quinta-feira, 9 de maio de 2019

Humanos estão causando a extinção de mais de um milhão de espécies



DOCUMENTO DA ONU INDICA QUE A AGROPECUÁRIA É UMA DAS RAZÕES PELA EXTINÇÃO ACELERADA DE ANIMAIS E PLANTAS (FOTO: PXHERE/CREATIVE COMMONS)

Até um milhão de espécies de plantas e animais enfrentarão extinção em décadas por causa de atividades humanas. Sem ações drásticas para conservar o meio ambiente, a taxa de extinção – dezenas a centenas de vezes superior à média dos últimos dez milhões de anos – só aumentará.

Estes resultados são do relatório Plataforma Intergovernamental de Políticas Científicas sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o documento, as atividades agrícolas tiveram o maior impacto sobre os ecossistemas. Além disso, apontou que a perda de espécies e habitats é tão perigoso para a vida na Terra quanto as mudanças climáticas.

A análise destila dados de quase 15 mil estudos e relatórios governamentais, integrando informações das ciências naturais e sociais, povos indígenas e comunidades agrícolas. É a primeira grande avaliação internacional da biodiversidade desde 2005. Representantes de 132 governos se reuniram na primeira semana de maio em Paris, na França, para finalizar e aprovar o IPBES.

"Nunca tivemos uma única declaração unificada que inequivocamente deixa clara a crise que estamos enfrentando", disse Thomas Brooks, cientista-chefe da União Internacional para a Conservação da Natureza em Gland, na Suíça.

Sem “mudanças transformadoras” nos sistemas econômicos, sociais e políticos, o documento prevê que as maiores perdas de biodiversidade continuarão até 2050 e além. "Estamos erodindo as próprias fundações de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo", afirmou Robert Watson, presidente do IPBES e químico da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.


Remodelando a vida
Cerca de 75% das terras e 66% das áreas oceânicas foram “significativamente alteradas” pelas pessoas, impulsionadas pela produção de alimentos. A agricultura e a pecuária cooptam mais de 33% da superfície terrestre e 75% dos recursos de água doce.

As atividades agrícolas também são uma das maiores contribuintes para as emissões de gases de efeito estufa: representam cerca de 25% do total devido ao uso de fertilizantes, além da conversão de florestas tropicais para plantações ou criação de gado. As ameaças agrícolas aos ecossistemas só aumentarão à medida que a população mundial continuar a crescer, segundo o relatório.

As demais ameaças à natureza são a exploração de plantas e animais por meio da extração de madeira, caça e pesca; das alterações climáticas; poluição e disseminação de espécies invasoras.

RECIFES DE CORAIS TAMBÉM SÃO ECOSSISTEMAS AMEAÇADOS PELAS ATIVIDADES HUMANAS, INDICA RELATÓRIO DA ONU (FOTO: DAVIDDAROM/WIKIMEDIA COMMONS)

O IPBES concluiu que a abundância média de plantas, animais e insetos nativos caiu na maioria dos principais ecossistemas em pelo menos 20% desde o ano de 1900 por causa de espécies invasoras.

O documento ainda desenha vínculos ​​entre a perda da biodiversidade e as mudanças climáticas. Estima-se que 5% de todas as espécies seriam ameaçadas de extinção por 2°C de aquecimento acima dos níveis pré-industriais – limiar que o mundo poderia quebrar nas próximas décadas, a menos que as emissões de gases de efeito estufa sejam drasticamente reduzidas.

A Terra pode perder 16% de suas espécies se o aumento da temperatura global média for superior a 4,3°C. Esses danos ao meio ambiente minariam os esforços globais para reduzir a pobreza e a fome e promover o desenvolvimento sustentável.

Lidando com os problemas
Cientistas podem discutir sobre estimativas de extinção, mas o relatório não ajuda a descrever como os humanos alteraram os ecossistemas da Terra, declarou Stuart Pimm, ecologista da Duke University em Durham, nos Estados Unidos.

Para Peter Bridgewater, ecologista da Universidade de Camberra, na Austrália, o relatório do IPBES é sólido na ciência, porém deve fazer mais quando se trata de delinear soluções práticas para governos, empresas e comunidades. Ele liderou uma pesquisa sobre biodiversidade, encomendada pelo IPBES, que recomendou ao órgão o desenvolvimento de parcerias com governos e comunidades para avaliar as políticas que podem ser implementadas nos níveis locais e nacionais.

Apesar dessas deficiências, este documento ajudará a definir metas quando as nações negociarem novas metas de conservação para a próxima década durantea Convenção da ONU sobre Biodiversidade em 2020. "Precisaremos ver a implementação em todos os setores da sociedade. É aí que vamos ver a diferença", afirmou Thomas Brooks.



Autor: Revista Galileu
Fonte: Revista Galileu
Sítio Online da Publicação: Revista Galileu
Data: 07/05/2019
Publicação Original: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2019/05/humanos-estao-causando-extincao-de-mais-de-um-milhao-de-especies.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário