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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

A emergência climática, as novas gerações e a Greve Climática Global

A emergência climática, as novas gerações e a Greve Climática Global, artigo de José Eustáquio Diniz Alves


“Os olhos de todas as gerações futuras estão sobre vocês. E se vocês optarem pelo fracasso, eu digo que nunca iremos perdoá-los” Greta Thunberg (Nova York, 23/09/2019)

Metade das crianças e adolescentes do mundo (1 bilhão de pessoas) está extremamente exposta aos impactos da crise climática e as novas gerações serão, proporcionalmente, as mais penalizadas pelas mudanças climáticas, segundo relatório divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), no dia 20 de agosto de 2021.

A Divisão de População da ONU estima que haja 2,23 bilhões de crianças e adolescentes de 0 a 16 anos e 2,48 bilhões de 0 a 18 anos, em 2020, sendo que a Unicef estima que cerca de 1 bilhão de crianças e adolescentes estão altamente exposta à escassez de água e a níveis extremamente altos de poluição do ar. A apresentação do relatório foi feita pela ativista Greta Thunberg.

Em conformidade com um último relatório do IPCC, o documento mostra que estamos cruzando os principais limites do sistema natural da Terra, incluindo a mudança climática, perda de biodiversidade e aumentando os níveis de poluição no ar, solo, água e oceanos.
Os perigos do clima e do meio ambiente, choques e estresses já estão causando impactos devastadores no bem-estar das crianças ao redor do mundo.

Na medida em que esses limites são violados, o delicado equilíbrio natural, o qual a civilização humana dependeu para crescer e prosperar, também é afetado. As crianças do mundo não podem mais contar com essas condições e devem fazer seu caminho em um mundo que se tornará demasiado perigoso e incerto nos próximos anos e décadas.

Utilizando dados geográficos de alta resolução, o relatório da Unicef apresenta novas evidências globais de quantas crianças estão atualmente expostas a uma variedade de perigos climáticos e ambientais, choques e estresses, conforme mostra o gráfico abaixo.




Por exemplo, o relatório lista os eventos de início repentino e moderadamente repentino que vão afetar as jovens gerações:


820 milhões de crianças (mais de um terço do total de crianças no mundo) estão atualmente expostas às ondas de calor. É provável que a situação se agrave, na medida em que a temperatura média da Terra aumenta e padrões climáticos se tornam mais erráticos. O ano de 2020 ficou empatado como o ano mais quente já registrado.


400 milhões de crianças (aproximadamente 1 a cada 6 crianças no mundo) estão atualmente expostas aos ciclones. É provável que a situação se agrave, na medida em que ciclones de alta intensidade (isto é, Categorias 4 e 5) aumentaram em frequência, aumentando a intensidade de precipitações, e que faz com que os padrões de ciclone mudem.


330 milhões de crianças (1 a cada 7 crianças no mundo) estão atualmente altamente expostas à inundações fluviais. É provável que a situação se agrave, na medida em que as geleiras derretem e as precipitações aumentam, devido ao alto teor de água na atmosfera, que é resultado de maiores temperaturas médias.


240 milhões de crianças (1 a cada 10 crianças no mundo) estão atualmente altamente expostas à inundações costeiras. É provável que a situação se agrave, ao passo que os níveis do mar continuam aumentando, com os efeitos consideravelmente ampliados quando combinados com tempestades.


No artigo “92% da população mundial de 2100 ainda não nasceu” (ALVES, 04/10/2019) mostrei que: “Somente 0,2% dos adultos de hoje, que nasceram no século XX, devem estar vivos em 2100 e apenas 8% da população de 2100 será composta pelos jovens de 0 a 19 anos atuais. Portanto, as consequências mais drásticas da crise climática e ambiental serão sentidas, em menor grau, pelas crianças e adolescentes atuais e, em maior grau, pelas gerações futuras que ainda nem nasceram”. Os adultos e idosos atuais estão deixando uma lamentável herança maldita para as gerações futuras.

Ou seja, a maioria dos adultos de hoje não estarão vivos em 2100 e nem vão vivenciar os maiores danos da emergência climática. O impacto da crise climática e ambiental atingirá essencialmente as crianças e adolescentes atuais e, principalmente, as novas gerações que ainda vão nascer. Desta forma, os jovens estão indo para as ruas para lutar contra a possibilidade de um colapso ecológico.

