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segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Monitorização de longo prazo para FA subclínica após AVCi

Todos os pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) devem ser monitorizados para eventos cardíaco por pelo menos as primeiras 24 horas após o início do quadro cerebral para procurar fibrilação atrial (FA) subclínica. Além disso, alguns autores sugerem a monitorização cardíaca ambulatorial por várias semanas (por exemplo, 30 dias) para pacientes com AVCi criptogênico ou ataque isquêmico transitório (AIT). Esses pacientes são caracterizados por isquemia cerebral não atribuível a uma fonte definida de cardioembolismo ou aterosclerose, apesar da extensa avaliação vascular e cardíaca, incluindo nenhuma evidência de FA no eletrocardiograma padrão de 12 derivações (ECG) e no monitor de eventos cardíaco de 24 horas.

A monitorização prolongada de eventos cardíacos aumenta a detecção de FA subclínica em pacientes com AIT ou AVCi agudo que apresentam ritmo sinusal. Em contraste, a FA subclínica, se transitória, infrequente e em grande parte assintomática, pode não ser detectada no na monitorização padrão, como Holter de 24 ou 48 horas. Esta questão é discutida em ensaios de pacientes sem um mecanismo identificado para acidente vascular cerebral ou AIT:

No estudo CRYSTAL AF, 441 pacientes com acidente vascular cerebral criptogênico e nenhuma evidência de FA durante pelo menos 24 horas de monitorização com ECG foram aleatoriamente designados para monitorização ambulatorial prolongada com um monitor cardíaco subcutâneo ou a um grupo controle com acompanhamento convencional. Após seis meses, a detecção de FA foi significativamente maior no grupo com monitorização prolongada (8,9%, contra 1,4 por cento no grupo controle, razão de risco [FC] 6,4, IC 95% 1,9-21,7).

No ensaio EMBRACE, 572 pacientes que tiveram um AVCi criptogênico ou AIT (sem FA após monitorização cardíaca de 24 horas) nos últimos seis meses foram aleatoriamente designados para uma monitorização ambulatorial adicional com um “external loop recorder” de 30 dias (grupo de intervenção) ou um monitor Holter de 24 horas (grupo controle). Ao final do estudo, a taxa de detecção de FA foi significativamente maior no grupo intervenção (16,1%, versus 3,2% no grupo controle, IC 95% 8,0-17,6).

O ensaio PER DIEM randomizou 300 pacientes dentro de seis meses após o AVCi e nenhuma FA conhecida (66%). Um grupo com com um monitor cardíaco subcutâneo (colocado por um ano) e outro com “external loop recorder” (usado por quatro semanas). Após 12 meses, a detecção de nova FA com duração superior a dois minutos foi observada em um número maior de pacientes no grupo monitor cardíaco subcutâneo em comparação com o grupo “external loop recorder” (15,3 versus 4,7%, diferença absoluta 10,7%, IC 95% 4,0-17,3%).

Toda essa monitorização pode então reduzir o risco de AVCi recorrente, levando ao uso adequado de anticoagulação a longo prazo? Faltam evidências rigorosas de que a anticoagulação da FA subclínica melhora os resultados para pacientes inicialmente diagnosticados com AVCi criptogênico. Além disso, a duração mínima de tempo (em minutos) dos episódios de FA que aumenta o risco de formação de trombo nos átrios e, assim, aumenta o risco de AVCi cardioembólico não foi firmemente estabelecida.


Embora faltem evidências, alguns autores sugerem terapia anticoagulante para pacientes com diagnóstico inicial de AVCi criptogênico que apresentam FA de qualquer duração detectada no monitoramento de longo prazo.




Autor: Felipe Resende Nobrega
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 06/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/monitorizacao-de-longo-prazo-para-fa-subclinica-apos-avci/


quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI): cuidados e prevenção





Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI): entenda os riscos e previna-se
Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI) – A campanha foca na prevenção e as possíveis sequelas causadas pela doença

Por Lívia Davanzo
O Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI) é a segunda maior causa de mortes e a primeira de incapacidade no Brasil. A cada 5 minutos um brasileiro morre em decorrência do AVCI, contabilizando mais de 100 mil mortes por ano.

Por isso, ficar alerta aos sinais é fundamental para prevenir a doença. No dia 29 de outubro, Dia Mundial de Combate ao AVC, são realizadas campanhas em todo o mundo para conscientizar a população a respeito dos problemas causados pela doença, hoje considerada uma epidemia global.

A campanha deste ano “Não Deixe que Seja Você” (Don’t be the One), foca na prevenção ao AVC e tem o objetivo de explicar o risco individual e também de informar ao máximo as pessoas sobre ferramentas que possam prevenir e salvar vidas. Uma análise recente da World Stroke Organization (WSO) mostra que o risco de AVC ao longo da vida aumentou e agora é de 1 em cada 4 indivíduos. Já o estudo Interstroke aponta que cerca de 90% dos casos de Acidente Vascular Cerebral estão associados a um pequeno número de fatores de risco facilmente abordados com instruções preventivas.

