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terça-feira, 24 de agosto de 2021

Mudança climática tornou chuva extrema mais provável em toda a Europa Ocidental


Foto: Daniel Pavlinovic / WMO

Mudança climática tornou chuva extrema mais provável em toda a Europa Ocidental
As chuvas extremas que caíram sobre Alemanha, Bélgica, Holanda e Luxemburgo de 12 a 15 de julho deste ano se tornaram de 1,2 a 9 vezes mais prováveis de ocorrer em qualquer área da Europa Ocidental devido às mudanças climáticas.

A conclusão é de um novo estudo rápido de atribuição do grupo World Weather Attribution*, divulgado nesta terça-feira (24) na Europa. A equipe internacional com 39 cientistas climáticos também constatou que as chuvas na região são agora entre 3-19% mais fortes devido ao aquecimento causado pelo homem.

Por Cínthia Leone, Instituto ClimaInfo

Os resultados reforçam as conclusões do relatório recém-divulgado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que afirmou que agora há provas inequívocas de que os seres humanos estão aquecendo o clima do planeta e que a mudança climática causada pelo homem é o principal motor por trás das mudanças nos eventos extremos. O relatório concluiu que, à medida que as temperaturas aumentam, a Europa Ocidental e Central estará exposta a chuvas extremas e enchentes cada vez maiores.

“Este evento mostra claramente como as sociedades não são resilientes aos extremos climáticos atuais”, avalia Hayley Fowler, professor da Universidade de Newcastle. “Devemos reduzir as emissões de gases de efeito estufa o mais rápido possível, bem como melhorar os sistemas de alerta e gestão de emergência e tornar nossa infraestrutura ‘resistente ao clima’.”

Para Friederike Otto, Diretor Associado do Instituto de Mudanças Ambientais da Universidade de Oxford, as inundações mostraram que mesmo os países desenvolvidos não estão a salvo. “Este é um desafio global urgente e precisamos nos apressar a enfrentá-lo. A ciência é clara e tem sido assim há anos”.

“Os enormes custos humanos e econômicos dessas enchentes são um lembrete forte de que os países ao redor do mundo precisam se preparar e reduzir as emissões de gases de efeito estufa antes que tais eventos fiquem ainda mais fora de controle”, diz Maarten van Aalst, diretor do Centro Climático da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho, além de professor da Universidade de Twente.

Mais emissões, mais eventos extremos

Em um único dia, mais de 90 mm de chuvas caíram na região dos rios Ahr e Erft na Alemanha, muito mais do que os registros anteriores. As enchentes mataram pelo menos 220 pessoas na Bélgica e na Alemanha.

Os cientistas analisaram registros meteorológicos e simulações computadorizadas para comparar o clima de hoje (cerca de 1,2°C mais quente desde o final do século XIX) com o clima do passado. Inicialmente, o estudo se concentrou em duas áreas particularmente afetadas: a região Ahr e Erft da Alemanha, onde, em média, 93 mm caíram em um dia, e a região Meuse belga, onde 106 mm caíram em dois dias. Os cientistas analisaram a precipitação em vez dos níveis do rio porque algumas estações de medição foram destruídas pelas enchentes

Os pesquisadores encontraram uma grande variabilidade anual nestes padrões de precipitação muito locais. Por isso, a equipe calculou a influência da mudança climática em uma região mais ampla: qualquer lugar em uma área maior da Europa Ocidental, incluindo o leste da França, oeste da Alemanha, leste da Bélgica, Holanda, Luxemburgo e norte da Suíça.

“É difícil analisar a influência da mudança climática nas chuvas fortes em níveis muito locais, mas pudemos mostrar que, na Europa Ocidental, as emissões de gases de efeito estufa tornaram eventos como estes mais prováveis”, disse Sjoukje Philip, pesquisadora climática do Instituto Real Holandês de Meteorologia (KNMI).

“As autoridades locais e nacionais da Europa Ocidental precisam estar cientes dos riscos crescentes de precipitação extrema para estarem mais bem preparadas para potenciais eventos futuros”, afirma Frank Kreienkamp, Chefe do Escritório Regional de Clima do serviço meteorológico alemão.

Referência:

Rapid attribution of heavy rainfall events leading to the severe flooding in Western Europe during July 2021, pdf (54 pages, 2.6 MB)

* World Weather Attribution (WWA) é uma colaboração internacional que analisa e comunica a possível influência da mudança climática em eventos climáticos extremos, tais como tempestades, chuvas extremas, ondas de calor, períodos de frio e secas. Mais de 400 estudos examinaram se a mudança climática tornou mais prováveis determinados eventos climáticos.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/08/2021






Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 23/08/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/08/23/mudanca-climatica-tornou-chuva-extrema-mais-provavel-em-toda-a-europa-ocidental/

segunda-feira, 2 de julho de 2018

A Europa Ocidental tem maioria de cristãos não praticantes, artigo de José Eustáquio Diniz Alves



A maioria da população da Europa Ocidental se considera cristã (católica ou evangélica), mas os cristãos não praticantes são ampla maioria no continente. Na média, os cristãos praticantes são 18%, já os cristãos não praticantes são 46%, os sem religião (unaffiliated) 24% e outras religiões apenas 5%, conforme mostra o gráfico acima.

