos, que têm altas emissões e grandes tamanhos populacionais, registram o maior número de mortes entre os países do G20. Ainda assim, a poluição do ar não conhece fronteiras nacionais e as emissões de uma nação também afetaram as nações vizinhas.

“As pessoas podem ser expostas à poluição do ar em países onde a poluição não se originou devido à sua localização geográfica e aos padrões de vento predominantes”, disse Omar Nawaz , cientista de qualidade do ar da Universidade de Colorado Boulder e principal autor do estudo. “Por exemplo, descobrimos que a Coreia do Sul e o Japão foram mais afetados pelas emissões da China do que por fontes domésticas de poluição”.


A proporção de mortes por partículas finas importadas e poluição por ozônio nos países do G20, onde cores mais escuras refletem uma proporção maior de mortes. Crédito: AGU

Reduza as emissões para salvar vidas

A equipe então modelou quantas vidas poderiam ser salvas se as usinas de energia nos países do G20, que são uma das maiores fontes de emissão de poluição do ar, atingissem sua meta de zero líquido nas datas previstas.

Eles descobriram que até 2040, mesmo antes de qualquer uma dessas nações atingir sua meta de zero líquido, apenas a redução das emissões das usinas de energia salvaria aproximadamente 300.000 vidas a cada ano.



Essa estimativa não leva em conta outras fontes de emissões além das usinas de energia e, de acordo com os pesquisadores, os benefícios para a saúde continuariam a crescer se as nações mantivessem o ritmo de suas metas após 2040 (consulte a Tabela 1).

Como a poluição do ar atravessa fronteiras políticas, as nações precisam cooperar para realizar esses efeitos que salvam vidas.

“Por exemplo, se o Canadá trabalhasse para atingir sua meta de emissões líquidas zero, o principal país a colher esses benefícios seriam os Estados Unidos devido à sua proximidade com o Canadá e ao tamanho populacional maior”, disse Nawaz. Enquanto isso, as reduções de emissões nos Estados Unidos também trariam benefícios de saúde pública para o Canadá.

Usando a abordagem delineada neste estudo, Nawaz disse que os cientistas poderiam avaliar como a redução de emissões em outros setores, como a agricultura, também poderia reduzir o número de mortos pela poluição. Aplicá-lo amplamente pode revelar todo o potencial de salvar vidas da mitigação das mudanças climáticas. ( GeoHealth , https://doi.org/10.1029/2022GH000713 , 2023)

—Kirsten Steinke ( @Kirsten_Steinke ), Escritora de Ciência

Referência:
Steinke, K. (2023), The global health benefits of going net zero, Eos, 104, https://doi.org/10.1029/2023EO230046. Published on 14 February 2023.

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* Este artigo foi publicado originalmente no site EOS e republicado aqui sob uma licença Creative Commons. Leia aqui a versão original em inglês: https://eos.org/research-spotlights/the-global-health-benefits-of-going-net-zero


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Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 20/02/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/02/19/reducao-de-emissoes-poderia-diminuir-o-numero-de-mortes-pela-poluicao/

Os 4 R’s da Sustentabilidade


Os 4 R’s da Sustentabilidade, artigo de José Austerliano Rodrigues

Os 4 R’s são uma forma simples de nos lembrar como podemos fazer a diferença na sustentabilidade

Devido à crescente consciência do impacto que temos no Planeta, os stakeholders (partes interessadas) estão hoje bem informados sobre as possibilidades de dar uma contribuição positiva para à sustentabilidade.

Os 4 R’s são uma forma simples de nos lembrar como podemos fazer a diferença na sustentabilidade. Eles nos tornam conscientes de como manuseamos os materiais e como os jogamos fora. Os 4 R’s são claros, fáceis de lembrar e alcançáveis. Eles nos ajudam a fazer mudanças simples que têm um impacto significativo na sustentabilidade do nosso Planeta. Os 4 R’s significam: reduzir, reutilizar, reciclar e recuperar.


Até agora, esses termos são usados ​​em todo o mundo. Tendo em mente os 4 R’s. Por exemplo, o governo canadense interpretou a hierarquia entre essas ações da seguinte forma:

1. Se possível, a redução de desperdício é preferida.

2. Se forem produzidos resíduos, todos os esforços devem ser feitos para reutilizá-los.

3. A terceira opção é a reciclagem. Embora a reciclagem ajude a conservar materiais e reduzir o desperdício, não se deve esquecer que a reciclagem envolve custos, tanto econômicos quanto ambientais. Portanto, a reciclagem só deve ser considerada quando a redução e a reutilização não são possíveis.

4. Em alguns casos, é possível extrair materiais ou energia de resíduos quando esses resíduos não são adequados para redução, reutilização ou reciclagem. Em outras palavras, recupere.

A Holanda é um dos países europeus onde a maior parte do lixo é reciclada. Os plásticos coletados são transformados em novas embalagens, enquanto o alumínio é derretido e transformado em peças para novos laptops (JASA, 2019).

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou no dia 13/02/2023, dois decretos para promover o protagonismo dos catadores no processo de reaproveitamento de materiais recicláveis e reutilizáveis no Brasil. Os atos também permitem uma mudança no modelo atual de economia circular e logística reversa do país (WWW.GOV.BR).

José Austerliano Rodrigues é administrador, analista de sustentabilidade sênior, professor de Administração e em Gestão de Sustentabilidade de marketing, com doutorado em Sustentabilidade de Marketing pela UFRJ.

E-mail: austerlianorodrigues@bol.com.br.

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Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 20/02/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/02/20/os-4-rs-da-sustentabilidade/

O futuro da fecundidade e da natalidade no Brasil

O futuro da fecundidade e da natalidade no Brasil, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Não se deve desesperar com a baixa fecundidade. Suas consequências são menos cataclísmicas do que frequentemente se supõe

A população brasileira estava pouco acima de 50 milhões de habitantes em 1950, passou para cerca de 214 milhões em 2022, deve atingir o pico de 231 milhões em 2047 e decrescer para algo em torno de 184 milhões de habitantes em 2100.

A Taxa de Fecundidade Total (TFT) se manteve alta durante os primeiros 465 anos da história brasileira, se mantendo sempre acima de 6 filhos por mulher. Esta alta taxa servia para se contrapor às altas taxas de mortalidade. Porém, o aumento da sobrevivência dos filhos possibilitou que as famílias reduzissem as taxas de fecundidade, se adaptando à nova etapa do desenvolvimento brasileiro, caracterizada pela urbanização e industrialização.

O gráfico abaixo, com dados das projeções da Divisão de População da ONU, mostra que a TFT brasileira começou a cair na segunda metade da década de 1960 e chegou abaixo do nível de reposição (2,1 filhos por mulher) no início dos anos 2000. No restante do século XXI as projeções indicam uma TFT entre 1,6 e 1,7 filhos por mulher. O número de mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos) era de 13 milhões em 1950, chegou a 57,6 milhões em 2022 e deve cair para 32 milhões em 2100. Portanto, enquanto a taxa de fecundidade caia, o número de mulheres em idade reprodutiva aumentava nas últimas décadas do século XX.




Em consequência, o número de nascimentos que estava em torno de 2,5 milhões de bebês em 1950, aumentou até o quinquênio 1981-1985 e começou a cair a partir de 1986. O gráfico abaixo, também com dados das projeções da Divisão de População da ONU, mostra que o número de nascimentos chegou a 2,7 milhões no início da década de 2020 e deve ficar abaixo de 2,5 milhões de nascimentos por volta de 2030. Desta forma, o número anual de nascimentos nas 7 últimas décadas do atual século deve ser sempre menor do que o número de bebês nascidos em 1950. O número de nascimentos deve ficar em 1,5 milhão de bebês em 2100.




Durante cerca de 500 anos, o Brasil teve altas taxas de fecundidade, uma estrutura etária jovem e um elevado ritmo de crescimento populacional. Mas com a transição demográfica tudo isto mudou e, daqui para a frente, serão outros quinhentos, pois o país terá baixas taxas de fecundidade e um número de filhos cada vez menor.

O envelhecimento populacional e o decrescimento demográfico serão, inexoravelmente, as novas tendências que prevalecerão nos cenários futuros do Brasil.

