Mostrando postagens com marcador Projeto Albatroz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Projeto Albatroz. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Projeto Albatroz lança guia de identificação de aves marinhas gratuito para pescadores



Material permite reconhecer albatrozes, petréis e outras aves marinhas que interagem com a pesca de acordo com suas características mais marcantes


As aves marinhas são o grupo de aves mais ameaçadas de extinção no planeta: cerca de 110 (30%) das 359 espécies reconhecidas estão ameaçadas em algum nível e outras 69 (11%) estão classificadas como 'quase ameaçadas'. Essas aves passam a maior parte da vida no oceano aberto voando e buscando alimento, e muitas retornam à terra firme somente para reprodução. Para apoiar os pescadores na identificação das aves marinhas, o Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras, lançou o ‘Guia de Albatrozes e Petréis para Pescadores’, que pode ser baixado gratuitamente neste link.


Dentro e fora do Brasil, este grupo de aves enfrenta diversas fontes de impactos negativos em suas populações, tanto em terra, em suas colônias, como destruição de habitat e introdução de espécies exóticas invasoras, quanto no mar, onde destacam-se a poluição por materiais plásticos e a captura incidental pela pesca.


Na pesca, muitas dessas aves acabam morrendo ao tentar fisgar as iscas lançadas ao mar junto com os anzóis: seus bicos são perfurados pelos petrechos de pesca e o peso das linhas arrastam as aves para o fundo do mar. As aves marinhas não são espécies-alvo das pescarias e não possuem qualquer valor comercial, o que torna essa situação desvantajosa tanto para os pescadores quanto para a biodiversidade marinha.


Albatrozes e petréis

Existem no mundo 22 espécies de albatrozes, sendo que metade delas sobrevoam águas brasileiras ou interagem com a pesca nacional. Os petréis, por sua vez, são classificados em 107 espécies, das quais pelo menos 35 ocorrem no Brasil - duas delas se reproduzem em ilhas em nosso território: a Grazina-de-Trindade (Pterodroma arminjoniana) e a Pardela-de-asa-larga (Puffinus lherminieri).


Com mais de dez anos de experiência na educação ambiental com pescadores e desenvolvimento de pesquisas científicas voltadas à conservação desse grupo de aves, o coordenador científico do Projeto Albatroz, Caio Azevedo Marques, destaca a importância de conhecer os albatrozes e os petréis para protegê-los. “Assim como outras aves marinhas, os albatrozes e petréis são companheiros dos pescadores em suas viagens, ajudando-os a encontrar áreas com grandes cardumes e os encantando com sua beleza extraordinária”, explica. “Nosso guia pode ser uma ferramenta útil na hora de identificar esses animais e reportar eventuais avistamentos e mortes por afogamento aos pesquisadores”.


Desde sua fundação em 1990, o Projeto Albatroz se dedica à educação ambiental dos trabalhadores da pesca e também ao desenvolvimento de medidas simples para a diminuição significativa das capturas incidentais: o toriline (linha espanta pássaros que atua como um espantalho, protegendo as iscas), a largada noturna dos anzóis (período em que os albatrozes raramente se alimentam) e o uso de um regime de peso que faz com que os anzóis afundem mais rapidamente para que as aves não os alcancem.


Como utilizar o guia

Desenvolvido como um folheto que pode ser carregado a bordo das embarcações ou baixado em formato PDF para leitura, o ‘Guia de Albatrozes e Petréis para Pescadores’ traz informações úteis sobre as aves marinhas, as ameaças a que estão submetidas e uma seção especial com fotos e características que ajudam pescadores e demais interessados a identificarem esses animais a partir da observação.


Além de imagens de corpo inteiro da ave em pleno voo ou na superfície da água, o guia também traz cortes específicos de áreas como fronte e bico, que possuem importância na hora de definir a espécie do animal.


No total, são apresentadas 15 espécies, entre albatrozes e petréis, com detalhes como tamanho, medidas de bico e corpo, que podem facilitar a identificação utilizando o material informativo. Ao lado dos nomes das espécies, há também os nomes científicos e os seus atuais status de conservação conforme a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN na sigla em inglês).