No mês que vem a juventude vai para as ruas para protestar contra a situação atual. Neste sentido, vale a pena ver a convocação da Greve climática global em 24 de setembro de 2021:

“Devemos agir agora para conter a crise climática, a extinção global de espécies e para poder cumprir o limite de 1,5 graus estabelecido pelo Acordo de Paris. Quem desejar obter nosso voto nas próximas eleições deve proteger a liberdade das gerações futuras. Deverá entender que oferecer uma solução para a crise climática é uma grande oportunidade de tornar nossa sociedade mais moderna, mais democrática e mais justa, com a criação de milhões de bons empregos e a oferta de uma vida melhor para todos. Solicitamos ao futuro governo que:


Abandone o carvão o mais tardar em 2030, e garanta que as populações afetadas por projetos de mineração de carvão não percam suas casas


expanda as energias renováveis ​​para pelo menos 80% do consumo bruto de eletricidade até 2030, de uma forma que a geração de energia seja cada vez mais ambiental e socialmente aceitável. O novo governo deve investir em eficiência em alternativas ao gás natural, como o hidrogênio verde.


invista mais em transportes públicos locais e amplie a infraestrutura de bicicletas, interrompendo todos os novos projetos de rodovias. Também deverá banir a venda de automóveis movidos a motores de combustão interna. Nossa proposta é a eliminação gradual desses veículos antes de 2030.


esteja comprometido com o clima e uma agricultura ecologicamente correta com preços justos para os produtores, bem com uma pecuária ecologicamente responsável. Deve também vincular os subsídios agrícolas predominantemente a prestação de serviços ecológicos.


que promova uma transformação socioecológica da economia através de investimentos em tecnologias e processos econômicos climaticamente amigáveis, em vez de continuar a subsidiar ramos da economia que causam danos ao clima.


garanta bons salários e crie um estado de bem-estar solidário para que a eletricidade, a habitação, a alimentação e a mobilidade sejam amigas do clima e ao mesmo tempo acessíveis a todos.


Defenda a justiça climática no Sul Global e que pelo menos dobre o financiamento climático até 2025.


que rejeite acordos multilaterais prejudiciais ao clima”.

A Greve Climática tem números catastróficos para mostrar. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou relatório no dia 31 de agosto mostrando que o número de desastres – como inundações e ondas de calor, causados pela mudança climática – aumentou cinco vezes nos últimos 50 anos, matando mais de 2 milhões de pessoas e custando US$ 3,64 trilhões em perdas totais. Ainda de acordo com a OMM, aconteceu em média um desastre vinculado ao clima a cada dia dos últimos 50 anos, provocando o equivalente à morte de 115 pessoas e perdas materiais de US$ 202 milhões por dia. A tendência é que isto piore nos próximos 50 anos e serão os jovens atuais e as novas gerações serão os mais impactados pela crise climática e ambiental.
José Eustáquio Diniz Alves
Doutor em demografia, link do CV Lattes:
http://lattes.cnpq.br/2003298427606382

Referências:

ALVES, JED. 92% da população mundial de 2100 ainda não nasceu, Ecodebate, 04/10/2019

https://www.ecodebate.com.br/2019/10/04/92-da-populacao-mundial-de-2100-ainda-nao-nasceu-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

ALVES, JED. Greta Thunberg pede o fim do uso dos combustíveis fósseis e emissão zero de CO2, Ecodebate, 27/01/2020

https://www.ecodebate.com.br/2020/01/27/greta-thunberg-pede-o-fim-do-uso-dos-combustiveis-fosseis-e-emissao-zero-de-co2-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

UNICEF. A crise climática é uma crise de direitos das crianças. Introduzindo o Index de risco climático para as crianças, 20/08/2021

https://www.unicef.org/sites/default/files/2021-08/%5BPortuguese%5D%20CCRI%20Executive%20Summary_0.pdf

OMM. Weather-related disasters increase over past 50 years, causing more damage but fewer deaths, 31/08/2021

https://public.wmo.int/en/media/press-release/weather-related-disasters-increase-over-past-50-years-causing-more-damage-fewer

Greve climática global – 24 de setembro de 2021

https://fridaysforfuture.org/september24/

Greve climática global em 24 de setembro de 2021

https://www.klima-streik.org/sprachen/portugues

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/09/2021




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 07/09/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/09/06/a-emergencia-climatica-as-novas-geracoes-e-a-greve-climatica-global/

