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quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Veja os projetos para aviões não poluentes (e qual a chance de saírem do papel)



CRÉDITO,AIRBUS
Legenda da foto,

O Airbus Maveric é uma aeronave de teste de asa mista com controle remoto


Em um local não revelado, a Airbus passou meses testando um avião com uma aparência radical. Com 3 metros de largura, ele é pequeno, mas pode ser o início de algo muito grande na indústria aeroespacial.


Ele se parece com uma rampa voadora — conhecido na área como um design de asa mista.


A Airbus chama a aeronave controlada remotamente de Maveric e faz questão de enfatizar que, no momento, está apenas explorando como funciona a configuração dela. Mas diz que o design tem "grande potencial".


Um dia, ele poderá ser dimensionado para o tamanho de um avião normal de passageiros.


Em aeronaves tradicionais, a fuselagem é basicamente um peso morto e precisa de asas grandes para se manter no céu.

Em um projeto de asa combinada, toda a fuselagem fornece sustentação, portanto pode ser mais leve e menor do que os projetos atuais, carregando potencialmente a mesma carga útil.


O Maveric é uma das várias iniciativas da Airbus, mas há muitas outras de empresas aeroespaciais que tentam cumprir a meta da indústria de reduzir pela metade as emissões das viagens aéreas até 2050, em comparação com os níveis de 2005.


"Há um grande desafio aqui. E há uma grande expectativa da sociedade para a qual acreditamos ser nosso dever encontrar respostas", disse Sandra Bour-Schaeffer, presidente-executiva da Airbus UpNext, que avalia novas tecnologias para o gigante mercado aeroespacial europeu.


"Acreditamos que temos que entrar em uma tecnologia realmente… revolucionária", diz ela.



CRÉDITO,TU DELFT
Legenda da foto,

O projeto do Flying-V veria os passageiros transportados nas asas da aeronave

Uma ideia igualmente radical está sendo explorada na Delft University of Technology, na Holanda.

Os pesquisadores estão trabalhando em um projeto conhecido como "Flying-V" (V-Voador, em tradução livre). É um novo conceito para uma aeronave comercial, que eles afirmam ser até 20% mais eficiente do que um avião moderno de última geração, como o Airbus A350.


Como o Maveric, ele abandona a ideia de uma fuselagem convencional. Mas, neste caso, a forma é mais parecida com uma ponta de flecha, com duas asas se estendendo atrás da cabine em formato de V. Os passageiros e a carga seriam transportados dentro das próprias asas.


Os designers acham que seria mais barato construir tudo ao invés de fazer uma asa mista porque os dois braços do V poderiam ser "plugados" no resto da fuselagem. Portanto, a aeronave poderia ser construída em partes, em vez de toda de uma vez.


"Achamos que podemos manter os custos de fabricação relativamente baixos, em comparação com conceitos que teriam componentes mais exclusivos", disse Roelof Vos, o líder do projeto do Flying-V e professor assistente da Delft University of Technology.


O projeto foi feito a partir da tese de um aluno de pós-graduação. Ele está sendo desenvolvido com o apoio da companhia aérea holandesas KLM e da Airbus — e em julho um protótipo voou pela primeira vez, de uma base aérea na Alemanha.


O voo da aeronave de teste — um drone movido a bateria com uma envergadura de 9 pés (2,74 metros) — foi considerado um sucesso.



CRÉDITO,TU DELFT
Legenda da foto,

Um modelo em escala de voo do Flying-V sendo preparado para testes


Os pesquisadores disseram que a máquina teve um bom desempenho, embora tenha sofrido uma espécie de oscilação aerodinâmica, conhecida como "rolamento holandês". Isso tornou difícil manter as asas niveladas e resultou no que eles descreveram como "uma aterrissagem um tanto áspera", que danificou o trem de pouso dianteiro.


Os dados desses testes estão sendo analisados ​​e incorporados a um simulador de voo.


As companhias aéreas viram suas receitas caírem devido à pandemia, mas, apesar disso, a KLM diz que continuará apoiando as pesquisas sobre o Flying-V.


Os atrativos de aeronaves mais eficientes são óbvios, para um setor onde o controle de custos é vital para a lucratividade e que está sob intensa pressão para reduzir seu impacto ambiental.


Mas como o layout básico das aeronaves comerciais permanece inalterado há décadas, outras questões práticas devem ser consideradas — algumas das quais o especialista em aviônica Steve Wright, da Universidade do Oeste da Inglaterra, descreve como "obstáculos".


