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terça-feira, 16 de junho de 2020

O HEXÁGONO DE SATURNO É FINALMENTE EXPLICADO




Os maravilhosos e chamativos anéis de Saturno não são as únicas características que tornam esse planeta especial.

Saturno tem também uma feição de seis lados no seu polo norte, que os cientistas notaram pela primeira vez quando a sonda Voyager 2 da NASA passou pelo planeta em 1981. Conhecida como o Hexágono de Saturno, essa característica do planeta é ao mesmo tempo maravilhosa e estranha, um estranho fenômeno que só aparece no polo norte do planeta. Em um novo estudo, um grupo de pesquisadores investigou a dinâmica do gás de Saturno, para tentar entender que tipo de dinâmica de fluidos planetária estaria criando essa magnífica estrutura.

Para entender isso, os pesquisadores realizaram uma simulação computacional que durou um mês para rodar, para entender então a física por trás do Hexágono de Saturno.

De acordo com o estudo, os fluxos atmosféricos dentro de Saturno criam vórtices grandes e pequenos perto do polo norte do planeta. Um forte jato horizontal, que tem sua origem na latitude de 60 graus acima do equador é pinçado e confinado por esses vórtices, o que define o anel do hexágono.

Um dos pontos do estudo foi apontar que os vórtices existem, mas surgem bem abaixo dos topos das nuvens e por isso são invisíveis para as sondas que sobrevoaram Saturno como a Voyager 2, e, mais recentemente, pela missão Cassini da NASA. Depois que os dados da Voyager 2 chegaram na Terra, os cientistas criaram a hipótese de que o hexágono poderia ter sido causado por ciclones na subsuperfície, como sugere esse novo estudo.

Embora as observações que a Cassini fez de Saturno de 2004 até 2017 ajudem os cientistas a aprenderem mais sobre a dinâmica de fluidos do planeta, a teoria sobre vórtices profundos, não ganhou muita força quando a sonda não conseguiu captar sinais da sua existência.



Os pesquisadores realizaram simulações de profundas e turbulentas convecções compressíveis, um fenômeno que acontece quando o material na base de uma substância, seja ela, líquida ou gasosa é espessa e composta por várias camadas, está quente na base e frio no topo. Essa diferença de temperatura faz com que o material se mova num movimento circular de cima para baixo. A convecção é um processo comum na natureza, e na Terra, por exemplo, é a responsável pela formação de furacões e tornados.

Os pesquisadores falaram que o fenômeno é similar ao que acontece quando você coloca água fria numa chaleira, e começa a esquentar. O calor da base da chaleira aquece a água que transfere o calor para a superfície mais fria.

Na simulação, os pesquisadores capturaram a física por trás do hexágono do polo norte de Saturno e ofereceram a possibilidade que no passado, Saturno possa ter tido um hexágono no polo sul e não no norte, ou talvez um hexágono em cada polo.

A simulação não chegou a realizar uma forma hexagonal, ela produziu um objeto angulado com 9 lados ao invés de seis. Mas a mecânica por trás dessa simulação, sugere que os vórtices profundos sejam os responsáveis pela feição geométrica. É bem possível que com diferentes condições seja fácil chegar na forma de 6 lados ao invés de 9.

As simulações computacionais foram desafiadoras para serem rodadas e os pesquisadores só puderam fazer pequenos estudos dentro dos parâmetros existentes. Os pesquisadores esperam poder rodar mais casos no future para entender melhor ainda essa bela marca do planeta Saturno.

Fonte:

https://www.space.com/saturn-hexagon-subsurface-vortexes.html


Autor: SpaceToday
Fonte: SpaceToday
Sítio Online da Publicação: SpaceToday
Data: 16/06/2020
Publicação Original: https://spacetoday.com.br/o-hexagono-de-saturno-e-finalmente-explicado/

sexta-feira, 12 de junho de 2020

CIENTISTAS ESTÃO PERTO DE DETECTAR O SINAL DA ERA DAS TREVAS DO UNIVERSO



Hoje, as estrelas preenchem todo o céu. Mas quando o universo estava na sua infância, ele quase não continha estrelas. Agora, um grupo de pesquisadores, está mais perto do que nunca de detectar, medir e estudar um sinal dessa era, que viajou através do cosmos desde esse período sem estrelas, há 13 bilhões de anos.

