
Créditos: Denise Tadei
De abrangência nacional, o projeto promove a formação em direitos humanos para mulheres em situação de vulnerabilidade, com foco no fortalecimento de lideranças comunitárias e na ampliação do acesso à justiça nos territórios. O projeto está vinculado ao programa federal Antes que Aconteça, integra o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio — que reúne os três poderes da República — e conta ainda com o apoio do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
Zélia Profeta, coordenadora de Relações Institucionais da Presidência da Fiocruz, destacou a importância da atuação das defensoras populares nos territórios. “Vocês vão acompanhar, atuar e fortalecer o acesso à justiça, dialogando com as mulheres e com as pessoas do território sobre equidade, enfrentamento da violência contra a mulher e combate ao feminicídio. A gente está atuando para ter mulheres saudáveis, respeitadas e vivas”.
Crédito: Denise Tadei
Rede de proteção e acesso à justiça
A mesa de abertura contou com a participação de Sheila Carvalho, secretária da Saju/MJSP; Camila Castanho Miranda, coordenadora do projeto na Fiocruz; Cristiane Esteves Soares, promotora de justiça do Ministério Público do Espírito Santo; Sonia Lopes, vice-reitora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Rosely Pires, coordenadora do Programa de Extensão “Fordan: Cultura no Enfrentamento às Violências” da Ufes; além das parlamentares Jackeline Rocha, Camila Valadão e Iriny Lopes.
Sheila Carvalho ressaltou o papel do Projeto Defensoras Populares na construção de redes de apoio entre as mulheres. “O Defensoras Populares tem sido mais que um projeto de defesa dos nossos direitos, é um projeto de conexão. Se vocês olharem para o lado, vão se reconhecer. Todas nós, agora, fazemos parte dessa rede de proteção das mulheres”.
Segundo a promotora de Justiça Cristiane Esteves Soares, os dados revelam que grande parte das vítimas de feminicídio não chega a buscar ajuda institucional. “O cenário nacional é muito semelhante ao que observamos em nosso estado: cerca de 80% das mulheres vítimas de feminicídio sequer procuraram o sistema de justiça. Por isso, o papel das defensoras populares é fundamental para orientar e acolher mulheres em situação de violência, para que elas consigam, de fato, romper esse ciclo da violência”.
A vice-reitora Sonia Lopes defendeu a participação de diferentes setores da sociedade e o reconhecimento da diversidade das experiências das mulheres. “Precisamos dialogar sempre a partir da coletividade, que é fundamental quando se trata de um tema tão sensível. A violência contra as mulheres é uma questão complexa, que envolve diferentes áreas do conhecimento e diferentes mulheres, em toda a sua representatividade”.
Experiências anteriores
O Defensoras Populares se inspira em experiências bem-sucedidas das Defensorias Públicas voltadas ao empoderamento jurídico nas comunidades. No Ceará, o projeto desenvolvido em parceria com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira foi premiado no Innovare 2025, reconhecimento que destaca iniciativas inovadoras e transformadoras na promoção da cidadania e na ampliação do acesso à justiça. Agora, a metodologia se expande para novos territórios, consolidando seu caráter nacional.
O projeto
A formação ocorrerá de forma híbrida ao longo de oito meses, organizada em oito módulos, com videoaulas gravadas, plantões de dúvidas, encontros online e atividades presenciais. Ao final do processo, cada participante deverá elaborar um Plano de Articulação Comunitária (PAC), que funcionará como trabalho final de avaliação.
Entre os temas abordados estão: Cidadania e Organização do Estado; Funcionamento do Sistema de Justiça; Direitos Humanos e Direitos das Mulheres; Enfrentamento às Violações de Direitos; Saúde Coletiva e Educação Popular; e Saberes Locais e Articulação Territorial.
O projeto selecionou 120 mulheres em cada um dos estados participantes que, além da formação, também receberão uma bolsa-auxílio mensal de R$ 700,00 durante todo o percurso formativo.
Autor: fiocruz
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 17/06/2026
Publicação Original: https://fiocruz.br/noticia/2026/06/fiocruz-e-ministerio-da-justica-iniciam-formacao-de-120-defensoras-populares-no
Nenhum comentário:
Postar um comentário