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Emergência Climática: Estudo confirma que os modelos climáticos estão acertando as projeções de aquecimento futuro

Uma animação de uma simulação de modelo climático do GISS (Instituto Goddard de Estudos Espaciais) feita para o Quarto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, mostrando anomalias médias de cinco anos da temperatura do ar da superfície em graus Celsius, em graus Celsius, de 1880 a 2100. A anomalia de temperatura é uma medida de quanto está mais quente ou mais frio em um local e tempo específicos do que a temperatura média de longo prazo, definida como a temperatura média no período de 30 anos entre 1951 e 1980. As áreas azuis representam áreas frias e amarelo e amarelo. áreas vermelhas representam áreas mais quentes. O número no canto superior direito representa a anomalia média global. Crédito: Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA

Há um velho ditado que diz que “a prova está no pudim”, significando que você só pode realmente avaliar a qualidade de algo depois de testado. É o caso dos modelos climáticos: simulações matemáticas por computador dos vários fatores que interagem para afetar o clima da Terra, como nossa atmosfera, oceano, gelo, superfície terrestre e o Sol.

Durante décadas, as pessoas se perguntaram legitimamente o desempenho dos modelos climáticos na previsão de condições climáticas futuras. Com base na física sólida e na melhor compreensão do sistema terrestre disponível, eles habilmente reproduzem os dados observados. No entanto, eles têm uma ampla resposta ao aumento dos níveis de dióxido de carbono e muitas incertezas permanecem nos detalhes. A marca registrada da boa ciência, no entanto, é a capacidade de fazer previsões testáveis, e os modelos climáticos vêm fazendo previsões desde a década de 1970. Quão confiáveis ??eles têm sido?

Agora, uma nova avaliação dos modelos climáticos globais usados ??para projetar as futuras temperaturas médias globais da superfície da Terra nos últimos meio século responde a essa pergunta: a maioria dos modelos tem sido bastante precisa.


Os modelos utilizados no 4º Relatório de Avaliação do IPCC podem ser avaliados comparando as previsões de aproximadamente 20 anos com o que realmente aconteceu. Nesta figura, o conjunto de vários modelos e a média de todos os modelos são plotados ao lado do Índice de Temperatura da Superfície do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA (GISS) (GISTEMP) . Os fatores climáticos eram conhecidos pelo período de ‘hindcast’ (antes de 2000) e previstos para o período posterior. As temperaturas são plotadas em relação a uma linha de base 1980-1999. Crédito: Gavin Schmidt


Em um estudo aceito para publicação na revista Geophysical Research Letters, uma equipe de pesquisa liderada por Zeke Hausfather, da Universidade da Califórnia, Berkeley, conduziu uma avaliação sistemática do desempenho de modelos climáticos anteriores. A equipe comparou 17 projeções de modelos cada vez mais sofisticadas da temperatura média global desenvolvidas entre 1970 e 2007, incluindo algumas originalmente desenvolvidas pela NASA, com mudanças reais na temperatura global observadas até o final de 2017. Os dados de temperatura observacionais vieram de várias fontes, incluindo Goddard da NASA Séries temporais do Institute for Space Studies Analysis (GISTEMP), uma estimativa da mudança global da temperatura da superfície.

Os resultados: 10 das projeções do modelo coincidiram com as observações. Além disso, depois de considerar as diferenças entre as mudanças modeladas e reais no dióxido de carbono atmosférico e outros fatores que impulsionam o clima, o número aumentou para 14. Os autores não encontraram evidências de que os modelos climáticos tenham avaliado sistematicamente superestimado ou subestimado o aquecimento durante o período de suas projeções. .

“Os resultados deste estudo de modelos climáticos anteriores reforçam a confiança dos cientistas de que tanto eles quanto os modelos climáticos mais avançados de hoje estão habilmente projetando o aquecimento global”, disse o co-autor do estudo Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA. Iorque. “Esta pesquisa pode ajudar a resolver a confusão pública sobre o desempenho de esforços anteriores de modelagem climática”.

Os cientistas usam modelos climáticos para entender melhor como o clima da Terra mudou no passado, como está mudando agora e para prever tendências climáticas futuras. As tendências da temperatura global estão entre as previsões mais significativas, uma vez que o aquecimento global tem efeitos generalizados, está diretamente ligado a acordos internacionais para mitigar o aquecimento climático futuro e possui os registros observacionais mais longos e precisos. Outras variáveis climáticas são previstas nos modelos mais novos e complexos, e essas previsões também precisam ser avaliadas.