A equipe de pesquisadores, realizou uma grande melhoria na coleta de dados emitidos nas ondas de rádio pelo Murchison Widefield Array. A equipe, está atualmente analisando os dados desse rádio telescópio que fica numa região remota do oeste australiano, para detectar um sinal dessa idade negra do universo, ainda pouco entendida.

Aprender sobre esse período irá ajudar os pesquisadores a acessarem grandes questões sobre o universo hoje.

Os pesquisadores acreditam que as propriedades do universo durante essa era tiveram um grande efeito na formação das primeiras estrelas e colocaram em movimento as feições estruturais que são observadas no universo atualmente. A maneira como a matéria foi distribuída no universo durante essa era negra, moldou como as galáxias e os aglomerados de galáxias são distribuídos hoje em dia.

Antes dessa era das trevas, o universo era quente e denso. Os elétrons e os fótons se chocavam regularmente, fazendo o universo ser opaco. Mas quando o universo tinha menos de um milhão de anos, as interações entre os fótons e os elétrons se tornaram raras. O universo em expansão tornou-se cada vez mais transparente e escuro, dando início a era das trevas.

A era sem estrelas, durou centenas de milhões de anos, durante a qual o hidrogênio neutro, ou seja, átomos de hidrogênio sem carga, dominavam o cosmos.

Para essa era das trevas, claro, não existia um sinal de luz para que os astrônomos possam estudar e entender melhor o que acontecia, mas não existia a luz visível. Porém, existia um sinal específico que os astrônomos podem procurar e estudar. Esse sinal vem de todo o hidrogênio neutro que compunha o universo. Esse sinal nunca foi medido, mas sabe-se que ele existe e está lá. Só que ele é bem complexo de ser detectado, pois desde que esse sinal foi emitido, há 13 bilhões de anos, o universo se tornou um lugar bem movimentado e complicado, preenchido outras atividades das estrelas, galáxias, e até mesmo a nossa própria tecnologia que acaba se sobrepondo ao sinal do hidrogênio neutro.



O sinal de 13 bilhões de anos que os astrônomos estão atrás é uma emissão eletromagnética de ondas de rádio do hidrogênio neutro emitido no comprimento de onda de 21 centímetros. O universo desde então se expandiu de modo que o sinal agora deve ter um comprimento de onda de 2 metros.

Esse sinal deve abrigar informações sobre a era das trevas e os eventos que a finalizaram.

Quando o universo tinha apenas 1 bilhão de anos, os átomos de hidrogênio começaram a se agregar formando as primeiras estrelas, terminando assim com a era das trevas. A luz dessas primeiras estrelas deu início a uma nova era na história do universo, a chamada de
Época da Reionização, onde a energia dessas estrelas converteu a maior parte do hidrogênio neutro em plasma ionizado. Esse plasma domina o espaço interestelar até hoje.

A Época da Reionização e a era das trevas são períodos críticos para se entender as características do nosso universo, como, por exemplo, porque temos algumas regiões preenchidas com galáxias e outras relativamente vazias, a distribuição da matéria e potencialmente até mesmo entender sobre a matéria escura e a energia escura.

O Murchison Array é a ferramenta que será usada para isso. Esse rádio telescópio consiste de 4096 antenas de dipolo, que registram sinais de baixa frequência como a assinatura eletromagnética do hidrogênio neutro.

Porém, esses sinais de baixa frequência são difíceis de serem detectados devido a todo ruído eletromagnético de outras fontes ao redor do cosmos, incluindo galáxias, estrelas e atividades humanas. A equipe de pesquisadores desenvolveu métodos sofisticados para filtrar esse ruído e poder então tentar detectar o sinal. Em 2019, os pesquisadores anunciaram que eles filtraram a interferência eletromagnética, incluindo, até transmissões de rádio, a partir de 21 horas de aquisição de dados obtidos pelo Murchison Array.

Além disso, a equipe tem cerca de 3000 horas de dados adicionais coletados pelo rádio telescópio. Os pesquisadores estão tentando filtrar a interferência e assim poderão chegar cada vez mais perto de detectar o sinal do hidrogênio neutro e assim tentar iluminar um pouco a era das trevas do universo.





Autor: SpaceToday
Fonte: SpaceToday
Sítio Online da Publicação: SpaceToday
Data: 12/06/2020
Publicação Original: https://spacetoday.com.br/cientistas-estao-perto-de-detectar-o-sinal-da-era-das-trevas-do-universo/