Em geral, o declínio da fecundidade provoca medo entre políticos, religiosos e investidores. Eles se preocupam com sistemas de pensões, saúde e crescimento econômico. Até o Papa Francisco se pronunciou dizendo que ter animais de estimação em vez de filhos era uma atitude egoísta. No entanto, não se deve desesperar com a baixa fecundidade. Suas consequências são menos cataclísmicas do que frequentemente se supõe, como mostrou o demógrafo Vegard Skirbekk, no livro “Decline and Prosper! Changing Global Birth Rates and the Advantages of Fewer Children” (2022).

Skirbekk considera que a fecundidade muito baixa pode causar tensões fiscais e afetar negativamente o crescimento econômico. Contudo, uma taxa de fecundidade total (TFT) entre 1,5 e 2 filhos por mulher favorece a autonomia reprodutiva, a igualdade de gênero e o avanço da educação e do mercado de trabalho.

Baixa fecundidade favorece os investimentos na qualidade de vida das crianças e ajuda a minimizar o impacto humano no planeta.

Além disso, segundo o autor, é hora de aceitar que a baixa fertilidade veio para ficar. As políticas públicas é que precisam se adaptar a essa nova realidade.
José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

SKIRBEKK, Vegard. Decline and Prosper! Changing Global Birth Rates and the Advantages of Fewer Children, Palgrave Macmillan, 2022

ALVES, JED. Demografia e Economia nos 200 anos da Independência do Brasil e cenários para o século XXI (com a colaboração de GALIZA, F), ENS, maio de 2022
https://ens.edu.br:81/arquivos/Livro%20Demografia%20e%20Economia_digital_2.pdf

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Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 20/02/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/02/20/o-futuro-da-fecundidade-e-da-natalidade-no-brasil/

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

As pessoas se preocupam mais com clima do que com mudança climática


As pessoas se preocupam mais com clima do que com mudança climática
Pesquisa sugere que alertar as pessoas sobre a segurança da água e outras ameaças ambientais é mais eficaz quando vinculado ao clima extremo, não à mudança climática

University of Southern California*

A mudança climática e o agravamento dos eventos climáticos severos representam ameaças crescentes à segurança global da água, com acesso limitado à água potável projetado para impactar aproximadamente 5 bilhões de pessoas em todo o mundo até o ano de 2050, de acordo com as Nações Unidas.


Mas os pesquisadores descobriram que as pessoas nem sempre veem as ligações entre as mudanças climáticas e a segurança da água, o que pode minar os esforços para implementar comportamentos que melhorem a segurança da água.

Em um novo estudo publicado na Environmental Science & Technology , pesquisadores da USC Sol Price School of Public Policy, da USC Dornsife College of Letters, Arts and Sciences e WaterKeeper Alliance avaliaram até que ponto a preocupação das pessoas com o clima severo e as mudanças climáticas predizem sua preocupação com a segurança hídrica, que se refere à qualidade da água potável.

Usando dados de pesquisa da Pesquisa de Risco Mundial da Lloyd’s Register Foundation de 2019 , eles descobriram que a preocupação com o clima severo era significativamente mais preditiva da preocupação com a segurança da água do que com a mudança climática, embora ambas resultassem em associações positivas.

“É mais fácil para as pessoas verem que sua água está sendo ameaçada por condições climáticas extremas do que pela noção abstrata de mudança climática”, disse o autor correspondente, Wändi Bruine de Bruin, professor reitor de políticas públicas, psicologia e ciências comportamentais da USC Price. School e o Departamento de Psicologia da USC Dornife. “Nosso estudo sugere que, se quisermos alertar as pessoas sobre a segurança da água e outras ameaças ambientais, devemos traçar links para climas extremos”.

Estudos anteriores sobre percepções de risco de segurança hídrica foram conduzidos principalmente em contextos de um único país, limitando a capacidade dos pesquisadores de fazer comparações entre países. A nova análise inclui respostas de 142 países, incluindo 21 de baixa renda e 34 de renda média-baixa.

Os participantes relataram sua preocupação com o fato de que a água potável e o clima severo poderiam causar-lhes sérios danos e até que ponto eles percebiam a mudança climática como uma séria ameaça para as pessoas em seu país nos próximos 20 anos.