Entre eles estão a forma como os passageiros embarcam ou saem da aeronave. No caso da asa mista, por exemplo, a ampla seção central poderia tornar o embarque mais demorado, enquanto os passageiros do meio estariam longe das saídas em caso de emergência.


Há também a questão do conforto do passageiro. Aqueles sentados perto da lateral da aeronave — e efetivamente perto da borda da "asa" — sentiriam um movimento muito maior quando a aeronave estivesse inclinada, pois a decolagem e a aterrissagem teriam que ser em ângulos mais íngremes do que o normal.


Construir um novo tipo de aeronave também representaria um desafio para a indústria aeroespacial. A Airbus, por exemplo, fabrica partes e componentes de aeronaves existentes em toda a Europa, antes de trazê-los para a montagem final em Hamburgo e Toulouse. É uma cadeia de suprimentos experimentada e testada, usando a experiência específica presente em cada região.


A Airbus insiste que questões como essas já estão sendo consideradas como parte do processo de design — mas há poucas dúvidas de que um design como a asa combinada ou Flying-V representa uma grande aposta para um fabricante.



CRÉDITO,BOEING
Legenda da foto,

Projeto Transonic Truss-Braced Wing da Boeing


Sua rival Boeing passou anos estudando um conceito que é menos obviamente radical, mas ainda assim um afastamento claro do que temos hoje: a asa transônica com suporte em treliça.


Aeronaves equipadas com a asa pareceriam relativamente convencionais, com uma fuselagem central. Mas a própria asa seria muito mais longa e fina, e seria apoiada por um suporte, ou treliça, inclinada por baixo da fuselagem. A asa seria dobrada para facilitar o acesso aos portões convencionais dos aeroportos.


A Boeing diz que o novo design precisaria de 9% menos combustível do que um design convencional.


Mas a pesquisa atual não se concentra apenas na aerodinâmica. Há também a questão de como as futuras aeronaves serão movidas. Para voos de curto alcance, com um número limitado de passageiros, a energia da bateria pode ser viável. Projetos como o Eviation Alice — exibido no Paris Airshow 2019 — baseiam-se na comprovação desse conceito.


Para distâncias mais longas, as baterias são hoje impraticáveis porque são simplesmente muito pesadas e não contêm energia suficiente para compensar esse peso. A indústria explorou outras opções, como a hibridização — na qual parte do impulso necessário para voar é fornecido pela energia elétrica.


Um grande projeto de pesquisa foi o E-Fan X da Airbus, uma parceria entre a Airbus, Rolls-Royce e a Siemens. Envolveu a instalação de um único motor elétrico de 2 MW (2.700 cv), alimentado por um gerador de bordo, em um avião de teste BAe 146 com quatro motores.


Mas o experimento foi cancelado no ano passado — antes que o sistema pudesse ser testado em voo — porque os efeitos do surto da covid-19 levaram a Airbus a rever suas prioridades.



CRÉDITO,AIRBUS
Legenda da foto,

A Airbus está explorando o uso de hidrogênio como combustível em seu projeto ZEROe


Essas prioridades agora incluem pesquisas sobre propulsão de hidrogênio.


A Airbus se comprometeu a construir a primeira aeronave de emissão zero do mundo até 2035. Seus planos contam com a criação de sistemas híbridos, usando motores de turbina a gás com queima de hidrogênio, além de células de combustível de hidrogênio para gerar energia elétrica.


Em setembro, a Airbus apresentou três projetos conceituais movidos a hidrogênio.


O combustível de hidrogênio poderia até ser combinado com um design radical — um dos conceitos incluía a asa mista.


Mas há um problema significativo aqui. A maior parte do nosso suprimento de hidrogênio hoje é derivado do metano — um combustível fóssil — que é misturado ao vapor em altas pressões. É um processo de uso intensivo de energia que cria quantidades significativas de dióxido de carbono.


Para ter emissões verdadeiramente zero, as aeronaves precisariam ser movidas a hidrogênio produzido de uma forma muito mais ecológica — e grandes quantidades seriam necessárias. Mas, de acordo com Glenn Llewellyn, vice-presidente da Airbus para aeronaves de emissão zero, a própria sociedade acabará fornecendo a solução.


"Na próxima década, para que a sociedade em geral cumpra o Acordo de Paris, para cumprir nossas metas climáticas, precisamos mudar para o hidrogênio renovável", explica ele.






