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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Dia Mundial da Prevenção à Síndrome Alcoólica Fetal: o que a exposição ao álcool na gravidez gera?

A síndrome alcoólica fetal (SAF) é atribuída à ingestão de álcool na gestação. Infelizmente, essa síndrome é a maior causadora de retardo mental prevenível.

Há diferentes graus e intensidade desse espectro chamado de FASD (em inglês, Fetal Alcohol Spectrum Disorders),cujas consequências vão desde alterações mais sutis até o transtorno mais grave congênitos e de neurodesenvolvimento, a SAF.

Estima-se, que no Brasil, 33% das gestantes ingerem alguma dose de álcool na gravidez. Além disso, acredita-se que 120 mil recém-nascidos (RN) anualmente nascem com síndrome alcoólica fetal. Para evitá-la, basta não ingerir qualquer tipo ou quantidade de bebida alcoólica durante a gravidez, ou interromper seu uso imediatamente assim que houver suspeição de gestação. Sabe-se que, em qualquer fase da gestação, o álcool é fator de risco, e não se conhece uma ingestão segura dessa substância.

A recomendação é ingestão zero de álcool, pois mesmo uma baixa quantidade ingerida é capaz de levar a aborto, prematuridade, baixo peso ao nascer e asfixia perinatal.

Devido a alta prevalência mundial (6 a 9 casos por 1000 nascidos vivos), todos os anos a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) faz campanha de alerta sobre os riscos do consumo de álcool na gravidez, com o objetivo de informar a população sobre o tema que permanece desconhecido por muitos.




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Estudos sobre a síndrome alcoólica fetal

Vários estudos já comprovam que o álcool é capaz de atravessar a barreira transplacentária e que a concentração deste no sangue fetal é equivalente à concentração no sangue materno (1 a 2h após ingestão). Porém, o organismo fetal não é capaz de metabolizar essa substância, levando a múltiplas malformações, principalmente no sistema nervoso central, confirmando que o álcool é um agente teratogênico.

A gravidade das manifestações clínicas depende de fatores como: quantidade, frequência, período da exposição fetal e outros fatores individuais maternos, genéticos e ambientais.

Em 2018, o tema ficou ainda mais relevante quando uma revista científica inglesa chamada Cerebral Cortex publicou um artigo chamado: “Prenatal Ethanol Exposure and Neocortical Development: a transgenerational model of FASD” demonstrando, em modelos experimentais, que a exposição pré-natal ao álcool pode gerar modificações epigenéticas específicas por 3 gerações, podendo levar a diminuição do peso cerebral e corporal, defeito na expressão do RNA e desenvolvimento anormal de conexões cerebrais, além de aumentar as chances de ansiedade, depressão e alteração na coordenação motora.

Considerações

Os danos, infelizmente, são irreversíveis e de difícil manejo, que é baseado em reabilitação, educação especial, equipe multidisciplinar e tratamento para controle do déficit de atenção e hiperatividade.

Infelizmente, não há cura para essa doença, por isso a única recomendação é a prevenção.

Autora:



Larissa Pires Marquite da Silva


Graduada em Medicina pela UNIGRANRIO ⦁ Residência Médica em Pediatria pelo Hospital Geral de Nova Iguaçu ⦁ Título de Especialista em Neonatologia pela Sociedade Brasileira de Pediatria ⦁ Pós-Graduação em Medicina Intensiva Pediátrica e Neonatal pela Faculdade Redentor ⦁ Atualmente é Coordenadora do Serviço de Pediatria da Santa Casa de Barra Mansa ⦁ Tem experiência em Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica e Pediatria.


Referências bibliográficas:
ABBOTT, C. W. et al. Prenatal Ethanol Exposure and Neocortical Development: A Transgenerational Model of FASD. Cereb Cortex, v.28, n.8, p.2908-2921, 2018
FLAK, A. L. et al. The association of mild, moderate, and binge prenatal alcohol exposure and child neuropsychological outcomes: a meta-analysis. Alcohol Clin Exp Res, v.38, n.1, p.214-226, 2014
SUNDERMANN, A. C. et al. Week-by-week alcohol consumption in early pregnancy and spontaneous abortion risk: a prospective cohort study. Am J Obstet Gynecol, v.224, n.1, p.97.e1-97.e16, 2021
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. “Fetal alcohol spectrum disorders”. 2018.
NATIONAL INSTITUTE ON ALCOHOL ABUSE AND ALCOHOLISM. Fetal Alcohol Exposure. 2019. Disponível em: https://www.niaaa.nih.gov/sites/default/files/FASD.pdf Acesso em: 14/09/2021
MESQUITA, M. A. Manifestações clínicas e critérios diagnósticos do espectro de desordens fetais alcoólicas. In: SEGRE, C. A. M. (coord). São Paulo: SPSP; 2017



