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quarta-feira, 1 de abril de 2020

Animais silvestres em cidades, canais cristalinos e ar límpido; confira o impacto do isolamento social na natureza


Canais de Veneza ficam limpos durante a quarentena. Foto: MSN


Isolamento social ajuda na recuperação ambiental

Por Ana Paula Scorsin

Várias medidas de isolamento social estão sendo tomadas mundo afora para conter a expansão do novo coronavírus e isso tem mudado o comportamento de alguns animais e até mesmo da paisagem. A desaceleração da produção industrial, entre outras medidas, contribui sensivelmente com a diminuição de fluxo de pessoas em vários lugares antes movimentados.

Sandra Maria Lopes de Souza, mestre em Gestão Ambiental e coordenadora dos cursos de Pós-Graduação em Meio Ambiente do Centro Universitário Internacional Uninter, explica que “a diminuição da interferência do homem no meio tende a ajudar na recuperação ambiental, seja na qualidade do ar, no habitat dos animais silvestres e urbanos e na diminuição dos impactos ambientais”.

No início de março foi registrado que os canais de Veneza, na Itália, voltaram a ter água clara e nítida. Em entrevista para a o canal norte-americano CNN, um porta-voz da prefeitura da cidade afirmou que isso aconteceu devido à diminuição do movimento dos barcos que, ao fazer o transporte de pessoas, agitam os sedimentos e os trazem para a camada mais superficial, para depois retornar ao fundo.

“Os sedimentos são resultantes da erosão de rochas, da precipitação química a partir de oceanos, vales ou rios. Também podem ter uma origem biológica, por organismos vivos ou mortos depositados na superfície da Terra ou nos corpos hídricos”, explica Sandra. Segundo a professora, sempre que se reduz ações do homem, a tendência é melhorar o habitat natural — no caso dos canais, o aparecimento da vida marinha.

Com a reclusão, os animais silvestres também passaram a ocupar os espaços urbanos. Um grupo de veados, por exemplo, apareceu circulando pelas ruas de Nara, no Japão. Na Itália, vários animais como ovelhas, javalis e até um cavalo caminharam tranquilamente pelas ruas vazias. Já na Tailândia, foram os macacos que dominaram as ruas devido à ausência humana.

“Não é de hoje que estamos percebendo que a fauna está cada dia com menos espaços apropriados para abrigo. O crescimento das cidades contribui muito para este processo. A pandemia colabora para que algumas espécies adentrem as cidades em busca de comida, uma vez que não há predadores. Outros fatores também contribuem para esse movimento, como a caça predatória, o tráfego ilegal de espécies e o desmatamento desenfreado”, comenta a professora.

Outro fator que pode ser observado na natureza é o ar mais puro nos países que adotaram o confinamento. Segundo registros realizados por satélite da Nasa, em fevereiro, a concentração de dióxido de nitrogênio (NO2) caiu drasticamente em Wuhan, cidade chinesa epicentro da pandemia de Covid-19. De vermelho/laranja, o mapa ficou azul. O mesmo fenômeno foi registrado pela Agência Espacial Europeia no norte da Itália, em uma área confinada há várias semanas para combater a propagação da doença.

“A crise de pandemia que estamos vivendo, não é e nunca será algo bom para a humanidade. Porém, podemos aprender que o ser humano não vive isolado e que precisa de toda a cadeia de produção. O momento é de repensar estilo de vida, necessidade de consumo, importância do trabalho e senso de cidadania e comunidade”, finaliza a especialista.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 01/04/2020





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 01/04/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/04/01/animais-silvestres-em-cidades-canais-cristalinos-e-ar-limpido-confira-o-impacto-do-isolamento-social-na-natureza/

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Maior traficante de animais silvestres do Brasil está preso e denunciado por lavagem de dinheiro

MPF estima que, em duas décadas, Valdivino Honório obteve mais de R$ 1,3 milhão com o tráfico



Imagem ilustrativa: Pixabay

Valdivino Honório de Jesus, considerado o maior traficante de animais silvestres do Brasil, está preso e denunciado por lavagem de dinheiro. A partir das investigações realizadas, o Ministério Público Federal (MPF) em Patos (PB) estima que o traficante obteve com o tráfico um patrimônio de mais de R$ 1,3 milhão, em duas décadas.

De 1996 para cá, nas outras 14 vezes em que foi detido pelo crime de tráfico de animais, Valdivino assinava o Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e era liberado. Agora, a partir de pedido feito pelo MPF em Patos, o traficante encontra-se preso preventivamente na Penitenciária Romero Nóbrega naquela cidade. Ele não cumpriu medidas cautelares determinadas em setembro de 2017, a exemplo do comparecimento em juízo uma vez por mês e o pagamento de um multa de R$ 40 mil. Somadas todas as multas impostas a Valdivino, a quantia já ultrapassa os R$ 9 milhões.

Lavagem de dinheiro – De acordo com as investigações, Valdivino colocava os bens adquiridos com dinheiro do tráfico de animais em nome de ‘laranjas’. Segundo o MPF, em cinco atos de lavagem de capitais, o denunciado empregou o dinheiro, majoritariamente, na compra de veículos.

Além da aplicação da pena privativa de liberdade, na denúncia de lavagem de dinheiro o Ministério Público Federal pede a perda de cargo, emprego ou função pública de Valdivino. Ele é servidor da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado da Paraíba (Emepa). O MPF requer ainda a reparação do dano, orçado em R$ 1,3 milhão, acrescidos de todos os débitos administrativos constantes nos processos em trâmite na 14ª Vara Federal.

Sequestro de bens – Além da denúncia por lavagem de dinheiro e o pedido de prisão preventiva – já acatado, o MPF em Patos ingressou na Justiça Federal com uma ação cautelar penal para sequestro de bens, em desfavor de Valdivino. Na ação, o Ministério Público requer sequestro da residência do denunciado, localizada na zona urbana de Patos.

O MPF pede o depósito do produto da alienação em conta vinculada ao juízo até a decisão final condenatória da ação penal principal, procedendo-se à sua conversão em renda ao Fundo Penitenciário Federal.

Denúncia por lavagem de capitais (n. 0800208-65.2018.4.05.8205)
Sequestro de bens (n. 0800213-87.2018.4.05.8205)

Fonte: Procuradoria da República na Paraíba

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/04/2018


Autor: EcoDebate
Fonte: Procuradoria da República na Paraíba
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 18/04/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/04/18/maior-traficante-de-animais-silvestres-do-brasil-esta-preso-e-denunciado-por-lavagem-de-dinheiro/