Autor: Ben Morris e Theo Leggett
Fonte: BBC News
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 18/01/21
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55653656

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Pesquisa revela que contaminação de rios e mares por poluentes químicos reduz populações de peixes

Poluentes químicos jogados na natureza possuem estrogênio, que provoca a feminilização dos peixes.

Piranha e um peixe da região amazônica



A contaminação de rios e mares de várias partes do mundo está provocando a feminilização de peixes. Isso porque os poluentes químicos têm alto nível de estrogênio – o hormônio sexual feminino produzido nos ovários. Segundo especialistas, há cerca de 100 mil tipos de poluentes químicos no ambiente. De forma regular, pelo menos 30 mil são despejados na natureza. Produtos farmacêuticos como anticoncepcionais, veterinários, cosméticos, de higiene, limpeza e agrotóxicos estão na lista.

O assunto foi discutido no 11º Simpósio Internacional de Fisiologia da Reprodução (ISRPF), realizado com apoio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus (AM). No evento, o pesquisador Charles Tyler, da University of Exeter, na Inglaterra, explicou como os poluentes impactam a vida selvagem, mais especificamente os peixes – grupo mais exposto à contaminação das águas.

Segundo ele, os poluentes ferem ou mutilam o sistema reprodutivo dos peixes, impactando o tamanho das populações, podendo provocar a extinção ou perda local. “O que se vê é que esses poluentes têm um nível muito alto de estrogênio, e isso tem causado uma feminilização da população, mas ainda não dá para dizer que é isso que está fazendo extinguir”, ressaltou Tyler.

A maioria desses estudos é feita nos Estados Unidos, Europa e Austrália. As pesquisas na bacia amazônica estão começando. “Não há dúvida de que temos problema de poluição na Amazônia, mas não se sabe se o problema aqui é tão grande quanto já é na Europa”, afirmou o pesquisador inglês.

Ele explicou que o sistema de rios da Amazônia amplia a capacidade de diluição dos poluentes. “É muito provável que os problemas que percebemos na Europa e no resto do mundo também ocorram na Amazônia. Agora, o nível e o grau de impacto ainda estão por ser estudados.”

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/06/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 13/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/13/pesquisa-revela-que-contaminacao-de-rios-e-mares-por-poluentes-quimicos-reduz-populacoes-de-peixes/

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Software calcula emissões de poluentes por veículo, via e horário

Um programa de computador que estima o volume de poluentes emitidos por veículos automotores, testado na região metropolitana de São Paulo, é o resultado de pesquisa do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. A partir de dados sobre o fluxo de tráfego, velocidade e fatores de emissão dos modelos em circulação, o software calcula os níveis de emissões por trecho de via, horário e ano de produção dos veículos. Por meio do programa, descobriram-se as regiões que concentram mais poluentes e que os veículos que entraram em circulação entre 1992 e 1996 emitem mais monóxido de carbono (CO). Também comprovou-se que os automóveis contribuem com mais de 70% do material que forma na atmosfera o ozônio, um gás nocivo à saúde humana e ao meio ambiente.


Assista ao vídeo sobre a ferramenta:


A partir de dados sobre tráfego, velocidade e emissões dos modelos em circulação, software calcula níveis de emissão por trecho de via, horário e ano de produção dos veículos

“Muitos países em desenvolvimento não têm ferramentas para fazer uma boa gestão ambiental da poluição do ar”, destaca o engenheiro ambiental Sérgio Ibarra Espinosa, que realizou o estudo. De acordo com o pesquisador, para diminuir as concentrações de poluentes e a exposição às pessoas, uma ferramenta importante são os inventários de emissões, que são a quantificação das massas de poluentes emitidas pelas diferentes fontes de poluição do ar numa cidade.




No caso de São Paulo e de outras megacidades do mundo, as fontes mais importantes de poluentes são os veículos. Se houver uma boa ferramenta que permita avaliar as emissões, vai ser possível tomar decisões inteligentes e diminuir a poluição do ar.

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O programa, denominado Vehicle Emissions Inventory (VEIN), permite calcular as emissões veiculares em cada rua e cada horário, dependendo do tráfego existente. “A primeira informação necessária para fazer as estimativas são os dados de tráfego e fluxo veicular em cada hora e, se estiverem disponíveis, informações sobre velocidade”, explica Espinosa. “Quando se sabe quais ruas têm mais tráfego, já se nota que há mais emissões. Se há um fluxo que vai mais rápido ou mais depressa, isso também tem influência.” O segundo grupo de informações utilizadas pelo software são os fatores de emissões, que são a quantidade de poluentes emitida por cada veículo.