A pesquisa “Being Christian in Western Europe” do Instituto PEW (29/05/2018) mostra que os cristãos não praticantes (definidos como pessoas que se identificam como cristãos, mas frequentam os cultos da igreja não mais do que algumas vezes por ano) compõem a maior parcela da população em todos os países da Europa Ocidental, exceto na Itália (onde há empate em praticantes e não praticantes).

Os cristãos que frequentam a igreja (aqueles que frequentam os serviços religiosos pelo menos uma vez por mês) são 40% na Itália, 35% em Portugal, 34% na Irlanda, 28% na Áustria e 27% na Suíça. Em todos os outros países os cristãos que frequentam a igreja são menos de 25% da população. Na Suécia e na Finlândia, por exemplo, são somente 9%.

Os cristãos não praticantes são 68% na Finlândia, 55% no Reino Unido e na Dinamarca, 52% na Áustria e entre 40 e 49% na maioria dos países. No Reino Unido, por exemplo, há aproximadamente três vezes mais cristãos não praticantes (55%) do que cristãos que frequentam a igreja (18%). A menor percentagem de cristãos não praticantes está na Holanda (27%) e na Noruega (38%), porém, nestes dois países, o que prevalece são as pessoas que se declaram sem religião, sendo 48% na Holanda e 43% na Noruega.

Outros países com alta percentagem de pessoas sem religião são Suécia (42%), Bélgica (38%) e Dinamarca e Espanha com 30%. Os países com menor percentual de pessoas sem religião são Irlanda, Itália e Portugal, todos com 15%. Na média, os sem religião são 24% na Europa Ocidental.

O mapa abaixo mostra o percentual da população que se declara cristã (praticantes ou não praticantes). Os maiores percentuais estão em Portugal (83%), Itália, Irlanda e Áustria, com 80%, Finlândia (77%), Suíça (75%), Reino Unido (73%), Alemanha (71%) e Espanha com 66%. A Holanda, com somente 41%, é o país com menor percentagem de cristãos do continente.




O gráfico abaixo mostra que 91% das pessoas da Europa Ocidental foram batizadas como cristãos, mas 81% cresceram como cristãos e 71% se consideram correntemente cristãos, mas somente 22% frequentam pelo menos uma vez por mês os serviços religiosos. Existe uma tendência de os jovens se envolverem menos com as atividades religiosas.





O estudo do Pew Research Center, envolveu mais de 24.000 entrevistas por telefone com adultos selecionados aleatoriamente, reconheceu que a identidade cristã continua a ser um marco significativo na Europa Ocidental, mesmo entre aqueles que raramente vão à igreja. Não é apenas uma identidade “nominal” desprovida de importância prática. Pelo contrário, as visões religiosas, políticas e culturais dos cristãos não praticantes muitas vezes diferem das dos cristãos que frequentam a igreja e adultos religiosamente não filiados.

Por exemplo, embora muitos cristãos não praticantes digam que não acreditam em Deus “como descrito na Bíblia”, eles tendem a acreditar em algum outro poder superior ou força espiritual. Em contraste, a maioria dos cristãos que frequentam a igreja diz acreditar na representação bíblica de Deus. E uma clara maioria de adultos religiosamente não filiados (sem religião) não acredita em nenhum tipo de poder superior ou força espiritual no universo.

Outro exemplo, a grande maioria dos cristãos não praticantes, como a grande maioria dos sem religião (não-afiliados) da Europa Ocidental, são favoráveis ao aborto legal e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os cristãos que frequentam a Igreja são mais conservadores nessas questões, embora, mesmo entre cristãos que frequentam a igreja, haja apoio substancial – e em vários países, apoio majoritário – para o aborto legal e o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Estes dados ajudam a entender porque houve uma vitória do “sim”, por larga maioria vitória no referendo sobre a legalização do aborto na Irlanda. A maioria dos irlandeses optou pela legalização do aborto no país de forte tradição católica e que conta com uma das legislações mais rígidas da Europa sobre a questão. O objetivo do referendo foi perguntar aos eleitores se eles concordam ou não em revogar a antiga legislação, conhecida como 8ª Emenda. Ela determina que o direito à vida do feto é igual ao direito à vida da mãe. Com a revogação, o Parlamento passa a poder legislar sobre o assunto. Caso isso ocorra, a nova legislação permitiria o direito aborto até 12 semanas, por decisão da mulher e com autorização médica.

Portanto, cerca de dois terços dos europeus ocidentais se consideram cristãos, mas são cristão mais abertos para a ciência e para uma maior tolerância com comportamentos sociais e reprodutivos diferentes daqueles defendidos pelo dogma religioso.

Referência:
PEW. Being Christian in Western Europe, PEW, 29/05/2018
http://www.pewforum.org/2018/05/29/being-christian-in-western-europe/


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/07/2018



Autor: José Eustáquio Diniz Alves
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 02/07/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/07/02/a-europa-ocidental-tem-maioria-de-cristaos-nao-praticantes-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/