Para corresponder com sucesso a novos dados observacionais, as projeções do modelo climático precisam encapsular a física do clima e também fazer previsões precisas sobre os níveis futuros de emissão de dióxido de carbono e outros fatores que afetam o clima, como variabilidade solar, vulcões, outras emissões naturais e produzidas pelo homem de gases de efeito estufa e aerossóis. A contabilização deste estudo das diferenças entre as emissões projetadas e reais e outros fatores permitiu uma avaliação mais focada da representação dos modelos do sistema climático da Terra.

Schmidt diz que os modelos climáticos percorreram um longo caminho desde os modelos simples de balanço de energia e circulação geral da década de 1960 e início dos anos 70 aos atuais modelos de circulação geral cada vez mais em alta resolução e abrangentes. “O fato de muitos dos modelos climáticos mais antigos que analisamos projetar com precisão as temperaturas globais subseqüentes é particularmente impressionante, dada a evidência observacional limitada de aquecimento que os cientistas tiveram na década de 1970, quando a Terra estava esfriando por algumas décadas”, disse ele.

Os autores afirmam que, embora a relativa simplicidade dos modelos analisados torne obsoletas as projeções climáticas, eles ainda podem ser úteis na verificação de métodos usados para avaliar os atuais modelos climáticos de última geração, como os usados nos Estados Unidos. Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, sexto relatório, a ser lançado em 2022.

“À medida que as projeções do modelo climático amadurecem, mais sinais emergiram do ruído da variabilidade natural que permite a avaliação retrospectiva de outros aspectos dos modelos climáticos – por exemplo, no gelo do Ártico e no conteúdo de calor do oceano”, disse Schmidt. “Mas são as tendências de temperatura nas quais as pessoas ainda tendem a se concentrar.”



* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/01/2020




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 13/01/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/01/13/emergencia-climatica-estudo-confirma-que-os-modelos-climaticos-estao-acertando-as-projecoes-de-aquecimento-futuro/

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Emergência Climática – Em todo o mundo, outubro foi 0,69°C mais quente que o outubro médio de 1981-2010



Anomalia na temperatura do ar da superfície em outubro de 2019 em relação à média de outubro para o período 1981-2010. Fonte de dados: ERA5. Crédito: Copernicus Climate Change Service / ECMWF.

As temperaturas de outubro em 2019 ficaram acima da média 1981-2010 na maior parte da Europa, principalmente no leste e sudeste. Temperaturas abaixo da média ocorreram na maior parte do norte e noroeste do continente.

Em outros lugares, as temperaturas nas massas terrestres do hemisfério norte estavam notavelmente acima da média em partes do Ártico, no leste dos EUA e no Canadá, e no Oriente Médio e grande parte do norte da África e da Rússia. As temperaturas também estavam bem acima da média no sul do Brasil, sul da África, oeste e sul da Austrália e na maior parte do leste da Antártica.

As temperaturas na terra estavam substancialmente abaixo da média em uma região que abrange grande parte do oeste dos EUA e Canadá. Eles também estavam abaixo da média em partes da África tropical e na Antártica, e em menor grau em várias outras regiões.

Regiões de temperatura abaixo da média ocorreram em todos os principais oceanos, incluindo o Pacífico tropical oriental e o mar de Weddell coberto de gelo. No entanto, as temperaturas do ar no mar eram predominantemente mais altas que a média, especialmente em vários mares do Ártico e Antártico e no nordeste do Oceano Pacífico.



Anomalias mensais da temperatura do ar da superfície média global e média da Europa em relação a 1981-2010, de janeiro de 1979 a outubro de 2019. As barras coloridas mais escuras indicam os valores de outubro. Fonte de dados: ERA5. Crédito: Copernicus Climate Change Service / ECMWF.
ACESSO AOS DADOS |

As temperaturas globais estavam substancialmente acima da média em outubro de 2019. O mês foi:
0,69 ° C mais quente que o outubro médio de 1981-2010, tornando-o por uma estreita margem o outubro mais quente deste registro de dados;
um insignificante 0,01 ° C mais quente que outubro de 2015, o segundo mais quente de outubro;
0.09 ° C mais quente que outubro de 2017, o terceiro mês mais quente de outubro.