Por meio do programa, descobriram-se as regiões que concentram maior quantidade de poluentes na Grande São Paulo – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Estudos mostram que diversos fatores cinemáticos influenciam a geração de poluição pelos veículos, como aceleração, velocidade, modo de dirigir, deterioração do motor e dos componentes e falta de manutenção, além da carga, declividade, tipo do combustível e da tecnologia”, relata o pesquisador. Os fabricantes de veículos medem as emissões veiculares para certificar que estão dentro dos padrões de emissão.

Os resultados são enviados aos órgãos ambientais por ano e modelo,a fim das empresas obterem a licença de comercialização, permitindo também o controle durante a fabricação e venda. “Em média, as emissões aumentam em velocidades abaixo de 20 quilômetros por hora. Isso é muito comum em congestionamentos, onde o movimento de acelerar e frear o veículo se repete com muita frequência, levando a um maior consumo de combustível e, em consequência, a mais emissões.”
Desgaste do catalisador

A partir dos dados sobre tráfego, velocidade e fatores de emissão, o programa faz a estimativa das emissões por tipo de veículo, considerando o tempo de uso. “No caso de São Paulo, por exemplo, o pico das emissões de monóxido de carbono se dá nos modelos que entraram no mercado entre 1992 e 1996, que são os veículos com padrão Proconve L2”, conta Espinosa. “Estes foram os primeiros automóveis a utilizarem catalisador. Este equipamento é muito sensível e degrada devido ao tempo e à manutenção inadequada, perdendo a capacidade de oxidar ou filtrar o CO, causando aumento das emissões.”

Os resultados das estimativas são processados e usados na produção de mapas que indicam os locais e horários onde há mais emissão de poluentes. “No caso da Grande São Paulo, por exemplo, as maiores concentrações de CO e hidrocarbonetos são registradas nas Marginais do Tietê e Pinheiros”, observa o pesquisador. “Quanto ao material particulado e os óxidos de nitrogênio, os níveis mais elevados têm lugar no Rodoanel Metropolitano, devido ao maior fluxo de veículos pesados, principal fonte de emissões desses poluentes.”


Sérgio Espinosa, que realizou a pesquisa, aponta que o VEIN é um software livre, disponível online e sem necessidade de pagamento de licença – Foto: Jorge Maruta/USP Imagens

Espinosa observa que enquanto as concentrações dos outros poluentes têm apresentado tendência de queda em São Paulo, como o CO e o material particulado, o nível de ozônio na atmosfera tem aumentado nos últimos anos. “O ozônio não é emitido, mas gerado na atmosfera a partir da reação entre a radiação solar e os óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos que os veículos e outras fontes emitem. Ele acarreta um elevado custo social, pois causa problemas de saúde, aumento da mortalidade e efeitos nocivos ao meio ambiente”, alerta.

“Por meio do programa é possível mapear a concentração do poluente, comprovando que os veículos contribuem com mais 70% do material que forma o ozônio.” De acordo com Espinosa, é muito importante que os veículos tenham uma boa manutenção, não apenas para reduzir a poluição do ar e melhorar o meio ambiente.


Gráficos indicam as emissões de monóxido de carbono (CO) por dia e horário (esq.) e por idade dos veículos (dir.) (Clique para ver em tamanho completo)

“Se não há uma boa combustão dentro do veículo, além de emitir mais poluentes, ele vai desperdiçar combustível; em outras palavras, irá jogar dinheiro fora.” O pesquisador destaca que o VEIN é um software livre, disponível online. “Qualquer pessoa pode baixar, contribuir e usar da maneira que considerar mais conveniente, sem necessidade de pagar pela licença do programa.”

Mapas interativos indicam emissões de poluentes na Grande São Paulo
Abaixo, os mapas com os níveis de monóxido de carbono (esq.) e hidrocarbonetos (dir.). Embaixo, as concentrações de óxidos de nitrogênio (esq.) e material particulado (dir.). Clique nas imagens para abrir os mapas interativos

















Autor: Jornal USP
Fonte: Jornal USP
Sítio Online da Publicação: Jornal USP
Data de Publicação: 08/05/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-ambientais/software-calcula-emissoes-de-poluentes-por-veiculo-via-e-horario/

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Poluentes de vida curta ameaçam clima, saúde e produção agrícola na América Latina, diz relatório da ONU Meio Ambiente

Até 2050, se adotarem medidas para combater os poluentes de vida curta, países da América Latina e do Caribe poderão reduzir em 0,9ºC o aumento da temperatura regional.