Além disso, o guia também reúne outras espécies que interagem no mesmo ambiente e podem ser confundidas com albatrozes e petréis, como: gaivotão (Larus dominicanus), fragata (Fregata magnificens), atobá-mascarado (Sula dactylatra), trinta-réis (Sterna sp.), entre outros.


Sobre o Projeto Albatroz

Reduzir a captura incidental de albatrozes e petréis é a principal missão do Projeto Albatroz, que tem o patrocínio da Petrobras. O Projeto é coordenado pelo Instituto Albatroz – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que trabalha em parceria com o Poder Público, empresas pesqueiras e pescadores.


A principal linha de ação do Projeto, nascido no ano de 1990, em Santos (SP), é o desenvolvimento de pesquisas para subsidiar Políticas Públicas e a promoção de ações de Educação Ambiental junto aos pescadores, jovens e às escolas. O resultado deste esforço tem se traduzido na formulação de medidas que protegem as aves, na sensibilização da sociedade quanto à importância da existência dos albatrozes e petréis para o equilíbrio do meio ambiente marinho e no apoio dos pescadores ao uso de medidas para reduzir a captura dessas aves no Brasil.


Atualmente, o Projeto Albatroz mantém bases de atuação em seis estados brasileiros.


Mais informações: www.projetoalbatroz.org.br


Informações à imprensa

Cel: +55 13 99665-5439

E-mail: comunicacao@projetoalbatroz.org.br




Autor: Projeto Albatroz
Fonte: Projeto Albatroz
Sítio Online da Publicação: Projeto Albatroz
Data: 18/11/2022
Publicação Original: www.projetoalbatroz.org.br


sábado, 16 de outubro de 2021

Albatrozes-gigantes frequentam o Brasil durante todo o ano, revela estudo do Projeto Albatroz

As águas brasileiras abrigam cerca de 40 espécies de aves da ordem dos Procellariiformes, número que representa um terço da diversidade global do grupo, e mais de dois terços da diversidade no oceano Atlântico. Pesquisadores do Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras, realizaram uma pesquisa com contagens de aves feitas em mais de 900 lances de pesca feitos nas regiões Sul e Sudeste do Brasil entre os anos de 2002 e 2017, revelando a presença destas quatro espécies durante todo o ano na costa brasileira. O estudo foi o primeiro a verificar a distribuição espacial e sazonal das diferentes espécies de albatrozes-gigantes associados a embarcações da frota nacional de espinhel pelágico.

Os albatrozes são espécies oceânicas subantárticas, ou seja, são aves que passam a maior parte da vida sobre o oceano e retornam às ilhas localizadas no Atlântico Sul e Nova Zelândia, a cada um ou dois anos, apenas para se reproduzir. Das 40 espécies de aves procellariformes, o Projeto Albatroz pesquisou quatro das seis espécies do gênero Diomedea, chamadas de albatrozes-gigantes: albatroz-viageiro (D. exulans), albatroz-real-do-sul (D. epomophora), albatroz-real-do-norte (D. sanfordi) e o albatroz-de-Tristão (D. dabbenena).



Devido a fatores como poluição por microplástico, mudanças climáticas, introdução de espécies exóticas em seu habitat e especialmente a captura incidental pela pesca de espinhel, estas aves estão ameaçadas de extinção em diferentes níveis. A frota de espinhel pelágico brasileira apresenta uma das maiores taxas de captura de aves marinhas do mundo. Estima-se que a pesca de espinhel globalmente seja responsável pela morte de até 320 mil aves marinhas anualmente e, destas, até 14 mil podem ocorrer em águas brasileiras, sendo 5 mil em pescarias de espinhel pelágico e 9 mil em pescarias de petrecho misto.

A pesquisa ‘Distribuição espaço-temporal de albatrozes-gigantes Diomedea spp. associados a pescarias de espinhel pelágico no sul e sudeste do Brasil’ buscou analisar a distribuição dessas espécies no Brasil e em águas internacionais adjacentes a fim de gerar subsídios para a avaliação de potencial impacto desta modalidade pesqueira na mortalidade das aves e ter mais informações para novas estratégias de conservação.