As anomalias de temperatura na média européia são geralmente maiores e mais variáveis ​​do que as anomalias globais, especialmente no inverno, quando podem mudar vários graus de um mês para o outro. A temperatura média europeia em outubro de 2019 foi de:
1,1 ° C mais quente que o outubro médio de 1981-2010;
O terceiro outubro mais quente do período de 1979 em diante: 2001 e 2006 foram mais quentes.
Nos últimos 12 meses – novembro de 2018 a outubro de 2019



Anomalia na temperatura do ar da superfície de novembro de 2018 a outubro de 2019 em relação à média de 1981-2010. Fonte de dados: ERA5. Crédito: Copernicus Climate Change Service / ECMWF.

As temperaturas médias do período de doze meses de novembro de 2018 a outubro de 2019 foram:
muito acima da média de 1981-2010 na maior parte do Ártico, chegando ao Alasca e perto dela e nas partes centrais do norte da Sibéria;
acima da média em praticamente toda a Europa;
acima da média na maioria das outras áreas terrestres e oceânicas, especialmente no nordeste da China, no Oriente Médio, no sudeste da Ásia, na Austrália, no sul da África e em algumas partes da Antártica;
abaixo da média em algumas áreas terrestres e oceânicas, principalmente nas pradarias norte-americanas.



Execução de médias de doze meses de anomalias da temperatura do ar na superfície global média e européia em relação a 1981-2010, com base em valores mensais de janeiro de 1979 a outubro de 2019. As barras coloridas mais escuras são as médias para cada um dos anos civis de 1979 a 2018. Fonte de dados: ERA5. Crédito: Copernicus Climate Change Service / ECMWF.
ACESSO AOS DADOS |

A média dos períodos de doze meses suaviza as variações de curto prazo. Globalmente, o período de doze meses de novembro de 2018 a outubro de 2019 foi 0,56 ° C mais quente que a média de 1981-2010. O período mais quente de doze meses foi de outubro de 2015 a setembro de 2016, com temperatura 0,66 ° C acima da média. 2016 é o ano civil mais quente já registrado, com uma temperatura global de 0,63 ° C acima da de 1981-2010. O segundo ano calendário mais quente, 2017, teve uma temperatura de 0,54 ° C acima da média, enquanto o terceiro ano mais quente, 2018, foi de 0,46 ° C acima da média 1981-2010.

0,63 ° C deve ser adicionado a esses valores para relacionar as temperaturas globais recentes ao nível pré-industrial definido no Relatório Especial do IPCC sobre “Aquecimento global de 1,5 ° C”. As temperaturas mensais nos últimos doze meses atingiram uma média de 1,2 ° C acima desse nível pré-industrial. A temperatura de outubro é de 1,2 ° C acima do nível.

A propagação nas médias globais de vários conjuntos de dados de temperatura tem sido relativamente grande nos últimos três anos. Durante esse período, os valores médios de doze meses aqui apresentados são mais altos que os de vários conjuntos de dados independentes, entre 0,05 ° C e 0,15 ° C para os doze meses em que o spread é maior. Isso se deve em parte às diferenças na medida em que os conjuntos de dados representam as condições relativamente quentes que predominaram no Ártico e nos mares ao redor da Antártica. As diferenças nas estimativas da temperatura da superfície do mar em outros lugares e das temperaturas sobre a terra fora do Ártico foram outros fatores. No entanto, existe um acordo geral entre os conjuntos de dados sobre:
O calor excepcional de 2016 e o ​​calor também de 2015, 2017, 2018 e 2019;
A taxa média geral de aquecimento de cerca de 0,18 ° C por década desde o final da década de 1970;
O período sustentado de temperaturas acima da média a partir de 2001.

Há mais variabilidade nas temperaturas médias européias, mas os valores são menos incertos porque a cobertura observacional do continente é relativamente densa. As médias de doze meses para a Europa atingiram um nível alto de 2014 a 2016. Depois caíram, mas permaneceram 0,5 ° C ou mais acima da média 1981-2010. As médias de doze meses aumentaram desde então, mas caíram novamente nos últimos meses. A média mais recente, para o período de novembro de 2018 a outubro de 2019, está 1,1 ° C acima da norma 1981-2010. O período mais quente desse período, de abril de 2018 a março de 2019, foi de 1,5 ° C acima da média.

