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terça-feira, 6 de julho de 2021

O que é ciência, método científico e divulgação científica?

Aristóteles definiu a ciência como um "conhecimento demonstrativo", ou seja, um tipo de conhecimento comprovado que pode ser expressado por meio de uma demonstração, com fundamento em observações, análises e experimentos considerando as mais diversas hipóteses sobre aquele assunto. Mas, se alguém perguntar a você "o que é ciência?", talvez seja difícil pensar em uma resposta correta, rápida e objetiva. Afinal, ciência é um conceito complexo e, por isso, nesta matéria explicamos o que é ciência, como funciona o método científico, e qual a importância da divulgação científica para a sociedade.

O que é ciência?

(Imagem: mediomix)

A palavra "ciência" vem do latim "scientia", que significa "conhecimento". Por isso é correto dizer que você "tomou ciência" quando tomou conhecimento de alguma coisa que aconteceu, de um fato.

No sentido mais específico da palavra, a ciência é aquele tipo de conhecimento que busca compreender verdades ou leis naturais para explicar o funcionamento das coisas e do universo em geral. É por isso que cientistas fazem observações, verificações, medições, análises e classificações, procurando entender os fatos e traduzi-los para uma linguagem estatística. E é aí que entra o método científico.
O que é o método científico

O método científico é, basicamente, um conjunto de regras para se realizar uma experiência, com o objetivo de produzir um novo conhecimento, além de corrigir conhecimentos pré-existentes. Essas regras são necessárias justamente para coibir a subjetividade, direcionando a pesquisa para a produção de conhecimentos válidos — em suma, científicos.


Existem variados tipos de métodos científicos, na verdade, seguindo diferentes linhas de procedimento. Então, o pesquisador pode tomar diferentes caminhos para realizar um trabalho verdadeiramente preciso, como os abaixo:
Experimental: este tipo engloba os métodos hipotético-dedutivo, de observação e medição
Dialético: este tipo considera o constante movimento dos fenômenos históricos e sociais
Empírico-analítico: este aqui se baseia na lógica empírica, diferenciando elementos de um fenômeno e revendo cada um deles individualmente
Histórico: tipo que relaciona o objeto ou fenômeno estudado às etapas pelas quais eles passam, em uma ordem cronológica

Normalmente, o método científico segue algumas etapas básicas para que o planejamento da pesquisa seja orientado. Não é algo mandatório, mas o comum é a seguinte ordem: observação, elaboração do problema, levantamento de hipóteses, experimentação, análise dos resultados e conclusão.



A observação é a etapa em que se observa o objeto ou fenômeno para começar a elencar como eles se relacionam com a realidade (ou a natureza). Então, na etapa em que se elabora o problema, o pesquisador organiza questões sobre o que está sendo observado, reunindo perguntas essenciais cujas respostas guiarão o estudo. Depois, é a hora de levantar hipóteses, usando conhecimentos prévios para supor respostas aos problemas levantados — esta etapa é uma das mais críticas; afinal, hipóteses mal elaboradas comprometem as etapas subsequentes e, consequentemente, todo o resultado do estudo.


Já na etapa da experimentação, é a hora de realizar experimentos que confirmem as hipóteses levantadas, com a união de teoria e prática. A ideia aqui é responder todos os questionamentos para verificar todos os resultados levantados, o que chega ao passo seguinte, que é justamente o de análise de resultados. Aqui, o pesquisador checa se o material reunido é suficiente para explicar todos os problemas elaborados de acordo com as hipóteses iniciais. É justamente nesta etapa em que se decide se será necessário levantar novas hipóteses ou não.

Por fim, a conclusão: é aqui que o pesquisador, então, faz afirmações sobre o objeto ou fenômeno estudado, tudo embasado pelo progresso das etapas anteriores e sua coerência. As afirmações em questão são o que se chama de teorias. Então, somente quando as diferentes hipóteses e experimentos feitos no estudo trouxerem sempre o mesmo resultado, é que as teorias poderão ser consideradas como leis, cientificamente falando.

E não podemos esquecer que, quando falamos em "ciência", não estamos falando apenas das ciências exatas ou biológicas— as ciências humanas também existem e tratam do comportamento do ser humano na sociedade. Contudo, nas ciências humanas nem sempre são usados os mesmos métodos das demais ciências, mas ainda assim mantêm o rigor do caráter científico em suas pesquisas e observações.

A importância da divulgação científica



Com o boom das redes sociais e da internet como um todo, a divulgação científica tem tido bastante destaque. Por um lado, é uma coisa boa: muito mais pessoas, hoje, têm acesso a conhecimentos científicos que, antes, acabavam restritos aos meios acadêmicos. Por outro lado, a qualidade e veracidade de informações disseminadas em redes sociais é motivo de preocupação — ainda mais em uma época em que as pessoas não se dão ao trabalho de checar o que recebem em grupos de WhatsApp e demais plataformas. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que a ciência ganhou um palco bastante democrático para se espalhar por aí, também vê o crescimento de correntes de desinformação que, abraçadas pela população geral, se tornam perigosas — como é o caso do movimento antivacinas, por exemplo, ou da negação das mudanças climáticas.