Distribuição sazonal

Embora os albatrozes sejam avistados próximos à costa brasileira com mais frequência durante o inverno, quando eles migram das águas geladas do Atlântico Sul em busca de alimento e temperaturas mais amenas, a pesquisa revelou que algumas espécies também podem ser encontradas no restante do ano. Dos 912 lances de pesca analisados na amostra da pesquisa, albatrozes-gigantes foram observados nas proximidades de 41,4% deles.

Os registros foram agrupados em quatro categorias, seguindo padrões de bico e plumagem: albatroz-viageiro e albatroz-de-Tristão, de difícil separação a partir de caracteres de plumagens, e distinguíveis apenas por morfometria, foram incluídas em uma categoria única; os albatrozes-reais do sul e do norte foram identificados como categorias separadas, com base em padrões de coloração da plumagem. Por fim, aves em condições que não permitiram ter suas características específicas avaliadas foram incluídas na categoria dos albatrozes-gigantes.

Entre a primavera e o verão, houve registro de albatrozes-gigantes em 35,5% dos 285 lances de pesca amostrados, e no período de outono/inverno, em 44,1% dos 627 lances. Os padrões de frequência de ocorrência por espécie variaram sazonalmente: nos meses quentes, o grupo formado por albatrozes-viageiros e albatrozes-de-Tristão foi o mais frequente (17,5%) nos arredores dos barcos de pesca, seguido pelos indivíduos não identificados em nível de espécie (12,6%), albatroz-real-do-sul (4,2%) e albatroz-real-do-norte (1%).

Já nos meses mais frios, o grupo de espécie não identificada foi o mais frequente no entorno dos barcos de pesca monitorados (18,5%), seguido pelo grupo albatrozes-viageiros e albatrozes-de-Tristão (13%), albatroz-real-do-norte (6,5%) e albatroz-real-do-sul (6,2%).

Interação e monitoramento

De acordo com Gabriel Canani Sampaio, biólogo doutorando em Oceanografia Biológica pela FURG e pesquisador colaborador do Projeto Albatroz em Rio Grande (RS), os dados da pesquisa expandem o conhecimento sobre a utilização da Zona Econômica Exclusiva brasileira, e águas internacionais adjacentes, por essas aves para além dos registros anteriores, especialmente no caso dos albatrozes-reais-do-sul (D. epomophora) e albatrozes-reais-do-sul (D. sanfordi).

“Entender os padrões de distribuição de espécies oceânicas é um desafio em qualquer cenário, seja por censos a bordo ou rastreamento. Fazer isso com espécies menos frequentes, como os albatrozes-reais, requer um esforço temporal e de amostragens extenso, de forma a dar mais robustez aos resultados. Neste trabalho utilizamos o maior banco de dados sobre avistagens dessas aves no Atlântico Sul Ocidental, que é o resultado de mais de 30 anos de parceria entre o Projeto Albatroz e empresas de pesca, que nos levam a bordo para realizarmos nossas pesquisas. Estes resultados são muito importantes, e reforçam que as regiões oceânicas brasileiras são muito importantes para os albatrozes e petréis.”

Outra espécie identificada em águas brasileiras durante todo o ano foi o albatroz-de-Tristão (D. dabbenena), criticamente ameaçada de extinção. Estima-se que a Ilha Gough e a Ilha Inacessível, únicos santuários de reprodução desta espécie no mundo, tenham cerca de 2500 casais reprodutivos. Dentre os resultados da pesquisa, um dos pontos importantes, é o fato de que estas aves estão em nossas águas durante o período de cuidado parental, devido à proximidade de suas colônias, sendo importantes para o sucesso reprodutivo da espécie.

Para Caio Marques, gerente técnico do Projeto Albatroz, o estudo trouxe à tona dados relevantes que somam esforços à conservação em águas brasileiras e internacionais. “Os padrões de frequência de ocorrência e abundância revelados pela pesquisa demonstram a presença de albatrozes-gigantes durante todo o ano, nos ajudando a entender melhor a biodiversidade marinha brasileira e o potencial impacto da frota nacional de espinhel pelágico sobre essas espécies ameaçadas”, afirma. “Estes dados poderão ser compartilhados com pesquisadores dos países vizinhos e servir de subsídio para a criação de políticas públicas que contribuam para a conservação destas espécies em escala global”.