A página inicial de análise da temperatura do ar na superfície média explica mais sobre a produção e a confiabilidade dos valores aqui apresentados.



Informe do Copernicus Climate Change Service, com tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/11/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 08/11/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/11/08/emergencia-climatica-em-todo-o-mundo-outubro-foi-069gradcelsius-mais-quente-que-o-outubro-medio-de-1981-2010/

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Cientistas alertam para a urgência em declarar emergência climática

O consenso científico sobre a ameaça da mudança climática está bem estabelecido, remontando a 40 anos da Primeira Conferência Mundial do Clima, realizada em Genebra em 1979. Nas décadas seguintes, participantes de assembleias semelhantes mencionaram a crescente ameaça de uma mudança climática e governos advertidos e outros órgãos de formulação de políticas para agir.

American Institute of Biological Sciences*

Escrevendo em BioScience , membros de uma coalizão mundial de cientistas argumentam que poucas ações foram tomadas. Citando o persistente fracasso da humanidade em reduzir as emissões de gases de efeito estufa, bem como a obrigação moral dos cientistas de “alertar claramente a humanidade sobre qualquer ameaça catastrófica”, um grupo liderado por William J. Ripple e Christopher Wolf, ambos da Oregon State University, assinou o “Aviso dos cientistas mundiais de uma emergência climática”, publicado ontem (5) na revista BioScience .

Com foco em ações futuras para reduzir os danos relacionados às mudanças climáticas, o artigo descreve indicadores gráficos, que eles descrevem como “sinais vitais”, relacionados às mudanças climáticas e áreas que exigem ação global imediata.

Os autores explicam que, embora alguns indicadores relacionados às atividades humanas sejam amplamente positivos – como taxas de natalidade em declínio e aumento da utilização de combustíveis renováveis – a maioria não é. Em vez disso, eles apontam para “sinais profundamente perturbadores das atividades humanas”, como o aumento da população de gado, perda global de cobertura de árvores, maiores emissões de dióxido de carbono e assim por diante. Os autores esperam que esses “sinais vitais” possam ser usados pelos formuladores de políticas, pelo setor privado e pelo público para “entender a magnitude dessa crise, acompanhar o progresso e realinhar as prioridades para aliviar as mudanças climáticas”.

A consecução de tais objetivos exigirá “grandes transformações na maneira como nossa sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais”, dizem os autores, e eles se concentram em seis objetivos principais: reforma do setor de energia, redução de poluentes de curta duração, restauração de ecossistemas, sistema alimentar otimização, o estabelecimento de uma economia livre de carbono e uma população humana estável.

Apesar das grandes preocupações e do trabalho significativo por vir, Ripple e colegas veem algum espaço para otimismo: “Somos encorajados por uma recente onda de preocupação. Órgãos governamentais estão fazendo declarações de emergência climática. Crianças em idade escolar estão em greve. Os processos de ecocídio estão em andamento nos tribunais. movimentos de cidadãos estão exigindo mudanças e muitos países, estados e províncias, cidades e empresas estão respondendo “. Tal ação rápida, dizem os autores, é nossa melhor esperança de “sustentar a vida no planeta Terra, nosso único lar”.




Referência:

William J Ripple, Christopher Wolf, Thomas M Newsome, Phoebe Barnard, William R Moomaw, World Scientists’ Warning of a Climate Emergency, BioScience, , biz088, https://doi.org/10.1093/biosci/biz088

* Edição e tradução de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/11/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 06/11/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/11/06/cientistas-alertam-para-a-urgencia-em-declarar-emergencia-climatica/

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Emergência Climática – O mundo não está preparado para o impacto da crise climática na água doce




Emergência Climática – O planeta enfrenta ondas mais frequentes de inundações, secas e conflitos políticos devido aos efeitos da crise climática no abastecimento de água doce e está “muito mal preparado” para se adaptar a esses riscos, afirmam os especialistas.

A reportagem é de Emma Farge e Cecile Montovani, publicada por Público, 29-10-2019. A tradução é do Cepat.

IHU

O abastecimento de água de montanha, que fornece cerca de metade da água potável do mundo, está se tornando imprevisível, à medida que o aumento da temperatura média derrete as geleiras, alterando por sua vez os padrões pluviais e os níveis dos rios.

Em algumas áreas, como nos Alpes, o excesso de água das geleiras causou inundações repentinas, ao passo que a diminuição da cobertura de neve na Cordilheira dos Andes causou secas severas em países como o Chile.