Autor: Larissa Pires Marquite da Silva
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 15/09/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/dia-mundial-da-prevencao-a-sindrome-alcoolica-fetal-o-que-a-exposicao-ao-alcool-na-gravidez-gera/

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Tudo o que você precisa saber sobre a síndrome alcoólica fetal

cerveja sendo colocada em um copo, síndrome alcoólica fetal

No dia 9 de setembro foi comemorado o dia da prevenção da síndrome alcoólica fetal. Por isso, a psiquiatra Paula Hartmann esclareceu sobre o assunto no podcast de hoje. Confira:
Para mais conteúdos como esse, acompanhe nosso canal no Spotify!
Confira também por outros players:
Autor: Clara Barreto
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 01/10/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-a-sindrome-alcoolica-fetal/

quinta-feira, 14 de março de 2019

Síndrome Alcoólica Fetal: os males causados nos filhos pelo consumo de bebidas na gravidez



El hecho de que sus madres biológicas bebieran durante el embarazo provocó síntomas físicos y mentales en Andy y Rachel. — Foto: BBC


Rachel, de 16 anos, parou de crescer há seis anos. Andy tem problemas graves de memória. Ambos sofrem com o transtorno conhecido como Síndrome Alcoólica Fetal, provocado pelo consumo de grandes quantidades de álcool pelas mães durante a gestação.


Andy e Rachel foram adotados pelo casal Sharon e Paul, que também criam outros três filhos adotivos.


Quando pequeno, Andy tinha ataques de pânico em lugares com muita gente. Enfrentava dificuldade para executar atividades cotidianas simples como escovar os dentes.


Tinha problemas para se concentrar. Médicos haviam diagnosticado Andy com síndrome do espectro alcoólico fetal, mas os serviços de assistência social, segundo a mãe adotiva, nunca deram muita importância.


Andy também sofre com problemas físicos provocados pelo consumo de álcool da mãe biológica. A mandíbula inferior se desenvolveu corretamente, mas a superior, não. Aos 17 anos, ele precisou passar por uma cirurgia.


Diagnóstico difícil


Rachel também tem problemas físicos, como dificuldades para movimentar as articulações e percorrer grandes distâncias a pé. A síndrome foi diagnosticada quando ela tinha seis anos. Ela sofre, ainda, com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade.


Não há dados oficiais sobre quantas crianças sofrem com esse tipo de síndrome, porque ela é considerada de difícil diagnóstico. Estudo do Centro de Dependência e Saúde Mental do Canadá estima que 119 mil crianças com Síndrome Alcoólica Fetal nasçam a cada ano no mundo.


Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, estudos apontam que de cada 1 mil nascidos vivos, de dois a sete bebês apresentam sinais do problema.


Entre os sintomas, há danos cerebrais, problemas físicos e no sistema nervoso central, entre outros. As manifestações da síndrome, em sua maioria, não têm cura.


Ainda conforme a Sociedade Brasileira de Pediatria, entre os sintomas mais comuns da Síndrome Alcoólica Fetal estão:


alterações faciais;
atraso no crescimento;
desordens de comportamento e de aprendizado;
comprometimento em diferentes órgãos, aparelhos e sistemas, principalmente no nervoso central.


Há também três alterações faciais relacionadas à Síndrome Alcoólica Fetal, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria. São elas: pálpebras estreitas e pequenas, ausência de filtro nasal e borda vermelha do lábio superior fina. Além disso, também podem ocorrer microcefalia, problemas no fígado, rins, coração, além de déficit de audição e visão.


Abstinência antes e durante gravidez


A prevenção, segundo especialistas, está baseada na abstinência total de consumo de álcool pela mulher grávida e também pela mulher que deseja engravidar.


"É preciso diagnosticar todas as crianças que sofrem [com a síndrome] e ajudá-las para evitar que padeçam de transtornos derivados, como problemas de saúde mental. A Síndrome Alcoólica Fetal causa um dano cerebral permanente, mas também não é uma sentença perpétua. Com ajuda, dá para viver uma vida plena", explica Sharon, a mãe adotiva de Rachel e Andy.


Os dois filhos adotivos de Sharon compartilham sentimentos similares em relações às mães biológicas.


"Eu tenho de lutar todos os dias com alguns sintomas sabendo que eles eram totalmente evitáveis. É muito difícil, mas não sei qual era a situação da minha mãe ou quais eram as circunstâncias da vida dela", diz Andy.



Rachel, por sua vez, reconhece que ter sentimentos controversos em relação à mãe. "Me sinto frustrada e triste, mas tento ser compreensiva porque talvez minha mão biológica não soubesse as consequências do que estava fazendo. De toda forma, tenho de viver cada dia sabendo que sou diferente porque uma pessoa cometeu um erro", afirma.




Autor: BBC
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 14/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/03/14/sindrome-alcoolica-fetal-os-males-causados-nos-filhos-pelo-consumo-de-bebidas-na-gravidez.ghtml