Na contramão dos dados negativos, 78% dos pacientes atendidos no Hospital Anchieta, em 2018, tiveram alta sem sequelas ou com sequelas mínimas. O resultado positivo se deve à especialização nos atendimentos neurológicos, neurocirúrgicos e de neurointervenção – expertise da NeuroAnchieta, aliado a adoção de protocolo de AVCI, incluindo equipe de sobreaviso 24h para garantir cobertura completa dos pacientes.

Desde o início do ano, o Hospital passou a ter consulta na especialidade de Neurologia no Pronto-Socorro. O Pronto-Atendimento Neurológico é o primeiro do Distrito Federal e mais um diferencial proporcionado pelo Anchieta, onde um especialista em Neurologia fica à disposição em consultório de segunda a sexta, das 9h às 19h. “A equipe dentro do pronto-socorro traz mais eficiência no serviço que já oferecemos hoje. Com a presença do neurologista de plantão, é possível proporcionar um tratamento cada vez mais especializado aos nossos pacientes”, reforça a coordenadora da Neurologia do Hospital Anchieta/NeuroAnchieta, Dra. Priscilla Proveti.
Vida após o AVC
O reconhecimento dos sinais de alerta do AVC e o rápido tratamento de urgência em um centro especializado diminui a chance de sequelas.

Atualmente, 80 milhões de pessoas são sobreviventes da doença e para muitos, a vida pode ser diferente. “Aceitar e ajustar suas vidas após o AVC é fundamental para a recuperação e qualidade de vida. Encontrar o seu “novo normal” não acontecerá de uma hora para outra. Com um trabalho intenso com a equipe de saúde, desenvolvendo novas rotinas e atingindo os objetivos um de cada vez, o paciente obterá o progresso desejado”, explica a neurologista.
Exames auxiliam o diagnóstico

Os exames de imagem possuem como finalidade, entre outras, a exclusão de sangramentos e a avaliação da extensão do AVC. De acordo com o responsável técnico do Anchieta Diagnósticos, Dr. Anderson Benine Belezia, tanto a tomografia computadorizada quanto a ressonância magnética podem ser utilizadas e a escolha depende do protocolo de cada serviço.

Cada exame possui uma vantagem específica. “A tomografia, por exemplo, consegue captar mais rapidamente as imagens, enquanto a ressonância magnética possui maior sensibilidade, ou seja, maior capacidade de detectar isquemias recentes, principalmente as menores”, explica o médico. Ainda segundo o especialista, no Anchieta Diagnósticos o protocolo indica que os pacientes realizem primeiramente o estudo por ressonância magnética com posterior avaliação da circulação arterial pela angiotomografia.
Novidades na área

De acordo com o responsável técnico do Anchieta Diagnósticos, um dos novos recursos na área da neuroradiologia é a avaliação da parede vascular. O especialista falou sobre o tema durante o XII Congresso Brasileiro de Doenças Cerebrovasculares, realizado entre os dias 16 e 19 de outubro. “Essa avaliação é feita pela ressonância magnética dos vasos cervicais e/ou intracanianos em aparelhos de alto campo (3 Tesla) e é capaz de fornecer informações a respeito do comprometimento da parede das artérias em diferentes processos vasculares, tais como doença aterosclerótica, vasculites e aneurismas, que podem ser responsáveis pelo desenvolvimento de AVCs, tanto hemorrágicos quanto isquêmicos”, explica.

A novidade, segundo ele, é que anteriormente só havia informações a respeito do interior dos vasos e a parede arterial só podia ser avaliada por meio de biópsias ou em estudos de autópsia/necropsia. Agora, com as recentes publicações científicas sobre o tema, a técnica vem ganhando espaço. “A avaliação pode ser realizada em pacientes com suspeita de vasculite tanto para diagnóstico quanto para acompanhar o tratamento, em pacientes com comprometimento por doença aterosclerótica para verificar risco de desenvolvimento de trombos e êmbolos que podem levar a AVCs e em estudos de aneurismas indicando maior ou menor risco de roturas e sangramentos”, aponta.
Prevenção ao AVC

– Faça atividades física e evite o sedentarismo

– Tenha uma alimentação saudável

– Evite fumar e ingerir bebidas alcoólicas em excesso

– Procure sempre um médico para fazer check-up e saber como andam as taxas de colesterol no sangue, pressão e verifique possíveis doenças cardíacas.
Sinais de alerta do AVC

– Boca torta, peça para a pessoa dar um sorriso e observe se ela consegue

– Perda de força, peça para elevar os braços e tentar abraçar

– Dificuldade na fala, peça para a pessoa repetir a frase de uma música

– Alteração na visão, perda repentina da visão em um ou nos dois olhos

– Formigamento no rosto, braços ou pernas de um lado do corpo, vertigem ou dificuldade de caminhar, desmaios ou convulsões também devem ser observados.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/01/2021




Autor: Lívia Davanzo
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 12/01/21
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/01/12/acidente-vascular-cerebral-isquemico-avci-cuidados-e-prevencao/