Os cientistas se reuniram esta semana para uma Cúpula da Alta Montanha na Organização Meteorológica Mundial (OMM), em Genebra, pedindo uma melhor cooperação entre governos, pesquisadores e agências espaciais.

“Lamentavelmente, estamos mal preparados. Nossa infraestrutura foi construída nos séculos XIX e XX nas montanhas e rio abaixo e não temos mais esse clima”, disse John Pomeroy, professor da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, que copreside o evento.

A Suíça, o país anfitrião, estima que os danos causados pelas mudanças climáticas em sua infraestrutura, incluindo ferrovias, podem custar 1 bilhão de francos suíços (cerca de 1 bilhão de dólares) por ano. Mas, é improvável que outros países – que são muito mais pobres e experimentam desafios semelhantes – tenham fundos nessa escala para resolver problemas.

“Existem enormes lacunas, não apenas na forma como foi projetada nossa infraestrutura, mas também na infraestrutura que temos para monitorar a mudança (dos padrões climáticos)”, disse Carolina Adler, diretora executiva da Iniciativa de Pesquisa de Montanha, na Universidade de Berna, também copresidente do evento.

Para enfrentar os efeitos da crise climática na infraestrutura ligada ao abastecimento de água, seria necessário redesenhar as barragens e revisar os sistemas de irrigação, acrescentou Pomeroy.

Diferentemente dos dados meteorológicos, que os Estados-membro da ONU compartilham voluntariamente com a OMM, há décadas, a coleta de dados sobre recursos hídricos está em falta.

Um desafio será persuadir os governos a se comprometerem a compartilhar mais informações sobre hidrologia. Uma responsável descreveu o assunto como “muito delicado”, enquanto alguns países o consideram uma questão de segurança nacional.

Adler disse, no entanto, que é preciso cooperação para evitar tensões, como entre a Índia e o Paquistão, sobre o fornecimento de água, depois que Nova Délhi liberou água de uma represa agosto, e para evitar conflitos.

(EcoDebate, 01/11/2019) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 01/11/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/11/01/emergencia-climatica-o-mundo-nao-esta-preparado-para-o-impacto-da-crise-climatica-na-agua-doce/

Emergência Climática – Cientistas alertam para novas ameaças à saúde causadas pelo aquecimento global


Imagem: FAO


Pesquisadores da Universidade Monash estão alertando que o aquecimento global provavelmente aumentará as doenças causadas pela desnutrição, devido aos efeitos da exposição ao calor.

Monash University*

Embora esteja bem documentado que o aquecimento global resultará indiretamente em mais pessoas subnutridas devido à produção agrícola ameaçada e ao aumento da insegurança alimentar, este primeiro estudo mundial analisou a ligação entre a exposição ao calor e o aumento da doença de subnutrição.

Os pesquisadores, liderados por Yuming Guo , Professor Associado de Epidemiologia Ambiental e Bioestatística da Escola de Saúde Pública e Medicina Preventiva, analisaram dados de hospitalizações diárias cobrindo quase 80% do Brasil entre 2000 e 2015.

Eles estudaram a ligação entre temperaturas médias diárias e hospitalização por desnutrição, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças.

Os pesquisadores descobriram que, para cada aumento de 1 ° C na temperatura média diária durante a estação quente, havia um aumento de 2,5% no número de hospitalizações por desnutrição.

“A associação entre aumento de calor e hospitalização por desnutrição foi maior para indivíduos com mais de 80 anos e entre 5 e 19 anos”, descobriram os pesquisadores.

“Estimamos que 15,6% das hospitalizações por desnutrição possam ser atribuídas à exposição ao calor durante o período do estudo”.

O estudo diz que o aumento do calor pode causar doenças por desnutrição de várias maneiras:
Reduzindo apetite
Provocando mais consumo de álcool
Reduzindo a motivação ou capacidade de fazer compras e cozinhar
Exacerbar qualquer desnutrição, resultando em hospitalização
Piorar a digestão e absorção já prejudicadas de uma pessoa, aumentando a morbidade gastrointestinal
Prejudique a termorregulação.

O estudo, publicado na revista PLOS Medicine (30 de outubro AEDT), destaca o crescente problema de desnutrição como resultado do aquecimento global.