“Se quisermos fazer um trabalho melhor para informar as pessoas sobre os riscos à segurança da água decorrentes das mudanças climáticas, com o objetivo final de mudar suas atitudes e comportamentos, precisamos torná-lo mais pessoal para eles”, disse o coautor do estudo, Dr. Joe Árvai, professor de psicologia de Dana e David Dornsife e diretor do Wrigley Institute for Environmental Studies no USC Dornsife College. “Como mostra nosso estudo, é por isso que falar sobre as conexões importantes e reais entre clima local, clima e água é tão importante.”

“As comunicações precisam tornar as questões ambientais concretas e pessoalmente relevantes”, disse Joshua Inwald, estudante de doutorado em psicologia da USC e primeiro autor do estudo. “Cientistas e formuladores de políticas serão mais eficazes se tiverem isso em mente.”

Referências:


Public Concern about Water Safety, Weather, and Climate: Insights from the World Risk Poll
Joshua F. Inwald, Wändi Bruine de Bruin, Marc Yaggi, and Joseph Árvai
Environmental Science & Technology 2023 57 (5), 2075-2083
DOI: 10.1021/acs.est.2c03964

Henrique Cortez *, tradução e edição.

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Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 17/02/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/02/17/118777/

A ‘venda casada’ nas redes sociais


A ‘venda casada’ nas redes sociais, artigo de Montserrat Martins

Vários autores já constataram (desde Freud em “Psicologia das Massas”) que o comportamento das pessoas em grupo tende a inibir a autocrítica individual

“Venda casada” é o armazém lhe obrigar a comprar feijão junto, se você precisa de arroz, o que aconteceu durante o governo Sarney, quando produtos escasseavam, para aumentar os preços. Foi vedada a venda casada de produtos, mas ela segue existindo no campo das ideias,nas redes sociais: se você acredita em uma coisa é pressionado para “comprar” outras ideias pelos grupos que as difundem.

Se você é contra o governo da Venezuela, por exemplo, teria de ser a favor de uma ditadura militar no Brasil, sendo que, aliás, o que a Venezuela vive é uma espécie de ditadura militar. Se você é a favor das vacinas, tem de ser a favor da descriminalização da maconha? Se você defende mais policiamento nas ruas, porque temos sérios problemas de segurança, tem de negar que o racismo e a homofobia são problemas graves da nossa sociedade? Porque situações diferentes são colocadas em “pacotes ideológicos” para aderir, como uma venda casada de ideias?


As polêmicas sobre comportamento estão no auge, no Brasil, mas isso é relativamente recente aqui, cresceram nos últimos 20 anos, enquanto já são debatidas com veemência há uns 60 anos nos Estados Unidos e na Europa. Isso você pode constatar nos diálogos dos filmes, desde que eclodiram movimentos sociais como os “hippies” americanos ou o famoso “maio de 68” europeu.

Se for contra o aborto, você tem de ser a favor da pena de morte? Os debates vão às últimas consequências, você tem de ter opinião sobre tudo, tem de formar convicção não só sobre costumes, mas até situações de vida ou morte. Mas por que as pessoas teriam de “aderir em bloco” a esses conjuntos de pautas estabelecidos por ideologias políticas, porque não poderiam acreditar em algumas demandas de algum grupo e em outras de outros grupos? Por que a pressão pela adesão incondicional?

A resposta é que isso funciona, em grande parte, pela necessidade de pertencimento, já amplamente estudada por psiquiatras e psicólogos. Vários autores já constataram (desde Freud em “Psicologia das Massas”) que o comportamento das pessoas em grupo tende a inibir a autocrítica individual, o que é um perigo, por exemplo, nos estádios de futebol, ou na formação de grupos que marcam brigas pela internet.

Se cada assunto fosse debatido por si mesmo, sem a cobrança de adesão a pautas preestabelecidas, talvez fosse mais fácil evoluirmos, chegarmos a alguns consensos sociais mínimos. Mas temos de ser aceitos pelo nosso grupo, mesmo que essa necessidade seja inconsciente.

Montserrat Martins, Médico Psiquiatra

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Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 17/02/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/02/17/a-venda-casada-nas-redes-sociais/