A estimativa é de um relatório divulgado neste mês (19) pela ONU Meio Ambiente, que alerta para os riscos à saúde, à natureza e à produção agrícola de substâncias como o metano, o carbono negro, os hidrofluorocarbonos (HFC) e o ozônio.




Na imagem, poluição atmosférica na cidade de São Paulo. Foto: Flickr/Thomas Hobbs (cc)

Até 2050, se adotarem medidas para combater os poluentes de vida curta, países da América Latina e do Caribe poderão reduzir em 0,9ºC o aumento da temperatura regional. A estimativa é de um relatório divulgado neste mês (19) pela ONU Meio Ambiente, que alerta para os riscos à saúde, à natureza e à produção agrícola de substâncias como o metano, o carbono negro, os hidrofluorocarbonos (HFC) e o ozônio.

A pesquisa da agência das Nações Unidas aponta que reduções desses compostos químicos poderiam provocar uma queda de 26% no número de mortes prematuras causadas pela poluição do ar por partículas finas. Quando considerados os óbitos associados à contaminação por ozônio, o índice poderia chegar a 40%.

A ONU Meio Ambiente estima que, em 2010, 64 mil pessoas morreram na América Latina e no Caribe devido à exposição a esses materiais.

Estratégias para mitigar os poluentes de vida curta também permitiriam evitar perdas anuais de 3 a 4 milhões de toneladas de cultivos básicos.

De acordo com o levantamento, em 2010, o ozônio foi responsável por um prejuízo de 7,4 milhões de toneladas em produtos agrícolas, como soja, milho, trigo e arroz.

Segundo a análise da ONU, até 2050, a mortalidade prematura, associada às partículas finas e ao ozônio, poderá dobrar. Já as perdas da agricultura poderão alcançar 9 milhões de toneladas por ano.
Ozônio

O ozônio é um gás que se forma tanto nas altas camadas da atmosfera (a estratosfera), como nas baixas (a troposfera). Na estratosfera, a substância protege a vida terrestre da radiação ultravioleta do sol. Mas na troposfera, ela atua como um poluente perigoso. O ozônio é um dos principais componentes de névoa urbana e o terceiro maior causador do aquecimento global, atrás apenas do metano e do gás carbônico. Pesquisas associaram o contato com a substância a índices mais altos de infartos, acidentes vasculares cerebrais, doenças cardiovasculares e problemas reprodutivos e de desenvolvimento. O gás também reduz o rendimento das safras e a qualidade e produtividade das plantações.

Podendo permanecer na atmosfera desde horas até dias, o ozônio é considerado um poluente secundário, pois não é emitido diretamente por uma atividade humana. Na verdade, a substância se forma quando gases precursores, como o metano, o monóxido de carbono e o óxido de nitrogênio, reagem na presença da luz solar. Por isso, é tão importante reduzir as emissões de metano.



A ONU Meio Ambiente lembra que o potencial de aquecimento atmosférico dos poluentes de vida curta é bem mais alto que o do gás carbônico, podendo atingir um valor mil vezes maior que a taxa atribuída ao dióxido de carbono.

A agricultura, o transporte e a refrigeração doméstica e comercial são, respectivamente, os maiores responsáveis pelas emissões de metano; carbono negro e partículas tóxicas finas; e hidrofluorocarbonos.
Soluções

O relatório das Nações Unidas apresenta medidas para diminuir as emissões desses compostos que desregulam o clima e ameaçam a vida no planeta.

Para combater o metano, são necessárias mudanças em quatro setores-chave – produção e distribuição de petróleo e gás, gestão de resíduos, mineração de carvão e agricultura. A pesquisa recomenda práticas de captura e uso dos gases liberados na produção de petróleo e gás; separação e tratamento dos resíduos sólidos municipais que sejam biodegradáveis; e captura do biogás proveniente do esterco do gado.