“A mudança climática é uma das maiores ameaças à redução da fome e da desnutrição, especialmente nos países de baixa e média renda. Estima-se que a mudança climática reduzirá a disponibilidade global de alimentos em 3,2% e, portanto, causará cerca de 30.000 mortes relacionadas ao baixo peso até 2050 ”, diz o relatório.

“No entanto, isso pode realmente subestimar o efeito real das mudanças climáticas na futura morbimortalidade relacionada à desnutrição, porque negligencia os efeitos diretos e a curto prazo do aumento da temperatura.

“Estimamos que mais de 15% das hospitalizações por desnutrição poderiam ter sido atribuídas à exposição ao calor no Brasil durante o período do estudo.

“É plausível especular que as mudanças climáticas possam não apenas aumentar a taxa de desnutrição nas áreas mais afetadas do mundo, mas, ao mesmo tempo, prejudicar a capacidade dos indivíduos de se adaptarem aos aumentos projetados de temperatura.

“As estratégias globais que abordam a sindemia das mudanças climáticas e da desnutrição devem se concentrar nos sistemas alimentares, mas também na prevenção da exposição ao calor”.

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/11/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 01/11/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/11/01/emergencia-climatica-cientistas-alertam-para-novas-ameacas-a-saude-causadas-pelo-aquecimento-global/

Emergência Climática – Pesquisadores projetam que o clima em várias regiões do Ártico pode mudar abruptamente


Imagem: WMO


Pesquisadores da Universidade McGill projetam que, à medida que o permafrost continua se degradando, o clima em várias regiões do Ártico pode potencialmente mudar abruptamente, em um futuro relativamente próximo.

McGill University*

A pesquisa, publicada na revista Nature Climate Change , também sugere que, à medida que o permafrost se degrada, a gravidade dos incêndios florestais dobrará de um ano para o próximo e permanecerá na nova e mais alta taxa de regiões nos Territórios do Noroeste e no Yukon.

“Estudamos as interações da infraestrutura de engenharia climática (por exemplo, estradas, portos, prédios, tubulações e infraestrutura de mineração) em um clima em mudança. A infraestrutura do Ártico é particularmente afetada pela degradação do permafrost e alterações de umidade do solo associadas, entre outros fatores ”, disse Laxmi Sushama .

Sushama é professora do Departamento de Engenharia Civil de McGill e presidente da Trottier em Sustentabilidade em Engenharia e Design. “Quando começamos a analisar mais de perto as simulações de modelos climáticos para a região do Ártico, notamos mudanças bruscas na umidade do solo, bem como aumentos bruscos de chuvas intensas, com um provável aumento de raios e incêndios florestais”.
Descoberta de mudanças climáticas

Pesquisas anteriores no campo tendiam a projetar uma degradação gradual do permafrost, com poucos efeitos diretos no clima. Normalmente, os pesquisadores modelam as mudanças climáticas olhando para trás e para a frente em blocos de 20 a 30 anos, facilitando a perda das mudanças bruscas que estão ocorrendo. Os pesquisadores da McGill analisaram os efeitos das mudanças no permafrost em um nível completamente diferente.

“Não há muita modelagem climática de alta resolução feita no Ártico. Nossos experimentos iniciais com modelos climáticos com resolução de 50 km nos permitiram extrair informações críticas sobre mudanças climáticas ”, afirma Bernardo Teufel , o primeiro autor do artigo, que atualmente está trabalhando em sua pesquisa de doutorado na McGill. “Usamos dados do modelo climático no período 1970-2100 para entender as mudanças prováveis no clima do Ártico e no permafrost. O que descobrimos foi uma imagem de mudanças alarmantes no clima, impulsionadas pela degradação do permafrost. ”

Os pesquisadores estão atualmente trabalhando em simulações de resolução muito alta dos prováveis efeitos das mudanças climáticas nas interações permafrost e infraestrutura climática. Eles esperam que isso também forneça uma melhor compreensão dos vários processos de feedback das mudanças climáticas no Ártico para outras pessoas que trabalham no campo e para as partes interessadas e engenheiros

Referência:

Abrupt changes across the Arctic permafrost region endanger northern development,” by B. Teufel and L. Sushama in Nature Climate Change
https://doi.org/10.1038/s41558-019-0614-6


* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/10/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 31/10/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/11/01/emergencia-climatica-pesquisadores-projetam-que-o-clima-em-varias-regioes-do-artico-pode-mudar-abruptamente/