Projeto Albatroz

Reduzir a captura incidental de albatrozes e petréis é a principal missão do Projeto Albatroz, que tem o patrocínio da Petrobras. O Projeto é coordenado pelo Instituto Albatroz - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que trabalha em parceria com o Poder Público, empresas pesqueiras e pescadores.

A principal linha de ação do Projeto, nascido no ano de 1990, em Santos (SP), é o desenvolvimento de pesquisas para subsidiar Políticas Públicas e a promoção de ações de Educação Ambiental junto aos pescadores, jovens e às escolas. O resultado deste esforço tem se traduzido na formulação de medidas que protegem as aves, na sensibilização da sociedade quanto à importância da existência dos albatrozes e petréis para o equilíbrio do meio ambiente marinho e no apoio dos pescadores ao uso de medidas para reduzir a captura dessas aves no Brasil.

Atualmente, o Projeto mantém bases nas cidades de Santos (SP), Itajaí e Florianópolis (SC), Itaipava (ES), Rio Grande (RS), Cabo Frio (RJ) e Natal (RN).

Mais informações: www.projetoalbatroz.org.br







Autor: Projeto Albatroz
Fonte: Projeto Albatroz
Sítio Online da Publicação: Projeto Albatroz
Publicação Original: www.projetoalbatroz.org.br


quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Pesquisa revela que matança intencional e manuseio inadequado de albatrozes em pescarias representam uma preocupante ameaça

Cientistas do Projeto Albatroz contribuíram para o estudo internacional e explicam que a intensificação do trabalho de educação ambiental é a chave para mudar este quadro

A captura incidental de albatrozes e petréis em pescarias de espinhel é uma das principais causas dos declínios populacionais que ameaçam 15 das 22 espécies de albatrozes com a extinção. Apesar dos avanços para a compreensão e mitigação da mortalidade de aves marinhas durante a largada do espinhel, a sobrevivência daquelas capturadas vivas, relacionada aos procedimentos para retirada do anzol, bem como a matança intencional de aves em alto-mar, são ainda pobremente documentadas e pouco compreendidas globalmente. Um estudo recente liderado pelo coordenador científico do Projeto Albatroz, Dr. Dimas Gianuca, com a colaboração de 12 pesquisadores de três países, além do Brasil (Argentina, Uruguai e Reino Unido), lança luz sobre a ocorrência e magnitude destes impactos no Oceano Atlântico.

O estudo, intitulado ‘Intentional killing and extensive aggressive handling of albatrosses and petrels at sea in the southwestern Atlantic Ocean’ (Matança intencional e manuseio agressivo de albatrozes e petréis no Oceano Atlântico Sudoeste), publicado no renomado periódico científico Biological Conservation, apresenta dados coletados por observadores de bordo sobre a matança intencional de albatrozes e petréis por tripulantes de barcos de pesca brasileiros, e uma série de 46 de registros, ao longo de 20 anos, em águas brasileiras, uruguaias e argentinas, de aves com o bico decepado, resultado de procedimentos inadequados de manuseio de aves capturadas vivas.

Durante o recolhimento dos anzóis em pescarias de espinhel ou outras pescarias oceânicas com linha e anzol, as aves acabam fisgadas ao tentar comer as iscas e são trazidas a bordo vivas, e sua sobrevivência depende de procedimentos cuidados para a retirada do anzol, visando tanto a segurança do pescador (evitar bicadas) quanto a integridade da ave.

Em quatro ocasiões diferentes, tripulantes de diversos barcos de pesca de vara e isca viva foram observados agredindo albatrozes e petréis na tentativa de evitar que aves comessem as iscas lançadas ao mar. Foram registradas 16 aves mortas ou feridas em decorrência dessa prática, incluindo quatro espécies (sendo duas globalmente ameaçadas de extinção).