Até 2050, estratégias poderiam reduzir em 45% as emissões de metano.
Metano

O metano é o segundo gás com maior impacto sobre o aquecimento do planeta, depois do gás carbônico. A América Latina e o Caribe respondem por aproximadamente 15% de todas as emissões dessa substância. Quase todo o metano liberado na atmosfera vem de três setores: agricultura (cerca de 50%); produção e distribuição de carvão, petróleo e gás (em torno de 40%); e gestão de resíduos (por volta de 10%). O gás permanece na atmosfera por aproximadamente 12 anos e é considerado um importante precursor do ozônio.



O volume de carbono negro liberado nos países latino-americanos e caribenhos também pode ter queda considerável – de 80% – até 2050. Para isso, governos devem adotar normas equivalentes ao padrão europeu para regular os veículos a diesel, além de incorporar filtros para as partículas liberadas pelo combustível nesses automóveis.

Outras iniciativas exigidas são a eliminação dos veículos de altas emissões; a modernização de cozinhas e estufas; e a proibição da queima a céu aberto de resíduos agrícolas.

No caso dos hidrofluorocarbonos, a ONU Meio Ambiente recomenda a substituição desses compostos por alternativas que não tenham impacto sobre as variações do clima. Os HFCs são usados principalmente nos sistemas de refrigeração e ar condicionado, bem como na confecção de espumas isolantes e mecanismos de disparo aerosol. Até 2020, o consumo dessas substâncias deverá dobrar. Uma vez no ambiente, elas permanecem de 15 a 29 anos na atmosfera.

“Muitos países já estão implementando medidas para eliminar as emissões procedentes dos setores de transporte e energia, mas sua aplicação não é uniforme na região”, avalia a chefe da Secretaria da Coalizão Clima e Ar Limpo, Helena Molin Valdés.

“Políticas públicas mais exigentes e um maior controle da contaminação podem impulsionar os incentivos econômicos e os benefícios para a ação climática, a saúde, a agricultura e o desenvolvimento sustentável. É essencial agir rapidamente.”
Carbono negro

O carbono negro é formado a partir da combustão incompleta de combustíveis fósseis ou biocombustíveis. A substância contribui para a produção de partículas finas, associadas a doenças pulmonares e cardiovasculares, derrames, infartos, patologias respiratórias crônicas, como bronquite, e agravamento da asma.

A América Latina e o Caribe são responsáveis por menos de 10% do total global de emissões de carbono negro geradas pelo homem, excluindo da estimativa os incêndios florestais e em regiões de savana. O transporte e a queima residencial de combustíveis sólidos para o preparo de alimentos e aquecimento residencial são a causa de 75% das emissões na região. Mais de 60% delas vêm do Brasil e do México.



Para o diretor da ONU Meio Ambiente para a América Latina e o Caribe, Leo Heileman, nações devem se inspirar nas soluções apresentadas pelo levantamento.

“Se os países da região as adotarem, contribuirão para manter o aumento da temperatura do planeta abaixo do limiar de 2ºC estabelecido no Acordo Climático de Paris”, afirmou o representante do organismo internacional.

O relatório Avaliação Integrada dos Poluentes Climáticos de Vida Curta é o primeiro do tipo elaborado pela agência das Nações Unidas e reúne trabalhos de 90 autores, coordenados por um grupo de especialistas. A publicação foi lançada pela ONU em parceria com a Coalizão Clima e Ar Limpo.

Acesse o documento na íntegra clicando aqui.


Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/04/2018



Autor: ONU Brasil
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 25/04/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/04/25/poluentes-de-vida-curta-ameacam-clima-saude-e-producao-agricola-na-america-latina-diz-relatorio-da-onu-meio-ambiente/

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Tragédia de Mariana: Desastre com barragem acordou ‘monstro’ de poluentes no Rio Doce, diz perito



Governador Valadares (MG) – Passagem da lama pelo Rio Doce, por causa do rompimento de barragem em Mariana, causou desastre ambiental. Foto: Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios/Divulgação

O desastre ambiental com a Barragem de Fundão, explorada pela Samarco em Mariana (MG), que completou dois anos em novembro, fez com que poluentes que estavam estabilizados no fundo do Rio Doce subissem, piorando ainda mais as condições da água. Metais como arsênio, chumbo, manganês, níquel, cromo e alumínio (substâncias danosas à saúde humana) passaram a ser encontrados nas coletas de pesquisadores. Esses elementos não faziam parte do que foi encontrado originalmente no rejeito da barragem.