Por isso a difusão científica por parte da mídia é tão importante: o jornalismo tem justamente o papel de fazer checagem de fatos e informações, buscando a fonte de tal conhecimento para validá-las. A divulgação científica é o que transforma o discurso técnico em uma linguagem "palatável" para o público geral, fazendo com que qualquer pessoa, mesmo leiga, seja capaz de compreender o que está sendo divulgado.

E o Canaltech faz o seu papel: nossa editoria de ciência divulga, diariamente, as grandes notícias que impactam o meio científico, reunindo descobertas, estudos em andamento e tudo o que é importante para que os leitores fiquem por dentro do que está acontecendo no universo da ciência. Afinal, é vital que os pesquisadores dialoguem com a sociedade, mostrando suas pesquisas cujos resultados, muitas vezes, melhoram a vida das pessoas — e é preciso seriedade e comprometimento para levar essas informações ao público geral, ávido por inovações que mudam o mundo.

A ciência faz parte das nossas vidas de uma maneira mais íntima do que muitos imaginam, e ter acesso ao conhecimento científico é essencial para a construção de um mundo cada vez melhor.





Autor: Patrícia Gnipper
Fonte: canaltech
Sítio Online da Publicação: canaltech
Data: 19/11/2019
Publicação Original: https://canaltech.com.br/ciencia/o-que-e-ciencia-metodo-cientifico-e-divulgacao-cientifica-155693/

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Nova rede neural mostra que é possível ligar cérebro a computador sem usar fios

Uma nova técnica desenvolvida por cientistas da Universidade Brown, nos EUA, promete melhorar a tecnologia usada atualmente para conectar o cérebro humano a dispositivos eletrônicos. Em vez de cabos ligando corpo e máquina, será possível criar uma interface neural sem fios, aproveitando a velocidade das conexões de banda larga.


Hoje em dia, quando é preciso registrar sinais cerebrais, os cientistas recorrem a um método chamado de interface cérebro-computador intracortical (BCI da sigla em inglês). O dispositivo possui uma série de eletrodos que são implantados no córtex motor do paciente. Os sinais emitidos por esses dispositivos são transmitidos através de uma abertura no crânio, que se conecta aos cabos para enviar os dados para um computador externo.


BCI conecta cérebro ao computador (Imagem: Reprodução/Youtube National Science Foundation)

O problema é que os pacientes precisam estar fisicamente conectados a esse sistema, o que acaba limitando a mobilidade e interferindo na qualidade de vida dessas pessoas que necessitam ficar o tempo todo ligadas a uma máquina.

“Agora nós demonstramos que um BCI sem fio pode gravar sinais cerebrais com a mesma qualidade de um dispositivo com fio, por até 24 horas e sem que o paciente precise sair de casa”, disse o responsável pelo estudo, John Simeral.

Versão 2.0

O estudo das interfaces neurais sem fios foi baseado em um protótipo de transmissor projetado pelos engenheiros da universidade em 2014. O sistema original funcionava com cabos e era ligado a um equipamento chamado BrainGate, com 96 eletrodos que precisavam ser implantados no crânio do paciente.

O novo transmissor tem apenas cinco centímetros de diâmetro e pode ser conectado à mesma saída craniana usada pelos dispositivos com fios. A diferença é que, em vez de ficar com um emaranhado de cabos pendurados na cabeça, os sinais são transmitidos para antenas posicionadas na sala, no quarto ou em qualquer lugar onde o paciente esteja.

Nas imagens (acima e abaixo) é possível ver dois pacientes paralisados por lesões na medula espinhal movendo o cursor do mouse no computador para escrever ou acessar aplicações distintas. Em vez de terem que ir a um hospital ou laboratório, eles conseguiram cumprir as tarefas sem sair de casa.

Futuro promissor

Além de garantir mobilidade aos pacientes, os transmissores sem fio possuem uma bateria que dura cerca de 36 horas, o que permite um monitoramento constante mesmo a quilômetros de distância.

Outra vantagem é a utilização de sistemas de banda larga, fator ausente nos equipamentos da geração passada que dificultava a transmissão de dados em tempo real. “A evolução dos BCIs intracorticais sem fio é um grande passo em direção ao uso funcional de interfaces neurais de alto desempenho totalmente implantadas”, disse a coautora do estudo Sharlene Flesher.


Os pesquisadores esperam agora que a descoberta desperte o interesse de empresas como a Neuralink e a Kernel, que há anos buscam soluções práticas para transformar as interfaces neurais em dispositivos acessíveis, autônomos e minimamente invasivos.

Você acha que no futuro cérebros e computadores estarão totalmente conectados? Comente.

Fonte: Singularity Hub, Ieeexplore




Autor: Gustavo Minari
Fonte: Singularity Hub, Ieeexplore
Sítio Online da Publicação: canaltech
Data: 14/03/2021
Publicação Original: https://canaltech.com.br/ciencia/nova-rede-neural-mostra-que-e-possivel-ligar-cerebro-a-computador-sem-usar-fios-182655/