Ameaça extensiva


Por falta de uma coleta de dados padronizada sobre este tipo de ocorrência a bordo dos barcos, os especialistas temem que o número de mortes decorrentes do manejo incorreto das aves seja ainda maior. De acordo com o Dr. Dimas Gianuca, a ocorrência de aves mutiladas ao longo de 20 anos sobre uma vasta extensão geográfica evidenciam que esta prática é recorrente e empregada por diversas embarcações. Ademais, a matança intencional e o manejo agressivo de aves capturadas vivas permanecem em grande parte não documentadas porque quando os observadores estão a bordo, essas práticas provavelmente cessam.


“Há diversos tipos de pescarias de linha e anzol que resultam em captura incidental de aves marinhas vivas. Nestes casos, a sobrevivência dessas aves está, literalmente, nas mãos dos pecadores”, comentou. “Além disso, com a gravidade de algumas lesões, é impossível determinar se os albatrozes e petréis são capazes de continuar vivendo e se alimentando normalmente após o manejo - o que requer pesquisas ainda mais detalhadas sobre o assunto.”


Gianuca explica que apesar de estar claro que estas aves são mutiladas por pescadores durante procedimentos inadequados para retirada do anzol, não é possível afirmar quais pescarias ou frotas são responsáveis por essas ações. Isto porque albatrozes e petréis possuem uma imensa área de vida. Essas aves são capazes de percorrer até 1000 km em um único dia, e interagem com diversas pescarias desde regiões subantárticas até águas subtropicais, incluindo frotas de diversos países em águas internacionais.


Importância para a biodiversidade


Os albatrozes e petréis são aves subantárticas que passam a maior parte da vida em alto-mar, retornando às ilhas de reprodução a cada um ou dois anos para reencontrar seu parceiro e cuidar de um novo filhote até que esteja pronto para voar sozinho. Além de terem uma envergadura que pode ultrapassar os três metros de uma ponta da asa à outra, também são capazes de viver e se reproduzir por mais de 65 anos.


É raro avistá-las perto da costa, pois viajam longas distâncias em busca das melhores áreas para alimentação e reprodução. Algumas delas chegam a voar milhares de quilômetros por dia aproveitando as correntes de vento. Por serem animais de topo de cadeia alimentar, não possuem predadores, e a diminuição da sua população pode representar grandes danos à biodiversidade a longo prazo.

Soluções possíveis


De acordo com o Dr. Dimas Gianuca, ações coordenadas por organismos internacionais e autoridades nacionais são urgentemente necessárias para enfrentar este tipo de ameaça, incluindo o aumento da observação no mar, ações de fiscalização e campanhas visando melhores práticas de manejo entre os pescadores.


Neste sentido, o Projeto Albatroz vem realizando há 30 anos o trabalho de educação ambiental de pescadores diretamente nos portos pesqueiros. “É fundamental intensificarmos os esforços de educação ambiental e capacitação de pescadores para que eles sejam capazes de realizar um manejo adequado das aves caso elas venham a ser capturadas vivas”, reforça a coordenadora geral e fundadora do Projeto Albatroz, Tatiana Neves.


“Estamos nos preparando para produzir materiais informativos para orientar a frota pesqueira nacional e para realizar uma série de encontros e rodas de conversas com os pescadores nos portos do sul e sudeste, onde atuamos neste momento.” Os folders vão ensinar a fazer o manejo adequado das aves principalmente quando elas são capturadas vivas, ensinando a retirar os anzóis de aves capturadas vivas, de forma a aumentar as chances de sobrevivência pós-captura, ao mesmo tempo em que preserva a segurança do pescador.


A instituição também está organizando ações de sensibilização e assessoramento técnico voltados aos pescadores do Sudeste e Sul do Brasil visando a conservação das aves marinhas, utilizando uma metodologia de abordagem barco a barco.


Trabalho em evolução


Desde 2006, o Projeto Albatroz conta com o apoio do Albatross Task Force (ATF), uma força-tarefa internacional de observadores de bordo financiada pela Royal Society for the Protection of Birds (RSPB). Além de conduzirem pesquisas nos navios e coletarem dados da população de aves, eles também trabalham junto dos pescadores para orientá-los sobre o manejo dos animais e medidas mitigadoras da captura incidental.