“Com a passagem da lama, que veio de uma vez com muita energia e grande volume, o movimento revolveu o fundo do leito do rio. É como se tivesse acordado um monstro”, explica o perito criminal federal Marcus Vinícius Andrade, que chefiou a equipe que fez a coleta de provas e coordenou os laudos da investigação. “Até hoje, em vários pontos, temos um nível alto de poluentes”.

O “monstro acordado” pode ser um dos responsáveis pela piora na qualidade da água dois anos depois do desastre, conforme constatou a Fundação SOS Mata Atlântica. Segundo estudo da entidade, as condições estão ruins ou péssimas em 88,9% dos 18 pontos de coleta analisados. Em apenas dois pontos, a qualidade foi apontada como regular (11,1%). A fundação informou que a água apresenta concentrações “elevadas de sólidos em suspensão e metais pesados” como manganês, cobre, alumínio e zinco.

O relatório dos peritos criminais federais explicou que “a onda liberada pelo rompimento da barragem, com elevado volume e energia, carreou parte do solo às margens e revolveu sedimentos do fundo do Rio Doce e seus afluentes, suspendendo elementos até então retidos para esses corpos d’água”. Foram mais de 330 mil análises de água em laboratórios brasileiros. Os peritos realizaram ainda, na época, 26 coletas em Fundão, com o lançamento de sondas por helicóptero, quando foram encontrados minérios de ferro e manganês. Ao longo do rio, a coleta é feita com equipes em barcos.

Desde o ciclo do ouro

Segundo Marcus Andrade, esses poluentes que foram suspensos, e que estavam estáveis no fundo do rio, hoje em quantidade muito acima do nível esperado, são o resultado de uma história longa de deposição que vem desde a exploração do ciclo do ouro na região. Não houve elementos para avaliar se alguma parte dessas substâncias é de outras empresas, que também jogam materiais no Rio Doce, antes, durante ou depois do desastre. O perito aponta que, antes do desastre, a maioria dos pontos dos rios tinha qualidade média ou boa e utilizável para tratamento de água. “Esse relatório da SOS Mata Atlântica afirma, inclusive, que a maioria dos pontos estava em situação ruim ou péssima, o que impede a captação de água em todas aquelas cidades ao longo do rio”.

Para a especialista em água da SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro, condições naturais também têm influenciado a situação do rio. “A seca extrema e o baixo volume de água causaram uma concentração dos poluentes, o que fez com que a poluição, apesar de imperceptível a olho nu, esteja em concentração bem maior do que no ano passado”. Para Marcus Andrade, a recuperação do rio deve demorar muito tempo. “Não é só a toxicidade do rejeito, mas a própria característica de os compostos ficarem suspensos e manter a turbidez, com a pouca transparência da água. Até hoje, isso prejudica muito a proliferação da vida aquática ou a utilização do rio”.

O perito criminal federal Rodrigo Mayrink, que é veterinário e fez exames nos peixes mortos no Rio Doce, concorda que metais pesados que aparecem nas coletas são resultado do desastre que teria revirado o fundo do leito. Ele lembra que o rio atravessa polo industrial importante em Minas Gerais, o que contribui historicamente para a poluição. “No Vale do Aço, há uma série de pequenas e médias indústrias, como de papel e celulose, que acabam jogando rejeitos no rio, que são tratados de uma forma ou de outra”.

Valor do prejuízo

O oceanógrafo e professor gaúcho Antonio Philamena, que realiza perícia independente em Mariana, faz um estudo para apontar o valor monetário do prejuízo do desastre para a sociedade. Ele utiliza duas metodologias, uma para avaliar o dano na bacia e outra para avaliar os danos indiretos. Philamena defende a valoração para subsidiar políticas públicas e legislações, a fim de coibir instalações de empresas sem aporte financeiro para lidar com cenários como esse em Minas Gerais.

“Nossa questão é entender como uma indústria de determinado valor acaba com um rio. Eu vou fazer um cálculo para avaliar qual seria o valor de um rio. Estou melhorando o modelo para servir de base. Multa é diferente de reparação. O rio virou um canal. Como uma barragem pode fazer uma destruição tão grande? Se a empresa não tem dinheiro para cobrir um desastre, não deveria funcionar”. Alguns gastos são mensuráveis, outros não. “A parte tecnológica é até mais simples, mas o impacto social não tem como calcular”.

Por Luiz Cláudio Ferreira, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/12/2017



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 18/12/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/12/18/tragedia-de-mariana-desastre-com-barragem-acordou-monstro-de-poluentes-no-rio-doce-diz-perito/