Entre elas, existe o uso do toriline, que é uma fita colorida que espanta as aves em alto-mar como um espantalho, impedindo que cheguem perto do barco de pesca. A largada noturna dos anzóis também previne a captura, uma vez que as aves não buscam ativamente por alimento durante a noite. Já o regime de peso prevê que os barcos adicionem pequenos pesos à linha de pesca para fazer com que ela afunde mais rapidamente, diminuindo as chances de uma ave alcançar a isca.


Mais recentemente, o Projeto Albatroz está testando o hookpod, um dispositivo que aprisiona a isca dentro de uma cápsula que só é liberada a uma profundidade segura de mais de dez metros de profundidade, quando as aves já não são capazes de alcançá-la. O dispositivo, segundo Tatiana Neves, está se mostrando bastante eficaz nos testes feitos no Brasil.




Projeto Albatroz
Reduzir a captura incidental de albatrozes e petréis é a principal missão do Projeto Albatroz, que tem o patrocínio da Petrobras. O Projeto é coordenado pelo Instituto Albatroz - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que trabalha em parceria com o Poder Público, empresas pesqueiras e pescadores.

A principal linha de ação do Projeto, nascido no ano de 1990, em Santos (SP), é o desenvolvimento de pesquisas para subsidiar Políticas Públicas e a promoção de ações de Educação Ambiental junto aos pescadores, jovens e às escolas. O resultado deste esforço tem se traduzido na formulação de medidas que protegem as aves, na sensibilização da sociedade quanto à importância da existência dos albatrozes e petréis para o equilíbrio do meio ambiente marinho e no apoio dos pescadores ao uso de medidas para reduzir a captura dessas aves no Brasil.

Atualmente, o Projeto mantém bases nas cidades de Santos (SP), Itajaí e Florianópolis (SC), Itaipava (ES), Rio Grande (RS) e Cabo Frio (RJ).

Mais informações: www.projetoalbatroz.org.br







Autor: projetoalbatroz
Fonte: projetoalbatroz
Sítio Online da Publicação: projetoalbatroz
Data: 28/11/20
Publicação Original: https://projetoalbatroz.org.br/

quarta-feira, 4 de março de 2020

Petréis-gigantes podem ser beneficiados pelas mudanças climáticas, afirma pesquisa de coordenador científico do Projeto Albatroz

Efeitos das variações ambientais afetarão machos e fêmeas
da espécie de formas diferentes


(Foto: Dimas Gianuca/Projeto Albatroz)

Com os sucessivos aumentos de temperatura na região Antártica, que registrou, recentemente, seu dia mais quente da história, com 20.7ºC, aves e mamíferos marinhos que vivem e se reproduzem por lá tendem a ser afetados pela diminuição do gelo marinho e da abundância de krill, principal alimento para muitas espécies. Mas nem todas serão impactadas de forma negativa. Pesquisa publicada recentemente pelo coordenador científico do Projeto Albatroz, Dr Dimas Gianuca, no Journal of Animal Ecology, apontou que os petréis-gigantes (Macronectes giganteus) serão beneficiados pelas mudanças climáticas que atingem a região.

O estudo analisou 15 anos de dados sobre a sobrevivência e reprodução dos petréis-gigantes coletados pela British Antarctic Survey na Ilhas Bird, Geórgia do Sul, e Antártica, para investigar como variações climáticas e da intensidade de pesca afetam a vida desta espécie, além de fazer projeções sobre o futuro da população desta ave frente aos prováveis cenários de mudanças ambientais. Esta é a primeira pesquisa sobre o assunto a focar em como variações ambientais e impactos humanos como a pesca afetam machos e fêmeas de uma mesma espécie diferentemente.

Segundo a análise feita por Dr Dimas Gianuca durante o seu doutorado no Reino Unido, orientado pelo Dr. Stephen Votier (University of Exeter) e Dr. Richard Phillips (British Antarctic Survey), e financiado pelo Programa Ciências Sem Fronteiras (CNPq), machos e fêmeas se beneficiarão temporariamente do aquecimento na região antártica, porém, de forma distinta.

Os petréis-gigantes machos, naturalmente maiores e mais pesados, levam vantagem sobre as fêmeas na disputa por alimento em terra firme, como lobos e elefantes marinhos mortos, precisando viajar distâncias menores para encontrar comida. Consequentemente, a abundância de lobos marinhos se reproduzindo nas ilhas favorece a sobrevivência dos machos apenas. Como os machos são mais pesados e precisam de ventos mais fortes para voar, eles se distribuem mais ao sul do que as fêmeas, o que diminui suas chances de captura incidental em pescarias de espinhel pelágico em águas subtropicais.

Já as fêmeas, por outro lado, por serem menores e mais leves, serão beneficiadas por mudanças nos padrões de ventos - já que terão que fazer menos esforço para planar sobre as águas em busca de alimento. Além disso, temperaturas mais altas significam menos gelo sobre a superfície do mar, aumentando a extensão de áreas abertas propícias para encontrar comida em alto-mar, beneficiando as fêmeas. Como as fêmeas se alimentam mais ao norte do que os machos, a captura incidental pelas frotas de espinhel pelágico nessas áreas afeta negativamente a sua sobrevivência.

No entanto, esses benefícios associados a condições ambientais mais quentes são temporários. Uma vez que as mudanças climáticas sejam agravadas a ponto de gerar profundas alterações no ecossistema, o colapso previsto nas populações de krill desencadeará uma reação em cadeia que comprometerá a sobrevivência das espécies de mamíferos e aves marinhas que dependem do ecossistema antártico, incluindo os petréis-gigantes. A pesquisa faz outro alerta: caso a pesca de espinhel se intensifique no Atlântico sul, poderá haver um aumento na mortalidade das fêmeas, ameaçando essas aves.

“É muito difícil, mas muito importante, analisar como os diferentes sexos de uma mesma espécie responderão às mudanças climáticas, especialmente as espécies com grande dimorfismo sexual, como é o caso dos petréis-gigantes”, afirma o coordenador científico do Projeto Albatroz, patrocinado pela Petrobras.

Segundo os pesquisadores, os efeitos populacionais das alterações climáticas e dos impactos humanos podem ser subestimados se as respostas específicas de cada sexo não forem levadas em consideração.

O Projeto Albatroz, de acordo com as recomendações oficiais do Acordo Internacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis (ACAP), sugere três tipos de medidas mitigadoras da captura incidental na pesca de espinhel brasileira: a largada noturna, período em que as aves são menos ativas; regime de peso, que faz com que os anzóis afundem mais rápido, impedindo as aves de fisgá-los; e o toriline, constituído de fitas coloridas que balançam com o vento em alto-mar, assustando albatrozes e petréis.

Intitulada “Sex‐specific effects of fisheries and climate on the demography of sexually dimorphic seabirds”, a pesquisa é de autoria do Dr Dimas Gianuca com colaboração de outros 11 cientistas. O resumo do estudo (em inglês) pode ser acessado neste link.

Projeto Albatroz
Reduzir a captura incidental de albatrozes e petréis é a principal missão do Projeto Albatroz, que tem o patrocínio da Petrobras. O Projeto é coordenado pelo Instituto Albatroz - Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que trabalha em parceria com o Poder Público, empresas pesqueiras e pescadores.

A principal linha de ação do Projeto, nascido no ano de 1990, em Santos (SP), é o desenvolvimento de pesquisas para subsidiar Políticas Públicas e a promoção de ações de Educação Ambiental junto aos pescadores, jovens e às escolas. O resultado deste esforço tem se traduzido na formulação de medidas que protegem as aves, na sensibilização da sociedade quanto à importância da existência dos albatrozes e petréis para o equilíbrio do meio ambiente marinho e no apoio dos pescadores ao uso de medidas para reduzir a captura dessas aves no Brasil.

Atualmente, o Projeto mantém bases nas cidades de Santos (SP), Itajaí e Florianópolis (SC), Itaipava (ES), Rio Grande (RS) e Cabo Frio (RJ).

Mais informações: www.projetoalbatroz.org.br



Autor: projetoalbatroz
Fonte: projetoalbatroz
Sítio Online da Publicação: projetoalbatroz
Data: 28/02/2020
Publicação Original: www.projetoalbatroz.org.br